Literatura



Poema para Quaresma

Poesias para rezar na Quaresma: “Buscando a Cristo” (Gregório de Matos)

“A vós correndo vou, braços sagrados…”

Poesias para rezar na Quaresma: “Buscando a Cristo” (Gregório de Matos)

© mbolina / Shutterstock

A vós correndo vou, braços sagrados,
Nessa cruz sacrossanta descobertos,
Que, para receber-me, estais abertos,
E, por não castigar-me, estais cravados.

A vós, divinos olhos, eclipsados
De tanto sangue e lágrimas cobertos,
Pois, para perdoar-me, estais despertos,
E, por não condenar-me, estais fechados.

A vós, pregados pés, por não deixar-me,
A vós, sangue vertido, para ungir-me,
A vós, cabeça baixa, pra chamar-me.

A vós, lado patente, quero unir-me,
A vós, cravos preciosos, quero atar-me,
Para ficar unido, atado e firme.

________________

O poeta luso-brasileiro Gregório de Matos Guerra (1636-1696) nasceu em Salvador, na Bahia, e é considerado o maior representante do Barroco no Brasil. Crítico e sarcástico diante dos desmandos e hipocrisias de políticos e de membros do clero católico, foi chamado de “Boca do Inferno”. Chocou a sociedade colonial com seus poemas eróticos. Perto do final da vida, porém, manifestou arrependimento quanto à sua relação com a Igreja e, em suas obras, passou a refletir sobre a insignificância do homem perante Deus, consciente do pecado e em busca de perdão. Existem controvérsias quanto à autoria de “Buscando a Cristo”, mas, apesar delas, o texto é comumente atribuído a Gregório de Matos em sua fase de renovação espiritual.

Fonte: Aleteia
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As coisas mais antigas..

Onde estão e quais são as coisas mais antigas do mundo?

Um hotel, uma árvore, um bar… A cada passo, somos rodeados pelas coisas mais diversas, tanto em tamanho, função e tipo quanto em idade.

A árvore mais antiga: é um pinheiro localizado nas Montanhas Brancas, na Califórnia: calcula-se que ele tenha 4.843 anos.

O hotel mais antigo: o Hoshi Ryokan, no Japão, é apontado no Livro Guinness dos Recordes como o hotel mais antigo do mundo, por seus quase 1.300 anos de serviço. Ele foi administrado por 46 gerações da mesma família.

O restaurante mais antigo: o Botín foi inaugurado em Madri pelo francês Jean Botin e sua esposa em 1725.

O parque de diversões mais antigo: o Prater, em Viena, foi inaugurado em 1895, em um terreno que serviu, durante séculos, como local imperial de caça. Muitas de suas atrações continuam intactas.

O zoológico mais antigo: o Jardim Zoológico de Schönbrunn, em Viena, foi aberto como uma casa imperial de feras em 1752. Atualmente, funciona como um “zoológico administrado cientificamente”, focado na conservação de espécies e da natureza em geral.

A cervejaria mais antiga: a Weihenstephan Brewery, localizada em Freising, na Alemanha, foi inaugurada em 1040.

A ponte mais antiga: A Clam Bridge, em Wycoller, no condado de Lancashire, na Inglaterra, tem cerca de 10 mil anos de idade. Ela foi construída no período Neolítico.

O sapato de couro mais antigo: uma equipe internacional de arqueólogos encontrou, em uma caverna armênia, um sapato de couro de 5.500 anos em perfeito estado de conservação

O relógio mais antigo: em Comayagua, Honduras, encontra-se um relógio de engrenagem fabricado em 1.100 e que ainda funciona.

A rua mais antiga: a Grand-Rue, localizada em Poitiers, na França, é a primeira da qual se tem registro na Europa: já aparece nos mapas do século IX.

Fonte: History
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A linguagem do Papa Francisco

Papa toma chimarrão na Praça São Pedro – ANSA

A Livraria Editora Vaticana (LEV) está presente no Salão do Livro de Turim, aberto até esta segunda-feira (16/05). São quase 500 títulos expostos em um estande de 110 m², totalizando 20 mil volumes. São textos dos Pontífices – com particular atenção ao Papa Francisco – mas também livros sobre o Jubileu, a Sagrada Escritura, a História da Igreja, arte, entre outros.Uma das obras que está despertando grande interesse é “A linguagem do Papa Francisco. Análise, criatividade e normas gramaticais”, de Salvatore Claudio Sgroi, professor de Linguística Geral na Universidade de Catânia. Aos microfones da Rádio Vaticano, o docente explicou como nasceu a ideia de analisar as palavras e a expressividade de Francisco:“Como o objetivo do Papa é o de ser entendido e de alcançar os outros, deixando-os curiosos, por um lado sabe quais são os problemas das pessoas, por outro usa as palavras mais comuns, usa frases não muito longas e o seu falar é sempre um diálogo. E esta sua capacidade permite a ele de falar em qualquer língua. Ou seja, as dificuldades que todas as pessoas que falam encontram, tornam-se secundárias: ele consegue superá-las facilmente. Portanto, se percebe que ele é estrangeiro, fundamentalmente pelo sotaque, porém as escolhas de sintaxe e lexicais, o tipo de italiano que ele fala, é um tipo de italiano quase nativo, culto. E portanto, para o linguista, é um laboratório extremamente  intrigante”.RV: O senhor descreve que o Papa sai fora dos esquemas no uso das palavras, dando prova de uma criatividade linguística bem italiana. Poderias citar algum exemplo?

