Mês: fevereiro 2016



O Sacerdote segundo São João Paulo II

“Conhecimento do rebanho e das ovelhas”: o sacerdote, de acordo com João Paulo II

Anotações pessoais do papa polonês são publicadas pelo cardeal Dziwisz

WEB Pope John Paul II - Herman Valencia 001 - pt

Herman Valencia

Continua a polêmica, dentro e fora da Polônia, sobre a publicação das anotações pessoais de João Paulo II. Seu ex-secretário pessoal e sucessor como arcebispo de Cracóvia, o cardeal Stanislaw Dziwisz, as conservou após a morte do pontífice em 2005. Em seu testamento, o papa tinha pedido que os seus diários fossem queimados, mas Dziwisz os publicou recentemente com o título “Nas mãos de Deus – Anotações pessoais de 1962 a 2003”. O lucro das vendas do livro será empregado na construção do Centro Não Tenham Medo, em Cracóvia.

O que esses escritos agregam à personalidade de João Paulo II que os fiéis foram conhecendo ao longo de 26 anos, 5 meses e 17 dias de pontificado?

São mais de 600 páginas de anotações, que estiveram entre os principais documentos analisados durante o processo de canonização de Karol Wojtyla. Aos textos, foram acrescentados os dois milagres atribuídos a João Paulo II e reconhecidos pela Igreja como autênticos, o que abriu o caminho para a sua canonização no próximo 27 de abril. Para quem teve acesso a essas anotações, não é possível deixar de dar razão ao arcebispo de Cracóvia: “Queimá-las teria sido um crime”, diz ele. E “quantas vezes se observa que a obediência nem sempre é uma virtude, e que uma decisão tomada em consciência pode revelar-se a mais acertada? Pois bem, o cardeal Stanislaw Dziwisz fez a sua escolha e decidiu conservar as anotações” (Corrieredellasera.it, 5 de fevereiro).

São dois diários. O primeiro remonta a 1962. O outro começa em 1985. Eles contêm, conforme a síntese publicada por Marco Ansaldo e Agnieska Zakriewiczci em Repubblica.it (14 de fevereiro), as reflexões de João Paulo II “sobre grandes questões que ainda permanecem no centro dos debates na Igreja, como a condução da Cúria Romana e o celibato dos padres, mas também pareceres que combinam a espiritualidade do papa com a curiosidade do homem, do Wojtyla artista e literato. Há anotações sobre grandes figuras históricas (Hitler, Bismarck) e sobre escritores aclamados (Hemingway, Dostoievsky, Tolstoi, Manzoni, Sartre). Quem espera que as notas pessoais de João Paulo II revelem bastidores do Vaticano deverá se decepcionar. Nos dois diários, Wojtyla registrou apenas suas reflexões pessoais”.

“Basta uma olhada nas páginas para perceber que estamos lendo os escritos de uma pessoa disciplinada, sistemática, muito atenta aos detalhes, com uma grande capacidade de síntese e uma relação rigorosa e íntima com o próprio diário” (Repubblica.it, 14 de fevereiro).

Algumas observações, no contexto da renovação iniciada pelo papa Francisco, chamam a atenção pela atualidade, como as referentes ao papel do sacerdote-pastor: “Pastor. Primeira característica: um verdadeiro pastor recebe o poder de Cristo. Segunda característica: conhecimento do rebanho e das ovelhas; isso explica também as estruturas, diocese, paróquias, comunidades de base. Terceira característica: ele deve ser o verdadeiro guia (não pode ir muito depressa nem muito devagar), sabendo que os outros o seguem. Quarta característica: estar pronto para procurar a ovelha perdida. Quinta característica: ser disponível” (Repubblica.it, 14 de fevereiro).

O mesmo se aplica ao governo da cúria, da qual Wojtyla desenha o papel e as prioridades: “Ser a cúria do papa na Igreja. Presidência dinâmica na caridade. Complexo antirromano. Conhecimento – e aplicação do Vaticano II. Nova evangelização. Ministério da santificação. Governa-se animando – anima-se governando. Ministério de Pedro na colegialidade. Algumas prioridades: 1. Aplicação do Vaticano II. 2. Abertura à comunhão, ao ecumenismo, outras religiões etc. 3. Referência às igrejas particulares. 4. Abertura ao laicato. 5. Espírito de serviço, bondade, palavras de Paulo VI” (Repubblica.it, 14 de fevereiro).

Os diários também registram, com o passar do tempo, a perda do vigor físico de João Paulo II: o traço vigoroso da escrita dos primeiros anos vai se desvanecendo. A partir de 2001, ele começa a ter dificuldades para manter seus escritos no traçado das linhas. “A última frase: ‘Jonas, ou seja, o medo de proclamar o amor de Deus’, foi escrita com evidente esforço em 15 de março de 2003. É um instante simbólico, em que a doença dobra as forças intelectuais do papa e ele se vê privado de seu rigor de cronista de todos os retiros espirituais no Vaticano” (Repubblica.it, 14 de fevereiro).

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Encontro vocacional em Londrina

Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu”. (Isaías 43)

Informações: (43) 3341 -10 180

Endereço: Rua Pe Rinaldo Semprebom, 137. Jardim Colonial. (subindo na Avenida Harry Prochet, primeira a direita)

 

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É preciso conversão que dê frutos!

 Evangelho Lc 13,1-9  (2º DOMINGO DA QUARESMA – ANO C)


1Naquele tempo, vieram algumas pessoas trazendo notícias a Jesus a respeito dos galileus que Pilatos tinha matado, misturando seu sangue com o dos sacrifícios que ofereciam. Resultado de imagem para FIGUEIRA ESTERIL

2Jesus lhes respondeu: “Vós pensais que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, por terem sofrido tal coisa? 3Eu vos digo que não. Mas se vós não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo.

4E aqueles dezoito que morreram, quando a torre de Siloé caiu sobre eles? Pensais que eram mais culpados do que todos os outros moradores de Jerusalém? 5Eu vos digo que não. Mas, se não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo”.

6E Jesus contou esta parábola: “Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi até ela procurar figos e não encontrou. 7Então disse ao vinhateiro: ‘Já faz três anos que venho procurando figos nesta figueira e nada encontro. Corta-a! Por que está ela inutilizando a terra?’

