Mês: maio 2011



Atrasado*

Em quase todos meus compromissos, chego atrasado. E digo, meu caro colega leitor, que o atrasado é, antes de tudo, um ser que vive em constante defesa. Meio desastrado, talvez, o atrasado é um ser que, na verdade, tem medo é de chegar antes e acha algo improvável e quase que cabalístico chegar exatamente no horário combinado. Afinal de contas, o horário divulgado em relógio de um quase sempre não é bem o horário do outro.

Aos atrasados, têm sempre o trânsito, o avô que passou mal, o ferro que queimou a roupa, o café da manhã que fez digestão mais cedo do que o esperado… a bem da verdade temos sempre uma desculpa na ponta da língua. Acontece que aqueles que se privilegiam de nunca se atrasarem – esses seres superiores – já trabalham com uma zona de risco, acordam uma hora mais cedo justamente para evitar qualquer tipo de imprevisto.

Chegar exatamente no horário é tão difícil como ganhar na loteria. Esqueça. Se não quer levar nas costas a alcunha de atrasão, pague o preço: chegue um pouco antes. Mas esse é o maior terror dos atrasados! Nada se pode fazer a não ser esperar. E fica sempre aquela impressão de que ou você não tem mais o que fazer ou você estava louco para participar de tal evento.

A pior das sensações sentidas por quem chega antes é a necessidade de, enquanto o troço não começa, ter de conversar com os outros meliantes que vieram antes do horário. E isso é terrível. É papo sobre o clima, sobre a chuva, sobre o time de futebol, sobre o que tem se repetido ad eternum nas manchetes do jornal. Um saco só. Ainda que com a fobia do ‘chegar antes’ e a improvável chance de se chegar na hora, o atrasado, quase sempre, paga um preço alto por seus atrasos.

Os atrasadinhos do Instituto de Educação Estadual de Maringá, por exemplo, agora poderão se arrepender bem mais por terem ficado horas ouvindo aquela música que estourou da Banda Mais Bonita da Cidade no youtube, enrolando para vestir o uniforme e assim chegando atrasados mais uma vez. É que, após posição contrária do Conselho Tutelar e até da Promotoria de Justiça, a diretoria do colégio recuou e resolveu permitir a entrada dos atrasados – esses pecadores.

Mas não pensem vocês, seres perversos que preferiam uns beijinhos a mais antes de o sinal do colégio bater, que poderão entrar na sala atrasados, atrapalhando a explanação do mestre, provavelmente já iniciada. Como disse acima, nós, os pecadores, os meliantes, os atrasados, também perdemos nesta vida. Portanto, o jovenzinho que entrar no colégio atrasado vai ter de dar satisfação, ouvirá falatório das autoridades escolares e, ao final, é bem certo que terá de se encontrar com pais e mães bravos da vida por terem recebido uma ligação constrangedora da direção informando que o filho chegou atrasado.

Diante deste fato, talvez seja melhor, caros amigos atrasados, encarar seus medos, entrar um pouco antes no colégio e, em meio a bocejos e tédio, ouvir a roda de amigos comentando sobre a genialidade do Barcelona, campeão da Champions League, sobre a feiura do uniforme grená do Corinthians e sobre as parcas chances que a zaga do Santos terá de parar Messi, Villa, Xavi e companhia. É. Talvez seja melhor falar deste frio que atacou mais uma manhã maringaense e que fez todos estarem cheirando a blusa velha cheia de naftalina.

*Crônica publicada hoje, dia 31 de maio, na coluna Crônico do jornal O Diário do Norte do Paraná.

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O sol é que salva*

O silêncio da madrugada é uma companhia ingrata. Ele abre a janela para deixar que o vento frio do outono lhe dê tapas em sua cara. É uma forma de se sentir menos sozinho. Do alto, ele pode ver muita coisa, mesmo estando tão para baixo. Está no quinto andar de um prédio pintado de verde e cinza. Às 4h da manhã, todos dormem e, por isso, ninguém vai reclamar das cinzas de um cigarro que flutuam no ar.

