Mês: julho 2015



Prisão em massa esconde a interesses econômicos

 A Indústria do Encarceramento

"Se afasto do meu jardim os obstáculos que impedem o sol e a água de fertilizar a terra, logo surgirão plantas de cuja existência eu sequer suspeitava. Da mesma forma, o desaparecimento do sistema punitivo estatal abrirá, num convívio mais sadio e mais dinâmico, os caminhos de uma nova justiça."- Louk Hulsman

O homem já voou (1906); já pisou na lua (1969) e passeou no espaço; descobriu a penicilina (1941); inventou o telefone (1876); inventou o rádio (1920) e a televisão (1925); transplantou coração (1967); clonou mamífero (1996); mas, para punir seres humanos ainda se utiliza da prisão.

A prisão continua sendo há mais de dois séculos a principal forma de punição para os “perigosos”, “vulneráveis”, “estereotipados” e “etiquetados”, enfim, para os que são criminalizados (criminalização primária e secundária) em razão de um processo de estigmatização, segundo a ideologia e o sistema dominante.

Apesar de todas as descobertas e avanços da humanidade a indústria do encarceramento, alimentada pela indústria do crime, continua funcionando a todo vapor, em pleno século XXI.

A “matéria-prima” utilizada pelas indústrias do crime e do encarceramento, ou seja, a clientela penal, em regra é composta por pessoas que estão fora da sociedade de consumo, sociedade guiada pelo mercado e pelo perverso sistema capitalista. Pessoas que estão “fora do jogo”. No dizer de Zygmunt Bauman[1] “os jogadores incapazes e indolentes devem ser mantidos fora do jogo. Eles são o refugo do jogo, mas um produto que o jogo não pode parar de sedimentar sem emperrar. Além disso, há uma outra razão por que o jogo não se beneficiará em deter a produção de refugo: é necessário mostrar aos que permanecem no jogo as horripilantes cenas (como se lhes diz) da outra única alternativa – a fim de que estejam aptos e dispostos a suportar as agruras e tensões geradas pela vida vivida como jogo.” 

Ainda, de acordo com o respeitado sociólogo polonês, “dada a natureza do jogo agora disputado, as agruras e tormentos dos que dele são excluídos, outrora encarados como um malogro coletivamente causado e que precisava ser tratado com meios coletivos, só podem ser redefinidos como um crime individual. As ‘classes perigosas’ são assim redefinidas como classes de criminosos. E, desse modo, as prisões agora, completa e verdadeiramente, fazem as vezes das definhantes instituições de bem-estar”.

Hodiernamente, a população carcerária americana (maior do planeta) ultrapassa a cifra de 2,3 milhões de presos. Como em boa parte do mundo, nos EUA a população carcerária tem um inegável caráter seletivo. Verifica-se que 63% dos presos são negros ou hispânicos, embora estes representem apenas 25% da população total.

Referindo-se ao superencarceramento nos Estados Unidos, Loïc Wacquant[2] afirma que o mesmo “serve antes de mais nada para administrar o populacho que incomoda, mais do que para lutar contra os crimes de sangue, cujo espectro assombra as mídias e alimenta uma florescente indústria cultural do medo aos pobres…”

O Brasil caminha a passos largos para atingir o seu primeiro milhão. Hoje a população carcerária brasileira ultrapassa a cifra de 715.000 presos, contando os que estão em prisão domiciliar, sendo a terceira maior população carcerária do mundo. Uma proporção de 358 pessoas presas para cada 100 mil habitantes. E como já foi dito alhures, na sua esmagadora maioria composta pelos mais vulneráveis e excluídos da sociedade de consumo e capitalista. Uma população compostas por jovens, negros, pobres, sem qualquer formação e de baixa escolaridade.

“Mais cárcere, mais confinamento, mais repressão”, afirma com precisão e toda sua experiência, a criminóloga venezuelana Lola Aniyar de Castro[3]. Segundo ela, a realidade na América Latina nos séculos XX e XXI caracteriza-se por apresentar os mais elevados índices históricos de violência carcerária, trata-se de “um barril de pólvora sempre preste a explodir”. A construção de novas prisões, sempre proposta como solução para o problema da superpopulação carcerária, constata Aniyar de Castro, levará a mais encarceramento, posto que “mais espaço disponível tem como resultado mais confinamento”. Afirma, ainda, com toda lucidez criminológica, que “a luta contra as prisões é uma luta social e política. É, pela seletividade da prisão, é também uma luta contra a pobreza”.

Para Nils Christie[4] o tamanho da população carcerária é uma questão normativa. Segundo o sociólogo e criminólogo norueguês, falecido em 27 de maio do corrente ano, “é necessário colocar limites ao crescimento da indústria carcerária. A situação exige uma discussão séria sobre os limites do crescimento do sistema formal de controle do crime. Pensamentos, valores, ética – e não o impulso industrial – devem determinar os limites do controle, o momento em que este já é suficiente”.

Sobre outras formas de punição que não a cadeia, vale lembrar a parábola trazida pelo abolicionista Louk Hulsman[5] (Penas Perdidas: o sistema penal em questão). “Cinco estudantes moram juntos. Num determinado momento, um deles se arremessa contra a televisão e a danifica, quebrando também alguns pratos. Como reagem seus companheiros? É evidente que nenhum deles vai ficar contente. Mas, cada um, analisando o acontecido à sua maneira, poderá adotar uma atitude diferente. O estudante número 2, furioso, diz que não quer mais morar com o primeiro e fala em expulsá-lo de casa; o estudante número 3 declara: ‘o que tem que fazer é comprar uma nova televisão e outros pratos e ele e ele pague’. O estudante número 4, traumatizado com o que acabou de presenciar, grita: ‘ele está evidentemente doente; é preciso procurar um médico, levá-lo a um psiquiatra, etc…’. O último, enfim, sussurra: ‘a gente achava que se entendia bem, mas alguma coisa deve estar errada em nossa comunidade, para permitir um gesto como esse… vamos juntos fazer um exame de consciência’”.

Como salienta o autor, nesta parábola tem-se quase toda a gama de reações possíveis diante do fato atribuído a uma pessoa. O estilo punitivo, os estilos compensatório, terapêutico e conciliador… Chamar um fato de “crime”, diz Hulsman, significa excluir de antemão todas outras linhas de reação punitiva, outros estilos de controle social: medidas sanitárias, educativas, de assistência material ou psicológica, reparatórias, etc…

Presentemente não há como negar que a pena é uma clara manifestação do poder. Não sendo a pena racional, distingue-se das demais sanções jurídicas por exclusão. Como salienta Zaffaroni, “a falta de racionalidade da pena deriva de não ser um instrumento idôneo para a solução de conflitos. Logo, toda sanção jurídica ou imposição de dor a título de decisão de autoridade, que não se encaixe nos modelos abstratos de solução de conflitos dos outros ramos do direito, é uma pena”.