“Bem, no meu texto analisei muitas vezes alguns exemplos, porque foram objeto de análises por parte de outros jornalistas e no geral a atitude era aquela de dizer: “O Papa fala diferentemente de min, portanto o Papa erra”. Eu, ao contrário, procurei demonstrar como o Papa não erra totalmente. Antes de tudo, é necessário entender o que significa “errar”. Se errar significa falar de maneira confusa, caótica, contraditória, eu desafio qualquer um a dizer que aquilo que o Papa diz ou que disse no passado seja confuso, contraditório. À nível lexical o Papa é extraordinário, pois também no uso das palavras, ele aplica esquemas de formação das palavras que são próprias do italiano e são também comuns ao espanhol. Um exemplo é o “misericordiar”. “Misericordiar” pode deixar estupefato, porque no italiano é incomum, mas eu procurei demonstrar que havia também na língua italiana, e no final, ele não faz outra coisa que colocá-la em circulação, de acordo também com o espanhol. E portanto, dizer que seja errado, mesmo se tratando de uma palavra muito compreensível, de uma palavra formada segundo as regras e a gramática do italiano, não seria o caso. Pelo contrário, é uma palavra que se torna importante porque coloca em relevo um conceito que é importante no discurso que o Papa Francisco nos faz. Então, criar neologismos trazendo à tona conceitos-chaves, é uma habilidade que não é comum”.

RV: É a autoridade de quem diz que o neologismo, ou mesmo uma determinada maneira de dizer, pode ser aceito e que não é um erro, ou é outra coisa, algum outro critério?

“A meu ver, os critérios são dois. De um lado, um modo de dizer, uma expressão, uma palavra qualquer que pode ser aceita ou deve ser aceita quando é clara. Dito isto, as palavras claras certamente são mais facilmente aceitas se são aquelas pronunciadas pelas autoridades, por quem conta, no final das contas. O que diz o Papa, o que diz o Presidente da República, o que dizem os escritores, o que dizem os jornalistas, o que dizem também os políticos, por si só torna-se um ponto de referência”. (JE/AM)

Fonte: Radio  Vaticano
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Dicas de filmes para o fim de semana

Cinema em casa com família 6 sugestões de filmes imperdíveis

deuses e homens

1. Homens e Deuses (2010)

O filme de Xavier Beauvois (foto principal deste artigo) é um dos que melhor refletem os diferentes aspectos da vida consagrada na Igreja. A verdadeira dimensão procede do testemunho de martírio dos sete monges trapistas da abadia de Nossa Senhora do Atlas, em Tibhirine, Argélia, assassinados em 1996.

No filme, reflete-se a consistência da vocação pessoal dos monges, bem como sua oração, suas dúvidas e decisões; a comunidade como Igreja em inserção e transparência de Cristo presente entre os pobres e sinal de diálogo e perdão para a humanidade; o discernimento comunitário, difícil e doloroso, ao mesmo tempo que alegre, sintetizado magistralmente na última cena, que mostra a passagem da dúvida e do medo até chegar à entrega e à paz.

Do ponto de vista da teologia da vida religiosa, o filme é cativante: um ícone da dimensão escatológica, reconciliadora e fraterna da vida consagrada.

 

Saiba mais sobre o caso real que inspirou o filme: mosteiro em que ocorreu a chacina foi reaberto este ano

2. Em Busca de um Lar (2013)

Baseado em uma dilacerante história verdadeira, o filme narra o drama de uma adolescente grávida, Apple (Vanessa Hudgens), que foge da mãe abusadora e viciada em drogas (Rosario Dawson) e começa a conviver com o pai rico (Brendan Fraser).

Confira neste outro artigo de Aleteia um comentário aprofundado sobre o filme e sua relação com a atual cultura de sexo e suposto bem-estar.

 

3. A Missão (1986)

Este grande clássico de Roland Joffé mostra a vida dos jesuítas nas reduções do Paraguai. É interessante observar o antagonismo entre o Pe. Gabriel (Jeremy Irons), com as opções dos jesuítas no meio dos guaranis, e o capitão caçador de índios Rodrigo Mendoza (Robert De Niro), que se converte do seu passado violento e se torna irmão jesuíta. Mas nem o pacifismo espiritual de um nem a defesa militar organizada do outro conseguem salvar os indígenas.


4. Adeus, Meninos (1987)

Neste filme de Louis Malle, uma comunidade de carmelitas resiste aos nazistas, escondendo os alunos judeus entre seus pupilos: uma preciosa herança de coragem para os sobreviventes.

5. Marcelino Pão e Vinho (1955)

“Marcelino Pão e Vinho” (Marcelino Pan y Vino) é o célebre livro do autor espanhol José María Sánchez Silva que foi adaptado para as telas em 1955. Assim como o livro, o filme também é uma produção espanhola, aplaudida em importantes festivais de cinema e grande sucesso de bilheteria em várias partes do mundo.

