Sínodo da Famílias



Segunda união e misericórdia de Deus

Divórcio e segundo casamento: como equilibrar a misericórdia de Deus com a fidelidade à doutrina cristã?

O Evangelho é claro sobre a indissolubilidade do matrimônio, mas também é claro sobre a misericórdia

Reconciliação casalCreative Commons
Em outubro próximo, a Igreja realiza no Vaticano a Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, cujo tema central será a família.

Apesar de que o encontro preveja muitos outros temas de grande relevância, a tendência é que mídia dedique grande atenção à polêmica situação dos divorciados que voltaram a se casar: como a Igreja pode manter-se fiel à indissolubilidade do matrimônio e, ao mesmo tempo, não excluir as pessoas que se encontram em “situação irregular” do ponto de vista doutrinal?

Dom Mario Grech, bispo da diocese de Gozo, localizada no pequeno arquipélago de Malta, refletiu sobre esta delicada questão na carta pastoral “Um bálsamo de misericórdia para a família“, publicada por ele neste mês de agosto.

Alguns pontos fundamentais da carta de dom Mario:

– O sínodo sobre a família deve destacar uma Igreja de portas abertas: um “refúgio para todos os pecadores, dotado de vida e de esperança na conversão”.

Não se pode mudar a doutrina sobre o matrimônio: ele é um sacramento que une um homem e uma mulher mediante um amor indissolúvel, fiel, aberto à vida e que constitui a base da família, uma instituição natural que nos beneficia “humana, social e espiritualmente”, a ponto de que “o desejo de formar uma família tem raízes profundas na própria natureza humana”.

– Apesar deste conceito irrenunciável do casamento, a Igreja não pode ignorar a complexa realidade das separações, divórcios, adultérios e segundas núpcias de divorciados, nem as ideologias que questionam a “família tradicional” e procuram disseminar práticas como as uniões informais e a reprodução assistida, além de perspectivas pseudocientíficas como a ideologia de gênero.

– Estas realidades “reduzem e enfraquecem” o matrimônio, fato que, por sua vez, produz uma ” crise de fé” na qual é fácil “virar as costas para Deus”.

– Os divorciados que se casam em segundas núpcias estão em “situação contrária ao sacramento cristão”, mas, como esclareceu o papa Francisco na audiência geral do recente dia 5 de agosto, eles “não estão excomungados”. A Igreja tem espaço “para todos aqueles que acreditam em Deus: ninguém é excluído nem descartado“.

– É fundamental preservar a fidelidade à doutrina cristã sobre a indissolubilidade do matrimônio, mas também é fundamental a misericórdia, que é ” o coração da doutrina cristã“.

– O “bálsamo da misericórdia de Deus” deve ser oferecido às pessoas cuja união se encontra em desacordo com o Evangelho, mediante um ” caminho penitencial” que, obviamente, “não contradiz o Evangelho”; afinal, “o Deus da misericórdia toca as chagas abertas da humanidade para saná-las”.

– Deus é justo, mas a misericórdia de Deus ” vai além da justiça“: Deus sempre “oferece à humanidade muito mais do que ela merece”.

– A Igreja pode e deve, portanto, “permanecer fiel ao Evangelho da família e dar apoio às famílias fiéis”, mas deve também “ser fiel ao Evangelho da misericórdia“, assegurando a esperança na misericórdia divina e a experiência da alegria do amor de Deus para todas as pessoas “que fracassaram no seu casamento”.

Fonte: Aletéia
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Sínodo da Família apresenta diretrizes

Francisco pediu que todos presentes no Sínodo falassem sem temores sobre as questões em debate – ANSA
Cidade do Vaticano (RV) – O Instrumento de trabalho do Sínodo ordinário sobre a família foi apresentado na manhã desta terça-feira (23/06) na Sala de Imprensa da Santa Sé. O documento inclui a Relatio Synodi – texto conclusivo do precedente Sínodo realizado em outubro de 2014 –, integrado com a síntese das respostas ao questionário proposto no decorrer do ano a todas as Igrejas no mundo.O Instrumento está divido em três partes: a escuta dos desafios sobre a família, o discernimento da vocação familiar e a missão da família hoje.Não à remoção da diferença sexual

Quanto a este ponto, evidenciam-se as “contradições culturais” da nossa época, em que se diz que “a identidade pessoal e a intimidade afetiva devem afirmar-se numa dimensão radicalmente desvinculada da diversidade biológica entre homem e mulher” ou que se pretende reconhecer o matrimônio a casais compostos independentemente da diversidade sexual. Daqui o chamado a um “melhor aprofundamento humano e cultural, não somente biológico, da diferença entre os sexos” porque a sua remoção “é o problema, não a solução”.