A prisão, ainda que “modelo”, é uma ofensa à dignidade humana. Já foi dito inúmeras vezes, é fábrica de delinquentes, é uma universidade do crime, universo alienante e artificial de onde ninguém sai melhor do que entrou. A prisão é uma contradição em si. Como punir e castigar e ao mesmo tempo reformar? Como (re) socializar privando da vida em sociedade? Como (re) educar na prisão? Na verdade, o que ocorre é uma “pseudo-regeneração”, pois aqueles que passaram por uma prisão e saíram depois de cumprir suas penas, já não são mais os mesmos que entraram. Aqueles morreram.

No filme “Um sonho de liberdade” (The Shawshank Redemption), de 1994, de Frank Darabont, há um diálogo protagonizado pelo brilhante ator Morgan Freeman, que vive o papel do preso “Red”(Ellis Boyd Redding), e o Responsável pela condicional que descreve com peculiaridade a chamada “pseudo-regeneração” e as consequências nefastas do longo período de encarceramento, do seguinte modo:

[Responsável pela condicional] “Ellis Boyd Redding. Sua ficha diz que já cumpriu 40 anos da prisão perpétua. Está regenerado?” [Red] “Regenerado? Bem, vamos ver. Não tenho a mínima ideia do que seja isso” [Responsável pela condicional] Significa que está pronto para se reintegrar à sociedade… [Red] “Sei o que acha que significa, filho. Para mim é uma palavra inventada. Uma palavra dos políticos para que jovens como você possam vestir terno e gravata e ter um emprego. O que quer saber de verdade? Se me arrependo do que fiz?” [Responsável pela condicional] “Está arrependido?” [Red] “Não há um único dia em que não me arrependa. Não é porque estou aqui ou porque você acha que eu deveria. Ao recordar do passado, vejo um jovem, um rapaz idiota que cometeu um crime horrível. Tento falar com ele. Tento passar um pouco de juízo para ele. Ensinar como são as coisas. Mas não posso. Aquele garoto não existe mais. O que sobrou foi esse velho aqui. Tenho de conviver com isso. Regenerado? É uma palavra de merda. Então, filho, carimbe os seus formulários, porque não quero mais perder tempo. Pois para falar a verdade estou pouco ligando.”

O regenerado é “apenas uma múmia ressequida e meio louca” escreveu Dostoievski em sua obra autobiográfica Recordação da Casa dos Mortos, onde descreve o período de 4 anos em esteve preso na Sibéria.

Michel Foucault[6], em seu Vigiar e punir, referiu-se ao “poder disciplinar” da prisão pelo qual a disciplina fabrica “corpos submissos” e “dóceis”. Segundo Foucault, “o poder disciplinar é, com efeito, um poder que, em vez de se apropriar e de retirar, tem como função adestrar; ou sem dúvida adestrar para retirar e se apropriar ainda mais e melhor…”

Todos os autores (penalistas ou não) com um mínimo de visão crítica e um pouco de conhecimento da realidade carcerária são unânimes em reconhecer e descrever os males da prisão e o efeito criminógeno do cárcere.

Contudo, a incapacidade dos atores do direito penal e da criminologia de superar a obsessão do sistema punitivo pela pena carcerária traduz, no dizer crítico de Salo de Carvalho[7], “inúmeras faces dos seus discursos e de suas práticas: do gozo com os suplícios e da vontade de punição à incapacidade de propor rupturas radicais; do temor pelo novo à resignação com as lógicas punitivas. E o discurso político, em particular jurídico-penal, em razão de sua tradição metafísica, acaba neutralizando as formas de enfrentamento da situação, pois invariavelmente, remete a discussão a problemas reais ao plano dos fundamentos da punição, dos critérios de definição das penas, do grau de lesão da conduta ao bem jurídico, entre outros temas extremamente caros aos teóricos da pena e do delito”.

Por tudo, é necessário e urgente que a sociedade reflita sobre a cultura do encarceramento em massa, que ao longo dos anos, principalmente das últimas duas décadas, tem levado à incapacidade e à morte vários seres humanos. Para tanto, é preciso repensar o binômio crime/prisão. É imprescindível buscar alternativas ao atual sistema de punição degradante e desumano. Mas, para isso, é forçoso desmascarar o discurso das teorias manifestas (legitimantes) da pena.  É imperativo que os penalistas e criminólogos se desprendam de uma vez por todas do falacioso discurso da (re) generação, (re) educação, (re) socialização e (re) integração. Posto que todos estes “res”, como bem foi dito pelo personagem Red, interpretado por Morgan Freeman no filme “Um sonho de liberdade”, são palavras de “merda” e que somente ajudam a justificar o atual e degradante sistema penal.

Quem sabe no futuro próximo alguma mente brilhante apresente uma nova descoberta ou invenção mais humana e menos humilhante e, portanto, compatível com o Estado democrático de direito, que não a prisão. Mesmo que, para isso, seja preciso “roubar os anéis de saturno”.

Leonardo Isaac Yarochewsky é Advogado Criminalista e Professor de Direito Penal da PUCMinas
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Hoje tem Concerto da Harmonia

Concerto da Harmonia celebra a cidade

Quarteto Descobertas e Orquestra Sol Maior, do maestro e violinista Roney Marczak, fazem apresentação pela paz social em Londrina

A palavra harmonia significa exatamente a mesma coisa em latim, em grego e na língua portuguesa. A origem remota do termo vem da raiz indo-europeia ar-, com sentido de “articular, encaixar”. Harmonia tem uma relação profunda com a música. Segundo o Dicionário de Termos e Expressões Musicais, de Henrique Autran Dourado, harmonia é “a combinação de notas musicais soando simultaneamente para produzir acordes combinados”. Mas a palavra também pode ser usada no sentido psicológico e social. O indivíduo em paz consigo mesmo tem uma alma ordenada, na qual as partes se equilibram com o todo. Pela mesma lógica, a paz social depende de relações harmônicas entre as pessoas.

A trajetória do maestro e violinista Roney Marczak e seu projeto social, a Escola de Música Sol Maior, representa um busca incessante pela harmonia na música, na comunidade e na própria alma das pessoas. Por isso, os apoiadores de seu projeto decidiram chamar de Concerto da Harmonia a apresentação musical que o Quarteto Descobertas e a Orquestra Sol Maior vão realizar em Londrina, no próximo dia 30 de julho, no Teatro Crystal, antes de iniciar a nova turnê pela Europa. É uma oportunidade para que os cidadãos de Londrina reconheçam o valor desse trabalho artístico que projeta nossa cidade na esfera internacional da música.