Um homem solitário sorri quando ouve a descarga de um apartamento vizinho. O céu está negro. Nem as estrelas te acompanham nesta jornada solitária pela madrugada. É inevitável: ele acaba se lembrando do pai morto, mesmo com a distância das estrelas mortas. O jeito é olhar para o infinito e concluir que pensar no futuro não é algo que lhe fará sorrir.

Ele ouve um blues e torce para que, nesta vida, não lhe reste apenas um tango argentino. Frio. Solidão. Tristeza. Depressão. Simples palavras que, justamente pela simplicidade, não conseguem traduzir o que é olhar para os lados e ver somente a branquidão das paredes frias. A televisão está no mudo. A partida de futebol reprisada fica mais bela quando quieta. Um time italiano de que tanto gosta vem perdendo mais uma partida. Perdas. E os danos.

Perdemos, a cada dia, um dia de vida. A morte se aproxima. E os vícios fazem com que nos aproximemos ainda mais dela. Mas está tudo bem, está tudo certo. A sociedade capitalista e consumista nos conforta com o poder de compra. A lata de cerveja é barata e o maço de cigarro que se esvai é algo que as notas de dinheiro contidas dentro de sua carteira podem pagar.

Uma ponta de esperança invade o ser daquele homem justamente quando as badaladas de uma igreja localizada há mais de cinquenta quilômetros de distância batem. Se tem alguém acordado naquela pequena cidadezinha às 4h da manhã deve ter ouvido as quatro badaladas. Ele não ouviu, mas, justamente neste horário, quando deveria estar dormindo há algumas horas, um fio de esperança bateu em seu peito e mandou deixar recado. Ligeira, a esperança disse: “volto logo”.

Ele olha um prédio que, há alguns meses, não existia. A construção em Maringá acontece com a rapidez da velocidade da luz. Se aquele prédio foi erguido em tão pouco tempo, pensa, a arquitetura do seu crescimento pode também ser projetado. O problema é que quanto mais perto do céu, no quinto ou no vigésimo andar, ele se sente cada vez mais distante da vida. Aquele prédio luxuoso tapou sua visão, escondeu a estrela distante e deixou, mais do que nunca, suas estrelas apagadas e seus mortos saudosos ainda mais longínquos.

É hora de fechar a janela, interromper os tapas dos ventos outonais e se entregar à quietude de uma insônia pré-fabricada. E não vai ter livro, fone de ouvido ou cobertor que possam amenizar a dor de um homem que sobrevive na madrugada sem carinho, sem mulher, sem mãe, sem irmã, sem amiga, sem luz que não seja artificial, sem a estrela morta que outrora brilhava a lembrança dos seus mortos. Ele está no quinto andar, sozinho e totalmente entregue a uma tristeza incalculável. Ele olha para baixo, mas decide não se jogar porque sabe que, em menos de três horas, o sol vai aparecer, vai aquecê-lo e transformar toda aquela quietude fantasmagórica da madrugada em mais um dia de labuta.

*Conto publicado dia 24 de maio de 2011 na coluna Crônico, do jornal O Diário do Norte do Paraná.

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O fôlego que faltava aos condomínios antigos*

Não é fácil concorrer com os novos empreendimentos construídos em todos os cantos da cidade. Conhecedor do público alvo, as construtoras investem em tecnologia avançada e invejáveis áreas sociais, que transformam o condomínio novo em um verdadeiro clube privado, com sala fitness, espaço gourmet, piscina aquecida, quadra poliesportiva, entre outros atrativos.

Por isso, prédios antigos no mercado imobiliário devem buscar ‘novo fôlego’ para ganhar valor na hora da venda. Se síndico e proprietários tiverem a consciência de que algumas alternativas são investimentos agregadores de valor ao condomínio e não apenas só mais um custo, muita coisa pode ser feita para transformar os antigos em bom negócio.

