Quaresma



Quarta-feira de Cinzas

11 coisas que todo católico deve saber sobre a Quarta-feira de Cinzas

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O que é pecado?

Uma reflexão para a Quaresma: o que é, afinal de contas, o pecado?

E como é que Deus, que é Deus, pode ser ofendido por um mísero ser humano pecador?

conversão e afetividade

kstudio7/SHUTTERSTOCK

 Estamos na Quaresma. Embora o cuidado da vida de graça seja crucial em cada instante da vida, a Quaresma é um período litúrgico particularmente oportuno para revisarmos com mais profundidade a nossa vida de graça e de união com Cristo.

Para isto, é preciso revisar a nossa relação com o pecado.

Comecemos com a reflexão mais óbvia – e, por isso mesmo, tantas vezes descuidada: o que é o pecado?

O conceito de pecado é bastante simples: basicamente, o pecado é um ato de egoísmo exagerado. Pecado é preferir a si mesmo e antepor-se a Deus e aos outros, cedendo às paixões desordenadas que nos colocam no centro da nossa própria existência e negando a nossa natureza que só se completa quando se abre plenamente ao próximo e a Deus.

O pecado é a recusa a instaurar com Deus e com os outros uma relação de amor.

O pecado é um “converter-se às criaturas” e “rejeitar o Criador”.

Em geral, o pecador só deseja os prazeres proporcionados pelas criaturas; ele não necessariamente quer rejeitar o Criador. No entanto, ao se deixar seduzir por satisfações fugazes proporcionadas pelas criaturas, o pecador sabe, implicitamente, que está agindo contra o amor do Criador: ele sente que o prazer terreno não o preenche, mas, mesmo assim, não resiste a ele. É por isso que o pecado fere o próprio pecador, afastando-o da plenitude oferecida por Deus.

E é por isso que o pecado ofende a Deus: não porque Deus, como tal, seja diminuído, mas porque nós próprios, ao pecar, nos diminuímos diante da grandeza que Ele nos oferece.

Para Jesus, o pecado nasce no interior do homem (cf. Mt 15, 10-20). É por isso que é necessária a transformação interior, do coração. Para Jesus, o pecado é uma escravidão: o homem se deixa ficar em poder do maligno, valorizando falsamente as coisas deste mundo, deixando-se arrastar pelo imediato, por satisfações sensíveis que não saciam a nossa sede de amor e de plenitude.

Fonte: Aleteia
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Coisas sobre Quarta-feira de Cinzas

Onze coisas que todo católico deve saber sobre a Quarta-feira de Cinzas

Por Diego López Marina

Foto ACI Prensa (imagem referencial)
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Propósitos para uma boa Quaresma

Converter para melhor viver e servir

Quaresma é tempo de deserto para um especial encontro com Deus. É Ele quem o ajuda a olhar para si mesmo, para o próprio coração, e perceber o que precisa mudar em sua vida. Quaresma é tempo de conversão, de reconstrução, de deixar-se salvar. “Assim, celebremos a festa (da Ressurreição) não com o velho fermento, nem com o fermento da maldade ou de iniquidade, mas os pães ázimos da sinceridade e da verdade” (1Cor 5,8).

10 Propósitos para uma frutuosa vivência quaresmal

1 Coma menos e partilhe. Jegue pelo menos uma refeição por semana ou, durante toda a Quaresma, algum tipo de alimento ou bebida, como penitência para a própria purificação e conversão. Ofereça o valor do que foi jejuado na “Coleta da Solidariedade ” (Missa Domingo de Ramos).

2 Coma mais e partilhe. Participe dos Grupos Bíblicos de Reflexão. Se alimente da Palavra, partilhe, e reze com seus amigos e vizinhos.

3 Sobremesa boa.Intensifique a vida de oração, reservando ao menos 15 minutos de diálogo com Deus por dia.

4 Bíblia diária.Leia 1 capítulo da Bíblia por dia. Sugerimos os livros: Juízes(AT), Romanos e Efésios (NT). A leitura dos três será concluída antes da Páscoa.

