Laudato Si



Como cuidar do meio ambiente

DEZ CONSELHOS DO PAPA FRANCISCO PARA CUIDAR DO MEIO AMBIENTE

As Igrejas que formam o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs se uniram para celebrar a Campanha da Fraternidade sobre a Nossa Casa Comum.
Tema da Campanha: “Casa comum, nossa responsabilidade” e o lema: “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5, 24).

Foto de Olmes Milani.
O Papa Francisco, após a promulgação da Encíclica Laudato si´ em que nos convida a uma “conversão ecológica”, estabeleceu o dia 1 de setembro como Jornada Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação. A data já é celebrada na Igreja Ortodoxa e o Papa decidiu inclui-la na Igreja Católica para consciencializar e rezar pelo cuidado do planeta.
Na sua última encíclica o Papa recorda-nos que “merecem uma gratidão especial aqueles que lutam com vigor para resolver as consequências dramáticas da degradação ambiental nas vidas dos mais pobres do mundo” e, continua, “os jovens reclamam de nós uma mudança. Eles perguntam-se como é possível que se pretenda construir um futuro melhor sem pensar na crise do ambiente e nos sofrimentos dos excluídos”.
A Jornada celebrar-se-á anualmente, e Francisco procura que todos possamos “renovar a adesão pessoal à própria vocação de guardas da criação”. Com a escolha desta data, reforça-se também a “crescente comunhão” com a Igreja Ortodoxa.
Partilhamos alguns conselhos concretos com que o Santo Padre nos alenta a colaborar para proteger e construir a nossa casa comum, pequenas ações que derramam um bem na sociedade “para além do que se possa constatar, porque provocam no seio desta terra um bem que sempre tende a difundir-se, por vezes invisivelmente”.

Aquecimento: aconselhou-nos a agasalharmo-nos mais e evitar ligá-lo.
Evitar o uso de material plástico e de papel.
Reduzir o consumo de água.
Separar os resíduos.
Cozinhar apenas o que razoavelmente se poderá comer.
Tratar com cuidado os outros seres vivos.
Utilizar transporte público ou partilhar um mesmo veículo entre várias pessoas.
Plantar árvores.
Apagar as luzes desnecessárias.
Dar graças a Deus antes e depois das refeições.

Ao terminar a Encíclica, o Papa Francisco propôs duas orações, “duas orações, uma que possamos partilhar todos os que acreditam num Deus criador omnipotente, e outra para que os cristãos saibam assumir os compromissos com a criação que coloca o Evangelho de Jesus”:
Algumas reflexões sobre o cuidado do Meio Ambiente que o Papa Francisco nos propõe na Laudato si´

1.São Francisco de Assis “Manifestou uma atenção particular pela criação de Deus e pelos mais pobres e abandonados. Amava e era amado pela sua alegria, a sua dedicação generosa, o seu coração universal. (…) Nele se nota até que ponto são inseparáveis a preocupação pela natureza, a justiça para com os pobres, o empenhamento na sociedade e a paz interior”. (10)

2.“ Todos podemos colaborar, como instrumentos de Deus, no cuidado da criação, cada um a partir da sua cultura, experiência, iniciativas e capacidades.” (14)

3.“ Este mundo tem uma grave dívida social para com os pobres que não têm acesso a água potável, porque isso é negar-lhes o direito à vida radicado na sua dignidade inalienável. Essa dívida é parcialmente saldada com maiores contribuições económicas para prover de água de limpa e saneamento os povos mais pobres.” (30)

4.“ Mas hoje, não podemos deixar de reconhecer que uma verdadeira abordagem ecológica sempre se torna uma abordagem social, que deve integrar a justiça nos debates sobre o meio ambiente, para ouvir tanto o clamor da terra como o clamor dos pobres.” (49)

5.“ É preciso revigorar a consciência de que somos uma única família humana. Não há fronteiras nem barreiras políticas ou sociais que permitam isolar-nos e, por isso mesmo, também não há espaço para a globalização da indiferença.” (52)

6.“Os jovens têm uma nova sensibilidade ecológica e um espírito generoso, e alguns deles lutam admiravelmente pela defesa do meio ambiente, mas cresceram num contexto de altíssimo consumo e bem-estar que torna difícil a maturação doutros hábitos. Por isso, estamos perante um desafio educativo.” (209)

7.“É muito nobre assumir o dever de cuidar da criação com pequenas ações diárias, e é maravilhoso que a educação seja capaz de motivar para elas até dar forma a um estilo de vida.” (211)

8.“ Na família, cultivam-se os primeiros hábitos de amor e cuidado da vida como, por exemplo, o uso correto das coisas, a ordem e a limpeza, o respeito pelo ecossistema local e a proteção de todas as criaturas.” (213)

9.“ Esta mesma gratuidade leva-nos a amar e aceitar o vento, o sol ou as nuvens, embora não se submetam ao nosso controle. Assim podemos falar duma fraternidade universal” (228)

10. “É necessário voltar a sentir que precisamos uns dos outros, que temos uma responsabilidade para com os outros e o mundo, que vale a pena ser bons e honestos.” (229)

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Campanha da Fraternidade 2016 em Londrina

Campanha da Fraternidade 2016 na Arquidiocese de Londrina

Com o tema “Casa comum nossa responsabilidade”, e o lema “quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5, 24)

Cartaz CF 2016

Cartaz CF 2016

Com o tema “Casa comum nossa responsabilidade”, e o lema “quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5, 24) A reflexão da Campanha da Fraternidade 2016 (Cf 2016) na Arquidiocese de Londrina será a partir de um problema que afeta o meio ambiente e a vida de todos os seres vivos, que é a fragilidade e, em alguns lugares, a ausência dos serviços de saneamento básico em nosso país, problema este que afeta mais de 100 milhões de brasileiros.

