Mês: março 2013



Outono na Avenida Brasil

Por Wilame Prado

Tente descobrir onde estou, onde quer que esteja. Tem muito verde e finalmente visto blusa. O vento balança bandeiras de países, estados, municípios e instituições. Uma placa diz que sou bem-vindo. Sempre fui bem-vindo, estranhamente. O vento, o mesmo que faz rodar um bonito cata-vento sem coloridos lá em cima, envelhece as caras barbudas de quatro estátuas. Eles nem ligam.

Tente me ver, sentir-me em seu pensamento. E, acredite, estou bem.

Agora já posso olhar, sem chorar, o lindo cabelo negro da moça que, distante dez metros de distância, estuda e deixa o relógio trabalhar em seus giros de ponteiro. A beleza é emocionante.

Não choro, mesmo com “Yellow”, do Coldplay, via fones. A estrela é amarela, paciência. Não me deixo abalar, mesmo com o Outono que chegou. Estou bem.

E acho que, da onde está, pode me enxergar, pode ver o quanto sofro e o quanto comemoro quando paro de sofrer. E por isso mesmo sinto que está perto de Deus: cada vez mais acredito nessas coisas que passam por nossas cabeças principalmente quando o vento outonal não incomoda, mas envelhece, as estátuas de homens barbudos.

Quando sofro, não posso contar com ninguém. Mas se agora estivesse ao meu lado, certamente não poderia contar contigo. Sempre foi assim. Sempre será.

Lembro-me de alguns telefonemas. Só pegávamos o telefone quando havia coisa boa para contar. As coisas ruins, enquanto estivessem acontecendo, afastavam-nos de qualquer tipo de comunicação, de qualquer comunicado. E como coisas ruins aconteceram nesses anos…

Queria, pelo menos, sentir a vontade de te ligar, sabendo que posso te ligar a qualquer momento, ainda que sabendo também que não ligaria. Ficaria imaginando eu não te ligando, mas podendo te ligar para contar o quanto sofro e o quanto gostaria de comemorar o fim do sofrimento.

Esse Outono me faz pensar em você. Então resolvo caminhar. Tirar do meu campo de visão a morena com seu cabelo liso e negro, os barbudos na ventania, as placas hipócritas de “seja bem-vindo” e as bandeiras que remetem a um orgulho territorial pouco convincente. E, como sempre, acabo parando na Avenida Brasil, palco de grandes movimentações de pessoas e automóveis em Maringá.

Mas não quero olhar para os botecos humildes. Se eu encontrar uma barra de Suflair em um desses balcões com vidros transparentes e sujos, fatalmente sucumbirei e ficarei a pensar se você apreciaria os bares dessa avenida maringaense, se os compararia com os sujos botecos da Avenida São Miguel, Zona Leste de São Paulo.

Estou bem, acredite. Mas chorei de novo, confesso. É que me lembrei, em passos solitários na Avenida Brasil, da nossa comida de padaria: porção de salame cortado bem fininho – “Joga limão em cima que fica gostoso, Jr”.

Vento frio na cara. Escurece em Maringá. E o Outono, que finalmente chegou à Avenida Brasil, envelhece-me e deixa esse lugar ainda mais triste.

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Quando morar na rua é uma opção

Por Wilame Prado

A vida que um andarilho leva nas ruas sugere um naipe extenso de histórias, muitas vezes, inacreditáveis. E Manuel Antonio Ribeiro, que já viveu 54 anos, sendo 16 nas ruas, hoje estufa o peito para dizer que “não se arrepende de nada nessa vida”.

As brigas familiares, costumeiramente, são frutos de um fator negligente que prejudica a sociedade, o vício. “Meu irmão se drogava demais e chegava muito nervoso em casa, me expulsou e me ameaçou de morte”, falou o mendigo, se queixando da amargurada vida em lar familiar. Muitos casos são parecidos com o de Manuel, que escolheu morar na rua, embora, muitas vezes, as condições de miserabilidade dos seres infelizes indique apenas o caminho único da sarjeta.

Não importa os sentimentos, pois, se fossem as saudades que Manuel sente das conversas com sua idosa mãe, com certeza voltaria para casa. Ele conta que, infelizmente, a senhora que ele tanto preza, morrerá logo, e por culpa do traficante nervoso, o seu irmão.

Você pode ser um presidente ou um mendigo mas, muito provavelmente, terá orgulho e honra. “Eu não cato lixo nem papel, eu não faço nada, afinal tenho muitos amigos aqui em Mandaguari e eles me ajudam”, esbravejou Manuel, que tem presença certa, todos os dias, na praça do município.

A honestidade de Manuel Antonio Ribeiro foi claramente destacada. Ele confessou que bebe pinga, mas diz nunca se reunir com andarilhos bagunceiros, preferindo ficar sozinho em seu canto.

Talvez essa história possa parecer triste aos acostumados em tomar banho quente diariamente, ou àqueles que só tem o trabalho de sair e entrar de seus automóveis para se locomover. Mas, neste caso, em que morar em casa era risco de vida, as ruas proporcionaram liberdade e, incrivelmente, um lugar para se viver em paz.

*Texto feito em 2006, no primeiro ano da faculdade, fazendo testes com o jornalismo e quase apanhando de um mendigo em Mandaguari

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Escuridão demasiada: resenha de ‘A Hora Mais Escura’

Cena de “A Hora Mais Escura, no momento em que soldados norte-americanos invadem a fortaleza onde Bin Laden estava escondido: foi assim?

Continua em cartaz em Maringá o filme “A Hora Mais Escura”, da diretora Kathryn Bigelow. O longa-metragem (longa mesmo: são 2h47 minutos de projeção), que mescla ficção e fatos reais para contar a caçada da CIA a Osama Bin Laden, recebeu cinco indicações ao Oscar mas, desmerecidamente, não levou nenhuma estatueta. A ousadia da cineasta em colocar em pratos limpos as práticas de tortura utilizadas pela inteligência dos Estados Unidos para conseguir informações sobre o terrorismo após o atentado nas torres gêmeas em 11 de setembro de 2001 pode ter enfraquecido politicamente o longa, que chegou a receber lobby negativo partindo do Senado norte-americano.

As práticas de tortura compõem só a primeira e menos interessante parte de um filme praticamente perfeito tecnicamente falando e que mereceria prêmios coroando o trabalho de direção, edição e atuação. Pareceu não haver preguiça nos profissionais que botaram a mão na massa, certamente motivados pelo desafio de contar em detalhes uma história que o mundo tentou acompanhar de todas as formas, mas pouco ou quase nada até então havia sido contado . O espectador foi respeitado.

É neste começo, meio repetitivo e previsível, que se começa a perceber, suavemente, o quanto a atriz Jessica Chastain vai mergulhar em seu personagem: a novata Maya, que chega na CIA com asco de ver detento suspeito de terrorismo recebendo afogamento simulado com toalha molhada na cara e que termina o longa falando alto com seus chefes e batendo firme o pé no chão apostando em suas pistas que apontavam a aproximação do encontro com Bin Laden.

Chastain honra o papel que lhe coube de mostrar a importância da figura da mulher na longa caçada a Bin Laden. Suspeito que, principalmente pelo fato de a diretora ser mulher, o filme é também uma homenagem às mulheres, à ascensão delas em ambientes de trabalho outrora pouco alcançáveis e à inegável intuição feminina. O filme não é só sobre o terrorismo e investigações. Revela, ainda que de maneira secundária, o quanto as pessoas nos dias de hoje se deixam envolver em seus afazeres profissionais a ponto de anularem inteiramente a vida pessoal. Isso fica marcado na cena em que Maya revela para uma amiga, em um restaurante, entre um gole e outro de vinho, que já não faz sexo há muito tempo.