5  Se ligue no mundo. Acompanhe mais a política nacional, estadual e municipal, e com coragem manisfeste indignação e repúdio ás mazelas dos nossos governantes e de seus colaboradores.

6 Desconecte do virtual. Renuncie por toda a Quaresma, ou ao menos um dia por semana, o uso da internet, ou somente o Facebook, do Whatsapp, do celular, e priorize visitar amigos, mais tempo de convivência e diálogo com a família, ou a leitura de um bom livro.

7 Leve conforto a alegria. Visite em casa, ou no hospital, pessoas idosas e enfermas.

8 Cuide do que é de todos. Economize água e energia em solidariedade á natureza e aos irmãos de outros estados, que padecem pela falta deste precioso bem.

9 Combata noite e dia.Elimine pelo menos um mal costume ou vício: impaciência, palavrões, cigarros, bebidas, preconceitos, julgamentos, fofocas, indiferença e outros.

10 Peça perdão.  Partilhe das Santas Missas, das confissões que acontecerão em regime de mutirão em nossas paróquias,  e também das celebrações penitenciais,da via-sacra  ás sextas-feiras

Oração para alcançar o propósito quaresma

 Damos-te graças, Senhor,  porque sempre és grande conosco.  Nesses dias chama-nos para que  reconheçamos a nossa realidade   e voltemos aos caminhos da paz.

Confessamos, Senhor, que, como crianças pequenas, queremos viver de desejos à nossa  medida e caminhar caminhos que  não são os teus caminhos.  Tu, Deus de bondade, gritas e vens ao nosso   encontro para que mudemos o rumo. Damos-te graça, Senhor, Deus santo, fonte de toda  santidade, que queres que sejamos santos.

Damos-te graça, Senhor, Deus santo, por teus contínuos convites para que sejamos santo como Tu és santo.

Nessa quaresma da-nos a graça  de seguir o caminho de teu filho Jesus, que vive e  reina pelos séculos dos séculos. Amém!

Fonte: Paróquia  Nossa Senhora Auxiliadora de Londrina.
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Tempo de Quaresma

Quaresma, tempo de conversão 

Quaresma os 40 dias de jejum e penitência que precedem à festa da Páscoa. Essa preparação existe desde o tempo dos Apóstolos, que limitaram sua duração a 40 dias , em memória do jejum de Jesus Cristo no deserto. Durante esse tempo a Igreja veste seus ministros com paramentos de cor roxa e suprime os cânticos de alegria: O “Glória”, o “Aleluia” e o “Te Deum”.

Na Quaresma, que começa na quarta-feira de cinzas e termina na quarta-feira da Semana Santa, os católicos realizam a preparação para a Páscoa. 

O período é reservado para a reflexão, a conversão espiritual. Ou seja, o católico deve se aproximar de Deus visando o crescimento espiritual. Nesse tempo santo, a Igreja católica propõe, por meio do Evangelho proclamado na quarta-feira de cinzas, três grandes linhas de ação: a oração, a penitência e a caridade.

Essencialmente, o período é um retiro espiritual voltado à reflexão, onde os cristãos se recolhem em oração e penitência para preparar o espírito para a acolhida do Cristo Vivo, Ressuscitado no Domingo de Páscoa.

Assim, retomando questões espirituais, simbolicamente o cristão está renascendo, como Cristo.

Por que a cor roxa?

A cor litúrgica deste tempo é o roxo que simboliza a penitênica e a contrição. Usa-se no tempo da Quaresma e do Advento.

Nesta época do ano, os campos se enfeitam de flores roxas e róseas das quaresmeiras. Antigamente, era costume cobrir também de roxo as imagens nas igrejas. Na nossa cultura, o roxo lembra tristeza e dor. Isto porque na Quaresma celebramos a Paixão de Cristo: na Via-Sacra contemplamos Jesus a caminho do Calvário

Qual o significado destes 40 dias?

