Mês: setembro 2010



Vá pedalando encontrar mais saúde*

Além das pedaladas nos parques, ciclistas também treinam no velódromo da Vila Olímpica (Foto de Rafael Silva)

Não há como negar que a vida na cidade tem sido cada vez mais estressante. O caos começa logo cedo, quando, para muitos, o trânsito lento é uma rotina árdua e sacrificante e que precisa ser enfrentada para se chegar ao trabalho. Há muitos veículos pelas ruas, assim como também há muitos motoristas que acabam ficando estressados com essa situação, o que, inevitavelmente, faz mal para a saúde.

Por essas e outras é crescente o número de pessoas que preferem deixar o carro estacionado na garagem e que estão vendo na bicicleta um ótimo meio de transporte, que pode te levar de maneira ainda mais rápida para o local onde quer chegar, sem prejudicar o meio ambiente.

Mas se você é daqueles que, por necessidade ou vontade, ainda não conseguiu aderir à ideia de chegar no local de trabalho, ou onde quer que seja, sobre uma bike, praticar o ciclismo em horários alternativos é uma ótima indicação para quem quer combater problemas sérios de saúde, emagrecer e, como consequência da prática esportiva, transformar-se em uma pessoa cada vez menos tensa e com hábito saudáveis de vida.

Normalmente, costumamos acreditar nas palavras dos médicos. Eles são fontes de informações seguras e respeitadas. Agora, quando o assunto é bike, um médico que, ainda por cima, é ciclista tem ainda mais propriedade para falar sobre o assunto. Portanto, atentem-se bem, caros leitores, ao que o médico Fábio Tokunaga, ciclista há dez anos, tem a dizer sobre a prática de andar de bicicleta.

Como não poderia ser diferente, o médico aponta uma série de benefícios, entre eles -especialmente – a indescritível sensação de prazer, causada pela liberação de endorfina após a prática esportiva. Por isso, logo no começo do dia, depois de pedalar por, em média, duas horas, ele elimina toda carga de estresse e ansiedade, para então iniciar a nada monótona rotina que os médicos costumam ter.

*Termine de ler a reportagem, que foi publicada no caderno Saúde de O Diário do Norte do Paraná.

Comente aqui


Ode ao Brasil*

Talvez eu nunca tenha sentido antes o poder eminente que uma camiseta amarela gera nas pessoas. Eu não sabia, mas descobri, no jogo de vôlei da seleção feminina do Brasil, que até mesmo os maringaenses são patriotas, gritam frases prontas anunciando orgulho por ser brasileiro, com muito amor, e que transformam um simples amistoso internacional contra os EUA em uma batalha nacionalista, em que os inimigos são tudo e todos que se atrevem a prejudicar o nosso Brasil, naquele caso, prejudicar com algum bloqueio bem feito ou com uma cortada fulminante no fundo da quadra.

Com a amarelinha sobre o corpo, nós, os brasileiros, estamos protegidos com armadura de ferro. Temos forças suficientes para fazer um estádio tremer, assim como tremeu também a mão de algumas jogadoras norte-americanas na hora de finalizar uma jogada ou defender uma bola. O grito dos brasileiros, com suas vestes amarelas, é tão forte que os caras lá do céu acharam que eram pedidos de chuvas para Maringá. Atenderam e, desde sábado, data do primeiro jogo da seleção de vôlei, tem chovido bem por aqui.

Poder participar de uma festa do esporte verde e amarelo como um jogo de vôlei do Brasil é motivação a mais para sentir orgulho de ser brasileiro. Hoje, deixo de lado as críticas àqueles que parecem torcer pelo nosso País apenas em eventos esportivos, como em épocas de copa do mundo. Quero confessar o quanto admiro esse povo brasileiro, que, muitas vezes, passa por dificuldades, mas, na hora de torcer pelo Brasil, esquece o que lhe aflige e incorpora o poder da amarelinha, transformando-se em mais um soldado que protege, armado de gritos, aplausos e fé, aqueles que estão defendendo a nação, seja em quadra, campo ou em qualquer lugar.

