Mês: abril 2016



Poderosa oração de São Miguel

Oração de Libertação a São Miguel Arcanjo

Poderosa Oração de Libertação a São Miguel Arcanjo

Glorioso São Miguel Arcanjo,
poderoso vencedor das batalhas espirituais,
vinde em auxílio das minhas necessidades
espirituais e temporais.

Amém!

Fonte: Canção Nova
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Tortura e racismo nas prisões brasileiras

Quem vê a violência nas ruas e pela tela de suas tvs e celulares talvez não dê conta verdadeiramente do que acontece em nossas cadeias. A justiça estará feita com muito gente presa, e ponto. Deixa lá, bem longe de nossos olhos. E não importa mesmo como essas pessoas presas vivem, nem antes da prisão, muito menos durante a reclusão, e também depois da liberação – aliás, importa sim, porque se pergunta se vão cometer novos crimes, reincidir. E olhamos abismados, sem entender porque quem sai do inferno da cadeia quer voltar para lá de novo, cometendo outros crimes. A sociedade se mostra confusa. Digo que de fato, somos extremamente insensível, preconceituosos  até maldosos com que está preso e seus familiares. Vejamos a situação da Pel II e das cadeias de Londrina. Quem se interessa? Tirando abnegados dos Direitos humanos e raríssimas autoridades públicas, não é feito nada para resolver aquele caos que está na Pel II.  Mortes… falta de informações. Mentiras, arbitrariedades. Doenças. E tudo vai piorando. E um coro canta alto: deixa-se do jeito que está para ver como  é que fica; bando de criminosos, que sofram agora o castigo. E os discursos dos apresentadores de programas policiais? Arvorados num populismo, exploram a situação dos presos,  se transformam em juízes, condenando e execrando todo mundo. Ninguém quer saber se há tortura, violência, violação de direitos, prática de racismo, xenofobia. Está preso? Não é gente. E vamos faturar um milhão. Triste realidade. E o mais assustador:  com uma anuência silenciosa e velada do Estado, principal responsável em proteger as garantias constitucionais e direitos pessoais.  Queria um dia poder mudar tudo isso. E  creio que só sairemos desse atoleiro social com a prática de valores como solidariedade, generosidade, respeito. Até lá, peço ao bom Deus que livre a nós e quem está perto de nós de cair preso. Porque seria um jeito muito pesado para se mudar o pensamento acerca de quem está preso e de como se deveria trabalhar com as pessoas encarceradas… 

 

Relator da ONU condena prática de tortura e ‘racismo institucional’ nos presídios brasileiro

Relatório divulgado nesta terça-feira (8) pelo especialista de direitos humanos da ONU sobre tortura criticou a prática frequente de tortura e maus-tratos nos presídios e delegacias brasileiras, apontando ainda um “racismo institucional” do sistema carcerário do país, no qual quase 70% dos presos são negros. O relator recomendou a introdução de medidas efetivas de combate à superlotação nos presídios, entre elas uma reforma nas leis de tráfico de drogas.

Presídio de Águas Lindas, em Goiás, em 2009. Foto: Antonio Cruz/ABr

Presídio de Águas Lindas, em Goiás, em 2009. Foto: Antonio Cruz/ABr

Relatório divulgado nesta terça-feira (8) pelo especialista de direitos humanos da ONU sobre tortura, Juan E. Méndez, criticou a prática frequente de tortura e maus-tratos nos presídios e delegacias brasileiras, apontando ainda um “racismo institucional” do sistema carcerário do país, no qual quase 70% dos presos são negros. O documento será apresentado ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, com sede em Genebra.

O relatório foi produzido após visita do relator especial da ONU aos Estados de São Paulo, Sergipe, Alagoas e Maranhão em agosto do ano passado a convite do governo brasileiro. No período, o relator visitou presídios, delegacias e instituições socioeducativas para adolescentes, e se reuniu com autoridades e organizações da sociedade civil.

O relator coletou depoimentos em presídios que apontaram o uso frequente da tortura e dos maus-tratos tanto no contexto do momento da prisão como no interrogatório feito pela polícia nas delegacias, assim como nas penitenciárias.

Chutes, agressões com cassetetes, sufocação, choques elétricos com armas ‘taser’, uso de spray de pimenta, gás lacrimogêneo, bombas de efeito moral e balas de borracha, abusos verbais e ameaças foram reportados como os métodos mais frequentes utilizados pela polícia e agentes carcerários, que não costumam ser punidos por tais práticas, disse o relatório.

Os atos de tortura somam-se à situação de superlotação nos presídios. Com 711,5 mil detentos, o Brasil é o terceiro país com a maior população carcerária per capita do mundo, o equivalente a 193 pessoas para cada 100 mil habitantes, segundo dados citados no relatório.

“O contínuo aumento da população carcerária, combinado à capacidade dos presídios de abrigar 376,7 mil detentos, criou um sistema marcado pela superlotação endêmica”, segundo o documento. “O relator especial encoraja fortemente o governo a focar em reduzir a população carcerária, mais do que aumentar o número de presídios”, completou.

“As condições de detenção frequentemente remetem a tratamento cruel, desumano e degradante. A superlotação severa leva a condições caóticas nos presídios e impactos nas condições de vida dos presos e seu acesso a comida, água, defesa legal, assistência médica, apoio psicológico, oportunidades de educação e trabalho, assim como banho de sol, ar fresco e recreação.”

O relatório também citou a existência de uma prática de “racismo institucional” no sistema carcerário do país. De acordo com o documento, em 2014, em torno de 67% dos presidiários brasileiros eram classificados como negros ou mulatos.

“Negros enfrentam risco significativamente maior de encarceramento em massa, abuso policial, tortura e maus-tratos, negligência médica, de serem mortos pela polícia, receber sentenças maiores que os brancos pelo mesmo crime e de sofrer discriminação na prisão – sugerindo alto grau de racismo institucional”, afirmou o documento.

O relator especial da ONU manifestou ainda preocupação com o alto número de detentos sem julgamento (40% do total) e com a alta incidência de presos por tráfico de drogas (27% do total).

Apesar de a Lei 11.343 prever o direcionamento de usuários de drogas para clínicas de atendimento médico e tratamento, o relator afirmou que, na prática, pequenos traficantes e viciados são presos indevidamente pela polícia.

“O Brasil descriminalizou a posse de drogas para consumo próprio, mas para determinar o propósito da posse, os tribunais não aplicam uma quantidade fixa padrão, considerando a (suposta) intenção de traficar baseada no relatório policial da apreensão.”

O relator da ONU também visitou presídios com serviços parcialmente ou totalmente terceirizados, onde não verificou problemas como superlotação nem condições precárias. No entanto, de acordo com o relator, isso ocorreu porque os contratos dessas instituições com o poder público preveem que elas não podem ser obrigadas a receber um número de detentos muito superior à sua capacidade.

