Mês: fevereiro 2016



Como sempre, quem paga é o técnico

A circunstância tirou para a dança o quarto técnico na temporada do Campeonato Paranaense. Edison Borges não resistiu á sequência de cinco partidas contabilizando apenas uma vitória. Deixa o time na zona de classificação tendo enfrentado três das equipes que estão acima na tabela. Na ordem inversa PSTC (5º colocado), Paraná Clube (o líder) e o Atlético (vice-líder). É uma campanha dentro da realidade de quem assume estar na competição para evitar a queda à Divisão de Acesso. Não bastou ao agora ex-treinador da Zebra a postura correta; o tentar tirar leite de pedras e o argumento de que contusões frequentes o impediram até de ter um time titular. Não foi suficiente a demonstração de fidelidade ao clube maringaense quando recusou (semana passada) o convite do Operário para trocar de trabalho por um salário consideravelmente maior. Os resultados não vieram, a pressão pesou sobre a diretoria que a transferiu para o profissional responsável pela comissão técnica. Nenhuma surpresa, já que geral, no futebol brasileiro, adota essa prática: “time não ganha, treinador não fica”. Chega Pierrô, que conhece o futebol do Estado, mas vai precisar de tempo para conhecer o grupo. Terá?

Antes de Borges os técnicos Antônio Picolli, Charles Gbeke e Alan Aal tinham deixado Operário, Cascavel e Rio Branco, respectivamente.

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Paranaense – Operário acerta contratação de Sturion

Em situação desconfortável na classificação, após quatro rodadas sem uma única vitória, o Operário de Ponta Grossa anunciou nesta quarta-feira o acerto com o técnico Claudemir Sturion, visando evitar uma tragédia na temporada que seria o descenso. Atual campeão, o Fantasma demitiu o treinador Antônio Piccoli, responsável pela montagem do elenco, após o empate em casa com o Maringá FC, no último domingo, no estádio Germano Krüger. Acerta a equipe ponta-grossense. Profissional dos mais qualificados, Sturion foi responsável pelo acesso do Maringá FC em 2013 no Paranaense, se manteve no comando da Zebra na Primeira Divisão e a levou à final de 2014, perdendo a decisão para o Londrina nos pênaltis. Antes de contratar Sturion, a diretoria do Operário teve (depois do jogo de domingo passado), uma conversa com Edison Borges, sugerindo que o técnico do MFC trocasse de alvinegros. Numa demostração de profissionalismo, Borges recusou e segue comandando a equipe maringaense.

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Suportar pressão é um bom começo

Na modesta campanha que faz até essa quarta rodada, o Maringá FC evidencia uma incontestável virtude. É um time que suporta pressão. Ficou claro isso nos dois compromissos cumpridos fora de casa. No primeiro deles, diante do Atlético, encarou de igual para igual o time que está na condição de favorito para a conquista do título e só não voltou para a Cidade Canção com um consagrador empate por lhe ter faltado o mínimo de sorte. Em nenhum momento se viu acuado pelo bom time atleticano e em fortuitos momentos do confronto chegou a ‘assustar’ os donos a casa. Repetiu-se essa capacidade de não se abalar com o jogar no campo rival no empate sem gols com o Operário, no domingo, no Germano Krüger, em ponta Grossa. Hábil na montagem de seu time, Edison Borges viu os princesinos se arvorarem na etapa inicial. Detectou competências e fragilidades do Fantasma e no segundo tempo partiu pra cima. Esteve mais próximo do triunfo que da derrota. Poderia ter vencido o combate se Bruno Andrade aproveitasse a clara (incrivelmente clara) chance que teve de marcar aos 46 minutos do final. Bruno, se ganhar uma sequência como titular no ataque do Tricolor, vai ser destaque desta temporada.

Ficou claro, então, que além do time não tremer em campos estranhos, tem no banco um atento treinador. Trabalha o jogo de acordo com as peças que tem encaixando-as nas vulnerabilidades que o rival apresenta. Ele ‘liquidou’ o treinador ponta-grossense (que perdeu o emprego depois do jogo) quando destinou Zé Leandro para atuar como cão de guarda sobre a melhor peça operariana, o meia armador sérvio Marko Perovic.

Fora de casa foram dois bons jogos. Diante da torcida existe uma dívida pendente com as abaixo do normal apresentações contra Rio Branco e Paraná Clube.

Suportar pressão é um bom começo. Quem exercita isso, habilita-se, com o tempo, a também pressionar. Quando isso acontecer a Zebra estará na briga por um lugarzinho nas oitavas de final.