No Concerto da Harmonia, Roney Marczak e seus parceiros apresentam um repertório que combina tesouros da música popular e erudita. O que importa não é a origem social ou classificação das obras, mas a sua qualidade intrínseca. A excelência musical tem sido a estratégia escolhida por Marczak para semear a harmonia social em nossa comunidade, preparando jovens londrinenses para a arte e para a vida. Esse ideal combina perfeitamente com a doutrina do empreendedorismo social, que norteia as ações da ACIL e de outras entidades representativas locais. Dizia o professor José Monir Nasser: “Uma sociedade não pode ser rica antes de ser inteligente. Não pode existir uma economia realmente sólida e desenvolvida sem que haja uma elite cultural voltada para os bens espirituais, capaz de guiar, julgar e interpretar os esforços da comunidade.”

A ideia de realizar o Concerto da Harmonia vem ao encontro de um anseio da sociedade londrinense: unir as pessoas em torno dos mesmos ideias de trabalho, excelência e desenvolvimento. Nosso desafio é criar uma cultura da harmonia, em oposição A exemplo dos músicos de uma orquestra, todos nós podemos dar uma contribuição importante para o progresso harmônico e equilibrado da nossa querida cidade. Se você acredita em Londrina, tem um lugar reservado na plateia deste espetáculo.

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Faleceu hoje Padre Chico Azevedo

Eu sou novo da Arquidiocese de Londrina. Conheci o pe Chico em Rolândia, em 2006, quando lá fazia pastoral aos finais de semana. Ia com ele nas missas nas capelas rurais e dos bairros da paróquia São José de Rolândia. Fica agora a imagem de um homem muito querido e amado, um padre respeitado. Ofereceu sua vida para o Reino de Deus. Tinha uma alegria estampada no rosto, apesar das dores e sofrimentos por conta da doença que lhe chegava devagarinho. Gostava de contar estórias e algumas piadas. Em seus últimos dias, esteve conosco em nossa festa junina. Era um avozinho que a todos agradava. Obrigado padre pelo testemunho. Deus o receba com alegria e muita festa.  Descanse em paz. Que brilhe para  ti, a luz de Deus.  Fica nossa oração e admiração. Reze por mim, aí junto de Deus.

Faleceu nesta noite aos 79 anos o Pe Francisco Walter de Azevedo, conhecido como Padre Chico. Ele nasceu em Londrina em novembro de 1935, quando a cidade ainda não havia completado um ano de emancipação político-administrativa. Após trabalhar como bancário e cursar Filosofia e Teologia em Curitiba, foi ordenado padre em 1971 na Paróquia São José de Rolândia, pelo então arcebispo de Londrina, Dom Geraldo Fernandes, tornando-se o primeiro padre ordenado na Arquidiocese.
Nos primeiros cinco anos de sacerdócio trabalhou atendendo as paróquias do município de Rolândia. Na região norte do Estado, padre Francisco Walter Azevedo foi pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Primeiro de Maio, e da Paróquia Nossa Senhora das Graças, em Centenário do Sul.
Em Londrina foi pároco por 16 anos da Paróquia São José Operário, no jardim Leonor, período durante o qual foi o fundador da Paróquia São Judas Tadeu, no jardim Maria Lúcia. Em 2006, atendendo a convite do padre Antonio Cossari, responsável pela paróquia do jardim Maria Lúcia, passou a residir na Casa Paroquial do bairro, mesmo continuando a auxiliar o Monsenhor José Bernard Agius em celebrações aos sábados e domingos nas capelas de Rolândia.
Na região norte do Estado, padre Francisco Walter Azevedo foi pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Primeiro de Maio; e da Paróquia Nossa Senhora das Graças, em Centenário do Sul. Ele estava afastado dos serviços pastorais em razão de problemas de saúde e residia na casa paroquial no Jd Maria Lucia.

Pe. Chico, assim carinhosamente chamado, exerceu seu ministério por vários anos em nosso meio, foi o primeiro padre nativo de nossa Arquidiocese.
Seu velório está sendo no Santuário São Judas Tadeu (Jd. Leonor), a Missa de Corpo Presente será celebrada amanhã, 31/07, às 09h e seu sepultamento será no Cemitério Municipal de Cambé. Também haverá missas hoje às 13, às 16 horas e ás 19 horas. 
Neste momento de dor, a Arquidiocese de Londrina, em oração, agradece o dom da vida e o ministério deste nosso irmão no múnus sacerdotal, que este tanto dedicou à Igreja de Londrina.Reafirmamos nossa fé na Ressurreição e a certeza de que ele, agora, celebra sua Páscoa Definitiva na paz eterna do Senhor.
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Sínodo da Família apresenta diretrizes

Francisco pediu que todos presentes no Sínodo falassem sem temores sobre as questões em debate – ANSA
Cidade do Vaticano (RV) – O Instrumento de trabalho do Sínodo ordinário sobre a família foi apresentado na manhã desta terça-feira (23/06) na Sala de Imprensa da Santa Sé. O documento inclui a Relatio Synodi – texto conclusivo do precedente Sínodo realizado em outubro de 2014 –, integrado com a síntese das respostas ao questionário proposto no decorrer do ano a todas as Igrejas no mundo.O Instrumento está divido em três partes: a escuta dos desafios sobre a família, o discernimento da vocação familiar e a missão da família hoje.Não à remoção da diferença sexual

Quanto a este ponto, evidenciam-se as “contradições culturais” da nossa época, em que se diz que “a identidade pessoal e a intimidade afetiva devem afirmar-se numa dimensão radicalmente desvinculada da diversidade biológica entre homem e mulher” ou que se pretende reconhecer o matrimônio a casais compostos independentemente da diversidade sexual. Daqui o chamado a um “melhor aprofundamento humano e cultural, não somente biológico, da diferença entre os sexos” porque a sua remoção “é o problema, não a solução”.

Família, pilar fundamental da sociedade

O Instrumentum chama em causa também as “contradições sociais” que levam à dissolução da família: guerras, migrações, pobreza, exploração, cultura do descartável e conjuntura econômica “desfavorável e ambígua”, enquanto as instituições falham, incapazes de amparar os núcleos familiares. Estes, ao invés, “pilar fundamental e irrenunciável do convívio social”, necessitam de “políticas adequadas”.

