Mês: fevereiro 2011



Os anjos visitarão os hospitais*

Ninguém escolhe o hospital como destino. Ainda mais no Carnaval, época que presenteia os brasileiros com feriados que podem muito bem ser aproveitados para o descanso e o lazer com pessoas queridas ao lado.

Portanto, certamente quem aguarda ansiosamente o atendimento de algum conhecido na sala de espera ou então nos corredores dos hospitais precisa se acalmar e de alguém que lhe dê suporte para aguentar esta angústia.

É pensando nisso que o grupo Anjos da Noite, formado por integrantes da Igreja Missionária de Maringá, vai atuar este ano em alguns hospitais da cidade nos dias do Carnaval – período em que aumenta consideravelmente o número de acidentes e atendimentos, por conta dos excessos causados, em sua maioria, pelo consumo de bebidas alcoólicas e outras drogas.

É simples, mas providencial, o que fazem os ‘anjos noturnos’ nos hospitais. Um pedaço de bolo, um copo de suco, uma palavra de conforto e, caso a pessoa permita, uma oração é o que o grupo tem a oferecer. O mais importante é que as pessoas que participam realmente fazem aquilo porque estão dispostas a ajudar os outros e se sentem bem com o ato de amenizar um pouco o sofrimento do próximo.

A pastora Marinez de Azevedo Candido, que coordena o Anjos da Noite, revela que, até o ano passado, o grupo fazia um trabalho de conscientização nas portas dos clubes que organizam bailes de Carnaval. Este ano, resolveram ir até os hospitais porque sentiram que o objetivo dos Anjos não estava sendo cumprido nos bailes.

“Percebemos que as pessoas nas portas dos clubes estão muito embriagadas, mais do que de bebida e drogas, de uma loucura por extravasar, independente do preço que tenham que pagar depois”.

Para que a palavra não se perca no esquecimento amnésico dos foliões, a pastora diz estar empolgada com a ida dos integrantes aos hospitais: “Vamos intensificar o trabalho nas portas dos hospitais. Lá, infelizmente e felizmente, as pessoas estão mais abertas a ouvir”, revela Marinez. Afinal, para ela, “levar amor e consolo” é uma das propostas do Anjos da Noite.

O sonho do Anjos da Noite é atuar em todos os hospitais de Maringá

Ao sentir na pele a angústia que é estar dentro de um hospital esperando por notícias de sua mulher, que recebia atendimento médico, o pastor Sandro Candido percebeu o tamanho da dor sentida não apenas por quem está sob cuidados de enfermeiras e doutores, mas também de quem se encontra naquela fria e quieta sala de espera do hospital.

“Deus colocou no coração do pastor Sandro Candido um desejo de trazer alívio aqueles que se encontravam nas portas dos hospitais, aguardando atendimento ou notícias de parentes hospitalizados”, diz a pastora Marinez, recordando-se de como surgiu o grupo Anjos da Noite, em 2003, que atualmente conta com cerca de 70 integrantes, todos frequentadores da Igreja Missionária de Maringá.

Atualmente, são oito equipes de pessoas voluntárias que se intercalam simultaneamente em hospitais da cidade, nas quartas-feiras e nos sábados à noite. Sempre uniformizadas, essas equipes levam café, chá, bolo e uma palavra de consolo e amor para quem vive momentos dolorosos e angustiantes, que é a espera de notícias de algum conhecido ou parente internado, por vezes, entre a vida e a morte.

“Quando as pessoas permitem, também fazemos uma oração. Todos os nomes e necessidades são anotadas e trazidas semanalmente para oração em nossos grupos de intercessão pelos que sofrem”, complementa Marinez.

Mas o grande sonho dos Anjos é conseguir um dia atuar em todos os hospitais da cidade. “Gostaríamos de estar nas portas de todos os hospitais de Maringá. Creio que um dia conseguiremos, mas, por enquanto, temos atendido no HU, no Municipal e no Santa Rita, onde percebemos ser grande o número de atendimento à noite. A direção desses hospitais são muito gentis com nosso grupo e por isso quero deixar uma nota de gratidão a eles”, explica a pastora.

