Papa Francisco e meio ambiente



Como cuidar do meio ambiente

DEZ CONSELHOS DO PAPA FRANCISCO PARA CUIDAR DO MEIO AMBIENTE

As Igrejas que formam o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs se uniram para celebrar a Campanha da Fraternidade sobre a Nossa Casa Comum.
Tema da Campanha: “Casa comum, nossa responsabilidade” e o lema: “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5, 24).

Foto de Olmes Milani.
O Papa Francisco, após a promulgação da Encíclica Laudato si´ em que nos convida a uma “conversão ecológica”, estabeleceu o dia 1 de setembro como Jornada Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação. A data já é celebrada na Igreja Ortodoxa e o Papa decidiu inclui-la na Igreja Católica para consciencializar e rezar pelo cuidado do planeta.
Na sua última encíclica o Papa recorda-nos que “merecem uma gratidão especial aqueles que lutam com vigor para resolver as consequências dramáticas da degradação ambiental nas vidas dos mais pobres do mundo” e, continua, “os jovens reclamam de nós uma mudança. Eles perguntam-se como é possível que se pretenda construir um futuro melhor sem pensar na crise do ambiente e nos sofrimentos dos excluídos”.
A Jornada celebrar-se-á anualmente, e Francisco procura que todos possamos “renovar a adesão pessoal à própria vocação de guardas da criação”. Com a escolha desta data, reforça-se também a “crescente comunhão” com a Igreja Ortodoxa.
Partilhamos alguns conselhos concretos com que o Santo Padre nos alenta a colaborar para proteger e construir a nossa casa comum, pequenas ações que derramam um bem na sociedade “para além do que se possa constatar, porque provocam no seio desta terra um bem que sempre tende a difundir-se, por vezes invisivelmente”.

Aquecimento: aconselhou-nos a agasalharmo-nos mais e evitar ligá-lo.
Evitar o uso de material plástico e de papel.
Reduzir o consumo de água.
Separar os resíduos.
Cozinhar apenas o que razoavelmente se poderá comer.
Tratar com cuidado os outros seres vivos.
Utilizar transporte público ou partilhar um mesmo veículo entre várias pessoas.
Plantar árvores.
Apagar as luzes desnecessárias.
Dar graças a Deus antes e depois das refeições.

Ao terminar a Encíclica, o Papa Francisco propôs duas orações, “duas orações, uma que possamos partilhar todos os que acreditam num Deus criador omnipotente, e outra para que os cristãos saibam assumir os compromissos com a criação que coloca o Evangelho de Jesus”:
Algumas reflexões sobre o cuidado do Meio Ambiente que o Papa Francisco nos propõe na Laudato si´

1.São Francisco de Assis “Manifestou uma atenção particular pela criação de Deus e pelos mais pobres e abandonados. Amava e era amado pela sua alegria, a sua dedicação generosa, o seu coração universal. (…) Nele se nota até que ponto são inseparáveis a preocupação pela natureza, a justiça para com os pobres, o empenhamento na sociedade e a paz interior”. (10)

2.“ Todos podemos colaborar, como instrumentos de Deus, no cuidado da criação, cada um a partir da sua cultura, experiência, iniciativas e capacidades.” (14)

3.“ Este mundo tem uma grave dívida social para com os pobres que não têm acesso a água potável, porque isso é negar-lhes o direito à vida radicado na sua dignidade inalienável. Essa dívida é parcialmente saldada com maiores contribuições económicas para prover de água de limpa e saneamento os povos mais pobres.” (30)

4.“ Mas hoje, não podemos deixar de reconhecer que uma verdadeira abordagem ecológica sempre se torna uma abordagem social, que deve integrar a justiça nos debates sobre o meio ambiente, para ouvir tanto o clamor da terra como o clamor dos pobres.” (49)

5.“ É preciso revigorar a consciência de que somos uma única família humana. Não há fronteiras nem barreiras políticas ou sociais que permitam isolar-nos e, por isso mesmo, também não há espaço para a globalização da indiferença.” (52)

6.“Os jovens têm uma nova sensibilidade ecológica e um espírito generoso, e alguns deles lutam admiravelmente pela defesa do meio ambiente, mas cresceram num contexto de altíssimo consumo e bem-estar que torna difícil a maturação doutros hábitos. Por isso, estamos perante um desafio educativo.” (209)

7.“É muito nobre assumir o dever de cuidar da criação com pequenas ações diárias, e é maravilhoso que a educação seja capaz de motivar para elas até dar forma a um estilo de vida.” (211)

8.“ Na família, cultivam-se os primeiros hábitos de amor e cuidado da vida como, por exemplo, o uso correto das coisas, a ordem e a limpeza, o respeito pelo ecossistema local e a proteção de todas as criaturas.” (213)

9.“ Esta mesma gratuidade leva-nos a amar e aceitar o vento, o sol ou as nuvens, embora não se submetam ao nosso controle. Assim podemos falar duma fraternidade universal” (228)