Dignidade para idosos e deficientes. Pastoral específica para famílias migrantes

O documento ressalta a importância da família como instrumento de inclusão, sobretudo de categorias frágeis, como os viúvos, os idosos e os deficientes. Cita-se ainda a importância de uma pastoral específica para as famílias migrantes, sobretudo em contextos onde não existe um acolhimento autêntico, para não alimentar fenômenos de fundamentalismo. E o drama cresce quando a migração é ilegal, promovida por “circuitos internacionais de tráfico de seres humanos”. O Instrumentum destaca também o papel das mulheres, recordando suas chagas – exploração, violência, aborto, útero de aluguel – e auspiciando uma valorização de sua figura na Igreja.

Sacramento indissolúvel do matrimônio

A segunda parte reafirma a indissolubilidade do matrimônio sacramental, mas recorda, ao mesmo tempo, que a Igreja deve “acompanhar” os momentos de sofrimento conjugal, numa ótica de misericórdia que não compromete a verdade da fé. “Todos têm necessidade de dar e receber misericórdia”, lê-se na terceira parte, e “alguns pedem que também a Igreja demonstre uma atitude análoga em relação àqueles que romperam a união”.  O documento retoma, portanto, um ponto-chave da Relatio Synodi, isto é, o dos casos de nulidade matrimonial: quanto à gratuidade dos processos, registra-se um amplo consenso.

Reavaliar as formas de exclusão litúrgico-pastorais dos divorciados recasados

Sobre os divorciados recasados, auspicia-se uma reflexão sobre a oportunidade de eliminar “as formas de exclusão atualmente praticadas no campo litúrgico-pastoral, educativo e caritativo”, porque estes fiéis “não estão fora da Igreja”. Os caminhos de integração pastoral devem ser precedidos por um “oportuno discernimento” e realizados “segundo uma lei gradual que respeite o amadurecimento das consciências”. Quanto à Eucaristia para os divorciados recasados, o  Instrumentum evidencia “o acordo comum” sobre a hipótese de uma “via penitencial” sob a autoridade de um bispo. Por fim, embora se mantém a contrariedade da Igreja quanto às uniões homossexuais, se reitera que “toda pessoa, independentemente da própria tendência sexual, deve ser respeitada na sua dignidade e acolhida, com sensibilidade e delicadeza, na Igreja e na sociedade”. As Igrejas locais, portanto, são encorajadas a realizar projetos pastorais específicos para as pessoas homossexuais e suas famílias.

O documento termina recordando o Jubileu extraordinário da Misericórdia, que terá início em 8 de dezembro próximo, à luz do qual se insere o Sínodo. A Assembleia episcopal está programada de 4 a 25 de outubro, sobre o tema “A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo”.

Fonte: Rádio Vaticano
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Igreja inspira mais confiança do que outras instituições brasileiras

Olha que dados interessantes dessa pesquisa fresquinha, da semana passada. Podem falar o que quiser, mas as pessoas confiam mais na Igreja do que qualquer outra instituição. Até mais do que na imprensa.  As razões, certamente por causa do trabalho e da seriedade, da verdade, da honestidade de tudo que é proposto. Igreja soa segurança e firmeza, num tempo bagunçado como nosso.  Talvez alguém se arvore em dizer que se trata de conservadorismo ou fechamento de nossa sociedade. Eu me atrevo a dizer que as pessoas confiam na Igreja porque ela tende a defender a vida, a verdade, a justiça, a paz. Ser menos ideológica, mais humana e solidária. Está sempre ao lado do povo em suas demandas. Parabéns a todos os membros de Igrejas. Sigamos firme no trabalho de ser sal e luz, farol, para nossa sociedade. Fica a dica aos nossos governantes, eleitos ou não, a imprensa também: Ouçam mais a Igreja, respeitem-na mais em suas posições. Não vire as costas para os clamores da Igreja, não trabalhe contra a Igreja. Afinal, o Estado é Laico, e não a-religioso. E o povo brasileiro confia Nela. Pensem Nisso.

Entre as instituições, Igreja lidera em confiança na opinião pública

Entre as instituições, Igreja lidera em confiança na opinião pública

Apenas 13,2% dizem “confiar sempre” na imprensa

A pesquisa CNT/MDA, realizada de 12 a 16 de julho, mostra um desalento quase completo dos brasileiros em relações às instituições.

Todas as demais instituições aparecem bem atrás. As Forças Armadas, com 15,5%, estão em 2º lugar. A Justiça vem em 3º, com 10,1%. Daí para frente, os percentuais são de 5% para baixo. A imprensa –que tem participado ativamente de apuração de casos recentes de corrupção– surge com meros 4,8% no ranking das instituições que mais merecem a confiança dos brasileiros.

TABELA-RANKING-INSTITUICOES-CNT-MDA-JUL2015

Quando o instituto MDA pergunta individualmente sobre o grau de confiança dos brasileiros em cada instituição, a situação não muda muito.

Segundo o levantamento, 43% dos brasileiros “confiam sempre” na Igreja. Outros 27,5% confiam na “maioria das vezes” –total de 70,5%, a maior taxa entre todas as instituições pesquisadas.

 

Fonte: Catholicus

 

 

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Novos beatos para Igreja Católica

Papa Francisco autoriza oito novos decretos de beatificação

Papa Francisco autoriza oito novos decretos de beatificação

O Papa Francisco autorizou o Cardeal Angelo Amato, Prefeito da Congregação das Causas dos Santos, a promulgar oito Decretos de Beatificação. A audiência particular ocorreu na tarde desta quinta-feira (16), na Casa Santa Marta, no Vaticano. Os Decretos são concernentes às virtudes heroicas dos seguintes Servos e Servas de Deus:

Métropolite André SzeptyckyjAndrei Szeptyckyj, no civil romano Alessandro Maria, da Ordem de São Basílio, arcebispo-Mor de Leopolis dos Ucranianos, Metropolita de Halyc, nascido em 1865, na Ucrânia, onde morreu em 1944;

Giuseppe CarraroGiuseppe Carraro, Bispo de Verona, nascido em Mira, Itália, em 1899 e morto em Verona em 1980;

Agostino Ramírez Barba, sacerdote diocesano, Fundador da Congregação das Irmãs Servas do Senhor da Misericórdia, nascido em 1881, em San Miguel el Alto, México, e morto e Teplatitán, em 1967;

Aniello Francisco Saverio MarescaSimpliciano da Natividade, no civil Aniello Francisco Saverio Maresca, sacerdote professo da Ordem dos Franciscanos Menores, Fundador das Irmãs Franciscanas dos Sagrados Corações, nascido em Meta de Sorrento, Itália, em 1827, e morto em Roma, em 1898;

Maria Teresa Dupouy BordesMaria Teresa Dupouy Bordes, religiosa professa da Sociedade do Sagrado Coração de Jesus, Fundadora da Congregação das Missionárias dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria, nascida em Saint Pierre d’Irube, França, em 1873, e morta em San Sebastián, Espanha, em 1953;

Elisa MiceliElisa Miceli, Fundadora do Instituto das Irmãs Catequistas Rurais do Sagrado Coração, nascida em Longobardi, Itália, em 1904, e morta em Frascati, perto de Roma, em 1976;

Isabel Méndez HerreroIsabel de Maria Imaculada, no civilIsabel Méndez Herrero, Irmã professa da Congregação das Servas de São José, nascida em Castellanos de Moriscos, Espanha, em 1824, e morta em Salamanca, em 1953.