Na história, um frade franciscano relata para uma menina doente a lenda de Marcelino, um bebê abandonado na porta de um convento masculino. Os doze frades do convento procuram pais adotivos para o menino, mas, não encontrando candidatos, acabam eles próprios criando Marcelino. O garoto cresce fazendo travessuras e levando os pobres frades à beira da loucura com a sua espontaneidade e fervilhante imaginação. Sem outras crianças da sua idade para brincar, ele se diverte inventando apelidos para os religiosos, contando histórias inacreditáveis e até criando um amigo imaginário, a quem ele chama de Manuel.

Acontece que uma das histórias que Marcelino conta aos religiosos acaba desafiando a curiosidade deles, que decidem conferir pessoalmente. Parece que ele encontrou Alguém no sótão do convento… É quando os religiosos constatam, com grande surpresa, o poder divino da inocência. Marcelino se transforma então no protagonista de um belíssimo e comovente milagre, que marcará para sempre o vilarejo.

 

6. Um Deus Proibido (2012)

A perseguição religiosa que os católicos padeceram durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939) foi, sem dúvida, a mais sangrenta da história moderna. Os “vermelhos” aniquilaram 6.823 sacerdotes e religiosos, além de 3 bispos. São números bem superiores aos 90 sacerdotes que, segundo o historiador Jean Meyer, foram assassinados no México durante a Cristiada. Embora ambas as nações tenham sofrido uma perseguição terrível, não há comparação entre os números de uma e da outra. O filme aborda em específico a perseguição religiosa em Barbastro, Aragão, onde foi aniquilado 88% do clero – com níveis de sadismo sem precedentes.

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Fé em Guerra nas Estrelas

7 temas espirituais em Star Wars VII

É preciso sempre apreciar nossa herança religiosa e as histórias que norteiam nossas escolhas

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Reprodução/Lucasfilm

George Lucas queria que Star Wars fosse uma nova mitologia que ensinasse a uma nova geração sobre a espiritualidade, o bem e o mal. Ele usou deliberadamente temas comuns nas histórias bíblicas e várias religiões em seus filmes. Aqui estão sete temas fundamentais para procurar no novo filme.

1. Vocação: O chamado, a recusa inicial e a aceitação do chamado. Luke é um simples garoto de fazenda em um planeta remoto. Mas o velho Obi-Wan o chama para aprender os caminhos da Força. Luke se recusa a princípio: “Eu não vou para Alderaan!” Mas, finalmente, deixa tudo para trás, seguindo o seu professor (e mais tarde Yoda) para se tornar um Jedi.

2. A existência de um poder superior invisível: O aprendiz Jedi precisa aprender a abrir-se a um poder superior que irá guiá-lo e que pode até mesmo realizar milagres. Não é bem o Espírito Santo por causa de sua natureza impessoal, mas ainda um princípio orientador que pode trazer luz, se você abrir o seu coração e sua mente para ela. “Use a força, Luke.”

3. Tentação: Para usar os talentos e dons por razões egoístas, por medo, raiva ou ódio. Darth Vader era um bom menino, mas ele foi seduzido pela maneira “fácil” do lado sombrio. Seguir o lado da luz é difícil e exige dedicação, desprendimento e sacrifício.

4. Mal: A realidade do mal que se origina a partir da escolha de recusar a luz e se voltar para a escuridão. Esta escolha de recusar a luz pode ter consequências tremendas para o resto do universo. Alguns personagens emStar Wars parecem encarnar esse mal de uma maneira pessoal, como Darth Maul, com sua aparência diabólica, e o Imperador.

5. Sacrifício redentor: Não há maior amor do que dar a vida por seus amigos. Às vezes, a busca para salvar pessoas da escuridão pode levar ao sofrimento e sacrifício. Obi-Wan se deixa matar por Darth Vader assim Luke, Leia e Han podem escapar.

6. Conversão: Apesar do poder que a escuridão pode ter sobre a alma de alguém, há sempre o bem em algum lugar profundo dentro de si. A conversão, o perdão e a redenção continuam a ser possíveis até o fim. Luke, diz Darth Vader: “Eu sinto o bem em você.” A fé finalmente ganha Vader de volta, e ele se torna o salvador, uma vez que foi chamado a ser exatamente isto.

7. Renascimento e ressurreição: A morte nem sempre é o fim; uma vida bem vivida pode continuar após a morte. Obi-Wan, Anakin e Yoda aparecem como espíritos depois que morrem. Star Wars está cheio de “despertares” de pessoas ou coisas que pareciam ter morrido, mas voltam à vida, como Han Solo depois que ele fica congelado em carbonite, ou C-3PO, que foi remontado depois que ele leva um tiro.

Star wars é uma metáfora dos nossos tempos. Nós nos esquecemos de nossa herança religiosa, as histórias que norteiam nossas escolhas. O que nos torna vulneráveis ​​à tentação do egoísmo, medo, raiva e ódio. Mas a fé sempre volta. Han Solo começa como um ateu, mas acaba transmitindo sua fé na força para uma nova geração que pensou que as velhas histórias eram apenas mitos e contos de fadas: “É verdade – tudo isso”, ele diz-lhes.

Pe. Roderick Vonhögen (@FatherRoderick) é sacerdote católico, podcaster e autoproclamado “Geekpriest.” Ele elaborou estes 7 temas, em uma conversa com Elizabeth Scalia, como pode-se assistir abaixo, em inglês:

Trad. e Adapt.: Felipe Bezerra.