Graças à influência dos Anjos maringaenses, o trabalho vem sendo desenvolvido em várias cidades do Brasil, onde há igrejas missionárias. O Anjos da Noite, revela Marinez, estão agora também traçando voos em Paiçandu (a 15 quilômetros de Maringá), onde há uma igreja da Missionária de Maringá.

*Confira essa e outras reportagens, publicadas no Caderno Saúde do jornal O Diário do Norte do Paraná.

2 Comentários


Compra de imóvel mais barato em leilões

No comércio em geral, é comum nos depararmos com megaliquidações, queimas de estoques e promoções tentadoras que prometem infinitos descontos em compras de produtos. Difícil é ver esse tipo de promoção e descontos no mercado imobiliário, que valoriza-se mais a cada dia.

Difícil, mas não impossível. São nos chamados leilões judiciais que, quem realmente for atrás e pesquisar em diários oficiais, jornais e sites, poderá encontrar imóveis, comerciais ou residenciais passíveis de arrematação por valor até 40% mais barato do que o praticado no mercado. É o que garante o advogado Márcio Zanin Giroto, que diz estar percebendo uma procura cada vez maior por imóveis leiloados.

“Está sendo mais interessante hoje por causa do preço e da possibilidade de desistir da arrematação, caso haja a interposição de embargos. Após a arrematação, se qualquer das partes do processo apresentar os embargos, o arrematante pode decidir entre resgatar o dinheiro que já depositou para a compra do imóvel ou manter válida a arrematação”, explica Giroto, que atua nas áreas civil e imobiliária.

Parcelado

Quem tem dinheiro em mãos, obviamente terá mais chances para dar o melhor lance no leilão em uma disputa por um imóvel. Mas, segundo o advogado, as opções de parcelamento praticadas em alguns leilões garantem o arremate do imóvel mesmo para aqueles que não podem oferecer uma boa quantia como entrada.

Giroto se recorda de um leilão que acompanhou recentemente em Maringá, em que um interessado por um imóvel comercial conseguiu o arremate com facilidades interessantes de pagamento. “Lembro-me que o valor do imóvel era de R$ 120 mil e que a pessoa ofereceu ao juiz o pagamento em 60 parcelas de R$ 2 mil, com correção e juros”.

O parágrafo primeiro do artigo 690 do Código de Processo Civil garante a possibilidade do pagamento via prestações por parte do arrematante, mas diz também que é preciso efetuar o pagamento de 30% do valor à vista, quando se tratar de bem imóvel. O restante do valor, pago em prestações, consta no artigo, fica garantido por hipoteca do próprio imóvel.

O barato pode sair caro

Mesmo com deságios tentadores nos valores dos imóveis leiloados, o advogado Giroto recomenda muita atenção antes de participar dos leilões. O primeiro passo, ensina o advogado, é ler atentamente o edital. Depois, é hora da investigar no fórum o processo em tramitação. É preciso analisar se ainda há débitos pendentes, como IPTU e condomínios atrasados, a localidade do imóvel, a depreciação e saber se ainda há pessoas residindo no local.

Juntamente com o profissional especializado, tudo será colocado na ponta do lápis para que a pessoa possa participar do leilão, tendo conhecimento do valor máximo que poderá oferecer em um lance sem que isso resulte em prejuízo.

Segundo ele, até mesmo os gastos com um possível processo de imissão na posse do imóvel é de responsabilidade do arrematante, caso pessoas ainda estejam morando no local. Nessa hipótese, avalia Giroto, o arrematante também não pode ter pressa, pois todo o processo tende a demorar.

Imóvel barato pela Caixa

O advogado Edson Beiser estava “namorando” há algum tempo um apartamento no Jardim Novo Horizonte, em Maringá. Depois de ter o crédito pré-aprovado pela Caixa Econômica Federal para financiamento, começou a pesquisar preços. Em determinado dia, a sorte parece ter batido à porta do seu lar, ainda alugado.

Alternativa para também conseguir imóveis com preços mais em conta e sem tantos riscos, quando comparado aos leilões judiciais, Beiser e sua mulher conseguiram realizar o sonho da casa própria participando de uma concorrência de imóveis já pertencentes à empresa gestora de ativos da Caixa Econômica Federal e não a um leilão propriamente dito.

