Mês: junho 2012



Lilian Carmona Band no Maringá Jazz Festival 2012

Na primeira noite do Maringá Jazz Festival 2012, Lilian Carmona Band subiu ao palco após o Duo Sciotti se apresentar. Já ao fim do show, tocou uma de suas prediletas do repertório, “Aquelas Coisas Todas” (Toninho Horta), e dedicou à sua mãe e irmã, Celinha Carmona, que estavam prestigiando pessoalmente o primeiro show da big band fora de SP.

O Teatro Marista lotou. Os ingressos, gratuitos, esgotaram-se em quatro horas de distribuição. E a promessa é que o Maringá Jazz Festival, com patrocínio cultural federal via Lei Rouanet, promovido por BWA Cultura, Viapar e demais empresas apoiadoras, veio para ficar.

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Vai, vai, não vou. Vai sim lá no Maringá Jazz Festival

Do teclado, sons muito bonitos saíram. Só ouvindo mesmo para crer. Daquele instrumento musical coisas bonitas invadiram meu ouvido e limparam minha alma. Trouxeram-me paz aquele som bonito, e que coisa bonita mesmo, sim, eu tenho certeza, era uma coisa bonita, não entendo de música alguma, muito menos de jazz, só sei que era bonito, fazia bem e me dava a impressão de transformar o ambiente. Repito a palavra “bonito” para tentar martelar em seu ser as afirmações, a boniteza do som.

O som tinha peso, tinha cor, tinha textura. O som saía daquele teclado e, como se fosse num desenho, ia provocando uma onda musical simbolizada por cifras, notas. É como se fosse uma partitura voadora e transbordante. O pianista Marvio Ciribelli, em seu breve pocket show executado no teclado improvisado, lá na Viapar, lá no coquetel de lançamento do Maringá Jazz Festival, inundou com música boa aquele recinto, entre queijos, vinhos, uísques e moças e rapazes bem vestidos. O gran finale com Baden Powell, com “Canto de Ossanha”, foi arrasador, foi bom demais ouvir aquilo, mesmo só no teclado.

Festival, aliás, que promete. Todo mundo conhece o Derico. Na sexta-feira, no primeiro dia de festival, lá no Teatro Marista, a partir das 20h (e essas coisas não costumam atrasar), ele e o irmão Sérgio se apresentam: é o Duo Sciotti, com pianão, sax e flauta. Depois deles, Lilian Carmona e sua trupe de ótimos músicos invadem o palco. Lilian Carmona Band é a bateria contagiante da Lilian (pessoa incomum e simpática, que já tocou com Bande Powell e Toquinho, só para ficar aqui no Brasil mesmo), dois teclados, cinco metais, contrabaixo e guitarra. Dica do dia: digite no YouTube “Lilian Carmona” e terá uma invasão sonora estimulante, maravilhosa, em seus fones de ouvido, em frente à tela do PC. No sábado o Marvio traz seu quinteto e substitui o teclado pelo piano. No mesmo dia, encerra a noite de jazz maringaense o renomado Victor Biglione e trio.

Vai, vai, vai, vai, não vou. Vai sim lá no Maringá Jazz Festival. É de graça. E vai ter só som bom por lá. Boniteza de se ouvir. Ouvidos agradecerão. Música instrumental da maior grandeza. Vai, vai, vai, não vou? Vai sim. Os ingressos serão distribuídos no Teatro Marista entre quinta-feira (21) e sábado (30). Pega mais informação no site dos caras: www.bwacultura.com.br/maringajazz.

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Final da Libertadores ou morte (dispensa)

O mar secou? A praia virou lixão? O esgoto negro invadiu o azul da cor do mar? A areia pesou para os pés dos nossos guerreiros? O que aconteceu com os bravos escolhidos para vestir o manto alvo que tanto já fez a vez da elegância santista enquanto o deus do futebol e outros que fizeram parte do reino dos céus desfilavam no gramado verde em décadas passadas? Cadê a genialidade, Neymar? Perdeu o tom, maestro Ganso? E por que logo em jogo histórico como este – semi de Libertadores contra o maior rival – Juan e outras mentiras futebolísticas resolveram ser desmascaradas? Ficaria muito feio o goleiro titular da Seleção Brasileira olímpica ocupar merecidamente o lugar de Aranha no banco de reservas? Não tenho muitas respostas paras as perguntas que ficaram no ar depois de lamentável jogo.

Senão, admitamos: o Corinthians joga mal há muito tempo, mas conquista resultado. Ontem o Santos conseguiu superar o time de Parque São Jorge, em erros. Não é jogando o capacete da PM ou apagando as luzes que a Vila Belmiro se engradece a ponto de, assim como antes, ser comparada ao caldeirão de La Bombonera. Creio que, depois das coisas de ontem, jogos decisivos do Santos acontecerão mesmo só na capital paulista.

