Direitos Humanos



Bispo com 150 “esposas”?

O bispo que “se casou” com 150 mulheres

© Commonwealth of Australia (National Archives of Australia) 2017

Caso insólito aconteceu nas ilhas Tiwi, norte da Austrália

Houve um bispo nas ilhas Tiwi, costa norte da Austrália, que teve 150 “esposas”. O próprio dom Francis Xavier Gsell destaca esse fato insólito na sua autobiografia, que foi publicada quando ele se tornou emérito, em 1956.

90% dos habitantes das ilhas Tiwi são da etnia aborígene kiwi. Em 1922, depois de vários anos na região, aconteceu algo na vida do bispo que mudaria a sua vida: uma adolescente que vivia na missão local se queixou de que iam entregá-la a um esposo já idoso.

Dom Gsell não podia fazer nada, porque essa era a lei da ilha. Soluçando, a jovem foi obrigada a ir embora para uma vida de sacrifícios imprevisíveis. Cinco dias depois, porém, ela voltou sangrando, com uma ferida de lança na perna. Tinha escapado e afirmava que não queria mais sair da missão.

O “esposo” e os familiares, enfurecidos, foram falar com o bispo, que lhes ofereceu uma série de presentes: tabaco, um espelho, carne, latas de melado… Mas havia uma condição: “A menina fica”. A negociação durou várias horas, mas, no final, eles concordaram.

A partir dessa experiência, dom Francis Xavier Gsell começou a “comprar” a liberdade das moças. No total, libertou 150 delas – que, segundo a lei tribal, passavam a ser consideradas como suas “esposas”, embora, obviamente, não o fossem na prática. O bispo pagava o dote e as recebia na missão, onde as jovens aprendiam a ler e escrever, a desempenhar um ofício e, finalmente, conseguiam formar a própria família.

© Commonwealth of Australia (National Archives of Australia) 2017

A história e a vida de dom Francis Xavier Gsell é cheia de aventuras e de formas originais de evangelização. Você pode ler mais sobre ele nesta matéria, em espanhol, do site Religión en Libertad.

Fonte: Aleteia
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Dia Mundial dos Pobres, mensagem do Papa

Mensagem do Papa Francisco para o I Dia Mundial dos Pobres

Foto: Getty Images

Foto: Getty Images

No dia 19 de novembro de 2017, será celebrado pela primeira vez o Dia Mundial dos Pobres, instituído pelo Papa Francisco em 21 de novembro de 2016, ao final do Jubileu Extraordinário da Misericórdia.

“À luz do ‘Jubileu das Pessoas Excluídas Socialmente’, celebrado quando já se iam fechando as Portas da Misericórdia em todas as catedrais e santuários do mundo, intuí que, como mais um sinal concreto deste Ano Santo extraordinário, se deve celebrar em toda a Igreja, na ocorrência do XXXIII Domingo do Tempo Comum, o Dia Mundial dos Pobres”, explicou o Papa naquela ocasião.

Para este Dia, a Santa Sé publicou hoje uma mensagem intitulada “Não amemos com palavras, mas com obras”, na qual o Pontífice assegura que “o amor não admite álibis: quem pretende amar como Jesus amou, deve assumir o seu exemplo, sobretudo quando somos chamados a amar os pobres”.

Confira a seguir, a mensagem completa:

Não amemos com palavras, mas com obras

1. «Meus filhinhos, não amemos com palavras nem com a boca, mas com obras e com verdade» (1 Jo 3, 18). Estas palavras do apóstolo João exprimem um imperativo de que nenhum cristão pode prescindir. A importância do mandamento de Jesus, transmitido pelo «discípulo amado» até aos nossos dias, aparece ainda mais acentuada ao contrapor as palavras vazias, que frequentemente se encontram na nossa boca, às obras concretas, as únicas capazes de medir verdadeiramente o que valemos. O amor não admite álibis: quem pretende amar como Jesus amou, deve assumir o seu exemplo, sobretudo quando somos chamados a amar os pobres. Aliás, é bem conhecida a forma de amar do Filho de Deus, e João recorda-a com clareza. Assenta sobre duas colunas mestras: o primeiro a amar foi Deus (cf. 1 Jo 4, 10.19); e amou dando-Se totalmente, incluindo a própria vida (cf. 1 Jo 3, 16).

Um amor assim não pode ficar sem resposta. Apesar de ser dado de maneira unilateral, isto é, sem pedir nada em troca, ele abrasa de tal forma o coração, que toda e qualquer pessoa se sente levada a retribuí-lo não obstante as suas limitações e pecados. Isto é possível, se a graça de Deus, a sua caridade misericordiosa, for acolhida no nosso coração a pontos de mover a nossa vontade e os nossos afetos para o amor ao próprio Deus e ao próximo. Deste modo a misericórdia, que brota por assim dizer do coração da Trindade, pode chegar a pôr em movimento a nossa vida e gerar compaixão e obras de misericórdia em prol dos irmãos e irmãs que se encontram em necessidade.

2. «Quando um pobre invoca o Senhor, Ele atende-o» (Sal 34/33, 7). A Igreja compreendeu, desde sempre, a importância de tal invocação. Possuímos um grande testemunho já nas primeiras páginas do Atos dos Apóstolos, quando Pedro pede para se escolher sete homens «cheios do Espírito e de sabedoria» (6, 3), que assumam o serviço de assistência aos pobres. Este é, sem dúvida, um dos primeiros sinais com que a comunidade cristã se apresentou no palco do mundo: o serviço aos mais pobres. Tudo isto foi possível, por ela ter compreendido que a vida dos discípulos de Jesus se devia exprimir numa fraternidade e numa solidariedade tais, que correspondesse ao ensinamento principal do Mestre que tinha proclamado os pobres bem-aventurados e herdeiros do Reino dos céus (cf. Mt 5, 3).

«Vendiam terras e outros bens e distribuíam o dinheiro por todos, de acordo com as necessidades de cada um» (At 2, 45). Esta frase mostra, com clareza, como estava viva nos primeiros cristãos tal preocupação. O evangelista Lucas – o autor sagrado que deu mais espaço à misericórdia do que qualquer outro – não está a fazer retórica, quando descreve a prática da partilha na primeira comunidade. Antes pelo contrário, com a sua narração, pretende falar aos fiéis de todas as gerações (e, por conseguinte, também à nossa), procurando sustentá-los no seu testemunho e incentivá-los à ação concreta a favor dos mais necessitados. E o mesmo ensinamento é dado, com igual convicção, pelo apóstolo Tiago, usando expressões fortes e incisivas na sua Carta: «Ouvi, meus amados irmãos: porventura não escolheu Deus os pobres segundo o mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que O amam? Mas vós desonrais o pobre. Porventura não são os ricos que vos oprimem e vos arrastam aos tribunais? (…) De que aproveita, irmãos, que alguém diga que tem fé, se não tiver obras de fé? Acaso essa fé poderá salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e precisarem de alimento quotidiano, e um de vós lhes disser: “Ide em paz, tratai de vos aquecer e matar a fome”, mas não lhes dais o que é necessário ao corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se ela não tiver obras, está completamente morta» (2, 5-6.14-17).