8Ele, porém, respondeu: ‘Senhor, deixa a figueira ainda este ano. Vou cavar em volta dela e colocar adubo.9Pode ser que venha a dar fruto. Se não der, então tu a cortarás’”.

MEDITANDO E REZANDO O EVANGELHO DE HOJE

Vimos a Ti, oh, Pai Santo, Deus de amor, louvar e agradecer pelas maravilhas que tens realizado em nosso favor. Tu és o grande Deus, Santo, Imortal, que nos ama imensamente. Tuas Palavras são verdade e vida, Deus fiel. Cumpre Tuas promessas de graça e salvação, para nós. Exaltamos o Teu nome e o Teu poder que nos liberta da morte e do mal. És um Deus paciente conosco, oferece misericórdia, convida-nos a conversão e espera frutos da nova vida, da fé em Ti. Sempre estás ao nosso lado,  incentivando-nos a caminhar em Teus santos Caminhos, e receber todo o sua graça e benção. Obrigado, Pai, pela fidelidade e paciência. Somos Teus filhos 

Jesus, amado de nossa alma. Tua morte na cruz é a firme certeza do imenso amor do Pai por nós, que supera nossas infidelidades, falta de fé, nosso pecado.  Tua cruz é aliança de amor eterno. Convite eloquente a tomar consciência da fé, da esperança que Deus Pai coloca em nossas vidas, em resposta a esse amor derramado em cada coração, em cada pessoa e história. Cristo, dá-nos Tua graça para fazer de nossa caminhada de fé uma experiência de vida nova junto de Deus. Só em Ti, encontramos força coragem para superar tudo aquilo que há em nosso interior que nos impede de amar, produzir os frutos que o Pai tanto espera de nós.  Livra-nos de toda tendência ao formalismo de nosso culto, de uma religiosidade apenas de costumes e tradições. Tu tens o poder de transformar, de fazer novas todas coisas. Renova-nos, Senhor, em Teu amor e compaixão.

Espírito Santo, Tu és o amor no mundo.Enche-nos de fé e esperança. Confirma-nos no mesmo amor criador e salvador de nosso Deus.  Purifica nossos corações. Fortaleça nossa vida e  nossa fé. Doce e forte Espírito Santo, converta nossa vida. Reaviva nossa fé, os dons que nos destes desde o nosso Batismo. Sopra em nós inspirações, mova nossa mentes e corações para amor, que tudo pode.  Que pela Tua graça, força e poder, produzamos frutos de paz, esperança, verdade, caridade, justiça e sobretudo santidade. Sim, Santo Espírito de Deus, santifica-nos com Tua unção para que possamos santificar todo o mundo, para que todos  vejam as obras da fé e esperem em Deus. Venha sobre nós… Espírito Santo de Deus!

Maria, nossa mãe. Bendito é o fruto do Teu Ventre.,Nosso Senhor Jesus. Ajude-nos em nossa caminhada de fé e conversão. Faze que nunca nos acomodemos em nossa experiencia religiosa e espiritual. Roga pelo nosso crescimento e amadurecimento na relação com Deus. Que sempre busquemos amar a Deus com intensidade e criatividade. Tu és nossa mãe, bendita, santa. Mulher de grande fé. Ensina-nos a viver na presença de Deus, no amor e na misericórdia, a fazer dessa quaresma nossa pentecostes, nosso kairós, o tempo de nossa conversão. Fica conosco em nossa penitências quaresmais, para que elas nos sirvam para nossa maturidade espiritual e para uma fé cheia de frutos segundo o coração de Deus. Amém. Ave-Maria….

 

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O que é pecado?

Uma reflexão para a Quaresma: o que é, afinal de contas, o pecado?

E como é que Deus, que é Deus, pode ser ofendido por um mísero ser humano pecador?

conversão e afetividade

kstudio7/SHUTTERSTOCK

 Estamos na Quaresma. Embora o cuidado da vida de graça seja crucial em cada instante da vida, a Quaresma é um período litúrgico particularmente oportuno para revisarmos com mais profundidade a nossa vida de graça e de união com Cristo.

Para isto, é preciso revisar a nossa relação com o pecado.

Comecemos com a reflexão mais óbvia – e, por isso mesmo, tantas vezes descuidada: o que é o pecado?

O conceito de pecado é bastante simples: basicamente, o pecado é um ato de egoísmo exagerado. Pecado é preferir a si mesmo e antepor-se a Deus e aos outros, cedendo às paixões desordenadas que nos colocam no centro da nossa própria existência e negando a nossa natureza que só se completa quando se abre plenamente ao próximo e a Deus.

O pecado é a recusa a instaurar com Deus e com os outros uma relação de amor.

O pecado é um “converter-se às criaturas” e “rejeitar o Criador”.

Em geral, o pecador só deseja os prazeres proporcionados pelas criaturas; ele não necessariamente quer rejeitar o Criador. No entanto, ao se deixar seduzir por satisfações fugazes proporcionadas pelas criaturas, o pecador sabe, implicitamente, que está agindo contra o amor do Criador: ele sente que o prazer terreno não o preenche, mas, mesmo assim, não resiste a ele. É por isso que o pecado fere o próprio pecador, afastando-o da plenitude oferecida por Deus.

E é por isso que o pecado ofende a Deus: não porque Deus, como tal, seja diminuído, mas porque nós próprios, ao pecar, nos diminuímos diante da grandeza que Ele nos oferece.

Para Jesus, o pecado nasce no interior do homem (cf. Mt 15, 10-20). É por isso que é necessária a transformação interior, do coração. Para Jesus, o pecado é uma escravidão: o homem se deixa ficar em poder do maligno, valorizando falsamente as coisas deste mundo, deixando-se arrastar pelo imediato, por satisfações sensíveis que não saciam a nossa sede de amor e de plenitude.

Fonte: Aleteia
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Novo filme sobre Jesus

“Risen”: Joseph Fiennes lança o filme religioso do ano

Convincente, novo filme estabelece equilíbrio entre criação artística e Evangelho, ao retratar a Ressurreição

 Os crentes e não crentes serão cativados pela “articulação da pura criação e do cinema com as Escrituras e a narrativa da Bíblia”. É o que diz o ator principal de Risen, um novo filme que retrata os primeiros 40 dias após a Ressurreição de Jesus Cristo.