Família, pilar fundamental da sociedade

O Instrumentum chama em causa também as “contradições sociais” que levam à dissolução da família: guerras, migrações, pobreza, exploração, cultura do descartável e conjuntura econômica “desfavorável e ambígua”, enquanto as instituições falham, incapazes de amparar os núcleos familiares. Estes, ao invés, “pilar fundamental e irrenunciável do convívio social”, necessitam de “políticas adequadas”.

Dignidade para idosos e deficientes. Pastoral específica para famílias migrantes

O documento ressalta a importância da família como instrumento de inclusão, sobretudo de categorias frágeis, como os viúvos, os idosos e os deficientes. Cita-se ainda a importância de uma pastoral específica para as famílias migrantes, sobretudo em contextos onde não existe um acolhimento autêntico, para não alimentar fenômenos de fundamentalismo. E o drama cresce quando a migração é ilegal, promovida por “circuitos internacionais de tráfico de seres humanos”. O Instrumentum destaca também o papel das mulheres, recordando suas chagas – exploração, violência, aborto, útero de aluguel – e auspiciando uma valorização de sua figura na Igreja.

Sacramento indissolúvel do matrimônio

A segunda parte reafirma a indissolubilidade do matrimônio sacramental, mas recorda, ao mesmo tempo, que a Igreja deve “acompanhar” os momentos de sofrimento conjugal, numa ótica de misericórdia que não compromete a verdade da fé. “Todos têm necessidade de dar e receber misericórdia”, lê-se na terceira parte, e “alguns pedem que também a Igreja demonstre uma atitude análoga em relação àqueles que romperam a união”.  O documento retoma, portanto, um ponto-chave da Relatio Synodi, isto é, o dos casos de nulidade matrimonial: quanto à gratuidade dos processos, registra-se um amplo consenso.

Reavaliar as formas de exclusão litúrgico-pastorais dos divorciados recasados

Sobre os divorciados recasados, auspicia-se uma reflexão sobre a oportunidade de eliminar “as formas de exclusão atualmente praticadas no campo litúrgico-pastoral, educativo e caritativo”, porque estes fiéis “não estão fora da Igreja”. Os caminhos de integração pastoral devem ser precedidos por um “oportuno discernimento” e realizados “segundo uma lei gradual que respeite o amadurecimento das consciências”. Quanto à Eucaristia para os divorciados recasados, o  Instrumentum evidencia “o acordo comum” sobre a hipótese de uma “via penitencial” sob a autoridade de um bispo. Por fim, embora se mantém a contrariedade da Igreja quanto às uniões homossexuais, se reitera que “toda pessoa, independentemente da própria tendência sexual, deve ser respeitada na sua dignidade e acolhida, com sensibilidade e delicadeza, na Igreja e na sociedade”. As Igrejas locais, portanto, são encorajadas a realizar projetos pastorais específicos para as pessoas homossexuais e suas famílias.

O documento termina recordando o Jubileu extraordinário da Misericórdia, que terá início em 8 de dezembro próximo, à luz do qual se insere o Sínodo. A Assembleia episcopal está programada de 4 a 25 de outubro, sobre o tema “A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo”.

Fonte: Rádio Vaticano
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VIII Encontro Mundial das Famílias com o Papa

Papa estará presente no Encontro Mundial das Famílias na Filadélfia – ANSA

  Cidade do Vaticano (RV) – O VIII Encontro Mundial das Famílias a ser realizado de 22 a 27 de setembro de 2015 em Filadélfia, Estados Unidos, foi  apresentado no final da manhã desta quinta-feira na Sala de Imprensa da Santa Sé, pelo Presidente do Pontifício Conselho para as Famílias, Dom Vincenzo Paglia e pelo Arcebispo de Filadélfia, Dom Charles Chaput O.F.M., entre outros.

Considerando que a família está no centro da atenção da Igreja e da sociedade civil, Dom Paglia esclareceu, logo no início, que tudo será focado neste objetivo:

“Apresentaremos na Filadélfia algumas pesquisas científicas realizadas nestes anos, tanto na Europa como nos Estados Unidos, assim como na América do Sul, onde – dados na mão e além das definições – revela que estas famílias são o recurso mais importante da sociedade, mesmo se não se fala sobre isto, mesmo se às vezes são um pouco “surradas”, mesmo se às vezes são esquecidas”. O encontro de Filadélfia, prossegue o Presidente do Pontifício Conselho para a Família, será mundial, pois foi pensado para que seja “visto e contado em todo o mundo”.