3. Contudo, houve momentos em que os cristãos não escutaram profundamente este apelo, deixando-se contagiar pela mentalidade mundana. Mas o Espírito Santo não deixou de os chamar a manterem o olhar fixo no essencial. Com efeito, fez surgir homens e mulheres que, de vários modos, ofereceram a sua vida ao serviço dos pobres. Nestes dois mil anos, quantas páginas de história foram escritas por cristãos que, com toda a simplicidade e humildade, serviram os seus irmãos mais pobres, animados por uma generosa fantasia da caridade!

Dentre todos, destaca-se o exemplo de Francisco de Assis, que foi seguido por tantos outros homens e mulheres santos, ao longo dos séculos. Não se contentou com abraçar e dar esmola aos leprosos, mas decidiu ir a Gúbio para estar junto com eles. Ele mesmo identificou neste encontro a viragem da sua conversão: «Quando estava nos meus pecados, parecia-me deveras insuportável ver os leprosos. E o próprio Senhor levou-me para o meio deles e usei de misericórdia para com eles. E, ao afastar-me deles, aquilo que antes me parecia amargo converteu-se para mim em doçura da alma e do corpo» (Test 1-3: FF 110). Este testemunho mostra a força transformadora da caridade e o estilo de vida dos cristãos.

Não pensemos nos pobres apenas como destinatários duma boa obra de voluntariado, que se pratica uma vez por semana, ou, menos ainda, de gestos improvisados de boa vontade para pôr a consciência em paz. Estas experiências, embora válidas e úteis a fim de sensibilizar para as necessidades de tantos irmãos e para as injustiças que frequentemente são a sua causa, deveriam abrir a um verdadeiro encontro com os pobres e dar lugar a uma partilha que se torne estilo de vida. Na verdade, a oração, o caminho do discipulado e a conversão encontram, na caridade que se torna partilha, a prova da sua autenticidade evangélica. E deste modo de viver derivam alegria e serenidade de espírito, porque se toca palpavelmente a carne de Cristo.

Se realmente queremos encontrar Cristo, é preciso que toquemos o seu corpo no corpo chagado dos pobres, como resposta à comunhão sacramental recebida na Eucaristia. O Corpo de Cristo, repartido na sagrada liturgia, deixa-se encontrar pela caridade partilhada no rosto e na pessoa dos irmãos e irmãs mais frágeis. Continuam a ressoar de grande atualidade estas palavras do santo bispo Crisóstomo: «Queres honrar o corpo de Cristo? Não permitas que seja desprezado nos seus membros, isto é, nos pobres que não têm que vestir, nem O honres aqui no tempo com vestes de seda, enquanto lá fora O abandonas ao frio e à nudez» (Hom. in Matthaeum, 50, 3: PG 58).

Portanto somos chamados a estender a mão aos pobres, a encontrá-los, fixá-los nos olhos, abraçá-los, para lhes fazer sentir o calor do amor que rompe o círculo da solidão. A sua mão estendida para nós é também um convite a sairmos das nossas certezas e comodidades e a reconhecermos o valor que a pobreza encerra em si mesma.

4. Não esqueçamos que, para os discípulos de Cristo, a pobreza é, antes de tudo, uma vocação a seguir Jesus pobre. É um caminhar atrás d’Ele e com Ele: um caminho que conduz à bem-aventurança do Reino dos céus (cf. Mt 5, 3; Lc 6, 20). Pobreza significa um coração humilde, que sabe acolher a sua condição de criatura limitada e pecadora, vencendo a tentação de omnipotência que cria em nós a ilusão de ser imortal.

A pobreza é uma atitude do coração que impede de conceber como objetivo de vida e condição para a felicidade o dinheiro, a carreira e o luxo. Mais, é a pobreza que cria as condições para assumir livremente as responsabilidades pessoais e sociais, não obstante as próprias limitações, confiando na proximidade de Deus e vivendo apoiados pela sua graça. Assim entendida, a pobreza é o metro que permite avaliar o uso correto dos bens materiais e também viver de modo não egoísta nem possessivo os laços e os afetos (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 2545).

Assumamos, pois, o exemplo de São Francisco, testemunha da pobreza genuína. Ele, precisamente por ter os olhos fixos em Cristo, soube reconhecê-Lo e servi-Lo nos pobres. Por conseguinte, se desejamos dar o nosso contributo eficaz para a mudança da história, gerando verdadeiro desenvolvimento, é necessário escutar o grito dos pobres e comprometermo-nos a erguê-los do seu estado de marginalização. Ao mesmo tempo recordo, aos pobres que vivem nas nossas cidades e nas nossas comunidades, para não perderem o sentido da pobreza evangélica que trazem impresso na sua vida.

5. Sabemos a grande dificuldade que há, no mundo contemporâneo, para se poder identificar claramente a pobreza. E todavia esta interpela-nos todos os dias com os seus inúmeros rostos vincados pelo sofrimento, a marginalização, a opressão, a violência, as torturas e a prisão, pela guerra, a privação da liberdade e da dignidade, pela ignorância e o analfabetismo, pela emergência sanitária e a falta de trabalho, pelo tráfico de pessoas e a escravidão, pelo exílio e a miséria, pela migração forçada.

A pobreza tem o rosto de mulheres, homens e crianças explorados para vis interesses, espezinhados pelas lógicas perversas do poder e do dinheiro. Como é impiedoso e nunca completo o elenco que se é constrangido a elaborar à vista da pobreza, fruto da injustiça social, da miséria moral, da avidez de poucos e da indiferença generalizada!

Infelizmente, nos nossos dias, enquanto sobressai cada vez mais a riqueza descarada que se acumula nas mãos de poucos privilegiados, frequentemente acompanhada pela ilegalidade e a exploração ofensiva da dignidade humana, causa escândalo a extensão da pobreza a grandes sectores da sociedade no mundo inteiro. Perante este cenário, não se pode permanecer inerte e, menos ainda, resignado.

À pobreza que inibe o espírito de iniciativa de tantos jovens, impedindo-os de encontrar um trabalho, à pobreza que anestesia o sentido de responsabilidade, induzindo a preferir a abdicação e a busca de favoritismos, à pobreza que envenena os poços da participação e restringe os espaços do profissionalismo, humilhando assim o mérito de quem trabalha e produz: a tudo isso é preciso responder com uma nova visão da vida e da sociedade.

Todos estes pobres – como gostava de dizer o Beato Paulo VI – pertencem à Igreja por «direito evangélico» (Discurso de abertura na II Sessão do Concílio Ecuménico Vaticano II, 29/IX/1963) e obrigam à opção fundamental por eles. Por isso, benditas as mãos que se abrem para acolher os pobres e socorrê-los: são mãos que levam esperança. Benditas as mãos que superam toda a barreira de cultura, religião e nacionalidade, derramando óleo de consolação nas chagas da humanidade. Benditas as mãos que se abrem sem pedir nada em troca, sem «se» nem «mas», nem «talvez»: são mãos que fazem descer sobre os irmãos a bênção de Deus.