Fonte: Catholicus

 

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Dia dos avós. Papa envia mensagem

Papa Francisco envia mensagem pelo Dia dos Avós

Na mensagem, o Santo Padre reitera ainda o seu apoio “aos que cuidam dos idosos com amor, contribuindo ao bem comum da sociedade”.

O Dia é promovido todos os anos por ocasião da Festa dos Santos Joaquim e Ana – os avós de Jesus – pela associação católica espanhola “Edad Dorada-Mensajeros de la Paz”, empenhada na assistência e na promoção da terceira idade.

A finalidade é sensibilizar a sociedade sobre o respeito devido às pessoas idosas, apreciar o valor precioso dos avós em cada família e chamar à atenção as necessidades da terceira idade.

A capital espanhola, Madrid, abrigará este ano o evento central deste Dia: uma Missa presidida na Igreja de Sant’António por Dom Luis Gutiérrez Martín, Bispo emérito de Segóvia.

No fim da celebração, será lida a mensagem do Papa Francisco, com a sua bênção apostólica.

Fonte: News.va
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OUÇAMOS ESSE GRITO EM FAVOR DA PAZ

Um grito que não se quer ouvir!!!

O MOVIMENTO NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS (MNDH) DO ESTADO DO PARANÁ, associação civil de direito privado (BR), sem fins lucrativos e econômicos, apartidária e não confessional, de abrangência nacional, com sede na Galeria dos Estados, Salas 23 e 24, Asa Sul, Brasília/DF, PASTORAL CARCERÁRIA ARQUIDIOCESANA DE LONDRINA, entidade da sociedade civil e organização de interesse público legitimada para atuar nas instituições de privação de liberdade a fim de prestar assistência religiosa, com sede na Rua Dom Bosco, nº 145, na cidade de Londrina, Estado do Paraná, vem, respeitosamente, perante a sociedade londrinense, visando cumprir com as normas atinentes à proteção dos direitos humanos da República Federativa do Brasil, expor o que se segue:

  1. Por mais de uma década se clama por mudanças efetivas no sistema carcerário londrino, denunciando o improviso e a precariedade das cadeias públicas e presídios tanto nas esferas administravas, como judiciais, bem como junto aos organismos nacionais (Ministério Público, Conselho Nacional de Justiça), e também organismos internacionais (Corte Interamericana de Direitos Humanos – CIDH), logo, se existe um Estado fora da Lei, é o Estado do Paraná, pois coloca em risco a segurança da democracia.
  2. A capacidade atual das cadeias públicas do Paraná é de 4.227 vagas, porém a realidade é de 9.793 internos, ou seja, um excedente de 5.556. Que o Estado tem tentado colocar nas Penitenciárias Estaduais, levando para lá os problemas encontrados hoje nos Distritos.
  3. Não bastasse isto, falta efetivo de agente de cadeia pública e Policiais Militares para guarda externa nos Distritos. Também a falta de uma Defensoria Pública Estadual decente impede que os presos sem condições financeiras tenham uma defesa nos moldes constitucionais, pois o Ministério Público Estadual, em muitos casos, só sabe pedir a prisão, ignorando outras alternativas ao encarceramento, o que é, infelizmente, avalizado pelo Poder Judiciário. Não faz uso das Audiências de Custódias, por exemplo.
  4. A superlotação acumulada com a falta de tratamento penal naquelas unidades coloca em risco a segurança, a paz de todos os cidadãos. Toda a sociedade padece, como visto no último episódio, quando houve fuga em massa no 4º Distrito Policial. Sem contar o risco de vida dos servidores públicos que atuam nas cadeias públicas.
  5. O medo, o horror, as inseguranças vividas pela população londrinense poderiam ser evitadas se não fossem os atos omissivos do Estado (deixar de fazer algo descrito em lei), especialmente a Lei de Execuções Penais – LEP.
  6. O Governo do Estado, sempre que provocado por nós, apresentou paliativos de soluções de cunho imediatistas, com promessa a longo prazo de resolver de modo efetivo o problema da superlotação carcerária. Promete-se muito, e pouco se faz, naquela velha máxima política eleitoreiras do pão e circo. Por exemplo: o Centro de Triagem da Policial Civil continua lastimável; a Defensoria Pública sem a mínima condição de atuação; não abertura de concurso público para contratação de agente penitenciário/cadeia; já se foram dois anos e a obra do anexo da Casa de Custodia não iniciou; também não construiu as prometidas cadeias públicas para a cidade de Londrina.
  7. O Governo parece ignorar, fazer pouco caso do grito dos organismos sociais de promoção da dignidade da pessoa humana. Mostra-se truculento e omisso.

Esse quadro tem nos preocupado, chamamos a sociedade londrinense a nos ajudar na cobrança das autoridades públicas de segurança, pois com a soma de todos os setores da sociedade nessa mesma demanda por solução ao problema carcerário em Londrina, certamente avançaremos em medidas que buscarão o fim do descaso com as cadeias públicas. Pedimos assim, que não nos calemos. Manifeste-se também. Deixemos o Governo saber de nossa indignação ética diante do caos em nossas carceragens. Levantemos nossa voz pela paz em nossas ruas e pelo trabalho em nossas cadeias que melhore os presos. Não toleramos nenhuma forma de violência, muito menos a cometida pelo Estado contra qualquer pessoa quer seja ela, encarcerada ou não.

 

CONTATOS: Carlos Santana –         MNDH:  96464570

Padre Edivan Pedro – Pastoral Carcerária:  99547117

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Estado Trata mulheres encarceradas como homens

Prisões femininas: presas usam miolo de pão como absorvente

As condições precárias nas quais as detentas sobrevivem, usando jornal como papel higiênico, são relatadas em livro escrito por jornalista

Júlia Paolieri e Wagner Machado
Tentar mapear a população carcerária feminina no País é como mergulhar em um buraco negro de desinformação. Encontrar até dados básicos, como o número detentas, já é um desafio e tanto. Informações da Pastoral Carcerária de 2010, por exemplo, demonstram que há quase 35 mil detentas em presídios brasileiros. A ausência de informações dá uma ideia do abandono em que vivem essas mulheres – esquecidas pelos livros, os jornais, as pesquisas, o próprio sistema carcerário e o governo.