 

A CF 2016 tem a seguinte programação na Arquidiocese de Londrina:

  1. Coletiva de imprensa: 12/02/2016, as 09h, no Centro de Pastoral Jesus Bom Pastor.
  2. Abertura Oficial: 12/02/2016, as 19h30, na Catedral de Metropolitana de Londrina.
  3. Encontro de Formação sobre a CF 2016: 14/02/2016, das 08h até às 12h, na Paróquia Nossa Senhora Rainha do Universo.
  4. Coleta da Solidariedade: 20/03/2016.

Algumas outras iniciativas serão asseveradas a partir dos encontros que estão programados. Existem várias propostas, entre elas constam: audiências públicas, diálogo com as instâncias públicas e privadas da região, celebrações nas diversas comunidades e o tema da CF 2016 norteará os encontros e reuniões das várias pastorais e movimentos da Arquidiocese.

A comissão responsável pela CF 2016 é composta de uma equipe formada por membros de cada Igreja pertencente ao MEL (Movimento Ecumênico de Londrina):

Igreja Presbiteriana Unida: Reverendo Ricardo José
Igreja Anglicana: Reverenda Lucia,
Igreja Católica: Pe. Carlos Benni Pereira da Veiga e Ir. Dirce Gomes
Igreja Luterana: Joana D’Arc Schulze e Pablo Fernando Dumer
Igreja Presbiteriana Independente: Pastor Carlos Klein e Pastor Uriel.

A expectativa em nossa Arquidiocese é trabalhar em consonância com os objetivos propostos pelo CONIC (Comissão Nacional das Igrejas Cristãs) para a CF 2016 que conclama a todos os cristãos para o cuidado com a nossa Casa Comum, a partir da garantia do direito ao saneamento básico a todos.

O objetivo da CF 2016 é assegurar o direito ao saneamento básico para todas as pessoas e empenharmo-nos, à luz da fé, por políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro de nossa Casa Comum.

Especificamente, os objetivos alvitram unir as igrejas, diferentes expressões religiosas e pessoas de boa vontade na promoção da justiça e do direito ao saneamento básico; estimular o conhecimento da realidade local em relação aos serviços de saneamento básico; incentivar o consumo responsável dos dons da natureza, principalmente da água; apoiar e incentivar os municípios para que elaborem e executem o seu Plano de Saneamento Básico; acompanhar a elaboração e a excussão dos Planos Municipais de Saneamento Básico; desenvolver a consciência de que políticas públicas na área de saneamento básico apenas tomar-se-ão realidade pelo trabalho e esforço em conjunto; denunciar a privatização dos serviços de saneamento básico, pois eles devem ser política pública como obrigação do Estado; desenvolver a compreensão da relação entre ecumenismo, fidelidade à proposta cristã e envolvimento com as necessidades humanas básicas.

Como se constata os desafios que perpetram essa Campanha chamam a atenção para a nossa responsabilidade com o planeta, nossa Casa Comum, a partir da na promoção da justiça e do direito ao saneamento básico. Que cada fiel cristão assuma o compromisso de dedicar-se à refletir sobre o imperativo tema da CF 2016.


Fonte: Site da Arquidiocese de Londrina
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Papa Francisco e a COP 21. Todos pela casa comum

Cumprimento do Acordo de Paris requer compromisso de todos, diz Papa

A implementação do Acordo “requer um compromisso de todos e uma generosa dedicação por parte de cada um” –
Cidade do Vaticano (RV) – Após recitar a oração do Angelus, o Papa Francisco encorajou a comunidade internacional a implementar as decisões do “histórico acordo” a que chegaram os participantes da Conferência sobre o Clima (COP21) realizada em Paria desde 30 de novembro e concluída no sábado, 12. O cuidado pela criação, como sabemos, é um tema muito caro a Francisco:“A Conferência sobre o Clima recém concluiu-se em Paris com a adoção de um acordo, por muitos definidos como histórico. A sua implementação requer um compromisso de todos e uma generosa dedicação por parte de cada um. Desejando que seja garantida uma particular atenção às populações mais vulneráveis, exorto toda a comunidade internacional a prosseguir com solicitude o caminho tomado, no sinal de uma solidariedade que se torne sempre mais concreta”.

De fato, na noite de sábado, ministros de 195 países aprovaram o “Acordo de Paris”, primeiro marco jurídico universal de luta contra o aquecimento global. O documento da 21ª Conferência sobre o Clima (COP21) das Nações Unidas tem caráter “legalmente vinculante” e obriga todas os países signatários a implementar estratégias para limitar o aumento médio da temperatura da Terra a 1,5ºC até 2100 e prevê US$ 100 bilhões por ano para projetos de adaptação dos efeitos do aquecimento a partir de 2020. Trata-se do mais amplo entendimento na área desde o Protocolo de Kyoto, assinado em 1997.

Mesmo não fixando metas quantitativas de redução de emissões de gases de efeito estuda, o acordo pretende “limitar o aumento da temperatura média global a bem abaixo de 2ºC em relação aos níveis pré-industriais, e manter esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5ºC”.  E para se obter isto é necessário alcançar o pico de emissões o mais breve possível e obter um balanço entre emissões e remoções desses gases na segunda metade do século. Na prática, isso significa ter emissões líquidas zero – tudo que continuar sendo emitido até lá tem de ser retirado da atmosfera de alguma maneira, seja com florestas ou com mecanismos de captura de carbono. A inclusão desse detalhamento foi vista como um bom sinal em relação a versões anteriores do texto, que haviam sido criticadas por serem muito vagas e inconsistentes com a meta. Essa cláusula deixa o caminho para o 1,5°C mais clara.

