Mês: maio 2016



Maringá 69 anos: futebol chegou com gentileza

Foi a partir do generoso gesto do engenheiro Willie da Fonseca Brabazon Davids, que a história do esporte em Maringá teve início. O espaço onde hoje se concentra a Vila Olímpica era propriedade particular do descendente de ingleses integrante da cúpula administrativa da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná. Os peões da empresa que abriram a mata para construir a hoje Cidade Canção, solicitaram da diretoria uma área para a prática do futebol, que não ficasse distante da sede da companhia. Não havia. Os lotes já tinham sido destinados a funcionários do primeiro escalão. Foi então que Davids surpreendeu a todos abrindo mão de sua propriedade para que na privilegiada área se praticasse a modalidade. Mais tarde, em 1953, no local se edificou o estádio com confortos maiores como cêrca (de madeira), vestiários, gramado, residência para o zelador e cabines de rádio. Mas antes, no que era só uma clareira, os trabalhadores fizeram as primeiras peladas ao longo da década de 1940.

Com o tempo adicionou-se mais espaço para a concentração do que hoje é o nacionalmente elogiado complexo da Vila Olímpica. Dois ginásios poliesportivos (Chico Neto e Valdir Pinheiro), parque aquático, quadras de vôlei de areia, velódromo, pista de atletismo, academia da terceira idade e alojamento para 80 atletas. Estrutura que dá ao espaço status de referência nacional. Tanto que a seleção brasileira de ciclismo a usou para a preparação do grupo que disputou no ano passado a Campeonato Sul-Americano da modalidade.

É justo, portanto, que o estádio que nos dias atuais se constitui em um dos cartões postais da cidade, tenha a denominação do pioneiro. Willie Davids, que antes de vir para Maringá foi prefeito das cidades de Jacarezinho e Londrina, deu uma impagável contribuição para o esporte local na sua origem.

HISTÓRIA

Das arquibancadas do WD diversas gerações contemplaram tempos de glórias do futebol maringaense. Viram desfiliar equipes que por três vezes deram ao município a condição de campeão da divisão de elite do futebol no Estado. Em 1963 e 1964, com o Grêmio Esportivo Maringá e em 1977, com o também alvinegro Grêmio de Esportes Maringá. Teve ali também frustrações marcantes, a maior delas, talvez, recentemente quando a cidade buscava o troféu de campeã pela quarta vez, com o Maringá FC, que acabou sendo derrotado, nos pênaltis, pelo principal rival, o Londrina EC.

Entre os jogos marcantes que o estádio municipal acomodou estão os amistosos com seleções da então União Soviética e Romênia. Com a primeira veio o lendário goleiro Lev Yashin, considerado o maior da posição no planeta em todos os tempos. Também ali jogou a seleção do Uruguai, além do campeão austríaco Rapid de Viena e o notável time do Santos que Pelé liderou nos anos 60. Na tarde do dia 16 de maio de 1965 ocorreu o mítico placar de 11 a 1 para a equipe santista, na única vez que o Rei do Futebol pisou a grama do WD. A praça que hoje acomoda 21 mil pessoas, tem seu público recorde registado em 1977 quando, pelo Campeonato Brasileiro recebeu 33 mil torcedores que viram o GEM vencer o Grêmio de Porto Alegre por 2 a 1. Isso corrige a inverdade que a Internet dá com a informação de que o maior número de expectadores foi 34.118 pessoas no jogo entre Grêmio e Apucarana em 3 de março de 1996.

OUTROS CAMPOS

O estádio municipal, que se modernizou ao longo do tempo, não é, no entanto, o local único onde se praticou o futebol desde que a região começou a ser desbravada. Antes, na era do amadorismo, o futebol foi exercido nos históricos e extintos campos da Ferroviária, atual Novo Centro; estádio da Sociedade Esportiva e Recreativa Maringá (Serm), onde hoje está a edificação do Sesi; no campo da Zacharias (lá jogava o Telefônica EC); do Mandacaru e principalmente no Brinco da Vila, na Vila Operária, que serviu com CT para o campeão de 1977 Grêmio de Esportes Maringá (desativado em 1996).

O Desporto maringaense ocupou a cena nacional em ocasiões. pontuais. A primeira experiência foi com o título do Robertinho, uma ramificação da principal competição do futebol nacional à época, o Torneio Roberto Gomes Pedrosa que envolvia as principais equipes do País. O Grêmio Esportivo Maringá foi, em 1968, campeão da competição em finais históricas diante do Sport do Recife: 3 a 0 cá, 3 a 0 lá! Parafraseando a manchete do principal jornal na capital pernambucana.

Mais tarde, a partir de 1977, como convidado disputa a primeira divisão do Campeonato Nacional em três edições.

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Curiosidades do semestre no País do Futebol

O futebol brasileiro fechará o primeiro semestre com constatações curiosas. No mais vitaminado dos estaduais pelo País, o Paulistão, nada de Corinthians, Palmeiras ou São Paulo. Com o mais antigo inquilino das decisões, o Santos, que é finalista pela oitava vez consecutiva, quem está é o badalado Grêmio Audax, com status de quem pratica o mais vistoso futebol do ‘planeta’. E não há ninguém duvidando que o time de Osasco possa voltar da Vila Belmiro com as faixas no próximo domingo. Dos times que representam o País na Copa Libertadores da América, exceto o Atlético Mineiro, nenhum outro teve competência para brigar pelo faixa em seu campeonato estadual. São Paulo, Corinthians e Palmeiras assistem jogos do Audax no que seria lugar de um deles; no Rio Grande do Sul o Grêmio é mero expectador do Juve-Nal.

Por fim, para ficar apenas nestas observações, cuidemos da nossa aldeia, o Paranaense. Coritiba e Atlético retomam a hegemonia do Estado e fazem a final do regional com a graça que não houve nos últimos anos. Triste para os interioranos, mas é a realidade. Maringá x Londrina e Coritiba x Operário, as duas decisões anteriores, nem de longe tiveram o glamour que a dupla Atletiba está proporcionando nesta definição do título em 2016. O histórico 3 a 0 que o Furacão impôs no clássico do último domingo para muitos é o fechamento do caixão Coxa Branca, mas para esse escriba os dados ainda estão rolando e o ataúde coritibano está semiaberto. Os ‘pés-vermelhos’, que em 2014 e 2015 tiveram dois semifinalistas (Maringá FC e Londrina) e três em 2015 (Operário, Londrina e Foz do Iguaçu), neste campeonato foram representados pelo PSTC que por ‘um milagre’ despachou o quarto curitibano J. Malucelli. Não é servilismo, mas o reconhecimento de que o espasmo que as equipes do interior experimentaram não significou um crescimento dos caipiras, mas sim um preocupante apequenamento das tradicionais agremiações da capital que têm uma história nacional para defender.

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