O advogado diz que a operação que participou para conseguir comprar o apartamento é parecida com uma licitação. “O processo lembra uma licitação, em que os interessados fazem um depósito de caução, e enviam propostas de compra num envelope fechado para uma central. No dia e horário indicados no edital de venda, os envelopes de todos os concorrentes serão abertos”, explica o advogado.

Beiser calcula que economizou cerca de 30% na compra do imóvel. Além disso, os riscos de ter de brigar pelo imóvel na Justiça é praticamente zero. “No nosso caso em específico, os riscos são bastante baixos, mesmo porque é comum que os imóveis venham a ser vendidos pela Caixa, após um acordo [mesmo que judicial] com o antigo mutuário”, confirma o advogado.

*Matéria publicada no caderno de Imóveis do jornal O Diário do Norte do Paraná.

Comente aqui


Dia estranho, sem Radiohead, com um galo na mente*

Olho o espelho e vejo uma pessoa com aspectos de doente. Sou eu. A cor arroxeada de duas olheiras fica ainda mais acentuada porque a palidez da pele está anormalmente mais embranquecida. É hora de sobreviver. Quando saio de casa, sobrevivo. Em casa, eu até vivo, com auxílio da realidade mais real que existe na ficção de livros, filmes, músicas e games.

Já na rua, não acreditando em tanta lucidez, observo gente a observar uma bela manhã de sexta-feira. Pelo que conheço bem as pessoas, elas devem estar achando o máximo este sol estatelado, este vento nem quente e nem frio e essas nuvens brancas que se mexem no céu e que me fazem relembrar que o tempo não para.

Quando a vida (e isso bem raramente) acaba se escapando daquela normalidade mesquinha e contraditoriamente feliz, quando algo de muito extraordinário vai acontecer, seja para o bem ou para o mal, alguns sinais precedentes me fazem quase acreditar em destino, coincidências, amores ou outros mitos.

Mas naquele dia estranho, nenhum sinal me fez parar o passo normal do caminho, nada me fez enfiar ainda mais os pés no chão da realidade, nada fez com que eu desviasse o meu pé esquerdo calçando um tênis sujo tamanho 40 das possíveis fezes de um cão qualquer que a gente sempre pisa.

Pois então: era um dia normal, daqueles de se pisar em merda e de se estar com olheiras feiosas, e eu ainda não sabia que, na minha memória, este dia, que tinha tudo para ser comum, ficaria gravado para sempre como um dia estranho.

Foi naquela sexta-feira, pouco depois do horário de almoço, na avenida de maior movimento de Maringá, que pude perceber o poder do homem sobre as coisas desta vida. Tenho certeza que aquela cena nunca vai sair da minha cabeça: em frente a uma loja especializada em artigos de umbanda, esperando pelo seu senhor, pelo seu rei, pelo detentor do seu futuro e destino, um galo se debatia em um saco, amarrado em uma velha e enferrujada bicicleta.

O dono do galo, o dono do mundo, o dono do futuro dos animais, estava escolhendo, na loja, o melhor recipiente para deixar suas oferendas. Exultante e sujo, o homenzinho de menos de um metro e sessenta se engrandecia em sua compra. Pele e osso, este homem tinha cor de terra – uma mistura de sujeira com queimado de sol – e um rosto marcante, assombroso.

Olhei poucas vezes para ele, com medo da troca de olhares e uma possível marcação do meu rosto em sua mente. Mas não me contive em olhar para aquele saco branco que se mexia, que demonstrava um animal prestes a ser sacrificado, brigando para tentar modificar a sua sina ingrata. Irreversível.

Naquela sexta-feira, preso sem entender porque, aquele galo viveu certamente o seu último dia de maneira estranha. Ou seria motivo de glória para ele ter sido o escolhido para um provável sacrifício feito como oferenda aos orixás por aquele homenzinho assustador? Dia estranho para o bicho. Dia estranho para mim.

