Maringá 69 anos

Hoje, 10 de maio, a cidade de Maringá completa 69 anos. Paiçandu sempre foi direta ou indiretamente ligada ao município vizinho e de certa forma dependente dele.

Chegou no passado a ter a alcunha de cidade dormitório, por conta exatamente desta dependência que fazia e faz ainda nos dias de hoje seus moradores buscarem trabalho, além de serviços diversos na cidade vizinha.

No blog do Luiz de Carvalho do portal o Diário de hoje ele faz uma bela matéria de como foi aquele 10 de maio de 1947. Veja abaixo:

No dia 10 de maio de 1947, quando a Companhia Melhoramentos Norte do Paraná fez o lançamento do Maringá Novo, o carpinteiro Izaltino Machado já estava cansado de trabalhar no projeto, o corretor Vicente Vareschini já estava vendendo os terrenos e o derrubador de matas Antonio Manfrinato trabalhou na abertura da clareira na mata onde seria o centro da nova cidade. Os três participaram da festa de lançamento, nunca saíram da cidade que ajudaram a começar e hoje se espantam ao ver a metrópole que ela se tornou.


Tinha chovido e feito frio nos dias anteriores, mas naquele sábado o tempo estava bom. Cumprindo ordem de seu patrão, Aristides de Souza Mello, diretor da Companhia Melhoramentos que morava em Londrina, Manfrinato, então um moço de 25 anos que chegou um mês antes para trabalhar na derrubada de matas onde seria construída a nova cidade, levantou cedo e foi para onde a Melhoramentos tinha construído seu escritório. Junto com outros empregados, deu de mão a um facão e entrou na mata para cortar varas.

Quando voltou com um feixe de varas nas costas, ajudou outros homens a abrir uma valeta, jogar alguns pedaços de madeira, ainda verde, espalhar querosene e tocar fogo. Ali aconteceria a primeira churrascada de Maringá fora do Maringá Velho.

O escritório da Melhoramentos era uma construção em madeira exatamente onde é o Centro Comercial, a churrasqueira foi improvisada a poucos metros, onde hoje fica o posto da Polícia Militar na Praça Raposo Tavares e as varas para espeto foram tiradas da mata densa de onde por muito tempo existiu a chamada rodoviária velha.

“A madeira que foi queimada era de árvores que tinham sido derrubadas poucos dias antes. Não pegava fogo, fazia mais fumaça do que fogo”, lembra Antonio Manfrinato. “Eram cerca de 20 diretores da Melhoramentos, mas estavam presentes também alguns comerciantes do Maringá Velho e gente do povo”. Manfrinato lembra que a carne, toda de primeira, chegou em tambores e já estava salgada. “A gente só espetava, assava e servia.

Vicente Vareschini também tinha 25 anos e já estava em Maringá fazia dois anos, trabalhando como corretor de terras para fazendas. Era um dos representantes da Companhia Melhoramentos em Maringá e tinha passado este tempo viajando para São Paulo e outras regiões para vender as terras da Melhoramentos na região. Já tinha trazido centenas de famílias, mas naquele sábado vestiu sua melhor roupa e foi de jipe para onde acabava de ser construído o escritório da loteadora.

Não havia ruas de verdade, mas veredas no meio da mata. As perobas e outras grandes árvores haviam sido tiradas de onde seria o leito da Avenida Brasil. O resto era mata fechada. “Era uma data importante, pois marcava o nascimento de uma cidade”, contou ele, aos 94 anos, em sua casa no Conjunto Borba Gato, ao lado da mulher, a também pioneira Irene Germano, e a filha Jane. Vieram os diretores da Melhoramentos, que ficavam baseados em Londrina e os que trabalhavam em outras cidades do norte, como Rolândia, Apucarana e Mandaguari”.

Izaltino Machado, na época com 16 anos, vestiu sua melhor roupa para participar da festa com seus irmãos. Afinal, seriam inauguradas obras que ele ajudou a construir. O irmão mais velho dele, Francisco Machado Homem Júnior, era o carpinteiro chefe da Melhoramentos em Maringá e a família, junto com diversos outros operários, tinha trabalhando na construção do escritório, das moradias para os empregados e da casa do gerente, na época o suíço Alfredo Werner Nyffeler, na Avenida Brasil, no ponto mais central de Maringá – se bem que, na época, ficava em plena mata.

“Começamos do zero, primeiro construindo casas para os diretores e funcionários. Eram casas de alto padrão, com fino acabamento”. Izaltino lembra que a casa de Nyffeler exigiu muito da equipe, porque tudo tinha que ser de primeira. “Passei dias de ‘quatro pés’ planando os assoalhos, os pilares da área foram todos aparelhados a mão, mas no final o trabalho agradou o doutor Alfredo, que era suíço e estava acostumado com o padrão europeu”.

Depois do churrasco, aconteceram alguns discursos rápidos – ninguém lembra quem eram os oradores –, o momento principal foi quando o doutor Aristides de Mello e o padre Emílio Clemente Scherer desataram a fita simbólica, dando por inaugurados o escritório e a residência. Aquele foi o momento em que inauguraram Maringá e Manfrinato, Vareschini e Izaltino Machado estavam lá para confirmar.

Os três homens que assistiram o momento em que nasceu a cidade decidiram continuar morando nela, testemunhando, dia a dia, seu crescimento. Para Izaltino, uma das alegrias é ver que a casa que ele e os irmãos ajudaram a construir para o doutor Alfredo Nyffeler continua em pé e bem cuidada. Ela foi levada para o Campus da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e abriga o Museu da Bacia. “Ela foi reconstruída exatamente como era na Avenida Brasil e mais uma vez eu participei, só que desta vez como consultor, para garantir que a reconstrução seria fiel à original”. Coincidentemente, ela foi montada em um terreno que já pertenceu a Izaltino, ao lado de pés de manga e outras árvores que ele plantou há mais de 60 anos.

Descrença

Vicente Vareschini passou décadas na Melhoramentos e agora diz que não acreditava que Maringá viraria uma metrópole. “Não acreditava no começo, mas na década de 1950 esta cidade pegou um ritmo de crescimento que a partir daí ninguém imaginava até onde ia. Cresceu e ficou bonita, a mais bonita que eu já vi”, diz satisfeito.

“Estou com 94 anos e passo o dia inteiro caminhando pela cidade. A cada dia vejo coisas que eu não conhecia. Esta cidade cresce muito rápido e é maior e mais bonita do que podíamos imaginar na época”, diz Antonio Manfrinato.

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