 

Fonte: Aletéia
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Morre Eduardo Galeano, poeta das utopias…

Escritor uruguaio Eduardo Galeano morre aos 74 anos

Milton Ribeiro

O escritor uruguaio Eduardo Galeano morreu aos 74 anos em Montevidéu, nesta segunda-feira (13), segundo o site do jornal “El País”. Galeano estava internado em um hospital na capital uruguaia desde sexta-feira (10) devido a complicações de um câncer de pulmão, que já havia sido tratado em 2007.

Nascido em Montevidéu no dia 3 de setembro de 1940, Eduardo Galeano começou muito jovem no jornalismo e nos mais variados gêneros literários como o ensaio, a poesia e a narrativa. Ensaísta, historiador e ficcionista, publicou mais de 30 livros, quase todos traduzidos no Brasil. Ele é autor da obra “As veias abertas da América Latina”, em que denunciou a opressão e amargura do continente e que foi traduzido para dezenas de idiomas.

No dia 18 de abril de 2009, o presidente Hugo Chávez presenteou seu colega americano, Barack Obama, com o livro As Veias Abertas da América Latina, clássico ensaio do escritor e jornalista uruguaio Eduardo Galeano. O exemplar estaria autografado pelo autor. O livro fala basicamente sobre o saque dos recursos naturais sofrido pelo continente latino-americano do século XV até o fim do século XX e é citado frequentemente por Chávez. Tendo iniciado o dia 18 na 54.295ª posição entre os livros mais vendidos da megavendedora de livros Amazon, o livro amanheceu o dia 19 em 2º lugar. Atualmente, a avaliação dos leitores da Amazon demonstra uma curiosidade. Dos 163 leitores que escreveram resenhas a respeito da obra, 86 dão-lhe nota 5, a máxima, enquanto 50 dão-lhe a nota mínima, 1. Dos 163, somente 27 não lhe dão as notas extremas.

Tais avaliações não chegam a ser surpreendentes. Afinal, As Veias Abertas não parece prestar-se a opiniões desapaixonadas. A direita costuma chamá-lo de um “anacrônico clássico da literatura esquerdista do continente”,o qual questiona o imperialismo americano e europeu na região. Já a esquerda:

Depois do golpe de 1973 não pude levar muita coisa comigo: algumas roupas, fotos da família, um saquinho com barro do meu jardim e dois livros: uma velha edição de Odes, de Pablo Neruda, e o livro de capa amarela, As Veias Abertas da América Latina.

Isabel Allende, no prefácio da edição chilena

Biografia

Eduardo Galeano nasceu em Montevidéu em 3 de setembro de 1940. Começou sua carreira de jornalista no início dos anos 60, como editor do “Marcha”, um influente jornal semanal que tinha como colaboradores Mario Benedetti, Mario Vargas Llosa, Manuel Maldonado e Denis Fernández Retamar.

Durante o golpe de 27 de junho de 1973, Galeano foi preso e forçado a deixar o Uruguai. Foi para a Argentina, onde fundou a revista cultural “Crisis”. Em 1976, após seu livro As Veias Abertas da América Latina ser censurado pelos governos militares do Uruguai, Argentina e Chile, teve seu nome colocado na lista dos esquadrões da morte de Videla e, temendo por sua vida, exilou-se na Espanha, onde deu início à trilogia Memória do Fogo.

No início de 1985, retornou a Montevidéu. Em outubro do mesmo ano, juntamente com Mario Benedetti, Hugo Alfaro e outros jornalistas e escritores que haviam pertencido ao semanário “Marcha”, fundou o semanário “Brecha”, no qual segue até hoje como membro do Conselho Consultivo. Em 2010, a Brecha instituiu o prêmio Memória do Fogo, entregue anualmente a um artista a cujos talentos se somem a luta pelos direitos humanos e sociais. O primeiro vencedor foi o cantor espanhol Joan Manuel Serrat, que o recebeu a 16 de dezembro de 2010 no Teatro Solís em Montevidéu.

Em 2007, recuperou-se de uma operação de câncer de pulmão, mas este retornara recentemente.

Galeano tem mais de 30 livros publicados e, se pudéssemos caracterizá-los através de uma frase, talvez desta devesse constar o convite que o autor nos faz para olhar simultaneamente o passado e o futuro. Suas obras também buscam estabelecer uma frente comum contra a miséria moral e material do continente. Há um risco demagógico e piegas neste tipo de proposta, mas Galeano salva-se disto com um texto limpo e objetivo, às vezes duro. Com o tempo, amenizou seu estilo, chegando com naturalidade à prosa poética e mesmo à poesia. Seu projeto de refletir o drama da América Latina é abertamente de esquerda e, ao longo dos anos, o autor manteve um compromisso contínuo com suas ideias, rejeitando uma existência sem utopias.

Seus escritos combinam ficção, jornalismo, análise política e história. Ao lado de As Veias Abertas da América Latina, talvez seus livros mais importantes sejam a trilogia Memória do Fogo, dividida em Os Nascimentos (1982), As Caras e a Máscaras (1984) e O Século do Vento (1986). Trata-se de uma ousada e inclassificável mistura de gêneros unidas por onipresente espírito crítico. Os personagens são generais, artistas, revolucionários e operários, os quais são retratados em pequenos episódios que começam nos mitos dos povos pré-colombianos chegando até a década de 80 do século XX.

