Mês: maio 2010



Neymar vai apanhar na bunda

Ontem, senti-me um cara corajoso. As circunstâncias me obrigaram a sair do ninho e dirigir-me ao Bar do Jair, próximo do meu apartamento. Fui assistir ao clássico Santos e Corinthians. O Jair é corintiano. Seu filho, que apelidamos de Tevez, é corintiano. Uns trinta caras, que estavam ontem naquele bar, são corintianos. Eu, o cara que é cobrador da Garcia e mais um ou outro, somos santistas.

O corintiano, já aos dois minutos de jogo, com o gol de Jorge Henrique, fruto de mais uma falha do goleiro Felipe, quase arrebenta o bar e os meus tímpanos na comemoração. Fico quieto, o coração acelera e procuro me distrair com o consumo de líquidos.

O santista, no gol de empate do André, aplaude, sorri e anuncia que o Santos é o time da virada. Nem deu tempo de acreditar no slogan de um dos cânticos da Torcida Jovem. O Corinthians logo fez mais um e, naquele momento, ameacei sair à francesa do bar.

Só ameaça. Jamais perderei um minuto sequer do jogo do meu time só porque naquele bar tinha um bando de loucos. Um senhor santista terminou seu cinzano e sua Brahma e foi embora. Senti-me só, tendo de aguentar os gritos do olé no Pacaembu e também no Bar do Jair.

Sobre o jogo, não posso negar que o Corinthians tenha jogado bem. No primeiro tempo, só deu Santos, o que é natural, tendo em vista a elevada qualidade ofensiva do time praiano quando comparado ao time desclassificado pelo Flamengo na Libertadores. O fato é que eles souberam anular o Ganso e, sem o Robinho e sem o Neymar, aí ficou difícil mesmo.

Sei que o Neymar jogou, mas é que é como se não tivesse. Quando o professor Dorival Jr. tirou ele da partida, eu aplaudi, satisfeito. Neymar é moleque, mimado, usa umas roupas ridículas, colares e cabelo idem.

Neymar ainda tem que comer grama, fazer flexão e reflexão sobre seus atos. Ele joga bem, mas não é para tanto, né? Pode tornar-se um craque, como pode transformar-se num Edílson Capetinha da vida, Vampeta ou um Viola – bons jogadores, e só.

Se o Santos vender o Neymar agora pode perder ou ganhar dinheiro. Isso depende do quanto o moleque vai ou não evoluir. Fosse eu o pai dele, que tanto o protege e atua como seu empresário, dava umas palmadas na bunda do Neymar e o alertava que estava na hora dele virar homem.

Não somos uma nação, como a torcida doente, inflamada e sempre carente corintiana. Não somos somente o futebol, dando-nos o direito de sair fazendo besteiras por aí só porque nosso time perdeu mais uma. Mesmo assim, somos uma torcida que merece respeito, pela nossa história passada e bem recente.

No século 21, o Santos é um grande campeão. No século 20, também. Portanto, se realmente o Neymar quer ser ídolo, vai ter que comer arroz, feijão, aprender a respeitar os mais velhos e, por que não, sentir o gostinho que tem o ato de esquentar o banco de reservas, assim como já fez ano passado.

E parabéns ao Corinthians: a contratação do Bruno César salvará um desastre corintiano no ano de seu centenário. Ronaldo, o fenômeno das lasanhas, é banco naquele time.

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A prosa mais que poética de A Balestra – Eu recomendo

Quando, em janeiro de 2008, resolvi me adentrar no mundo cabuloso da blogosfera maringaense, sentia-me como um garoto recém-chegado à sala de aula lotada, sem amigos, sem proteção, extremamente tímido e sem jeito.

Esse jeito meninice de ser durou menos de um dia, já que, muito gentilmente, o caro blogueiro e advogado José Roberto Balestra me ajudou a mexer nas ferramentas do blog e me passou dicas de como se relacionar no mundo virtual.

É por isso que até hoje chamo de mestre o meu amigo virtual Balestra. Digo virtual porque, oh vida corrida sô, nunca conseguimos marcar um chopp, um almoço, quiçá um rápido bate-papo em pé mesmo, tomando cafezinho na padaria Açukapê.

