Ensaio



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A seguir, a boa e velha coluna Ensaio de domingo. Espaço para os paiçanduenses ligados às letras e afins…

  • “O tempo cura ou o tempo mata”

 

Boneca de pano III

No sombrio da noite a boneca pergunta as rosas.
O que serão delas ao final, tão belas e perfumadas, sendo adoradas pelo jardineiro.
Mas as rosas…
Rosas são superiores,
Não falam, despertam desejos.
E por momentos a boneca teve inveja das rosas.
Deu pra maldizer de seus espinhos.
Espinhos sangram…
Mas por que uma boneca estaria preocupada com isso?
Sangue é vida e vida é o que ela não tem.
(A dor se manifesta no que pulsa)
Talvez um dia pensasse que teria.
Em outro lugar, em outro momento, na caixa de brinquedo,
Quem sabe? Se não fosse de pano…
O tempo se foi.
Não há rosas, nem jardineiro, a boneca também se foi.
Cumpre então o seu destino,
se decompôs em meio ao lixo que hoje se encontra.
Quem se lembra?

Era apenas um brinquedo substituível.
O tempo cura ou o tempo mata?

Andréia Fontini - Nas asas da imaginação
 
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  • “Domina-te a inocência ao dormir, ou te fazes criança…”

 

Opus 351

 

De rosas repleto deixei teu leito
como a um jardim para adornar a flor
mais bela em seu momento que é o mais belo:
quando a humana carne desconhece a dor.

Domina-te a inocência ao dormir
e te fazes criança então, sem labor
qualquer que possa contra ti sorrir
como sorri o gênio do dissabor.

Desconheço a matéria dos teus sonhos,
mas palpita teu peito. Frente ao horror
estarás?! E só, oh maior dos meus sonhos?!

Desperta já tu que amante me fez!
Tudo que quero é sentir o calor
do teu olhar, latente ora, outra vez.

Felipe Franchesco Alves Marri - O jazigo conciso de caos

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  • Vivemos em uma época onde os supostos amores duram o tempo de uma estação…

 

Reticências em apreço

       Reticências são úteis no decorrer deste pensamento transcrito. Uma vez que não sei o que será escrito daqui meses… Tudo depende somente […]

      Uma certa esperança corre por minhas veias e salienta meu coração. Minha mente transpira e neste turbilhão de pensamentos e ideias um sentimento se faz presente… Profundo, complexo, insistente, digamos que um tanto indecifrável…
     Eu não quero sentir o que sinto. Não quero investir em algo inconsistente… Longínquo… Incerto… Sinto-me desafiada a uma nova loucura. Na realidade, apenas sinto, sinto e não me dou! Tenho medo das distâncias, tenho medo do meu sentimentalismo agudo.
   Tal moço faz-me sentir iluminada, alegremente confusa… É o objeto escolhido do verbo intransitivo… Amar. Não quero amar, tenho medo de amar. Amar, amar… muitas pessoas não sabem…  Amar é coisa de gente corajosa, vivemos em uma época onde os supostos amores duram o tempo de uma estação. Tenho medo, desse sentimento, desse segredo.
    Devo dizer “sossegue coração”? Ou pensar em um começo? Já poetizou Gabito Nunes: “O imprevisto acontece e alguém te encontra. E te reencontra. Te reinventa. Te reencanta. Te recomeça”, ah quer saber, permaneço em minhas reticências […]
Estela Santos - Catarses Momentâneas 
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Acorda! Acorda! Acorda!

Só dorme quem não tem o que perder
E nem pressa para viver.
Acorda!
O sono é raro – caro.
Acorda!
A chuva é vênus, e o vento é de sagitário.
Acorda!
Que neste momento só dorme quem tem cadeira,
Não quem precisa de uma beira;
Na selva quem tem cadeira é rei.
Acorda!
O leão finge está dormindo,
Na verdade ele te espera faminto.

Andréia Fontini

Opus 256 – Poema em quatro versos-palavras.