Como fã de futebol e hincha do Nacional de Montevidéu, Galeano escreveu O futebol ao sol e à sombra (1995), onde revisa a história do esporte. Sua paixão pelo jogo supera a paixão por uma camisa. O autor traça comparações com o teatro e a guerra, critica a presença das grandes corporações, de um lado, e, por outro, ataca sem tréguas os intelectuais de esquerda que rejeitam o jogo por motivos ideológicos. O formato escolhido é o da crônica, mas uma crônica de poesia derramada de paixão pelo futebol. “Aos descendentes dos rituais astecas, aos filhos do tango, do samba e da capoeira, da sombra da miséria e do sol dos sonhos de glória”: é a estes, a sua tradição de virtuosismo e a seus cultores, em todo o mundo e ao longo dos tempos, que o autor presta homenagem. Mas…

Como todos os meninos uruguaios, eu também quis ser jogador de futebol. Jogava muito bem, era uma maravilha, mas só de noite, enquanto dormia: de dia era o pior perna-de-pau que já passou pelos campos do meu país.

(…)

Os anos se passaram, e com o tempo acabei assumindo minha identidade: não passo de um mendigo do bom futebol. Ando pelo mundo de chapéu na mão, e nos estádios suplico:

– Uma linda jogada, pelo amor de Deus!

E quando acontece o bom futebol, agradeço o milagre — sem me importar com o clube ou o país que o oferece.

Há quatro anos, a L&PM lançou uma nova tradução de As Veias Abertas da América Latina. O tradutor, a pedido do próprio autor, foi Sergio Faraco. “Fiz a tradução a pedido de Galeano e acompanhado por ele. Enviava diariamente e-mails com minhas dúvidas, os quais eram respondidos imediatamente. Demorei 3 meses para terminar as quase 400 páginas. A maior dificuldade não foi o texto original, foi a comparação com a outra tradução brasileira, de Galeno de Freitas, muito boa, feita em 1971. Era inevitável, acho que tudo ficou muito parecido”, conta Faraco.

Galeano elogiou a nova tradução, que teria ficado superior ao original em espanhol. “Minha obra hoje soa melhor em português”, disse, referindo-se ao fato de ter não apenas Faraco como tradutor de sua obra, mas também Eric Nepomuceno. Só aqui no Brasil já saíram 52 edições do livro. Faraco completa: “As Veias Abertas é um ensaio com altíssimo grau de informação. É inacreditável que ele tenha feito aquela imensa pesquisa histórica e escrito o livro na idade de aproximadamente 30 anos. O livro retrata uma realidade vergonhosa de surpreendente atualidade em nossos dias, pois nossa miséria e dependência permanecem. É curioso que alguns chamam o livro de anacrônico. Apesar de ter sido escrito há 40 anos, ele não tem nada de anacrônico, até porque revela de forma brilhante uma realidade incontestável – a realidade histórica”.

O professor do Instituto de Biociências da UFRGS, Paulo Brack, em entrevista à Rádio da UFRGS, rebate enfaticamente as acusações de anacronismo. “Vejam, por exemplo, a questão de Belo Monte. Ela confrontou o Brasil e a Comissão de Direitos Humanos da OEA, que questionou o tratamento que o governo brasileiro está dando ao problema. Também a aprovação do novo Código Florestal na Câmara demonstra a vitória de um sistema que há séculos está enraizado no país. O Código Florestal anterior era uma das legislações mais avançadas do mundo. Agora foi alterada em favor do agronegócio, cujo sistema de produção teve origem nos grandes latifúndios. Ou seja, muita coisa que Galeano fala em seu livro está ainda atual. Apenas mudou a cara de quem faz. Antes, havia a presença militar, agora não mais”.

Em As Veias Abertas, Galeano apresenta uma análise histórica sobre formação da América Latina desde sua ocupação pelos europeus até os dias de hoje, fundando sua crítica na espoliação econômica, na dilapidação dos recursos naturais do continente e na dominação política, primeiro pela Europa e depois pelos Estados Unidos. A professora de Geografia Ilana Freitas faz uma curiosa constatação. “Durante a ditadura, As Veias Abertas era muito usado por professores de segundo grau de História e Geografia. Eram pessoas que, de forma muito corajosa, preocupavam-se em marcar uma posição de esquerda ou de crítica à ditadura”.

Lamento que este livro ainda não tenha perdido a atualidade.

Eduardo Galeano

Sem ser hostil, o jornalista e escritor Juremir Machado da Silva, também em entrevista à Rádio da UFRGS, faz ressalvas ao livro. “Galeano defendia que o fim da dependência da América Latina deveria ser baseado na implantação de modos modos de produção. O livro indica que a solução para a dependência latino-americana seria o socialismo. Este aspecto implícito ou explícito do livro, caducou”. Porém, Juremir concorda com Galeano no cerne: “É claro que o Brasil é um vendedor decommodities. Ou seja, vende matéria-prima barata e compra de volta o produto pronto daqueles países que agregam valor a eles. Vende para recomprar a preço maior o produto beneficiado. É uma questão não só de tecnologia, de capital, mas de mentalidade. Hoje, nada nos impede de mudar esta situação, só o fato de existir uma elite que está satisfeita como vendedora de commodities e que não deseja outro tipo de organização sócio-econômica”.

