Mês: julho 2018



Um Tite não é Umtiti

A França está na final da Copa do Mundo na Rússia por ter Umtiti; o Brasil não, por ter Um Tite. Mestre na condução da palavra, hipérbole no louvor de coisas que todos veem não merece louvor algum, o técnico da seleção brasileira está sendo estranhamente poupado do fracasso que o selecionado brasileiro experimentou nesta edição do Mundial. Não merece. Antes, é digno das mesmas execrações que foram destinadas a Felipão e Dunga, antecessores dele.

Nos casos dos dois também gaúchos, as diretrizes eram as mesmas seguidas pelo atual comandante que, parece ser consenso, vai continuar com o leme da nau do futebol brasileiro. Convocar jogadores por conveniências mercantis foi prática comum dos três treinadores, seguindo a cartilha dos ‘mercadores’ da CBF.

É inconcebível um país com as tradições que tem o Brasil em Copas do Mundo, ir para as disputas do principal torneio da modalidade no planeta com elenco constituído por taysons, freds, fagneres, paulinhos, renatos augustos e outros nomes. Ao longo da preparação, e na trajetória do inexpressivo torneio das Eliminatórias Sul-Americanas, é até difícil listar os jogadores medíocres que foram convocados para usar a camisa verde-amarela. Um tal de Smile foi convocado!

As justificadas eram risíveis: ‘está fazendo um puta campeonato ucraniano!”; ‘na China ele arrebenta!’; ‘é reserva no Barcelona, mas quando entra acaba com o jogo!”. Ora, os campeonatos da Ucrânia e da China têm nível técnico bem abaixo do Catarinense e ser reserva num grande da Europa é indicativo de que ao cara falta talento. Em verdade os chamamentos buscavam favorecer interesses de empresários criminosamente ligados aos dirigentes cebeefianos.

É preciso estancar esse estranho ritual de preterir bons jogadores que atuam no País, em favor de outros que ficam com as vagas apenas por estarem no exterior sob o manto de influentes empresas.

Por isso perdemos a Copa. Por sorte nas quartas, diante da Bélgica. Tivéssemos passado, contra a França de Umtiti os brasileiros de Tite certamente dariam vexame parecido com o de 2014.

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Uruguai ou França, tanto faz

Dos cruzamentos prováveis que terá o Brasil, desde que supere a Bélgica, na fase de semifinais, Uruguai e França têm o mesmo peso no que concerne a serem algozes do selecionado nacional. Por ‘qualidade’ o trauma com os Sul-Americanos é mais dolorido. Não fosse o 1 a 7 da Copa passada diante da Alemanha, a derrota mais contundente do futebol nacional seria o ‘maracanazo’ de 1950 quando, na final da Copa no Brasil, os da casa perderam por 2 a 1 para a esquadra celeste então capitaneada por Obdúlio Varela. No então maior estádio do Mundo ‘ouviu-se’ um silêncio de 200 mil pessoas.

Noutros combates os brasileiros se vingaram homeopaticamente em competições menos expressivas — Eliminatórias e Copa América — chegando a uma supremacia incontestável. Por Copa do Mundo o duelo único, depois da tragédia, foi em 1970: 3 a 1 ‘pra nóis’. O Brasil tem cinco títulos e o Uruguai e bicampeão mundial (1930/50); em Olimpíadas a Celeste venceu duas vezes (1924/28) e o Brasil uma (2016).

Por quantidade de vezes o entrave é com a França: a seleção brasileira caiu diante dos azuis em três oportunidades, das quatro em que se enfrentaram. O único triunfo brasileiro foi na semi de 1958 quando o jovem Pelé marcou três gols; depois foram fracassos em 1986, nos pênaltis (Sócrates e Júlio César desperdiçaram cobranças); 1998, na final em que o Fenômeno ‘amarelou’ (3 a 0); e 2006, nas quartas de final, derrota por 1 a 0 com gol de Thierry Henry marcando o tento enquanto Roberto Carlos ‘ajeitava’ os meiões.

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