De todo jeito, Balestra sempre acompanhou meu trabalho, da mesma forma que sempre estou de olho em seu blog A Balestra. Sobre seus escritos, posso dizer, sem querer engrandecer demais o nobre amigo, já engrandecendo merecidamente, que o Balestra é o Guimarães Rosa de Maringá.

Seus textos exalam poesia pura, nostalgia gostosa e, inevitavelmente, saudade de tempos de outrora, momentos talvez em que nossa mente nos transporta para quando tomávamos iogurte feito pela vó, comíamos bolo de milho da tia e andávamos de carroça, faceiros, juntamente com o vô.

Balestra é rural em seus sentimentos. Ou seja, extremamente tradicional, rústico e, por isso mesmo, sincero. Balestra também é extremamente urbano, pois conhece seus direitos e deveres, fruto de anos de experiência na lida advocatícia, e esbraveja quando percebe algo de errado acontecendo na sociedade.

Amigos de todos que se propõem a fazer um algo mais por este mundo, Balestra, vira e mexe, oferece aos amigos um espaço no blog para publicação de artigos, crônicas e poesias.

Mas chega de conversinha molenga e diz que não diz. O que quero mesmo é que vocês, caros leitores, conheçam a prosa poética do meu amigo Balestra. Façam uma visita ao blog do Balestra e deixem seus comentários!

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Carteiro alienado*

Carlão resolveu prestar concurso para trabalhar nos Correios. Foi aprovado, mas quatorze posições abaixo do candidato que conquistou a última vaga. Algum tempo se passou e ele já tinha até se esquecido disso quando chegou em sua casa uma pequena correspondência. Era a convocação para o cargo de carteiro. Depois de ser aprovado no teste físico, pediu as contas no escritório, onde era office-boy, e ainda teve uma semana de folga antes de entrar nos Correios.

Passou as tardes desses dias contando nuvens no céu, só imaginando aventuras mil que teria como carteiro: brisa na cara ao pedalar pelas ruas; mulheres solitárias que, ao receberem cartas, o paqueraria e o convidaria para tomar café; jovens felizes por receberem suas revistas mensais; ou nerds eufóricos com a entrega de futilidades compradas pela internet.

Mas o ingênuo recém funcionário público se esqueceu de pequenos detalhes que acabam dificultando a vida de um pobre carteiro. Enfrentar cachorros raivosos, chuvas torrenciais nas costas ou sol rachando no rosto só não era pior do que seu mirrado salário. Arrependeu-se de não ter lido o edital do concurso.

Por todos esses descontentamentos, ele quase chorou de emoção quando ficou sabendo da greve da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Poder ficar pelo menos um dia em casa, sem pedalar, sem se queimar, sem se molhar, mereceu almoço especial e suco de caixinha à vontade.

Na verdade, Carlão nem sabia ao certo quais eram as reivindicações que os carteiros e os sindicalistas tanto almejavam. Foi lendo o jornal impresso que descobriu que o reajuste deveria ser pago em razão dos diversos riscos que os carteiros sofrem diariamente, como atropelamentos, tombos e as intermitentes mordidas de cães.

Ele, então, começou a refletir ao olhar as cicatrizes que ganhou nas pernas graças às mordidas incontidas de um poodle raivoso e de um pinscher enlouquecido. Lembrou-se de quando ficou mais de um mês com o nariz escorrendo por ter entregado cartas em meio às águas de março e lamentou não ter providenciado um atestado médico sequer.

Enraiveceu-se. Tacou o copo com suco na parede quando finalmente acordou da alienação e passou a enxergar o verdadeiro valor de seu nobre trabalho – o de entregar correspondências.

Vestiu seu uniforme amarelo e azul e se comparou aos craques da Seleção Brasileira na hora em que estão sussurrando o Hino Nacional antes dos jogos; calçou as botas pretas e se imaginou um soldado do Exército; ajeitou o boné, tomou mais um gole de suco e foi à luta. Propôs aos amigos carteiros de Maringá que também lavassem a entrada dos Correios da avenida XV de Novembro, imitando o protesto ocorrido na sede da empresa, em Curitiba.