“Sob esses termos, as instituições privatizadas não ficarão superlotadas, porque esse arranjo será um fator adicional para agravar a superlotação das prisões públicas no mesmo Estado”, disse o relator, completando ser “cético” em relação aos presídios privatizados.

“Arranjos semelhantes em outros países resultaram em sérias violações aos direitos das pessoas privadas de liberdade”, disse. “As regras para prestação de contas no caso de má conduta de agentes não estatais podem ser confusas, e os serviços essenciais para os presidiários podem sofrer com as pressões para maximizar lucros.”

Recomendações

O relator especial sugeriu que o governo brasileiro tome passos decisivos para a aplicação efetiva da legislação já existente no país para a prevenção e combate à tortura e maus-tratos nas prisões brasileiras.

Recomendou o uso mais efetivo dos poderes garantidos ao governo federal para acusar autoridades estaduais e federais que violarem os direitos dos presos, e condicionar o financiamento federal aos Estados ao cumprimento dessas leis.

Além disso, sugeriu a introdução de medidas efetivas de combate à superlotação, entre elas uma reforma nas leis de tráfico de entorpecentes com o desenvolvimento de padrões efetivos para determinar a posse de drogas com base em quantidades fixas.

Outra sugestão foi o estabelecimento de meios efetivos para monitorar e punir o uso abusivo da força por parte das forças policiais, além de abolir as revistas vexatórias nos presídios e garantir que as violações cometidas por agentes militares sejam julgadas por cortes criminais civis.

Acesse o relatório – disponível nos seis idiomas oficiais da ONU (inglês, francês, espanhol, árabe, chinês e russo) – em http://bit.ly/1Qylq17

Fonte:  Pastoral Carcerária Nacional
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Papa Francisco em 4 continentes

Reportagem Especial: Papa tocou 4 continentes em 2015

Cidade do Vaticano (RV) – A redação do Programa Brasileiro preparou uma grande reportagem na qual recordamos os principais momentos vividos pelo Papa Francisco durante as quatro Viagens Apostólicas que realizou em 2015. Em ordem cronológica, iniciaremos com a Ásia, passando pela Europa, cruzando a América Latina e encerrando com a África.

 

O Papa Francisco retornou à Ásia

A primeira viagem apostólica internacional do Papa Francisco neste ano de 2015, a então sétima de seu Pontificado, e terceira à Ásia após a visita à Terra Santa e à Coreia do Sul foi ao Sri Lanka e depois às Filipinas, de 12 a 19 de janeiro. Foi mais um exemplo da atenção do Pontífice à Ásia.

A viagem do Papa Francisco à República do Sri Lanka e às Filipinas foi nas pegadas dos predecessores Paulo VI e João Paulo II, que também visitaram os dois países: o Papa Montini ambos os países em 1970, e o Papa Wojtyla em 1981 visitou as Filipinas e em 1995 Sri Lanka e novamente as Filipinas.

Falando desta viagem, Francisco afirmou que voltou à Ásia “com prazer”. “Guardarei sempre no coração a lembrança do acolhimento jubiloso por parte das multidões, em alguns casos até mesmo oceânicas”, disse.

Sri Lanka

No Sri Lanka, “país de maravilhosa beleza natural”, o momento culminante foi a canonização do missionário São José Vaz. Numa época de perseguição religiosa, ele ministrava com frequência os sacramentos em segredo aos fiéis católicos, e ajudava sem distinção todos os necessitados. Durante a missa de canonização, disse o Papa Francisco: “indiquei S. José Vaz como modelo para todos os cristãos, chamados hoje em sai a propor a verdade salvífica do Evangelho num contexto multirreligioso, com respeito aos outros, com perseverança e humildade”.

O Pontífice na sua viagem salientou ainda o processo de reconciliação do povo cingalês, que está tentando reconstruir a unidade depois de um longo e dramático conflito civil. No encontro com as autoridades governamentais, ele destacou a importância do diálogo e do respeito pela dignidade humana na busca paciente da reconciliação. Já o encontro com os vários líderes religiosos confirmou as boas relações que existem entre as diferentes tradições religiosas, o Papa então pediu a cooperação de todos para curar, “com o bálsamo do perdão”, as feridas da guerra.

O tema da reconciliação caracterizou também a visita do Papa ao Santuário de Nossa Senhora de Madhu – ocasião em que pediu a Maria que obtenha o dom da paz e da unidade a todo o povo cingalês.

Filipinas

Do Sri Lanka Francisco foi às Filipinas, cuja finalidade particular da visita era levar conforto e encorajamento às populações que foram atingidas pelo tufão Yolanda. Ali uma multidão calculada em 7 milhões de pessoas recebeu o Papa.

Na região mais devastada, Tacloban, o Papa enalteceu a fé e a capacidade de recuperação da população local, assim como a generosidade das ajudas. “A potência do amor de Deus se manifestou no espírito de solidariedade demonstrada em inúmeros gestos sacrificados e iniciativas de caridade que marcaram aqueles dias trágicos”.

Os encontros com as famílias e os jovens foram outros momentos salientes da viagem às Filipinas. “Ouvir dizer que as famílias com muitos filhos e o nascimento de tantas crianças são uma das causas da pobreza. Parece-me uma opinião simplória. Posso dizer que a causa principal da pobreza è um sistema econômico que tirou a pessoa do centro e colocou no seu lugar o deus-dinheiro; um sistema econômico que exclui e cria a cultura do descarte que vivemos. Esta é a causa da pobreza, e não as famílias numerosas.

À juventude, Francisco ofereceu uma palavra de encorajamento em seus esforços para a renovação da sociedade, de modo particular através da proteção do meio ambiente e de uma atenção especial aos pobres. “O cuidado em relação aos pobres é um elemento essencial do nosso testemunho cristão; comporta a rejeição de toda forma de corrupção e pede a construção de uma cultura da integridade”, afirmou.

O Papa agradeceu a Deus pela sua visita ao Sri Lanka e às Filipinas, e pediu que Ele abençoe esses dois países. (SP)

Sarajevo

No dia 6 de junho o Papa Francisco visitou Sarajevo, capital da Bósnia-Herzegovina, naquela que foi a 8ª viagem apostólica internacional de seu Pontificado, a segunda à região dos Bálcãs, após a viagem à Albânia em setembro de 2014. Com o lema “A paz esteja convosco”, o Pontífice visitou uma cidade que se tornou o símbolo do sangrento conflito dos anos 90, encorajando a população à uma convivência pacífica e à construir um futuro comum e reforçando o diálogo ecumênico e inter-religioso entre as comunidades formadas por croatas, sérvios e bósnios muçulmanos.