Momentos depois de revelar a abstinência sexual, uma bomba explode no restaurante onde as duas agentes da CIA estão. É como se Kathryn Bigelow estivesse dando um aviso: “A caça a Bin Laden deve continuar, meninas. Por favor, pelo menos por ora, esqueçam o sexo.” Mas a parte humana dos personagens se resume a esse momento. Ok: os agentes da CIA querem salvar o mundo, mas seus laços com o mundo não são mostrados, o que faz com que “A Hora Mais Escura” seja um filme interessante, como uma ótima história contada de modo ágil, mas com personagens fracos, mesmo recebendo atuações impecáveis. Ponto negativo para o roteiro, que chegou a ser indicado ao Oscar.

O melhor do filme, assim como neste texto, foi deixado para o final. Mesmo revelando a todo momento as horas enegrecidas que envolvem as situações calamitosas retratadas – milhares de mortos no atentado às Torres Gêmeas; a tortura que acaba torturando não só o torturado mas o torturador também; a pressão governamental interferindo em uma complexa investigação em território inimigo; a solidão; a perda de amigos em outros atentados etc – a verdadeira “hora mais escura” invade as cenas finais em mais de meia hora de puro suspense, emoção e total envolvimento do espectador com oque é mostrado às escuras pelo filme.

Abrindo mão de efeitos de luz, a escuridão que se passa na chegada dos soldados em helicópteros no casarão onde Osama Bin Laden estava escondido é de arrepiar e faz ter valido a pena atravessar as mais de duas horas do longa.

Logicamente que quase todo mundo sabe o final de “A Hora Mais Escura” porque o desfecho da caça a Osama Bin Laden foi amplamente noticiado pela imprensa do mundo inteiro. Mas ver aquela simulação dos fatos “reais” em cenas construídas e pensadas exclusivamente para entreter o espectador é algo fascinante. É como se relembrássemos que somos parte desta história mundial recente. É como se tivéssemos um pouco de culpa em todo o mal que assola o mundo. O longa-metragem de Kathryn Bigelow nos faz lembrar que o homem é cruel e que o mundo é um lugar muito perigoso de se viver. Lembramos que, diferentemente dos filmes, na vida não tem bandido nem mocinho com papeis equivocadamente bem definidos. Há sim argumentos, aspectos culturais, pontos de vistas e um milhão de verdades e mentiras.

Ótimo filme, recomendadíssimo, mas só uma última e lamentável ressalva: “A Hora Mais Escura” está correndo o risco de ser renegado como não confiável representação histórica por uma inacreditável dubiedade de Kathryn Bigelow: enquanto peitou os EUA colocando cenas de tortura no início do filme, finalizou o longa comprando o discurso oficial da CIA e do governo e que, invariavelmente, foi aceito pela mídia. Pelo fato de o filme ter começado dando a informação que é baseado em fatos reais, deveria ter terminado também dizendo que as cenas da captura de Bin Laden atendem ao discurso oficial norte-americano. Na página do jornal ou no cinema, toda aquela invasão exitosa a uma suposta fortaleza do homem acusado de liderar o maior atentado terrorista da história recente ainda não cheira bem, ainda gera margem para contestações. Ou não?

*Resenha publicada no D+, do Diário de Maringá

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Relato de uma breve viagem ao exterior ou o turismo de ‘negócios’ no Salto Del Guairá-Paraguai

Fizemos uma viagem super tranquila e fiquei surpreso com a média de 15km/litro que o Ford Ka 1.0 (apelidado na viagem por Ka Nitro, risos) fez. Mesmo indo sem pressa, quando dava chegava a boas velocidades e por isso acho que o carro foi bem em seu desempenho.

A baixa da viagem foi a Lanchonete Primavera estar fechada. Chegamos lá exatamente às 6h30, horário de abertura, mas fomos comunicados que a mãe do dono havia morrido e que por isso eles não abririam naquele dia. Ao chegar em Salto Del Guairá, no Paraguai, tivemos uma surpresa ao encontrar um Shopping China vazio pela manhã, suave de se fazer compras. Então pensamos: são esses preços caros praticados por aqui. Não estava compensando, por exemplo, comprar um reles processador de sucos, que procurava para minha mãe, porque estava com o preço praticamente igual ao do vendido em lojas no Brasil.

Mesmo assim, a Denise e sua amiga fizeram a festa com xampus, cremes e outros artigos mais. Fomos, então, ao Shopping Salto. E, para nova surpresa, quase nada compensava por lá quando comparado aos preços do Shopping China. No Paragua, está tudo mais ou menos igual os preços, sempre muito caros principalmente pelo fato de o dólar estar R$ 2,11.

Entre uma decepção ou outra, ainda achei duas coisas no Shopping Salto um pouco mais baratas: meu HD de 1 tera da Samsung, que paguei R$ 175 (no China ia pagar uns R$ 5 a mais só) e meu aparador de pelos, que paguei 29 dólares contra os 32 dólares praticados no China. No mais, tudo na mesma e até coisas mais caras.

Ao final dessa visitinha ao Paraguai, que, carinhosamente, chamamos de turismo de negócios no exterior, fomos ao Shopping Queen Anne e nós arrependemos profundamente de não termos ido lá primeiro. Aquele shopping foi grandiosamente bem construído, está agradável e compete de pau a pau em preços e produtos com o China, com pontos a mais para o Queen Anne, que possui uma invejável Praça de Alimentação no andar de cima, com opções muito legais para se comer. Além do que, finalmente encontrei a tal da erva para tereré Pajarito lá no Queen Anne; dizem que é muito boa (precisamos fazer um ter e experimentar!). Sobre a parte que te interessa mais, caro amigo apreciador do “turismo de negócios” (risos), devo dizer que os preços dos receptores de televisão para sinal HD estão tabelados. Em uma comparação entre os modelos do China e do Salto, ponto para o China, que está com 5 dólares de vantagem nas marcas principais em preços que variam de 160 a 170 dólares.

Uma pausa no relato para um bônus com duas notas de utilidade pública paraguaias:

-No China já não se vende Iphone 4S e o Iphone 5 sai pela bagatela de 756 dólares;

-Na próxima semana, em um shopping nunca frequentado por mim no Salto Del Guairá, será inaugurada uma franquia do Mc Donald´s; o Burguer King já faz a festa lá no China, enquanto o Au-Au e o China Master garantem bons apetites no Queen Anne.

Por fim, devo concluir este relato dizendo que, como nunca, o Paraguai surpreendeu: no ato final, na abastecida de praxe no posto BR instalado ao lado do China, tal qual não foi minha indignação ao ter de pagar R$ 2,79 pela gasolina, preço praticamente igual ao praticado em Maringá. Mas, tudo bem. As compras já haviam sido feitas e, entre meias, cocas de 500ml (garrafinhas bonitinhas só encontradas no “exterior”), Pringles – originais e genéricas e torrones (um piá de uns 7 anos queria vender uma imensa caixa lotada de torrones por R$ 10), em um trânsito absurdamente lento (pegamos mais trânsito na volta do que na ida), estávamos seguindo viagem de volta a Maringá.