6. No termo do Jubileu da Misericórdia, quis oferecer à Igreja o Dia Mundial dos Pobres, para que as comunidades cristãs se tornem, em todo o mundo, cada vez mais e melhor sinal concreto da caridade de Cristo pelos últimos e os mais carenciados. Quero que, aos outros Dias Mundiais instituídos pelos meus Antecessores e sendo já tradição na vida das nossas comunidades, se acrescente este, que completa o conjunto de tais Dias com um elemento requintadamente evangélico, isto é, a predileção de Jesus pelos pobres.

Convido a Igreja inteira e os homens e mulheres de boa vontade a fixar o olhar, neste dia, em todos aqueles que estendem as suas mãos invocando ajuda e pedindo a nossa solidariedade. São nossos irmãos e irmãs, criados e amados pelo único Pai celeste. Este Dia pretende estimular, em primeiro lugar, os crentes, para que reajam à cultura do descarte e do desperdício, assumindo a cultura do encontro.

Ao mesmo tempo, o convite é dirigido a todos, independentemente da sua pertença religiosa, para que se abram à partilha com os pobres em todas as formas de solidariedade, como sinal concreto de fraternidade. Deus criou o céu e a terra para todos; foram os homens que, infelizmente, ergueram fronteiras, muros e recintos, traindo o dom originário destinado à humanidade sem qualquer exclusão.

7. Desejo que, na semana anterior ao Dia Mundial dos Pobres – que este ano será no dia 19 de novembro, XXXIII domingo do Tempo Comum –, as comunidades cristãs se empenhem na criação de muitos momentos de encontro e amizade, de solidariedade e ajuda concreta.

Poderão ainda convidar os pobres e os voluntários para participarem, juntos, na Eucaristia deste domingo, de modo que, no domingo seguinte, a celebração da Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo resulte ainda mais autêntica. Na verdade, a realeza de Cristo aparece em todo o seu significado precisamente no Gólgota, quando o Inocente, pregado na cruz, pobre, nu e privado de tudo, encarna e revela a plenitude do amor de Deus. O seu completo abandono ao Pai, ao mesmo tempo que exprime a sua pobreza total, torna evidente a força deste Amor, que O ressuscita para uma vida nova no dia de Páscoa.

Neste domingo, se viverem no nosso bairro pobres que buscam proteção e ajuda, aproximemo-nos deles: será um momento propício para encontrar o Deus que buscamos. Como ensina a Sagrada Escritura (cf. Gn 18, 3-5; Heb 13, 2), acolhamo-los como hóspedes privilegiados à nossa mesa; poderão ser mestres, que nos ajudam a viver de maneira mais coerente a fé. Com a sua confiança e a disponibilidade para aceitar ajuda, mostram-nos, de forma sóbria e muitas vezes feliz, como é decisivo vivermos do essencial e abandonarmo-nos à providência do Pai.

8. Na base das múltiplas iniciativas concretas que se poderão realizar neste Dia, esteja sempre a oração. Não esqueçamos que o Pai Nosso é a oração dos pobres. De facto, o pedido do pão exprime o abandono a Deus nas necessidades primárias da nossa vida. Tudo o que Jesus nos ensinou com esta oração exprime e recolhe o grito de quem sofre pela precariedade da existência e a falta do necessário.

Aos discípulos que Lhe pediam para os ensinar a rezar, Jesus respondeu com as palavras dos pobres que se dirigem ao único Pai, em quem todos se reconhecem como irmãos. O Pai Nosso é uma oração que se exprime no plural: o pão que se pede é «nosso», e isto implica partilha, comparticipação e responsabilidade comum. Nesta oração, todos reconhecemos a exigência de superar qualquer forma de egoísmo, para termos acesso à alegria do acolhimento recíproco.

9. Aos irmãos bispos, aos sacerdotes, aos diáconos – que, por vocação, têm a missão de apoiar os pobres –, às pessoas consagradas, às associações, aos movimentos e ao vasto mundo do voluntariado, peço que se comprometam para que, com este Dia Mundial dos Pobres, se instaure uma tradição que seja contribuição concreta para a evangelização no mundo contemporâneo.

Que este novo Dia Mundial se torne, pois, um forte apelo à nossa consciência crente, para ficarmos cada vez mais convictos de que partilhar com os pobres permite-nos compreender o Evangelho na sua verdade mais profunda. Os pobres não são um problema: são um recurso de que lançar mão para acolher e viver a essência do Evangelho.

Vaticano, Memória de Santo Antônio de Lisboa, 13 de junho de 2017.

Franciscus

Fonte: Acidigital
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O que é corrupção e como combatê-la

Nas palavras do Papa Francisco, entenda a corrupção

Corrupção é consequência da repetição de pecados, o que limita a capacidade de amar. Nas rodas de conversa, é só puxar o assunto que o papo rende. Em tempos de Lava-Jato, operação da Polícia Federal – que já completa três anos –, tornou-se habitual associar corrupção às estruturas políticas. Porém, o objetivo deste texto é ampliar a visão desse tema que, infelizmente, atinge todas as áreas. Inclusive, há corrupção dentro de nós, em nossa casa, comunidade e igreja.

Em 2005, o então Cardeal Jorge Mario Bergoglio, hoje Papa Francisco, escreveu um livro intitulado ‘Corrupção e Pecado’, o qual nos ajuda nessa reflexão tão importante e atual. Embora seja um ato intrinsecamente ligado ao pecado, distingue-se dele em algumas coisas. Pecado reiterativo conduz à corrupção. Não é a repetição de pecados que provocam um corrupto, mas os hábitos de má qualidade que vão deteriorando e limitando a capacidade de amar. O coração vai se encolhendo, perdendo os horizontes, e o egoísmo passa a ser sua maior referência.

Processo de morte

Ações corruptas levam pessoas e instituições a um processo de decomposição. Perde-se a capacidade de ser, crescer e servir. É um verdadeiro processo de morte. A vida morre, fica a corrupção. É como uma folhagem que se desenvolve, alimentada pelo húmus da fraqueza humana e da cumplicidade.

Pecadores sim, corruptos não!

Geralmente, relacionamos corrupção ao pecado, mas não é bem assim. “Situação de pecado e estado de corrupção são duas realidades diferentes, embora intimamente entrelaçadas”, explica Bergoglio. Isso não significa que a corrupção faça parte da vida normal da sociedade. Tais atos devem ser denunciados e combatidos. Pecado se perdoa. Corrupção não pode ser perdoada. Diante do Deus que não se cansa de perdoar, a autossuficiência do corrupto vira um bloqueio, que o impede de pedir perdão.

Deus aceita o pecador

“Pecador sim!” Como é lindo reconhecer-se pecador e poder sentir a misericórdia do Pai das Misericórdias, que nos acolhe a todo momento! Mas como é difícil para um coração corrupto deixar-se alcançar pelo vigor profético do Evangelho!