“Nesta terra – disse o Papa ao ser recebido no Aeroporto –  as relações cordiais e fraternas entre muçulmanos, judeus e cristãos têm uma importância que vai além de seus confins. Elas testemunham ao mundo inteiro que a colaboração entre várias etnias e religiões em vista do bem comum é possível, que o pluralismo de culturas e tradições pode existir e contribuir para soluções originais e eficazes dos problemas; que mesmo as feridas mais profundas podem ser curadas com um percurso que purifique a memória e dê esperança ao futuro. Neste sentido as crianças, todas juntas, são a ‘aposta’ para o futuro”.

Durante sua estadia de 11 horas em Sarajevo, Francisco cumpriu uma extensa agenda. A primeira reunião do Santo Padre foi com os três presidentes bósnios, que representam os principais povos e religiões do país. A presidência rotatória é formada por um muçulmano, Bakir Izetbegovic, um croata, Dragan Covic, e um sérvio Mladen Ivanic.

A grande missa celebrada ao ar livre, no Estádio Olímpico Asim Ferhatovic, no Bairro de Kosevo, na presença de cerca de 70 mil fiéis, foi o ponto alto da viagem. O Pontífice também participou de um encontro inter-religioso com mais de 200 representantes das diferentes religiões presentes em Sarajevo: islâmica, ortodoxa, católica e hebraica. Os líderes religiosos consideraram a visita de Francisco como um impulso à paz.

Essa foi a segunda viagem de um Papa a Saravejo. Em 1997, João Paulo II havia visitado a cidade, apenas dois anos depois da sangrenta guerra civil no país (1992-1995). (JE)

Papa na América Latina

Em julho foi a vez de Francisco realizar sua nona viagem internacional – viagem que o levou pela segunda vez a seu continente. Oito dias, três países visitados: Equador, Bolívia e Paraguai. Tratou-se da primeira visita a países que falam a mesma língua do Pontífice, deixando Francisco à vontade para improvisações – que não faltaram

Equador: os idosos

Assim que chegou ao Equador, Francisco disse a que veio: “que não haja diferenças, não haja exclusão, não haja pessoas descartadas. A América Latina tem uma dívida com os pobres”. Mas foi o Santuário da Divina Misericórdia em Guayaquil que registrou a imagem-símbolo da passagem do Papa pelo país. Ali, o Pontífice rezou o Ave Maria com centenas de pacientes com câncer, idosos e pobres. “Não somos testemunhas de uma ideologia, mas do amor misericordioso de Jesus”, disse Francisco num dos últimos eventos em Quito.

Bolívia: os detentos

Do Equador, o Papa foi à Bolívia, onde cores, danças e músicas marcaram a sua recepção no país, onde não faltaram também momentos polêmicos, como o presente que Evo Morales deu a Francisco, um crucifixo encravado na foice e no martelo. Em Santa Cruz de la Sierra, o Pontífice pronunciou seu discurso mais elaborado, um verdadeiro manifesto aos movimentos populares. Mas o evento mais marcante em solo boliviano foi a visita à prisão de Palmasola, onde estão detidos inclusive brasileiros. Momento intenso para falar de reinserção, dignidade e sobretudo da verdadeira liberdade, aquela que só Jesus Cristo pode nos oferecer.

Paraguai: os jovens

E finalmente o Paraguai, terra de mulheres valentes, que souberam reagir com esperança – como disse Francisco – nos momentos difíceis. Terra também de jovens, que acolheram o Papa num verdadeiro clima de JMJ. A eles, o Papa recomendou barulho – barulho para transformar a sociedade.

Quem nos dá o tom da visita de Francisco à América Latina é o próprio Papa, que de regresso ao Vaticano disse aos jornalistas: “Digo uma coisa que me surpreendeu muito. Em todos os três países, nunca vi tanta criança! É uma lição para nós, para a Europa. A riqueza desse povo e dessa Igreja é que se trata de uma Igreja viva”.

Apenas dois meses após a memorável visita ao Equador, Bolívia e Paraguai, o Papa Francisco voltava ao Continente americano, desta feita para a 10ª viagem apostólica internacional de seu Pontificado, com duas etapas: Cuba e os EUA. (BF)

Cuba

Nas pegadas de seus predecessores, João Paulo II – janeiro de 1998 – e Bento XVI – março de 2012 –, no dia 19 de setembro, como “Missionário da Misericórdia”, tema da etapa cubana, o Papa Francisco chegava a Havana para a histórica visita à ilha caribenha, na qual, de 19 a 22 de setembro, esteve em Havana, Holguín e Santiago de Cuba. Uma viagem memorável no signo da misericórdia e da construção de pontes.

Qual Sucessor de Pedro, ao confirmar os cubanos na fé, Francisco lançou fortes mensagens não somente à Igreja e à sociedade da Ilha, mas ao mundo inteiro.

Em rápidas pinceladas, destaque para alguns dos memoráveis encontros e celebrações: a santa missa na Praça da Revolução, em Havana; encontro com os sacerdotes, religiosos e seminaristas na Catedral de Havana; encontro com os jovens na capital cubana; e ainda, o encontro com o líder da Revolução, Fidel Castro; em Holguín, missa na Praça da Revolução; em Santiago, o encontro com os bispos, e a oração à Virgem da Caridade do Cobre, padroeira da Ilha.

Numa época de crescentes conflitos, o Papa convidou a lançar pontes, “pequenas pontes, mas uma após a outra constrói a grande ponte da paz”. Em suas palavras, atos concretos desse construir pontes foi certamente a reaproximação, após mais de meio século, entre Cuba e EUA – etapa seguinte desta viagem – e o anúncio do acordo de paz na Colômbia, graças, inclusive, em, ambos o casos, ao papel do Papa Francisco.

“Corações abertos, mentes abertas”, Francisco exortou a “acolher e aceitar quem pensa de modo diferente”. O amor é servir aos mais vulneráveis. “O serviço jamais é ideológico, a partir do momento que não serve a ideias, mas a pessoas”.

Em terras caribenhas, Francisco convidou a crer “na força revolucionária da ternura”, da compaixão. “Não é pietismo”, observou o Papa. É levar a misericórdia de Jesus onde há pecado e falimento. Sem medo, sem purismos.

Na Ilha caribenha Francisco pôde partilhar com o povo cubano a esperança de realização da profecia feita por são João Paulo II: “Que Cuba se abra ao mundo e o mundo se abra a Cuba”. (RL)

Em setembro, Cuba e EUA: a viagem dos extremos

Depois de sua primeira viagem à América Latina, Francisco teve outra missão inédita: Cuba e Estados Unidos, em setembro. Na ilha reduto do socialismo, ficou marcado o encontro com Fidel e a sintonia com o povo, em maioria pobre e católico. No país do norte, berço do capitalismo, encontrou uma Igreja de estampo tradicionalista, um rebanho reticente em relação às reformas do Pontífice e uma sociedade em geral consumista. Lá, o impacto gerado pelo Papa que rompe esquemas foi mais extraordinário.

