Mês: maio 2013



Terapia de Risco: 2 em 1 que vale meio

Cena de Rooney Mara em “Terapia de Risco”: atriz desempenha bem o papel de jovem depressiva

Por Wilame Prado

“Terapia de Risco”, em cartaz no Cineflix Cinemas em Maringá, do diretor Steven Soderbergh (de “Onze Homens e Um Segredo” e “Contágio”), é um filme dois em um.

A primeira parte, chamando a atenção para os riscos da indústria farmacêutica que “vende” a cura da depressão via medicamentos, é ótima. A segunda parte, envolvendo assassinato e investigação de uma suposta paciente de depressão, é péssima.

Soderbergh conseguiu fazer – pela metade – um ótimo filme de drama e – também pela metade – um péssimo thriller psicológico.

A bela e boa atriz Rooney Mara é Emily Hawkins, jovem designer com histórico de problemas psiquiátricos e que precisa enfrentar as dificuldades da vida após esperar por quatro anos a volta do marido, Martin Taylor (Channing Tatum), preso por obter informações privilegiadas na bolsa de valores.

Jonathan Banks (Jude Law) é o atual médico psiquiatra de Emly; Victoria Silbert é sua ex-doutora, interpretada por uma Catherine Zeta-Jones que continua fazendo valer a pena pagar pelo ingresso.

A reviravolta do roteiro no meio do longa-metragem causa estranheza em quem está assistindo. É desastrosa a provável intenção do diretor em provocar frisson com o desenrolar da história e com o mistério que ronda os surtos ou as farsas de Emily.

Pior do que qualquer série televisiva de investigação, as peças são muito facilmente encaixadas no plano de vingança de Jonathan Banks, que começa a endoidecer ao ver sua vida profissional e pessoal indo pelo ralo após escândalos envolvendo um assassinato supostamente praticado em estado de sonambulismo causado por efeitos colaterais de um remédio para depressão receitado por ele.

O motivo maior para se lamentar é que, vendo “Terapia de Risco” e se recordando que Soderbergh já assinou bons trabalhos como “sexo, mentiras e videotape” (1989) e “Che” (2008), chega-se a imaginar que teremos um filme crítico e revelador sobre assuntos envolvendo testes de medicamentos novos em pacientes que lotam os consultórios e ainda sobre alternativas esdrúxulas que a classe médica tem de enriquecer quando resolve dar as mãos para a máfia das indústrias farmacêuticas.

Mas não.

No fundo, o diretor só faz paródia sobre os temas sérios para dar pano de fundo ao que realmente quis mostrar no filme: uma história mirabolante demais, envolvendo a busca a qualquer custo pela riqueza.

*Comentário publicado no último domingo, no D+, caderno do Diário de Maringá.

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Joaninha Amarela

Por Wilame Prado

Não dá para saber quando o cronista mente. Os espaços em branco precisam ser preenchidos. Para isso, ele conta histórias. Em seu contexto, toda história aconteceu. Por isso, concluo: o cronista nunca mente. No mundo da crônica, vale mais o caminho, a escrita em si, o respiro para o jornal, a contemplação do leitor que o acompanha, do que a bomba arremessada, o gol perdido no fim da partida ou a sacola plástica de supermercado que flutuou suavemente com o vento que faz lá fora.

Um dia, Paulo Mendes Campos precisou de uma lauda em forma de crônica para deixar lindamente registrado aquilo que todos sabem e que ninguém quer dizer: o amor acaba. Foi também em um espaço limitado de uma folha de papel em branco que Rubem Braga se permitiu descrever a imagem de uma viúva, na praia, para concluir: “O sol brilha também em seu joelho. O sol ama a viúva. Eu vejo a viúva.” Que o amor acaba e que o sol ama a viúva, disso ninguém duvida. Talvez, porém, venham a questionar o que vou dizer agora, possivelmente discordando da minha reiteração: o cronista nunca mente.

