Mês: junho 2016



A seleção na ribanceira do mico, de corpo inteiro

Justificar o injustificável leva sempre ao ridículo. Ouvir Dunga clamando por intervenção eletrônica para constatar que o gol do peruano foi com a mão é no mínimo hilário. Não poderiam, igualmente, os equatorianos reivindicarem a mesma providência no ‘frangaço ‘ de Alisson na partida de estreia? A bola não saiu, o recurso eletrônico viu e a ‘seledunga’ não foi punida’. É, mas teve um pênalti duvidoso que o árbitro uruguaio não deu sobre Lucas Lima; como igual falta máxima foi cometida pelo zagueiro Miranda e o apitador também fez vistas grossas. Pau que dá em Chico dá em Francisco, deveria saber o ranzinza senhor Carlos Caetano Bledorn Verri.

A questão não deveria ser o gol ilegal feito pelo Peru, mas sim o tento legítimo que os brasileiros não fizeram no mesmo jogo e na estreia diante do Equador.

As porretadas sobram até para Neymar nesse fuzarcal onde todos reclamam e ninguém tem razão. Dizer que o barcelonista tem sua parcela de culpa mesmo estando nos EUA apenas para visitar os ‘parceiros’ e tirar a onda que, de férias’, como qualquer torcedor ele tem direito é tolice. Incomoda os críticos o fato de Neymar ser visionário (ou ter uma inexplicável sorte) ao ponto de não macular sua carreira passando sempre ao largo dos históricos vexames que o futebol brasileiro vem dando. Nos 7 a 1 da Copa de 2014 ele (lesionado) não estava lá; eliminação diante do Paraguai, na Copa América do Chile (suspenso) ele não estava lá, e nos Estados Unidos (por que não se dispôs, essa é a verdade) também não estava lá. É provável que no ‘dia em que a terra parar’ (desclassificação nas Eliminatórias) ele também não esteja lá.

1 Comentário


Com os pés na ribanceira do mico

O futebol brasileiro vive um tenebroso momento. Ainda sentindo no costado o bafo quente do último Mundial, em casa, acentuado pela ridícula performance na Copa América do Chile e na inconcebível condição de sexto colocado nas Eliminatórias Sul-Americanas (dez seleções a disputam!), o time de Dunga está nos Estados Unidos com os dois pés na ribanceira do mico. Por conta de, outra vez, uma convocação absurda contemplando nomes sem nenhuma condição de vestir a camisa amarela e tonificando as evidências de que atletas são chamados apenas para atender interesses comerciais. O selecionado não é visto por ninguém como time capaz de passar á segunda fase do torneio. E se isso acontecer, será meramente figurante. Decorrência de uma safra ruim de talentos? Pode ser, mas o determinante deste prenúncio de caos é que a CBF está uma instituição sem corregedoria, cometendo sequentes atentados contra o bom senso do esporte. Dirigentes de índole discutível estão na condução de um símbolo nacional que caminha para o desaparecimento, sem que ninguém possa fazer nada. Epicentro da corrupção que graça no continente, a CBF dita as próprias regras para sobreviver no lamaçal da impunidade, matando aos poucos a maior paixão nacional. Comissão técnica locada por ex-agenciadores de atletas, dirigentes presos, ou ameaçados de estarem nessa condição, tiram do sensato a possibilidade de prever coisa diferente para o Brasil neste torneio, a não ser um retumbante vexame.

Comente aqui