Evento em duas partes

O Arcebispo Charles Joseph Chaput, por sua vez, falou sobre o desenvolvimento do encontro, explicando que será divido em duas partes: “um é o Congresso Mundial das Famílias que se realizará de 22 a 25 de setembro no Pennsylvania Convention Centre. O Congresso é uma ocasião para todos aqueles – quer católicos ou pertencentes a outras religiões – que acreditam que a família é a pedra angular da sociedade, para unirem-se no compromisso de reafirmar as suas ligações mais íntimas e reafirmar a sua ligação na nossa vida. Nós todos temos uma família e a família é muito importante para nós”. A segunda parte – explicou Dom Chaput – diz respeito à viagem do Papa Francisco à Filadélfia, que se realizará no sábado e domingo, ou seja, 26 e 27 de setembro, quando o Santo Padre participará dos eventos de conclusão do VIII Encontro Mundial das Famílias.

Participantes

Até o momento existem mais de 11.800 pessoas regularmente registradas para o encontro. Destas, mais de mil são para o Congresso dos Jovens, entre os 6 e 17 anos. Neste universo, ainda parcial de inscrições, estão representadas mais de 100 nações, com os Estados Unidos ocupando a primeira colocação, seguidos pelo Canadá, Vietnã, República Dominicana e Nigéria. Os cinco continentes estarão representados.

Milhares de voluntários estão sendo mobilizados para o evento, incluindo cerca de 40 pessoas com oitenta anos de idade. Muitas pessoas colocarão suas casas à disposição para hospedar os participantes. Nem todo o programa está ainda pronto, pois o itinerário completo do Papa Francisco não foi ainda divulgado, mas o será em breve, explicou o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Padre Federico Lombardi. No site do evento (também em português) poderão ser encontradas todas as informações necessárias.

Evangelho de Lucas, o livro das famílias

Dom Paglia observou que o evento terá um caráter universal. “Ao final de todas as celebrações – afirmou – o Papa entregará a cinco cidades do mundo – Havana (América), Marselha (Europa), Hanói (Ásia), Sydney (Australia) e Kinshasa (África) – 200 mil cópias a cada uma do Evangelho de Lucas assinadas pelo próprio Pontífice. Estas cópias partirão da Filadélfia para as famílias das periferias destas grandes cidades, para mostrar a universalidade da iniciativa, para que o Evangelho da família torne-se também o livro das famílias”.

Sínodo para a Família

O Presidente do Pontifício Conselho para a Família sublinhou ainda a estreita ligação entre o evento do final de setembro nos Estados Unidos e o Sínodo Geral Ordinário sobre a Família que se realizará em outubro no Vaticano, para o qual foi apresentado o Instrumentum laboris:

“Acredito que, obviamente, os temas ou todo o Instrumentum laboris será objeto de reflexão e também de aprofundamento. Mas não existe dúvida de que o estilo desejado pelo Papa Francisco, de uma Igreja sinodal, encontra também na Filadélfia uma das expressões mais significativas”.

Interpelados pelos jornalistas, os prelados responderam a uma pergunta sobre a presença nos eventos da Filadélfia de pessoas homossexuais. O Bispo Auxiliar da Filadélfia, Dom John J. McIntyre, antecipou que o docente universitário Ron Belgau, um dos promotores da iniciativa ‘Spiritual Friendship – Amizade espiritual – fará um pronunciamento sobre o tema:

‘Ele falará sobre como aceitou sua orientação sexual e do modo em que, neste amadurecimento, tenha abraçado o ensinamento de Cristo e da Igreja; após falará também a mãe, ilustrando a sua perspectiva de mãe e falando sobre sua aceitação da orientação sexual do filho, também no âmbito da família”. (JE)

Informações: Rádio Vaticano Brasil
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A situação dos casais de 2ª união

O assunto é polêmico. Mas não é nova essa compreensão. Já tratamos assim essa questão. Não poder receber eucaristia na liberdade não implica estar excomungado. Afinal, há outras formas de comunhão com Igreja e com Deus. Pela leitura e meditação da Palavra, prática da oração, vida espiritual. Participação nas pastorais. Adoração eucarística. Direção e acompanhamento espiritual com padres. Deus é amor e misericórdia. A Igreja é mãe. Cuida de seus filhos. Não os abandona nunca. 