Foi essa a conclusão a que chegou a jornalista Nana Queiroz, autora do livro Presos que Menstruam (Editora Record, 2015) . Ela analisou o sistema carcerário brasileiro ao longo de quatro anos e teve contato com algumas das detentas que passaram e ainda passam seus dias em condições brutais.

“As especificidades de gênero são ignoradas”, assegura Nana, em conversa com Terra . “O Estado esquece que as mulheres precisam de absorventes, por exemplo, e que precisam de papel higiênico para duas necessidades em vez de uma. Ou ainda que as mulheres engravidam, têm filhos e precisam amamentar”.

Para escrever Presos que Menstruam , Nana conversou com detentas de várias partes do país e colheu depoimentos de suas experiências dentro das prisões. O livro traça o perfil de algumas dessas mulheres enquanto expõe os problemas e desafios do sistema prisional feminino.

Discursando sobre a gravidez dentro dos presídios, a presença dos bebês que convivem nas prisões, o tratamento dado às famílias durante as visitas, o abandono, e todas as torturas físicas e psicológicas às quais são submetidas, Nana fala abertamente sobre a miséria do sistema carcerário brasileiro, acabando com os tabus que acobertam o tema.

 Foto: Divulgação

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Mulheres: prisioneiras ignoradas
“Quando comecei a pesquisar encontrei um completo silêncio sobre o assunto. Era como se não tivessem mulheres presas no Brasil”, explica Nana sobre o tabu que é ainda hoje falar sobre os presídios femininos ao redor do país.

As mulheres são esquecidas pelo próprio sistema carcerário que as trata como homens. A elas são oferecidos os mesmos auxílios que aos prisioneiros do sexo masculino, ignorando a diferença de gênero e necessidades extras.

Conforme explica a jornalista, alguns presídios oferecem um pacote pequeno de absorventes para o ciclo menstrual, mas, conforme muitas detentas relataram, eles não são suficientes para aquelas com fluxo maior. Em casos extremos, quando falta absorvente durante a menstruação, detentas improvisam usando miolo de pão como absorvente interno.

 Foto: Getty Images

Em presídios femininos, mulheres sofrem com forma de vida brutal
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O miolo do pão velho é guardado para essas situações. As mulheres o amassam para que fique no formato de um O.B. e colocam-no dentro da vagina para absorver o fluxo menstrual.

Situações degradantes como essa são comuns em presídios femininos e em presídios mistos. Em algumas prisões, os itens de higiene pessoal são de responsabilidade da própria detenta, ou seja, ela depende daquilo que seus familiares fornecem durante as visitas.

No entanto, as presas são comumente abandonadas pelos familiares e parceiros quando condenadas, e, portanto, não recebem nada da família – nem visitas ou itens básicos. “Elas ficam sem assistência e os itens de higiene são os primeiros que faltam”, conta Nana.

Em outras prisões, cada detenta recebe um ‘kit’ básico mensal, mas que não dura o mês todo. Para conseguir sobreviver antes de receber o próximo kit, uma senhora presa, que não recebia visita de seus 20 filhos e 19 netos há 3 anos, contou que costuma recolher restos de jornal para usar como papel higiênico.

Como são raros, os itens de higiene são usados como moedas de troca dentro dos presídios femininos. “Cigarro, shampoo, sabonete, esmalte e tinta de cabelo são moedas valiosíssimas dentro dos presídios femininos, muito mais do que nos masculinos, porque as mulheres tentam recuperar a dignidade através da vaidade”, observa Nana.

Filhos do cárcere 

“Grades e jaulas fazem parte do pequeno mundo de Cássia, são tudo o que ela conhece (…) Cássia nasceu presa, como centenas de outros bebês brasileiros”.

O trecho do livro estampa a condição da maioria das crianças que nascem em presídios Brasil afora. A história de Cássia se repete em outras prisões, algumas vezes com situações ainda mais precárias, envolvendo constantes torturas psicológicas e físicas aos recém-nascidos.

Como Cássia, Nana relata que muitas crianças que nascem em presídios – e ali ficam com as mães até os seis meses de idade – não conhecem a família e desenvolvem comportamentos ‘limitados’, sem expressar grandes emoções.

Em alguns presídios, é permitido às crianças ficarem em contato com a mãe de modo contínuo ao longo do dia. Mas, com essa aproximação, os bebês não recebem os cuidados adequados a suas necessidades. Há casos, por exemplo, em que os filhos dormem no chão da cela das mães, sem maiores aconchegos.

Enquanto algumas unidades materno-infantis oferecem um local apropriado para crianças passarem os primeiros meses de vida, com berços e atendimento médico, demais presídios, como os mistos, geralmente oferecem locais frios, úmidos, com poucos espaços sociais e condições de saúde e de higiene precárias, que afetam as crianças de maneiras que vão além da falta de cuidado físico.

O psicológico dos bebês nascidos no cárcere é muito afetado por sua rotina atras das grades e sem contato social fora do presídio. As crianças são prejudicadas e sua inserção na sociedade, quando saem dos presídios, se torna uma experiência de altos níveis de dificuldade.

 Foto: Scott Olson / Getty Images

Bebês nascidos em presídios podem ficar expostos à condições precárias para seu desenvolvimento
Foto: Scott Olson / Getty Images

De acordo com Nana, são cerca de 345 crianças vivendo em prisões no Brasil. Ao passarem os primeiros seis meses de vida no cárcere, o mundo com o qual têm contato se restringe àquilo que está dentro dos muros das prisões e às pessoas e discursos que circulam ali, sendo comumente expostos a brigas entre detentas.

O cuidado oferecido às crianças em algumas unidades prisionais segue a mesma lógica do tratamento dado às mulheres. O Estado ignora suas necessidades particulares. Em muitas unidades prisionais, as fraldas recebidas pelas crianças são apenas de doação, e os demais cuidados são mínimos.

Durante uma de suas conversas com as presas, Nana conheceu uma detenta que relatou ter sido torturada com o filho de três meses no colo. Enquanto policiais a agrediam fisicamente, uma algema atingiu o supercílio do bebê, que teve que ter o local costurado.

Condições como essa, de tortura física são comuns nos presídios. Muitas mães relatam terem sido agredidas fisicamente na barriga enquanto estavam no período de gestação. Vivendo em prisões, algumas crianças também estão expostas a traumas psicológicos. Quando o leite de uma das mulheres empedrou, o filho só conseguiu atendimento após começar a chorar de fome.