Francisco cumpriu seu papel com relevância. O mediador do diálogo, facilitador da ponte de comunicação dos ex-inimigos Cuba e EUA, desembarcou na tarde do dia 22 em Washington, sendo recebido com honras de Chefe de Estado pelo Presidente Barack Obama, esposa, filhas e sogra.

Falando como “um irmão entre irmãos”, no dia 24 canonizou o franciscano Junípero Serra, evangelizador do México e “pai” da Califórnia, defensor dos indígenas. Foi o primeiro Papa a falar ao Congresso dos EUA, tocando temas como migração, tolerância religiosa e refugiados. Em Nova York, no dia seguinte, pediu aos membros da ONU que deixem de lado o “nominalismo declamatório com efeito tranquilizador sobre as consciências e adotem uma vontade efetiva para resolver os graves problemas que ameaçam a humanidade”.

No bairro marginalizado de Harlem, encontrou-se com crianças imigrantes, celebrou missa no célebre Madison Square Garden e deliciou milhares de nova-iorquinos passando de papamóvel nas ruas adjacentes ao Central Park. Finalmente, Filadélfia, para o VIII Encontro Mundial das Famílias.

Pensando na misericórdia

Sempre em busca do encontro, Francisco driblou as polêmicas focado nas afinidades e não nas contrariedades. Confrontou-se com as famílias de todo o mundo que foram àquela cidade exclusivamente para ouvir o seu recado. Salientou que o bem-estar de todos só pode existir na justiça, aonde deveres e direitos são bens de todos, naquela casa comum sem fome nem desigualdades onde a vida nos foi doada para que a preservemos, para nós e nossos filhos.

Em Filadélfia, o Pontífice falou às famílias e aos bispos sobre a grande ferida produzida por uma sociedade que reduz todos a consumidores. Para o Papa “ecológico”, uma das principais raízes da pobreza de tantas situações contemporâneas reside na solidão radical à qual muitos indivíduos são forçados, uma solidão que teme o compromisso, uma busca desenfreada de sentir-se reconhecido. Francisco propôs aos seus fiéis um sentido maior de família e as despertou para as verdadeiras ameaças à sua integridade.

Ali, se despediu dos Estados Unidos, assegurando que reza para que todos os seus habitantes sejam “bons e generosos custódios” dos recursos humanos e materiais que possuem. (CM)

África da Misericórdia

Presidentes e organizações recomendaram que, por questões de segurança, o Papa cancelasse sua ida à República Centro-Africana. Não sabiam, todavia, que Francisco decidira ir à África justamente para abrir a Porta Santa da Misericórdia na capital Bangui onde, da ferida da guerra, ainda escorre sangue inocente

Francisco sujou a batina nas estradas de terra vermelha do coração do continente negro, visitou os últimos em um campo de deslocados e refugiados. Voltou a tirar os sapatos para, mais uma vez, entrar em uma mesquita e pedir diálogo e tolerância entre muçulmanos e cristãos.

O Papa fez visitas fora de programa. Em uma delas, a um hospital pediátrico em Bangui, abraçou, no corpo doente de Aids de uma criança raquítica, todos aqueles que ainda sofrem com a doença.

Em Uganda, recordou os mártires cristãos do passado, exemplos de persistência e fé para os cristãos de hoje, “a carteira de identidade” deles, como disse o Papa.

Era a primeira vez que Bergoglio pisava em terras africanas e, como todos os que chegam por lá, foi marcado indelevelmente pelo jeito de ser e hospitalidade do povo africano.

Margeando a Linha do Equador, o Papa chegou ao continente pelo Quênia. Em Nairóbi, conheceu as realidades das maiores favelas do mundo, ouviu com atenção os cantos de louvor na Missa na capital… e com um gesto emblemático, fez 70 mil pessoas darem-se as mãos em nome da união de um só país contra o tribalismo. (RB)

Fonte:  Vatican Radio
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Orações para fortalecer seu casamento

9 orações a Deus que farão seu casamento florescer

Se o seu casamento estiver passando por dificuldades, convide Deus para ser parte dele. Isso pode fazer toda a diferença.

O casamento pode ser uma coisa maravilhosa, especialmente quando um marido e uma esposa levam suas promessas a sério e realmente aprendem a amar, honrar e nutrir um ao outro. Mas, mesmo no melhor dos casamentos, haverá momentos em que os casais nem sempre concordam.

Deus não apenas vê o cenário todo, mas também conhece o seu coração e o coração de seu cônjuge. Ele sabe o que vocês precisam e o que desejam. Ele conhece suas fraquezas e seus pontos fortes. Ele conhece os seus pensamentos e suas motivações.

Deus tem todo o conhecimento necessário para ajudar o seu casamento. Se você pedir sua orientação Ele pode ajudá-lo a saber que passos tomar para ajudar a fortalecer seu relacionamento com seu cônjuge. Peça orientação de Deus e ouça Seu espírito antes de tomar suas decisões.

2. Mais força

Você não tem que confiar em sua própria força para suportar as dificuldades que podem surgir em um casamento. Deus lhe fortalece e ajuda a realizar qualquer tarefa necessária. Ele pode dar-lhe a coragem para ter uma conversa difícil, a força para cuidar de um cônjuge doente, e a capacidade de superar mágoa. Deus pode lhe dar a força para superar quaisquer conflitos ou dificuldades que se encontram em sua vida.

3. Um coração compreensivo

Muitos conflitos surgem no casamento por causa da falta de compreensão. É difícil nos colocar no lugar dos outros, porque não somos eles. Nós não pensamos da mesma forma que eles e não tivemos as experiências que moldaram suas percepções. Devido a isso, é importante que, quanto estivermos pedindo ajuda a Deus, peçamos a Ele que nos dê um coração compreensivo. Precisamos da capacidade para compreender o nosso cônjuge, para que sejamos mais capazes de nos relacionar com eles.

4. Sabedoria

A sabedoria não é apenas ter conhecimento; é ser capaz de fazer bons julgamentos. Porque somos humanos, estamos constantemente fazendo julgamentos. Às vezes, esses julgamentos são injustos porque eles são baseados em nossas percepções, e não na realidade.

No casamento, é importante reunirmos todos os fatos antes de fazer qualquer julgamento. Isto requer uma comunicação real com seu cônjuge, onde vocês não tenham medo de ser honestos e abertos um com o outro. A comunicação aberta lhe dará o conhecimento, e ao orar por sabedoria, você será capaz de usar esse conhecimento para fazer julgamentos bons e justos.

5. Um espírito de paz

Contenção pode destruir qualquer casamento. Pedir a Deus por um espírito de paz lhe dará a capacidade de enfrentar o conflito sem a contenção. Lhe dará o desejo de corrigir o problema sem querer se vingar ou machucar o seu parceiro. Quando você enfrenta disputas com um espírito de paz, você ouve melhor. Você também dá ao seu cônjuge a mesma oportunidade.