10. “É necessário voltar a sentir que precisamos uns dos outros, que temos uma responsabilidade para com os outros e o mundo, que vale a pena ser bons e honestos.” (229)

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O debate sobre ecologia na nova Encíclica papal

‘Laudato si’: Francisco levanta a questão e entra no debate

Francisco dedicará uma Encíclica a temas ecológicos, à luz da fé – AFP

Cidade do Vaticano (RV) – Na expectativa da publicação, na próxima quinta-feira, 18 de junho, da Encíclica do Papa Francisco Laudato Si, a Revista dos Jesuítas, Civiltà Cattolica, publica na sua última edição, vários artigos sobre a preocupação da Igreja em relação à ecologia. Nossa colega Crsitiane Murray fez uma síntese do editorial da revista dedicado ao tema:

– Como a Igreja tem entendido, nos últimos 50 anos, a preocupação ecológica e o tema do meio ambiente? Qual é a mensagem do Magistério petrino sobre este tema que tem se imposto mais e mais e que está prestes a se tornar, com a Encíclica do Papa Francisco, um capítulo significativo da Doutrina Social da Igreja?

“A exploração irracional da natureza não só prejudica gravemente o meio ambiente, mas também representa um grave problema social e humano”: esta mensagem básica de Paulo VI, que permaneceu praticamente despercebida durante décadas por líderes econômicos e políticos, é hoje repetida e enfatizada.

Entre os anos 70 e início dos 90, em muitas sociedades, a consciência de ameaças ecológicas aumentou de forma consistente e progressiva. São JPII começou a falar sobre as consequências do crescimento industrial, das enormes concentrações urbanas e do aumento significativo no consumo de energia. Citando ecologia ambiental e ecologia humana em sua encíclica Sollicitudo rei socialis (1987), especificou as raízes bíblicas da questão ecológica.

Em janeiro de 1990, escreveu a Mensagem para o Dia Mundial da Paz centrada no tema ‘Paz com Deus Criador. Paz com toda a Criação’. Antes que se tornassem termos comuns, aquele texto já mencionava questões como aquecimento global e os efeitos da mudança climática. Ecologia e justiça começaram a ser questões inseparáveis.

Um novo passo foi dado na Encíclica Centesimus Annus (1991). João Paulo II relacionou a questão ecológica ao problema do consumismo e ao que ele definiu como um “erro antropológico”: “O homem, seu desejo de ter e desfrutar, ao invés de ser e crescer, consome de forma excessiva e desordenada os recursos da terra e sua própria vida”.

Desde a Mensagem ‘Paz com Deus Criador, Paz com toda a Criação’ de 1990, até hoje, esta discussão se arrasta há 25 anos. Naturalmente, as questões em jogo são complexas: em primeiro lugar, nos campos científico e político e, depois, econômico e comercial.

Em 2005 chega Bento XVI e 2007, na mensagem para o Dia Mundial da Paz, retoma e consolida o trinômio inseparável “ecologia da natureza”, “ecologia humana” e “ecologia social”. Ali, o destaque vai para o fato de que em algumas regiões do planeta o desenvolvimento era em parte freado por causa do aumento dos preços da energia. O Papa questionava: “O que vai acontecer com essas pessoas? Que tipo de desenvolvimento ou de não-desenvolvimento será imposto sobre elas pela escassez de reabastecimento energético? Que injustiças e antagonismos a corrida às fontes de energia provocará? E como estes povos vão reagir excluídos desta corrida?”.

Certamente, a encíclica Caritas in Veritate (2009) foi um marco do seu pensamento “verde”, reunindo os contextos ecológico, jurídico, econômico, político e cultural.

Francisco: salvaguarda e integração

De dois anos para cá, desde o início de seu pontificado, o Papa Francisco acrescentou sua voz no debate mais recente do mundo. Com linguagem eficaz e direta, não hesitou em  afirmar que “é o homem que maltrata a natureza, continuamente. De certo modo nos apropriamos da natureza, da irmã terra, da mãe terra. Lembro-me daquilo que um velho agricultor me disse uma vez: “Deus perdoa sempre, nós – os homens – algumas vezes, a natureza nunca». Se a maltratar, ela vai te maltratar” (Coletiva de Imprensa em voo para Manila durante a sua viagem apostólica ao Sri Lanka e Filipinas, 15 de janeiro de 2015).
Um conceito-chave de Francisco, repetido várias vezes desde a missa inaugural do seu ministério, é a  ‘tutela’ da terra, em referência ao “Seja!” criativo de Deus, por um lado, e o louvor à Criação de Francisco de Assis, por outro.

Papa Francisco retomou estas primeiras palavras como Papa na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, “Nós, os seres humanos, não somos meramente beneficiários, mas guardiões das outras criaturas. Não deixemos que, à nossa passagem, fiquem sinais de destruição e de morte que afetem a nossa vida e a das gerações futuras” (EG 215).