Nana alerta que essas crianças vivendo nas prisões brasileiras não precisam estar nessas situações. De acordo com a jornalista, apenas 6% de todas as mulheres presas são ‘perigosas’, ou seja, cometeram crimes que feriram alguma pessoa. Todas as outras pagam pena por delitos como tráfico de droga ou roubo.

“Essas mulheres que pagam por delitos menores poderiam ficar em cárcere privado, sem representar risco para a sociedade ou para a criança, amamentar em casa e quando acabar o período mínimo de amamentação, voltar para a prisão e deixar a criança com a família”, explica Nana afirmando que esse recurso é usado em vários países e, impede o impacto de crescer dentro de um presídio.

Bebês nascidos em presídios quase não veem a luz do sol

Depois de quatro anos acompanhando a situação do sistema carcerário feminino brasileiro, Nana escreve contra o silêncio que assombra esse assunto, e os tabus que impedem que ele seja discutido.

“É fácil esquecer que mulheres são mulheres sob a desculpa de que todos os criminosos devem ser tratados de maneira idêntica. Mas a igualdade é desigual quando se esquecem das diferenças. É pelas gestantes, os bebês (…) que temos que lembrar que alguns desses presos, sim, menstruam”, conclui.

 Fonte: Terra
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Namoro Santo

13 dicas de encontros para um namoro católico

Construindo a santidade a dois

Young couple in love outdoor_© sivilla / SHUTTERSTOCK

Ter um namoro santo é uma tarefa difícil, é preciso que o casal saiba como “namorar”. Uma parte extremamente importante em um namoro são os encontros. Por esta razão, este artigo mostrará algumas dicas de encontros para os casais de namorados que procuram viver a santidade no namoro.
1)  Família/AmigosOs namorados não devem se fechar aos outros; ao contrário, devem manter os relacionamentos com a família e com os amigos. Não podem esquecer dos melhores amigos, eles são tesouros dados por Deus (Eclo 6,14). A família é essência e base, nunca podemos deixá-la de lado (Mc 3,25).

Dicas:

Visitar a família e amigos.

Sair com a família e amigos – ex: missa, grupo de jovens, shopping, sorveteria, etc.

2) Bíblia

Ler a Bíblia é um dever para toda pessoa que se diz católica, é essencial para todo cristão. A palavra de Deus tem poder para curar, confortar, converter, saciar, acalmar, iluminar, endireitar, transformar […]. Seu poder é sem limites para todo aquele que a acolhe com fé e disposição interior. A palavra de Deus é alimento, – de fato, Jesus é a Palavra Viva do Pai, que se faz alimento para nós na Eucaristia – e direção (Mt 4,4; 7,24). Quantos bons frutos não amadurecem na vida do casal que lê, partilha e põe em prática a palavra de Deus?

Dicas:

Escolher um livro da Bíblia e ler um capítulo por dia, cada um pode ler em sua própria casa. Partilhar a leitura um com o outro no final do dia – pode ser por telefone mesmo – ou fazer anotações importantes sobre cada dia e partilhar tudo no final da semana quando o casal se encontrar, ou ainda, estipular um período para a partilha que não passe de quinze dias.

3) Rezar 

É muito importante que os namorados rezem juntos, a oração é um costume que deve ser desenvolvido pelo casal ainda no namoro. Rezar é falar com Deus, o diálogo entre namorados é importante, porém nunca deve-se esquecer ou diminuir o diálogo que cada um precisa ter com Deus (Ts 5,17).

Dicas:

Rezar antes de um encontro pedindo para que Espírito Santo conduza cada palavra, gesto, olhar e pensamento, não permitindo que nada contrária a vontade de Deus possa acontecer.

Rezar durante um encontro nos momentos de tentações.

Rezar depois de um encontro agradecendo pelos momentos bons e pedindo perdão pelos momentos ruins.

Rezar antes das refeições. Não deixem de rezar mesmo se estiverem em um local público, será até uma oportunidade de testemunhar a fé (II Tm 1,8).

Rezar o terço pedindo que a Virgem Maria interceda pelo namoro. Recomenda-se rezar o terço pelo menos uma vez ao mês.

Participar de grupos de oração.

4) Adoração 

Quão lindo é o casal de namorados que adoram a Jesus Cristo juntos, os momentos passados diante de Jesus Eucarístico são incomparáveis, repletos de graças e bençãos. Adorar, contemplar, pedir, suplicar, render graças. Diante do Rei dos Reis todo joelho se dobre (Rm 14,11), todo coração se abra e toda alma queime de amor. Os namorados só conseguirão viver um amor verdadeiro se voltarem-se para o Verdadeiro Amor de suas vidas: Jesus Cristo.

Dicas:

Fazer um momento de adoração diante de Jesus Eucarístico pelo menos uma vez ao mês .

Geralmente as paróquias e comunidades possuem um dia específico para adoração, seria interessante procurar informações para ver a possibilidade de estar participando também nesses dias.

5) Confissão 

Cristo conferiu aos apóstolos o poder de perdoar os pecados (Jo 20,21-13). Na confissão é o próprio Cristo que perdoa na pessoa do sacerdote, ou seja, nela o pecador arrependido se encontra com o Cristo misericordioso, e é purificado de todos seus pecados. A confissão também concede ao pecador força para resistir as futuras tentações. Este sacramento é muito importante para o casal que quer viver a santidade, devendo ser buscado sempre que o casal – ou um dos namorados – comete um pecado mortal. Contudo, a confissão dos pecados veniais também é aconselhada. Não tenha medo de recomeçar, alegre-se, pois Deus sempre acolhe o pecador de braços abertos (Sl 32,1).

Dicas:Ir ao confessionário mensalmente – a confissão semanal também é aconselhável.Os namorados podem ir juntos, ou separados – o importante é sempre incentivar um ao outro a participação deste sacramento.

6) Caridade 

A caridade é apresentada como a maior das virtudes (I Cor 13,13), praticá-la é um dever ao qual Jesus nos convida. O fato é que todos nós batizados somos inseridos em Cristo, tornando-nos com Ele um só corpo, do qual Cristo é a cabeça (I Cor 12,13). Por ordem da graça estamos intimamente ligados uns com os outros, se um membro do corpo sofre, todos sofrem com ele, se um membro do corpo é honrado, todos são honrados com ele (I Cor 12,26).

Dicas:

Visitar orfanatos, asilos, hospitais, etc.

7) Santa Missa 

Participar da Santa Missa é sem sombra de dúvidas uma excelente opção de encontro para os namorados. Na verdade, é mais que uma opção, é dever de todo casal de namorados participarem da Santa Missa juntos, pelo menos um vez na semana – Domingo. Um namoro católico deve ser firmado em Jesus, e é na Santa Missa que ambos tornar-se-ão um com Ele (Jo 6,56), e encontrarão forças para viver um namoro santo (Fl 4,13).