Não estou mentindo, e quero anunciar, cheio de orgulho, que a Joaninha Amarela escolheu-me como dono. Ainda não pesquisei no Google se as joaninhas podem ser domesticadas. Só sei que a Joaninha me escolheu e por isso comecei a acreditar que sou um cara de sorte, um predestinado ao êxito. A primeira vez que Joaninha Amarela (fui bem direto ao escolher seu nome) apareceu, estava me desfazendo das tralhas de motociclista ao chegar na redação; os colegas não me deixam mentir. Tirei blusa, óculos e capacete e percebi que ela (nem quero considerar a hipótese de que seja uma joaninha macho) provavelmente tinha me acompanhado no percurso entre casa e trabalho, em cima da moto. Corajosa Joaninha! Mas rejeitei-a em um primeiro momento, como todos nós costumamos erroneamente fazer com quem se aproxima querendo apenas oferecer amor e carinho. Acomodei-a, então, em uns arbustos ali por perto.

Qual foi minha surpresa quando, em uma caminhada agradável perto do meio-dia, ali pelos lados da Vila Operária, presencio novamente a Joaninha Amarela em minha blusa. Preferi não levá-la ao ótimo restaurante taiwanês ali da Avenida Paissandu. Convidei-a, muito singelamente, a explorar a natureza das velhas árvores ali da Rua Vidal de Negreiros, e tenho como testemunha o meu editor, que me acompanhava para o almoço e ainda fez questão de respeitar as minhas considerações sobre as coisas fantásticas que acontecem em nossa vida, como uma joaninha que escolhe ser domesticada por um sujeito como eu ou como borboletas também amarelas que acompanham Mauricio Babilonia, em “Cem Anos de Solidão”, de García Márquez.

Já estava sentindo saudades dela quando, inscrevendo-me em um curso de inglês lá na Zona 7, volto a ver a minha amiga, companheira e inseparável. Quebrei protocolos na secretaria e comuniquei para as quatro pessoas que estavam naquele apertado espaço a presença do meu bicho de estimação. Todos automaticamente se simpatizaram com Joaninha Amarela, para meu contentamento. E uma senhora muita educada e que demonstrava saber das coisas comunicou aquilo que venho considerando um carma há alguns dias: “Joaninhas nos trazem sorte”, disse ela.

Estou muito contente com a volta de “Crônico”, coluna semanal de crônicas que mantive nesta mesma página D3, nesta mesma terça-feira típica para se ler crônicas em jornal, entre os anos de 2008 e 2011. Retorno a partir de hoje com a coluna. Afinal, “se não é aguda, é crônica”, como decretou certa vez o Velho Braga. Na manhã de ontem, ao ligar o computador para começar a escrever uma crônica sobre um menino, cujo pai são-paulino contou que, com a venda de Neymar para o Barcelona, o filho vem pensando tristemente em parar de torcer para o Santos, a Joaninha Amarela voltou a aparecer, em princípio em meu pescoço e logo depois em passeio descontraído na escrivaninha, em cima do notebook. Ela não quis dizer com todas as letras, mas me obrigou a – em uma crônica tão especial para mim – deixar para outra oportunidade a despedida do craque Neymar para escrever sobre ela, sobre a sorte que podemos ter na vida e sobre a veracidade que há na beleza da crônica.

*Crônica publicada no caderno D+, do Diário de Maringá, nesta terça-feira.

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Entrevista com o presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Marcos Cordiolli

Por Wilame Prado

No início deste ano, o historiador e educador de Maringá Marcos Cordiolli, 49 anos, assumiu a presidência da Fundação Cultural de Curitiba (FCC) com a missão de coordenar a política cultural da capital paranaense na gestão do prefeito Gustavo Fruet. Na bagagem, o maringaense, que se mudou para Curitiba em 1979, leva a experiência como produtor de cinema, assessor da Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados e da Agência Nacional do Cinema.

Via e-mail, ele concedeu uma longa entrevista comentando, dentre vários outros assuntos, sobre a descentralização dos projetos culturais curitibanos e que poderá estimular a vinda de mais espetáculos da capital para Maringá, e vice-versa.

Cordiolli também contou sobre as memórias afetivas que nutre pela sua cidade natal, onde hoje vivem toda sua família, de pais à filha. Hip Hop, cinema, Vale-Cultura e características aconselháveis para se gerir pastas culturais também foram temas abordados na entrevista. Para ele, que reafirma a todo momento a importância do setor cultural para a comunidade, “ser secretário de Cultura é assumir as responsabilidades como um dos artífices da alma da cidade.”