Mas Carlão acabou sendo motivo de piadas, pois só ele ainda não sabia que a greve já havia se encerrado. Seu salário, que já era pequeno, ficou ainda menor com o desconto de um dia que faltou por ter ficado em casa tomando suco de caixinha.

*Crônica publicada no jornal O Diário do Norte do Paraná, na coluna semanal Crônico, no dia 8 de abril de 2008

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O som contagiante de Janelle Monáe

Gosto de zapear pelos canais da TV, que, invariavelmente, nunca me oferece nada de bom, com a exceção dos jogos de futebol do meu time. Mas eis que, numa manhã nebulosa, trocando de canais enquanto o jornal estava no intervalo, deparo-me com uma menina negra, linda, com um topete de dez centímetros, sapateando feito louca no palco de David Letterman, em seu programa de entrevistas “Late Show”.

Com um vozeirão de deixar Amy Jade Winehouse no chinelo, trata-se de Janelle Monáe, uma jovem artista que está bombando nos EUA e que lançou recentemente seu primeiro CD, o “The ArchAndroid”.

Assistam, abaixo, a performance de Janelle Monáe no “Late Show” e depois vocês me contam o que acharam.

http://www.youtube.com/watch?v=vMyc148Do_Q
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O Bolsa Estupro vai dar o que falar

Selo da campanha contra violência sexual: projeto prevê indenização para mães vítimas de estupro que optem por não abortar seus filhos

Grupo de feminisitas apelidou de “Bolsa Estupro” um projeto de lei, aprovado pela Comissão de Seguridade Social da Câmara semana passada, instituindo um benefício econômico para mulheres vítimas de estupro que não desejam realizar o aborto.

Leio, na excelente reportagem de Renata Camargo, do Congresso em Foco, que, de acordo com o texto aprovado pela comissão, o “Estado arcará com os custos do desenvolvimento e da educação da criança até que venha a ser identificado e responsabilizado o genitor (o estuprador) ou que a criança seja adotada por terceiros. Se identificado o responsável pelo estupro, ele, além de responder criminalmente, deverá pagar pensão ao filho por período a ser determinado”.

Na reportagem, a coordenadora nacional da Articulação das Mulheres do Brasil e da Frente Nacional contra a Criminalização das Mulheres e pela Legalização do Aborto, Rogéria Peixinho, diz que a “bolsa” é uma forma de as mulheres não recorrerem ao aborto legal e que a iniciativa dá a um criminoso os direitos de pai, o que, segundo ela, é muito grave.

Conforme relata a jornalista, o art. 128 do Código Penal permite a realização de aborto em caso de gravidez resultante de estupro ou em ocasiões de aborto necessário para salvar a vida da gestante, direito este garantido desde a década de 1940, quando da vigência do Código Penal. Mas, de acordo com a relatora da proposta, deputada Solange Almeida (PMDB-RJ), o projeto não modifica o que está previsto no Código Penal.

Além de todas essas questões polêmicas envolvendo o crime de estupro e o aborto, o projeto de lei cria também o não menos polêmico Estatuto do Nascituro (ser humano concebido, mas ainda não nascido, incluindo os seres humanos concebidos “in vitro”, mesmo antes da transferência para o útero da mulher).

Segundo a reportagem, a proposta foi para a Comissão de Finanças e Tributação e será analisada para a verificação da viabilidade financeira do projeto. Esse tal de “Bolsa Estupro” ainda vai dar o que falar. Enquanto isso, saiba de outros detalhes sobre o assunto lendo na íntegra a bela reportagem de Renata Camargo.

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Desligue o computador e vá ler um livro

Fico feliz quando leio a notícia de que, por lei, agora toda escola brasileira deverá ter, em suas mediações, uma biblioteca instalada. Fico mais feliz ainda quando, de acordo com as determinações dessa lei, é obrigatório que essa biblioteca ofereça pelo menos um livro por estudante daquela instituição. Ou seja, se a escola tem 100 alunos matriculados, a biblioteca terá de ter, no mínimo, 100 livros à disposição da gurizada.