Quando você está vivendo com alguém, é fácil começar a ver todas as suas falhas. É difícil, no entanto, ver as boas qualidades de uma pessoa, se você estiver constantemente focando no que há de ruim. Peça a Deus para ajudá-lo a ver o lado bom em seu cônjuge. As boas qualidades se tornam seu foco e as coisas que incomodam você tendem a ficar cada vez menores. Assim como a lente de uma câmera, aquilo no qual você está focado se torna a sua realidade.

7. Uma atitude de gratidão

Demonstrar gratidão por seu cônjuge é uma das melhores coisas que você pode fazer por ele. Todo mundo gosta de se sentir importante para alguém e conforme você demonstra sua gratidão por seu cônjuge, você mostra exatamente o que ele significa para você. Peça a Deus para ajudá-lo a mostrar gratidão, não só pelo que ele é, mas por aquilo que ele faz por você. Não só irá fortalecer seu relacionamento, mas você vai viver uma vida mais feliz.

8. A vontade de perdoar

Em todo casamento, haverá momentos em que seu cônjuge irá fazer algo que você precisará perdoar. Também haverá momentos em que você irá precisar do mesmo perdão dele. A verdade é que, se você quiser que o seu cônjuge perdoe seus pontos fracos, é importante que você esteja disposto a perdoar os dele. Perdoar nem sempre é fácil, mas se você pedir ajuda a Deus, você terá a capacidade de perdoar e ser perdoado.

9. A capacidade de amar

O amor conserva o seu casamento. Quando tudo ao seu redor parece estar dando errado, é o amor que você compartilha com seu cônjuge que irá ajudar a ambos manter a calma. Vocês podem superar qualquer obstáculo juntos, desde que haja amor entre vocês. Quando seu casamento começa a ter dificuldades, peça a Deus, acima de tudo, para ajudá-lo a amar seu cônjuge. Se você sentir que o amor se foi, peça a Deus para ajudar a recuperá-lo. O amor não apenas ajuda o mundo a funcionar; o amor é o coração do casamento.

Fonte: Familia.com
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Acordo Climático de Paris

Catador de garrafas plásticas em rio poluído de Manila, nas Filipinas – AFP
Roma (RV) – Com a assinatura do Acordo climático de Paris, o trabalho duro começa agora: essa é a consideração da Caritas Internacional, comentando o encontro dos líderes mundiais na sede da Nações Unidas, em Nova Iorque, para a cerimônia de assinatura do Acordo. Para que entre em vigor, o texto deve ser ratificado por pelo menos 55 países.“Trata-se de um evento histórico”, afirma a Caritas, pois o texto dispõe normativas internacionais para fazer frente à mudança climática, reconhecendo-a como um autêntica ameaça para a população mundial e para o planeta. Por isso, a Confederação lança um apelo por sua rápida aplicação: “Chamamos todos os governos do mundo a evitar qualquer tipo de atraso na ratificação e a proceder com firmeza segundo as normativas nacionais”.

A Caritas destaca também os aspectos positivos e negativos do Acordo. Entre os negativos, fala da ausência de garantias vinculantes no que se refere aos Direitos Humanos, ao uso respeitoso da Terra e à segurança alimentar. Também não enfrenta os problemas da demanda de consumo nem do comércio internacional. Entre seus aspectos positivos, estão a meta a longo prazo para limitar o aquecimento e um mecanismo de revisão quinquenal.

“Ainda que não represente a resposta perfeita, o Acordo de Paris é o único instrumento internacional que existe hoje e sobre o qual se basearão as políticas nacionais no futuro”, afirma a Caritas, que acrescenta:

“Sendo um marco internacional, o Acordo deve ser completado em nível nacional mediante uma interpretação e uma implementação que leve realmente em consideração os mais vulneráveis e que promova os Direitos Humanos.”

As organizações da  Caritas garantem sua participarão em atos de conscientização pública em seus respectivos países e no diálogo com os governos, para continuar contribuindo aos esforços mundiais para deter as mudanças climáticas e proteger as pessoas.

“Celebramos a cerimônia de assinatura do Acordo de Paris no Dia da Terra. Todavia, o trabalho duro começa agora.”

Fonte: Rádio Vaticano

 

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Conselhos para noivos

11 conselhos do Papa Francisco para os noivos em Amoris Laetitia

Imagem referencial / Foto: Flickr do Rodrigo Suárez (CC-BY-NC-ND-2.0)
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Poderosa oração de Madre Tereza de Calcuta

Oração de Teresa de Calcutá para rezar em qualquer necessidade

“Quando minha cruz parecer pesada, deixa-me compartilhar a cruz do outro”

Fonte: Aleteia
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No amor somos reconhecidos discípulos de Jesus

 

Evangelho: Jo 13,31-33a.34-35  (5º DOMINGO DA PÁSCOA – ANO C)

 

31Depois que Judas saiu do cenáculo, disse Jesus: “Agora foi glorificado o Filho do Homem, e Deus foi glorificado nele. 32Se Deus foi glorificado nele, também Deus o glorificará em si mesmo, e o glorificará logo.

33aFilhinhos, por pouco tempo estou ainda convosco. 34Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vºos uns aos outros.

35Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros”.

  ORAÇÃO PARA O 5º DOMINGO DA PÁSCOA 

Quão insondável, Oh Deus, é o Teu amor. Quão imensa e grande Tua misericórdia por nós, oh Pai.  O amor Te define, o amor é a Tua essência mais bela e profunda. Bendito sejas Tu, Deus, fonte do amor que cria, sustenta e salva o mundo. Deus é amor, providente, que vem ao nosso encontro, e quer que também sejamos amor. Louvado sejas Tu, oh Pai, para sempre, por Tu amor sem fim, que nos inspira a amar também a Ti e aos nossos irmãos. Teu Amor uniu céu e terra. Está próximo de nós.

O amor fala forte à nossa vida. O amor que nos destes crer viver fala ao fundo de nosso coração e nosso ser, oh Jesus. Tua Cruz é amor. Tua vida é amor. Tua palavra é amor. Tua missão é o amor. Do Pai, recebeste o amor, o Cristo, o mesmo que nos comunicaste e ainda hoje nos convida a viver e experimentar. Dá-nos a graça, oh Jesus, de Te imitar neste amor a Deus e ao próximo, a ponto de fazer de nós mesmo dom de amor, sacrifício de entrega. De amar como Tu nos amaste, oh Cristo Jesus. Ajude-nos a viver a fé como experiência e expressão única do amor que recebemos do Pai. Tu tens a Verdade que salva e dá sentido a essa vida e existência, usa-nos para transmitir e comunicar toda sua força por meio de gestos e atitudes de amor entre aqueles que já te seguem. Amém.