Durante exposição no Palladium Shopping Center, em Curitiba, Marcos Cordiolli segura caneca personalizada do artista plástico Rogério Dias

Leio que mora em Curitiba desde 1979, mas nasceu em Maringá. Qual sua relação com a cidade e o que ficou guardado em sua memória dos tempos em que morou aqui, principalmente.

MARCOS CORDIOLLI – Maringá é a minha referência afetiva. A minha família continua morando na cidade: meu pai, minha mãe, meus cinco irmãos, cunhados e sobrinhos. Além de dezenas de tios e primos. E, por estas coincidências da vida, a minha filha, que nasceu em Curitiba, também mudou para Maringá junto com a mãe.

Estudei nos colégios Santo Inácio, Gastão Vidigal e Osvaldo Cruz, instituições importantes na minha formação cultural. Frequentava assiduamente a biblioteca pública municipal. No Colégio Santo Inácio, fui muito estimulado à leitura pela Mirian Ramalho e ao conhecimento da história pela Marta Ramalho. Duas professoras de referência na minha vida.

No Gastão Vidigal fui aluno do mestre Galdino Andrade, que descortinou para mim o mundo maravilhoso da literatura. Até hoje guardo com carinho uma obra de sua autoria, o “Poeira Vermelha”, bela coletânea de contos ambientados à época da colonização.

No que consistirá, ou já está consistindo, esse aprimoramento dos mecanismos de fomento cultural e a criação de instrumentos para dar mais visibilidade às produções locais fora de Curitiba, que o senhor disse ser uma das metas na gestão?

Curitiba produz excelentes obras culturais em todos os segmentos. No entanto, estas obras não conseguem obter a circulação merecida. Tanto na cidade como fora dela. Atuamos, na perspectiva da economia da cultura, em duas linhas, ampliação do público e dos locais de exibição de espetáculos e venda de produtos culturais em Curitiba; e complementarmente estimularemos a circulação de obras curitibanas em outras cidades.

Nesta perspectiva reestruturaremos os nossos mecanismos de fomento fortalecendo o estimulo à circulação da produção cultural. Combinado a essas mudanças criaremos instrumentos para financiar a circulação de obras culturais em outras cidades do Brasil e do exterior; Instituiremos mecanismos de fomento plurianual para grupos culturais de pesquisa e produções de longo prazo. Também estudamos a formatação de um fundo de investimentos com recursos retornáveis para investir em projetos de maior viabilidade comercial.

Além disso, adotamos ações de estímulo, como o conveniamento com cidades brasileiras e do exterior que forneçam apoio logístico e de mídia para os artistas curitibanos.

Com a meta de estimular a ida de espetáculos curitibanos para além da capital, isso significa dizer que há chances de esses espetáculos virem inclusive para Maringá?

Sim. Maringá e outras cidades do Paraná estão em nossos planos, tanto de enviar como receber espetáculos. Temos sempre a preocupação de atuação em mão dupla. As cidades que abrem espaço para os nossos espetáculos podem enviar as suas produções para Curitiba, onde serão muito bem recebidas. Já estamos trabalhando em protocolos de cooperação com diversas cidades, algumas delas do exterior.

O senhor reconhece tantos bons eventos culturais consagrados em Curitiba, como o Festival de Teatro e o Lupaluna, mas diz ser importante descentralizar a programação cultural. Segundo alguns produtores culturais daqui da cidade, também seria preciso haver uma maior descentralização dos projetos culturais em Maringá. Com o conhecimento que tem da cidade, o senhor concorda com isso?

Não conheço adequadamente os circuitos culturais de Maringá para emitir uma opinião. Mas toda cidade precisa desenvolver ações para três campos culturais básicos: a formação, a produção e a circulação de obras dos artistas locais estabelecidos, como uma dimensão da economia da cultura que precisam de apoio para criação, espaços de exibição e reconhecimento social; a atração de espetáculos e artistas de outras localidades, pois a convivência cultural garante o aprimoramento e a renovação da produção local; e o reconhecimento e fortalecimento do que denominamos de cultura viva: os artistas e fazedores de cultura espalhados pela cidade, que geralmente são invisibilizados pelos mecanismos de fomento cultural e desconhecidos da população.

Um levantamento sumário realizado em Curitiba, há cinco anos, indicou a existência de 3.500 agentes culturais na cidade. No entanto, estimamos que o número atual de agentes da culturais do campo da cultura viva possa ser até três vezes superior. A cultura viva é um universo a ser desvelado e reconhecido urgentemente.