“Quem não rouba é trouxa”, diz o ‘cara de vaso’”. A autossuficiência é um escudo que isola e não permite questionamentos. Defende que “quem não rouba é trouxa”. Francisco afirma que “o corrupto construiu uma autoestima baseada justamente nesse tipo de atitudes enganosas, caminha pela vida pelos atalhos do vantajoso a preço de sua própria dignidade e a dos outros”. E o pior, esconde-se em uma cara de inocente.

Sintomas da corrupção

O corrupto adquiriu características de verme: tem medo da luz, vive nas trevas, debaixo da terra. Diante de críticas, enfurece-se, desqualifica pessoas ou instituições que o criticam. Procura aniquilar toda autoridade moral que o possa questionar. Usa de todo tipo de argumento para se justificar. Desvaloriza os outros e insulta quem pensa diferente dele. De maneira inconsciente, persegue-se, projetando-se nos outros, tornando-se perseguidor. Assim como quem tem mal hálito, o corrupto não percebe sua corrupção. Os outros que o sentem é que têm de lhe dizer.

A corrupção tem cheiro de podre. “Quando alguma coisa começa a cheirar mal, é porque existe um coração preso sob pressão entre sua própria autossuficiência imanente e a incapacidade real de bastar a si mesmo; há um coração podre por conta da excessiva adesão a um tesouro que o aprisionou”, afirma.

No Evangelho, o corrupto faz armadilhas para Jesus (cf. Jo 8, 1-11; Mt 22, 15-22; Lc 20, 1-8), cria intrigas para tirá-lo do caminho (Jo 11, 45-57; Mt 12, 14), suborna quem tem capacidade de trair (Mt 26, 14-16).

Consequências

A corrupção tende a asfixiar a força da Palavra de Deus. Pode levar ao desmoronamento pessoal ou social.

O remédio

O remédio para essa doença é o Evangelho. A verdade de Cristo é a força para sacudir a alma, ensinar a discernir os estados de corrupção que nos circundam com ameaças e seduções. Por isso, é preciso declarar com força e temor: “pecador sim, corrupto não”.

O estado de corrupção não pode ser aceito como mais um pecado. Corrupção é consequência de um coração corrupto. “O coração não é uma última instância do homem, fechada em si mesma”, esclarece o Papa. Ele orienta ainda que o coração humano é coração na medida em que é capaz de amar ou negar o amor (odiar).

Onde está o teu tesouro?

“Porque onde está teu tesouro, lá também estará o teu coração” (Mt 6,21). Francisco indica conhecer o tesouro que está no coração, portanto, a referência para a sua vida. O tesouro que está no coração liberta e plenifica, destrói e escraviza; neste último caso, o tesouro que o corrompe. Como o corrupto vive anestesiado, Deus o salva por meio de provações que lhe cabe viver como doenças, perdas de fortuna e de entes queridos. Essas quebras da estrutura corrupta permitem a entrada da graça e a cura.

 

Fonte: Nossa Senhora Cuida de Mim
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Nota da CNBB: Pela Ética na Política

Bispos recordam Constituição Federal: “é dever de todo servidor público, principalmente os que detêm elevadas funções, manter conduta íntegra” (Art. 37)

Bispos recordam Constituição Federal: “é dever de todo servidor público, principalmente os que detêm elevadas funções, manter conduta íntegra” (Art. 37)

Os membros da Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), emitiram na manhã desta sexta-feira, 19 de maio, uma Nota Oficial com o título “Pela Ética na Política” na qual afirmam que a Conferência está “unida aos bispos e às comunidades de todo o país” e acompanha “com espanto e indignação” as graves denúncias de corrupção política acolhidas pelo Supremo Tribunal Federal.

Na Nota, os bispos afirmam que “tais denúncias exigem rigorosa apuração, obedecendo-se sempre as garantias constitucionais. Apurados os fatos, os autores dos atos ilícitos devem ser responsabilizados. A vigilância e a participação política das nossas comunidades, dos movimentos sociais e da sociedade, como um todo, muito podem contribuir para elucidação dos fatos e defesa da ética, da justiça e do bem comum”.

“Além disso, é necessário que saídas para a atual crise respeitem e fortaleçam o Estado democrático de direito. Pedimos às nossas comunidades que participem responsável e pacificamente da vida política, contribuam para a realização da justiça e da paz e rezem pelo Brasil”, concluem os membros da Presidência.

 

 

Leia abaixo na íntegra:

 

Pela Ética na Política
Nota da CNBB sobre o Momento Nacional

“O fruto da justiça é semeado na paz” (Tg 3,18)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, por meio de sua Presidência, unida aos bispos e às comunidades de todo o país, acompanha, com espanto e indignação, as graves denúncias de corrupção política acolhidas pelo Supremo Tribunal Federal. Segundo a Constituição, Art. 37, é dever de todo servidor público, principalmente os que detêm elevadas funções, manter conduta íntegra, sob pena de não poder exercer o cargo que ocupa.

Tais denúncias exigem rigorosa apuração, obedecendo-se sempre as garantias constitucionais. Apurados os fatos, os autores dos atos ilícitos devem ser responsabilizados. A vigilância e a participação política das nossas comunidades, dos movimentos sociais e da sociedade, como um todo, muito podem contribuir para elucidação dos fatos e defesa da ética, da justiça e do bem comum.

A superação da grave crise vivida no Brasil exige o resgate da ética na política que desempenha papel fundamental na sociedade democrática. Urge um novo modo de fazer política, alicerçado nos valores da honestidade e da justiça social. Lembramos a afirmação da Assembleia Geral da CNBB: “O desprezo da ética leva a uma relação promíscua entre os interesses públicos e privados, razão primeira dos escândalos da corrupção”.

Recordamos também as palavras do Papa Francisco: “Na vida pública, na política, se não houver a ética, uma ética de referimento, tudo é possível e tudo se pode fazer” (Roma, maio de 2013). Além disso, é necessário que saídas para a atual crise respeitem e fortaleçam o Estado democrático de direito.

Pedimos às nossas comunidades que participem responsável e pacificamente da vida política, contribuam para a realização da justiça e da paz e rezem pelo Brasil.

Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, nos ajude a caminhar com esperança construindo uma nova sociedade.

 

 

Cardeal Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBB

Dom Murilo S. Ramos Krieger
Arcebispo de São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB

Fonte: CNBB

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Segredo da Felicidade

O segredo da felicidade, segundo estudo de Harvard

Jacob Lund

Os cientistas observaram pessoas da adolescência até a morte (o estudo começou em 1938!) e chegaram a conclusões surpreendentes

Psicologia positiva é a área da psicologia que estuda os fatores que fazem as pessoas se sentirem satisfeitas com suas vidas e florescerem. Como sou meio cética com auto-ajuda fundo de quintal, a ideia de um campo de estudos sério que trata sobre estratégias e hábitos que melhoram nossa vida me fascina. E está cheio de informação bacana disponível por aí.