Papa Francisco afirma que divorciados em segunda união não estão excomungados

Papa Francisco afirma que divorciados em segunda união não estão excomungados

O jornal argentino La Nación publicou uma entrevista na qual o Papa Francisco recordou que as pessoas divorciadas em nova união não estão excomungadas, e esclareceu que a solução pastoral para elas não passa por deixar-lhes receber a comunhão.

“No caso dos divorciados que voltaram a casar, perguntamo-nos: O que fazemos com eles? Quais são as portas que podemos abrir-lhes? E essa foi uma inquietação pastoral: Então vão receber a comunhão? Dar-lhes a comunhão não é a solução. Somente isso não é a solução, a solução é a integração. Não estão excomungados, é verdade. Mas não podem ser padrinhos de batismo, não podem ler a leitura na Missa, não podem dar a comunhão, não podem ensinar catequese, há cerca de sete coisas que eles não podem fazer. É como se tivessem sido excomungados! Precisamos abrir um pouco mais as porta”.

Fonte: Catholicus
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Sai documento para o Sínodo ordinário em 2015

Vaticano divulga primeiro documento para o Sínodo

Parte do relatório elaborado pela última Assembleia Extraordinária, realizada no último mês de outubro, integra o primeiro dos documentos a serem apresentados pelo Vaticano para a 14ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos. A reunião sinodal acontecerá no período de 4 a 25 de outubro de 2015 com a participação de padres sinodais de diversas partes do mundo.

sO próximo Sínodo debaterá “A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo”. Será uma continuação das reflexões iniciadas em 2014 sobre os desafios da evangelização da família. A realização do Sínodo em duas etapas foi escolha do papa Francisco, que pela primeira vez adotou esse modelo para os trabalhos da Assembleia.
O texto foi divulgado pelo Vaticano na terça-feira, 9. Intitulado de lineamenta, traz reflexões da Assembleia Extraordinária, que antecedeu o Sínodo Ordinário. O documento está organizado em três partes: “A escuta – o contexto e os desafios sobre família”, “O olhar sobre Cristo: o Evangelho da Família” e “O confronto: perspectivas pastorais”.
Para facilitar o aprofundamento dos temas contidos no relatório, foram acrescentadas à lineamenta algumas perguntas que ajudarão a elaborar o Instrumentum laboris (Documento de Trabalho) da próxima Assembleia.
A primeira versão do Documento publicado em italiano foi enviada às Conferências Episcopais, aos Sínodos das Igrejas Orientais Católicas sui iuris, à União dos Superiores Religiosos e aos Dicastérios da Cúria Romana. A proposta é que ele seja estudado e debatido nas comunidades, com a participação dos fiéis. Os resultados dessa consulta serão enviados à Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos até 15 de abril do próximo ano.

Acesse aqui a versão italiano do documento:

Com informações do News.va.
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São José, novo padroeiro das famílias

Para quem é devoto de São José, essa é uma notícia que enche de alegria e esperança. São José pode vir a ser declarado pela Igreja como padroeiro universal das famílias.

Que graça e benção.Homem justo, esposo fiel, pai amoroso. Aprendamos de suas virtudes para tornar nossas famílias lugares aconchegantes, de fé e segurança.

São José, rogai por todas nossas famílias. Rogai também  pelo Sínodo, em Roma.

Sínodo poderá declarar São José como padroeiro universal das famílias

Durante intervenção na 3ª Assembleia do Sínodo Extraordinário dos Bispos sobre a Família, no Vaticano, o presidente da Conferência Episcopal de El Salvador, arcebispo José Luis Escobar Alas, propôs que São José seja declarado, pela Igreja, padroeiro universal das famílias.

 “Deus queira que tenhamos esta graça posto que é modelo de marido, de pai, e protetor dos jovens. Mas também devemos considerar-lhe neste momento um defensor dos direitos da mulher e das crianças. Foi ele quem protegeu a Sagrada Família e o Divino Menino na fuga para o Egito. E deixe-me dizer mais uma coisa, São José continua cuidando de cada uma das nossas famílias”, explicou dom Escobar em entrevista à Rádio Vaticano.