Também deve ser desafio de qualquer política pública de cultura propiciar eventos culturais nos diversos espaços da cidade, ampliando a democratização do acesso aos bens culturais e promovendo a cidadania cultural. Para isto, é preciso ações permanentes e estruturantes com focos descentralizados, mas articulados com toda a cidade.

Outra dimensão deste processo é o reconhecimento de toda a diversidade cultural apoiando a cultura de migrantes, de afrodescendentes, de ciganos, de indígenas, da população LGBT, da juventude e da terceira idade.

A promoção da cidadania cultural nas comunidades das grandes cidades é uma ação estratégica de recomposição do tecido social destroçado pelo modelo urbano e midiático contemporâneo. O estímulo da produção e circulação cultural nas comunidades estimula o religamento dos laços sociais e a promoção das relações sociais necessárias para que as pessoas possam construir formas de convívio comunitário. As comunidades que dispõem destes laços sociais conseguem identificar e reduzir a violência contra crianças, idosos e mulheres; combater a pedofilia; inibir a ação do narcotráfico e dispor de mais condições para recompor os ambientes familiares. As comunidades organizadas podem estabelecer um novo modelo de democracia participativa e estimular o controle social sobre as politicas públicas de saúde, educação, proteção social e segurança.

Portanto, descentralização e desconcentração das ações culturais devem orientar as políticas públicas culturais contemporâneas como uma dimensão da cidadania cultural e como uma estratégia para recompor as bases de convívio social.

A ideia do senhor, de viabilizar um cineclube para cada escola estadual de Curitiba, parece ser muito boa. Está esperançoso de que vai dar certo?

Sim. Esta é uma das minhas grandes esperanças. Os cineclubes têm características peculiares e são eixos estratégicos de toda gestão cultural, pois podem ser a base da estruturação das redes culturais colaborativas da juventude. Constituídos como grupos auto organizados, os cineclubes são a porta de entrada para a formação de diversos outros movimentos culturais de música, teatro, dança, audiovisual, leitura e literatura. Além disso, estimulam a produção e a expansão da cultura digital.

Os cineclubes possibilitam todas estas situações pois reúnem pessoas para a fruição cultural combinada aos debates e às experimentações estéticas. Os investimentos são relativamente pequenos, basta um bom acervo de filmes e a combinação de diversas atividades de estímulo.

Em Maringá, assim como em Curitiba, principalmente em bairros e cidades da região metropolitana, há também uma cena interessante do Hip Hop. Por que é tão difícil para as secretarias culturais traçar um diálogo maior com essas manifestações culturais?

O Hip Hop é talvez o segmento mais visível da cultura viva. Eles têm uma força maior pelas características de militância associada a este movimento cultural. Em Curitiba, estamos avançando na relação do Hip Hop, como também estamos abrindo interlocução com o heavy metal, o punk, a arte urbana e outros. Todas as tribos precisam ter direito à cidadania cultural. Estes movimentos possuem características muito peculiares que requerem ações compartilhadas e instrumentos flexíveis de políticas públicas. A gestão pública ainda tem dificuldade para respeitar e reconhecer as necessidades destes segmentos. Em alguns governos conservadores, a situação é ainda mais complexa, pois são tratados até com preconceito.

Qual a sua relação com a fundação antes de assumir o cargo e, na opinião do senhor, o que levou o prefeito Gustavo Fruet a indicar seu nome para a presidência?

Eu atuei com produção executiva de cinema de longa-metragem aqui em Curitiba. Depois atuei na assessoria técnica no Congresso Nacional acompanhando a tramitação de diversos projetos fundamentais, como os do Pró-cultura, do Vale-Cultura, do Plano Nacional de Cultura, do Sistema Nacional de Cultura e a PEC que determina dotações orçamentárias mínimas para cultura em todos os entes da Federação.

Depois, trabalhei na Ancine, Agência Nacional do Cinema, que é uma das maiores agências públicas de fomento cultural da Ibero-América.

Esta experiência com políticas culturais deve ter influenciado o prefeito na escolha do meu nome para presidir a Fundação Cultural de Curitiba.

O senhor afirmou, em entrevista recente, que o próprio prefeito Fruet é um ávido consumidor da cultura local. Considera isso importante para que as coisas aconteçam na pasta ou na fundação?