Joseph Fiennes interpreta Clavius, um ambicioso, mas instável oficial romano, ordenado por Pôncio Pilatos para localizar o corpo desaparecido de Yeshua (Jesus de Nazaré), a fim de acabar com uma revolta iminente em Jerusalém. O impacto de Clavius sobre os apóstolos, e deles sobre ele, conduz a uma reflexão criativa sobre o drama, focalizado imediatamente após a morte de Cristo.

Dirigido por Kevin Reynolds, Risen também é estrelado por Tom Felton, Peter Firth e Cliff Curtis. O filme estreia nos cinemas em todo o mundo a 19 de fevereiro de 2016.

“O sucesso deste filme irá acontecer se qualquer pessoa, de qualquer crença religiosa ou nenhuma crença, puder se sentar e compartilhar o espaço juntos e desfrutar da tela de cinema”, disse Fiennes para Aleteia antes de uma exibição privada no Vaticano.

Britânico, ator de cinema e teatro, Fiennes é mais conhecido por sua representação de William Shakespeare em Shakespeare in Love(1998). Ele também interpretou Sir Robert Dudley em Elizabeth(1998) e Commisar Danilov em Enemy at the Gates (2001).

Em agosto de 2009, Fiennes se casou com María Dolores Diéguez, uma modelo suíça, em uma cerimônia católica na Toscana. O casal tem duas filhas.

Diretor e escritor italiano, Manuel de Teffé, que ajudou a Aleteia na organização da premiere em Roma, explicou o que mais o impressionou sobre o filme.

“Quando a Sony Pictures me enviou o link para assistir ao filme [inacabado], fiquei impressionado, como um romano, por duas coisas: primeiro, a sequência de abertura que apresenta uma excelente reconstrução de uma cena militar romana e o Testuggine romana. Segundo, fiquei impressionado com a cena da pesca perto do final do filme, que realmente é uma pequena obra-prima em termos de tempo, atuação, edição e fotografia”, disse Teffé.

Teffé elogiou em Risen sua representação de estilo militar romano, ao qual Fiennes brincou: “eu fiquei maravilhado com a forma como os romanos conquistaram o mundo de sandálias”.

Nesta entrevista, o ator britânico também fala sobre a presença de Maria, a Mãe de Jesus, no filme Risen; do encontro de sua família com o Papa Francisco na manhã de nossa entrevista; e da conexão de sua família com a Igreja Católica.

Aleteia conversou com Pete Shilaimon, produtor do filme “Risen”, grande produção cinematográfica que enfoca a Ressurreição de Cristo.

Diane Montagna: Parabéns pelo filme, e obrigado por falar com os leitores da Aleteia. Eu gostaria de começar nossa entrevista perguntando-lhe: Quem é Jesus para você?

Pete Shilaimon: Essa é uma resposta muito, muito fácil: Tudo.

Eu vim de um país diferente. Eu vim para a América partindo de um país diferente, por isso, tudo o que tínhamos era a fé. Tudo o que tínhamos era Deus e Jesus. Então, para mim, crescer com Jesus 24 horas por dia, sete dias por semana, foi uma segunda natureza. Assim, Ele é tudo: é a vida, é a respiração. Então, essa é uma pergunta fácil.

Diane Montagna: Por que o filme “Risen”? O que o torna diferente de outros épicos bíblicos que temos visto até agora?

Pete Shilaimon: Na minha opinião, quando eu li o roteiro, a diferença foi contá-la do ponto de vista de Clavius, que é o oficial romano que sai e olha para o Messias. Para mim, contar a partir dessa perspectiva foi muito interessante. Nunca foi visto a partir dessa perspectiva. Isso me tocou e eu sabia que tinha que trabalhar nesta imagem. Eu sabia que tinha que fazer parte deste filme de alguma forma. Então eu implorei e implorei: “Deixe-me estar no set. Deixe-me trabalhar neste filme”. E o chefe disse, basicamente, “vá em frente”. E eu fui ao set e produzi. E foi a experiência mais incrível que eu já tive como produtor.

Diane Montagna: O que o tornou diferente de outros filmes que você já trabalhou?

Pete Shilaimon: Eu cresci com essas histórias. Eu cresci com as histórias da Crucificação, da Ressurreição. Minha família… somos muito católicos. Então, crescendo com essas histórias, realmente trabalhar em uma era bastante espetacular.

Eu fui entrevistado antes, e eles me fizeram muitas perguntas, mas a única coisa sobre este filme é que eu sentia, às vezes, que eu era Clavius naquela pedra. Houve muitas vezes em minha vida, quando eu tinha muitas dúvidas, eu tinha perguntas, e eu queria saber as respostas. E ninguém realmente me deu essas respostas. A única vez que eu encontrei respostas foi quando falei com Jesus. Então, para mim, quando eu sentei lá e vi Cliff Curtis, que interpretou Yeshua, e Joseph Fiennes, que interpretou Clavius, naquela pedra, foi um dos momentos mais incríveis, estar naquele deserto e observando a interação, porque eu me sentia Clavius, e eu tive essa conversa com Jesus.

Pete Shilaimon, produtor executivo do filme “Risen”, é um dos muitos iraquianos que tiveram de abandonar sua terra natal a fim de viver a fé sem ter que esconder. Esta é sua história.

Diane Montagna: Conte-nos mais sobre sua família. Eles fugiram do Iraque quando era um menino?

Pete Shilaimon: Sim, eu tinha cinco anos de idade, e fugimos por duas grandes razões, sendo a primeira o governo de Saddam. Foi no momento em que o Iraque e o Irã entravam em guerra. E a segunda razão era a liberdade religiosa. Nós éramos caldeus, e ficou muito difícil viver nossa fé 100% sem esconder isso.