O arcebispo disse, ainda, que o amor e devoção a São José estão em toda a Igreja, pois é o padroeiro universal da Igreja. “Também é o padroeiro dos operários. Mas, os bispos do meu país e o povo de Deus, consideramos que convém que São José seja o padroeiro universal da família, e isto é o que pedimos por escrito todos os bispos na nossa participação no Sínodo”, ressaltou.

A iniciativa de dom Escobar deverá ser avaliada pela Assembleia do Sínodo dos Bispos, que encerra neste domingo, 19.

Com informações da ACI Digital.
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Pastoral Familiar é tema no Sínodo em Roma

Na tarde de ontem, 07, durante a quarta congregação geral da 3ª Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos, os participantes discutiram as atuais propostas para a Pastoral da Família.

No início dos trabalhos, foi assinalado o vínculo entre as crises de fé e a crise familiar, concluindo-se que a primeira deu origem a segunda. Isto porque a fé geralmente é entendida como um conjunto de contribuições doutrinárias quando a mudança é principalmente um ato livre pelo qual alguém se entrega a Deus. Por isso, surgiu a proposta de se pensar sobre um “vade-mécum” dedicado aos catequistas sobre a família, para que suas missões evangelizadoras sejam reforçadas. Também falou-se sobre a fraqueza de fé de muitos batizados, razão de muitos cônjuges chegarem ao matrimônio sem estar plenamente conscientes do que o sacramento carrega consigo. O matrimônio cristão deve ser entendido não apenas como uma tradição cultural ou demanda social, mas deve ser encarado como uma decisão profissionais, realizado com preparação adequada.

Em seguida os padres sinodais trataram de um dos grandes desafios que a família enfrenta hoje, chamado de “ditadura do pensamento único” que pretende introduzir na sociedade uma série de valores que distorcem o conceito de matrimônio como união entre homem e mulher. A crise de valores, o secularismo ateu, o hedonismo e a ambição de poder destroem a família, debilitam as pessoas e, portanto, tornam a sociedade mais frágil. Por isso é importante os fiéis recuperarem a consciência do seu pertencimento à Igreja, porque ela cresce por atração e são as famílias que atraem outras famílias.

Foi dito que, por outro lado, a Igreja, perita em humanidade, deve enfatizar a beleza e a necessidade que todo mundo tem de uma família, porque é insubstituível. E é necessário despertar no ser humano o sentimento de pertencer ao núcleo familiar.

A importância da relação entre os sacerdotes e as famílias foi recordada. Os sacerdotes devem acompanhar as famílias em todas as etapas mais importantes da vida, compartilhando as alegrias e dificuldades, enquanto as famílias, por sua vez, ajudam os sacerdotes a viver o celibato com uma felicidade plena, e não como uma renúncia. Além disso, a família tem sido definida como “berço de vocações”, porque é nela que surge frequentemente o chamado ao sacerdócio.

As reflexões seguiram para a interferência do trabalho na dinâmica familiar. Foi dito que as duas dimensões – trabalho e família – têm que ser conciliadas, devido a horários de trabalho cada vez mais flexíveis, aos novos modelos contratuais, as distâncias geográficas entre os lares e o trabalho. Nota-se ainda que a tecnologia, algumas vezes, “traz o trabalho para casa”, tornando mais difícil o diálogo familiar.

Na hora dedicada às intervenções livres, foi retomado o argumento da exigência de uma nova linguagem no anúncio do evangelho, referindo-se especialmente às novas tecnologias dos meios de comunicação. Foi proposto também que se discuta sobre as famílias que não têm filhos apesar de querê-los, assim como as famílias que vivem nas regiões afetadas pelo vírus Ebola.

Por fim, chamou-se a atenção para a imagem da Igreja como luz, manifestando o desejo de que não seja apenas um farol, que permanece fixo e ilumina à distância, mas que seja como tocha, uma “luz amável” que acompanha os seres humanos em seu caminho, passo a passo.

África

Numerosas intervenções, particularmente relativas à África, chamaram a atenção sobre os diversos desafios que as famílias enfrentam neste continente: poligamia, traições, cultos, guerras, pobreza, o doloroso drama das migrações, a pressão internacional para o controle de natalidade. Todos esses problemas comprometem a estabilidade da família, colocando-a em crise. Esses desafios devem ser enfrentados com uma evangelização mais profunda, capaz de promover os valores da paz, da justiça e do amor, unida a uma adequada promoção do papel da mulher na sociedade, a boa educação dos filhos e a proteção dos direitos de todas as vítimas da violência.