 É do amor do Pai e do Filho que Tu procedes, oh suave Espírito Santo. Sim, Tu és o amor que transborda de Deus para a humanidade e o mundo. Por Ti, hoje e sempre, continuamos a experimentar e tocar a força do amor de Deus entre nós. Unge-nos com Teu poder para anunciar com vida e o testemunho que a verdade da fé em Cristo está no amor, que a força de sua mensagem é o amor, recebido, vivido e testemunhado. Dá-nos sermos criativos e generosos em nossos gestos de amor, abrindo-nos sempre para o encontro de nossos irmãos. Fortalece-nos, com Tua força, poder e graça, em nossas experiências de amor para que outros creiam que Deus é amor, que nos ama, e quer que nos amemos, como caminho de esperança, saída para um mundo melhor. Espírito Santo, vem… com Teu amor… curar nossas mágoas, feridas e desamor, que nos fecham em nossos rancores, egoísmo, imaturidades, vaidades, teimosias. Liberta-nos para amar… para que o nome de Cristo seja exaltado pelo amor e pela fé.

O amor em ti Maria, fez morada. Bendita sejas tu oh mãe do amor. Amor tão grande, que fez pequeno para ser embalado no teu colo. Amor tão forte que se fez fraco para ser carregado por ti, mãe querida. Pedimos que nos ajude também a amar o amor como Tu amaste, cuidando da vida de Jesus. Proteja-nos, oh mãe, da tentação de abandonar a via por amor por sua fraqueza, limitação e pequenez. Fica conosco nessa aventura de fé em que o Senhor Jesus nos pede para sermos protagonistas e sentinelas do amor, neste mundo dilacerado por tanto ódio e violência. Intercede por nós, o Virgem Maria, para que do Amor Cristo conhecido, acolhido e testemunho, brote novo céu e nova terra. Viva o amor, lei para toda justiça, verdade, paz e fraternidade. Que Deus esteja sempre ao nosso lado, conosco para que Seu amor envolva e marque nossa história, pessoal, familiar, profissional e social. Ave-Maria… Aleluia.

 

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Coloque seu final de semana nas mãos de Deus!

Oração pelo final de semana

Não deixe de colocar seu final de semana nas mãos de Deus

A oração pelo final de semana é a oração que fazemos pedindo a Deus para abençoar o nosso final de semana, pedindo proteção, alegrias. O final de semana normalmente é o dia que as pessoas descansam e aproveitam para sair, resolver alguma coisa, viajar, ficar com a família ou simplesmente não fazer nada e apenas aproveitar.

Alguns pais se preocupam com os filhos porque sabem que quando chega o final de semana eles vão querer sair e muitas as vezes a noite e oram a Deus pedindo para Deus protegê-los, ou no final de semana vai ter uma viagem e oramos para Deus nos levar em paz e segurança, ou apenas vamos descansar e curtir a família no final de semana. Seja como for o seu final de semana ore a Deus pedindo a presença dele e que ele esteja sobre a sua vida e os da sua família.

A oração pelo final de semana pode ser feita assim:

Senhor meu Deus e grande Pai, entro em tua santa presença neste momento para colocar a vida de todas as pessoas em tuas mãos. Mais um final de semana chegou e sabemos que muitas pessoas nestes dias viajam, saem para algum lazer com a família ou saem se divertir com os amigos, por isso eu te peço neste momento que venhas abençoar e proteger a vida de cada um deles. Que, quando eles estiverem fora de suas casas, na rua, trabalho, diversão, venhas protegê-los e guiá-los e que eles voltem para a casa em paz e segurança. Abençoa aqueles que vão passear com a família: que seja um final de semana bom e agradável, que todo mal que tentar se levantar contra qualquer uma dessas pessoas que está fazendo essa oração neste momento caia por terra, seja repreendido e desfeito em nome de Jesus. Derrama tua benção, tua segurança e proteção na vida de cada um, e que seja um final de semana repleto de alegrias e paz. Amém.

Fonte: aleteia

 

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Prisões femininas são expressão da violação de direitos

O encarceramento feminino como ampliação da violação de direitos

Aumento progressivo do sistema prisional feminino, excesso de presas provisórias, superlotação, deficiências e assistência à saúde, elevação do risco de contágio de doenças, realização de trabalhos alienantes e ausência de vagas em regime mais benéfico, além de graves consequências extramuros e outras que excedem o
por Bruna Angotti

Em 5 de novembro, publicou-se o relatório “Levantamento nacional de informações penitenciárias – Infopen Mulheres”1 com dados relativamente2 atualizados e impactantes sobre o encarceramento feminino no Brasil. Entre estes, um chama especial atenção: a ampliação, entre 2000 e 2014, de 567,4% da população prisional feminina, atualmente composta por aproximadamente 37.380 mulheres. Que este aumento era galopante não é novidade, mas a proporção do crescimento destaca o tamanho do problema, evidenciando que o encarceramento em massa atinge também e principalmente, em números relativos, as mulheres, já que no mesmo período o encarceramento masculino cresceu 220,2%.

“Encarceramento em massa” e “boom do sistema carcerário”, aliás, são expressões usuais em textos e discursos críticos ao sistema penitenciário brasileiro e de países que utilizam o aprisionamento como principal resposta à prática de conduta considerada crime. Isso porque presenciamos, desde meados dos anos 1980 e início dos 1990, o exponencial crescimento da população prisional em todo o mundo, atualmente composta por mais de 10 milhões de pessoas; destas, aproximadamente 700 mil são mulheres e meninas.3

A tendência à ampliação do encarceramento feminino é mundial. Dados brasileiros coincidem proporcionalmente aos de países como Chile, Argentina, México, Inglaterra e Estados Unidos. Apesar de o sistema prisional ser predominantemente masculino (a média mundial de mulheres presas é de 6% do total de presos), o aumento do encarceramento feminino ampliou os olhares para os espaços de confinamento de mulheres, tendo, nos últimos anos, expandido a produção acadêmica e jornalística sobre a temática.

Problematizar o aprisionamento feminino é necessário. Para tanto, duas dimensões são importantes: a macro, que consiste em entender o aprisionamento feminino dentro de uma lógica mais ampla de encarceramento, abarcando elementos comuns a toda prisão; e a micro, que leva em conta as particularidades de prender mulheres, considerando-se as características tanto do corpo biológico assinalado com o sexo feminino quanto da identidade de gênero, que carrega as expectativas de comportamento voltadas ao papel social atribuído às mulheres.