Na Bíblia, o número quatro simboliza o universo material. Os zeros que o seguem significam o tempo de nossa vida na terra, suas provações e dificuldades. Portanto, a duração da Quaresma está baseada no símbolo deste número na Bíblia. Nela, é relatada as passagens dos quarenta dias do dilúvio, dos quarenta anos de peregrinação do povo judeu pelo deserto, dos quarenta dias de Moisés e de Elias na montanha, dos quarenta dias que Jesus passou no deserto antes de começar sua vida pública, dos 400 anos que durou a estada dos judeus no Egito, entre outras. Esses períodos vêm sempre antes de fatos importantes e se relacionam com a necessidade de ir criando um clima adequado e dirigindo o coração para algo que vai acontecer.

O Jejum

A igreja propõe o jejum principalmente como forma de sacrifício, mas também como uma maneira de educar-se, de ir percebendo que, o que o ser humano mais necessita é de Deus. Desta forma se justifica as demais abstinências, elas têm a mesma função. Oficialmente, o jejum deve ser feito pelos cristãos batizados, na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa.

Pela lei da igreja, o jejum é obrigatório nesses dois dias para pessoas entre 18 e 60 anos. Porém, podem ser substituídos por outros dias na medida da necessidade individual de cada fiel, e também praticados por crianças e idosos de acordo com suas disponibilidades.

O jejum, assim como todas as penitências, é visto pela igreja como uma forma de educação no sentido de se privar de algo e reverte-lo em serviços de amor, em práticas de caridade. Os sacrifícios, que podem ser escolhidos livremente, por exemplo: um jovem deixa de mascar chicletes por um mês, e o valor que gastaria nos doces é usado para o bem de alguém necessitado.

Qual é a relação entre Campanha da Fraternidade e a Quaresma?

A Campanha da Fraternidade é um instrumento para desenvolver o espírito quaresmal de conversão e renovação interior a partir da realização da ação comunitária, que para os católicos, é a verdadeira penitência que Deus quer em preparação da Páscoa. Ela ajuda na tarefa de colocar em prática a caridade e ajuda ao próximo. É um modo criativo de concretizar o exercício pastoral de conjunto, visando a transformação das injustiças sociais.

Desta forma, a Campanha da Fraternidade é maneira que a Igreja no Brasil celebra a quaresma em preparação à Páscoa. Ela dá ao tempo quaresmal uma dimensão histórica, humana, encarnada e principalmente comprometida com as questões específicas de nosso povo, como atividade essencial ligada à Páscoa do Senhor.

Quais são os rituais e tradições associados com este tempo?

As celebrações têm início no Domingo de Ramos, ele significa a entrada triunfal de Jesus, o começo da semana santa. Os ramos simbolizam a vida do Senhor, ou seja, Domingo de Ramos é entrar na Semana Santa para relembrar aquele momento.

Depois, celebra-se a Ceia do Senhor, realizada na quinta-feira Santa, conhecida também como o lava pés. Ela celebra Jesus criando a eucaristia, a entrega de Jesus e portanto, o resgate dos pecadores.

Depois, vem a missa da Sexta-feira da paixão, também conhecida como Sexta-feira Santa, que celebra a morte do Senhor, às 15h00. Na sexta à noite geralmente é feita uma procissão ou ainda a Via Sacra, que seria a repetição das 14 passagens da vida de Jesus.

No sábado à noite, o Sábado de Aleluia, é celebrada a Vigília Pascal, também conhecida como a Missa do Fogo. Nela o Círio Pascal é acesso, resultando as cinzas. O significado das cinzas é que do pó viemos e para o pó voltaremos, sinal de conversão e de que nada somos sem Deus. Um símbolo da renovação de um ciclo. Os rituais se encerram no Domingo, data da ressurreição de Cristo, com a Missa da Páscoa, que celebra o Cristo vivo.