Para “fechar o caixão”, surpresa extra aos 47 do segundo tempo: uma fiscalização muito mais intensa da PRF, com viaturas parando carros antes e depois da alfândega e, na própria alfândega, uma maior intensidade de carros sendo parados e revistados e um olhar clínico de um homem da lei para cada quarteto de pneus que passava por ali. Não fomos parados. O Ka está com seus pneus meia vida e não estava amplamente socado. Além do que, no banco da frente estávamos sorrindo, eu e meu amigo, com nossas caras lavadas, com nossos bigodes e bonés, como nossas camisas do Santos, com cara de guri que tem medo até de ultrapassar a cota dos 300 dólares, e as meninas, e isso é regra, já se deleitavam em sono profundo no banco de trás (talvez sonhando com as maquiagens, com os massageadores, com os xampus, perfumes).

Chegamos no destino de volta por volta das 22h, eu um pouco chateado por não ter conseguido desviar de uns sete buracos consideráveis na rodovia e embasbacado com a atitude de alguns motoristas apressados e ignorantes. Consegui, como sempre, já quebrar logo de cara uma das mercadorias compradas no Paraguai: quando fui tirar a imensa mala adquirida pela bagatela de R$ 60 no país vizinho, puxei forte demais e destruí o puxador. Tudo bem, pois, tirando isso, todos os produtos vieram intactos (nem os chocolates derreteram!) e prontamente eu e ela já estávamos distraídos com nossas aquisições consumistas: eu com os 30 gigas em filmes de alta qualidade baixados pela internet que já estavam guardados no HD externo e ela tendo o estresse da viagem contornado pelas massagens automatizadas em um aparelho potente plugado na tomada. Todos estávamos cansados, como acontecem em todas as viagens ao Paraguai,  mas prontos para a próxima.

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100 mil museus

Fotos antigas como esta, por exemplo, da família de Edson Pereira, serão digitalizadas para compor o projeto (Crédito: Arquivo do Museu da Família)

Instituto de Maringá é autorizado a captar mais de R$ 8 milhões para o Museu da Família, que digitalizará as histórias de 100 mil famílias do norte e noroeste do Estado

A Geada Negra, que assolou principalmente o Norte Pioneiro do Paraná na madrugada de 18 de julho de 1975, esvaziou a região. Na época, dos 174 municípios cafeicultores, 71 perderam mais da metade da população e 88 perderam mais de 1/5, segundo o documentário “Geada Negra”, dirigido por Adriano Justino. Cidades pequenas ficaram ainda menores. Distritos sumiram do mapa sem deixar rastro. E não é só uma questão geográfica: apagou-se, com isto, muita história de vida, história de gente que ajudou a colocar no mapa este pedaço do Brasil.

Já virando esta boca pra lá, se vier outra calamidade como a de 75, pelo menos as histórias de tantas famílias da região – e que, em seu conjunto, constroem a verdadeira e rica história local – não mais serão dizimadas assim como os milhares de pés de cafés ceifados pela geada. Isso porque, o Instituto Memória e Vida (IMV) obteve aprovação na Comissão Nacional de Incentivo à Cultura, responsável pela análise das iniciativas inscritas na Lei Rouanet, para viabilizar o projeto Museu da Família, com captação de R$ 8.215.546. Isso significa a possibilidade, para inúmeras pessoas da região, de garantirem o registro histórico familiar a custo zero.

O Museu da Família, em toda sua inovação, já pode ser considerado o maior projeto de preservação da memória social já feito no Estado. Serão 100 mil famílias, totalizando quase 500 mil pessoas, localizadas em 211 municípios de quatro regiões paranaenses (norte pioneiro, norte central, noroeste e centro ocidental), assistidas pelo projeto e que terão suas histórias familiares registradas por meio da digitalização de diversos materiais históricos – fotos, fitas cassete, filmes, receitas culinárias, exames médicos, películas etc – que comporão uma página da internet no site do Museu da Família. Além da digitalização de material já existente, estão previstas a captura de depoimentos em vídeo de três mil pioneiros e a realização de 50 exposições em pequenos municípios.

Essa espécie de museu particular será uma imensa árvore genealógica digital, com garantia de perenidade em um software livre e com a responsabilidade do IMV em armazenar todos esses dados em um banco confiável.

O presidente do IMV, Edson Pereira, e o diretor de projetos Marcelo Seixas anunciaram ontem que os trabalhos já foram iniciados e que os moradores da região de atuação do projeto interessados em participar já podem acessar o site www.museudafamilia.org.br para obterem informações. Seixas confirmou para 13 de maio, em meio à Semana Nacional de Museus deste ano, em local a definir em Maringá, o evento de lançamento oficial da campanha de cadastramento das famílias para o museu.

Iniciando em maio, o diretor calcula finalizar a primeira etapa do cronograma do Museu da Família – com visitas, esclarecimentos, cadastramentos de famílias e digitalização dos materiais históricos – até outubro deste ano. Para isso, o IMV contará com cerca de 450 pessoas que, direta ou indiretamente, trabalharão no projeto em pelo menos quatro setores: educativo, tecnológico, núcleo histórico e logístico. Cada município terá um professor representando o Museu da Família. Só aí já são mais de 200 pessoas envolvidas. O prazo para a “entrega da obra” é de dois anos.

Começar o processo de divulgação da ideia por meio de professores não foi por acaso. Em uma primeira fase do Museu da Família – iniciada em 2011 na comunidade rural do município de Jussara (a 65 quilômetros de Maringá) – eles perceberam que uma das características marcantes das pequenas comunidades da região é a importância e atuação que escolas estaduais ou municipais têm. E será nelas, contam, que o pontapé inicial será dado e onde, nas cidades com menos de 30 mil habitantes (prioritárias no projeto), funcionarão núcleos de digitalização.

Maringá
No projeto, está previsto para Maringá e Londrina, em pontos estratégicos, a instalação de dois laboratórios de digitalização de documentos históricos de famílias que se interessarem pelo projeto. Eles ainda não definiram uma data para a viabilização dos laboratórios. Mas, segundo Seixas, quando essa etapa se tornar realidade, o processo de digitalização será rápido e as pessoas poderão aguardar a devolução dos documentos tomando um cafezinho enquanto a equipe responsável catalogará os materiais históricos e dados importantes de identificação. “Em 20 minutos, hoje já se consegue digitalizar até 700 documentos.”

Com a ideia ousada, mas muito bem vinda e importante, Edson Pereira ressalta o caráter de preservação da história regional por meio da memória privada e o ineditismo do que chama de “museu de primeira pessoa”. De forma colaborativa e invertendo a ordem habitual dos livros de história – cujos fatos quase sempre partem de cima para baixo e se limitam aos relatos oficiais, aos acontecimentos heróicos das figuras públicas – o Museu da Família pretende, assim, criar, em sua primeira etapa, 100 mil museus, de 100 mil famílias, de 100 mil histórias recheadas de peculiaridades mas que, ao mesmo tempo, contam com uma série de fatores em comum, principalmente a relação irrefutável que todos têm com a terra e com a saga do café nas regiões norte e noroeste do Paraná.

Histórias de família
Quando, em dado momento de sua vida, Marcelo Seixas percebeu o quanto foi importante para suas duas filhas verem um relato gravado que ele fez da bisavó delas, que morreu com mais de 100 anos, não teve dúvida do quanto poderia contribuir para a história pessoal de cada família com o Museu da Família. “Vi o quanto a história da bisavó foi importante para minhas filhas, para saberem que também faz parte da história delas.”

Edson Pereira lembra-se da mãe, que, mesmo já tendo seis filhos, resolveu ainda, em Jussara, adotar outras quatro crianças. “A família é a base e que te passa segurança e conhecimento. Por mais que você esteja distante, você pode voltar para sua família a qualquer momento”, diz. Com o Museu da Família, os dois estão contentes. Afinal, os familiares aumentarão.