Finalmente protegido em casa por portões, cercas elétricas, câmeras de vigilância interna, pela porta do apartamento e por uma segunda porta de um quarto iluminado por uma luz fria e branca, sinto a presença daquele galo e um imaginário cocoricó em minha mente.

O dia estranho ainda não havia acabado. Resolvi, então, deixar para um outro momento e para uma outra crônica a audição do novo CD do Radiohead, “The King of Limbs”, que está todo mundo dizendo por aí que, com toda sua descontinuidade e experimentalismo, é muito estranho.

Crônica publicada dia 22 de fevereiro na coluna Crônico, no caderno D+, do jornal O Diário do Norte do Paraná.

Comente aqui


Os reis do pedaço*

Vejo um monte de gente, crianças, adultos e idosos, desfilando no shopping com coroas de papelão na cabeça após comer um lanche no rei do hambúrguer. Seria uma metáfora discreta da condição dos comedores de hambúrgueres no shopping? Afinal, lá, você é o rei, come pra caramba e tem refrigerante ‘grátis’ durante meia hora. Tratamento de rei. O problema é que a coroa não é de ouro. É de papelão. Saindo daqui, meu caro, sua coroa pode se desmanchar, ainda mais com tanta chuva que cai lá fora. Você já pagou, já comeu o seu fast food, já estragou um pouco o seu estômago e já se tornou um pouquinho mais obeso. Aí então pedem a cabeça do rei!

É só o tempo de virar a esquina, e Maringá muda. Quem aí não se lembra do deserto seco lá do novo centro? Agora virou mar de prédios. O mercado imobiliário maringaense é forte e trabalha rapidamente. Falando em novo centro, lembrei-me do Mercadão Municipal de Maringá, que fica por ali, ao lado do grandioso estádio vazio, a espera por um time decente que possa representar a cidade.

Pois bem. Foi no mercadão onde fiz uma das reportagens mais deliciosas de minha vida, literalmente falando. Como era lindo aquele lugar quando inaugurou! Em um sábado pela manhã, nunca me esqueço, caderninho a postos para anotar as peculiaridades de mais um belo local para se visitar na cidade, comi um pão com mortadela que não perdia em nada para o quitute do tradicional mercadão lá de São Paulo, experimentei uma iguaria maravilhosa chamada noz pecã, comi torradinhas com azeite turco e coalhada caseira, além de tomar uma cerveja semiartesanal produzida em Terezópolis-RJ. Foi uma bela manhã de sábado.

Dia desses, fui ao Mercadão comprar rúcula e acelga, verduras que não encontrei no supermercado. Preço salgado, mas qualidade garantida no alimento. Decepção maior do que os quase R$ 6 pelos matos foi ver o abandono do local. Vários box à venda e vendedores tristes conversando sobre o nada porque o assunto já tinha acabado de tanto conversar esperando atender alguma boa alma que resolvesse entrar em seu estabelecimento.

Pensei comigo: as redes de supermercados de Maringá são realmente muito fortes, conseguem preços lá embaixo, ainda que se esqueçam de vender acelgas e rúculas de vez em quando e, assim como a mania de ir ao shopping comer hambúrguer, afastam os maringaenses do mercadão. Pensei em sugerir aos vendedores do mercadão, que conversavam sobre o nada, uma ideia genial: confeccionar coroas de papel para que os clientes pudessem se sentir os reis do pedaço.

Na saída do estabelecimento, olho pro lado e vejo o estacionamento do estádio sem time repleto de carros e pessoas ávidas pelas negociações envolvendo venda e troca de carros. Em Maringá, uma cidade moderna, as imobiliárias, os vendedores de carros, as grandes redes de supermercados e os reis dos hambúrgueres estão felizes da vida. Já os vendedores de azeite turco, rúculas e acelgas conversam sobre o nada, esperando algum rei com coroa de papelão entrar no mercadão.

*Crônica publicada dia 15 de fevereiro de 2010 na coluna Crônico, no caderno D+ do jornal O Diário do Norte do Paraná.