Para tal, a consultora na área de condomínios Rosely Schwartz, autora do livro “Revolucionando o condomínio” (Editora Saraiva), diz apostar em medidas sustentáveis que podem e devem ser aplicadas em prédios mais antigos. Ela, que mora em São Paulo, afirma, em entrevista exclusiva concedida ao O Diário, que os chamados imóveis verdes tendem a ser mais valorizados.

“É um diferencial que as construtoras e imobiliárias estão utilizando, pelo menos aqui em São Paulo, até como marketing para atrair mais compradores”, diz. A consultora explica que uma readequação em condomínios mais antigos podem ser iniciadas com medidas mais simples.

Exemplos: realizar o correto recolhimento de resíduos, como lixo e óleo de cozinha, instalar redutores de vazão em torneiras e realizar a troca dos sanitários para outros mais modernos, que têm a opção de duas descargas -uma para resíduos líquidos e outras para sólidos.

Segundo o diretor de condomínios do Sindicato de Habitação e Condomínio (Secovi-PR) de Maringá, Junzi Shimauti, alternativas sustentáveis podem sim ajudar os prédios antigos no processo de modernização, mas diz ser difícil convencer a maioria das pessoas de que aquelas medidas terão um custo-benefício interessante.

Sabendo disso, ele ressalta que a manutenção preventiva e constante é um dos fatores mais importantes para que os condomínios continuem atrativos, mesmo com o passar dos anos. Ele cita como exemplo em Maringá o condomínio Dom Pedro I, localizado na área central da cidade, que, mesmo após 29 anos da sua fundação, continua valorizado no mercado imobiliário, justamente porque sempre houve uma preocupação com as manutenções.

“Tudo depende da conservação do prédio. Se tem uma boa conservação, então não vai desvalorizar tanto. Dou o exemplo do Dom Pedro I, que tem 29 anos e que, até hoje, é um dos melhores prédios da cidade. Claro que também a estrutura é muito boa, por isso é muito importante que a parte construtiva tenha sido bem elaborada”.

Condomínio caro afasta

“Pelo menos aqui em São Paulo, todo mundo que vai comprar ou alugar sempre pergunta antes qual é o valor do condomínio. E se o condomínio é caro e mesmo assim não se justifica, pois não se vê reformas e nem manutenções no prédio, isso pode evidenciar uma má gestão, que também inevitavelmente desprestigia o imóvel no mercado”, relata a consultora Rosely.

O diretor Junzi Shimauti concordo e prova que esta situação não acontece apenas nas grandes capitais. “Taxas de condomínio muito caras afastam os compradores e locatários. Isso, sem dúvida também faz com que aquele prédio antigo seja desvalorizado no mercado. Todo mundo pergunta o valor do condomínio”, conclue o diretor de condomínios.

Apê antigo é maior e dá para reformar

Na opinião do imobiliarista Claudiomar Sandri, os prédios antigos, pelo menos em Maringá, não estão desvalorizados. Ele diz perceber que muita gente os procura pelo fato de o apartamento, em geral, ter área útil maior. Sandri aponta outra tendência existente no mercado imobiliário referente aos imóveis que já acumulam alguns anos de vida: muitos compram para efetuar reformas.

“Por serem maiores e, comumente, mais acessíveis financeiramente, muitos acabam escolhendo os antigos para reformar”, considera, lembrando, porém, que para serem valorizados é importante que sejam feitas regularmente manutenções a fim de evitar que o empreendimento não se deteriore.

Revolucione

Rosely Schwartz lança a 13ª edição do seu livro “Revolucionando o condomínio” (Editora Saraiva), destinado a síndicos, moradores, funcionários, administradoras e fornecedores de serviços. Há quinze anos nas livrarias, dois novos capítulos desta edição tratam da sustentabilidade e da redução de custos em condomínios antigos.

*Reportagem publicada no Classificados do jornal O Diário do Norte do Paraná – edição de domingo, dia 22 de maio.