Se realmente esta lei pegar, lembrando-se do fato de que inúmeras leis no Brasil não são respeitadas, vai ser mais fácil para os professores estimularem o hábito da leitura, já que terão material disponível na biblioteca suficiente para que todos possam levar livros para casa e também para a sala de aula.

Fosse eu um professor, faria, pelo menos uma vez por mês, um debate com troca de ideias sobre determinado livro que estivesse nas prateleiras da biblioteca escolar. Mas, para isso, o mestre do quadro negro e do giz também deve ter o hábito da leitura. Caso contrário, o professor estará fazendo o mesmo papelão do pai que fuma e chicoteia o filho quando descobre que o peste está fumando escondido na casa dos amigos.

Portanto, fosse eu um coordenador, faria, pelo menos uma vez por mês, um debate com troca de ideias sobre determinado livro que estivesse nas prateleiras da biblioteca escolar. A diferença do parágrafo acima é que, em vez da molecada, quem deveria participar deste encontro seria todo o corpo docente do colégio. Mas, para isso, o coordenador também precisa gostar de ler, ora pois.

Sendo assim, fosse eu um diretor, e agora vou além, esforçaria-me para que, pelo menos uma vez por mês, todos, absolutamente todos do colégio, participassem de um debate sobre determinado livro para que a troca de ideias envolvendo a literatura e o prazeroso hábito de ler pudesse se tornar algo maior, algo especial, um evento mesmo.

Desta maneira, quase que utopicamente é verdade, enxergo um colégio de leitores, crianças leitoras, jovens leitores, professores leitores, coordenadores leitores, diretores leitores, merendeiras leitoras, serventes leitores, secretárias leitoras, porteiros leitores, enfim, uma escola leitora.

Parece pouco ler um livro por mês, o que resultaria no total de 12 livros por ano. Mas, por incrível que pareça, a média do brasileiro é de apenas 4 livros lidos ao ano. Eu disse apenas 4 livros lidos ao ano. Com o mutirão nos colégios, essa marca mais que dobraria.

E, com o passar do tempo, a molecada, sem dúvida nenhuma, pegaria o gosto pela coisa e conseguiria ler mais em menos tempo, e então o colégio faria dois encontros mensais discutindo os livros lidos, e, com o tempo passando, muitos criariam por meta ler três livros por mês, e, por fim, todo esse pessoal do colégio conseguiria atingir a média de incríveis 36 livros lidos ao ano.

Deixa eu parar de sonhar alto e voltar às minhas sagradas leituras. Para quem tem curiosidade em saber, atualmente estou no meio da leitura de cinco livros: dois romances, dois de crônicas e um de conto. E você, caro leitor do blog? Já leu algum livro neste mês de maio? Se ainda não, faço a recomendação: desligue o computador e vá ler um livro!

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Piada de mau gosto*

Semana passada, Jaime Carreira, cadeirante de 68 anos, foi atropelado enquanto atravessava a faixa de pedestre, na avenida Tuiuti, em Maringá. Ao ler esta notícia, é comum, rapidamente, ativarmos o nosso lado Super Men e já querermos, em busca da justiça, apontar o culpado. Os mais inflamados, em segundos, logo depois de saber do atropelamento, é bem certo que, em pensamento, xingarão de tudo quanto é nome o motorista, que alegou não ter enxergado o pedestre por causa do sol que batia em sua cara.

Não posso esmiuçar detalhes do acidente descrito acima porque, mesmo lendo a notícia, não vi, com estes olhos que a terra há de comer, o ocorrido. E, como o leitor deve saber, os fatos podem ser interpretados de diferentes maneiras. Um acidente testemunhado por alguém que estava na calçada, bem de frente com a faixa de pedestre, é interpretado diferentemente de alguém que estava no segundo andar de um prédio, fumando em sua sacada, olhando distraidamente para o trânsito lá embaixo.

O que posso e quero dizer sobre este conflito diário entre pedestre e motorista em Maringá é algo que tenho percebido no trânsito da cidade desde que a campanha “Mude o trânsito: leve gentileza para as ruas” foi implantada: o pedestre maringaense está desatento e mal acostumado. Sei, também, que o motorizado que trafega pelas ruas estreitas de Maringá não é lá um gentleman. Por isso, quando estou a pé, procuro andar com muito cuidado, sempre recordando-me do que minha mãe dizia, ainda em São Paulo, cidade monstro, onde, a qualquer momento, um carro, caminhão ou até um helicóptero pode passar por cima de você: “Meu filho, olhe sempre pros dois lados quando for atravessar a rua”.