Preocupação ambiental como dimensão da fé

O Papa Francisco levanta questões e entra no debate. Esperamos que aceitando o desafio em termos de fé e de decisões operacionais, as pessoas sejam gratas pela coragem de um líder mundial de chamar todos para um futuro mais sustentável e inclusivo.

A preocupação com a ecologia humana e ambiental mostra uma dimensão fundamental da fé como é vivida hoje, para a salvação do homem e a construção da vida social. É portanto parte da doutrina social da Igreja. É por isso que hoje, é hora de termos toda uma carta encíclica – e não apenas alguns parágrafos – sobre o tema ecológico.

2015 é um ano crucial para a humanidade. Em julho, os países vão se reunir para a Terceira Conferência Internacional sobre o FINANCIAMENTO do Desenvolvimento, em Adis Abeba. Em setembro, a Assembleia Geral das Nações Unidas deve encontrar um acordo sobre um novo conjunto de objetivos de desenvolvimento sustentável, para colocar em prática até 2030. Em dezembro, a Conferência sobre Mudanças Climáticas, em Paris decidirá os planos e os compromissos de cada governo para retardar ou reduzir o aquecimento global.

Em busca das implicações ecológicas da nossa fé

Nunca antes na história, o Santo Padre e a Igreja foram um fator tão relevante em um processo tão global. É verdade que hoje, “a Religião – como disse o Patriarca Bartolomeu entrevistado pela Civiltà Cattolica – é provavelmente a força mais penetrante e poderosa da Terra. Na verdade, a fé não só desempenha um papel fundamental na vida pessoal de cada um de nós, mas tem também um papel vital como força de mobilização social e institucional”.

O Pontífice hoje enfrenta este desafio reconhecendo adequadamente a abordagem científica sobre as alterações climáticas, suas causas e consequências e os remédios necessários. O líder da principal religião do mundo conta com a sua fé, com o ensinamento da Igreja, e as melhores informações e os melhores conselhos disponíveis, demostrando que é nossa tarefa de recolher e analisar informações, julgar, tomar decisões, agir. É uma responsabilidade moral séria, à qual não se pode subtrair. A falta de resposta seria um pecado de omissão.

Fonte: Civilta Cattólica
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Encíclica do Papa Francisco sobre Meio Ambiente na Íntrega

Baixe a íntegra da Encíclica do Papa sobre o cuidado com a criação

Faça download da nova Encíclica do Papa Francisco. Que tipo de mundo queremos deixar a quem vai suceder-nos, às crianças que estão a crescer?” Esta é a questão principal de Laudato si’

O nome foi inspirado na invocação de São Francisco de Assis “Louvado sejas, meu Senhor”, que no Cântico das Criaturas recorda que a terra “se pode comparar ora a uma irmã, com quem partilhamos a existência, ora a uma mãe, que nos acolhe nos seus braços”. Agora, esta terra maltratada e saqueada se lamenta e os seus gemidos se unem aos de todos os abandonados do mundo.

No decorrer de seis capítulos, o Papa convida a ouvir esses gemidos, exortando todos a uma “conversão ecológica”, a “mudar de rumo”, assumindo a responsabilidade de um compromisso para o “cuidado da casa comum”.

O Pontífice se dirige certamente aos católicos, aos cristãos de outras confissões, mas não só: quer entrar em diálogo com todos, como instrumento para enfrentar e resolver os problemas.

Clique aqui para baixar a encílcica

 

Fonte: Aletéia

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Louvado Seja é o título da primeira encíclica do Papa Francisco

 

Encíclica do Papa receberá o nome ‘Laudato sii’

Encíclica do Papa receberá o nome ‘Laudato sii’

Frase de São Francisco significa “Louvado seja” em Latim

A primeira encíclica exclusiva do papa Francisco, que tratará de meio ambiente e desnutrição, deverá ter como título a frase “Laudato sii” (“Louvado seja”, em português).

“Laudato sii” é a frase inicial do Cântico das Criaturas, de São Francisco de Assis, tido como o texto mais antigo da literatura italiana. Vale lembrar que o santo patrono dos animais e do meio ambiente serviu de inspiração para Jorge Bergoglio escolher seu nome de Pontífice.

O Papa trabalhou durante meses na encíclica, que deve ser divulgada em junho, e chegou até a pedir ajuda ao teólogo brasileiro Leonardo Boff, que enviara a ele dois pacotes de materiais sobre o seu tema.

Esse será o primeiro documento do tipo – considerado o mais importante texto escrito pelo líder da Igreja Católica – feito inteiramente por Francisco. A encíclica “Lumen Fidei”, publicada em junho de 2013, havia sido iniciada por Bento XVI e foi finalizada pelo argentino.

Fonte: Catholicus
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