Dicas:

Pode-se frequentar a Santa Missa diariamente. “A Missa diária é para aqueles que não têm nada melhor para fazer, ou seja, todos nós” – Jason Evert.

8) Conversar sobre o Namoro 

A cada certo tempo, é extremamente importante para o casal conversar a respeito do namoro. Descobrir se o relacionamento está progredindo ou não. Se a conversa for bem sincera será de grande ajuda, podendo impedir grandes desapontamentos no futuro – ex: casamento. É preciso que ambos tenham em mente o que procuram em um namorado(a), se o namorado(a) daria um bom marido/esposa, um bom pai/mãe, se a pessoa tem os mesmos princípios, se possuí as qualidades básicas que você procura – ex: ser católica, casta, etc. O namoro serve exatamente para descobrir se a pessoa será um bom companheiro(a) em todos os aspectos – menos sexualmente é claro. Não deixe que os desejos carnais atrapalhem a decisão de continuar ou não o namoro, sempre busque decidir pela parte espiritual, moral e ética.

Dicas:

Estipule um período para conversar sobre a relação. Ex: de dois em dois meses. Ás vezes pode ser necessário quebrar este padrão, sinta-se livre para fazê-lo.

Alguns pontos importantes a serem observados durante a conversa são: Como anda o crescimento espiritual do casal? Como anda a vivência da santidade? Como anda a vivência da castidade e pureza? Existe mais mágoas do que alegrias? O namoro está fazendo com que você seja uma pessoa melhor? Existe respeito, honestidade, fidelidade, amor, perdão, compreensão, arrependimento, superação, comunicação, dedicação e atenção no namoro? Sinto-me chamado(a) para uma outra vocação? Como está o relacionamento do casal com Deus? Como está o relacionamento do casal com a família e amigos?

Criticar e elogiar também é importante – isso pode ser feito diariamente ou nos momentos oportunos.

9) Grupos de Jovens

Frequentar grupos de jovens é um ótimo pedido de encontro. No grupo o casal pode descontrair, brincar, dançar, cantar, aprender sobre a fé, rezar, fazer novas amizades, etc. Os grupos de jovens são uma ótima oportunidade para diversão, crescimento espiritual e relacionamentos. Apenas certifiquem-se de que o grupo em si seja levado a sério por seus coordenares e participantes, e seja coerente com a doutrina católica.

Dicas:

O casal pode conversar depois do grupo sobre os momentos que mais lhes chamaram a atenção, o que mais gostaram, o que aprenderam de novo, como colocarem em prática o que foi discutido no grupo, etc.

Seria interessante conhecer e participar de outros grupos de jovens se possível.

10) LivrosLer livros sobre a doutrina católica pode ser muito importante para o crescimento espiritual, moral e para o fortalecimento da fé do casal. A doutrina católica é um grande tesouro que pode ser explorado, e que com certeza ajudará ambos a viverem cada vez mais de acordo com a vontade de Deus em todos os sentidos de suas vidas. Apenas certifiquem-se de que os livros sejam realmente católicos.Dicas:

Temas recomendados: Missa, Teologia da Corpo, Namoro, Castidade, Modéstia, Santidade, Casamento, Métodos Naturais para o Controle de Natalidade, – este talvez seja mais interessante caso for um noivado – Os Sacramentos, – principalmente a Eucaristia e Confissão – Livros de Apologética, – ex: Primado, Presença Real, Sola Scriptura, Tradição Apostólica, Maria, Intercessão dos Santos, Purgatório, Fim dos Tempos – O Catecismo da Igreja Católica, O Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, Youcat, Documentos da Igreja – ex: encíclicas.

Tirar um dia para ler juntos, – não precisa ser o livro inteiro – o casal pode ler o livro em casa, num parque, no local que escolherem, e após a leitura, compartilharem o que foi lido ou ir expondo os pensamentos a medida que encontrarem algo que lhes chamem a atenção.

11) Filmes/Músicas 

Assistir filme e ouvir música são coisas que todo mundo gosta de fazer, é relaxante, fornece entretenimento, é diverto, e às vezes pode ser até edificante. Dê preferência a filmes católicos ou do gênero – caso o filme seja protestante esteja atento aos erros doutrinários. Caso optarem por assistirem filmes seculares, escolham sempre aquele tenha algo de bom para transmitir e estejam atentos as incoerências. Saibam que muitos filmes procuram manchar a imagem da Igreja e a fé católica – ex: Código Da Vinci e Anjos e Demônios. As músicas também devem preferencialmente serem católicas ou do gênero – caso a música seja protestante esteja atento aos erros doutrinários. As músicas seculares são um grande problema, pois dizem coisas completamente contrárias ao Evangelho – ex: traição, falta de compromisso, fornicação, etc. Estejam atentos as letras e procurem não escutarem nada de imoral, ateu, antiético e afins (Gl 5,19).

Dicas:

Bandas católicas recomendadas: Missionários Shalom, Toca de Assis, Eliana Ribeiro, Ministério Adoração e Vida, Ir. Kelly Patricia, Dunga e Eliana Ribeiro – existem muitas outras bandas boas também.

Ouvir a música em casa, num parque, sozinhos ou entre amigos/família.

Ir a shows de bandas católicas.

O Temas de filmes: santos, Maria, milagres eucarísticos, Paixão de Cristo, histórias bíblicas, etc.

Assistir o filme em casa ou no cinema, só o casal ou convidar amigos/família para assistirem juntos.

O casal de namorados pode fazer um momento de reflexão depois do filme.

12) Atividades Físicas 

As atividades físicas são ótimas para a saúde. São também uma forma de transformar a energia sexual em energia não sexual. Além de proporcionarem momentos de diversão, descontração, distração, etc.

Dicas:

Caminhar, correr, andar de patins/bicicleta/skate, jogar futebol/vôlei/basquete/tênis/handebol.

Praticar as atividades só o casal ou com amigos/família.

13) Sair sem o namorado(a)

Em um namoro é comum do casal querer sair junto para todo lugar, porém, às vezes é importante deixar o outro de lado e sair sozinho(a). Você não precisa estar com o seu namorado(a) para ir a Missa, para visitar sua família e amigos, etc. O namorado(a) não pode deixar de ir para algum lugar só porque o outro não pode ir, nem este outro proibir o namorado(a) de ir para algum lugar só porque ele não pode ir. Além de tudo, isso ajudará a criar uma maior confiança e fidelidade.

Dicas:

Visitar aquele velho amigo ou parente que você não vê há muito tempo.

Ir para a Igreja e ter seu momento de oração sozinho(a).

Fonte: Catholicus
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