Acho que a história para mim foi: quando eu era muito jovem, minha mãe e eu estávamos comprando comida, e aos cinco anos de idade, quatro anos e meio de idade, você não se lembra das histórias. Mas o que eu lembrava e tinha visto realmente me balançou. Tínhamos crucifixos e quando fomos comprar alimentos ou algo assim, minha mãe saiu com o dela …

Diane Montagna: Seu colar …

Pete Shilaimon: Sim, em seguida, ela escondeu. Então, em uma idade muito jovem, eu pensei “escondê-lo”, o que é estranho para uma criança de cinco anos de idade. Mas, então, quando nós estávamos andando de volta para casa, as pessoas jogaram pedras nela. Ela estava constantemente escondendo sua fé. E o meu pai e minha mãe… nós não queríamos viver no medo e escondendo a nossa fé. Hoje eu uso a minha cruz orgulhoso, mas em vários países você não pode fazer isso. Então, nós estamos livres para praticar e ser quem somos.

Diane Montagna: Você testemunhou sua mãe sendo apedrejada com cinco anos de idade?

Pete Shilaimon: Sim, é uma lembrança que nunca vou esquecer… É uma memória que eu não acho que você nunca poderia esquecer, nunca sai da sua cabeça. Meus irmãos e irmã estão aqui também, e eles tiveram muitas dessas memórias. Mas sim, era apenas um momento difícil, foi um momento difícil. Para nós, vir para a América, encontramos a nossa liberdade, a nossa voz. Por isso é muito difícil ver o atual problema dos refugiados da Síria e do Iraque. Tenho dois tios que fugiram. Um está na Turquia, outro na Alemanha. Eles perderam tudo. Portanto, é muito difícil. É a história se repetindo, e aqui estamos novamente.

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Nota da Pastoral Carcerária sobre o fim da presunção de inocência

 Eu tenho dó nosso país. Sinto enorme tristeza. Quase perco a esperança. A gente não aprende e, pior, não quer aprender. Prender e prender não resolve o problema da  criminalidade. Tudo o que se faz em termos de política penitenciária favorece o encarceramento. E até o judiciário está nessa também.  Tem uma enorme dificuldade em praticar Audiência de Custódia.  O STF deu também sua contribuição com um o golpe de misericórdia, que vai virar jurisprudência em todos os tribunais de justiça. Acabou com a presunção de inocência em segunda Instância, no olho do furação da corrupção na política e as operações do Ministério Público, não observando o trânsito em julgado. Para prender mais, um sistema carcerário tétrico. Tudo ordenado para sucatear mais, e privatizar depois.E se ainda fosse prender os políticos corruptos e seus cupinchas…  Se o questão sãos os infindáveis recursos dos réus ricos que pagam hábeis advogados para protelar a prisão, então que não haja brechas na lei para isso. Digo que essa decisão do STF vai afetar diretamente o preso comum sem defensor jurídico a contento.. Sem contar que tivemos a nossa Constituição violentada, e quase ninguém se manifestou. Aceitamos tudo, para acabar com corruptos. Somos e estamos cada vez mais governados pelo Poder judiciário, uma disparate. E tudo isso terá consequências em nossas vidas práticas. Espero que também não se chegue a acabar com presunção da inocência em primeira instância. Até porque a mídia com seus programas policiais de qualidade muito duvidosa faz isso tudo o tempo, com a desculpa de informação de cunho social. E também hoje quem é facilmente acusado precisa provar que é inocente. Está tudo invertido. O ônus da prova deve ser de quem acusa e não do acusado.Tenho medo acerca do fim disso tudo. Redução de idade penal, fim da presunção de inocência, encarceramento em massa, falência do sistema prisional, violência policial, tortura nos presídios, privatização, terceirização das penitenciárias. Acho que tudo isso me cheira a dinheiro no bolso de grupos econômicos com apoio de políticos.  Quem vai nos defender, proteger e salvar… Deus salve o Brasil!

Nota Pública:  A Presunção da Inocência, o STF e o encarceramento em Massa

 

Logotipo_em_alta_resolucao Diante da decisão do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Habeas Corpus 126.292, que por    maioria de votos alterou o posicionamento da Corte no sentido de entender ser possível a execução da pena   mesmo antes da condenação tornar-se definitiva, a Pastoral Carcerária Nacional vem a público manifestar  seu absoluto repúdio contra mais este retrocesso, que fatalmente irá alargar ainda mais as portas de entrada das masmorras brasileiras, onde centenas de milhares de indivíduos, em sua grande maioria jovens, pretos e periféricos, são cotidianamente vilipendiados em sua dignidade e direitos mais básicos.

A referida decisão terminou de sepultar o princípio da presunção de inocência, já esquecido em nosso sistema penal, e afronta explicitamente a Constituição Federal, que no art. 5º, inciso LVII, declara que ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória.

O Supremo Tribunal Federal, ao investir contra garantias fundamentais e prostrar-se inerte diante da conversão do nosso sistema prisional em um verdadeiro aparato de extermínio de vidas e futuros, é o pior dos responsáveis, eis que deveria ser o primeiro e o último guardião da Constituição, que uma vez ousou-se apelidar de “cidadã”.

A violação sistemática de direitos e garantias fundamentais de pessoas encarceradas, já reconhecida pelo STF como um “estado de coisas inconstitucional”, não é um problema de políticas públicas, é um atentado contra a ordem democrática, e demanda mais que ações retóricas e projetos pontuais.

Ao não reconhecer os diretos fundamentais da população prisional, o STF escancara seu medo de promover “justiça em excesso”, como apontou o jurista estadunidense William Joseph Brennan aos seus colegas da Suprema Corte, no infame caso McCleskey v. Kemp, e deixa claro que se todos têm direitos, com certeza alguns tem mais que outros.

Para além do lamentável desfecho do Habeas Corpus 126.292, ainda encontra-se pendente de decisão da Corte matérias que, se não são a solução para a catástrofe carcerária do país, ao menos poderiam apontar para um horizonte menos sombrio, tais como a aprovação da Proposta de Súmula Vinculante n.º 57, apresentada no longínquo ano de 2010 e que poderia garantir a efetivação do direito a progressão de regime, o julgamento favorável da ADPF n.º 347, cujas medidas cautelares foram apenas parcialmente concedidas, bem como do RE n.º 635659, que poderia impor algum limite à absurda política de “guerra às drogas”, desfraldada pelo Estado brasileiro contra os pobres e marginalizados.