Com fotografia da Rádio Vaticano
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Abertura do Sínodo sobre a Família no Vaticano

Na Missa em São Pedro, para a abertura do Sínodo, o Papa Francisco invoca para os Padres sinodais “liberdade e criatividade” para cuidar do “sonho” de Deus. 

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Com a Missa concelebrada neste domingo de manhã, na basílica de São Pedro, pelo Papa  Francisco, com os Padres sinodais, foi inaugurada a III Assembleia geral extraordinária do  Sínodo dos Bispos, que decorrerá no Vaticano ao longo de duas semanas, tendo como tema  “Os desafios pastorais da família, no contexto da evangelização”.

Na homilia, comentando as Leituras deste domingo, Papa Francisco observou que a vinha do Senhor é o “sonho” de Deus, o projecto que Ele cultiva com todo o seu amor, como um agricultar cuida da videira, com todos os cuidados… O «sonho» de Deus é o seu povo: Ele plantou-o e cultiva-o, com amor paciente e fiel, para se tornar um povo santo, um povo que produza muitos e bons frutos de justiça.

E contudo, tanto na antiga profecia como na parábola de Jesus, o sonho de Deus fica frustrado. Isaías diz que a vinha, tão amada e cuidada, «produziu agraços”. E no Evangelho, são os agricultores que arruínam o projecto do Senhor: não trabalham para o Senhor, mas só pensam nos seus interesses. Jesus dirige-se aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo, isto é, aos «sábios», à classe dirigente. Foi a eles, de modo particular, que Deus confiou o seu «sonho», isto é, o seu povo, para que o cultivem, cuidem dele e o guardem dos animais selvagens.

Esta é a tarefa dos líderes do povo: cultivar a vinha com liberdade, criatividade e diligência. Mas Jesus diz que aqueles agricultores se apoderaram da vinha; pela sua ganância e soberba, querem fazer dela aquilo que lhes apetece e, assim, tiram a Deus a possibilidade de realizar o seu sonho a respeito do povo que Ele escolheu.

A tentação da ganância está sempre presente – advertiu o Papa. Ganância de dinheiro e de poder. E, para saciar esta ganância, os maus pastores carregam sobre os ombros do povo pesos insuportáveis, que eles próprios não põem nem um dedo para os deslocar. Também nós somos chamados a trabalhar para a vinha do Senhor, no Sínodo dos Bispos.

As assembleias sinodais não servem para discutir ideias bonitas e originais, nem para ver quem é mais inteligente… Servem para cultivar e guardar melhor a vinha do Senhor, para cooperar no seu sonho, no seu projecto de amor a respeito do seu povo. No caso desta assembleia sinodal – recordou o Papa – o Senhor pede-nos para cuidarmos da família, que, desde os primórdios, é parte integrante do desígnio de amor que ele tem para a humanidade. Contudo, a nós também nos pode vir a tentação de «nos apoderarmos» da vinha, por causa da ganância que nunca falta em nós, seres humanos.

O sonho de Deus sempre se embate com a hipocrisia de alguns dos seus servidores. Podemos «frustrar» o sonho de Deus, se não nos deixarmos guiar pelo Espírito Santo. O Espírito dá-nos a sabedoria, que supera a ciência, para trabalharmos generosamente com verdadeira liberdade e humilde criatividade.

Para cultivar e guardar bem a vinha – sublinhou Papa Francisco, a concluir a homilia, dirigindo-se aos “Irmãos sinodais” – é preciso que os nossos corações e as nossas mentes sejam guardados em Cristo Jesus pela «paz de Deus que ultrapassa toda a inteligência», como diz São Paulo (Flp 4, 7). Assim, os nossos pensamentos e os nossos projectos estarão de acordo com o sonho de Deus: formar para Si um povo santo que Lhe pertença e produza os frutos do Reino de Deus.

A primeira intenção da Oração dos Fiéis, em chinês, invocou de Deus, para os Padres Sinodais o dom da paz: “Que a paz de Deus, que vai para além de toda a inteligência, conserve os seus corações e as suas mentes em Cristo Jesus, Caminho, Verdade e Vida”. Em português, rezou-se pelos povos em guerra… Em swahili, língua africana, rezou-se por todas as famílias – Para que a consolação do Espírito Santo as apoie nas dificuldades da vida quotidiana e as ajude as não se angustiarem em nenhum caso.