“A divisão internacional do trabalho consiste em que uns países se especializam em ganhar e outros em perder. Nossa comarca do mundo, que hoje chamamos de América Latina, foi precoce: se especializou em perder desde os remotos tempos em que os europeus do Renascimento se lançaram através do mar e cravaram-lhe os dentes na garganta. Passaram-se os séculos e a América Latina aperfeiçoou suas funções. Ela já não é o reino das maravilhas em que a realidade superava a fábula e a imaginação era humilhada pelos troféus da conquista, as jazidas de ouro e as montanhas de prata. Mas a região segue trabalhando como serviçal, continua existindo para satisfazer as necessidades alheias, como fonte e RESERVA de petróleo e ferro, cobre e carne, frutas e café, matérias-primas e alimentos, destinados aos países ricos que, consumindo-os, ganham muito mais do que a América Latina ganha ao produzi-los.”

Parágrafo de abertura de As Veias Abertas da Amérca Latina

Atualmente, passados 40 anos, talvez a crítica que se possa fazer a Galeano seja a do tom indignado da narrativa, porém isto não anula ou diminui os fatos descritos e não retifica a história, pois é difícil negar que as colônias e nações latino-americanas têm sido, desde o início do século XVI, especialistas em prover o desenvolvimento das economias europeia e norte-americana, com seu consequente fortalecimento político.

Seu último livro Espelhos (2008) consiste em quase 600 histórias breves que, segundo Galeano, proporcionam ao leitor “viajar através de todos os mapas de todos os tempos, sem limites”.

Os espelhos estão cheios de gente.
Os invisíveis nos vêem.
Os esquecidos nos lembram.
Quando nos vemos, os vemos.
Quando nos vamos, eles se vão?

Este livro foi escrito para que não partam.
Nestas páginas unem-se o passado e o presente.
Renascem os mortos, os anônimos têm nome:
os homens que ergueram os palácios e os templos de seus amos;
as mulheres, ignoradas por aqueles que ignoram o que temem;
o sul e o oriente do mundo, desprezados por aqueles que
desprezam o que ignoram;
os muitos mundos que o mundo contém e esconde;
os pensadores e os que sentem;
os curiosos, condenados por perguntar, e os rebeldes e
os perdedores e os lindos loucos que foram e são o
sal da terra.

Fonte: Sul 21  notícias
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Anastasia Steele. Olhar católico

Os 50 tons de Anastasia Steele

Uma análise verdadeiramente católica da protagonista de “50 tons de cinza”
do not use this image without contacting the image department© Focus Features via LMK
Alguns seguidores me pediram para escrever sobre 50 Tons de Cinza. Sem querer ofender Maria, que ama e intercede por tantas Anastasias reais que infelizmente existem por aí, pensei em fazer uma comparação entre as atitudes de vida das duas. Como Anastasia Steele não existe e como a fictícia não se dá ao respeito, não precisei me preocupar em não ofendê-la. Apenas oro, compadecida, pelas Anastasias da vida real e pelos homens e mulheres influenciados pelas ilusões do livro e filme, pedindo a Deus que encontrem Maria.Partilho o que pensei, a partir da ironia dos nomes, certamente escolhidos a dedo pela agora milionária Ms. E. L. James.CHRISTIAN = cristão
GREY = variante de gray = cinza, nebuloso (Webster Dic.)
ANASTASIA = do grego – impossibilidade mórbida de levantar-se (Dic. Michaelis)
STEELE = homônimo homófono de steel = aço, resistência – nerves of steel = nervos de aço (Webster Dic.)
MARIA = Myriam, em hebraico = estrela, princesa, luminosa (Filho de Deus, Menino Meu)Eis a comparação que Ms. James – espero! – talvez faça algum dia:ANASTASIA STEELE, confusa e deslumbrada, chega aos bilionários domínios de Grey, Christian Grey. Sem que se dê conta, começa ali seu relacionamento de sevícias e escravidão sexual e emocional.
MARIA DE NAZARÉ, apaixonada por Deus, chega ao belo átrio do Templo de Deus, o Deus de Israel. Consciente e determinada, inicia ali, com alegria, sua vida de livre e feliz consagração a Deus.

ANASTASIA STEELE é seduzida pelo pretenso cavalheirismo, conversa sedutora e presentes caros de Christian.
MARIA DE NAZARÉ é livremente atraída pelo autêntico e verdadeiro amor de Deus que lhe deu a maior riqueza – ser purificada de todo pecado original – e lhe confia Seu Bem mais caro: o próprio Filho Jesus Cristo.

ANASTASIA STEELE, enceguecida, a confundir amor e prazer, recebe algemas de um sádico tirânico e violento, que a escraviza e compra sua mudez.
MARIA DE NAZARÉ, lúcida e em pleno uso da razão, recebe o anúncio de um anjo de Deus que a respeita e a deixa inteiramente livre para aceitar ou não ser mãe do Seu Filho pela ação do Espírito Santo, que lhe revela sua incomparável dignidade e a faz cantar em alto e bom som sua alegria na casa de Isabel.

ANASTASIA STEELE é ultrajada, desrespeitada, dominada, violentada por um homem egoísta, doente, obcecado pelo prazer, dinheiro e poder.
MARIA DE NAZARÉ é consultada, respeitada, libertada, amada pelo Deus de amor, de justiça, de liberdade, de esvaziamento de si por amor a ela e a todos os homens.