Mãe: palavra espelhada em sonhos altruístas.
Lar: terra seca, fortaleza de ignomínia.
Amor: um fortíssimo sabor de mentiras.
Mundo: oceano de mil correntes niilistas.
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A boneca de pano II

Tempos depois lembrou-se da boneca.
Saudade?
Não, a vida tem dessas coisas.
Recordar.
E a boneca estava lá, sorrindo como sempre,
Sob a terra vermelha do jardim.
Estava mais velha, com a fisionomia empobrecida,
Não pelo esquecimento, isso não lhe faz diferença.
Foi o tempo que passou e levou suas cores, seu brilho…
Passastes por ali um inseto, achando graça da boneca… quis brincar…
Sorriu para ela, e ao vê-la em trapos pôs-se a caminhar;
Mas de insetos a boneca não quer se aproximar.
Entre Rosas ela se viu.

Poderia demonstrar alegria,
Se não fosse de pano.
Ouve de longe o jardineiro contar feitos sobre flores.
Quem sabe ele não lhe devolve vida!
Cultivá-la, como cultiva as Rosas!
A raridade da rosa é ser bela e fera.
Bonecas não possuem espinhos.

– Antes fosse bela como outrora!
A noite os pingos a umedeceu.
Saudade?
Orvalho?
Ou chuva?

 

Da Andréia Fontini, sempre voando nas Asas da Imaginação

 

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À inocência

Ouça meu amor
O canto que te deito
Pelo qual te clamo:
Te reveles para mim!

Veja os palhaços tristes que dançam:
São belos mas não são capazes,
De tão belo sentimento entender.

Aurora algoz meu,
Ainda sob tuas unhas há o sangue
Do mundo onde deuses jogam dados e homens xadrez.

Ouça meu amor
O canto que te deito
Pelo qual te clamo:
Te reveles para mim!

Felipe Franchesco

Ensaio, Outras
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“Somos todos bons em alguma coisa. Só talvez ainda não tenhamos percebido. Se você chegou onde está (não importa o lugar), foi porque batalhou, porque não desistiu e, mais ainda, acreditou no seu potencial, na sua superioridade. Não superioridade em comparação aos outros, mas em relação a você mesmo, aos seus limites, você os superou. E isso prova que você tem, sim, talento.

A vida está aí, e nela existem muitos obstáculos que precisamos enfrentar. Isso não é tarefa fácil, mas necessária, todos os dias, todas as horas, todos os momentos.

Só sabendo que poderia existir uma realidade bem diferente da que nos encontramos, que poderia nos faltar muito mais do que achamos que falta, que poderíamos ser impossibilitados de alcançar a metade do que alcançamos, e que isso é uma realidade na vida de muitos, deve ser suficiente para que acreditemos em nós, e saibamos que podemos ser muito mais do que fomos até agora.

Superar limites. Isso é ser superior, e todo mundo pode.”


Do Escrevendo a Vida,  blog local de Aline Zuli, redatora publicitária e aluna do  3º ano de Publicidade e Propaganda.

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APRENDI…


Hoje aprendi que os valores não são iguais.
Que damos um valor a quem não merece ou que não damos valores a quem o espera.
Hoje aprendi que se eu tiver que dá valor a alguém não tenho que esperar nada em troca. Aprendi que em uma relação pode não haver reciprocidade.
Aprendi que o valor que eu dou as pessoas é um sentimento meu. Que não diz respeito à pessoa valorizada, muitas não se importam se está sendo ou não valorizada por mim. Enquanto outras esperam uma palavra de conforto dos meus lábios.
Hoje eu aprendi que se eu tiver que gostar de alguém não espero que ela goste de mim, posso simplesmente valorizá-la sem que ela saiba que está sendo valorizada. Ou deixar sentir que está tendo valor por minha parte.
Hoje eu aprendi que os valores diminuem ou aumentam, mas não chegam à zero, pois se um dia foi valorizado é porque valeu apena.
Aprendi que a distância não apaga os valores. Continue lendo