13 Comentários


Polícia para quem precisa de polícia

Os bandidos já entenderam que roubar, sequestrar e traficar drogas em cidades pequenas é muito mais fácil do que em cidades maiores, como em Maringá. Em Sarandi, pelo menos, o Rambo parece dar conta do recado, sem deixar muitos recados, é claro.

Reportagem de Fábio Linjardi e Roberto Silva na edição desta quarta-feira (9) de O Diário revela que, em 14 dos 25 municípios da Região Metropolitana de Maringá, há apenas um policial por turno para defender a população de inúmeras situações – desde o lavrador que rasga o estômago da amásia, a mal falada moça que bota fogo na casa inteira até o criminoso que sequestra o gerente do banco para abrir o cofre da agência na manhã do outro dia.

Foi-se o tempo em que deixávamos os carros abertos, com a chave na ignição, ou o portão de casa escancarado madrugada a dentro nas pequenas, pacatas e empoeiradas cidades interioranas aqui do nosso Paraná. Situações como essas fazem parte da minha memória de infância, período no qual passava minhas férias na casa de tios e avós em Santa Fé (a 50 quilômetros de Maringá).

De uns tempos para cá, pegando como exemplo a cidade dos meus parentes, outras situações esquentam as rodas de fofocas que se instalam diariamente em frente a algum açougue, no horário de saída do colégio ou então nas rodeadas mesas de bares da cidade.

Consigo até me imaginar no balcão do Bar do Vargas, tomando um suco e ouvindo o papo da moçada. É sempre a mesma coisa, nos dias de hoje. A droga está comendo solta no Mutirão, uns dizem. Outros se recordam do episódio nos Correios, quando chegaram a sequestrar funcionários da casa.

Certamente o Zé Abelha, enquanto entorta um pingão, faria questão de contar uma nova versão para o cinematográfico assalto ao Banco do Brasil, quando os caras, calculadamente, invadiram a casa do gerente um dia antes, aprisionaram toda uma família, fizeram um churrasquinho com direito a uísque enquanto a hora do roubo não chegava, esperaram amanhecer, foram até a agência com o cara e, finalmente, conseguiram limpar a grana que estava no banco, não sem antes destruir o sistema interno e podre de câmeras.

Para tudo isso e um pouco mais, Santa Fé conta com dois PMs por turno, o que significa dizer que há um policial para cada 5.400 mil habitantes da cidade. O trabalho de proteção à população certamente fica complicado.

Pior do que isso é quando descobrimos homens fardados trabalhando em favor ao crime organizado, principalmente quando o assunto é tráfico de drogas. Em uma cidade localizada na região Norte do Estado onde um amigo meu trabalha como jornalista, essa parceria entre polícia e bandido acontece escancaradamente. No Rio de Janeiro, conforme assistimos em Tropa de Elite, isso também é normal. E aqui na nossa região? Será que, mesmo com tão poucos e sobrecarregados policiais, sobra tempo para as falcatruas?

3 Comentários


Sim, é preciso se locomover

E começa o jogo. Ou melhor, o ano. Eu sei. É assustador. O tempo é assustador. Mas não podemos negar. O ano já começou. As aulas dos filhos e dos universitários retomam o seu ciclo normal. E volta a ser estressante sair de carro, ônibus ou motocicleta entre as 7h e 9h da manhã ou entre as 17h30 e 19h30 da noite.

O ato de se locomover é penoso. Lembro-me dos quatro anos em que passei indo e vindo diariamente de Maringá a Mandaguari. Percorria, ou de moto ou de ônibus, aproximadamente 80 quilômetros por dia, ida e volta. Locomover-se cansa. No meu caso, cansava mais do que trabalhar.

Mas aquele velho ditado dos nossos pais, tios e avós deve ser levado em consideração. Sempre haverá situações piores. E, sendo assim, não consigo me imaginar escrevendo uma crônica sobre este assunto sem citar a malfadada rotina de milhões de paulistanos em São Paulo.

Não é raro pessoas saírem de suas casas por volta das 5h da manhã para estarem no trampo às 8h, lá em Sampa. E isso quando não chove por demais e a cidade vira um lago gigante. Na hora de voltar pra casa, o mesmo sacrifício: busão, metrô e outras conduções para, finalmente, abrir o portão de casa, ir direto pro chuveiro, jantar, assistir a novela e dormir para conseguir acordar no outro dia cedo e não perder o transporte das 5h.