*Matéria publicada no D+, do Diário de Maringá.

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‘Oz’: mágico, poderoso e entediante

O mágico sem graça com seu companheiro inseparável: o macaco Finley é um dos poucos que se salvam em “Oz: Mágico e Poderoso”

Mesmo com todos seus investimentos e recursos tecnológicos, em uma mescla do que parece haver de melhor em uma geração de imagem em 3D aliado a um zelo no figurino, efeitos especiais e escolha de um time de atores da “moda”, “Oz: Mágico e Poderoso” (em cartaz nos cinemas de Maringá) não convence e, com tanto marasmo em um filme que, não fosse pelo 3D, se limitaria a uma “Sessão da Tarde” em meio a cochiladas e acordadas no sofá, ainda conseguiu, nesta releitura lamentável, transfigurar negativamente a obra “O Mágico de Oz”, escrita pelo dramaturgo norte-americano L. Frank Baum no começo século 20.

O filme dos estúdios Disney, que, definitivamente, não foi feito para o público adulto, também corre o risco de não agradar nem mesmo as crianças. As desventuras na Terra de Oz, tão bem explorada durante praticamente um século no cinema, no teatro e inspirando inclusive obras literárias fantásticas, desta vez sai perdendo pelo fato de o enredo focar – dentro de infinitas possibilidades que as histórias criadas por Baum oferece – a rixa entre bruxas e irmãs em meio ao romance chocho iniciado e não acabado entre o mágico metade larápio metade mocinho Oscar Diggs (James Franco) e a bruxa Theodora (Mila Kunis) – também com personalidade dúbia na história.

Outra que não convence em seu papel de boa moça é a “bruxa” que rapidamente se revela princesa Glinda (Michelle Williams). Suas falas e movimentos no filme são tão predominantemente dotados de bondade exacerbada que a transformam em só mais um rosto bonito na tela de cinema; só mais uma personagem fraca, indefesa e desinteressante.

O diretor Sam Raimi – que certamente arrastou fãs de seu trabalho comandando filmes de terror como “Possessão” e “Arraste-me para o Inferno”, os mesmos fãs que talvez apostaram em uma obscura e misteriosa Terra de Oz – errou na mão ao abdicar de personagens importantes e consagrados da fábula conhecida – como o Homem de Lata e o Espantalho – e dedicar atenção apenas ao nada atrativo protagonista na figura do mágico interpretado por um ator deslocado.

As belezas em um vilarejo cercado por mágica foram muito bem destacadas pelos efeitos especiais e tornam “Oz: Mágico e Poderoso” em uma espécie de tela para se apreciar por alguns minutos e não em duas horas dentro de uma sala de cinema. O que impediu muita gente de sair antes de o filme acabar, no entanto, foram as peripécias do macaco computadorizado em efeito especial Finley, um Sancho Pança do mágico Oscar e que, assim como geralmente acaba acontecendo nas animações, roubou a cena e encantou muito mais do que os protagonistas simplesmente pelo fato de conseguir dar leveza e graça em um filme entediante. Finley – tal qual o burro do Shereck – dá alguns pontos ao filme, e só.

Mesmo com tanta chatice em tela, “Oz: Mágico e Poderoso” dominou as bilheterias de cinema pelo segundo fim de semana após sua estreia e já faturou 42,2 milhões de dólares nos cinemas dos Estados Unidos e Canadá. Só pode ser coisa de mágico mesmo.

*Resenha publicada no D+, do Diário de Maringá.

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O Vampiro de Astorga – entrevista com Marcos Peres

Marcos Peres, em seu escritório: “Tomo uma xícara de café enorme e escrevo umas duas, três horas. Se eu ultrapassar esse tempo, sinto que a qualidade do escrito cai” (Foto de Ricardo Lopes)

Quando a reportagem do Diário descobriu, no último domingo, que um jovem escritor maringaense havia ganhado o disputado Prêmio Sesc de Literatura, começou a “caça” pela entrevista com o autor. Para a sorte deste que vos escreve, Marcos Peres Gomes Filho, 28 anos, mais conhecido como Marcos Peres ou ainda simplesmente Astorga (cidade onde morou por um tempo), vencedor do prêmio na categoria Romance com o aguardado “O Evangelho Segundo Hitler”, é um colega de rede social em razão do projeto Contos Maringaenses, do qual ambos participamos.

Nem tanta sorte assim. Ao contrário do que se imaginava, Marcos Peres resolveu dar um sumiço por esses dias, alegando afazeres e compromissos inadiáveis. Formado em Direito, ele é servidor público e dá expediente no Fórum maringaense todos os dias. Não conseguimos entrevistá-lo pessoalmente, infelizmente. Foi difícil marcar até a fotografia. Mas, pelo menos, ele prometeu responder as perguntas da reportagem, via e-mail. Mesmo assim, aos 47 do segundo tempo, em horário próximo ao fechamento das páginas do jornal, a tão esperada entrevista ainda não tinha chegado na caixa de entrada.

Para alegria do repórter, a entrevista chegou. E, lendo o conteúdo do e-mail de Marcos Peres, finalmente entendemos a demora: ele leva a sério esse negócio de escrever e, não se esquivando de nenhuma pergunta, totalizou um documento de quase 10 páginas !

Demonstrando imensa paixão pela literatura, o leitor de Gabriel García Márquez e Jorge Luis Borges, apaixonado pelo São Paulo Futebol Clube e por corridas no Parque do Ingá (onde idealiza grande parte do que escreverá em suas sagradas três horas dedicadas à literatura), “Astorga” contou um pouco mais sobre sua vida e sobre o processo de produção do romance “O Evangelho Segundo Hitler”, que em breve será lançado pela Editora Record, com distribuição nacional.

Leia abaixo a entrevista na íntegra:

O que costuma fazer habitualmente?

MARCOS PERES – Graduado em Direito pela UEM, trabalho na Vara de Execuções Penais de Maringá. Nasci em Maringá – apesar de passar minha infância em Astorga, moro na Zona 2, sou casado e tenho um shih-tzu chamado Billy. Meu maior hobby é correr no Parque do Ingá. Corro todos os dias e todos os anos participo da Prova Tiradentes (inclusive, inspiro-me no japonês Murakami que escreve e participa de provas de atletismo – e que tem um livro chamado “Do que Falo Quando Falo de Corrida”). Gosto de futebol e vejo qualquer partida que esteja passando na TV. Sou são paulino e vi meu time ser campeão da Libertadores da América ao vivo no Morumbi. Além disso, leio e escrevo todos os dias. Minha rotina já há alguns anos é essa. Trabalhar, escrever e correr. O ato da corrida, além de relaxar, ajuda-me também a pensar, a raciocinar como um romance ou um conto deve ser desenvolvido. Algumas boas partes de “O Evangelho Segundo Hitler” saíram do Parque do Ingá. Lá é um lugar maravilhoso.

Desde quando escreve? Por que resolveu começar a escrever?

As duas perguntas se cruzam de forma indissolúvel. Escrevo porque necessito. Escrevo porque há coisas que me perturbam e que preciso exteriorizar, independentemente de um leitor posterior. Escrever sempre foi minha terapia. E escrevo, portanto, desde que comecei a possuir indagações que não eram facilmente respondidas. Creio que desde os 15 anos, mais ou menos. E escreverei enquanto tiver algo inquieto em minha mente. O dia que eu não tiver mais dúvidas, o dia em que eu estiver conformado, não escreverei mais nada. Escrever nunca foi e espero que nunca seja um comércio pra mim. É terapia e paixão. E basta.