Como disse o Papa Francisco em sua visita ao México, é “um engano social acreditar que a segurança e a ordem só são alcançadas prendendo as pessoas”, pois as prisões nada mais são do que reflexos de silêncios e omissões, típicos de um sistema onde até a pessoa humana é descartável. Dirigindo-se aos juristas do campo penal, o Papa também foi enfático ao afirmar que em hipótese alguma pode o Estado “subordinar o respeito da dignidade da pessoa humana a qualquer outra finalidade, mesmo quando se conseguir alcançar uma espécie qualquer de utilidade social.”

Por fim, a Pastoral Carcerária Nacional reitera a necessidade de reversão imediata do atual quadro de encarceramento em massa, com enfrentamento frontalmente ao punitivismo vigente, políticas claras e consistentes de desencarceramento, abertura do cárcere para a sociedade e mitigação de danos enquanto houver prisões, entre outras propostas, consubstanciadas na Agenda Nacional pelo Desencarceramento[1].

Com fé e luta, seguimos na construção do sonho de Deus: um mundo sem cárceres!

São Paulo, 19 de fevereiro de 2016.

 

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Defeitos de Jesus

Os 5 defeitos de Jesus

Os defeitos de Jesus vão encher seu coração de alegria e esperança

Red Jesus Christ (EUA) - pt

Richard Kane – Fotolia.com

O cardeal vietnamita Francisco Xavier Nguyen Van Thuan teve como lema de vida a esperança que enche de amor o momento presente. Mantido prisioneiro pelo regime comunista durante 13 anos, 9 dos quais em total isolamento, não ficou de “braços cruzados” esperando a libertação; ao contrário, com a criatividade própria do amor, fez-se amigo dos carcereiros, construiu para si um crucifixo, celebrou a eucaristia clandestinamente e escreveu três livros. Depois de uma vida luminosa, morreu vitimado pelo câncer em setembro de 2002. Em 2010 a Igreja iniciou seu processo de beatificação.

Os cinco defeitos de Jesus

Van Thuan declara-se apaixonado pelos defeitos de Jesus e os descreve no livro “Testemunhas da esperança”:

PRIMEIRO DEFEITO: JESUS NÃO TEM MEMÓRIA

No calvário, no auge da indescritível agonia, Jesus ouve a voz do ladrão à sua direita: “Jesus, lembra-te de mim quando estiveres em teu reino” (Lc 23,43). Se fosse eu, teria respondido: “Não vou esquecê-lo, mas seus crimes devem ser pagos por longos anos no purgatório”. No entanto, Jesus respondeu-lhe: “…hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23,43). Jesus esqueceu todos os crimes desse homem.
A memória de Jesus não é igual à minha…

SEGUNDO DEFEITO: JESUS NÃO “SABE” MATEMÁTICA

Se Jesus tivesse se submetido a um exame de matemática, por certo teria sido reprovado… “Um pastor tinha 100 ovelhas. Uma se extravia. Ele, imediatamente, deixa as 99 no redil e vai em busca da desgarrada. Reencontra-a, coloca-a no ombro e volta feliz” (cf. Lc 15,4-7).

Para Jesus, uma pessoa tem o mesmo valor de noventa e nove e, talvez, até mais.

TERCEIRO DEFEITO: JESUS DESCONHECE A LÓGICA

Uma mulher possuía 10 dracmas. Perdeu uma. Acende a lâmpada; varre a casa… procura até encontrá-la. Quando a encontra convida suas amigas para partilhar sua alegria pelo reencontro da dracma… (Lc 15,8-10)… de fato, não tem lógica fazer festa por uma dracma… O coração tem motivações que a razão desconhece… Jesus deu uma pista: “Eu vos digo que haverá mais alegria diante dos anjos de Deus por um só pecador que se converte…” (Lc 15,10).

QUARTO DEFEITO: JESUS É AVENTUREIRO

Executivos, pessoas encarregadas do “marketing das empresas”, levam em suas pastas projetos, planos cuidadosamente elaborados… Em todas as instituições, organizações civis ou religiosas não faltam programas prioritários; objetivos, estratégias…

Nada semelhante acontece com Jesus. Humanamente analisando, seu projeto está destinado ao fracasso.

Aos apóstolos, que deixaram tudo para segui-lo, não garante sustento material, casa para morar, somente partilhar do seu estilo de vida. A um desejoso de unir-se aos seus, responde: “As raposas têm tocas e as aves do céu ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça” (Mt 8,20)…

Os doze confiaram neste aventureiro. Milhões e milhões de outros igualmente. Já vão lá mais de dois mil anos e a incalculável multidão de seguidores continua a peregrinar. Galerias enormes de santos e santas, bem-aventurados, heróis e heroínas da aventura. No Universo inteiro esta abençoada romaria continua… Vai que este aventureiro tem razão…? Neste caso, a mais fantástica viagem na “contramão” da história será a verdadeira…! “A quem iremos?”…

QUINTO DEFEITO: JESUS NÃO ENTENDE DE FINANÇAS NEM ECONOMIA

Se Jesus fosse o administrador da empresa, da comunidade, a falência seria uma questão de dias. Como entender um administrador que paga o mesmo salário a quem inicia o trabalho cedo e a outro que só trabalha uma hora? Um descuido? Jesus errou a conta? …

Por que Jesus tem esses defeitos? Porque é o Deus da Misericórdia e Amor Encarnado. Deus Amor (cf. 1Jo 4,16). Portanto, não um amor racional, calculista, que condiciona, recorda ofensas recebidas. Mas um amor doação, serviço, misericórdia, perdão, compreensão, acolhida… Em que medida? Infinita.

Os defeitos de Jesus são o caminho da felicidade. Por isso, damos graças a Deus. Para alegria e esperança da humanidade, esses defeitos são incorrigíveis.