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Desesperar jamais

Ao perder para o Paraná por 2 a 1 no Willie Davids, o Maringá FC pôs em pânico alguns pessimistas. Mas não há motivo para desespero. Diante de um rival que está entre os candidatos ao título, a Zebra até fez um bom segundo tempo (o primeiro não!) e teria obtido a igualdade no placar não fosse a desastrosa e infeliz saída do goleiro Willian num momento crucial do confronto quando os paranistas fizeram o gol que resultou na vitória deles. Duas derrotas consecutivas não é a largada que torcida imaginava para a terceira temporada da Zebra na elite do futebol estadual. Não é, porém, o estabelecimento do caos

E surge desta circunstância a necessidade de uma reflexão. Há uma realidade com a qual os que torcem pelo time precisam conviver. Com o investimento que a diretoria conseguiu fazer (faltou mais patrocínio, a renda das bilheterias está muito aquém do esperado e o programa sócio-torcedor tem até agora uma resposta pífia), o time tem como objetivo principal evitar o vexame do rebaixamento. E, sejamos sinceros, exceto o trio-de-ferro da capital todas as demais equipes andam nessa corda bamba, incluindo o atual campeão Operário e o badalado Londrina que comemora a sucessão de acesso até estar na Série B nacional. O Tubarão corre risco de perder seis pontos por utilização irregular de Germano na primeira rodada.

No caso do Maringá, pelo que se viu até agora, a missão de se manter na elite é tangível. O time tem a vantagem de chegar à quinta rodada da competição entre os oito primeiros colocados (que vão à segunda fase) mesmo que perca para do Operário, neste domingo, se uma combinação de resultados lhe favorecer.

Parece pouco. Mas a tabela empresta otimismo para o time do técnico Edison Borges. O MFC não terá que enfrentar dois dos favoritos ao título — Atlético e Paraná — que vão pegar os concorrentes dos maringaenses e certamente impedi-los de evoluir na classificação. Além disso, vai jogar em casa contra adversários menos difíceis que são PSTC, Cascavel, Foz do Iguaçu e Londrina. A soma destes pontos garante passagem para as oitavas de final. A média histórica nos ensina que nos últimos três anos, a classificação para a segunda fase do Paranaense foi garantida com pontuação baixa: 14 pontos em 2015, 15 em 2014 e 12 em 2013. Pontos também podem advir dos jogos em campos rivais contra J. Malucelli, Toledo e Coritiba.

Mas não são só estatísticas. Está posto que embora não tenha feito ainda uma apresentação convincente, a Zebra tem um elenco qualificado e transformar isso em melhores resultados é questão de tempo. Sem desespero, portanto. Manter-se na Primeira Divisão é a meta; passar às oitavas, lucro, e a partir daí será necessário acender velas para o acaso. Sigamos o exemplo da canção abaixo, lavra de Ivan Lins e Victor Martins que sugere encarar momentos dificultosos com serenidade.

 

 

 

“Desesperar jamais

Aprendemos muito nesses anos

Afinal de contas não tem cabimento

Entregar o jogo no primeiro tempo

Nada de correr da raia

Nada de morrer na praia

Nada! Nada! Nada de esquecer

No balanço de perdas e danos

Já tivemos muitos desenganos

Já tivemos muito que chorar

Mas agora, acho que chegou a hora

De fazer valer o dito popular”

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Não jogar mal e perder é um perigo

Bombardeado por críticas por conta da atuação pouco convincente quando venceu ao Rio Branco, no Willie Davids, na estreia do Paranaense, pelo placar mínimo, o Maringá FC foi enfrentar o Atlético em Curitiba e conheceu sua primeira derrota na temporada. Sem jogar mal, na ótica dos críticos. Diante do favorito ao título da atual temporada, que vinha de triunfo sobre o campeão Operário, em Ponta Grossa, por 2 a 0, a Zebra fez um jogo burocrático, acautelado defensivamente e explorando contragolpes com eficiência. Para muitos a igualdade no placar, que foi de 1 a 0 para o Furacão, seria o resultado mais justo. O confronto serviu para evidenciar a qualidade de alguns jogadores, antes questionada por alguns. Foram os casos dos laterais Hélder e Adriano, da dupla de beques Cleiton/Rogélio e do meia Andrezinho, além do goleiro Willian, malgrado a ‘infelicidade’ no gol dos atleticanos.

O resultado faz aflorar uma discussão secular: é melhor jogar mal com vitória ou fazer um bom jogo e não contabilizar ponto nenhum? Entendo que a opção primeira é a do torcedor que quer seu time confortável na classificação de uma competição na qual os dois últimos colocados (após turno único) vão arder nas chamas do rebaixamento.O técnico Edison Borges tem uma máxima que me parece correta: ‘torcedor não quer jogo bonito e sim resultado bonito”. Isso é sensato. Num paranaense que tem o equilíbrio como marca, onde, com exceção da dupla Atletiba, todos vão brigar para evitar a degola, jogar bem fica num terceiro plano. Imprescindível é contabilizar pontos. Com base nisso, é esperar que na terceira volta do Estadual o MFC faça um jogo que mereça ‘narizes torcidos’ diante do Paraná Clube (na Quarta-feira de Cinzas, no WD), mas some mais três pontos na classificação. Os que apreciam futebol bonito têm como alternativa ligar a TV e assistir ao Barcelona.

PS. Em 2014, na final com o Londrina, o Maringá FC foi infinitamente superior ao rival nos dois confrontos (2 a 2 fora e 1 a 1 em casa); caiu nos pênaltis. Em 2015, nas quartas de final, a história se repetiu.

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