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Não é apenas uma ‘mentirinha’*

Ao contrário de Pinóquio, o mitômano mente de maneira inconsciente

Para todos na sala de aula, o jovem garoto, sempre tão preocupado com sua segurança dentro e fora da faculdade, dizia que o pai era um político de renome nacional e que por isso deveria estar atento. Seu discurso, bem formulado, não dava brechas de que toda esta história poderia ser mentira.

Um problema de saúde fez com que o menino se ausentasse das aulas por uma semana. Os colegas, preocupados, descobriram seu endereço e foram fazer uma visita ao jovem adoentado. Foi quando descobriram que ele morava em uma casa simples e que seu próprio pai desmentia a sua carreira política.

Mesmo com a verdade vindo à tona, o garoto continuava reafirmando a história e que, justamente para manter a discrição, o pai estaria ocultando a verdade aos colegas do filho. O jovem não conseguia, inconscientemente, suportar a sua realidade.

O que para todos era uma mentira confabulada, para ele era uma verdade absoluta. Esse é um caso típico e real de um paciente de 19 anos que sofre de mitomania, desequilíbrio psíquico caracterizado por tendência para a mentira, para a fabulação e para a simulação.

Relatado pelo médico psiquiatra Milton de Paula Junior, as consequências para quem sofre deste distúrbio podem ser drásticas. O caso do menino que acredita que seu pai é político, por exemplo, resultou em abandono da faculdade e chacota por parte da turma de colegas, que agora o chamam de mentiroso.

Quase sempre acompanhada da depressão e do Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), em alguns casos a mitomania faz com que as pessoas cometam até mesmo o suicídio. “É muito comum. A realidade é muito dura para a pessoa, que acaba vendo a morte como a melhor saída do que aceitar a realidade”, alerta Milton de Paula Junior, que atende em consultório psiquiátrico há dez anos em Maringá.

O médico explica que, além das dificuldades de se aceitar a realidade, o mitômano é sempre visto como um mentiroso pela maior parte das pessoas, que ou acaba tirando sarro ou tem raiva de quem mente. “Em resumo, o mitômano cria outra realidade e é muito diferente do mentiroso que se utiliza da mentira para tirar proveito de situações. O mitômano não tem um propósito para mentir, age inconscientemente”.

Tratamento difícil

Segundo o psiquiatra, ainda não descobriram a cura e nem a causa da mitomania. “A princípio, suspeita-se de uma alteração na serotonina que pode causar a mitomania, mas ainda não é nada certo. Por isso, o tratamento deve unir a psiquiatria com a psicoterapia”, afirma.

A medicação, explica o psiquiatra, é indicada principalmente para controlar os problemas relacionados à depressão e outros transtornos. Já a psicoterapia é importante para auxiliar o mitômano a encarar a realidade e fazê-lo entender que esta realidade não é tão dolorosa como ele imagina ser.

Para a psicóloga Eliane Maio, professora doutora da Universidade Estadual de Maringá, quem mais pode ajudar o mitômano são os amigos e familiares. São essas pessoas que realmente têm consciência de que a pessoa inventa histórias e que vive no mundo da sua própria invenção.

Sensivelmente, os mais conhecidos devem aconselhar o mitômano a procurar ajuda médica, já que dificilmente conseguirão convencê-lo de que aquela história que está contando seja mentirosa. “O mitômano necessita de muito carinho e cuidados. Se alguém que ele confia lhe disser que precisa de ajuda, pode contribuir e muito”, considera Eliane.

O limite da mentira na infância

Não é tão raro nos depararmos com crianças que têm o hábito de mentir. Alegando inocência, muitos pais acabam acreditando que tudo não passa de mais uma brincadeira que faz parte do mundo fantasioso daquela criança.

Mas, segundo a psicóloga Eliane Maio, existe um limite de idade e de comportamento para o hábito de se contar mentira na infância.