Fonte: Aleteia
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Juízes emitem nota técnica pela não privatização das penitenciárias

Nota técnica contra o PLS N° 513/2011: pela não privatização do sistema carcerário

ASSOCIAÇÃO JUÍZES PARA A DEMOCRACIA – AJD, entidade não governamental, sem fins lucrativos ou corporativistas, que congrega juízes trabalhistas, federais e estaduais de todo o território nacional e de todas as instâncias, e que tem por objetivo primordial a luta pelo respeito absoluto e incondicional aos valores jurídicos próprios do Estado Democrático de Direito, vem apresentar NOTA TÉCNICA a respeito do Projeto de Lei n° 513/2011, que regulamenta a celebração de parcerias público-privadas (PPPs) para construção e administração de estabelecimentos penais.

1.O Projeto de Lei de n° 513/2011, em linhas gerais, estabelece ao Estado a possibilidade de celebração de parcerias com o setor privado na área da execução penal, de tal forma a possibilitar que, às empresas selecionadas por meio de licitação, sejam delegadas as tarefas de construção e administração de estabelecimentos penais, que poderão abranger presos “condenados e provisórios” (artigo 2°).

Em contrapartida, os atores privados serão remunerados mensalmente pelo Estado, com base na “disponibilidade de vagas do sistema penal, no número de presos e na prestação de serviços requeridas pelo contrato” (artigo 9°), sem prejuízo de disporem de “plena liberdade para explorar o trabalho dos presos” (artigo 10°), “diretamente pelo concessionário” ou de forma “subcontratada” (artigo 11), sem que isso implique estabelecimento de vínculo empregatício (artigo 10, § 1°) ou acesso, por parte dos detentos, a direitos sociais básicos, como o salário mínimo (artigo 7°, inciso IV, da Constituição da República).

2. De início, na justificação do Projeto de Lei de nº 513/2011, encontra-se o famigerado argumento da alegada incompetência estatal para administrar, no caso, o Sistema Penitenciário, olvidando-se tratar-se de opção política a não alteração da atual situação caótica dos presídios brasileiros, quando se observa, por exemplo, a destinação de grande parte do orçamento público para o pagamento de juros da dívida pública. Observa-se, portanto, a vetusta tática de prévio sucateamento do serviço público para sua posterior destinação ao setor privado.

3. Semelhante proposição esbarra, logo de saída, na impossibilidade de se delegar ao setor privado o monopólio da violência, consistente na imposição e acompanhamento de sanções de caráter aflitivo, por se tratar de potestade que advém diretamente da soberania do Estado.

O artigo 144, da Constituição da República, estabelece expressamente ser “dever do Estado” a gestão da segurança pública, exercida “para preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio”.

A avocação, pela Administração, do poder de punir (que engloba tanto a estipulação como a execução da pena), consubstancia conquista civilizatória inerente a uma concepção moderna de Estado, e não pode, sob os pontos de vista ético e jurídico, ser alienado a terceiros cujas finalidades nenhum compromisso guardem com os objetivos publicísticos declarados da pena (ressocialização, redução dos índices de criminalidade), senão com a exploração da política de encarceramento como forma de obtenção de lucro. A inserção de um novo elemento, qual seja, a geração de lucros, no regime penitenciário, portanto, desnatura por completo seus próprios desígnios.

4. A submissão da política prisional à lógica privatista de mercado gera também efeitos deletérios no campo da Criminologia e do Direito Penal.

Segundo dados do Infopen, o Brasil possuía, em junho de 2014, a quarta maior população prisional do mundo, com mais de 600.000 detentos, com um crescimento de 161% desde o ano de 2.000. O relatório indica, ainda, que cerca de 8 a cada 10 presos possui, no máximo, o ensino fundamental completo, a revelar que a política de super-encarceramento atinge, primordialmente, parcela já vulnerabilizada da população. Não há qualquer indicativo de que a política deprisonização massiva tenha influído positivamente na redução dos índices de criminalidade.

Por estas razões, a desaceleração do expansionismo penale da política desobre-encarceramento, com o implemento de meios e técnicas alternativas de solução de conflitos, deveria ser um dos principais compromissos éticos de um Estado Democrático de Direito fundado no princípio da dignidade humana (artigo 1°, III, da Constituição da República).

Ao se condicionar, entretanto, o retorno financeiro das empresas conveniadas ao número de vagas e presos em cada estabelecimento, engendra-se lógica inversa, serviente ao expansionismo penal; tanto mais elevados serão os lucros da parceira privada quanto maior o número de reclusos, cumprindo pena pelo maior período de tempo possível e com o máximo de redução de custos em investimentos na infraestrutura da unidade prisional. O exercício do poder punitivo que, como potestade, deveria sempre ser limitado ao máximo pela efetivação de direitos fundamentais, passa a se nortear pelo critério da obtenção de lucro, mercantilizando-se o direito fundamental à liberdade.

5. Neste ponto, revela-se falacioso o argumento de que a privatização não implicará ingerência direta da iniciativa privada em funções privativas do Estado, tais como a definição do tempo de pena e a obtenção de benefícios durante a execução penal.

O artigo 5°, do projeto de lei em exame, estabelece que somente os cargos de diretor e vice-diretor do estabelecimento penal serão ocupados por servidores públicos de carreira, sendo que o restante do quadro de pessoal será formado e contratado pelo concessionário.

Na prática, portanto, a fiscalização sobre a conduta carcerária dos detentos, com a apuração de faltas disciplinares, que repercutem diretamente no tempo de pena a ser cumprido e obtenção de benefícios os mais variados (LEP, artigos 37, p.u; 52; 118, I; 125; 127; 180, § 1°, d), será desempenhada por prepostos da própria administradora.

Não fosse o bastante, o artigo 6°, inciso I, do PL, estabelece que a assistência jurídica ao preso – por meio da qual ao detento, dentre outros direitos, seria dado defender-se contra a eventual imposição de procedimentos administrativos arbitrários – será também prestada pela concessionária responsável pela administração do estabelecimento.

O dispositivo, afora o manifesto obstáculo ético, decorrente da manifesta situação de conflito de interesses, viola frontalmente o artigo 134, da Constituição da República, que garante que a assistência jurídica aos necessitados seja realizada pelas Defensorias Públicas, órgão público dotado de autonomia funcional e administrativa.