Com que frequência produz textos? Onde? Como? Quais suas manias na hora de escrever? Precisa de silêncio? Escreve diretamente no computador? Faz muita pesquisa? Vai no impulso?

Escrevo diariamente. É uma necessidade, de fato. Prefiro a parte da manhã, que minha cabeça está descansada. Tomo uma xícara de café enorme e escrevo umas duas, três horas. Se eu ultrapassar esse tempo, sinto que a qualidade do escrito cai. Escrevo algumas vezes no impulso e, quando o faço, necessito revisitar o escrito e limá-lo. Um escrito genial feito no impulso é, invariavelmente, no dia posterior, algo cheio de vícios e erros grotescos. O Flauzino (José Flauzino Alves), que é meu grande amigo e foi corretor de “O Evangelho…”, sempre me alertou por ser impulsivo. É algo que tento controlar.

Acredita mais em inspiração ou transpiração?

Acredito que, apesar de antônimas, não são características excludentes. As duas devem coexistir. Inspiração é o sopro inaugural, a ideia germinal que aparece de repente e mexe com o nosso brio. O resto é tudo transpiração e desmistificação do escritor como um ser inteiramente feito de pensamentos. Depois de criadas as bases estruturais pela inspiração, o escritor tem de sentar a bunda na cadeira e labutar. Tem de estar ciente que é um trabalho que demanda tempo, dedicação, disposição e entrega, como qualquer outro. Portanto, acho que inspiração e transpiração se complementam. Transpiração sem inspiração gera escritores sem coração. O inverso gera escritores sem livros. E os dois são um problema.

De que forma outras manifestações artísticas, como a música e o cinema, influenciam em sua literatura? Cite alguns gostos pessoais que são importantes em sua produção.

Há determinados momentos que gosto de escrever sob a influência de música. “O Evangelho…” envolve a Argentina e mais de uma vez me peguei escutando Piazzola. Acho que era uma tentativa, mesmo que inconsciente, de entrar no clima. Há um determinado trecho que não conseguia desenvolver e que só o fiz quando escutei “Libertango”. Se foi coincidência, foi uma coincidência ótima. Quanto ao cinema, acho que a premissa é a mesma. Música e cinema são artes que nos fazem sonhar, que realizam a catarse que Aristóteles já previu. Quando escuto uma boa música ou um bom filme, transporto-me para aquele universo. E, consequentemente, penso. E pensar faz parte do sopro inaugural da literatura, daquele momento único da inspiração.

Bisbilhotando em sua rede social, percebo um apreço grande por viagens. Quais você poderia citar que foram determinantes para a produção literária? Viagens são importantes para se escrever bem?

Não sei até que ponto o ato de escrever e viajar podem ser relacionados. Viajar, na verdade, ajuda a compreender melhor – não só o mundo, mas a si mesmo. Escrever após o ato de viajar é, portanto, escrever com mais propriedade, com mais conhecimento dos limites geográficos e próprios. A decisão de escrever “O Evangelho…” se deu no meio de um mochilão que realizei com amigos, um mochilão pela Bolívia, Peru e Chile. Viajava no meio do Deserto do Atacama enquanto pensava nos primeiros alicerces de “O Evangelho…”. Era estimulante olhar um mundo tão diferente do meu e pensar que eu estava prestes a construir um pequeno universo, que, de alguma maneira, eu ousava reescrever a história. Coincidentemente, no Peru, fiz amizade com um escritor argentino, o Juan. Disse-lhe sobre meu fascínio pelo Borges. Ele, ao contrário, preferia outros escritores, outros que nomeava como genuinamente argentinos – Como Sabato e Cortázar. Foi uma conversa estranha – um brasileiro exaltando um ídolo argentino e um argentino afirmando que o brasileiro estava equivocado. Foi uma conversa que, no futebol, provavelmente não ocorreria. Ele me explicou que o Borges é um lord europeu e que nunca refletiu inteiramente o sangue quente portenho. Algo parecido com o que o Messi hoje representa: endeusado na Europa e não tão estimado na própria nação. A conversa me ajudou a criar a imagem do Borges que eu queria escrever. E hoje o Juan é um grande amigo e já me felicitou pelo prêmio.

Você, ao lado do Michel Roberto, foi o idealizador do projeto Contos Maringaenses. O que levou aos dois a encabeçarem o projeto que acabou reunindo o pessoal que aprecia escrever na cidade? O que sentiu com o tempo e com as publicações no Contos Maringaenses? A cidade realmente tem uma geração de escritores? Existem características em comum entre eles?

O Michel foi o criador dos Contos. Na época eu havia mandado uma novelinha irônica chamada o “Código do Ingá” – e que brincava e fazia referências ao “Código Da Vinci”. Era uma história que se passava em Maringá e unia alguns personagens célebres locais. Logo após ele me perguntou se eu topava escrever sobre Maringá. Ele reuniu o time, estabeleceu as diretrizes, estipulou os prazos e, ainda, cuidou da parte gráfica e artística do e-book. Os contos deste e-book deviam mencionar Maringá, mesmo que esta não fosse a protagonista da trama. O Bruno Vicentini definiu bem o tema: “Maringá, incidentemente ou acidentalmente”. Fizemos o e-book e depois mantivemos o blog. O blog foi um baita feito. Antes dele não existia nada, nada. Depois os escritores ficaram amigos uns dos outros, conheceram a fundo a obra que era realizada em Maringá. O projeto Contos Maringaenses sempre teve um princípio: o da democratização. Não negamos nunca o direito de um jovem ver seu texto publicado naquele espaço. Acreditamos que era mais importante o papel de fomentar a criação de textos do que o da triagem. Lá estão jovens incipientes e escritores consagrados. Conseguimos a façanha de publicar no mesmo veículo jovens de 16, 17 anos e textos do Oscar Nakassato e do Laurentino Gomes. Mostramos que é possível – em uma cidade de médio porte, do interior de um Estado, fora do centro cultural nacional, encravada em um país do terceiro mundo – produzir literatura, com quantidade e qualidade. Durante um bom tempo, o blog era abastecido semanalmente com textos meus e de outros jovens – e de escritores consagrados e rodados. Considero um feito. Considero, humildemente, um meio eficaz para organizar a literatura feita pelos escritores principiantes de uma cidade. E, pelo blog, conheci o Flauzino – que aos poucos tomou para si o fardo de crítico literário dos Contos Maringaenses. Ele já havia corrigido o bem sucedido “Nihonjin”, do Oscar. Com o mesmo empenho, corrigiu “O Evangelho…”. É mais um que vai pra conta dele.

Quais escritores maringaenses aprecia?

Não vou citar o Oscar pela obviedade que isso representa. Ele atualmente é o ícone literário de qualquer escritor maringaense e, obviamente, meu ícone também. Gosto muito do Nelson Alexandre e tentei ajudá-lo a divulgar o seu “Paridos e Rejeitados” ano passado. Gosto também do Bruno Vicentini, do Alexandre Gaioto, da Thays Pretti. Maringá tem muitos jovens talentosos.

Quais escritores – não precisa ser maringaense – influenciam sua escrita?

