O “DIA D” DE DILMA – Após polêmicas e reviravoltas, Senado vota hoje processo que pode afastar Dilma Rousseff da presidência do Brasil

Sucesso absoluto no mundo do entretenimento, o seriado House of Cards, da Netflix, conta a história do congressista norte-americano Frank Underwood (Kevin Spacey), que realiza uma série de manobras pouco nobres para galgar o sucesso na política dos Estados Unidos

As tramas e artimanhas da série conquistaram o público brasileiro, mas a ficção agora parece menos interessante do que a realidade atravessada em nosso país.

Em meio a constantes reviravoltas e polêmicas, o Brasil vive hoje um dos momentos políticos mais conturbados de sua história. Nesta quarta-feira, dia 11, a trama deve ganhar um novo e importante capítulo.

Presidido pelo presidente da casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), o Senado vota hoje sua decisão sobre a abertura ou não do processo de impedimento da presidente da República, Dilma Rousseff (PT).

Caso mais da metade dos senadores vote a favor da continuidade do processo, o mandato de Dilma será automaticamente suspenso por 180 dias. Neste cenário, o vice-presidente Michel Temer assumirá a presidência da República até o fim do processo de impeachment que pode culminar ou não na saída definitiva de Dilma do cargo.

Reviravolta na Câmara:

A trama do impeachment que se arrasta há meses ganhou mais um polêmico capítulo nesta segunda-feira, dia 9, quando o presidente em exercício da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão (PP-MA), acatou um recurso da Advocacia Geral da União (AGU) pedindo a anulação da votação que aprovou a continuidade do processo de impeachment de Dilma Rousseff.

Mais tarde, no entanto, Maranhão voltou atrás e revogou sua própria decisão. Antes da revogação, Renan Calheiros já havia dito que prosseguiria com a votação no Senado independente do recurso acatado pelo presidente da Câmara dos Deputados.

Votação no Senado e processo:

A partir das 9h de hoje, os senadores iniciarão a votação do processo do impeachment de Dilma. De acordo com o presidente Renan Calheiros, a sessão terá um intervalo para almoço do meio-dia às 13h. Mais tarde, das 18h às 19h, a votação para novamente para o jantar. Estima-se que a votação leve entre 10 e 20 horas para ser concluída.

Ao contrário da votação do processo na Câmara dos Deputados, a votação no Senado não contará com discursos e não deve ser televisionada na TV aberta, como foi feito com a primeira. A votação dos deputados causou grande polêmica, com muitos brasileiros ironizando as declarações e a espetacularização que se formou durante a decisão da Câmara.

Caso a maioria dos senadores opte pela abertura do processo de impeachment, Dilma Rousseff terá 20 dias para apresentar sua defesa. O processo passará então para o Supremo Tribunal Federal, cujo presidente será responsável pela condução do processo.

Durante o rito, serão realizados interrogatórios e apresentação de provas de acusação e de defesa. Após a realização deste processo, defesa e acusação terão 15 dias para apresentarem suas alegações finais. Se o processo continuar e a acusação for acatada, o Senado voltará a votar pela procedência ou não do impeachment. Se aprovado, o processo irá para seu julgamento final. Caso contrário, será arquivo e Dilma reassumirá a presidência.

Com a definição de todos esses segmentos do processo, os senadores votam mais uma vez, respondendo se aceitam ou não a possível acusação do STF de que Dilma cometeu crimes de responsabilidade fiscal. Se o “sim” para a questão vencer, Dilma perde seu mandato e fica impossibilitada de exercer cargos públicos por 8 anos. Michel Temer assumirá a presidência da República até o fim do mandato de Dilma, em 2018. Se o “não” vencer, Dilma retoma seu assento e prossegue com seu mandato até o fim.

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