Há um tempo assisti quase que por um acaso um documentário super legal sobre felicidade. – Happy.  Já é até meio velho, de 2011, mas estava no Netflix aqui da Alemanha e me pareceu uma ótima pedida para antes de dormir. No filme são entrevistados vários pesquisadores de psicologia positiva e pessoas que se consideram felizes mundo afora (tem até um surfista brasileiro!). E a grande conclusão é que tudo aquilo que a gente persegue freneticamente no mundo ocidental (fama, dinheiro e etc) não são fatores importantes para a que a gente se sinta satisfeito com a vida.

 Segundo os depoimentos coletados, o importante para a gente arrasar nesta passagem pelo planeta Terra é: relacionamentos, atividade física, nossa contribuição para a sociedade e cultivo de um certo sentimento de fascinação pela vida. Um dos depoimentos mais legais do filme era de uma mulher que era super linda e sofreu um acidente de carro e ficou com o rosto desfigurado. O casamento acabou, ela passou o pão que o diabo amassou e só não se matou porque queria esperar o filho crescer para poder se matar sem consciência pesada. Só que ela vai vivendo, e conhece um homem, eles se apaixonam e ela reconstrói a vida dela. E no final do depoimento ela diz que parece até mentira, mas que ela é muito mais feliz agora na relação atual do que quando ela era todo bonitona, antes do acidente no outro casamento.

Outra coisa super legal que eu assisti sobre felicidade foi uma palestra do TED.  O palestrante era o 4° diretor de um estudo da Harvard iniciado em 1938 sobre felicidade humana. Provavelmente o estudo mais longo sobre o tema já realizado no mundo inteiro. Os pesquisadores pegaram homens na adolescência e juventude e os seguiram por toda a vida. Eles faziam exames médicos, respondiam questionários sobre suas vidas e sobre como se sentiam. Alguns dos participantes estão hoje na casa dos 90 anos. Ou seja, um estudo sem precedentes mesmo. O diretor da pesquisa explica que depois de seguir a vida das pessoas por décadas, a conclusão mais absoluta  é que não é nem fama, nem dinheiro que traz felicidade, mas sim você ter bons relacionamentos.

Independente do que elas tinham alcançado materialmente na vida, independente até da saúde, as pessoas que tinham boas relações com os amigos, família e com a comunidade em que estavam inseridas se sentiam muito mais felizes do que aqueles que não alcançaram esse elo de relacionamentos. E isso não necessariamente tem a ver com a quantidade de amigos, ou com o fato de você estar casado ou não. Mas sim com a qualidade dos relacionamentos. Afinal, tem muita gente casada que se sente sozinha.

Segundo os pesquisadores até o cérebro das pessoas na velhice funciona melhor se elas sentem que existem pessoas nas suas vidas com quem podem contar. E outra: solidão mata! Sim, os homens que se diziam sozinhos, viveram menos na média!

 

Fonte:  TSMM
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O Brasil não é um país abortista, diz pesquisa

Brasil é o segundo país que mais rechaça o aborto, indica pesquisa

Imagem referencial. Foto: Pixabay / Domínio público.

 

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CNBB e a greve geral

Posição da CNBB sobre a greve geral convocada para o dia 28

A greve geral é contra as reformas da Previdência e trabalhista apresentadas pelo Poder Executivo e em tramitação no Congresso Nacional – REUTERS
RV-“Consideramos fundamental que se escute a população”, afirma o Secretário Geral da CNBB,  Dom Leonardo Steiner, ao comentar a convocação de uma greve geral para o dia 28 de abril, contra as reformas da Previdência e trabalhista apresentadas pelo Poder Executivo e em tramitação no Congresso Nacional.Às vésperas da 55ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que tem início neste dia 26 em Aparecida (SP), o Bispo auxiliar de Brasília (DF) concedeu uma entrevista tratando da posição da entidade sobre as manifestações. Dom Leonardo considera “fundamental que se escute a população em suas manifestações coletivas”.

Qual é a posição da CNBB sobre a anunciada greve geral do dia 28 de abril?

A partir de amanhã, quarta-feira, 26 de abril, os bispos estarão reunidos em assembleia geral, em Aparecida (SP). A assembleia é a instância suprema da Conferência e dela pode sair novo posicionamento. Posso agora, reafirmar o que o Conselho Permanente da CNBB já declarou em Nota: “Convocamos os cristãos e pessoas de boa vontade, particularmente nossas comunidades, a se mobilizarem ao redor da atual Reforma da Previdência, a fim de buscar o melhor para o nosso povo, principalmente os mais fragilizados”.

Nesse sentido, consideramos fundamental que se escute a população em suas manifestações coletivas. Claro que nosso olhar se dá na perspectiva da evangelização e nossa posição brota das exigências do Evangelho. E isso significa reafirmar a busca do diálogo, da paz e do entendimento. Na afirmação dos bispos está a orientação de que esses momentos sejam marcados pelo respeito à vida, ao patrimônio público e privado, fortalecendo a democracia.

Qual o impacto de uma greve geral neste momento? 

Certamente o conteúdo das manifestações se dará no sentido de defesa dos direitos dos trabalhadores do campo e da cidade, de modo muito particular dos mais pobres. O movimento sinaliza que a sociedade quer o diálogo, quer participar, quer dar sua contribuição. Reformas de tamanha importância não podem ser conduzidas sem esse amplo debate.

O Congresso Nacional e o Poder Executivo, infelizmente, têm se mostrado pouco sensível ao que a sociedade tem manifestado em relação às reformas. Os brasileiros e brasileiras desejam o bem do Brasil e para construir uma nação justa e fraterna querem participar das discussões e encaminhamentos.

É oportuno apresentar propostas de reformas na atual conjuntura?

O Brasil vive um momento particular de sua história, uma crise ética. Há situações de enorme complexidade nos quais estão envolvidos personagens do cenário político, sem falar da crise econômica que atinge a todos. Como encaminhar mudanças sem o respaldo da sociedade? Propostas de reformas que tocam na Constituição Federal, no sistema previdenciário, na CLT merecem estudo, pesquisa e aprofundamento. Sem diálogo não é possível criar um clima favorável que vise o bem do povo brasileiro.

Fonte: Rádio Vaticano
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Tiradentes sou eu hoje.

Hoje é feriado de Tiradentes. Para uns, herói. Para outros, vilão. E o pior é que tem gente que nem sabe porque hoje é feriado. Nem a versão oficial dos livros de história conhecem. Tristeza. Decepção.

Mas dia 21 de abril está na  nossa história, para o bem ou não. Tiradentes é simbolo de libertação. De liberdade. De autonomia, independência, justiça. Porque  não democracia.

O Brasil vive atualmente tempos difíceis na política, na economia. Crise financeira, reformas de cunho duvidoso,  políticos tentando se safar do Ministério Público, da Policia Federal. Há quem pense que a saída seria a intervenção militar, ou coisa do gênero. Engano.  O problema não está no Estado Democrático de Direito, mas nas pessoas que o gestionam, gerem.