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Conheci este texto de Marcos Besas, assistindo há alguns anos este lindo vídeo de animação de Carlos Lascano, narrado por  Sancho Gracia:

A Lenda do Espantalho – (La leyenda del espantapájaros)

http://www.youtube.com/watch?v=-dnIU1Ip5Vs&feature=related

Não achei o texto em Português, então usando meu espanhol básico e artifícios modernos fiz uma tradução aproximada:

A Lenda do Espantalho
Era uma vez um espantalho que não tinha amigos. Ele trabalhava em um campo de trigo.  Era um trabalho árduo, mas muito solitário. Sem ninguém para conversar,  seus dias e suas noites eram eternas. Tudo o que  podia fazer era observar os pássaros.
Cada vez que passavam, ele os cumprimentava  Mas eles nunca respondiam. Era como se eles estivessem com medo.  Um dia ele fez algo proibido:  ofereceu algumas sementes. Mas ainda assim eles não queriam saber de nada. O espantalho se perguntava porque ninguém queria ser seu amigo. Assim passou o tempo até que em uma noite fria, caiu a seus  pés um corvo cego. O corvo estava tremendo e com fome. O Espantalho decidiu  cuidar dele. Depois de vários dias, o corvo cego melhorou. Antes de o deixar partir o espantalho perguntou por que os pássaros nunca quiseram  fazer amizade com ele?  O corvo explicou que o trabalho dos espantalhos era assustar as pobres aves que só queriam comer, ele era um ser malvado e desprezível,  um  monstro.
Ofendido, o espantalho explicou que ele não era mau, apesar de ser um  espantalho.
Novamente, o espantalho ficou sem amigos.
Naquela noite, decidiu mudar sua  vida. Ele acordou o seu dono e lhe disse que queria um outro trabalho, ele não queria assustar mais aves. Apavorado, o dono acordou  todos os seus vizinhos, lhes disse que o seu espantalho tinha chegado vivo e que isso só poderia ser obra do diabo.
Perto dali estava o corvo cego. Seus amigos lhe falaram que moradores da vila estavam queimando um moinho, dentro do qual,  estava tentando se esconder um espantalho com um cachecol muito longo. O corvo cego então explicou que este era o espantalho bondoso, que tinha  lhe salvado a vida. Chocado com a história, o corvos queriam  salvar o espantalho, mas era tarde demais e não podiam fazer nada:  o espantalho morreu queimado.  Os corvos esperaram até amanhecer e quando não havia mais chamas se aproximaram dos restos do moinho,  e levaram as cinzas do espantalho. E voando alto, muito alto… E desde o mais alto espalharam as cinzas  no ar. O vento soprou as cinzas por todo o campo. As cinzas voaram juntos com todos os pássaros e, assim, nunca o espantalho voltou a estar só.
Por que suas cinzas voavam com seus novos amigos. E, em memória da morte trágica de espantalho, o corvo cego e todos os seus companheiros decidiram-se vestir-se de preto. E  assim, desde então, em memória do espantalho, todos os corvos são… pretos.


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“A alucinação proporcionada era fascinante. O som dos passos era a nossa música. E ela estava intensa, rítmica, densa, pesada como um martelo. Poderia ser melhor? Presumo que não.
Dancei, dancei, dancei, dancei e, quando me preparava para dançar novamente, um enfarto fulminante levou-me. Já era manhã, o Sol estava relativamente alto. Os alvos faziam o caminho para o trabalho, alvejando-nos enquanto tentavam desviar dos velhos loucos, como diziam. Era mentira. Algumas damas, muitas ainda estudantes, ainda estavam por lá: exímias bailarinas, exímias ninfetas. A massa, que se reunira no alto da noite, em verdade já havia ido. Mas não nós. Digo: mas não eles. Afinal morri antes de ver o término do baile.”

De Felipe Franchesco, expondo seu assaz pensamento crítico e casmurro no Semmente. Bem vindo à turma.

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