ANASTASIA STEELE é usada, rebaixada, como um objeto desprezível. Já doente e muitas vezes alcoolizada, já dependente do sexo sádico, já masoquista, consente em ser abusada, violentada, seviciada, destruída no corpo e na alma.
MARIA DE NAZARÉ entrega-se livre e cheia de amor à vontade de Deus de que seja a Virgem Mãe do Seu Filho. Lúcida, vive a obediência da fé e é elevada por Deus como A Mulher. Por amor a Deus e à humanidade, consente em ser a Bendita Mãe de Deus.

ANASTASIA STEELE consente no sexo sem amor e se faz estéril. Nega sua vocação à maternidade. Pela negação da graça, gera morte.
MARIA DE NAZARÉ consente na ação da graça da vontade de Deus. Sem conhecer homem, é fecunda. Acolhe sua vocação única à Maternidade e Virgindade. Pela ação do Espírito, gera Vida.

ANASTASIA STEELE não ama. Doente, manipulada, engana-se e confunde paixão com amor. Aliena-se em seu corpo, mente e alma. Entra em caminho de autodestruição.
MARIA DE NAZARÉ ama, com o amor que vem de Deus, o amor que se esquece de si. Na Anunciação, conhece o amor da Trindade, amor de doação. Mergulha na realidade e beleza da salvação. Entra em caminho para a feliz vida eterna.
ANASTASIA STEELE é escrava do prazer pelo prazer. Sente o vazio e o amargo gosto da solidão e falta de sentido quando findam os momentos de prazer. Seu mórbido e masoquista prazer é deixar-se ultrajar, humilhar e ferir por um homem sádico, doente, psicopata, egoísta.
MARIA DE NAZARÉ é livre serva do Senhor, na libertação da vivência do amor, da doação de si. Nunca sentiu solidão, pois Deus lhe era fiel em seu amor. O amor a Deus é o sentido inesgotável de sua vida. Seu prazer é fazer a vontade do Deus de bondade, ternura e amor.

ANASTASIA STEELE está marcada para sempre pela dor de ser usada e abusada como reles objeto de sádico prazer, em seu corpo e em sua alma, pois não há nada que se dê no corpo que não ocorra, ainda mais profundamente, na alma.
MARIA DE NAZARÉ está marcada para sempre pela alegria e exultação em Deus que a libertou do pecado e a santificou no corpo e na alma, pois não há nada que se dê profundamente na alma que não se reflita no corpo.

ANASTASIA STEELE, virgem ao encontrar Christian, desprezou e ultrajou a beleza da castidade.
MARIA DE NAZARÉ escolheu livremente a castidade e foi virgem antes, durante e depois do parto.

ANASTASIA STEELE vendeu-se. Foi abusada, sugada, desgastada. Tornou-se sensual, viciada e viciosa.
MARIA DE NAZARÉ deu-se gratuita e inteiramente. Foi plenificada de graça, de alegria, de gratidão. Tornou-se ainda mais forte, pura, vitoriosa em Deus.

ANASTASIA STEELE é doente, escura, do escuro negro do mais fechado tom de cinza. Cor negra do pecado, segundo Santa Teresa.
MARIA DE NAZARÉ é sadia, luminosa, da reluzente e íntegra luz sem sombras da Verdade. Luz plena da graça, segundo a Palavra.

ANASTASIA STEELE é infeliz iludida, ludibriada pela mentira, escrava do efêmero.
MARIA DE NAZARÉ é feliz conhecedora da Verdade, que a liberta e conduz à feliz eternidade.

ANASTASIA STEELE foi ferida pelo ódio sádico com chicotes, grampos e correntes. Presa ferida, ultrajada por seu algoz.
MARIA DE NAZARÉ teve o coração transpassado de dor e amor ao compartilhar a dor e a missão de seu Filho inocente, ferido pelo ódio injusto. Dilacerado por chicotes, preso com correntes para curar as feridas de todos os homens e libertá-los de escravidões ultrajantes, como as de Anastasia e Christian.

ANASTASIA STEELE escolheu a autodestruição.
MARIA DE NAZARÉ escolheu a autodoação.

ANASTASIA STEELE é alucinada fantasia.
MARIA DE NAZARÉ é autêntica realidade.

ANASTASIA STEELE escolheu o prazer. E ele passa!
MARIA DE NAZARÉ escolheu o amor. E ele é eterno!

ANASTASIA STEELE escolheu o álcool, o sexo doentio, a manipulação.
MARIA DE NAZARÉ escolheu a lucidez, a castidade, a liberdade interior.

ANASTASIA STEELE conheceu 50 tons de mentira e ilusão, fantasia e morbidez. 50 tons de escuridão, nebulosidade, engano, mentira.
MARIA DE NAZARÉ conhece apenas 1 tom de Verdade. A verdade é plena luz, não apresenta nem tons nem nuances. É “sim, sim; não, não”.

ANASTASIA STEELE faz mal a milhões de adolescentes, jovens, mulheres, homens e crianças.
MARIA DE NAZARÉ faz bem e intercede por todas as crianças, adolescentes, jovens, mulheres e homens. Ainda que a desprezem, ainda que não a conheçam.