Vamos celebrar 21 de abril, com espírito democrático, com esperança.  Viva O Brasil, viva seu povo. Viva todos que amam esse país, lutam por ele, com toda força da vida. Joaquim e Tiradentes de ontem,  João, Maria, José, Pedro, Vera…. médicos, advogados, pedreiros, vigilantes,… de hoje, juntos por uma Brasil soberano, próspero, democrático, livre de todas corrupções, seja no poder, seja no dia de nossas casas e ruas. Basta de desmandos arbitrariedade, jeitinhos… Chega dessas vergonhas… desse espírito de rapinagem que arrasa nossas vidas, das ideias estranhas que estão nos matando. Desejo vida a todos, com paz e tranquilidade, para cuidar de nossas famílias, com dignidade e simplicidade, com liberdade e verdade, e justiça. Eu sou Tiradentes hoje…. 

E que  o filme Joaquim nos inspire a sermos brasileiros, comprometidos com nosso pais, com nosso povo, com nossa história democrática. Que a Lava-jato e as outras operações nos livrem de todos os gatunos da política, da economia, da cultura, da sociedade.  Amém.

Veja o Trailer

 

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CNBB mais uma vez se pronuncia contra legalização do Aborto

CNBB repudia iniciativas que buscam aprovar o aborto por meio do STF

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Discurso de Madre Tereza contra o aborto

O discurso histórico da Madre Teresa de Calcutá contra o aborto

© DR
 Um clamoroso gesto de bravura na presença de líderes políticos, econômicos e sociais do mundo inteiro

O “National Prayer Breakfast” é um evento anual organizado em Washington, D.C., pelo Congresso dos Estados Unidos em parceria com a fundação cristã The Fellowship. Trata-se de um relevante fórum internacional em que participam líderes políticos, sociais e empresariais de grande influência no mundo. Todos os presidentes norte-americanos desde Dwight Eisenhower já participaram do evento.

Na edição de 3 de fevereiro de 1994, uma convidada especial teve a coragem de defender a vida desde a concepção e deixar claro que o aborto é o assassinato de um ser humano inocente e indefeso.

Essa valente convidada foi a Madre Teresa de Calcutá. E este foi o seu histórico discurso:

____________

No último dia, Jesus dirá aos que estão à sua direita: “Venham, entrem no Reino. Porque quando tive fome e deste-me de comer, tive sede e deste-me de beber, estive doente e vieste visitar-me”. E, logo depois, Jesus dirá aos que estão à sua esquerda: “Afastem-se de mim, porque tive fome e não me deste de comer, tive sede e não me deste de beber, estive doente e não me visitaste”. Eles lhe perguntaram: “Quando é que te vimos esfomeado, ou com sede, ou doente e não te ajudamos?”. Jesus responder-lhes-á: “O que fizerem a um destes mais pequenos, é a mim que o fazem!”.

Aqui, ao encontrarmo-nos reunidos para rezar juntos, penso no bonito que seria se começássemos com uma oração que expressa muito bem o que Jesus quer que façamos pelos mais pequenos. São Francisco de Assis compreendia muito bem as palavras de Jesus e a sua vida ficou bem plasmada nesta oração. Esta oração que nós (as irmãs Missionárias da Caridade) dizemos todos os dias depois de receber a Santa Comunhão, não deixa de surpreender-me, porque encontro-a muito adequada para cada um de nós. Sempre me perguntei se, há oitocentos anos, quando viveu São Francisco, tiveram as mesmas dificuldades que enfrentamos hoje em dia.

(Rezou-se a oração de São Francisco)

Demos graças a Deus pela oportunidade que nos deu de virmos rezar juntos. Viemos aqui, para rezar, especialmente, pela paz, gozo e amor. Recordemos que Jesus veio trazer as boas noticias aos pobres. Ele disse-nos quais eram essas boas notícias quando disse: “Deixo-vos a minha Paz. Dou-vos a minha Paz.” Ele não veio para dar a paz que dá o mundo, a qual é simplesmente a que uns não aborreçam outros. Ele veio dar a paz do coração, a qual vem quando amamos, ao fazer bem ao próximo.

Deus amou tanto o mundo que lhe entregou o seu único Filho – era já um facto. Deus deu o seu Filho à Virgem Maria. E que fez Ela? Quando Jesus veio à vida de Maria, Ela, imediatamente, foi dar as boas notícias. E entrou na casa da sua prima Isabel e as Escrituras dizem que o seu filho, ainda não nascido, a criança dentro do ventre de Isabel, saltou de alegria. Do ventre de Maria, Jesus trouxe paz a João, o Baptista, que saltou de alegria no ventre de Isabel.

E, como se não fosse suficiente – que Deus Filho se fizera um de nós e nos trouxera Paz e Alegria, mesmo ainda quando estava no ventre de Maria – Jesus também morreu na Cruz para demonstrar um amor ainda maior. Ele morreu por ti e por mim. E pelo leproso, e pelo que morre de fome. E pelo que se encontra despido e caído pela rua, não só em Calcutá, também em África e em todos os lados. As nossas irmãs servem os pobres em 105 países pelo mundo. Jesus insistiu que nos amassemos uns aos outros como ele nos ama. Jesus deu a sua vida para amarmos e disse-nos que também devemos dar o que seja para fazer bem ao próximo.

Nos Evangelhos, Jesus disse claramente: “Amai-vos como eu vos amei.” Jesus morreu na Cruz porque isso é o que lhe era pedido: para fazer um bem por todos nós, para salvar-nos dos nossos pecados e egoísmos. Ele deu tudo para cumprir a vontade do Pai, para mostrar que nós também devemos estar dispostos a dar tudo para cumprir a vontade de Deus, para amarmos uns aos outros como Ele nos amou. Se não estamos dispostos a dar tudo para fazer o bem ao próximo, o pecado vive em nós. É por isto que nós também devemos dar até que doa. Não é suficiente dizer “Amo a Deus”. Tenho também que amar-me a mim próprio. São João adverte-nos que somos mentirosos se dizemos que amamos a Deus e não amamos o nosso próximo.

Como se pode amar Deus, que não se vê, se não amas o teu próximo, a quem podes ver, podes tocar, e com quem vives?

Portanto, é muito importante entender que amar, para que seja verdadeiro amor, tem que doer. Devo estar disposto a dar tudo, para fazer o bem. Isto requer estar disposto a dar até que doa. De outro modo não há verdadeiro amor em mim e, por fim, no lugar de levar boas notícias, levo a injustiça e não a paz aos que estão ao meu redor. A Jesus dói nos amar. Fomos feitos, criados, à Sua imagem para coisas muito maiores, para amar e ser amados. Devemos “vestir-nos de Cristo” como dizem as Escrituras. Por isto, fomos criados para amar e ser amados, Deus fez-se homem para comprovarmos que podemos amar da mesma maneira que Ele nos amou. Jesus faz-se o esfomeado, o despido, o desamparado, o rejeitado e disse-nos, “fizeram-no a mim”. No último dia Ele dirá aos da sua direita: “O que fizeram a um destes mais pequenos, fizeram-no a Mim”. E também dirá aos da sua esquerda: “O que deixaram de fazer a um dos meus pequenos, deixaram de o fazer a Mim.”