É bonito, realmente, o ato de torcer pelo Brasil. É de arrepiar quando ouvimos todos cantando juntos aquele velho Hino Nacional, que, para mim, sendo uma das mais belas canções, é tocado regularmente aqui em casa – sinto-me fortificado e um tanto quanto protegido, nenhum um pouco desgarrado, após ouvir o hino. No momento em que todos estão cantando o nosso hino e os pelos do meu braço se arrepiam, sinto também que, como nunca, esse orgulho nacional vem extrapolando as quatro linhas do campo de futebol ou as demarcações das quadras de vôlei, basquete ou tênis, e indo além, invadindo casas, escolas e ambientes de trabalho.

Por isso mesmo, confesso o meu patriotismo (talvez sendo alvo de críticas daqueles que defendem as aberturas de fronteiras e Estados mínimos) e faço desta crônica uma ode ao Brasil! Porque, atualmente neste país, por saber que a maioria das pessoas hoje vive de maneira mais digna, com mais chances de sair da pobreza e com muito mais esperança de que as coisas vão melhorar ainda mais daqui pra frente, temos motivos genuínos para nos orgulhar. Se Deus é brasileiro, eu não sei. Só sei que, com ou sem a ajuda Dele, foi-se o tempo em que somente nos esportes tínhamos verdadeira honra de vestirmos a amarelinha, o nosso manto sagrado.

*Crônica publicada hoje, dia 28/09, na coluna Crônico, do caderno D+, no jornal O Diário do Norte do Paraná.

2 Comentários


Missão quase impossível continua

Leio no twitter o imortal comentarista esportivo Jorge Kajuru afirmando que, até o fim deste Campeonato Brasileiro, na ponta da tabela, não haverá time que se distanciará mais do que cinco pontos um do outro. Isso pode realmente acontecer, já que, conforme tenho percebido, os jogos estão disputados e, pelo menos os dez primeiros colocados, jogam um contra o outro de igual para igual.

Um exemplo: o Cruzeiro vinha jogando muito bem e sendo motivo de preocupação para Corinthians e Fluminense, na ponta da tabela. No último sábado, o Santos, mesmo sem técnico, mesmo vivendo uma crise interna, fez um jogo memorável e aplicou goleada com direito a gol de placa de Alex Sandro e mais um gol do garoto probleminha Neymar, que, aliás, na seleção da rodada do Globo Esporte teve a maior nota.

Outro exemplo: Botafogo e Atlético PR, dois times que estão brigando lá em cima, duelarem e empataram. O Fogão chegou aos 40 pontos enquanto que o Furacão alcançou o Peixe com seus 38 pontos. Último exemplo da bagunça: o Fluminense, que parecia ter cansado de ser o time top do Brasileirão, ganhou duas seguidas e, mesmo com um jogo a mais, assume a liderança e parece estar gostando de ficar lá em cima.

Diante disso tudo, vamos aos números, caros leitores: o Flu, primeiro colocado, tem 48 pontos. O Atlético PR, em sétimo lugar, tem 38 pontos, dez pontos a menos. Sabe quantos pontos ainda estão em jogo neste campeonato? Quase 40 pontos! Mesmo com tudo isso, não jogo fora a crônica escrita semana passada: é uma missão quase impossível tirar o título do Corinthians, os fatores são muitos.

1 Comentário


As mulheres de todos os tamanhos de Wiskow

Desenho de Wiskow

10 centímetros (Conto de Wiskow)

Foi de repente que aquela coisinha surgiu do nada. Muito estranho. Primeiro pensei que fosse uma mariposa ou algo parecido, mas então a “coisa” começou a me chamar. Foi quando me aproximei e então pude ver melhor. Era uma inacreditável e magnífica mulher minúscula. A mulher mais linda que eu já havia visto. E o corpo, O CORPO era UMA COISA ESTUPENDA.