“Até uns seis ou sete anos, a criança inventa histórias, pois seu pensamento é egocêntrico. Isto é, ela não consegue se colocar no ponto de vista da outra pessoa, então conta aquilo que acredita. A partir desta idade, se for em excesso, os pais precisam ficar atentos, sobretudo se for repetido o ato de mentir na vida da criança”, explica a especialista.

Elas mentem mais?

Segundo a psiquiatra Ana Gabriela Hounie, do Instituto de Psquiatria da USP, as mulheres são a maioria entre os mentirosos compulsivos.

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Maringá é uma moça bonita que passa*

Alguns raios vazam em meio a uma espécie de rede protetora verde. Ali perto, o sujeito dispara mensagens para uma rede social da internet através de seu Iphone. Moderno, não? Com isso, porém, não consegue perceber que os fechos de luz vazados daquela imensa rede verde formada pela unção de galhos e folhas de duas árvores evocam uma imagem quase que divina tamanha sua beleza. O distraído perante as manifestações mais belas da natureza é maringaense. Ele prefere o twitter aos presentes que Maringá tenta dar para ele naquele momento.

Ele nem vê a criança se melecando toda de sorvete ao deixar escorregar a casquinha em sua blusa de moletom. Não percebe o carinho que um senhor, casado há mais de trinta anos com a mesma pessoa, faz nas costas da sua mulher, toda contente, cercada por sacolas de coisas compradas. Deixa até mesmo de perceber os beijos ávidos de um casal adolescente que nem bem curaram suas espinhas e já estão ali, mostrando para o mundo, que a paixão requer pressa e arde. Osama Bin Laden, se vivo fosse, poderia estar passando por ali que o maringaense desdenharia da sua ilustre e perigosa presença.

Ele também não consegue perceber que o sorriso daquela moça bonita que passa na calçada traduz um sentimento em comum para várias pessoas que aqui moram: a felicidade em Maringá é mais bonita do quem em outros lugares. A discussão para decidir o cognome de Maringá fica rasa quando olhamos para o sorriso, os olhos e a pele daquela mulher que passa pela avenida. “Olha que coisa mais linda mais cheia de graça, é ela menina que vem e que passa”. Lembro de uma canção, que, aliás, não foi composta na “Cidade Canção”.

A menina passando, fazendo os mais safados assobiar, os mais recatados se enrubescerem e as namoradas dos outros se amargarem consegue, veja só, até mesmo deixar a mãe natureza em segundo plano. Os fechos de luz vazados por entre árvores resolvem ter vida própria, desobedecem as ordens superiores naturais, e, solidários com a beleza da vida, brilham mais fortes e miram na direção da moça bonita que passa. Maringá é isso. É uma moça bonita passando pela calçada e deixando a multidão boquiaberta. Bonita, jovem, saudável, disposta para o amor e para a alegria. A felicidade, ainda que totalmente sem explicação, não deixa aquela menina ficar feia. Ela não vai se importar se Maringá for a Cidade Canção ou a Cidade Verde. Ela só quer caminhar, seguir em frente e sentir o perfume da juventude exalando pelos seus poros. Aquela moça deveria se chamar Maringá.

E maior surpresa não há, o mundo é mesmo perfeito, penso eu, quando vejo que a bela moça percebe a invasão dos fechos de luz, olha para o lençol verde da natureza e fica maravilhada com o espetáculo que Maringá lhe preparou. A natureza assistida e respeitada pela menina mais linda da cidade é exemplo de uma vida que se completa com o meio. E ela não resiste, precisa mostrar ao mundo o quanto ama aquele lugar. Dispara fotos do seu celular e eterniza o lençol verde furado de luz. Seguidores olham rapidamente aquela imagem disponibilizada em um link no twitter. O maringaense que mexia no seu Iphone, um dos 1.353 seguidores da moça, vê a foto, emociona-se e também se sente um sujeito feliz por morar em Maringá.