Gosto muito de Dostoiévski, do Borges, do García Márquez, do Bolaño, do Umberto Eco, do Philip Roth, do Tchekhov, do Saramago, do Murakami… Dos brasileiros, leio sempre Guimarães Rosa, Machado, Autran Dourado, Rubem Fonseca, Dalton Trevisan, Tezza. Dos contemporâneos, gosto muito de “Os Malaquias”, da Andréa del Fuego e de “Fazes-me Falta”, da portuguesa Inês Pedrosa. São dois livros de uma sensibilidade absurda. Acho que procuro beber da fonte dos escritores que admiro. E acho que este é um fato normal para um escritor principiante, não é?

Sua escrita se assemelha com a literatura produzida por qual escritor brasileiro ou estrangeiro?

Seria pretensão demais afirmar que pareço com outro escritor. Nem escritor me considero. Na ficha do médico, no quadro profissão, assino como “servidor público”. É ousadia demais querer me comparar com alguém que admiro tanto.

Gostaria que sua literatura se parecesse com qual literatura?

Gostaria de ter uma voz própria. Gostaria que as pessoas lessem meu escrito e falassem: “É do Marcos Peres”. Espero um dia chegar lá.

Se alguém fosse apontar características para a sua literatura, quais seriam, na sua opinião?

O Rafael Zanatta, que é uma opinião que considero e admiro na cidade, diz que eu bebo do elemento fantástico. Ele, em parte, está certo. Já usei a fantasia em determinados contos. Mas já procurei beber de outras fontes. Já fiz romance sobre ficção científica, novelas realistas, contos policiais, esboços de teatro… tudo para tentar descobrir meus limites, tudo para tentar explorar o palco em que estou inserido. Muitos projetos não foram exitosos, é verdade. Mas ainda estou me descobrindo. Não acho que já posso me classificar em um gênero. E acho que, quem tentar me classificar, corre o sério risco de errar. Ainda estou em metamorfose…

Utiliza muitos elementos autobiográficos em sua literatura?

Utilizo, mas aparecem sempre como passagens de temas maiores. Acabam surgindo como detalhes de um universo fictício. Não tenho a intenção de me expor ou expor pessoas que conheço na ficção. Quando isso ocorre, é um fato circunstancial e acidental.

Quais contos publicados na internet poderia me indicar para eu ler e que pode definir um pouco melhor o seu perfil literário?

Cara. Há algum tempo fiquei chateado com a publicação de ficção e resolvi tirar meus contos do blog Contos Maringaenses. Na oportunidade, não abandonei a escrita; abandonei apenas a possibilidade de ser lido. Acho que há um ou outro conto no blog do pessoal do Nego Dito. Nos Contos Maringaenses, não sobrou nada.

Por que mesmo com o gosto pela literatura resolveu estudar e trabalhar na área do Direito e não seguir carreira, por exemplo, na área de Letras ou Jornalismo?

O sonho primitivo era o Jornalismo. Uma jornalista, quando eu prestava o vestibular, me desanimou. Disse coisas sobre o mercado de trabalho, sobre o fato de Maringá estar distante do eixo Rio-São Paulo e acabei optando pelo Direito. Quando eu estava no quinto ano do curso de Direito na UEM, passei na primeira fase para virar trainee na Folha de S. Paulo. Mas era tarde demais. Na oportunidade, já havia passado no concurso da Justiça Federal de Presidente Prudente. Todos, na oportunidade, alertaram-me sobre o risco de jogar tudo para o ar para tentar um sonho incerto. E nem fui fazer as demais fases do concurso da Folha.

Assim como 90% dos escritores lembrados na história da literatura brasileira, é servidor público. O que isso ajuda na produção literária?

Não sei se a pedra de toque é o serviço público. Se realizar uma estatística dos escritores que fizeram Direito ou que também foram advogados, o montante será alto também. Imagino que a pedra de toque, de fato, é o ramo das ciências humanas. A grande maioria dos servidores públicos passaram pelas fileiras de algum curso da área de humanas. E escrever, seja ficção ou não, é um ato umbilicalmente ligado às Humanas. É a ciência humana, aplicada na prática, no papel.

Tem ideia da quantidade de coisas que já escreveu? Quantos contos? Só um romance ou tem mais tesouro guardado nas gavetas virtuais do seu computador? Sei que escreve contos por causa do Contos Maringaenses. Descubro que escreve romances com a conquista do Prêmio Sesc de Literatura. Curte escrever outras coisas também, como crônicas e poesias?

O Flauzino costuma dizer que sou producente. Coloquei muitos contos no blog e outros tantos ficaram fora do blog, por opção própria. No meu estoque de contos, devo ter material para uns dois ou três livros. Mas gosto mesmo de escrever romances. Desde que comecei, sei que gosto dos romances. Para falar a verdade, só tomei gosto pelos contos através do Michel Roberto e dos Contos Maringaenses. Tenho alguns romances engavetados e projetos para mais alguns. Uma coisa eu tenho certeza. Escrevo muito – no sentido quantitativo da coisa. Se são bons, eu não posso afirmar. Mas afirmo que são muitos. Escrevi também alguns textos que nem sei se podem ser chamadas de crônicas. Foi para o blog de um grande amigo, José Marques, que também muito me incentivou a escrever. E poesia, definitivamente, não é comigo. Não me sinto capaz.

Nós, do interior do Paraná, as vezes temos o péssimo hábito de nos rebaixarmos perante os escritores da cidade grande, do eixo Rio-SP. Oscar Nakasato e tantos outros estão aí para dizer que estamos errados e que é possível sim produzir literatura boa em qualquer lugar, seja em Maringá, Apucarana ou até mesmo em Astorga. O que pensa sobre isso?

Lembro-me da visita que o Marcelino Freire e o Carpinejar fizeram em nossa cidade. Lembro-me da surpresa que tiveram quando encontraram um grupo literário forte e atuante. Freire depois disse no Twitter que Maringá possuía escritores porretas. Deram sugestões, batizaram nosso projeto, curtiram mesmo. O Tezza também, nas duas oportunidades em que aqui esteve, reuniu-se com o pessoal dos Contos e se mostrou surpreso com a organização que criamos. Não sou capaz de precisar a diferença entre o eixo cultural Rio-São Paulo com o resto do Brasil. Mas ouso afirmar que Maringá não perde para o tal eixo cultural, se considerarmos o tamanho da cidade e a quantidade de recursos que possuímos.

Surpreendeu-se, ainda fazendo referência ao menosprezo por quem é de cidade pequena, ao vencer o Prêmio Sesc de Literatura, disputado pelo Brasil inteiro? Consegue relatar a sensação sentida ao saber da notícia da premiação? Como foi? Quem te contou? Quando?

Foi uma surpresa enorme. Eu estava no trabalho e vejo uma ligação do Rio de Janeiro no celular. Como não tenho amigos lá, imaginei que fosse ligação de algum banco. Quando o senhor perguntou meu nome, todo formal, a expectativa de que era um vendedor de cartões de crédito aumentou. Cheguei a ser ríspido com o senhor do Sesc. Ele, polido, informou que eu era o grande vencedor do prêmio deste ano. O mais difícil foi desligar o telefone e explicar aos colegas de trabalho a notícia. Para eles, eu era apenas o servidor Marcos. Foi um pouco constrangedor explicar que eu escrevi um romance premiado com o nome “O Evangelho Segundo Hitler”. Não é um fato muito comum. Não é algo que ocorre todos os dias.

Conte como foi o processo de escrita de “O Evangelho Segundo Hitler”. Quanto tempo demorou? Quantas horas por dia dedicava ao livro? Que obras te influenciaram? Foi feita muita pesquisa?