Tão sinuoso, cheio de curvas e carnes que você ficava parecendo um garotinho. Usava um desses vestidinhos curto, muito curto. Peitos perfeitos e muito firmes que apontavam para você dentro de uma camiseta colada ao corpo, cortada de uma maneira que a barriguinha ficasse à mostra. Tinha pernas torneadas e uma bela bunda. Tudo perfeito demais se não fosse o fato dela ter ASAS. A mini-mulher tinha um par de asas transparentes grudadas nas costas. Além, claro, de medir apenas uns dez centímentos de altura. Então eu fiquei olhando aquela coisa maravilhosa e bizarra, sem saber o que dizer. Ela abriu a boquinha linda, o rosto lindo e soltou as palavras.
– Assustado? Os homens sempre ficam assustados na presença de mulheres?
– Algumas me assustam.
– Eu, te assusto?
– Você não é bem o tipo de mulher que encontro pelas esquinas.
– hahahaha. – Sabe quem eu sou?
– Não.
– Sua leitora. Sua leitora mais fiel.
– … Minha leitora?!
– Claro, porque não?
– Tudo bem. Desde quando?
– Desde sempre, mas só agora resolvi aparecer para você – disse ela, a mulher de 10 centímetros de altura. A mulher mais linda e com o corpo que era realmente um negócio de boa.
– Acho que sou o cara que possui a leitora mais interessante do planeta.
– Quem sabe! Talvez eu seja a sua única e real leitora. Acho você o melhor de todos, já foi melhor e por isso eu apareci. – Você está perdendo a mão. Você não é mais o mesmo, talvez precise de uma mulher como eu.
– Talvez. Talvez eu precise parar.
– Vocês nunca param – disse ela, e então bateu as asas e posou em minha mão. Linda. Era uma tortura. O corpinho ali, muito sensual. Examinei-a de cima a baixo.
– Devo estar ficando louco – eu disse.
– Você não viu nada – ela respondeu e num piscar de olhos sumiu.

*

Emerson Wiskow, o criador da arte do cabeçalho do meu blog, oferece aos leitores belos textos e desenhos, como os de cima, em seu blog, que sempre recomendo, “Cavalos não correm deitados”.

1 Comentário


Desenvolvimento sustentável não é pauta*

Assuntos mil são abordados em pautas, que mais tarde viram notícias para os jornais preencherem páginas (impresso), minutos (televisão e rádio) ou atualizações (internet). Porém, dentro desse leque de assuntos, a prática do desenvolvimento sustentável dificilmente é vista como tema possível para esses jornais, que acabam ocupando seus espaços com temas banais, como colunas sociais ou ênfase exaustiva a um milésimo gol ou à visita de um papa.

É fato que em grande parte do mundo está acontecendo uma extensa devastação da natureza por meio, principalmente, da ganância desenfreada do homem. Isso parece óbvio para a maioria das pessoas, entretanto, poucos enxergam uma solução para o que está ocorrendo. Mas, e os meios de comunicação, enfocam esse problema? Pouco, quando analisado o grau de urgência de se proteger o meio ambiente.

Na verdade, o assunto só é lembrado quando não restam muitas saídas para reverter a situação. Pode-se ter como exemplo a triste notícia que circulou no início deste ano [2007], divulgada pelo relatório do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas) da ONU: a de que o aquecimento global está provocando diversos fenômenos degradantes no mundo.

Quando a situação se torna catastrófica, os jornais de toda parte esgotam seus espaços falando do assunto, afinal, as notícias trágicas sempre chamam mais a atenção do público. Os detentores dos meios de comunicação fingem que são cegos perante o problema ambiental que o mundo está vivenciando. O poder inigualável das mídias, pelo menos uma vez, deveria ser utilizado em prol de uma causa nobre, já que, quando querem manipular a sociedade, com notícias recheadas de ideologia e interesses políticos, os esforços não são medidos.

Os meios de comunicação derrubam presidentes, fazem bandidos virarem mocinhos e conseguem (com o seu silêncio ou com extraordinárias coberturas jornalísticas de fatos irrelevantes) fazer com que a maioria das pessoas nem se lembre mais de falcatruas recentes, feitas por políticos corruptos. Parece mágica! Já passou da hora de se realizar um debate massivo sobre a conservação do meio ambiente. Os meios de comunicação deveriam se utilizar dessa “mágica” para promover uma ampla e eficaz campanha de conscientização, tornando possível a prática do desenvolvimento sustentável.