Os países desenvolvidos, como os Estados Unidos e os da União Europeia, devem prover recursos financeiros para ajudar países em desenvolvimento a ter ações de mitigação e adaptação, e “outras partes são convidadas a prover ou a continuar prover tal suporte voluntariamente”. Assim, os ricos deverão contribuir com US$ 100 bilhões por ano a partir de 2020 para projetos de adaptação e de mitigação dos efeitos das mudanças climáticas a serem empreendidos pelos países em desenvolvimento. O volume, considerado baixo perante uma necessidade que especialistas calculam ser de trilhões de dólares, deverá ser revisado.

Antes de 2025, diz o texto, “as partes devem estabelecer um novo objetivo coletivo a partir de um piso de US$ 100 bilhões.” O valor será aplicado em organismos como o Fundo Verde, o Mecanismo Global de Meio Ambiente, o Fundo dos Países Menos Desenvolvidos e o Fundo Especial para Mudanças Climáticas.

“Este texto contém os principais avanços, que muitos de nós não acreditavam possível. Este acordo é diferenciado, justo, dinâmico e legalmente vinculante”, afirmou Laurent Fabius, que se emocionou ao lembrar os delegados governamentais de conferências anteriores, que morreram “sem poder conhecer este dia”. “O documento confirma nosso objetivo central, vital, de limitar o aumento a temperatura média da Terra bem abaixo de 2ºC, e se esforçar para limitá-lo a 1,5ºC”.

Além de Fabius, o Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, discursou e lembrou a responsabilidade histórica dos delegados. “O mundo inteiro está nos observando”, advertiu. “O tempo chegou de deixar os interesses nacionais de lado e agir nos interesses globais.”

Já o Presidente francês, François Hollande, único chefe de Estado presente, exortou os delegados governamentais a estarem à altura de um momento único.

Fonte: (JE/Agências)
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Laudato Si em cores, sons e movimentos

Fiat Lux: um espetáculo para iluminar a nossa casa comum

Veja, em vídeo, um “resumo” da inusitada iniciativa da Santa Sé

 

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COP 21. Cuidar do clima da casa comum

Conferências Episcopais lançam apelo à COP21 para que aprove um acordo climático justo 

“Apelo às partes negociadoras da COP 21” é título do texto assinado por cardeais, patriarcas e bispos de diversas parte do mundo, enviado aos representantes de 195 países, reunidos em Bonn (Alemanha), desde sexta-feira, 23. As Conferências Episcopais pedem aos negociadores da  21ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP21) para que “se esforcem em aprovar um acordo climático justo, juridicamente vinculativo e autenticamente transformativo”.

No texto, as lideranças religiosas apresentam dez apelos, elaborados “a partir da experiência concreta de pessoas de todos os continentes” e que estabelecem “um elo entre as alterações climáticas e a injustiça social e exclusão social dos cidadãos mais pobres e mais vulneráveis”.

A mensagem contém trechos da Encíclica do papa Francisco, “Laudato Si’ – sobre o cuidado da casa comum”, que alerta sobre a necessidade de “uma educação e uma consciência ecológica sérias”.

A COP21 ocorrerá entre 30 de novembro e 11 de dezembro, em Paris, na França.

Confira a íntegra o texto:

APELO ÀS PARTES NEGOCIADORAS DA COP 21

O seguinte apelo foi lançado por Cardeais, Patriarcas e Bispos de todo o mundo em representação das associações continentais de Conferências Episcopais nacionais. É dirigido aos negociadores da COP 21 em Paris e exorta-os a que se esforcem por aprovar um acordo climático justo, juridicamente vinculativo e autenticamente transformativo.

Representando a Igreja Católica dos cinco continentes, nós, Cardeais, Patriarcas e Bispos, juntamo-nos para expressar, em nosso próprio nome e em nome das populações ao nosso cuidado, a esperança muito difusa de que um acordo climático justo e juridicamente vinculativo será alcançado nas negociações da COP 21, em Paris. Apresentamos uma proposta de linhas de orientação com dez pontos, a partir da experiência concreta de pessoas de todos os continentes, e estabelecendo um elo entre as alterações climáticas e a injustiça social e exclusão social dos nossos cidadãos mais pobres e mais vulneráveis.

Alterações Climáticas: desafios e oportunidades

Na sua carta encíclica, Laudato Si’ (LS), dirigida ‘a cada pessoa que habita neste planeta’ (LS 3), o Papa Francisco sustenta que ‘as mudanças climáticas constituem atualmente um dos principais desafios para a humanidade’ (LS 25). O clima é um bem comum, que pertence a todos e a todos se destina (LS 23). ‘O meio ambiente é um bem coletivo, patrimônio de toda a humanidade e responsabilidade de todos’ (LS 95).

Quer sejamos crentes ou não, estamos hoje de acordo que a terra é essencialmente uma herança comum, cujos frutos se destinam ao benefício de todos. Para os crentes, trata-se de uma questão de fidelidade ao Criador, uma vez que Deus criou o mundo para todos. Por conseguinte, qualquer abordagem ecológica deve integrar uma perspectiva social que tenha em atenção os direitos fundamentais dos pobres e mais desfavorecidos (LS 93).