Fonte: CNBB
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Quarta-feira de Cinzas

É um princípio da Quaresma: um dia especialmente penitencial, em que manifestamos nosso desejo pessoal de conversão a Deus. Quando vamos aos templos em que nos impõem as cinzas, expressamos com humildade e sinceridade de coração que desejamos nos converter e crer de verdade no Evangelho.

A origem da imposição das cinzas pertence à estrutura da penitência canônica. Começou a ser obrigatória para toda a comunidade cristã a partir do século X.

A liturgia atual conserva os elementos tradicionais: imposição da cinza e jejum rigoroso.

A benção e imposição das cinzas têm lugar dentro da Missa, após a homilia; embora em circunstâncias especiais, se pode fazer dentro de uma celebração da Palavra. As formas de imposição das cinzas se inspiram na Escritura: Gn 3, 19 e Mc 1, 15.

A cinza procede dos ramos abençoados no Domingo da Paixão do Senhor, do ano anterior, seguindo um costume que se remonta ao século XII. A forma de benção faz relação à condição pecadora que quem a recebeu. 

Neste ano, a celebração de cinzas será no dia 18 de fevereiro

 Fonte: Informativo Coração de Jesus da  Catedral Metropolitana de Londrina –  Fevereiro/2015
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EVANGELHO DOMINICAL

Mateus 4,1-11 (I Domingo da Quaresma)

Naquele tempo: o Espírito conduziu Jesus ao deserto, para ser tentado pelo diabo. Jesus jejuou durante quarenta dias e quarenta noites, e, depois disso, teve fome. Então, o tentador aproximou-se e disse a Jesus: “Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães!” Mas Jesus respondeu: “Está escrito: ‘Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”‘.Tentação de Cristo por Ary Scheffer, pintura do século XIX (1)

Então o diabo levou Jesus à cidade santa, colocou-o sobre a parte mais alta do templo, e lhe disse: “Se és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo! Porque está escrito: ‘Deus dará ordens aos seus anjos a teu respeito, e eles te levarão nas mãos, para que não tropeces em alguma pedra”‘. Jesus lhe respondeu: “Também está escrito: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus!”

Novamente, o diabo levou Jesus para um monte muito alto. Mostrou-lhe todos os remos do mundo e sua glória, e lhe disse: “Eu te darei tudo isso, se te ajoelhares diante de mim, para me adorar”. Jesus lhe disse: “Vai-te embora, satanás, porque está escrito: ‘Adorarás ao Senhor teu Deus e somente a ele prestarás culto”. Então o diabo o deixou. E os anjos se aproximaram e serviram a Jesus.

ORAÇÃO:  Senhor Deus, estamos iniciando nossa caminhada quaresmal, tempo de oração e penitência.  Tempo de conversão. Temos tantas coisas para mudar e melhorar em nossas vidas. Somos tão pecadores, Senhor. Somos frágeis e fracos na nossa resposta de fé ao teu amor por nós. Porém, confiamos cada dia mais na tua misericórdia. E nessa Quaresma queremos experimentá-la com toda intensidade e beleza. Cristo, tua Cruz nos atrai e nos anima a a fazer desse tempo quaresmal ocasião privilegiada para tocar  e ser tocado pela tua graça, uma decisão de viver na santidade da tua Vida e Palavra. 

Tuas tentações, Senhor Jesus Cristo, são também as nossas, a que enfrentamos todos dias. Sentimos em nossas vidas as investidas do autor do mal. Tua fidelidade ao Pai te fez superar e afastar de ti as forças diabólicas, as tentações do ser, do prazer e do ter.  Envia-nos também teu Espírito de poder, fortaleza e discernimento, para que não nos deixemos sucumbir por essas tentações que cercam nossa exisências.  

