Como são tomadas as decisões sobre transportes nas empresas?

 

*Por Danilo Campos

Quando estamos falando de empresas que necessitam de transportes para seus insumos ou produtos acabados, temos uma série de opções de gerenciamento pela frente e, cada uma delas, isoladas ou acopladas, leva a resultados completamente distintos. Seja na forma de operar esta logística, seja no grau de complexidade absorvida ou terceirizada, seja nos custos financeiros e nível de serviço que alcança.

Logística, e dentro disso o transporte, atualmente é muito mais do que entregar o produto certo no prazo combinado.  A estratégia da empresa ou o próprio negócio é guiado pela capacidade de se executar as operações com eficiência, a custos adequados, frente aos competidores. Qual é o diferencial quando se vende uma commodity? A capacidade de atendimento com eficiência e custo. Mesmo para um produto de marca, a entrega num prazo menor pode ser um diferencial na compra por um consumidor, ou a garantia de participação na carteira de compras do mês para um varejista. E assim segue a logística como diferenciador de posicionamento.

A seguir temos algumas perguntas e comentários que nos ajudam a refletir sobre como as decisões nesta área são ou deveriam ser tomadas nas empresas.

Qual é a importância da logística para sua empresa?

Muitas empresas quando se posicionam no mercado afirmam ter foco na marca e produtos inovadores. Aparentemente, para estas empresas a logística, armazenagem e transporte, seria um mal necessário. O fato é que, mesmo para tais empresas a logística bem executada é fundamental. E isso se intensifica ainda mais, com a demanda por pequenos estoques, maior frequência de reposição, aumento no número de pontos de  venda e exigência de nível de serviço dos clientes.

As empresas também querem entender mais sobre seus clientes, o que desejam e quais são suas restrições de operação, tais como horários de recebimento com agendamento, limitações de espaço físico etc.

O que se observa, portanto, são empresas colocando a logística em destaque dentro da estratégia da companhia de modo a ganhar Market Share com redução de custos e aumento no nível de serviços.

Deixar a operação física – separação, carregamento, transporte, manipulação – nas mãos de terceiros, pode ser uma boa idéia, mas a inteligência de planejamento e a gestão estão ficando cada vez sob as rédeas de quem é o dono da carga.

A importância da logística na hierarquia organizacional  é um indicador do que deseja obter em termos de nível de serviço ao cliente e margem de contribuição ao negócio.

Qual o modelo de contratação de fretes ideal para sua empresa?

Primeiramente, observa-se que os distintos modelos de gestão das empresas geram, consequentemente, distintas formas de se contratar a logística. Quando a área de suprimentos contrata fretes, o foco está em obter as melhores tarifas, através de força de concorrência entre os fornecedores e exigências de equipamentos e níveis de serviço adequados. Isso, por si, é perfeito, não fossem os descompassos com a execução destas tabelas de frete pela área de transportes.

Por exemplo, suponha que o departamento de suprimentos tenha negociado que o modelo de pagamento dos transportes será um valor por entrega ou uma porcentagem do valor da mercadoria – muito comum em algumas indústrias de bens de consumo ou varejo.  E negociaram a menor porcentagem ou a menor tarifa por entrega. Para o departamento de transportes então, basta pedir para transportadora carregar os produtos e entregar no prazo acordado. Nenhum esforço que se faça  para se formar cargas mais eficientes gera alguma economia.

Outro exemplo de descompasso pode ocorrer mesmo com tabelas de frete mais atreladas aos custos de transporte, tais como quando se tem um valor por tipo de veículo e um adicional pelo consumo variável deste recurso como tempo e quilometragem.  Com frequência, às vezes por comodidade, o pessoal de transporte demanda da transportadora dois caminhões menores, até que bem ocupados, ao invés de um veículo maior, mas que teria custo mais interessante. 

Há também a decisão entre se comprar ou vendar CIF ou FOB. O que é melhor?  Tudo CIF, tudo FOB, compras FOB, vendas CIF?  Não há resposta definitiva. Deve-se avaliar como serão tomadas as decisões de modo integrado entre as áreas de suprimentos, comercial e logística. Isso porque, para empresa ganhar, ela tem que capturar as oportunidades. Por exemplo, se o volume de determinada compra justifica contratar o frete diretamente, e pode-se aproveitar o veículo de abastecimento para uma transferência ou distribuição, então deve-se ter uma tabela negociada que reduza o custo para integração de viagens – o chamado movimento contínuo (conceito mais amplo do que circuitos estáticos). Em geral, num modelo único para toda a companhia, ganha-se em facilidade administrativa, mas perde-se em custo de operação.