Sou, de modo geral, desorganizado. Toda a minha vida é uma bagunça. Na escrita, não. Tenho algumas regras e sempre as cumpro. Crio, primeiro, o esqueleto do livro. Faço esboços com os modos, as características e os trejeitos do personagem. São fatos que podem não ser observados pelo leitor, mas que me auxiliam a movimentar com segurança no mundo que criei. Creio que a segurança é primordial para uma boa escrita. Depois, aos poucos, preencho o esqueleto. Escrevo duas ou três horas por dia, apenas. Mas estabeleço algumas metas. Normalmente, me contento em escrever duas mil palavras diárias. Mais que isso, sinto a qualidade cair. “O Evangelho…” tem em torno de oitenta e cinco mil palavras. Demorei uns dois meses para fazê-lo e mais alguns para revisá-lo.

Por que escolheu esse título?

Foi um nome que ainda me causa um certo receio, é um nome forte e improvável. Senti medo com a repercussão que um Evangelho ligado a Hitler pudesse obter. Minha família é inteira católica, pensei muito neles. Ao contrário do que possa parecer, não quero criar polêmica.

O que pensa sobre Hitler?

Penso o mesmo que ensinam em todos os colégios de todo o mundo. Que é um monstro. Um ditador. Que fez um mal muito grande para humanidade.

E sobre o Evangelho?

É uma palavra bonita. É bonito imaginar que o maior acontecimento da fé cristã foi testemunhado por quatro escritores e que estes foram os responsáveis pela transmissão desta fé. Marcos. Matheus, Lucas e João escreveram, cada qual ao seu modo, os acontecimentos centrais da fé. Denota, de fato, a importância da escrita. Denota o papel do escritor e a responsabilidade que este assume ao empunhar uma caneta ou digitar no word.

Há alguma referência à obra “Evangelho Segundo Jesus Cristo”, de Saramago?

Nenhuma. O único fato em comum é a referência aos Evangelhos canônicos.

De que forma escreveria uma sinopse do seu livro?

O livro trata de um homônimo do escritor Jorge Luis Borges que, por uma série de enganos, acaba se envolvendo com uma seita alemã. Os alemães acreditam que o homônimo é, em verdade, o famoso escritor e acreditam nas palavras dele. O homônimo, para não se envolver, repete escritos do Borges e os alemães, mediante uma interpretação desregrada, acabam criando conotações nazistas nestas declarações. O livro trata de uma união improvável, quiçá impossível: do monstro Hitler com o fabuloso escritor Borges. Crio uma teoria conspiratória apenas para demonstrar ao leitor que é possível criar teorias conspiratórias a torto e a direito. Crio um castelo de areia para desmoroná-lo depois.

Qual público, na sua opinião, vai gostar mais de “O Evangelho Segundo Hitler”?

Não sei. Na verdade não pensei que “O Evangelho…” teria mais que a meia dúzia de leitores que comumente tenho. Ainda é uma novidade para mim.

Chegou a mandar os originais para alguma editora? Como foram recebidos?

Não. Mandei outro romance há alguns anos para Companhia das Letras. Responderam-me com uma resposta já pronta que não tinham interesse.

Quantas páginas de word deram os originais enviados para o prêmio? Quantas páginas acredita que a publicação concretizada terá?

240 páginas de word mais ou menos. 85 mil palavras, para usar um código mais preciso. Não posso precisar quantas páginas terá o romance.

Conte como está sendo o processo de diálogo com a Record? É verdade que vai precisar enxugar um pouco a obra? Por quê?

O diálogo ainda é incipiente. Até pouco tempo meu contato era todo com a instituição do Sesc. Não. Na verdade, eu reli “O Evangelho…” e decidi que era necessária uma releitura. Escrevi o livro há três anos, já há algumas coisas que não me soam bem. A decisão de lapidar “O Evangelho…” partiu de mim e não da editora.

Por que escolheu o pseudônimo Lestast?

Foi uma coincidência grande. Quando necessário, usava outro pseudônimo. Desta vez, antes de mandar os originais, coincidentemente havia acabado de ler “O Vampiro de Curitiba”, do Dalton Trevisan, e de ver o filme “Entrevista com o Vampiro”. Um dos personagens de “Entrevista com o Vampiro” se chama Lestat. Criei, por brincadeira, uma corruptela com o Lestat da Anne Rice e o Ast, de Astorga. Há o Vampiro de Curitiba. Há, agora, o Vampiro de Astorga. Tremei, Edward Cullen!

Além da publicação, há mais alguma premiação pelo Sesc? Serão dois mil exemplares né? Haverá um suporte de divulgação ou precisa correr atrás de alguma coisa?

São dois mil exemplares. O premio é este. Acredito que a Record fará um suporte de divulgação, mas é divagação ainda. Não conversei com a editora a respeito.

Acha que conseguirá vender todos os livros?

Espero verdadeiramente que sim!

Qual é a porcentagem de destinação de dinheiro ao autor por livro vendido? No contrato, quais outras obrigações terá com a Record? Em uma nova obra, terá de publicar com eles?

10% do valor de capa. Com relação às obrigações que terei, ainda me são desconhecidas. Não sei exatamente os termos do contrato que terei que cumprir.

Em uma carreira que se inicia ainda jovem, acha que pode melhorar em que sentido em sua produção literária?

“O Evangelho…” foi feito há três anos e já há muitas coisas que vejo que mudei. Como disse, estou ainda em formação. Escreverei até descobrir, de fato, quem eu sou. É a descoberta do palco. A descoberta do que sou capaz de fazer e quais são minhas limitações.

De que maneira sua vida como escritor vai mudar com essa conquista?

Espero continuar com minha rotina. Espero dedicar minhas manhãs para a literatura. O reconhecimento é muito gostoso, mas escrever, para mim, sempre será uma terapia. Um ato necessário. Espero que isso não mude.

Quais os planos? Tem em mente ideias para novos livros?

Já “O Evangelho” estava engavetado. Estava envolvido até o pescoço com o projeto de uma trilogia de romances. No dia em que recebi a notícia, havia acabado de mandar um e-mail pro Flauzino: “Prepare-se que tem mais um calhamaço pra analisar”. Em seguida, logo que recebi a notícia da premiação, tive de me retratar: “Isso vai ficar pra mais tarde. ‘O Evangelho…’, pelo visto, pede mais atenção agora”.

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Nostalgias na Avenida Brasil

Uma vez, parei para pensar na saudade que sentia de alguns acontecimentos vividos. Não parei mais. Virei um nostálgico. Especialista na melancolia dos sentimentos gerados graças às lembranças. Dizem que isso é comum. Sintoma dos anos que passam. Característica eminente para quem já enfrentou décadas de invernos. Mas nunca revelo minha idade. Prefiro manter o charme da dúvida causada pela unção entre um sorriso de menino que nunca se perde e um punhado de fios de cabelos brancos na cabeça.

Fazia calor naquela tarde absolutamente corriqueira de um típico e entediante começo de ano. Maringá continuava sendo a mesma, e isso parecia acontecer há séculos mesmo a cidade estando prestes a completar só 66 anos. Como sempre, ocupava meus fins de tarde e começos de noites em caminhadas pela Avenida Brasil, palco revelador para o antiquado que se mistura ao moderno. Isso depende de que ponto se está de uma das mais movimentadas avenidas maringaenses. Dependendo da hora e do dia, aquele amplo rio de asfalto, intercalado com faixas de pedestre, semáforos, canteiros, lojas, casas e árvores, também pode ser totalmente transfigurado.