Voltando a Maringá, onde a realidade é menos cruel, o maior desafio mesmo é ter de pagar quase R$ 3 para andar algumas quadras com o ônibus coletivo. Soa como um assalto. Dá vontade de reunir uns três e pegar um táxi, que sai mais barato e é muito mais confortável.

Mas vamos renovar nossas esperanças, caros maringaenses, e torcer para que os projetos futuros relacionados ao transporte coletivo, com nova licitação e ônibus passando no meio das praças na Avenida Brasil, auxilie de alguma forma nos trajetos bolados, já que, pelo andar da carruagem ou, para ser mais característico, pelo sacolejar do busão, os preços continuarão caros.

É perfeitamente explicável, ainda falando sobre grana, o número de motocicletas vendidas em todo o Brasil. As práticas e baratas 125 cilindradas de diferentes marcas parecem brotar a cada esquina. Está dando mais que tiririca no pasto. É fácil conseguir crédito para comprar a moto. É fácil montar na moto e acelerar até o trabalho. Mais fácil ainda é levar um tombo, o que raramente acontece dentro do ônibus.

Por isso, tudo é uma questão de escolha. As mais variadas opções de locomoção estão recheadas de pontos positivos e negativos. Meu sonho é poder ir a pé ou de bike todos os dias para o trabalho. Sonho este perfeitamente realizável, já que hoje moro a dois quilômetros de distância do trampo. O duro é a preguiça. E o suor. E a demora. De moto, faço o trajeto em quatro minutos. A pé, quase meia hora.

Enfim, de um jeito ou de outro, faça frio, calor, chuva ou sol, temos de nos locomover, temos de andar, caminhar e seguir os nossos caminhos. Não podemos parar. Mesmo com essa chuvinha que cai lá fora, típica para se enrolar no lençol, fazer pipoca e assistir o filme repetido da sessão da tarde, obviamente o tempo não para. E nem a gente. E nem os carros, motos, ônibus, metrô, bikes ou as pernas dos pedestres.

Crônicas
5 Comentários


A empresa ganha, os colaboradores também*

Ficou no passado o tempo da consultoria impessoal, com análise e posterior entrega de relatório apontando os erros cometidos pela organização. Em busca da otimização de resultados e consequentemente de lucros, é cada vez maior o número de empresas que contratam serviços de consultoria empresarial atrás também de soluções inteligentes.

Mas, não é só a empresa que ganha com a consultoria. Segundo Aurélio Duarte Martinski e Rogério Itiro Yamanishi, sócios da Gestão Inteligente, especializada em consultoria empresarial de Curitiba, o mais interessante é que o trabalho também traz benefícios aos colaboradores – até porque, para agregar muito mais valor e conseguir resultados satisfatórios na empresa, é preciso pensar no fator humano.

“O resultado dessa consultoria é bom para a empresa e melhor ainda para o colaborador, que, ao participar, recebe transferência de tecnologia e capacitação. Ele ainda ganha ferramentas para melhorar o seu desempenho profissional na empresa e consequentemente melhorar o currículo. O colaborador ainda pode desenvolver um trabalho de otimização de resultados em outros locais de trabalho, caso um dia atue em outro lugar”, diz Martinski.

Multiplicação

A proposta da consultoria é simples, porém extremamente válida. Já que nenhuma empresa pode parar totalmente os afazeres diários dos colaboradores, Yamanishi e Martinski, juntamente com a diretoria da empresa, elegem um colaborador para ser o contraparte e demais colaboradores para atuarem como multiplicadores de toda essa transferência de conhecimento e tecnologia.

“O contraparte é o nosso braço direito na consultoria. Ele geralmente é um gerente ou diretor da empresa. Depois, para cada 15 ou 20 colaboradores, elegemos os multiplicadores, que vão fazer esse trabalho de comunicação”, explica Yamanishi.