Também seguindo-se essa lógica de interferência do capital privado no cumprimento da pena, o artigo 12, do PL, estabelece ao concessionário, “considerando o desempenho laboral do preso”, a possibilidade de sugerir ao Juízo da execução a possibilidade de plano mais vantajoso na remição de pena.

Por fim, no campo legislativo, a privatização de função ligada diretamente ao exercício da soberania estatal atrai para a trincheira dos empresários morais do expansionismo penal também o interesse das empresas envolvidas na obtenção de dividendos com a exploração do trabalho e do infortúnio alheios, o que implica considerável fortalecimento econômico do lobbyem favor da criação de leis estabelecendo penas mais longas e menos benefícios.

Cria-se, pois, situação em que a lógica do capital (inclusive o estrangeiro – artigo 15, do PL) – que evidentemente prepondera, em termos de representatividade junto aos núcleos de poder, sobre os direitos dos destinatários históricos do recrudescimento da legislação penal – passa a influir diretamente na política pública de gestão da segurança.

6.Acerca da mão-de-obra interna, os artigos 9°, 10° e 11, do PLS, conferem, à concessionária “plena liberdade para explorar o trabalho dos presos”, “diretamente” ou de forma “subcontratada” (artigo 11), sem que isso implique estabelecimento de vínculo empregatício (artigo 10, § 1° – o preso não se submete à CLT) ou acesso, por parte dos detentos, a direitos sociais básicos, como o salário mínimo (ao preso, é assegurada remuneração não inferior a ¾ do salário mínimo).

A exploração, por atores do setor privado, de mão-de-obra vulnerável, barata, cativa e sem qualquer poder de barganha, captada por uma política de super-encarceramento da população pobre, com vistas à obtenção de lucro, inverte a lógica publicística da execução da pena, que, visando a recuperação e a formação profissional do indivíduo, enxerga-o como um fim em si mesmo, e passa a tratá-lo como mero instrumento voltado ao  enriquecimento de terceiros absolutamente estranhos a este múnus público. O preso, em inaceitável retrocesso, passa da condição desujeito de direito à de objeto de direito.

Não por outra razão, as Regras Mínimas para o Tratamento de Prisioneiros, da Organização das Nações Unidas (ONU), estabelece expressamente, no item 72.2, que “o interesse dos presos e de sua formação profissional não deverão ficar subordinados ao desejo de se auferir benefícios pecuniários de uma indústria penitenciária”, proposição inconciliável com a própria natureza, ainda que não declarada, da privatização preconizada pelo projeto de lei em análise.

7. A previsão segundo a qual o preso terá direito apenas a ¾ do salário mínimo nacional, embora se consubstancie em mera réplica de dispositivo já constante da Lei de Execuções Penais (artigo 29, caput), editada, vale dizer, antes da entrada em vigor da Constituição da República de 1.988, contrasta os princípios da isonomia (artigo 5°, caput, CR) e da dignidade da pessoa humana (artigos 1°, II e 7°, IV, da CR), revelando-se infensa ao ordenamento constitucional mesmo no contexto de execução de pena diretamente pelo Estado.

A esse propósito, a Procuradoria-Geral da República ajuizou, perante o Supremo Tribunal Da República, a ADPF 336/DF,ainda em tramitação, de cujo parecer se colhe que a “condição de preso de um cidadão não pode ser utilizada como justificativa para afastar a exigência de observância do salário mínimo constitucionalmente preconizado”, uma vez que o “fator de díscrimen utilizado pela LEP não se coaduna com o princípio da dignidade humana nem com o da isonomia, porquanto a prestação de trabalho é a mesma, estando ou não o trabalhador com sua liberdade de ir e vir restringida”.

Também as Regras Mínimas para Tratamento de Prisioneiros, da ONU, preveem claramente, em seu item 73.2, acerca do trabalho realizado por presos que não sejam fiscalizados pela administração, que, a “menos que o trabalho seja feito para outros setores do governo, as pessoas por ele beneficiadas pagarão à administração o salário normalmente exigido para tal trabalho, levando-se em conta o rendimento do preso”.

Também neste contexto, o artigo 17, do PL, permite à parceria público-privada a não observância de outros direitos do preso, tais como aqueles previstos nos arts. 32 e 33 da Lei de Execuções Penais, que garantem ao detento, por exemplo, a consideração de suas condições pessoais e de suas necessidades futuras na atribuição do trabalho, bem como a jornada máxima de 8 horas diárias (garantida pelo art. 7, XIII, da Constituição da República), com descanso nos domingos e feriados.

Neste contexto, é repudiável que o setor privado, amparado por norma manifestamente inconstitucional, exatamente por reduzir os presos em sua dignidade e direitos sociais perante os demais trabalhadores, valha-se desta situação de vulnerabilidade acentuada para angariar mão-de-obra barata e cativa, em ordem a incrementar a lucratividade na exploração de suas atividades econômicas.

7. A Associação Juízes para a Democracia, por considerar o Projeto de Lei n° 513/2011, em razão de todos os fundamentos acima expostos, um grave, perigoso e inconstitucional retrocesso aos direitos humanos das pessoas em situação de cárcere, e entendendo que as péssimas condições do sistema prisional (mormente se decorrentes de sucateamento prévio, resultante de opção política deliberada) não podem servir de pretexto para que, com lastro em objetivos estranhos aos fins publicísticos da execução penal, legitimem-se, a um só tempo, a cruel política de expansão penal que atinge primordialmente a população pobre, e a situação de exploração de mão-de-obra cativa, barata e vulnerável com vistas à obtenção de lucro que se pretende implementar, vem a público repudiar veementemente semelhante proposta legislativa.

São Paulo, 15 de fevereiro de 2016.
A Associação Juízes para a Democracia.
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Oração de exorcismo de Santo Antônio

Pequena oração de exorcismo ensinada por Santo Antônio

Para rezar a qualquer momento do dia e afastar as tentações

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A tradição popular diz que Santo Antônio deu uma oração a uma pobre mulher que procurava ajuda contra as tentações do demônio.

Sisto V, Papa franciscano, mandou esculpir a oração – chamada também de “lema de Santo Antônio” – na base do obelisco que mandou erigir na Praça de S. Pedro, em Roma.