Um prefeito que é consumidor da cultura local faz a diferença quanto à compreensão da natureza das políticas públicas de Cultura. O prefeito de Curitiba, por conhecer a cena local, tem apoiado irrestritamente nossas ações. O secretariado também tem compreensão muito apurada do modelo de política cultural que estamos desenvolvendo. Eu tenho dito que sou um secretário de cultura privilegiado pelos apoios que disponho no governo municipal.

Digo isso porque, pelo menos em Maringá, o secretario de Cultura, Jovi Barboza, e a diretora de Cultura e presidente do Conselho Cultural, Edith Dias, são pouco conhecidos dos artistas e, conforme seus currículos, nunca atuaram na linha de frente da cultura local. Considera isso um problema ou, como o próprio secretário daqui afirmou, “toda indicação é política” e a experiência dele como gestor pode ser suficiente para o cargo?

Esta é uma pergunta difícil de responder, pois cada situação é peculiar, e, como disse, desconheço o cenário cultural em Maringá. No entanto, assumi recentemente a presidência do Fórum dos Secretários e Dirigentes de Cultura das Capitais, que reúne cidades com mais de meio milhão de habitantes. Nossa intenção é constituir uma entidade forte, que congregue os secretários municipais de todos os municípios brasileiros. Fiquei muito honrado com a missão de liderar este processo.

Assim, acredito que, embora o perfil do secretário municipal tenha importância, é necessário a disposição de construir instrumentos republicanos de gestão, como o reconhecimento e estímulo a circuitos culturais diversificados, a instituição de instrumentos flexíveis de fomento cultural, a consolidação de um quadro de servidores qualificado, a disponibilidade de recursos públicos e funcionamento regular e efetivo mecanismo de controle social, como conselhos e conferências de cultura e audiências e consultas públicas.

Além disso, é preciso que todos os setores da sociedade – como empresários, associações, imprensa – reconheçam a cultura como política pública, assumindo obrigações com o setor que não podem ficar restritas a artistas e produtores culturais.

Vamos falar um pouco de cinema, área que o senhor gosta. Conte como foram os trabalhos na produção de “O Sal da Terra” e “Curitiba Zero Grau”.

Os dois filmes permitiram adquirir grande experiência profissional, pois foram produções muito complexas. Quase todas as sequências foram filmadas fora de estúdios e a maioria delas em estradas e ruas. Para isso, foi preciso um intenso trabalho de planejamento, logística apurada e equipe qualificada. Os filmes também adotaram estratégias de financiamento e circulação inovadoras. Os resultados de qualidade de produto e estética foram excelentes. Os dois filmes foram reconhecidos em premiações importantes no Brasil e no exterior.

Tem algo na gaveta?

Como produtor executivo, normalmente desenvolvo projetos de outras pessoas. Tenho diversos projetos em mente, alguns em parceria, para depois que deixar o governo. No momento, estou participando da formatação de um programa de TV com minha namorada, que é atriz. Um projeto muito interessante e que já está bastante adiantado.

Como avalia a produção de cinema em Curitiba e no Estado?

Curitiba tem uma produção cinematográfica de alta qualidade e em expansão. Está em processo de renovação com uma nova geração, liderada pelo Aly Muritiba, que já conquista reconhecimento crescente no mercado e na crítica. Na Fundação Cultural, estamos atuando no foco da Economia da Cultura para fortalecer toda a cadeia produtiva com a formação e qualificação de técnicos, fomento à formação de especialistas e produtos em diversas áreas e o fortalecimento da Film Comission para apoiar a produção audiovisual na cidade.

Na área de fomento, apoiamos a realização de filmes de curta-metragem e de filmes digitais e estamos incluindo o estimulo à produção de roteiros, de formatos de programas de televisão e o desenvolvimento de projetos. Curitiba caminha a passos largos para se tornar um dos mais importantes polos de produção audiovisual no Brasil.

Quando se assumem cargos de gestão fica difícil produzir cultura?