Quando Jesus morria na Cruz disse: “Tenho sede”. Jesus está sedento de amor e esta é a sede de todos, pobres e ricos. Todos estamos sedentos do amor de outros. Este é o significado do verdadeiro amor: dar até que doa.

Nunca esquecerei experiência que tive a visitar uma instituição para onde os filhos mandam os seus pais, já na terceira idade, para esquecerem-se deles. Vi que, neste lugar, esta gente da terceira idade tinha tudo: boa comida, um lugar cómodo, televisão… Têm tudo! Porém, todos tinhas os olhos postos nas portas de entrada. E não vi nenhum com um sorriso no rosto. E eu perguntei à irmã: “Porque é que eles, que têm todas as comodidades aqui, têm os olhos postos nas portas? Porque é que não sorriem?” Eu estou tão acostumada a ver sorrisos nas caras das pessoas, até mesmo nos moribundos. E a irmã disse: “É assim todos os dias. Estão à espera, desejando que um filho ou uma filha os venha visitar. Estão feridos, porque foram esquecidos.” Falta de amor traz pobreza espiritual. Talvez, nas nossas próprias famílias, temos alguém que se sente sozinho, doente, preocupado. Estamos com eles? Acompanhamos ou deixamo-los ao cuidado de outros? Estamos dispostos a dar até que doa para estar com as nossas famílias, ou pomos os nossos próprios interesses primeiro? Estas são as perguntas que nos devemos fazer, especialmente no começo do ano da família. Devemos recordar que o amor começa em casa e devemos recordar que “o futuro da humanidade passa pela família”.

Surpreendeu-me ver, no Ocidente, tantos jovens que se entregam às drogas. Averiguei o porquê. Porque é que no Ocidente são assim, se têm muito mais que os do Oriente? A resposta foi: “Porque não há ninguém nas suas famílias que os receba”. Os nossos filhos dependem de nós para tudo, a sua saúde, a sua nutrição, a sua segurança, o conhecimento e amor a Deus. Por tudo isto, eles não olham com confiança, expectativa e esperança. Mais ainda, o pai e a mãe estão de tal forma ocupados que não têm tempo para os seus filhos, ou talvez nem sequer estão casados ou deram-se por vencidos no matrimónio. Por tudo isto, as crianças ficam pela rua e entretém-se com as drogas e outras coisas. Falamos de amor às crianças que é onde devem começar o amor e a paz. Estes são os factos que contribuem para que não haja paz. Sinto, porém, que hoje em dia o maior destruidor da paz é o aborto, porque é guerra contra as crianças, o assassínio directo dos inocentes, assassínio da mãe contra si mesma.

Se nós aceitamos que uma mãe assassine o seu próprio filho, como podemos então dizer aos outros que não se matem? Como podemos convencer uma mulher que não cometa o aborto? Como em tudo, devemos persuadi-la com amor e recordar que amar significa dar até que doa. Jesus deu até a sua vida porque nos amava. A mãe que está a pensar cometer um aborto deve ser ajudada a amar, ou seja, dar até que doam os seus planos, o seu tempo livre, para que respeite a vida de seu filho. O pai desta criança, quem quer que seja, deve também dar até que lhe doa. Com o aborto, a mãe não aprende a amar, aprende antes a matar o seu próprio filho para resolver os seus problemas.

No aborto diz-se ao pai que não tem qualquer responsabilidade sobre a criança que trouxe à vida. O pai é capaz de colocar outras mulheres na mesma circunstância. Portanto, o aborto só conduz a mais abortos. Qualquer país que aceite o aborto, não ensina a sua gente a amar, mas antes a utilizar a violência para receber o que querem. É por isto que o maior destruidor do amor e da paz é o aborto.

Muita gente preocupa-se bastante com as crianças da Índia, com os miúdos de África, com os que morrem à fome, etc. Muita gente também se preocupa por toda a violência desta grande nação, os Estados Unidos. Essas preocupações são boas. Contudo, estas mesmas pessoas não se interessam pelos milhões que, intencionalmente, são assassinados por decisão das suas próprias mães. E este é o maior destruidor da paz dos nossos dias – o aborto cegou as pessoas.

E, por isto, eu apelo na Índia e em qualquer outro lugar: “Vamos trazer de volta as crianças”. A criança é um presente de Deus para a família. Cada miúdo é criado de modo especial, à imagem e semelhança de Deus, para grandes coisas. Para amar e ser amado. Neste ano da família, devemos trazer as crianças para o centro do nosso cuidado e atenção. Esta é a única esperança para o futuro. Quando os velhinhos são chamados para Deus, só os seus filhos podem substituí-los.

O que é que Deus nos disse? “Ainda que a mãe se esqueça do seu filho, Eu não o esquecerei. Gravei-te na palma da Minha mão.” Todos estamos gravados na palma das Suas mãos. A criança abortada também está gravada na palma da Sua mão desde o momento da concepção e é chamado, por Deus, a amar e ser amado, não só agora nesta vida, mas para sempre. Deus nunca nos esquece.

Vou-vos contar uma coisa bonita. Nós lutamos contra o aborto com a adoção, cuidando da mãe e adotando a criança. Salvamos milhares de vidas. Comunicamos às clínicas, hospitais e às estações de polícia: “Por favor, não destruam as crianças; nós nos encarregamos delas.” De tal modo assim é que há sempre alguém que diz às mães com problemas: “Vem, nós cuidaremos de ti, vamos conseguir um lugar para o teu filho.” E temos uma grande lista de casais que não podem ter filhos que os podem acolher. Disse Jesus: “Aquele que receber esta criança em Meu nome, é a Mim que recebe.” Ao adotar uma criança, estes casais recebem Jesus. O casal que aborta uma criança recusa Jesus. Por favor, não assassinem as crianças. Eu quero as crianças. Por favor, entreguem-me as crianças. Eu estou disposta a aceitar qualquer criança que tenham querido abortar e, se o entregarem, vou levá-la para um casal, para uma famílias que a amará e que será amada por esta criança.

Só em Calcutá, salvamos do aborto mais de 3.000 crianças. Estes miúdos trouxeram tanto amor e alegria aos seus pais adotivos e cresceram cheios de amor e alegria. Eu sei que os casais devem planejar as suas famílias, mas para isso há o planejamento familiar natural.

O modo de planejar as famílias é por meios naturais, não por meios contraceptivos. Ao destruir o poder de dar a vida, através da contracepção, o casal faz mal a si próprio. Isto muda a atenção que têm a si próprios e destrói a possibilidade de se amarem um ao outro. Ao amarem-se um ao outro, a atenção está no amor de um para com o outro. Ao amar-se, o casal dá atenção a um e a outro, e isto é o que acontece com o planejamento familiar natural, e não como acontece egoisticamente com a contracepção. Uma vez destruído o amor pela contracepção, o aborto prossegue facilmente, pois é o passo lógico a seguir à contracepção.