O jogo de interesses, que corrompe a grande mídia e que gera tanta notícia fútil, há de acabar um dia. Vai chegar um momento em que viver será uma atividade árdua, em razão da total escassez de recursos naturais. Sendo assim, quem sabe os jornais do mundo inteiro deixem de lado a inutilidade pública e resolvam pautar o desenvolvimento sustentável, suplicando pela conscientização das pessoas.

*Artigo publicado primeiramente no Jornal Matéria Prima, em 2 de junho de 2007, no Globo Online, em 21 de junho de 2007 , e na revista Caros Amigos do mês de julho daquele ano.

2 Comentários


Chuva traz alívio imediato a Maringá

Durante todos esses dias quando pensávamos que iria chover a qualquer momento, em minha mente vinha sempre uma frase: “que a chuva caia”. Ela veio ontem de noite, não em muita quantidade, acompanhada de fortes ventos, mas já trazendo sim um alívio imediato e também uma bela noite de sono. VÊ!

3 Comentários


Eles não gostam de plástico*

Eles são apaixonados confessos por carros antigos e, igual a meninos que desmontam seus carrinhos para depois montá-los novamente, ainda que sobrando três parafusos ao final do serviço, eles não param de comprar e restaurar carros, além de correrem sempre atrás das histórias, peças e modelos raros que rodeiam o mundo do antigomobilismo.

Eles gostam de passear tranquilamente pelas ruas com suas máquinas, com quatro, seis e até oito cilindros, curtindo o incrível barulho do motor, a confortabilidade dos bancos em couro, o vento que entra pela ventarola e, claro, sempre acompanhado com sua garota, família ou amigos ao lado.

As altas velocidades, para eles, são dispensáveis, já que, de modo algum, não desejam colocar em risco suas relíquias – carros com alto índice de originalidade e extremamente conservados. Em vez de correr, preferem desfilar (é mais clássico) com as máquinas e, descontraidamente, reparar na alegria das pessoas, principalmente das crianças, no momento em que elas visualizam a máquina passeando no meio da rua.

Eles costumam não se impressionar com os carros zero quilômetros, produzidos em escala industrial, carros estes que, para eles, não contam histórias, não transportaram os heróis e os bandidos dos filmes clássicos, tampouco estão protegidos por uma lataria dura e potente – não é qualquer material que aguenta as vibrações de um V8, por exemplo. Tirando as coleções de carrinhos de brinquedos (estes podem até ser de plástico), que remetem a um passado nostálgico de diversão na infância, definitivamente eles não gostam de carros de plástico.

Esses homens – sim, porque, mesmo com muitas confessas apreciadoras, os homens ainda são a maioria nos clubes e associações espalhados pelo País – levam a sério o ato de colecionar carros antigos e, sempre dando uma pesquisada no mercado, inevitavelmente sonham em comprar um carro melhor (no caso, mais antigo), quem sabe adquirir um novo-velho Dodge, trocando o seu Mustang por um Landau com 90% de originalidade ou então conseguindo enfim achar um Maverick daqueles, por quê não?

Em Maringá, eles, os colecionadores de carros antigos, com a esperança de encontrar um público igual ao evento do ano passado, em que mais de 20 mil pessoas puderam prestigiar e conhecer de perto os 500 carros antigos estacionados na Praça Renato Celidônio, próxima à Catedral, vão se reunir no 4º Encontro Regional de Veículos Antigos – Maringá, neste próximo final de semana, dias 25 e 26 de setembro.

*Continue lendo essa e outras reportagens publicadas no caderno Automotor de O Diário.

Comente aqui


É hora de correr, amigo*

É quando já comemos todos os pedaços de pizza da caixa e não aguentamos mais jogar futebol no videogame. É quando já enjoamos de olhar para a televisão, mesmo desligada, ou então para os vídeos de comédia no youtube. É quando já não queremos mais nem saber de cobranças ou obrigações. É hora de correr, amigo! É hora de girar as chaves do carro. Nem que for roubado. E correr! Correr antes que o biche pegue. Talvez ir em busca do mar. Ou em busca do deserto. Pode até ser em busca da cidade grande. Não importa muito o destino. E sim o caminho.