*Crônica publicada dia 17 de maio de 2011 na coluna Crônico, do jornal O Diário do Norte do Paraná.

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Repórter Murilo Battisti é premiado

Foi com a reportagem “Cooperativa de Maringá produz energia com bagaço da cana para abastecer complexo industrial” que o meu grande amigo Murilo Battisti, repórter da CBN Maringá, conquistou mais um prêmio de Jornalismo.

Ele ficou em primeiro lugar na categoria radiojornalismo do 2º. Prêmio Top Etanol, uma iniciativa do projeto Agora. No total foram inscritos 258 trabalhos, divididos em categorias profissional e acadêmica. A premiação ocorrerá no dia 6 de junho, em São Paulo, durante o Ethanol Summit.

Battisti, conhecido também por Galato, estava um pouco amuado por causa do teu Grêmio, que saiu da Libertadores. Mas, com mais esta conquista e com o tamanho do cheque que receberá, certamente voltará a dar o seu sorriso mais largo, de preferência com um bom vinho caseiro (feito pelos próprios pais) ao lado. Tupãssi, a sua cidade de origem, está em festa. Tem gente soltando foguete lá e dizendo que o piá é o orgulho daquelas bandas.

*Dizem que uma excelente repórter da RPC também está toda contente pela conquista dele. Ele merece! Parabéns bruxo!

Ouça a reportagem premiada de Murilo Battisti no site da CBN Maringá.

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Jô Soares entrevista a sexóloga Eliane Maio

A psicóloga e sexóloga Eliane Maio, que também é professora doutora da Universidade Estadual de Maringá (UEM), acaba de lançar o livro “O nome da coisa” (Editora Unicorpore) – fruto de sua tese de Doutorado em que discute a repressão sexual e a sua influência no espaço educativo.

Para desenvolver a obra, ela conta que ouviu quase 5 mil pessoas, pelo Brasil afora, para chegar a quase 1.300 apelidos para o pênis, vulva, relação sexual e masturbação.

Para divulgar ao Brasil todo o livro, ela, que é conhecida por muita gente em Maringá, foi entrevistada pelo Jô Soares na tarde de terça-feira (10). O programa foi exibido também na noite de terça.

Fiz questão de assistir a entrevista. Desde 2005, quando tive o privilégio de ter sido aluno da professora Eliane em aulas de Psicologia da Educação no curso de História da UEM, sou um confesso admirador de seu trabalho. Hoje, como repórter, minha psicóloga número um para entrevistas é sempre ela, que, de uma maneira coerente e sensata, presenteia-me com boas entrevistas.

Aproveito aqui o espaço e parabenizo a Eliane pela entrevista dada em rede nacional. Sem ficar nervosa, como grande parte dos entrevistados pelo Jô, ela conseguiu se livrar das constantes “palhacadinhas” do global, que, como sempre, exagera no humor em assuntos que merecem um pouco mais de seriedade. O recado da sexóloga, acredito eu, foi dado, que diz respeito à repressão sexual no ambiente escolar.

Tudo bem que é sempre muito engraçado ficar falando de pênis e vagina (durante toda a entrevista, Jô ficava fazendo piadas sobre a vulva e demonstrou pouco conhecimento de causa), mas chega uma hora em que cansa. Ontem, cheguei à conclusão, mais uma vez, que, antes de um bom entrevistador (como são os caras do Roda Viva, por exemplo), Jô Soares não passa de um apresentador de programas de plateia, preocupado mais com o entretenimento do que com o conteúdo.

Abaixo, as duas partes da entrevista de Eliane Maio. E para quem quiser adquirir o livro, visite o site da editora Unicorpore.

http://www.youtube.com/watch?v=vS2U9McbQoo

 

http://www.youtube.com/watch?v=_ZZycStY78c&feature=watch_response

 

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Besni patrocina Santos na final do Paulistão

Para a final do Campeonato Paulista contra o Corinthians, que acontece nos dois próximos domingos (8 e 15 de maio), o Santos fechou mais um patrocínio. A marca Besni estará estampada no shorts dos atletas nos dois jogos da grande final.