Da perspectiva macro, um ponto de partida principal é o de que a lógica da prisão enquanto espaço de confinamento de corpos para inculcar-lhes uma pena e retirá-los do convívio social é válida para o sistema como um todo. Trata-se de um local de privação de liberdade e autonomia, no qual, junto com estas, outros inúmeros direitos são igualmente violados, como a convivência familiar, o direito à educação e ao trabalho e a dignidade humana, quando se considera a precariedade do aprisionamento no país e o não cumprimento da Lei de Execução Penal (LEP), da Constituição Federal de 1988 (CF) e de tratados e normativas internacionais assinados pelo Brasil, como as regras mínimas para o tratamento dos prisioneiros e as regras de Bangcoc (ONU), específicas para o aprisionamento feminino. Isso sem contar as inúmeras violações processuais, como o excesso de prisão provisória e o tempo de aprisionamento maior que a pena culminada. A macrológica do aprisionamento masculino e feminino é a mesma.

No entanto, é inegável que há particularidades no aprisionamento de homens e mulheres, seja em razão da estrutura binária que separa os sexos em duas categorias distintas, atribuindo-lhes papéis sociais próprios, dos efeitos sociais dessa divisão ou mesmo das características físicas do corpo feminino. É justamente nessa interface entre sexo e gênero que residem os principais elementos que tecem a micrológica do aprisionamento de mulheres.

Fazendo um breve retorno histórico, as prisões femininas foram criadas no Brasil no final da década de 1930, início dos anos 1940. Antes disso, as mulheres ocupavam celas específicas em prisões masculinas. De lá para cá, poucas foram as instituições construídas especificamente para abrigar mulheres, pois, em geral, a prisão feminina é uma extensão da masculina, sendo seus espaços adaptados em prédios antes destinados aos homens ou a outras funções. Sem contar que existem, até hoje, ao arrepio da lei, mais de 230 unidades prisionais mistas. As primeiras prisões femininas foram criadas por meio de uma parceria do Estado com a Congregação de Nossa Senhora do Bom Pastor D’Angers, ordem francesa com missão de expansão e de cuidado com mulheres em descaminho no mundo todo. Tais instituições tinham em sua base uma missão correcional: “colocar as mulheres de volta no eixo”. E que eixo era esse? O das expectativas de gênero – boa mulher, boa mãe, boa esposa, boa funcionária. Ao romper com esse estereótipo, a mulher estaria se comportando fora da expectativa de gênero – devendo, portanto, ser corrigida.

Na década de 1940, o que mais aprisionava as mulheres eram os tipos da lei de contravenção penal, em especial o “escândalo”, o alcoolismo e a “vadiagem”, consideradas as grandes perturbações daquele tempo. E hoje? O que perturba? Qual é a pedra no sapato? Quem são as perigosas e escandalosas? As usuárias de drogas e aquelas que as comercializam. E isso não é somente no Brasil – trata-se de uma tendência mundial. A política da guerra às drogas tem atingido cada vez mais mulheres, e a maioria das presas em Estados com cenários de encarceramento em massa foi condenada ou está sendo processada por situações envolvendo o uso problemático ou a venda de drogas. No Brasil, o Infopen Mulheres divulgou que 68% do sistema prisional feminino é composto por mulheres presas por tráfico, estatística que se repete no Chile, sendo essa porcentagem de aproximadamente 60% na Argentina e nos Estados Unidos. Para termos uma dimensão de quanto a política de drogas atinge principalmente as mulheres, no Brasil apenas 25% dos homens estão presos por crimes relacionados diretamente às drogas ilícitas.

Processos econômicos e políticos globais devem ser considerados para a compreensão do boom do encarceramento de mulheres. Entre eles, vale ressaltar: o regime internacional de proibição das drogas e suas consequências nacionais; o aumento do fluxo de mercadorias e pessoas com a liberalização dos mercados e a facilitação da circulação entre fronteiras (sendo este elemento importante quando em pauta as presas estrangeiras); a globalização e a consequente ampliação dos mercados formais, mas também informais e ilegais (nacionais e transnacionais). Nesse contexto, é possível apontar uma entrada cada vez maior das mulheres nos mercados de trabalho, tanto nos formais quanto nos informais e ilegais. Em especial no que diz respeito às mulheres de baixa renda, a inclusão nos mercados não vem acompanhada de superação de exclusão social. Assim, persistem nas camadas periféricas exclusão social e desigualdade econômica, somadas a questões sociais estruturais mais amplas, como violência e opressão de gênero.

A necessidade de complementação de renda é relatada como uma das principais razões de envolvimento das mulheres com o mercado ilícito (em especial de drogas), no qual há igualmente divisão sexual do trabalho e às mulheres cabe ocupar postos precários e arriscados, como o transporte de drogas tanto no âmbito doméstico quanto internacional (mulas), bem como outras atividades na linha de frente, em espaços de mais fácil acesso e maior visibilidade perante o sistema de justiça criminal. Nesse cenário, as mulheres pobres e negras, em sua maioria, passaram a fazer parte de forma cada vez mais clara do filtro da seletividade do sistema de justiça criminal. Atualmente 67% das presas no Brasil são negras.

O fato de o Judiciário lidar com drogas com extremo rigor punitivo, independentemente da quantidade traficada e das circunstâncias do crime, interpretando a Lei n. 11.343/2006 de maneira subjetiva, seletiva e, portanto, desigual, é um importante elemento no encarceramento em massa de pessoas enquadradas como traficantes, o que afeta diretamente as mulheres. Como o artigo 33 da referida lei não especifica quantidade para que se configure tráfico, tal interpretação fica a critério do sistema de justiça criminal (desde a abordagem policial até a sentença final do juiz), promovendo uma espiral de encarceramento por tráfico daqueles que estão no alvo da seletividade das agências de controle do crime. Pesquisas4 mostram que há pouquíssimas mulheres presas por ocuparem cargos de gerência no tráfico, escancarando que a prisão é uma resposta ineficaz se o objetivo é guerrear contra as drogas, mas eficaz se é conter pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Entidades que trabalham há anos com encarceramento feminino de maneira crítica e da perspectiva dos direitos e garantias fundamentais, como o Instituto Terra, Trabalho e Cidadania (ITTC) e o Grupo de Trabalho Mulheres Encarceradas (GET-Mulheres), têm chamado atenção para o grave investimento no encarceramento em massa de mulheres e suas consequências a curto e longo prazo. Atualmente encabeçam campanha5 para que o indulto natalino, benefício de extinção da pena decretado pelo Executivo ao final do ano, seja concedido a mulheres condenadas por tráfico de entorpecentes que tenham pena de até cinco anos e/ou com filhos menores de 18 anos. Isso já desafogaria bastante o cenário que temos hoje, diminuindo agravos e garantindo a retirada de um grande contingente de mulheres das prisões.