Os sócios ressaltam que a carga de treinamentos e transferência de tecnologia do contraparte e dos multiplicadores é muito maior. Com isso, esses colaboradores eleitos têm o privilégio de adquirirem ainda mais conhecimento durante esse período.

Segundo eles, uma consultoria completa para um setor de uma empresa média ou grande dura entre dez e doze meses. Depois de concluído o trabalho, este setor está capacitado para estender a consultoria para outros setores da organização, tendo, inclusive, a possibilidade da criação de cargos específicos para este tipo de trabalho.

Consultoria para a vida

Simone Siviero é assistente de qualidade em uma produtora e distribuidora alimentícia em Jundiaí (SP), que participa da consultoria prestada pela empresa curitibana. Animada com tudo o que vem aprendendo, ela diz que consegue aplicar o aprendizado também fora da empresa. “Levo o que aprendo na consultoria para a roda de amigos e para a casa”.

Em sua opinião, uma empresa só consegue realmente otimizar o seu desempenho na busca por resultados quando propõe um trabalho em conjunto com os colaboradores.

“A empresa tem sucesso se o colaborador entende qual o seu papel e a importância dele no trabalho. Por isso, a consultoria serve para conscientizar e padronizar os serviços”, afirma Simone.

MPE Brasil

Em casa de ferreiro, espeto é de ferro! A Gestão Inteligente implantou em sua própria empresa as melhorias e o resultado não poderia ter sido melhor: conquistou o prêmio MPE Brasil 2010, na categoria serviço – da etapa estadual. A empresa vai disputar a fase nacional.

*Leia essa e outras reportagens no caderno Empregos, veiculado no jornal O Diário do Norte do Paraná.

2 Comentários


Cocari completa 49 anos*

*Redação da Cláudia Comunicações & Eventos ([email protected])

Ao se aproximar de meio século, a cooperativa comemora um momento positivo em sua trajetória e quer atingir R$ 1 bilhão em faturamento até 2015

A Cocari – Cooperativa Agropecuária e Industrial de Mandaguari, ao completar 49 anos, no dia 7 de fevereiro de 2011, e tendo passado por uma importante fase de reestruturação, atravessa um período muito positivo, com muitas conquistas a serem comemoradas. “Apesar das dificuldades, poucas vezes tivemos tanto a comemorar”, disse o presidente Vilmar Sebold, ao fazer um balanço dos últimos dez anos da Cocari.

Passado

Sebold se lembra que, em dado momento, diante dos percalços enfrentados pela cooperativa, o atual presidente de honra, Dorival Malacario, comparou a Cocari com uma águia, pássaro que, para sobreviver após os quarenta anos tem que matar partes vitais de seu corpo e fazê-las renascer. A opção é enfrentar o dolorido processo de renovação ou morrer.

Assim foi com a Cocari que, para sobreviver às crises financeiras num mercado cada vez mais competitivo, precisou se reinventar, se reestruturar. A crise, que teve seu ápice em 1992, fez com que a Cocari chegasse ao ano de 1999 numa situação complicada. “A Cocari em 1999 estava insolvente. Tinha um patrimônio líquido a descoberto, ou seja, mesmo que vendesse todo o seu patrimônio, não conseguiria saldar seus compromissos. Essa era a situação fática naquele momento”, relembra.

Ele conta, no entanto, que não houve milagre, houve seriedade na condução dos problemas. “Não é um processo do Vilmar. Houve muita gente que acreditou. É um processo de todos os colaboradores, associados e da comunidade em que estamos inseridos, que acreditaram que era possível”, resume.

“O discurso convence, o exemplo arrasta”, disse Sebold, se referindo à transparência e igualdade com que sempre tratou todos os cooperados e membros da Diretoria e dos conselhos Fiscal e de Administração.

Presente e futuro

Traduzindo em números, a Cocari tem muito a comemorar. Seu quadro de colaboradores, que há dez anos era de 600 funcionários, saltou para 1.080. Os cooperados somam cerca de 5.200. Quanto ao faturamento, Sebold revela entusiasmado: “nós crescemos muito. Fechamos o ano de 2010 com faturamento de R$ 530 milhões”. Quando a gente colocava R$ 500 milhões como meta, parecia para todo mundo um sonho de um maluco, que estava vendo coisas que não existiam”, recorda.