A informação do patrocínio exclusivo para as finais foi dada pelo assessor do Santos, logo após coletiva de imprensa do técnico Muricy Ramalho.

Besni é uma rede que conta com 31 lojas, localizadas nos principais corredores comerciais e shoppings da cidade São Paulo, grande São Paulo e Baixada Santista.

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Homem frio*

Então o homem voltou a sentir frio. É engraçado, pensa, o fato de poder ver o sol raiando e, mesmo assim, sentir frio. É como se o sol estivesse preso dentro de uma televisão: nós conseguimos visualizar a sua beleza clareadora, mas não podemos senti-la. Culpando-se por ter duvidado da capacidade daquelas temperaturas e dispensando o par de luvas, o homem segue o seu caminho, sentindo muito frio e ressentimento. O sol da manhã iluminou um trecho pequeno no chão. Ele fica naquele quadrado amarelado pelo sol. Mas não tem jeito. O frio venceu em uma daquelas primeiras manhãs do mês de maio.

Um homem, quando está com frio, sente o corpo reagindo às baixas temperaturas e, por isso mesmo, recorda-se de que está vivo. Acostumado às mangas curtas, aquele vento que parece lhe atravessar a alma o obriga a vestir blusas acolhedoras. Neste frio, pessoas cheiram à naftalina misturada com perfumes. É uma evidência de que quase todos resgataram blusas de outros invernos, até então enterradas em um guarda-roupa qualquer. Quando sentindo frio, um homem parece ficar diminuído, contraído, com expressões estáticas que demonstram inquietação perante aquela temperatura.

Mesmo com tanto incômodo causado pelo frio, uma reflexão invade o pensamento daquele homem. Se frio é psicológico ele não sabe, mas, por causa daquele intrínseco pensamento que tinha se afundado, aqueles pouco mais de três minutos de dialética interna não foram interrompidos por queixas relacionadas à temperatura, ao clima que resseca a pele pálida e frágil dele. O homem reflete sobre as diferenças de alguém que sente frio com alguém frio. Um homem que sente frio é mais frágil e defensivo do que o homem frio, que parece se aquecer com a sua capacidade de se abster de toda e qualquer situação envolvendo as coisas do coração.

Um homem frio não quer nem mesmo demonstrar que, mesmo com aquelas baixas temperaturas, teria sido mais reconfortante estar usando um par de luvas que agora repousa na gaveta. Um homem frio perdeu seu pai há exatamente quatro anos. Um homem morto deve não sentir frio. Um homem vivo sente frio nas mãos e se entrega às lembranças de uma infância ao lado de um pai que sempre demonstrou sentir pouco frio. O homem queria ser mais frio e não um homem que sente frio. Uma frase do tempo de criança o faz chorar: “põe a blusa, Juninho”. Algumas lágrimas aquecem seu rosto castigado pelo vento frio. Mas homem não chora nem por dor e nem por amor. Chora sim pela morte do pai. “Por que me abandonaste, ó pai?”, recorda-se de outra frase.

O pai dele morreu no dia do trabalho. O pai dele morreu no mesmo dia da morte de Ayrton Senna. O piloto ganhou documentário que foi para as telas do cinema. Dizem que todo mundo chora ao assistir ao filme. Até mesmo os homens frios, que costumam adorar Fórmula 1. Homem nenhum fez documentário sobre a vida do seu pai. Aliás, homem e nem ninguém foi ao cemitério visitar seu pai, que descansa ao lado do seu avô. Fez frio naquela manhã de domingo. Seu pai não gostava muito de cinema, mas gostava de Fórmula 1. Se vivo estivesse, seria um homem frio a mais tentando esconder as lágrimas após assistir ao documentário do Senna.

*Crônica publicada dia 3 de maio de 2011 na coluna Crônico, do jornal O Diário do Norte do Paraná.

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