Fica sim. A FCC tem mais de 500 ações diferentes. Cerca de 100 equipamentos culturais espalhados por mais de 50 pontos da cidade. Centenas de servidores. E orçamento anual superior a 50 milhões de reais. Administra dois fundos de milhões de reais, um de renúncia fiscal e outro de fomento direto. Realiza mais de uma dezena de eventos culturais por dia. Além disso, também acumulo as funções de presidente do Fórum dos Secretários e Dirigentes de Cultura das Capitais e de membro do Conselho Nacional de Políticas Culturais. Além de uma série de outras funções no governo e na sociedade.

Também não abro mão da minha vida pessoal. Frequento diversas atividades culturais. Sou pai de uma garota de 16 anos, a Paula, e tenho um namoro consolidado com a Isadora (Ribeiro), que também tem duas filhas, Maria e Valentine, às quais dedico atenção e afeto. Assim, o tempo é bastante restrito.

Como falei, estou desenvolvendo um projeto de programa de televisão. Realizo com alguma regularidade conferências sobre educação e políticas culturais. Estou publicando crônicas com alguma regularidade e pretendo voltar a escrever sobre cinema. Recebi convites para publicar um volume com textos sobre cinema e para escrever um livro sobre o Plano Nacional de Educação. Não é tanto quanto gostaria, mas é o possível.

Mas ser secretário de cultura é um privilégio. A gestão da política cultural é intervenção na alma da cidade (no sentido junguiano do termo). É articular a produção artística, com a ebulição intelectual, com as mediações da comunicação, convergindo desejos, angústias, sonhos e frustrações. Isto é mais importante quando as cidades perderam as suas ágoras, seus pontos de referência identitárias e loccus de pertencimento. Trabalho muito para que Curitiba volte a recompor o seu sentimento de pertencimento, recontextualize os seus ícones de identidade e volte a ter uma ágora simbólica no centro da cidade. Por isso, estou empenhado em recuperar o Passeio Público, o parque mais central da cidade, como espaço de sociabilidade de todos os curitibanos, sem distinções. E vamos convergir para o Memorial da Cidade, no centro histórico, os grandes debates estéticos e intelectuais. O objetivo é que este dois componham um trio com a Boca Maldita, na Rua XV, um tradicional espaço de efervescência política. Ser secretário de Cultura é assumir as responsabilidades como um dos artífices da alma da cidade.

O que pensa sobre o setor cultural do Estado de modo geral?

Os governos estaduais de maneira geral têm limitações sérias. No Paraná, esta situação é agravada por um antigo modelo que concentrou a grande maioria do equipamentos na capital. Mas creio que, com a nova lei estadual de fomento à cultura, este cenário possa mudar gradualmente.

E de Maringá?

Maringá tem potenciais culturais imensos. Como uma cidade de migrantes, é um caldeirão social que produziu um patrimônio cultural, embora recente, de riquezas e diversidade de alta qualidade. A cidade deveria valorizar e demostrar orgulho dessa característica.

Também é uma cidade que dispõe de empresas fortes, que poderiam fomentar mais intensamente a produção local. Tem bons espaços culturais e uma Lei muito interessante de apoio aos museus.

Conheço alguns projetos de alta qualidade de maringaenses. A cidade tem tudo para acontecer no cenário cultural, basta desenvolver políticas sérias, participativas e estruturantes.

O que pensa sobre o trabalho que vem sendo desenvolvido pelo Instituto Memória e Vida (IMV), na figura do Edson Pereira e do Marcelos Seixas? Eles sempre falam muito bem do senhor, principalmente dos trabalhos desenvolvidos na Ancine.

Os dois são muito competentes, criativos e têm grande disposição para o trabalho. Compreenderam o potencial de Maringá e resolveram investir na promoção de projetos culturais. A cidade tem sorte de tê-los e deveria reconhecer esta sorte, apoiando-os intensamente. O Captart é uma experiência exitosa e já é referência nacional. Estamos conversando com os dois para nos ajudar a montar um mecanismo similar em Curitiba. Também estamos discutindo a possibilidade de Curitiba aderir ao Museu da Família, outro projeto de grande importância e que deverá, também, ser referência nacional e internacional. E como maringaense, gostaria muito de ver o Museu da Agricultura funcionando.

Leio em seu currículo que o senhor teve também uma grande atuação na área da Educação. Em sua opinião, de que forma é possível ganhar pontos culturais investindo na Educação de uma cidade? Acha que é válida a unção das pastas ou pelo menos diálogo frequente?