Crise no CT Rei Pelé! Pressão! É disso que o time do Santos precisa. Acostumou-se às vitórias. Mas tem perdido muito ultimamente. Tem jogado mal. Muricy deve estar tomando um tarja preta muito forte para conquistar tanta calmaria. Não se pode admitir ver um time com tanta desmotivação em jogo tão grandioso que se pretende ser um Santos e Corinthians na semifinal da Taça Santander Libertadores da América.

Não precisamos jogar os ovos e nem quebrar os vidros dos automóveis dos jogadores. Não precisamos pichar os muros e nem invadir o treino para dar de dedo na cara da comissão técnica. Precisamos, Nação Santista, apenas ajudar o elenco e técnico a entenderem que o Santos é maior, é melhor, pode e consegue jogar mais na próxima quarta-feira no Pacaembu. Basta querer! Metade do elenco e o técnico Muricy Ramalho devem sair da posição de conforto e entender que é vida ou morte, a final da Liberta conquistada ou a dispensa de muitos do grupo.

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O mar sempre nos espera

Muitas curvas, retas, ultrapassagens e marchas trocadas no carro foram necessárias para se chegar até bem perto do mar. Mas se Maringá ficou para trás, no espelho retrovisor do veículo, as blusas e cobertores foram juntos. O frio estava em todo o lugar, inclusive bem perto do mar. Não houve biquíni, futebol na areia e aquela alegria sentida só pelo fato de se estar à beira mar. Não houve nada disso. Chegamos muito perto do mar, mas não o alcançamos, não tocamos na água salgada, não sujamos os pés de areia, não comemos queijo na brasa, não chupamos picolés de limão, não tomamos refrigerante e cerveja trazidos na caixinha térmica, não lemos um livro debaixo do guarda-sol enquanto outros faziam castelos de areia ou se deixavam levar um pouco pelas ondas do rasinho do mar. Estava frio, estávamos perto do mar e o jeito, ora se não, era pelo menos brindar ao mar comendo de seus frutos (uma tainha de dois quilos na brasa temperada só com sal e limão), pensando em sua imensidão infinita e rememorando as alegrias da Avenida Atlântica em Balneário Camboriú, as canções de Caymmi que inspiraram aquela crônica há um ano e o barco que sempre se quis ter para quem sabe pintar o nome do primeiro filho na parte da fora para todo mundo ver.

Algumas coisas mudaram de um ano para cá. O filho nasceu, cresce a cada segundo e agora já sorri para a gente. Fico pensando no sorriso de Lorenzo quando ele for pela primeira vez na beira da praia, de frente pro mar; queria poder participar deste momento ao lado do meu sobrinho. Quem sabe?

Todo mundo tem ou pelo menos deveria ter o direito de conhecer o mar. A gente vê na TV aquela pessoa simples do sertão, que viveu a vida toda rodeada só por terra, por mato, por vegetação, encontrar-se pela primeira vez com o mar, sentindo o cheiro da maresia, a temperatura da água, o olhar que nunca se acaba para o horizonte distante do mar. Aquilo é uma das traduções que se pode dar para a felicidade, ou pelo menos para um momento feliz. Ondas azuis, barcos ao léu. Piratas, quem sabe? Caranguejos. Pérolas escondidas em conchas mágicas. E quanta sereia que nos faz crer que viver vale sim a pena. É uma coisa bonita que vem e que passa. O balanço. O caminho. O mar!

Gostaria de me lembrar da primeira vez que vi o mar. Provavelmente deve ter sido o mar lá da Praia Grande, Vila Caiçara, litoral paulista, perto de Santos. Deve ter sido. É aquele mar que está retratado em meia dúzia de fotos que recortaram um período, uns dias, umas férias da minha infância, tendo sempre ao lado aquele meu amigo de sempre, um dos únicos, um irmão. Ele aproveitou mais ao mar do que eu. Ele aprendeu a surfar melhor, nadar melhor e, de tanto que ia à praia, conseguiu uma resistência dermatológica melhor do que a branquidão da minha pele, sempre tão protegida por calças e camisetas de gola. O meu amigo foi feito pro mar, pra praia. Ele, um dia, foi branco igual a mim. Hoje sua pele é dourada. Ele aguenta o sol e não liga tanto para o sal da água, para a areia nos pés. Ele continua morando muito perto do mar. Ele se encontra com o mar iluminado de Santos frequentemente. E eu, cerquei-me de outro mar, também imenso: o mar da soja, das plantações, os mares de “Mar-ingá” e região. Mas tá bom. E que bom que temos pelo menos uma saudade para sentir do mar. E sempre a possibilidade de um dia voltar para bem perto do mar. Seja o mar de Santos ou o mar de Santa Catarina. Algum mar sempre está por nos esperar.

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