Mas, como disse, estava caminhando, com meu tênis vermelho e branco, cheio de amortecedores, comprado só para fazer caminhadas, no período da tarde. O meu relógio esportivo, sem ponteiros, com tecnologia digital, informava 16h47. Era um período interessante. E, como todos os momentos da minha vida, no mínimo nostálgico.

Quase fui atropelado na calçada, na altura da Zona 3, por alguns pedestres no momento em que me perdi em pensamentos voltados para o tempo do passado enquanto olhava, admirado, para um móvel antigo de madeira em uma das dezenas de lojas de móveis usados na Avenida Brasil. Inevitável, com o encontro do olhar naquele mogno escurecido, não se recordar das carteiras estudantis – com espaço para acoplar o lápis e a caneta sem deixá-los cair no chão – dos tempos primários do colégio de freiras. Com o estilete agredindo a madeira, um dos primeiros pecados, um dos primeiros crimes: “W… e Gabriela” dentro de um mal traçado coração.

A quentura daquela tarde me desviou do caminho gastronômico mais comum na Pão Brasil. Nada de café preto sem açúcar e um pão de queijo generoso. Preferi um suco de laranja, também sem açúcar e com pedras de gelo. Sempre sobra uma quantidade de suco que faz encher um copo americano extra daquele líquido amarelo e refrescante. Tinha certeza que a gripe não me afetaria naquela semana abafada justamente pelos sucos e também pelas vitaminas de morango com leite. Tarde nostálgica que só, aquela. Foi justamente pelo cheiro da laranja que me senti obrigado a passar deliciosos quatro minutos olhando fixamente para a parede engordurada da padaria e, involuntariamente sem responder à pergunta da querida Margarete “não vai comer nada hoje W…?”, voltei, como num passe de mágica, àquela tarde nem tão quente de sábado em que, ao lado dos primos, chupei mais de meia dúzia de laranjas baianas, todas precisamente descascadas pelo velho avô e seu canivete de estimação. Uma maneira de atrair pela boca os netos para bem perto dele, naquela área, naquele imenso quintal de lajotas vermelhas, na cidade pequena.

Depois de pagar com notas novinhas de R$ 2, que tinha saído recentemente do caixa eletrônico logo ali na outra quadra daquela avenida tão querida por mim, recordei-me do dia em que, ainda criança, fiquei orgulhoso depois contando para minha mãe que havia notado o troco errado na padaria e devolvido dinheiro após comprar o meu sagrado Chicabon. O sol estava caindo do céu, e, de um minuto para o outro, as pessoas começavam a brotar na Avenida Brasil, todas com pressa para tirar o carro do estacionamento, para não perder o ônibus coletivo que passa velozmente pelos pontos e para fechar as portas metálicas do comércio e assim ceifar minhas memórias avivadas pela madeira, pela fruta, pelo cheiro, pelo olhar.

Nada de desespero. Outras gavetas nostálgicas da memória seriam facilmente abertas com o início da escuridão, caminhando alguns quilômetros para frente, sentido Maringá Velho, o amarelo forte das luzes das farmácias, a lua lá no céu e os faróis dos veículos acessos iluminando meu caminho. Uma leve garoa começava a cair na Avenida Brasil e alguns cuidadosos pedestres sabiamente abriam seus guarda-chuvas negros para se protegeram da água fria.

*Crônica publicada no D+, do Diário de Maringá.

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Para alimentar a alma

Na sexta-feira passada, em pronunciamento exibido em rede nacional, a presidenta Dilma Rousseff anunciou a desoneração de todos os produtos da cesta básica, que passarão a ser isentos de impostos federais. O governo aproveitou a oportunidade para também ampliar o número de itens que compõem a cesta básica, que passará a ter: carnes (bovina, suína, aves e peixe), arroz, feijão, ovo, leite integral, café, açúcar, farinhas, pão, óleo, manteiga, frutas, legumes, sabonete, papel higiênico e pasta de dentes.

Para os idealizadores da campanha Leitura Alimenta, lançada oficialmente em São Paul (SP) há cerca de 15 dias, faltou um item básico e essencial na cesta básica brasileira: livros.

Olhando para o lastimável e sempre pouco lembrado setor da educação no País e amparados em estatísticas que revelam a falta do hábito da leitura por parte da maioria dos brasileiros, eles resolveram não esperar por um decreto ou projeto de lei para arregaçar as mangas e fazer algo para que os livros cheguem até as famílias brasileiras. Em parceria com a Livraria da Vila e com a empresa Cesta Nobre, a agência de propaganda Leo Burnett Tailor Made vem encabeçando essa campanha, que consiste em inserir um livro para cada cesta básica entregue.

Inicialmente, serão dois meses de campanha. Para conseguir acoplar um conservado livro dentro de cada uma das três milhões de cestas básicas entregues anualmente pela Cesta Nobre em vários Estados brasileiros, há sete pontos de coletas espalhados por lojas da Livraria da Vila, todas em São Paulo. Mas o Leitura Alimenta espera contar também com doações vindas de outras cidades. Para isso, disponibiliza no site do projeto duas alternativas para quem está longe e queira doar livros: a caixa postal para o envio das obras ou a compra simbólica de ebooks no valor de R$ 1 a R$ 200 e que será totalmente revertida na compra de livros novos (com 30% de desconto na Livraria da Vila) para a campanha.

Conheça o projeto no site: www.leituraalimenta.com.br

E leia matéria completa no D+, do Diário de Maringá.

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Conheça o projeto ‘Músicas do Brasil’, de Beto Quadros

O mapa do Brasil pode ser não apenas visto, mas ouvido e delimitado pelos sons, gêneros e ritmos. Assim pensou Mário de Andrade, com sua Missão de Pesquisas Folclóricas em 1938, Marcus Pereira, com sua radiografia da música popular brasileira nos anos 1970 e agora, no século 21, o músico Beto Quadros, de São José dos Campos-SP, em um trabalho de resgate musical e busca por novos traços e fronteiras neste mapa com manifestações contemporâneas de gente que não se deixa levar pelos ditames da indústria cultural.

Com seu “Músicas do Brasil”, Beto reuniu o acervo de gravações que Marcus Pereira fez na década de 70 e cuidou de olhar também para as manifestações contemporâneas que não deixam morrer os ritmos brasileiros (inspirados no repertório popular consolidado principalmente graças à oralidade em diferentes comunidades e vilarejos no País). O projeto e tem por objetivo colocar jovens e adultos em contato com essa rica diversidade musical, por meio de apresentações musicais que contemplam gêneros como o fandango, o calango, o samba de roda, a moda, a chula, o choro, o carimbó e a ciranda.

Para isso, Beto anda devagar, sem pressa, mas sabendo onde quer chegar. O primeiro passo já foi dado e, em quatro anos de projeto, com incentivo cultural local, levou e contextualizou o repertório da música popular brasileira para mais de 20 mil pessoas em vários colégios e espaços culturais nos bairros de São José dos Campos.

Há poucos dias, Beto Quadros teve a ótima notícia de que poderá também levar “Músicas do Brasil” para todo o País. Com a aprovação do projeto no Programa de Ação Cultural (Proac) do Estado de São Paulo, ele marcará 30 shows no segundo semestre deste ano em cidades paulistas, gravará um DVD com direito a 500 cópias e relançará o CD “Músicas do Brasil – Fragmentos de uma Cultura”, lançado originalmente em 2010 e atualmente esgotado. Para isso, poderá captar em empresas apoiadoras até R$ 249 mil via isenção de ICMS.

Matéria completa no D+, do Diário de Maringá.

Conheça melhor o projeto “Músicas do Brasil” em sua página no Facebook.

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