A retomada das atividades da Cocari em Goiás também apresentou resultados positivos. “No primeiro ano de desafio, dos R$ 530 milhões de faturamento da cooperativa, R$ 60 milhões vêm da estrutura da Divisão Cerrado”, informa. “Graças ao empenho de toda uma equipe, a credibilidade dos associados do Paraná, em aprovar, depois de tanto tempo, a volta, e dos associados de Goiás, por acreditarem que nós temos competência e capacidade para reverter aquela quadro negativo”.

Para o futuro, a projeção é ousada. Em 2011, a meta é que o faturamento alcance os R$ 630 milhões. Para 2015, o objetivo é atingir R$ 1 bilhão.

Novos negócios

Os projetos que compõem os Novos Negócios da Cocari, iniciados em 2008, após a alienação da Destilaria de Álcool, estão em franco desenvolvimento, cumprindo, assim, o objetivo principal da medida, que era aumentar as possibilidades de diversificação das propriedades dos cooperados, agregar valor aos seus produtos e beneficiar um número maior de produtores.

O Projeto Aves, composto pelo Abatedouro, Centro de Treinamento Avícola (CTA) e a Fábrica de Rações para Aves está em plena fase de implantação.

O CTA, ou Granja-escola, está em atividade desde novembro de 2010 e já trabalha com o segundo lote de pintainhos e segunda turma em treinamento. Composto por quatro galpões, com capacidade de alojamento de até 38 mil aves cada, o centro de treinamento é dedicado à capacitação e reciclagem dos criadores de aves integrados da cooperativa.

A fábrica de Rações está em fase final de instalação, devendo ser inaugurada em março e a produção vai suprir os aviários dos cooperados da Cocari.

O grande desafio, na avaliação do presidente da Cocari, é a conclusão do abatedouro. “Nosso maior desafio é concluir o abatedouro, dentro das normas internacionais, e implantar um grupo de aviários necessários para que isso possa girar com eficiência”, planeja Sebold, ressaltando que a cooperativa conta hoje com 77 aviários construídos ou em construção. “Nossa necessidade é em torno de 180, então, ainda temos um desafio. A demanda está boa, a procura está aquecida para a construção. Entendemos o abatedouro como uma excelente opção”. As obras do abatedouro devem ser concluídas em 2012.

O Projeto Laranja está se revelando uma boa opção de diversificação para o produtor de pequenas propriedades. O primeiro pomar, plantado em novembro de 2008, terá a colheita antecipada em um ano. A alta fertilidade do solo aliada à assistência técnica são alguns dos fatores que estão possibilitando essa resposta rápida aos agricultores.

“É um projeto bem novo que começa a dar os primeiros resultados”, diz o diretor executivo de Novos Negócios, Dr. Marcos Trintinalha. “Começaremos a ter as primeiras colheitas esse ano, é um projeto bastante promissor porque oferece maior segurança para o produtor do campo”, constata. “E a perspectiva, em longo prazo, é montar uma unidade de recebimento e, posteriormente, uma unidade de beneficiamento e separação da fruta. Isso, com o objetivo de agregar valor ao produto que nosso cooperado tem na propriedade”, enfatiza o diretor.

O laboratório de sementes também passou por uma grande evolução nos últimos anos, oferecendo melhores condições para o cooperado na qualidade da semente por ele plantada. A UBS Faxinal foi melhorada, a equipe recebeu capacitação e os equipamentos foram modernizados.

*Contatos para Imprensa Cocari

Cláudia Comunicações & Eventos

email: [email protected]

Fones: (44) 3233- 3751 ou (44) 9806-8046

1 Comentário


Dracena e Elano previram placar contra SPFC

Confira os bastidores dos momentos que antecedem o clássico entre Santos e São Paulo. No vestiário, Edu Dracena e Elano afirmaram que o jogo terminaria em 2 a 0 para o Peixe.

Destaque para a força de vontade do Pará – um jogador mediano, mas que tem raça e que se orgulha de ter saído machucado da partida.

1 Comentário