Os danos provocados no clima e no meio ambiente têm enormes repercussões. O problema gerado pela dramática aceleração das alterações climáticas tem efeitos globais. Constitui um desafio à redefinição das nossas noções de crescimento e de progresso. Coloca uma questão de estilo de vida. É imperativo que encontremos uma solução que seja consensual, devido à escala e à natureza global do impacto do clima, pelo que se exige uma solidariedade que seja universal, uma ‘solidariedade entre as gerações’ e ‘entre os indivíduos da mesma geração’ (LS 13, 14, 162).

O Papa define o nosso mundo como ‘a nossa casa comum’ e, no exercício do nosso ofício de administradores, temos de dar atenção à degradação humana e social que é consequência de um meio ambiente deteriorado. Apelamos a uma abordagem ecológica integral, apelamos a que a justiça social ocupe um lugar central, ‘para ouvir tanto o clamor da terra como o clamor dos pobres’ (LS 49).

O desenvolvimento sustentável deve incluir os pobres

Enquanto deplora o impacto dramático das rápidas alterações climáticas no nível dos oceanos, em fenômenos climáticos extremos, nos ecossistemas em deterioração e na perda de biodiversidade, a Igreja é também testemunha de como as alterações climáticas estão a afetar as comunidades e populações vulneráveis, que são gravemente prejudicadas. O Papa Francisco alerta-nos para o impacto irreparável das alterações climáticas desenfreadas em muitos países em desenvolvimento do mundo. Além disso, no seu discurso às Nações Unidas, o Papa afirmou que o abuso e a destruição do meio ambiente são também acompanhados de um persistente processo de exclusão. (1)

Líderes corajosos à procura de acordos executáveis

A edificação e manutenção de uma casa comum sustentável requerem uma liderança política corajosa e imaginativa. São necessários sistemas normativos que estabeleçam com clareza determinados limites e assegurem a proteção do ecossistema (LS 53).

Há dados científicos credíveis que sugerem que as alterações climáticas aceleradas são resultado da atividade humana desenfreada, ao serviço de um modelo particular de progresso e de desenvolvimento, e que uma das causas principais reside na excessiva dependência dos combustíveis fósseis. O Papa e os Bispos católicos dos cinco continentes, sensíveis aos danos que são provocados, apelam a uma drástica redução das emissões de dióxido de carbono e outros gases tóxicos.

Unimos a nossa voz ao apelo do Santo Padre em favor de um progresso significativo em Paris, de um acordo compreensivo e de mudança apoiado por todos, com base em princípios de solidariedade, justiça e participação. Este acordo deve colocar o bem comum à frente dos interesses nacionais. É também essencial que as negociações desemboquem num acordo executável que proteja a nossa casa comum e todos os seus habitantes.

Nós, Cardeais, Patriarcas e Bispos, proferimos um apelo geral e propomos dez propostas específicas de orientação. Apelamos à COP 21 que formule um acordo internacional para limitar o aumento global da temperatura aos parâmetros atualmente sugeridos pela comunidade científica global, de modo a evitar impactos climáticos catastróficos, especialmente para os mais pobres e para as comunidades mais vulneráveis. Estamos de acordo quanto à existência de uma responsabilidade comum, mas também diferenciada, de todas as nações. Os distintos países alcançaram um estádio diverso de desenvolvimento. É imperativo que se trabalhe em conjunto em prol de um empreendimento comum.

Os nossos dez apelos:

1. ter em atenção não apenas as dimensões técnicas mas particularmente éticas e morais das alterações climáticas, como indicado no Artigo 3 da Convenção-Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas (CQNUAC).

2. aceitar que o clima e a atmosfera são bens comuns globais que a todos pertencem e a todos se destinam. (2)

3. adotar um acordo global justo, de mudança e juridicamente vinculativo, com base na nossa visão comum do mundo que reconhece a necessidade de viver em harmonia com a natureza, e que garanta que todos possam fruir dos direitos humanos, incluindo os direitos dos Povos Indígenas, das mulheres, jovens e trabalhadores.

4. impor limites estritos ao aumento global da temperatura e estabelecer um objetivo de completa descarbonização para meados do século, com vista a proteger as comunidades de primeira linha que sofrem os impactos das alterações climáticas, como aquelas das Ilhas do Pacífico e das regiões costeiras.

• assegurar que o limite de temperatura é codificado num acordo global juridicamente vinculativo, com compromissos e ações de mitigação ambiciosos por parte de todos os países, reconhecendo as suas responsabilidades comuns, mas diferenciadas, e respetivas capacidades (CBDRRC), com base em princípios de equidade, responsabilidades históricas e no direito ao desenvolvimento sustentável.

• para assegurar que as reduções das emissões dos governos estão em linha com o objetivo de descarbonização, os governos têm de desenvolver revisões periódicas dos compromissos que estabelecem e das ambições que manifestam. E, para terem sucesso, estas revisões têm também de se basear nos dados científicos e na equidade e devem ser obrigatórias.

5. desenvolver novos modelos de desenvolvimento e estilos de vida que sejam compatíveis com o clima, enfrentem as desigualdades e tirem as pessoas da pobreza. Um elemento primordial para que tal aconteça é pôr fim à era dos combustíveis fósseis, calendarizando a redução das emissões de combustíveis fósseis, incluindo as emissões militares, da aviação e da marinha, e proporcionando a todos o acesso a energias renováveis económicas, fiáveis e seguras.

6. assegurar que as pessoas possam ter acesso à água e à terra para desenvolverem sistemas alimentares resistentes às condições climatéricas e sustentáveis, que deem prioridade às soluções propostas pelas populações e não aos lucros.

7. assegurar que os mais pobres, mais vulneráveis e quantos sofrem maiores impactos possam participar em todos os níveis dos processos de tomada de decisões.