Queremos ser fiel a Ti e a tua Verdade. Livra-nos do fascínio e da busca de querer sempre mais conforto e seguranças materiais e afetivas  em nossas vidas, que sempre acabam nos privando da tua presença e do teu amor.  Afasta de nossos corações o desejo de sempre querer também dominar, ter fama e glórias pessoais.  Que nossos gestos e palavras falem mais de Ti do que de nós mesmos. Em ti, Senhor, nos abandamos para fazer dessa Quaresma uma aventura de fé e salvação. Nosso jejum e penitência nos equilibrem nossos desejos e nos abram à Tua providência e Amor, a um encontro profundo contigo e com os irmãos, através de nossa caridade, fruto de nossa experiência quaresmal. Amém.

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Mensagem do Papa para a Quaresma

Queridos irmãos e irmãs!
Por ocasião da Quaresma, ofereço-vos algumas rimageseflexões com a esperança de que possam servir para o caminho pessoal e comunitário de conversão. Como motivo inspirador tomei a seguinte frase de São Paulo: «Conheceis bem a bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, Se fez pobre por vós, para vos enriquecer com a sua pobreza» (2 Cor 8, 9). O Apóstolo escreve aos cristãos de Corinto encorajando-os a serem generosos na ajuda aos fiéis de Jerusalém que passam necessidade. A nós, cristãos de hoje, que nos dizem estas palavras de São Paulo? Que nos diz, hoje, a nós, o convite à pobreza, a uma vida pobre em sentido evangélico?
A graça de Cristo
Tais palavras dizem-nos, antes de mais nada, qual é o estilo de Deus. Deus não Se revela através dos meios do poder e da riqueza do mundo, mas com os da fragilidade e da pobreza: «sendo rico, Se fez pobre por vós». Cristo, o Filho eterno de Deus, igual ao Pai em poder e glória, fez-Se pobre; desceu ao nosso meio, aproximou-Se de cada um de nós; despojou-Se, «esvaziou-Se», para Se tornar em tudo semelhante a nós (cf. Fil 2, 7; Heb 4, 15). A encarnação de Deus é um grande mistério. Mas, a razão de tudo isso é o amor divino: um amor que é graça, generosidade, desejo de proximidade, não hesitando em doar-Se e sacrificar-Se pelas suas amadas criaturas. A caridade, o amor é partilhar, em tudo, a sorte do amado. O amor torna semelhante, cria igualdade, abate os muros e as distâncias. Foi o que Deus fez connosco. Na realidade, Jesus «trabalhou com mãos humanas, pensou com uma inteligência humana, agiu com uma vontade humana, amou com um coração humano. Nascido da Virgem Maria, tornou-Se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, excepto no pecado» (CONC. ECUM. VAT. II, Const. past. Gaudium et spes, 22).
A finalidade de Jesus Se fazer pobre não foi a pobreza em si mesma, mas – como diz São Paulo – «para vos enriquecer com a sua pobreza». Não se trata dum jogo de palavras, duma frase sensacional. Pelo contrário, é uma síntese da lógica de Deus: a lógica do amor, a lógica da Encarnação e da Cruz. Deus não fez cair do alto a salvação sobre nós, como a esmola de quem dá parte do próprio supérfluo com piedade filantrópica. Não é assim o amor de Cristo! Quando Jesus desce às águas do Jordão e pede a João Batista para O batizar, não o faz porque tem necessidade de penitência, de conversão; mas fá-lo para se colocar no meio do povo necessitado de perdão, no meio de nós pecadores, e carregar sobre Si o peso dos nossos pecados. Este foi o caminho que Ele escolheu para nos consolar, salvar, libertar da nossa miséria. Faz impressão ouvir o Apóstolo dizer que fomos libertados, não por meio da riqueza de Cristo, mas por meio da sua pobreza. E todavia São Paulo conhece bem a «insondável riqueza de Cristo» (Ef 3, 8), «herdeiro de todas as coisas» (Heb 1, 2).