Isso porque o encarceramento em massa de mulheres tem gerado uma série de consequências práticas relevantes, entre elas o já mencionado aumento progressivo do sistema prisional feminino; o excesso de presas provisórias (30% do total aguardam julgamento); a superlotação prisional; deficiências de assistência à saúde, em especial nas cadeias públicas e locais onde há presas provisórias; o aumento do risco de contágio de doenças infectocontagiosas como sífilis, tuberculose e hepatite; a realização de trabalhos alienantes e não emancipatórios, com remunerações baixíssimas; e a ausência de vagas em regime mais benéfico. Além disso, grande parte dessas mulheres é mãe, o que gera consequências extramuros graves, como a perda do poder familiar sobre os filhos, a destinação das crianças para abrigos – e o risco de perda da criança para adoção – caso não haja membros da família com quem deixá-las, sem contar a ruptura com os laços de afeto e convivência, constantemente narrada por mulheres em situação de prisão.

As implicações, como se pode perceber, não estão restritas ao período em que se vivencia a prisão. O fato de 68% das mulheres presas terem entre 18 e 34 anos já é um indício dos efeitos do cárcere extramuros – essas mulheres estão em idade economicamente ativa, e a prisão retira delas a possibilidade de integrar o mercado de trabalho, bem como as rotula, tornando mais difícil conseguir emprego formal pós-cárcere. Além disso, pesquisas feitas nos Estados Unidos mostram que o aprisionamento aumenta o risco de mulheres que passaram pela prisão desenvolverem doenças cardiovasculares, diabetes, pressão alta, obesidade, depressão e outros agravos psíquicos.6

É necessário também atentar para o exercício da maternidade por mulheres em situação de prisão, uma realidade enfrentada por parte das presas – que adentram o sistema penal grávidas e não engravidam em visitas íntimas, como comumente se imagina. Recentemente, a pesquisa “Dar à luz na sombra”7 mapeou o exercício da maternidade em estabelecimentos prisionais considerados referência no atendimento a mães e bebês ou que tinham em prática alguma política de cuidado para com esse público, em seis estados brasileiros. As conclusões da pesquisa são principalmente de que toda maternidade em situação prisional é vulnerável, dados os efeitos biopsicossociais do cárcere; que, portanto, uma melhor possibilidade de exercício da maternidade ocorrerá sempre fora da prisão; e que os espaços específicos para exercício da maternidade são excepcionais e localizados somente em algumas capitais e, ainda assim, não cumprem integralmente a legislação. Além disso, a pesquisa ressalta que a falta de acesso à justiça é um entrave para a garantia de direitos nesses espaços, em especial daqueles previstos para mulheres grávidas ou lactantes; que a liberdade provisória é exceção, e não regra, e pouco se aplica a medidas cautelares de prisão domiciliar em substituição da prisão preventiva; que o mínimo legal de seis meses previstos para permanência de mães com filhos na prisão é, na maioria das unidades visitadas, o tempo máximo permitido; e que o cumprimento das leis já existentes seria um passo importante para o desencarceramento de mulheres em condição de prisão.

***

No cárcere, o status de desviante é assinalado definitivamente nas mulheres, mas possivelmente não é a primeira vez – o passaporte do desvio já foi carimbado outras vezes na rua, nas relações extragrades com a polícia, em casa, na escola e, por que não, em abrigos e no sistema socioeducativo. O cárcere representa mais um espaço violento entre tantos outros de vivências anteriores. A prisão é um potente espaço de estigmatização, em um contexto de opressões estruturais de sexo, gênero, raça e classe. Mas não é o único. Denunciá-la é apontar estruturas de desigualdades mais amplas que também restringem autonomias, liberdades e direitos extramuros. É mostrar que estamos em luta contra as desigualdades sociais, de gênero e raciais que movem o capitalismo. É convidar companheiras e companheiros a ter como máxima os dizeres da escritora militante Audre Lorde: “Não serei livre enquanto alguma mulher for prisioneira, mesmo que as correntes dela sejam diferentes das minhas”.

Bruna Angotti

*Bruna Angotti é doutoranda e mestra em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo, professora da Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie e coordenadora do Núcleo de Pesquisas do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM). Autora do livro Entre as leis da ciência, do Estado e de Deus: o surgimento dos presídios femininos no Brasil (IBCCRIM, 2012).

Ilustração: Tulipa Ruiz

1 Relatório “Levantamento nacional de informações penitenciárias – Infopen Mulheres”, jun. 2014, produzido pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen). Disponível em: . Trata-se da primeira publicação do Infopen a abordar exclusivamente o sistema penitenciário feminino.

2 Há ressalvas importantes aos dados produzidos pelo Infopen Mulheres, como as poucas informações advindas de São Paulo, uma vez que o governo do estado não disponibilizou a tempo as informações ao Depen; o fato de que nos dados não estão contabilizadas as mulheres presas em delegacias de polícia, o que pode alterar os dados gerais; e a ausência de dados sobre grávidas e crianças no sistema.

3 Dados publicados pelo International Centre for Prison Studies. Disponível em: www.prisonstudies.org/sites/default/files/resources/downloads/world_female_imprisonment_list_third_edition_0.pdf A menção a meninas se dá pelo fato de haver países que aprisionam pessoas menores de 18 anos.

4 Como a dissertação Mulheres na prisão: entre famílias, batalhas e a vida normal, de Natália Bouças do Lago (USP, 2014), e a publicação Vidas em jogo: um estudo sobre mulheres envolvidas com o tráfico de drogas, de Sintia Helpes (IBCCRIM, 2014).

5 Ver mais sobre campanha e entidades que apoiam em: www.viomundo.com.br/voce-escreve/kenarik-boujikian-tal-como-obama-dilma-precisa-iniciar-uma-nova-pagina-na-prisao-por-drogas-comecando-pelo-indulto-de-mulheres.html.

6 Ver, por exemplo, os dados apresentados no artigo “Things fall apart: Health consequences of mass imprisonment for african american woman” [As coisas se despedaçam: consequências para a saúde do aprisionamento em massa de mulheres afroamericanas], de Christopher Wildeman e Hedwig Lee (2011). Disponível em: http://link.springer.com/article/10.1007%2Fs12114-011-9112-4#/page-1; e no estudo Imprisonment and women’s health: concerns about gender sensitivity, human rights and public health [Prisão e saúde da mulher: preocupações com a sensibilidade de gênero, direitos humanos e saúde pública], de Brenda van den Bergh et al., publicado pela Organização Mundial da Saúde. Disponível em: www.who.int/bulletin/volumes/89/9/10-082842/en/.

7 “Dar à luz na sombra: condições atuais e futuras para o exercício da maternidade por mulheres em situação de prisão” (Ipea/MJ), coordenada pela professora doutora Ana Gabriela Mendes Braga (Unesp) e cocoordenada por Bruna Angotti (Mackenzie). Disponível em: http://pensando.mj.gov.br/publicacoes/dar-a-luz-na-sombra-condicoes-atuais-e-possibilidades-futuras-para-o-exercicio-da-maternidade-por-mulheres-em-situacao-de-prisao/.

Fonte: Pastoral Carcerária Nacional

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