Rui Braz: O Pantera

Eu,  Leandro Ricardi, conheci há alguns anos Rui Braz, na loja onde trabalho. Sua chegada é sempre um acontecimento, pois ele é o cara que definitivamente chega chegando… Sempre alegre e “causando”, suas atitudes até assustam algumas pessoas.

Mas, este é o Rui Pantera, como assim é conhecido. E para a nova geração, o cara pode parecer estranho, maluco… e é bem isto: ele é um maluco, um maluco do bem.

Rui, é uma verdadeira lenda viva, do rádio brasileiro, nascido em  Maringá, onde na infância usava latinha de extrato de tomate com linha de pesca para fazer locuções e entrevistar os amigos, até chegar em rádios importantes, como a Globo, Cultura, Tri FM, 95 Rádio Rock, 98 FM e Enseada.

Atualmente vivendo novamente em sua terra natal, após toda sorte e incertezas: já foi briguento, revolucionou, virou alcoólatra, recuperou-se, lançou livros de auto-ajuda e foi dado como morto depois de um acidente automobilístico..  Hoje ele divide o tempo entre o cuidado especial com a mãe (que sofre de Alzheimer, Mal de Parkinson e diabetes) e o trabalho em casa, como narrador para produtora.

Olha o blog dele aí: http://ruibraz.blogspot.com.br/

Abaixo algumas matérias publicadas sobre o Rui Pantera.

 

Fonte: http://www.novomilenio.inf.br/santos/h0067n2.htm


AS MUITAS GARRAS DO PANTERA
 

Verdadeira lenda viva, Rui Pantera deixou sua marca – de competência, alegria (e altas doses de loucura do bem) – nas emissoras por onde passou
José Luiz Araújo
Da Redação

Quem conviveu com Rui Braz – ainda que por poucas horas – há de entender a relação. Esse maringaense de 52 anos, cidadão santista por espontânea simbiose, muito se assemelha ao saudoso Tim Maia. Não na capacidade de compor letras, mas na fina ironia, rapidez de raciocínio nas respostas, voz grave e potente e como guardião de um baú repleto de histórias e confusões. Mas é na essência que ele é bem mais parecido com o músico carioca: um maluco do bem.

Conhecido pelo apelido, Rui Pantera por 20 anos foi locutor nas principais rádios da região. Por onde passava sua figura magra e o sorriso largo enchiam a noite de alegria.

Irreverente, criativo. Louco! Amado pelos amigos e adorado pelos ouvintes, não era unanimidade entre os patrões, que deixava sempre de cabelos em pé devido às constantes travessuras e problemas. Rui era exemplo para o bem e o mal.

Histórias tão absurdamente hilárias como sérias acompanham sua trajetória profissional. Algumas mais leves os amigos contam na outra página. Também há quem se negue a revelar o que viu e ouviu.

Garantido o anonimato, alguns deram canjas. Era comum, por exemplo, Rui mostrar o traseiro para as funcionárias. Saía correndo atrás das faxineiras feito louco berrando e fingindo que babava. Chutou e quebrou uma porta de vidro. Por vezes (depois de tomar umas na rua) dormia no chão do estúdio horas antes de entrar no ar, o que fazia depois, justiça seja feita, com maestria.

“Tenho enorme carinho e admiração pelas famílias Santini (Robertinho) e Mansur (Gil e Beto), proprietárias de duas das rádios em que trabalhei. Eles sempre foram meus fiadores quando eu alugava imóvel. Eu era largadão, mas pagava direitinho. E tenho saudade do velho Giusfredo Santini que, com 80 anos, gostava de mim e dava muita risada comigo. Ele me achava desencanado. Sem preocupações”, defende-se o locutor.

Chama o padre – Era comum, também distante do microfone, protagonizar cenas madrugada afora. Algumas reais, outras nem tanto. E, certa ocasião, a notícia correu: Rui Pantera passou dessa para melhor. Comoção, choro, ligações para as rádios e algumas risadas, ainda que nervosas, já que dele se esperava tudo. Até mesmo que, com sua lábia macia e sorriso, conseguisse ludibriar a morte.

Maringá, 1995. Altas horas da noite. Atropelado, ele foi lançado a mais de três metros de altura. Fraturou a coluna cervical (por centímetros não foi seccionada), recebeu 185 pontos e passou por três cirurgias faciais reparadoras. Morou 62 dias na UTI, 22 deles respirando por meio de aparelhos. Desenganado.

“Chamaram até um padre para me dar a unção dos enfermos. Alguns amigos em Santos souberam e pediram, via rádio, orações para meu restabelecimento. Horas depois, na rádio-peão, me mataram! Em outras ocasiões houve mais boatos de que morri. Nada! Jamais topei com algum marido traído”.

O locutor lembra que havia três tipos de Marias: a chuteira (no futebol), a batalhão (nos quartéis) e a microfone (nas rádios). O imaginário coletivo, diz e ri muito, era fantástico. As pessoas ouviam a voz do locutor e formavam mentalmente o físico: quanto mais potente, mais belo e musculoso.