Eu sei que há problemas muito grandes no mundo, que muitos casais não se amam o suficiente para utilizar o planejamento familiar natural. Não podemos resolver todos os problemas do mundo, mas permitam-me trazer o pior problema de todos, e esse é o que destrói o amor. E isso é o que acontece quando as pessoas praticam a contracepção e o aborto. Há muitos pobres no mundo. Eles podem ensinar-nos muitas coisas bonitas. Uma vez, uma mulher veio agradecer-me por lhe ter ensinado o planejamento familiar e disse: “Vocês, que praticam a castidade, são as melhores a ensinar-nos o planejamento familiar natural, porque não é nada mais que o auto-controlo por amor a um outro.” E o que esta pessoa pobre disse está muito certo. As pessoas pobres podem não ter nada para comer, talvez até não tenham onde viver, mas são pessoas grandiosas e muito ricas espiritualmente.

Quando recolho uma pessoa na rua, faminta, dou-lhe um prato de arroz e um pedaço de pão. Mas uma pessoa que está sozinha, sente-se rejeitada – como se ninguém a amasse -, atemorizada – pois foi rejeitada pela sociedade e tem medo -, tem uma pobreza que é mais difícil de vencer e essa é a pobreza espiritual. O aborto, que prossegue a contracepção, torna as pessoas espiritualmente pobres e essa é a pior pobreza e a mais difícil de vencer.

Os que são materialmente pobres podem ser gente maravilhosa. Uma tarde fomos recolher quatro pessoas da rua. Uma delas estava numa condição horrível. Disse às Irmãs: “Vocês encarreguem-se dos outros três; eu encarrego-me do que está pior.” Assim foi que fiz tudo o que o meu amor pôde fazer por ele. Encostei-o numa cama e fez-me um belíssimo sorriso. Pegou-me na mão e disse uma só palavra: “obrigado”. E morreu de seguida.

Não pude fazer nada mais que examinar a minha consciência diante daquela pessoa. E perguntei: “O que diria eu se estivesse no seu lugar?” A minha resposta foi sincera. Eu teria tratado de chamar a atenção. Teria dito, “tenho fome, tenho frio, estou com dores”, ou algo parecido. Mas aquela pessoa disse-me muito mais, deu-me o seu grande amor. E morreu com um sorriso no rosto. Também houve um homem que recolhemos nos esgotos, meio comido pelos vermes, que depois de o trazermos para casa só nos disse: “Vivi como um animal na rua, mas vou morrer como um anjo, amado e cuidado”.

Logo depois de lhe tirarmos os vermes do corpo, tudo o que disse, com um grande sorriso, foi: “Irmã, vou para a casa de Deus”. E morreu de seguida. Foi tão maravilhoso ver a força desse homem que podia falar assim, sem culpar ninguém, sem comparar com nada. “Como um anjo”, esta é a grandeza das pessoas que são espiritualmente ricas, ainda que materialmente pobres.

Não somos trabalhadoras sociais. Podemos fazer trabalho social aos olhos de algumas pessoas, mas nós devemos ser contemplativas no coração do mundo. Porque tocamos o corpo de Cristo e estamos sempre na sua presença.

Vocês também devem trazer a presença de Deus às vossas famílias, porque a família que reza unida, permanece unida.

Há demasiado ódio, demasiada miséria e, com as nossas orações, com os nossos sacrifícios, começamos a partir do lugar onde estamos. O amor começa em casa e não é ‘quanto fazemos’, mas ‘quanto amor pomos no que fazemos’.

Sim, somos contemplativas no coração do mundo, mesmo com todos os problemas, mas estes nunca nos poderão desanimar. Devemos recordar sempre que Deus disse-nos nas Escrituras: “Ainda que a mãe se esqueça do seu filho no ventre, algo impossível, mas, se ainda assim, ela se esquecer, Eu nunca o esquecerei.” E, por isso, aqui me encontro, dirigindo-me a vós.

Quero encontrar os pobres aqui, nos vossos lugares, primeiro. E começar a amar aí. Sejam portadores de boas notícias às vossas famílias, em primeiro lugar. E, logo depois, aos vossos vizinhos. Conhecem-os? Eu tive uma grande experiência de amor na proximidade a uma família hindu. Um homem veio à nossa casa e disse: “Madre Teresa, há uma família que não come há muito tempo. Faça alguma coisa.” E assim foi. Peguei num bocado de arroz e fui para lá imediatamente. E vi as crianças. Os seus olhos brilhavam de fome. Não sei se alguma vez viram a fome. Eu sim, e com muita frequência. E a mãe da família pegou no arroz e foi à rua. Quando regressou perguntei-lhe: “Onde foi? O que foi fazer?” E recebi uma resposta muito sincera: “Eles também têm fome.” O que me espantou foi que ela sabia daquele facto. E quem eram os que tinham fome? Uma família de muçulmanos. E ela sabia que eram muçulmanos. Não levei mais arroz nessa tarde, porque queria que eles, muçulmanos e hindus, desfrutassem do gozo de partilhar. E as crianças irradiavam alegria, partilhando a alegria e a paz com a mãe porque ela soube amar até que lhe doesse. E vêem, é aí que começa, em casa, com a família.

É de tal modo assim que, como demonstra esta família, Deus nunca nos esquece e tem sempre alguma coisa para vocês e para eu fazer. Podemos manter a alegria de amar Jesus nos nossos corações, partilhando essa alegria com aqueles que contactamos. Tomemos uma decisão, determinemos que nenhuma criança seja rejeitada ou que não seja amada, ou que não se preocupem com ela, ou que seja assassinada, ou atirada para o lixo. E deem até que vos doa, com um sorriso.

Já que falo muito de dar com um sorriso… Uma vez um professor dos Estados Unidos perguntou-me: “É casada?”; e eu respondi: “Sim, e às vezes tenho muitas dificuldades em dar um sorriso ao meu esposo, Jesus, porque Ele pode ser bastante exigente, por vezes.” Isto é verdadeiramente certo.

E é daí que o amor sai, quando é exigente, e quando, todavia, podemos dá-lo com alegria.

Uma das coisas mais exigentes para mim é viajar a qualquer lado – e com publicidade. Eu já disse a Jesus que, se não for para o céu por algum outro motivo, ao menos irei por todas as viagens que faço (com toda a publicidade que têm). Isso purificou-me e sacrificou-me e, em verdade, preparou-me para ir para o céu. Se recordamos que Deus nos ama e que podemos amar os outros assim, como Ele nos ama, então a América pode chegar a ser um sinal de paz para o mundo

Deste lugar deve sair para o mundo um aviso de cuidar os mais fracos e os não nascidos. Sim, vocês convertam-se num farol ardente de justiça e paz no mundo, então verdadeiramente serão fieis ao que os fundadores deste país representavam.

Que Deus vos abençoe.

O discurso em vídeo:

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