Peço que todos os pedestres sigam os conselhos de suas mães e que também fiquem muito atentos quando estiverem atravessando ruas e avenidas de Maringá. Não se pode confiar jamais no motorista só porque, na cidade, há uma campanha que estimule um trânsito amigável. Por incrível que pareça, esse motorista, muitas vezes, dirigindo acima da velocidade permitida, estará mais estressado e mais atrasado do que o próprio pedestre e não quererá parar na faixa permitindo às pessoas atravessarem a rua.

Não que eu defenda os apressadinhos, com seus automóveis 1.0 acabados de tirar da concessionária, que guardam, no porta-luva, um grosso boleto com 60 prestações “suaves” do financiamento. Mas é algo que tenho percebido com frequência por aqui: a desatenção (às vezes, ousadia) do pedestre, aliada ao nervosismo do motorista, acaba tendo como resultado trocas de xingamentos, buzinas, carros se colidindo e pedestre se machucando. Desse jeito, a propaganda da campanha, com motoristas demonstrando companheirismo quando o pedestre, felizão da vida, atravessa a faixa de pedestre, acaba virando piada de mau gosto.

*Crônica publicada dia 25 de maio na coluna Crônico, do jornal O Diário do Norte do Paraná

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Argentinos azedam o molho

Enquanto sinto o cheiro de molho de tomate produzido por minha mãe, prestes a deixar à disposição da minha fome dominical um belo prato de macarrão com brócolis, vagueio pelo vasto mundo da internet.

No site de esportes, leio que Maradona pediu para que, nos banheiros do quarto onde ficará hospedado durante a realização da Copa do Mundo 2010, os dois vasos sanitários sejam mais modernos, com velocidades diferenciadas de sprays aromáticos que prometem aliviar o cheiro fétido pós-defecação.

Pelo jeito, o ex-craque e hoje técnico argentino, assim como em suas atitudes mundanas, é um belo de um fazedor de sujeiras, e das bem fedidas. Como líder da Argentina na copa, torço para que Dieguito continue somente sujando vasos e empestando banheiros de quartos de hotel.

O que preocupa mesmo não é o Maradona e suas exigências cabais e sim um outro Diego, o tal de Milito, que fez dois gols na final da Copa dos Campeões e deu um título que a Internazionale de Milão esperava há 45 anos.

Todos esses pensamentos envolvendo o banheiro do Maradona e a capacidade goleadora do ataque argentino, com Milito, Messi e companhia, conseguiram azedar o molho da macarronada da minha mãe e acabar de vez com meu apetite. É, minha gente: faltam 19 dias para a Copa! Baixe e imprima sua tabela aqui!

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A acidez da Abiose Maringaense – Eu recomendo

Abrir um blog é igual abrir um boteco no bairro. O pessoal da comunidade vai chegando de mansinho, vai se acomodando, pegando os trejeitos da mesa de sinuca, vendo o melhor lugar para sentar quando passa jogo na TV, descobrindo qual cerveja é a mais gelada e, quando menos se vê, automaticamente se sente em casa, mesmo estando no bar, ou no blog.

Quando resolvi erguer as portas do bar, ou melhor, deste blog aqui no odiario.com, tive de deixar meu povo, minha comunidade, meus queridos amigos blogueiros da época de A Poltrona (um tanto quanto velha, mas que, a qualquer momento, pode voltar a ter servidão).

Para homenagear esse pessoal que sempre ajudou na divulgação e propagação dos meus textos por aí afora na rede, vou fazer, pelo menos uma vez por semana, indicações dos blogs que eu, durante os quase dois anos e meio de A Poltrona, linkei na seção “Boas Leituras”. A categoria com essas indicações se chama “Eu recomendo”.

Não perca essas dicas de leituras, pois, mesmo com toda sua imensidão virtual, merda é o que não falta boiando no mar da internet.