Olhe ao seu redor. Se estiver tocando Bob Dylan em seu rádio, melhor ainda. Olhe as plantas. Olhe o asfalto eterno. Sorria, porra! Você é livre, cara! Você está indo em busca da sua liberdade, mano. Está tudo bem. Canalhas, eu e você já fomos muitas vezes, com muitas pessoas. Mas, pare para pensar o quanto já fizemos outras pessoas sorrirem. É hora de sorrirmos também. Nunca matamos. Roubamos o mínimo. Mentimos quase nada. Só nos deixamos levar, vez ou outra, pelos nossos loucos corações. Se fomos atrás de algumas aventuras amorosas, foi por puro medo de não termos outras chances de mostrar vitalidade. Por isso, aproveitemos o momento, amigo.

Pegue o carro. Ligue o som. E veja o mundo ao seu redor. Ele brilha. Ele é lindo. Eu não vou ligar se você, por acaso, quiser fumar um cigarro. Tenho baseado aqui. E um litro de uísque no banco de trás. A vida é essa, mas, só disse isso brincado, pois sei muito bem que você odeia cigarros ou qualquer outro tipo de drogas. A vida é nossa. Somos amigos. E, logo mais, a noite chega, as pessoas se transformam, a gente sempre tenta enganar o sono, conversando sobre tudo, sobre todos, sobre o valor das mulheres, das amizades, sobre futebol, literatura, cinema, música, solidão. E brindaremos pela ausência dela, da solidão, nesta noite. Ainda estaremos firmes. Ainda somos jovens. Ainda temos vinte e poucos anos. Ainda somos engraçados. Ainda despertamos desejo de outras pessoas.

E podemos querer sempre mais. Podemos chegar ao limite da felicidade, que só existem em momentos, e não eternamente. Ainda podemos aproveitar o nosso sorriso sincero e sem culpa. Ainda temos a viagem de volta. Mas, agora, o sono nos deu um tiro na testa. Mas, que legal, ainda temos um lugar para dormir. E dormiremos até amanhã. E, ao meio dia, sentiremos fome, tomaremos café preto, olharemos o horizonte, que sempre está lá, quedaremos um tanto quanto nostálgico – a infância é sempre a melhor fase – e retornaremos, olharemos o asfalto eterno, sentiremos a energia do sol, que queima nossos braços, e finalmente voltaremos para casa, com a esperança de que sempre haverá disposição para vivermos os próximos dias, tentando pensar que há de se ter sempre um novo amanhecer.

O importante mesmo é saber que amanhã vai ser outro dia, mas que talvez não nos sentiremos tão livres mais. Por isso, mano, viva os seus momentos de glória intensamente e procure, pelo menos ao lado do seu grande amigo aqui, relaxar um pouco mais. A vida, por incrível que pareça, não é tão ruim assim quanto parece. Acelera!

*Crônica publicada dia 21 de setembro de 2010 na coluna Crônico, no caderno D+ do jornal O Diário do Norte do Paraná.