Eis o texto integral da homilia pronunciada pelo Papa: 

Nas leituras de hoje, é usada a imagem da vinha do Senhor tanto pelo profeta Isaías como pelo Evangelho. A vinha do Senhor é o seu «sonho», o projecto que Ele cultiva com todo o seu amor, como um agricultor cuida do seu vinhedo. A videira é uma planta que requer muitos cuidados! 

O «sonho» de Deus é o seu povo: Ele plantou-o e cultiva-o, com amor paciente e fiel, para se tornar um povo santo, um povo que produza muitos e bons frutos de justiça.  Mas, tanto na antiga profecia como na parábola de Jesus, o sonho de Deus fica frustrado. Isaías diz que a vinha, tão amada e cuidada, «produziu agraços» (5, 2.4), enquanto Deus «esperava a justiça, e eis que só há injustiça; esperava a rectidão, e eis que só há lamentações» (5, 7).

Por sua vez, no Evangelho, são os agricultores que arruínam o projecto do Senhor: não trabalham para o Senhor, mas só pensam nos seus interesses. Através da sua parábola, Jesus dirige-se aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo, isto é, aos «sábios», à classe dirigente. Foi a eles, de modo particular, que Deus confiou o seu «sonho», isto é, o seu povo, para que o cultivem, cuidem dele e o guardem dos animais selvagens.

Esta é a tarefa dos líderes do povo: cultivar a vinha com liberdade, criatividade e diligência.  Mas Jesus diz que aqueles agricultores se apoderaram da vinha; pela sua ganância e soberba, querem fazer dela aquilo que lhes apetece e, assim, tiram a Deus a possibilidade de realizar o seu sonho a respeito do povo que Ele escolheu. 

A tentação da ganância está sempre presente. Encontramo-la também na grande profecia de Ezequiel sobre os pastores (cf. cap. 34), comentada por Santo Agostinho num famoso Discurso que lemos, ainda nestes dias, na Liturgia das Horas. Ganância de dinheiro e de poder. E, para saciar esta ganância, os maus pastores carregam sobre os ombros do povo pesos insuportáveis, que eles próprios não põem nem um dedo para os deslocar (cf. Mt 23, 4). 

Também nós somos chamados a trabalhar para a vinha do Senhor, no Sínodo dos Bispos. As assembleias sinodais não servem para discutir ideias bonitas e originais, nem para ver quem é mais inteligente… Servem para cultivar e guardar melhor a vinha do Senhor, para cooperar no seu sonho, no seu projecto de amor a respeito do seu povo. Neste caso, o Senhor pede-nos para cuidarmos da família, que, desde os primórdios, é parte integrante do desígnio de amor que ele tem para a humanidade.  A nós também nos pode vir a tentação de «nos apoderarmos» da vinha, por causa da ganância que nunca falta em nós, seres humanos.

O sonho de Deus sempre se embate com a hipocrisia de alguns dos seus servidores. Podemos «frustrar» o sonho de Deus, se não nos deixarmos guiar pelo Espírito Santo. O Espírito dá-nos a sabedoria, que supera a ciência, para trabalharmos generosamente com verdadeira liberdade e humilde criatividade. Irmãos, para cultivar e guardar bem a vinha, é preciso que os nossos corações e as nossas mentes sejam guardados em Cristo Jesus pela «paz de Deus que ultrapassa toda a inteligência», como diz São Paulo (Flp 4, 7).

Assim, os nossos pensamentos e os nossos projectos estarão de acordo com o sonho de Deus: formar para Si um povo santo que Lhe pertença e produza os frutos do Reino de Deus (cf. Mt 21, 43).

Fotos e Texto: Radio Vaticano 

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Amanhã é Dia de oração pelo Sínodo das famílias

Papa propõe dia de oração pelo Sínodo dos Bispos

Há poucos dias do início da 3ª Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos sobre a Família, marcada para o período de 5 a 19 de outubro, no Vaticano, o papa Francisco convoca as comunidades para o “Dia de Oração” pelo Sínodo. Este momento será realizado no dia 28 de setembro, com a participação de dioceses, paróquias, comunidades, institutos, movimentos, pastorais e associações.

A Assembleia Extraordinária reunirá bispos de diversas partes do mundo, sacerdotes, especialistas, estudiosos, casais, que irão colaborar   na reflexão sobre “Os desafios pastorais da família no contexto da evangelização”.