8. assegurar que o acordo de 2015 aponte para uma abordagem de adaptação que responda adequadamente às necessidades imediatas das comunidades mais vulneráveis e tenha em conta as alternativas locais.

9. reconhecer que as necessidades de adaptação dependem do sucesso das medidas de mitigação a serem tomadas. Os responsáveis pelas alterações climáticas têm a responsabilidade de apoiar os mais vulneráveis na sua adaptação, a gerirem as perdas e os danos, e devem partilhar a tecnologia e o saber-fazer necessários.

10. oferecer quadros de referência claros quanto ao modo como os países irão dar resposta à provisão de compromissos financeiros fiáveis, consistentes e adicionais, assegurando um financiamento equilibrado de ações de mitigação e necessidades de adaptação.

Tudo isto implica uma educação e uma consciência ecológica sérias (LS 202-215).

Oração pela Terra

Deus de amor, ensina-nos a cuidar deste mundo como nossa casa comum. Inspira os líderes governamentais que se reúnem em Paris para que escutem e prestem atenção ao clamor da terra e ao clamor dos pobres; para que se unam de mente e coração dando uma resposta corajosa que busque o bem comum e proteja o belo jardim terrestre que criaste para nós, para todos os nossos irmãos e irmãs, para todas as gerações vindouras. Amém.

Fonte: CNBB
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Divulgado texto-base da CF 2016

Conic apresenta texto-base da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016

O tema escolhido para a reflexão é “Casa comum, nossa responsabilidade”

O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic) publicou o texto-base da Campanha da Fraternidade Ecumênica  (CFE) de 2016,  que será realizada em parceria com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), com o objetivo de debater com a sociedade questões do saneamento básico a fim de garantir desenvolvimento, saúde integral e qualidade de vida aos cidadãos.O tema escolhido para a reflexão é “Casa comum, nossa responsabilidade” e o lema “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5.24). A proposta está em sintonia com a Encíclica do papa Francisco, “Laudato Si”.“Nesse tema e lema, duas dimensões básicas para a subsistência da vida são abarcadas a um só tempo: o cuidado com a criação e a luta pela justiça, sobretudo dos países pobres e vulneráveis. Nessa Campanha da Fraternidade Ecumênica, queremos instaurar processos de diálogos que contribuam para a reflexão crítica dos modelos de desenvolvimento que têm orientado a política e a economia”, explica a coordenação geral, representada pelo bispo da Igreja Anglicana e presidente do Conic, dom Flávio Irala, e a secretária-geral, pastora Romi Márcia Bencke.

Ainda, na apresentação do texto-base, a organização diz que a reflexão da CEF 2016 será “a partir de um problema específico que afeta o meio ambiente e a vida de todos os seres vivos, que é a fragilidade e, em alguns lugares, a ausência dos serviços de saneamento básico em nosso país”.

O texto-base está organizado em cinco partes, a partir do método ver, julgar e agir. Ao final, são apresentados os objetivos permanentes da Campanha, os temas anteriores e os gestos concretos previstos durante a Campanha 2016.

Campanha cruza fronteiras

Uma das novidades da Campanha é a parceria com a Misereor – entidade episcopal da Igreja Católica da Alemanha que trabalha na cooperação para o desenvolvimento na Ásia, África e América Latina.

Desde 1958, a Misereor contribui para fortalecer a voz dos povos do Sul, que lutam e buscam caminhos que possam conduzir ao bem-viver dos homens e mulheres. A CFE está em sintonia, também, com o Conselho Mundial das Igrejas e com o papa Francisco.

Integram a Comissão da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016: Igreja Católica Apostólica Romana, Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Igreja Presbiteriana Unida do Brasil, Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia, Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular (Ceseep), Visão Mundial, Aliança de Batistas do Brasil, Diretoria do Conic, Misereor.

CNBB com informações do Conic
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Como ler a Encíclica Laudato Si

O texto seguinte foi apresentado na Reunião das Pastorais Sociais da CNBB, de agosto. Uma grande contribuição para o debate em torno da questão ecológica. Dá uma visão de conjunto de toda a Encíclica do Papa Francisco, nos convidando a ler o Documento na íntegra. 

Chaves de leitura da “Louvado Sejas”.

Roberto Malvezzi (Gogó)
  1. Precedentes da “Louvado Sejas”.

Grande parte da humanidade acompanha e sofre com a visível decadência do ambiente que embasa a vida na face da Terra. A erosão da biodiversidade, a perda de solos agrícolas, a destruição dos mananciais de água, o aquecimento global, com todas as consequências perversas dessa depredação, já impactam milhões de pessoas ao redor do globo.

Especialistas, movimentos sociais, organizações não governamentais, igrejas e uma multidão de pessoas de “boa vontade” buscam e lutam por uma reação das autoridades e do poder econômico à altura da demanda crucial dessa “mudança de época”.

Nas bases das igrejas – sobretudo da Católica e confissões cristãs tradicionais – há décadas as pessoas estão envolvidas com essas causas fundamentais para a humanidade e a Terra.

Entretanto, não havia uma resposta convincente a partir de um centro influente e irradiador de uma boa nova.

Ao final da 5ª Semana Social Brasileira os participantes tinham uma novidade. Enviaram ao Papa Francisco uma carta pedindo que ele promovesse uma reflexão global, quem sabe um encontro das grandes religiões, cientistas e povos tradicionais, para ajudar a humanidade a se colocar diante da magnitude do desafio. Fundamentalmente, que a Igreja se manifestasse pelo cuidado com a criação que Deus nos deu.

Então, certamente com outras solicitações e premido pela realidade, o Papa lança a “Louvado Sejas”, recolhendo as reflexões, lutas socioambientais e a realidade sofrida da parcela da humanidade já envolta com essas questões.