Em que consiste então esta pobreza com a qual Jesus nos liberta e torna ricos? É precisamente o seu modo de nos amar, o seu aproximar-Se de nós como fez o Bom Samaritano com o homem abandonado meio morto na berma da estrada (cf. Lc 10, 25-37). Aquilo que nos dá verdadeira liberdade, verdadeira salvação e verdadeira felicidade é o seu amor de compaixão, de ternura e de partilha. A pobreza de Cristo, que nos enriquece, é Ele fazer-Se carne, tomar sobre Si as nossas fraquezas, os nossos pecados, comunicando-nos a misericórdia infinita de Deus. A pobreza de Cristo é a maior riqueza: Jesus é rico de confiança ilimitada em Deus Pai, confiando-Se a Ele em todo o momento, procurando sempre e apenas a sua vontade e a sua glória. É rico como o é uma criança que se sente amada e ama os seus pais, não duvidando um momento sequer do seu amor e da sua ternura. A riqueza de Jesus é Ele ser o Filho: a sua relação única com o Pai é a prerrogativa soberana deste Messias pobre. Quando Jesus nos convida a tomar sobre nós o seu «jugo suave» (cf. Mt 11, 30), convida-nos a enriquecer-nos com esta sua «rica pobreza» e «pobre riqueza», a partilhar com Ele o seu Espírito filial e fraterno, a tornar-nos filhos no Filho, irmãos no Irmão Primogénito (cf. Rm 8, 29).
Foi dito que a única verdadeira tristeza é não ser santos (Léon Bloy); poder-se-ia dizer também que só há uma verdadeira miséria: é não viver como filhos de Deus e irmãos de Cristo.
O nosso testemunho
Poderíamos pensar que este «caminho» da pobreza fora o de Jesus, mas não o nosso: nós, que viemos depois d’Ele, podemos salvar o mundo com meios humanos adequados. Isto não é verdade. Em cada época e lugar, Deus continua a salvar os homens e o mundo por meio da pobreza de Cristo, que Se faz pobre nos Sacramentos, na Palavra e na sua Igreja, que é um povo de pobres. A riqueza de Deus não pode passar através da nossa riqueza, mas sempre e apenas através da nossa pobreza, pessoal e comunitária, animada pelo Espírito de Cristo.
À imitação do nosso Mestre, nós, cristãos, somos chamados a ver as misérias dos irmãos, a tocá-las, a ocupar-nos delas e a trabalhar concretamente para as aliviar. A miséria não coincide com a pobreza; a miséria é a pobreza sem confiança, sem solidariedade, sem esperança. Podemos distinguir três tipos de miséria: a miséria material, a miséria moral e a miséria espiritual. A miséria material é a que habitualmente designamos por pobreza e atinge todos aqueles que vivem numa condição indigna da pessoa humana: privados dos direitos fundamentais e dos bens de primeira necessidade como o alimento, a água, as condições higiênicas, o trabalho, a possibilidade de progresso e de crescimento cultural. Perante esta miséria, a Igreja oferece o seu serviço, a sua diaconia, para ir ao encontro das necessidades e curar estas chagas que deturpam o rosto da humanidade. Nos pobres e nos últimos, vemos o rosto de Cristo; amando e ajudando os pobres, amamos e servimos Cristo.
O nosso compromisso orienta-se também para fazer com que cessem no mundo as violações da dignidade humana, as discriminações e os abusos, que, em muitos casos, estão na origem da miséria. Quando o poder, o luxo e o dinheiro se tornam ídolos, acabam por se antepor à exigência duma distribuição equitativa das riquezas. Portanto, é necessário que as consciências se convertam à justiça, à igualdade, à sobriedade e à partilha.