A gestão logística deve ser centralizada ou descentralizada? Ou ainda, terceirizada?

Voltando ao ponto inicial deste artigo, se logística não é entendida como diferencial estratégico, muitas vezes se opta por terceirizar a gestão logística e não somente a operacionalização. Neste caso a companhia abre mão de decidir diariamente como vai operar sua logística e deixa nas mãos um operador logístico ou de uma empresa que terceiriza mão de obra para estes serviços. Esta é uma decisão bastante importante e vale uma reflexão estratégica profunda.

Somente faz sentido avaliar tal terceirização se:

  • ·         O processo de decisão é razoavelmente estático. Caso contrário, se as questões comerciais, objetivos de negócio e estratégias de contratação e execução mudam frequentemente, o terceiro dificilmente vai acompanhar com qualidade esta dinâmica;
  • ·         O modelo de gestão pode ser ditado pela contratante, através de uma integração entre sua área de suprimentos, comercial e distribuição. Pois se o terceiro for buscar o aproveitamento de outras sinergias internas e conceitos de mercados distintos ao da companhia, pode-se incorrer no problema da ‘’raposa tomando conta das galinhas’’;
  • ·         O terceiro tem acesso às ferramentas tecnológicas adequadas, e principalmente, se possui conhecimento em como empregá-las de maneira mais eficiente que próprio time da empresa. De outro modo, seria somente tratado como redução de postos de trabalho internos.

Caso a empresa opte em manter a gestão logística com a inteligência das decisões em suas mãos, há algumas maneiras de organizar as equipes:

  • ·         Modo centralizado, ou seja, todo o time num único local e distribuindo a programação do que fazer para as pontas da malha (CDs, fábricas, etc);
  • ·         Modo descentralizado: quando cada uma de suas unidades tem autonomia para tomada de decisões, mesmo que use os mesmos padrões de contratação, processos e sistemas de todas as unidades;
  • ·         Modelo híbrido: ou também centralizado por regionais, onde, pelo porte da companhia não há como centralizar tudo num único local, mas entende-se que existem ganhos em se concentrar conhecimento por regiões do país e assim gerir melhor as pessoas e os processos.

Das opções anteriores o que é melhor? Novamente, não há resposta única e definitiva. Deve-se avaliar necessidades e possibilidades para se caminhar por uma trilha ou outra. Há ainda empresas que claramente definem um caminho de transição entre, por exemplo, descentralizado para um modelo centralizado. Neste caso, o objetivo é primeiro padronizar processos, metodologias e sistemas para depois ir regionalizando o conhecimento e, por fim, criar uma grande central de inteligência que irá gerar maiores benefícios do que o modelo completamente descentralizado. Mas a depender do tipo do negocio, a centralização irá deixar a empresa sem acesso ao que acontece junto aos clientes e perder o contato com informações que podem ser preciosas para outras frentes de crescimento dos negócios. Enfim, não há uma receita única de organização.

Como está a maturidade da sua empresa para gerir a inteligência logística?

Se pelas reflexões anteriores entende-se que a área de logística e transportes é fundamental para execução da estratégia da maioria das empresas, então fica evidente que dominar a inteligência para operá-la é primordial. Para isso, é preciso haver maturidade nas pessoas, processos, conceitos e tecnologias.

A maturidade não é obtida em anos fio executando-se sempre da mesma forma. O conceito em julgamento é o quão integrado, adequado e sinérgico esta o processo de decisão da logística em vista à estratégia geral da empresa. 

O domínio da inteligência logística deve está intrinsicamente atrelada à inteligência comercial, de suprimentos e operações. A maturidade de uma companhia é observada quando se alcança a sinergia destas áreas e seus processos de decisão.

Autor:

* Danilo Campos é CEO da Neolog. Campos é Doutor em Engenharia de Produção pela Poli, Mestre em Engenharia de Sistemas pela Unicamp e Bacharel em Matemática Aplicada e Computacional pela Unicamp.

Sobre a NEOLOG

Com dez anos de experiência e atuação no mercado de Logística e Supply Chain Management, a Neolog desenvolve soluções que otimizam a logística de seus clientes, colaborando diretamente na redução de custos e no aumento da eficiência operacional da atividade. Entre seus clientes destacam-se: Gerdau, Votorantim Cimentos, Magazine Luiza, Owens Illinois (Cisper), Mexichem (Amanco), Whirlpool, McLane, Irani Celulose, Vipal. Para mais informações, visite: www.neolog.com.br

Fonte: Dot News Comunicação – www.dotnews.com.br

Melissa Castro – Bruno Faria

Deixe um Comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.


9 − 7 =