ANASTASIA STEELE escolheu, covardemente, viver na carne.
MARIA DE NAZARÉ corajosamente, escolheu viver no Espírito.

ANASTASIA STEELE escolheu a escravidão à idolatria a Christian.
MARIA DE NAZARÉ escolheu a liberdade do amor a Cristo.

ANASTASIA STEELE ??? Ninguém mais ouvirá falar dela e de suas insanas fantasias destrutivas dentro de alguns meses.
MARIA DE NAZARÉ!!! Ninguém que a conheça a esquecerá ou ficará indiferente a ela!

ANASTASIA STEELE não conheceu nem amou Maria de Nazaré. Não daria nada por ela.
MARIA DE NAZARÉ amou e ama todas as infelizes e reais Anastasia Steele. Deu sua vida e seu Filho por elas.

Eu escolhi lutar para me parecer com Maria, embora muito, muito pecadora. Escolhi o Espírito, a vida plena no Espírito. VOCÊ, com quem escolhe se parecer?

Fonte Aletéia
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Dicas de Cultura em Londrina

1.TEATRO

 Espetáculo Tempo de Travessia.Com o Grupo Cor da Terra. Dias 21 e 22 – 28 e 29.  As 20h30. No Teatro Zaqueu de Melo, Av Rio de Janeiro, 413, perto da Catedral de Londrina. Ingressos  R$ 20 e R$ 10(meia entrada). Informações: 43  3371-6571

Espetáculo Eu me Lembro.  Com alunos formandos do Curso de Artes Cênicas da UEL. Do Hoje a Domingo, as 20h30. Na divisão de Artes da Casa de Cultura da UEL na Av Celso Garcia Cid, 205.Ingressos   1 kilo de alimento perecível.Informações: 43  3322-1030. 10635984_938920019451377_8818808778649055694_n

2. BALLET

Espetáculo A encantada Fábrica de Doces. Com grupo de Ballet Claudia Lima. Dia 23 de novembro, às 20 horas. No Cine Teatro Jose Zanelli, em Ibiporã (Av Dom Pedro II). Ingressos a R$ 5  a venda na Escola Pio XII. (rua NS de Fátima, 83, Lago Parque). Informações: 43 3322-2409. 

 

3. FOTOS

1. EXPOSIÇÃO Haruo Ohara por Maria Ohara.  São 18 painéis preparados pela sua filha, de fotos tiradas por esse famoso e pioneiro fotógrafo de Londrina. Até o dia 30 de novembro. No Espaço Cultural CEDDO, Rua Pernambuco, 725). Entrada Franca.  De segunda a sexta, das 8 ás 18 horas. Sábados, das 8 ás 13 horas. Informações: 43 3321-4144.

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(Des) Construção de Hércules

Fim de semana passado foi ao cinema. Assisti Hércules.  Pensava ver na telona a história do Filho de Zeus, seus doze trabalhos, conforme está na literatura grega. Vi, sim, mais do que o mito. Vi sendo desconstruído tudo. Os centauros, homens a cavalo contra a luz do sol. A hidra de sete cabeças, homens guerreiros com máscaras de cobras. Os cães de 3 cabeças (cérberos), lobos ferozes, que mataram a família de Hércules, enquanto ele estava dopado pelo rei. Os Doze trabalhos, batalhas que venceu. O próprio Hércules, um guerreiro mercenário, que age com a ajuda de um grupo que formou após a morte de sua família.  Que se fere e sangra, precisando de remédio e cuidados de enfermagem, como qualquer mortal. Engana-se e depois precisa consertar o que fez, para se sentir justo.

Só restou de fato, um Hércules com uma fama de semi-deus, uma lenda contada e aumentada pelo seu próprio sobrinho. Um homem, guerreiro forte. Acho também que esse filme desconstrói o mito grego do Hércules, para construir outro. Parece uma linha da auto-ajuda, positivismo psicológico. Hércules é um homem, forte, tido como herói, que terá que buscar forças dentro de seu próprio interior quando está em perigo de morte. Parece-me que a mensagem do novo mito de Hércules é para nós. Acreditar mais em si mesmo, para superar obstáculos que a vida nos impõe. Se queremos vencer, triunfar, as condições estão todas em nossas mãos. Basta querer, acreditar e começar a agir. Começa a ser realista,  Quase perde graça. Fala demais da nossa condição humana, de nossos limites, reduz muito nossa própria compreensão de nós mesmos. Um novo antropocentrismo, fundado no eu-que-pode-tudo, em que deuses são os homens.

Aliás, já o segundo filme que vejo a desconstrução de personagens da mitologia e da literatura bíblica em que se é tirado seu significado original, para falar e inculcar outros valores. Lembram de Nóe, que já escrevia aqui. E o filme Exodus vem aí,  e como será o Moisés? Penso eu que há alguém que tem interesses em humanizar, mortalizar,  grandes personagens épicas da história e da literatura e cultura.

Mas eu prefiro o Hércules da Mitologia Grega, mistico, lendário. Ele se mostra mais inspirador. E é tão bom ter e ver  grandes heróis. Viva a literatura. Viva o simbolismo. Viva o fantástico.

Confira o trailer abaixo. E vá ao cinema. Vale a pena. É um bom filme, de ação, para quem gosta desse gênero.  Tem um bom roteiro, efeito especial e sonorização. E depois, ainda sobrou um pouquinho de mitologia

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