A importância desse documento para a humanidade só o futuro dirá. Entretanto, o bem que ela já causou é incomensurável.

Falando para dentro e fora da Igreja, já despertou e aglutinou forças antes impensáveis. Com a encíclica o Papa Francisco nos dá o sinal que faltava para começar uma reação planetária à altura desses tempos assombrosos, mas também esperançosos, que agora atravessamos.

  1. Orgânica.

A “Louvado Sejas”, encíclica do Papa Francisco que tem como foco central a questão ecológica, é tributária do chamado “pensamento complexo”, isto é, aborda a realidade de forma sistêmica, orgânica, integral e integrada. Nenhuma das dimensões da realidade – ecológica, econômica, política, social, humanitária, pessoal-subjetiva, etc. – é desconsiderada. Ainda mais, são tidas como dimensões de uma mesma realidade.

Como diz o Papa Francisco, não são várias crises, mas uma só que tem múltiplas faces. Nesse sentido, é uma encíclica sem precedentes na história da Igreja.

 Guinada bíblica.

Do ponto de vista bíblico a encíclica tira o foco do ”dominai e submetei” (Gen. 1,28) para o “cultivar e guardar”(Gen. 2,15). Essa guinada bíblica pode parecer secundária, mas é fundamental. Qualquer cristão envolto com a questão ecológica sabe que nos movimentos ambientalistas sempre houve a acusação que o mundo judaico-cristão é o responsável por formar essa mentalidade que toda criação está sujeita ao ser humano para que ele dela disponha como quiser. A coisificação da natureza teria como base essa visão religiosa do mundo.

Essa afirmação é verdadeira apenas em parte. Não se pode esquecer que a “idade da razão iluminada”, sobretudo a partir do Renascimento, tendo como dois de seus pilares Descartes e Francis Bacon, vai colocar a racionalidade humana, como absoluta e dominadora da natureza.

Portanto, a ênfase no cultivar e guardar muda os parâmetros do pensamento bíblico-teológico. Afinal o cultivar é a eco-nomia, e o guardar é a eco-logia. Essas irmãs siamesas terão que se equilibrar para que as bases da vida continuem, permitindo assim que o ser humano também possa continuar na face da Terra.

Essa postura é a superação do antropocentrismo. Que biblicamente o ser humano é diferente dos demais seres da criação não resta dúvidas. Afinal, é o único feito à imagem e semelhança de Deus. Mas, com a tarefa de cuidar da criação, de nominá-la, não de destruí-la.

O documento não avança sobre o tema da “aliança”. Mas, é apenas questão de tempo. No futuro essa dimensão da aliança com toda a criação, não apenas com o ser humano, terá que ser incluída nessa reflexão, já a partir do Antigo Testamento, não apenas a partir de Paulo em Rom. 8, 19-23.

Quando Noé sai da arca com seus familiares e animais, Deus diz que vai fazer uma aliança com eles: “De minha parte vou estabelecer minha aliança convosco e com vossa descendência, com todos os seres vivos que estão convosco, por todas as gerações futuras. Ponho meu arco nas nuvens, como sinal de aliança entre mim e a terra. Quando eu cobrir de nuvens a terra, aparecerá o arco-íris nas nuvens. Então me lembrarei de minha aliança convosco e com todas as espécies de seres vivos, e as águas não se tornarão mais um dilúvio para destruir toda carne. Quando o arco-íris estiver nas nuvens, eu o contemplarei como recordação da aliança eterna entre Deus e todas as espécies de seres vivos sobre a terra. Deus disse a Noé: este é o sinal da aliança que estabeleço entre mim e toda a carne sobre a terra” (Gen. 9, 8-17).

A insistência repetitiva do Criador é que a aliança é com “toda a carne”. Inclui, mas ultrapassa o ser humano. Portanto, com toda a criação.

Finalmente, o Papa vai insistir que cada criatura vale em si mesma, não pelo valor utilitário que possa ter ao ser humano.

Assim, o ser humano passa a ser entendido como um ser que é natureza, que dela depende, mas que pode ser o seu coração, a sua inteligência, com a finalidade – mais uma vez – de a cultivar e guardar.

  1. Guinada teológica.

Sutilmente o Papa vai citar dois teólogos marginais dentro da história da Igreja: Duns Scoto (n. 11) e Teilhard de Chardin (n. 83, rodapé). As referências explícitas são mínimas – nominalmente outros são mais citados -, mas o espírito da encíclica está eivado do começo ao fim por essas teologias.

A teologia de Duns Scoto é a expressão máxima da teologia franciscana. Observando Francisco, sendo seu discípulo, Duns Scoto vai desenvolver sua teologia no primado do amor, não do pecado. Como tal, a valorização de toda a criação com todas as suas criaturas.

Sua afirmação central é que “Jesus viria mesmo sem o pecado humano”. Por detrás dessa afirmação está a ideia central que o prólogo do evangelho de João vai sintetizar, como Ele sendo o Alfa e o Ômega, princípio, meio e fim de toda criação. Ele é a ponte entre o Criador e a criação – sentido mais profundo de sacerdote -, ao mesmo tempo que eleva a humanidade à condição divina, Nele Deus se faz ser humano para sempre.

Quando acena a Teilhard de Chardin, na verdade legitima sua especulação da grande síntese, do projeto único que vai da criação à plenitude dos tempos, o “pleroma”. Enfim, não há dois projetos, não há duas cidades, mas um projeto único em processo que chegará à sua plenitude. É a superação do dualismo das “duas cidades” de Santo Agostinho.