A Abiose Maringaense

Inauguro as indicações seguindo a ordem alfabética dos meus links preferidos. E o primeiro blog a ser comentado é o roxo e já tradicional “A Abiose Maringaense”, que, segundo o criador e mantenedor Vander Marques, vai se transformar em site em pouco tempo.

Perdendo em quantidade de acessos apenas para o escasso Blog do Rigon, que hoje é site, e para o blog do Edson Lima, A Abiose Maringaense vem, há quase três anos na atividade, mantendo seus leitores informados com assuntos relacionados à cultura, sociedade, política e economia. O diferencial da Abiose está na forma como o seu blogueiro interpreta os acontecimentos postados, sempre com muito humor e ousadia.

Não raro, é preciso tomar um sal de frutas para visitar A Abiose Maringaense e assim conviver com a constante acidez que Vander Marques injeta em seus posts. Sabendo que sua carga é pesada de verdade, o blogueiro, para aliviar e também para deixar sua mulher mais ciumenta ainda, presenteia seus leitores, diariamente, com fotografias belíssimas, encontradas na internet, de mulheres, digamos assim, no mínimo, sensuais.

Mais de mil pessoas por dia visitam A Abiose Maringaense. Não fique fora dessa e seja você também um leitor deste explosivo blog.

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Nascendo**

A conversa com o editor-chefe do jornal fora marcada. Restava ao garoto cumprir suas funções trabalhistas daquele dia para, finalmente, ir à redação e tentar vender seu peixe, ou seja, convencer o editor de que realmente seria interessante também para o jornal publicar semanalmente suas crônicas.

Uma mescla de excitação e nervosismo era o que sentia. Esperando a hora da conversa, já na redação, pôde vivenciar o que realmente é uma rotina de jornalistas dando retoques finais às matérias para a próxima edição do diário impresso.

Meio perdido, o garoto ainda conseguiu trocar ideias com o diagramador, que argumentava o quanto as sextas-feiras do jornal eram corridas, já que, praticamente, duas edições tinham de ser fechadas. A tão esperada hora chegou. Foi apresentado ao editor-chefe. O garoto já o havia visto nas sessões de sábado do Projeto Um Outro Olhar – cinema bom e com entrada franca. Sentou-se em uma das cadeiras estofadas vermelhas, na sala de reunião com paredes vermelhas, e soltou uma frase que fez com que as maçãs do rosto do garoto ficassem também vermelhas: “Então é você que é o homem das letras.”

Boquiaberto, timidamente sorriu seu sorriso mais amarelo de todos os tempos. Logo de cara, objetivamente e sem deixar o garoto respirar, o editor mandou uma pergunta arrebatadora, em que a resposta poderia decidir seu futuro como cronista, ou não: “Por que você quer escrever no jornal?” O garoto, na verdade, gostava mesmo é de escrever e não de falar. As perguntas não foram bem respondidas. Talvez, se o editor as tivesse enviado por e-mail para que respondesse, até mesmo em forma de crônica, seria mais fácil para ele.

A ideia de não ser cronista do jornal já enchia sua mente de pessimismo. A tacada final do editor-chefe, talvez como válvula de escape para voltar aos seus afazeres jornalísticos, talvez por querer dar mais uma chance ao garoto que há quatro meses mandava crônicas e mais crônicas para o editor do caderno de Cultura, foi sugerir que ele mandasse a penca de textos para seu e-mail.

Um dia se passou. E, pouco antes do pôr-do-sol de uma quinta-feira, o garoto, que sempre teve o sonho de publicar crônicas em um jornal, recebeu uma boa notícia: todas as terças-feiras, no Caderno D+ de O Diário , suas crônicas serão publicadas em uma coluna intitulada “Crônico”. Com o sorriso que já não era tão amarelo assim, tomou mais um gole de café e continuou escrevendo seus textos para o resto da vida.

*Pelo menos uma vez por semana, vou postar na categoria “Memória Crônica” textos das antigas, anteriormente publicados ou no jornal ou em A Poltrona.

* Crônica publicada na coluna Crônico (a primeira!), do jornal O Diário do Norte do Paraná, no dia 18 de março de 2008.

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