Eis o original, em latim:

Ecce Crucem Domini! +
Fugite partes adversae! +
Vicit Leo de tribu Juda, +
Radix David! Alleluia!

Eis a tradução:

Eis a cruz do Senhor! +
Fugi forças inimigas! +
Venceu o Leão de Judá, +
A raiz de David! Aleluia !

Esta breve oração tem todo o sabor de um pequeno exorcismo. Também nós podemos usá-la – em latim ou português – para nos ajudar a superar as tentações que se nos apresentam.

Fonte: aleteia

 

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Deixe-se transfigurar pelo Senhor Jesus!

Evangelho: Lc 9, 28b-35 (2 Domingo da Quaresma – Ano C)

Naquele tempo, 28bJesus levou consigo Pedro, João e Tiago, e subiu à montanha para rezar. 29Enquanto rezava, seu rosto mudou de aparência e sua roupa ficou muito branca e brilhante.

30Eis que dois homens estavam conversando com Jesus: eram Moisés e Elias. 31Eles apareceram revestidos de glória e conversavam sobre a morte, que Jesus iria sofrer em Jerusalém. 

32Pedro e os companheiros estavam com muito sono. Ao despertarem, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com ele.

33E, quando estes dois homens se iam afastando, Pedro disse a Jesus: “Mestre, é bom estarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. Pedro não sabia o que estava dizendo.

34Ele estava ainda falando, quando apareceu uma nuvem que os cobriu com sua sombra. Os discípulos ficaram com medo ao entrarem dentro da nuvem.

35Da nuvem, porém, saiu uma voz que dizia: “Este é o meu Filho, o Escolhido. Escutai o que ele diz!”

36Enquanto a voz ressoava, Jesus encontrou-se sozinho. Os discípulos ficaram calados e naqueles dias não contaram a ninguém nada do que tinham visto.

ORAÇÃO DO EVANGELHO DE HOJE

A Ti, oh Deus, cantamos; a Ti, louvamos Senhor. Exaltamos a Ti, oh Pai das misericórdias, grande é tua bondade. Honramos Teu nome Santo, porque imenso é o Teu Amor por nós. Como não Te buscar? Como não querer estar na Tua presença maravilhosa, de graças e bênçãos? Por que negar o Teu amor, a Tua Aliança eterna conosco? Dizer não às Tuas promessas, que sentido tem? Tu és nosso refúgio e fortaleza, proteção contra todos nossos inimigos, Adorar-Te é nosso dever, resposta ao Teu amor, que jamais se cansa de nos perdoar e acolher quando pecamos, somos infiéis, não escutamos Tua Palavra. És o Deus da Aliança e das promessas. Tu, Senhor, Deus altíssimo, sempre Te mantivestes fiel a aliança de vida e salvação que fizestes conosco, desde a criação do mundo, e renovastes por meio de Teus grandes e santos profetas, até última aliança da Cruz do Teu amado Filho, nosso Senhor Jesus. Amar, adorar, servir e seguir é nossa alegria, nossa fé e esperança. Glórias a Ti, Senhor Deus, todo poderoso!

Vencestes a morte, o pecado e mal, Jesus, pela mistério da Tua paixão, morte e ressurreição . Abristes para nós as portas do Paraiso. Levastes até o fim a missão de ser nosso salvador e redentor, segundo a vontade do Pai. Em Ti, Senhor Jesus, cumprem-se as promessas de salvação que Deus tem conosco. Ajude-nos a Te seguir, a ficar na Tua presença, que cada vez mais nos dá a conhecer a força amor eterno do Pai. Não permitais que sejamos derrotados, enganados pelas ciladas do encardido, nem acometidos pelo desânimo diante de nossas quedas e fraquezas. Levanta-nos, Senhor, socorre-nos quando nos faltar sentido, motivação e vontade para recomeçar, na fé, no movimento de conversão. Tu és nossa força e vitória nessa quaresma. Cura-nos das sequelas de nossos pecados, torna nossos corações e mentes livres e sadios para Te procurar, adorar e servir, segundo uma fé viva e entusiasmante. Que o Teu sangue derramado no calvário e na Tua Cruz nos seja a firme esperança de que, por Ti e Contigo, superamos as tribulações dessa vida e as limitações pessoais, para nunca mais rastejarmos arqueados, prostrados pelos vícios e pecados que nos ferem de morte eterna. Jesus Tu és Rei e Senhor de tudo, reina sobre nós!

Sem Ti, Espírito Santo de Deus, o que faremos? Confiamos toda a vida e fé à tua força santificadora e libertadora. Miramos o céu, a vida eterna; ajuda-nos nessa caminhada! Como Teu fogo e poder, transfigura nosso ser ainda chagado, ferido, fraco, pequeno, inseguro, medroso, cheio de marcas de pecados! Dá-nos Tua força e Tua unção para uma fé verdadeira, uma experiência de conversão profunda capaz de nos refazer na resposta e pertença ao Senhor Deus. Desejamos que nos auxilie, oh Espírito Santo, em nossas penitências e renuncias quaresmais, para que sejamos transformados em nossas vidas, enriquecidos pelas graças eternas e libertos definitivamente do pecado e da sua potência que ainda investe contra nós. Proteja-nos, guarde-nos, e seremos vitoriosos, renovados em Cristo para celebrar a Páscoa da Ressurreição que se aproxima. Vem Espírito Santo…

Santa Mãe de Deus, que já fizestes a experiência da glorificação de nossos corpos, ao ser assunta ao céu, intercede por nós, teus filhos, que labutam ainda nessa terra e buscam a salvação. Sara nossas feridas, com teu toque de mãe, com remédio do amor; pegue-nos pelas mãos, segura-nos em teu colo maternal, oh Nossa Senhora da Assunção, Virgem bendita e gloriosa. Por ti sustentados e amados com carinho de mãe, pedimos que nos nossos olhos jamais percam a meta de nossa fé, a ressurreição e a salvação, o convívio dos eleitos. Roga por nós, Mãe querida, para sempre escutarmos a voz do Senhor que nos leva a glória do céu, para experiência da glorificação de nossos corpos mortais, para vida imortal junto de Deus e dos seus santos. Ave-Maria…

 

 

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