“Quando me conheciam, perguntavam com cara de decepção e reprovação: Você é o Rui Pantera? Por vezes saía: Até que você é bonitinho. Galãs e muito paquerados eram o Zerri e o Tony Lamers”.

Romances não faltaram. Fora as namoradas oficiais e casos eventuais, casou por duas vezes. A prole é formada por cinco herdeiros com idade de 18 a 23 anos, com a qual, jura, mantém sempre contato. “Estou aberto a pedidos de exame de DNA. Devo ter mais por aí”.

Certa ocasião, pensaram que ele tinha pirado de vez. Foram cinco internações em clínicas, uma delas psiquiátrica. Outro virtual encontro seu com a soturna figura da foice muito comentado devido ao alcoolismo. Tivera cirrose e morrera em Maringá. Bateu na trave.

Ele retornou em 2000 à sua cidade natal porque o pai adoeceu e em três meses, morreu. Sempre chegado ao copo, mas de cerveja, vodca e conhaque em barzinhos, shows e baladas, com a perda paterna, Rui caiu em tristeza profunda. Na cachaça encontrou consolo.

“Não justifica, foi um adendo. Sempre fui alcoólatra, só não sabia. Começa tolamente com uma cerveja e vai embora. Perdi a vesícula e tive outros sérios problemas que até hoje me prejudicam. Há anos não bebo, mas saio com os amigos, jogo sinuca, vou a shows. Quem é meu amigo de verdade não oferece”.

Rui tem uma teoria: alcoolismo é doença, obviamente, mas existem só três tipos de alcoólatras: o que bebe, o em tratamento e o recuperado. “Meu caso. Não existe alcoólatra curado. Se eu tomar um gole, recaio. Você é alcoólatra até o último suspiro de vida”.

Testemunha – Pantera é apontado como uma lenda no rádio e faz parte da história do veículo. Participou da chegada da FM a Santos. A pioneira foi a Tribuna FM e, na seqüência, vieram Cultura e as demais. O locutor também foi testemunha ocular e oral dos períodos mais criativos da música, principalmente do rock, do final dos anos 1970 aos anos 1980.

Como locutor, apresentava os shows promovidos pelas rádios e foram raras as bandas que não deram aqui os primeiros passos sem que se soubesse no que se transformariam. Alguns exemplos: Kid Abelha, Camisa de Vênus, Capital Inicial, Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Titãs, Cazuza, Barão Vermelho, Nenhum de Nós, Ira, Heróis da Resistência, Blitz, Ultraje a Rigor, Rádio Taxi e RPM.

“Conheci todos os caras, ficava com eles no camarim conversando e bebendo. Havia muito assédio das fãs e loucura, coisas que não são contadas. Fazem parte do pacto do silêncio”.

Na visão do locutor, Santos sempre foi uma cidade muito musical. As pessoas adoravam cantar, dançar, as rádios recebiam os fãs, cartas e telefonemas pedindo músicas. E havia casas noturnas como Pirata, Blitz, Zoom, Lofty, Heavy Metal, Caiçara Music Hall. Neste, as bandas chegaram a gravar discos ao vivo. “Graças ao olhar sempre lá na frente do empresário Toninho Campos. O rock, no Brasil, deve muito a ele”.

Para encontrar o Pantera, em Santos, bastava ir ao sebo de discos que ele e o Johnny Hansen mantinham em uma galeria da Avenida Floriano Peixoto.

“Era uma espelunca, mas apropriada para o que a gente queria: o pessoal do rock e não os mauricinhos que freqüentavam o shopping. A molecada (alguns viraram jornalistas) encostava a magrela na porta e ninguém furtava. A gente tinha LPs importados e pirateados e fazia altos rolos, trocas. Era a época do heavy metal, Iron Maiden e o caramba”.

Fonte: http://atdigital.com.br/blognroll/?p=291
Rui, o pantera do rádio santista

Uma das principais figuras do rádio de Santos, Rui Braz, mais conhecido como Rui Pantera, já brigou, revolucionou, virou alcoólatra, recuperou-se, lançou livros de auto-ajuda e foi dado como morto depois de um acidente automobilístico.

Hoje, vivendo no Sul do Brasil, fala um pouco sobre seus momentos na comunicação de Santos. Não foi possível conseguir fotos do locutor na rádio, pois ele se desfez de todas. O argumento para isso é que o material fotográfico o deixava triste por estar longe dos amigos.

Como foi seu começo no rádio?
Em 1972. Desde garoto, apaixonado por rádio, sempre participando de programas dos seis aos 10 anos de idade por telefoneem rádios AM. Aos 10, já tinha certeza de que seria essa minha profissão: radialista. Entrei, aos 13,  em uma AM como office boy e rapidinho me tornei sonoplasta. Nunca mais saí dorádio.

E o seu primeiro contato com o rock?

Aos 13, eu já ouvia LPs dos Beatles, Rolling Stones, Creedence Clearwater Revival, Jimmy Hendrix, etc.