Além do mais, o cristianismo do Papa Francisco é libertário, encarnado e tem como ponto de partida os mais pobres, entre eles a Mãe Terra.

  1. Guinada eclesiológica.

A guinada eclesiológica de Francisco já estava clara na encíclica “Evangelho da Alegria”, lançada pouco antes da “Louvado Sejas”.

Essa guinada eclesiológica retirou a Igreja da posição defensiva na qual andava, voltada para si mesma, tendo que defender-se de escândalos de várias ordens, muitas vezes frequentando páginas policiais, para uma agenda positiva da Igreja nesse século XXI.

Francisco vai insistir na Igreja servidora, que seja falha, que seja enlameada, mas a serviço da humanidade. Vai retomar a centralidade da misericórdia, não da condenação.

Agora, na “Louvado Sejas”, a Igreja sonhada por Francisco inclui a dimensão ecológica como expressão do cuidado. A Igreja, então, como servidora da humanidade e da criação.

  1. Leitura de época:

Com esses elementos ele insere a Igreja nos grandes desafios socioambientais do século XXI. Mais ainda, fala para dentro da Igreja e à toda a humanidade. Melhor ainda, é ouvido e respeitado por cientistas, autoridades, movimentos sociais, organizações não governamentais e autoridades ao redor do mundo. Passa a ser um grande líder da humanidade nesse momento da história, de transição de época. Torna-se um homem à altura de seu tempo e de seus desafios.

  1. Guinada na linguagem.

A linguagem do Papa em suas encíclicas é coloquial e pastoral, mas sem descurar da teologia e da espiritualidade.

No lançamento da “Louvado Sejas” em Brasília, uma pessoa da plateia fez – em outras palavras – a seguinte observação: “acho que fiquei mais inteligente esses dias. Eu lia os documentos da Igreja e nada entendia. Li a “Louvado Sejas” e acho que entendi tudo que o Papa quis dizer”.

Todos sabem que a experiência pastoral acumulada por Francisco é fundamental no seu comportamento como Papa, mas também no seu modo de falar e escrever.

Seus textos são belos, vivenciais, carregados de vitalidade e até poéticos, sem perder profecia e contundência. Só pela linguagem, seus documentos já são diferentes de todos os demais, parecem com os próprios evangelhos, diferentes da linguagem mais conceitual e abstrata dos documentos oficiais da Igreja.

  1. Metodologia: Ver, Julgar, Agir, Celebrar

A encíclica segue a metodologia do Ver, Julgar e Agir, porém, acrescenta a dimensão celebrativa. Além do mais, seu ver não é puramente sociológico, mas já traz consigo um “olhar bíblico-teológico”, isto é, tenta ver a realidade com os “olhos de Deus”. Portanto, um ver posicionado. E para Francisco o olhar de Deus tem lugar e preferência, isto é, os mais pobres, excluídos, marginalizados em todas as suas periferias, como a econômica, política, social e existencial.

  1. Documento de longo prazo.

Esse é um documento pioneiro cujo espírito vai perdurar por muito tempo. Claro que terá que sofrer adaptações conforme as circunstâncias forem mudando, mas seu espírito fundamental vai permanecer.

Teremos, sim, que responder às urgências de nosso tempo, mas esse é um documento que estará com os cristãos e a humanidade enquanto perdurar essa mudança de época.

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Hoje é o Dia Mundial de Oração pela Criação

Papa institui o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação

Uma imagem de satélite da Terra de 4 de agosto – EPA
Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco enviou uma carta ao Cardeal Peter Kodwo Appiah Turkson, Presidente do Pontifício Conselho da Justiça e da Paz e ao Cardeal Kurt Koch, Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, na qual afirma que, compartilhando com o amado irmão o Patriarca Ecumênico Bartolomeu as preocupações pelo futuro da criação e, acolhendo a sugestão de seu representante, o Metropolita Ioannisde Pérgamo, que se pronunciou na apresentação da Encíclica Laudato Si sobre o cuidado da casa comum, decidiu instituir também na Igreja Católica o “Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação” que, a partir do ano corrente será celebrado em 1° de setembro – assim como já ocorre há tempos na Igreja Ortodoxa.
Motivação
Como cristãos, – escreve o Papa – queremos oferecer a nossa contribuição à superação da crise ecológica que a humanidade está vivendo. Por isto devemos, antes de tudo, buscar no nosso rico patrimônio espiritual as motivações que alimentam a paixão pelo cuidado da criação, recordando sempre que para os que creem em Jesus Cristo, Verbo de Deus que se fez homem por nós, «a espiritualidade não está desligada do próprio corpo nem da natureza ou das realidades deste mundo, mas vive com elas e nelas, em comunhão com tudo o que nos rodeia» (ibid., 216).A crise ecológica – reafirma Francisco – nos chama, portanto, a uma profunda conversão espiritual: os cristãos são chamados a uma «conversão ecológica, que comporta deixar emergir, nas relações com o mundo que os rodeia, todas as consequências do encontro com Jesus» (ibid., 217). De fato «Viver a vocação de guardiões da obra de Deus não é algo de opcional nem um aspecto secundário da experiência cristã, mas parte essencial duma existência virtuosa» (ibid).

Protetores

O Santo Padre destaca em seguida que o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, que será celebrado todos os anos, oferecerá aos fieis individualmente e às comunidades a preciosa oportunidade de renovar a pessoal adesão à própria vocação de custódios da criação, elevando a Deus o agradecimento pela obra maravilhosa que Ele confiou ao nosso cuidado, invocando a sua ajuda para a proteção da criação e a sua misericórdia pelos pecados cometidos contra o mundo em que vivemos. A celebração do Dia, na mesma data, com a Igreja Ortodoxa, será uma ocasião profícua para testemunhar a nossa crescente comunhão com os irmãos ortodoxos.