O Dia de Oração foi escolhido como forma de estabelecer a comunhão, neste momento considerado importante na vida da Igreja, tratando-se do Sínodo. Orienta-se que a oração sugerida seja rezada nas celebrações eucarísticas e em outros momentos celebrativos. É possível, ainda, acrescentar uma intenção às invocações das laudes matutinas e às intercessões das vésperas, nos dias que antecedem o início da reunião episcopal. Além disso, recomenda-se também a recitação do rosário pelos trabalhos sinodais.

Em Roma, a oração será meditada todos os dias na Capela da Salus Populi Romani, da Basílica de Santa Maria Maior. A proposta é motivar os fiéis a orarem em intenção por todas as famílias.

I – ORAÇÃO À SAGRADA FAMÍLIA PELO SÍNODO

Jesus, Maria e José

em vós nós contemplamos

o esplendor do verdadeiro amor,

a vós dirigimo-nos com confiança.

Sagrada Família de Nazaré,

faz também das nossas famílias

lugares de comunhão e cenáculos de oração,

autênticas escolas do Evangelho

e pequenas igrejas domésticas.

Sagrada Família de Nazaré,

nunca mais nas famílias se vivam experiências

de violência, fechamento e divisão:

quem quer que tenha sido ferido ou escandalizado

receba depressa consolação e cura.

Sagrada Família de Nazaré,

o próximo Sínodo dos Bispos

possa despertar de novo em todos a consciência

da índole sagrada e inviolável da família,

a sua beleza no desígnio de Deus.

Jesus, Maria e José

escutai, atendei a nossa súplica.

II – ORAÇÃO UNIVERSAL

Irmãos e irmãs!

Como família dos filhos de Deus e animados pela fé, elevemos as nossas súplicas ao Pai, a fim de que as nossas famílias, sustentadas pela graça de Cristo, se tornem autênticas igrejas domésticas onde se vive e se dá o testemunho do amor de Deus.

Oremos e, juntos, digamos:

Senhor, abençoai e santificai as nossas famílias

Pelo Papa Francisco: que o Senhor, que o chamou a presidir à Igreja na caridade, o sustente no seu ministério ao serviço da unidade do Colégio episcopal e de todo o Povo de Deus, oremos:

Pelos Padres sinodais e pelos outros participantes na III Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos: que o Espírito do Senhor ilumine as suas mentes, a fim de que a Igreja possa enfrentar os desafios sobre a família, em fidelidade ao desígnio de Deus, oremos:

Por aqueles que têm responsabilidades no governo das Nações: que o Espírito Santo inspire projetos que valorizem a família como célula fundamental da sociedade, segundo o desígnio divino e sustentem as famílias em situações difíceis, oremos:

Pelas famílias cristãs: que o Senhor, que pôs na comunhão esponsal o selo da sua presença, faça das nossas famílias cenáculos de oração, íntimas comunidades de vida e de amor, à imagem da Sagrada Família de Nazaré, oremos:

Pelos cônjuges em dificuldade: que o Senhor, rico em misericórdia, os acompanhe mediante a ação maternal da Igreja, com compreensão e paciência, no seu caminho de perdão e de reconciliação, oremos:

Pelas famílias que, por causa do Evangelho, devem deixar as suas terras: que o Senhor, que com Maria e José experimentou o exílio no Egito, os conforte com a sua graça e lhes abra caminhos de caridade fraternal e de solidariedade humana, oremos:

Pelos avós: que o Senhor, que foi recebido no Templo pelos Santos anciãos Simeão e Ana, os torne sábios colaboradores dos pais na transmissão da fé e na educação dos filhos, oremos:

Pelas crianças: que o Senhor da vida, que no seu ministério os acolheu, fazendo deles modelos para entrar no Reino dos Céus, suscite em todos o respeito pela vida nascente e inspire programas educativos em conformidade com a visão cristã da vida, oremos:

Pelos jovens: que o Senhor, que santificou as bodas de Caná, os leve a redescobrir a beleza da índole sagrada e inviolável da família no desígnio divino e sustente o caminho dos noivos que se preparam para o matrimónio, oremos:

Ó Deus, que não abandonais a obra das vossas mãos, escutai as nossas invocações:

Enviai o Espírito do vosso Filho para iluminar a Igreja no início do caminho sinodal a fim de que, contemplando o esplendor do verdadeiro amor que resplandece na Sagrada Família de Nazaré, dela aprenda a liberdade e a obediência para enfrentar com audácia e misericórdia os desafios do mundo de hoje.

Por Cristo nosso Senhor.

Informações do site da Arquidiocese de São Paulo

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