Como foi criar um sebo na cidade? Quanto tempo ele sobreviveu?
Cheguei em Santos em 1982. Comecei na Cultura FM. Subia e descia a serra toda semana, pois já era rato da Baratos Afins e Sebo de Elite (lojas de discos,em São Paulo). Pensei: “Santos tem tanto roqueiro(a). Por que não?”

Quais eram a dificuldades na época para se trabalhar com isso?

Muitas. Encontrar ponto onde pudesse rolar pelo menos alguns decibéis sem que o vizinho se incomodasse com o barulho. Encontrei a galeria na Avenida Marechal Floriano Peixoto. A loja ficava num local nada “mauricinho”, o que considerava perfeito, pois tanto eu como a garotada que frequentava a loja odiávamos os filhinhos de papai frequentadores de shoppings. (Risos).

Quais eram as bandas de rock, de Santos, mais importante nas décadas de 1980 e 1990?

Como o Johnny Hansen, grande amigo, trabalhou comigo na loja, gostava muito de ouvir a banda Bi-Sex, mas pela nossa grande amizade. Hansen odeia falar dessa banda. (risos). O vocal era excelente: A irmã dele. (risos) A banda era afinadíssima, mas o galo, apelido do Hansen, considerava muito comercial para o gosto dele. O galo era PUNKAÇO. E ainda é.

Lá na Pedro Lessa tinha um bar onde rolava altos sons de bandas de punk rock, mas como a gente sempre estava bêbado, nem me lembro dos nomes. Tinha muito cara inteirado lá.

Como foi seu relacionamento com essas bandas?

Sempre tive ótimo relacionamento, embora eu trabalhasse na Cultura FM, rádio comercial, popular, mas os ouvintes sabiam da existência da minha loja e sabiam também da minha preferência por rock, tanto que nunca fui discriminado ao entrar para 95 FM – A Rádio Rock. Trabalhei também na 98 FM – Ilha do Sol (era só rock) e ainda na Enseada FM (Rock).

Sempre fui muito bem tratado nas rádios rock, mesmo tendo trabalhado bem mais tempo em rádios comerciais, apresentado vários shows populares na praia, etc.

Também apresentei vários shows de rock no saudoso Heavy Metal e no Caiçara Music Hall, as duas casas do Toninho Campos, grande amigo, roqueiro de respeito.

Sei que você foi um cara fundamental na inserção de bandas da região nas rádios locais. Como isso aconteceu? Você se recorda as datas que aconteceram? Em quais rádios tocavam e o que era tocado?

Eu sempre dei atenção total aos meus amigos, em especial aos apaixonados por música. Ouvia tudo que era fita demo e nesses anos era fita cassete mesmo, às vezes essas porras enrolavam. (risos). Ficava eu emendando com durex, enrolando com caneta bic, mas sempre dava um jeito de ouvir a molecada nova.

Algumas bandas, cujo nome não me recordo, chegaram a gravar LPs, mas os integrantes não tinham tempo para viajar e fazer divulgação. Então a coisa ficava restrita mesmo ao litoral, o que já agradava muito os ouvintes, frequentadores de casas noturnas.

As bandas que eu ouvia e decidia colocar na programação, eram inseridas em playlist da Cultura, mesmo quando trabalhava em outras rádios onde não era eu o coordenador. Sugeria a inserção da banda e meu endosso era sempre bem aceito pelos coordenadores, sempre confiantes em meu ouvido aguçado e experiência em rádio.

Qual foi o papel das rádios no cenário rock n’ roll de Santos?

As rádios, antes da chegada da 95 FM, tiveram excelente participação ao tocar o que o Brasil inteiro tocava: Blitz, Paralamas, Ira, Radio Taxi, Kid Abelha, aquela merda do RPM e muitas outras bandas. Algumas boas, outras horríveis. E as rádios, mesmo as comerciais, aderiram à New Wave, rolando B52′s, Devo e aquela porrada de gente com cabelo pintado e o caralho. (Risos).

A discoteca Zoom gerava fila que chegava na Choperia Galle, outro point do Gonzaga que vivia lotadaço. Com a chegada da 95 FM, na fase 100% rock, brilhantemente coordenada por Cleber Celino, o rock em Santos tomou um rumo mais maduro, com programação voltada somente para roqueiros mesmo, sem chance para pára-quedista.

Rádios sempre tiveram sua dose de participação no cenário do rock de Santos, mesmo as comerciais, porque pelo menos divulgavam notas sobre movimentos e eventos.

7 comentários sobre “Rui Braz: O Pantera

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  2. MARQUINHOS MAC Áudio 5 de abril de 2012 09:10

    tenho o privilégio de ser amigo de coração desse sr ae….. sou um profundo admirador do RUI… pessoa de tamanha competência , inteligência,sabe de tudo,e sabe mesmo…se não sabe aprende em segundos hehehe…fiquei muito feliz de ver essa matéria sobre o RUI .. se for contar as histórias do RUI vai faltar espaço no HD , merece todo nosso carinho..abraço PANTERA doido .

  3. que é isso? 5 de abril de 2012 13:16

    com certesa é o cara sim.

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