Não menos preocupante é a miséria moral, que consiste em tornar-se escravo do vício e do pecado. Quantas famílias vivem na angústia, porque algum dos seus membros – frequentemente jovem – se deixou subjugar pelo álcool, pela droga, pelo jogo, pela pornografia! Quantas pessoas perderam o sentido da vida; sem perspectivas de futuro, perderam a esperança! E quantas pessoas se vêem constrangidas a tal miséria por condições sociais injustas, por falta de trabalho que as priva da dignidade de poderem trazer o pão para casa, por falta de igualdade nos direitos à educação e à saúde. Nestes casos, a miséria moral pode-se justamente chamar um suicídio incipiente. Esta forma de miséria, que é causa também de ruína econômica, anda sempre associada com a miséria espiritual, que nos atinge quando nos afastamos de Deus e recusamos o seu amor. Se julgamos não ter necessidade de Deus, que em Cristo nos dá a mão, porque nos consideramos auto-suficientes, vamos a caminho da falência. O único que verdadeiramente salva e liberta é Deus.
O Evangelho é o verdadeiro antídoto contra a miséria espiritual: o cristão é chamado a levar a todo o ambiente o anúncio libertador de que existe o perdão do mal cometido, de que Deus é maior que o nosso pecado e nos ama gratuitamente e sempre, e de que estamos feitos para a comunhão e a vida eterna. O Senhor convida-nos a sermos jubilosos anunciadores desta mensagem de misericórdia e esperança. É bom experimentar a alegria de difundir esta boa nova, partilhar o tesouro que nos foi confiado para consolar os corações dilacerados e dar esperança a tantos irmãos e irmãs imersos na escuridão. Trata-se de seguir e imitar Jesus, que foi ao encontro dos pobres e dos pecadores como o pastor à procura da ovelha perdida, e fê-lo cheio de amor. Unidos a Ele, podemos corajosamente abrir novas vias de evangelização e promoção humana.
Queridos irmãos e irmãs, possa este tempo de Quaresma encontrar a Igreja inteira pronta e solícita para testemunhar, a quantos vivem na miséria material, moral e espiritual, a mensagem evangélica, que se resume no anúncio do amor do Pai misericordioso, pronto a abraçar em Cristo toda a pessoa. E poderemos fazê-lo na medida em que estivermos configurados com Cristo, que Se fez pobre e nos enriqueceu com a sua pobreza. A Quaresma é um tempo propício para o despojamento; e far-nos-á bem questionar-nos acerca do que nos podemos privar a fim de ajudar e enriquecer a outros com a nossa pobreza. Não esqueçamos que a verdadeira pobreza dói: não seria válido um despojamento sem esta dimensão penitencial. Desconfio da esmola que não custa nem dói.
Pedimos a graça do Espírito Santo que nos permita ser «tidos por pobres, nós que enriquecemos a muitos; por nada tendo e, no entanto, tudo possuindo» (2 Cor 6, 10). Que Ele sustente estes nossos propósitos e reforce em nós a atenção e solicitude pela miséria humana, para nos tornarmos misericordiosos e agentes de misericórdia. Com estes votos, asseguro a minha oração para que cada crente e cada comunidade eclesial percorra frutuosamente o itinerário quaresmal, e peço-vos que rezeis por mim. Que o Senhor vos abençoe e Nossa Senhora vos guarde!
Vaticano, 26 de Dezembro de 2013
Festa de Santo Estêvão, diácono e protomártir.
Francisco
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Campanha da Fraternidade em Vídeo

Toda quarta-feira de Cinzas, a Igreja do Brasil celebra também a abertura da Campanha da Fraternidade, desde os anos 60. É uma forma de viver e aprofundar uma das três dimensões da Quaresma: a caridade.

Esse ano o tema é sobre a problemática do Tráfico Humano, que passa pela questão da imigração, trabalho escravo, trafico de órgãos.

O vídeo traz um aprofundamento do tema da Campanha desse ano. Confira.

É um material dos  Conferência Nacional dos Bispos dos Brasil e é apresentado pelo seu secretario Exectutivo, Dom Leonardo Steiner.

 

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