11 Comentários


Passou em frente à lotérica e quis metralhar todo mundo

Passou em frente a uma casa lotérica e percebeu considerável fila invadindo a calçada do estabelecimento. Pessoas com alguns papéis nas mãos e com caras de poucos amigos. Raciocinou e se recordou que era dia 20 do mês, data em que muitos recebem um adiantamento do salário. Estariam pagando as contas? Ou seria a Mega Sena, prometendo pagar, no dia seguinte, quase R$ 50 milhões? Por uma fração de segundos, vacilou, sentiu sua pressão cair, não controlou bem seus pensamentos e quase pegou no banco de trás do carro a metralhadora que acabara de utilizar, não fazia nem vinte minutos, em um assalto à banco. Em uma rajada de balas só, veria corpos caindo ao chão e papéis picotados de documentos, que já não valeriam mais nada, flutuando no ar. Depois do som ensurdecedor causado pelos trovões de sua arma, sairia dirigindo tranquilamente pela ruas, ao som de um velho e bom blues. Ao ouvir a buzina do carro de trás, meio sonolento e assustado, sentiu um calafrio e quase afogou o carro ao pisar no acelerador vacilante. Em poucos minutos, conseguiu se livrar daqueles pensamentos tórridos e também do trânsito caótico. Já na rodovia, sentiu a refrescância do vento batendo em sua cara, momento em que notou que havia suado frio e que poderia estar com um princípio de febre. Acendeu o último cigarro do maço e se deixou levar pela sonoridade da música enquanto olhava as plantações de milho ao lado e imaginava o quanto seria bom ter uma garrafinha gelada de refrigerante para beber. Parou em um posto de gasolina para comprar uma lata de Coca-cola. Já com a lata na mão, destravando o alarme do carro, quase não conseguiu controlar a bambeada de suas pernas ao ver, bem ao lado do seu carro, um viatura da polícia. Nada fez, o enfardado. Apenas se concentrava no ato de devorar um cachorro quente melecado de mostarda e catchup, que parecia já ter sujado seu uniforme. Devagar, nem sabe como conseguiu entrar e ligar o carro. Saiu. Olhou para trás. Olhou para a frente. Nada nem ninguém, a não ser o asfalto eterno, o acompanhava. Começou a rir alucinadamente! Tomou sua lata de refri quase quê de um gole só e acelerou o seu Gran Torino 72.

Contos
2 Comentários


Missão quase impossível: tirar o título do Corinthians

Vai ser difícil tirar a taça de campeão do Campeonato Brasileiro 2010 das mãos dos corintianos. Com um jogo a menos, assim como Inter, Santos e Vasco, o Corinthians, líder com seus 44 pontos, parece ter engrenado de vez, coincidentemente no momento em que o Flu parece ter pisado no freio.

Por falar em Fluminense, tive a oportunidade de assistir trechos do jogo entre o time do Muricy contra o Corinthians, na semana passada. E, conversando com um amigo corintiano, admiti a ele o quanto gostei da atuação alvinegra. Uma perfeição tática singular, segurando bem o time das Laranjeiras no primeiro tempo e explorando de maneira impecável os contra-ataques no segundo tempo. Adilson Batista vem substituindo o técnico Mano Menezes muito bem.

Mesmo assim, ainda há muito campeonato pela frente, como me lembrou um palmeirense no momento em que eu disse a ele que não acreditava no Palmeiras conquistando uma vaga a Libertadores para 2011. E, mesmo com a superioridade corintiana demonstrada em campo nos últimos jogos, creio que eles podem sim ainda dar alguns escorregões, principalmente porque o time tem ausências graves no ataque, com um Ronaldo que já pendurou as chuteiras e que só permanece no clube para angariar fundos advindos da publicidade e um Iarley que não representa muita força ofensiva, mesmo estando marcando gols ultimamente.

O grande desafio de ganhar do Corinthians é o seu meio de campo poderoso, com jogadores de nível de seleção, como Jucilei (humilde e sempre atuante) um guerreiro chamado Elias, um oportunista chamado Jorge Henrique e um craque, ainda a ser mais lapidado, chamado Bruno César. Temo, também, a volta do garoto esperto Dentinho. Tirando tudo isso, o temor maior é com relação ao o quê o ano de 2010 representa para a Nação Corintiana. Não jogando nem um bom Paulista e nem uma boa Libertadores, a conquista do Brasileirão é a última chance do clube para levantar uma taça no ano de seu centenário.

E, mesmo considerando um tanto quanto conspiratório pensar desta maneira, creio que o poder do “Timão” fora das quatro linhas pode significar alguma coisa. Uma espécie de força coletiva pró-Corinthians, influenciada pelo homem-outdoor Ronaldo, pela moral que o clube vem tendo com a Confederação Brasileira de Futebol (lembre-se da participação de Andrés Sanches na copa juntamente com a seleção, Mano Menezes como técnico, construção de estádio e a chance de fazer a abertura da Copa 2014), além, é claro, do insuperável poder de manipulação da grande mídia paulistana, sempre louca por mais audiência ou uma capa estourada de jornal com os atletas pousando para a foto e com uma faixa acima dizendo: “Corinthians é campeão brasileiro 2010”.

5 Comentários