O Papa Francisco recorda que vivemos em um tempo em que todos os cristãos enfrentam idênticos e importantes desafios, aos quais, para resultar mais críveis e eficazes, devemos dar respostas comuns. Por isto, é seu desejo que tal Dia possa envolver, em qualquer modo, também outras Igrejas e Comunidades eclesiais e ser celebrado em sintonia com as iniciativas que o Conselho Mundial de Igrejas promove sobre este tema.

Tarefas

Ao Cardeal Turkson, Presidente do Pontifício Conselho da Justiça e da Paz, o Santo Padre pede para levar ao conhecimento das Comissões Justiça e Paz das Conferências Episcopais, bem como dos Organismos nacionais e internacionais comprometidos no âmbito ecológico, a instituição do Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, para que, em harmonia com as exigências e as situações locais, a celebração seja devidamente organizada com a participação de todo o Povo de Deus: sacerdotes, religiosos, religiosas e fieis leigos. Para este objetivo, será de responsabilidade deste Dicastério, em colaboração com as Conferências Episcopais, implementar oportunas iniciativas de promoção e de animação, para que esta celebração anual seja um momento forte de oração, reflexão, conversão e uma oportunidade para assumir estilos de vida coerentes.

Já ao Cardeal Koch, Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, pede para realizar os contatos necessários com o Patriarcado Ecumênico e com as outras realidades ecumênicas, para que tal Dia Mundial possa tornar-se sinal de um caminho percorrido conjuntamente por todos os que creem em Cristo. Será responsabilidade, além disto, deste Dicastério, cuidar da coordenação com iniciativas similares tomadas pelo Conselho Mundial de Igrejas.

Enquanto faz votos da mais ampla colaboração para o bom início e desenvolvimento do Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, o Papa Francisco invoca a intercessão da Mãe de Deus, Maria Santíssima, e de São Francisco de Assis, cujo Cântico das Criaturas inspira tantos homens e mulheres de boa vontade a viver no louvor do Criador e no respeito pela criação. (SP)

Fonte: Rádio Vaticano
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Orações do Papa para proteger a criação

Duas poderosas orações do Papa Francisco pela proteção do planeta

A encíclica Laudato si, do Papa Francisco, termina com duas orações: uma oferecida para ser compartilhada com todos os que creem em “um Deus criador onipotente”, e a outra proposta aos que professam a fé em Jesus Cristo.

O Papa apresenta as orações assim: “Depois desta longa reflexão, jubilosa e ao mesmo tempo dramática, proponho duas orações: uma que podemos partilhar todos quantos acreditam num Deus Criador Onipotente, e outra pedindo que nós, cristãos, saibamos assumir os compromissos para com a criação que o Evangelho de Jesus nos propõe” (n. 246).

ORAÇÃO PELA NOSSA TERRA

Deus Onipotente,
que estais presente em todo o universo
e na mais pequenina das vossas criaturas,
Vós que envolveis com a vossa ternura
tudo o que existe,
derramai em nós a força do vosso amor
para cuidarmos da vida e da beleza.
Inundai-nos de paz,
para que vivamos como irmãos e irmãs
sem prejudicar ninguém.
Ó Deus dos pobres,
ajudai-nos a resgatar
os abandonados e esquecidos desta terra
que valem tanto aos vossos olhos.
Curai a nossa vida,
para que protejamos o mundo
e não o depredemos,
para que semeemos beleza
e não poluição nem destruição.
Tocai os corações
daqueles que buscam apenas benefícios
à custa dos pobres e da terra.
Ensinai-nos a descobrir o valor de cada coisa,
a contemplar com encanto,
a reconhecer que estamos profundamente unidos
com todas as criaturas
no nosso caminho para a vossa luz infinita.
Obrigado porque estais conosco todos os dias.
Sustentai-nos, por favor, na nossa luta
pela justiça, o amor e a paz.

ORAÇÃO CRISTÃ COM A CRIAÇÃO

Nós Vos louvamos, Pai,
com todas as vossas criaturas,
que saíram da vossa mão poderosa.
São vossas e estão repletas da vossa presença
e da vossa ternura.
Louvado sejais!
Filho de Deus, Jesus,
por Vós foram criadas todas as coisas.
Fostes formado no seio materno de Maria,
fizestes-Vos parte desta terra,
e contemplastes este mundo
com olhos humanos.
Hoje estais vivo em cada criatura
com a vossa glória de ressuscitado.
Louvado sejais!
Espírito Santo, que, com a vossa luz,
guiais este mundo para o amor do Pai
e acompanhais o gemido da criação,
Vós viveis também nos nossos corações
a fim de nos impelir para o bem.
Louvado sejais!
Senhor Deus, Uno e Trino,
comunidade estupenda de amor infinito,
ensinai-nos a contemplar-Vos
na beleza do universo,
onde tudo nos fala de Vós.
Despertai o nosso louvor e a nossa gratidão
por cada ser que criastes.
Dai-nos a graça de nos sentirmos
intimamente unidos
a tudo o que existe.
Deus de amor,
mostrai-nos o nosso lugar neste mundo
como instrumentos do vosso carinho
por todos os seres desta terra,
porque nem um deles sequer
é esquecido por Vós.
Iluminai os donos do poder e do dinheiro
para que não caiam no pecado da indiferença,
amem o bem comum, promovam os fracos,
e cuidem deste mundo que habitamos.
Os pobres e a terra estão bradando:

Fonte: Aleteia

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