Cultura e educação, em particular nos governos municipais, precisam caminhar juntas, embora resguardando as suas respectivas autonomias. Aqui em Curitiba, temos uma situação ideal de articulação entre estas duas secretarias.

A ação cultural nas escolas é uma de nossas linhas principais de atuação. Inclusive estou estruturando toda uma área específica para tratar das ações articuladas entre cultura e educação.

Estamos ampliando a oferta de cultura na escola direcionando diversos eventos e apoiando a ampliação da jornada escolar. Mas temos alertado que há uma diferença entre as obras de arte utilizadas com função didática e as ações culturais para livre fruição. Os espetáculos de teatro, dança, música e cinema, e as ações de leitura, em museus e outros centros culturais, devem ser de livre fruição, sem obrigações ou avaliações.

Estamos ofertando o EduCultura, um programa que visa disponibilizar espetáculo e obras culturais para os professores, pois entendemos que a formação cultural dos estudantes corresponde à proporção desta mesma formação nos professores.

Todos os nossos equipamentos – salas de exibição, museus, o conservatório de música – assim como a Camerata, os coros e as orquestras, terão atividades direcionadas para o público escolar, tanto nas categorias didáticas como de livre fruição.

Na comissão cultural do Congresso Nacional, trabalhou com Ana Hollanda, né? Aprecia o trabalho que vem sendo desenvolvido por Marta Suplicy?

Quando trabalhei no Congresso Nacional, o ministro era o Juca Ferreira. O período que trabalhei na Ancine coincidiu com a gestão da Ana de Hollanda. Aprecio muito o trabalho da Marta Suplicy no Ministério da Cultura. Quando foi prefeita de São Paulo mostrou grande sensibilidade e apreço pela cultura é também uma gestora muito competente. Responde de forma eficiente e rápida às demandas do Ministério.

A Marta demonstrou muito apreço por nosso trabalho e nossos projetos para Curitiba e tem se mostrado uma importante parceira, tanto na FCC como no Fórum dos Secretários e Dirigentes de Cultura das Capitais.

O senhor ajudou na criação do Vale-Cultura, que deverá virar realidade no meio deste ano. O que pensa sobre este projeto?

O Vale-Cultura é um mecanismo fundamental. Enquanto nossos programas de fomento estimulam a produção, o Vale Cultura vai estimular o consumo cultural, a outra ponta do processo.

Em Curitiba estamos trabalhando bastante para que os produtores e artistas da cidade possam usufruir destes recursos. Já estamos estruturando um guia de oferta para circular entre os usuários do programa e preparando os produtores culturais para usufruir da melhor e maior maneira possível.

Alguns criticam o Vale-Cultura porque não contemplará alguns gostos como por games e TV a cabo. Mas, isso é cultura, em sua avaliação?

O Vale-Cultura é um mecanismo novo. Acho bom que ele comece atendendo um rol menor de produtos e serviços, para que possa ser testado e para verificar e compreender o comportamento dos usuários. Num futuro breve, poderá ser reavaliado e poderá incluir outros segmentos de consumo cultural.

Acha que a Lei Rouanet precisa melhorar ou com a criação do Pro-Cultura as questões envolvendo captação via isenção fiscal para apoiar a cultura já estão bem acertadas?

Acredito que precisamos de diversos tipos de financiamento ao fomento cultural. A renúncia fiscal, regulado pela Lei Rouanet e pela Lei do Audiovisual no âmbito do governo federal, e por diversas leis estaduais e municipais, é uma peculiaridade das políticas culturais no Brasil. São mecanismos que precisam de ajustes regulatórios mais flexíveis e que os aproximem dos focos das políticas públicas, em particular nos municípios.

O segundo tipo são os fundos de fomento direto, que financiam a cultura disponibilizando diretamente verba dos orçamentos governamentais. O modelo do Fundo Municipal de Cultura de Curitiba é um dos melhores, pois dispõe de recursos para dezenas de linhas de ação cultural, disponibilizados através de editais regulares. Os modelos do PAR, PAQ e os editais de coprodução internacional mantidos pela Agência Nacional do Cinema, a Ancine, são também modelos eficientes de fundo de fomento direto.

O terceiro tipo é o do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), mantido também pela Ancine, um fundo retornável, que transforma o governo numa espécie de sócio dos produtores de cinema.

Eu também defendo um novo modelo de regulação dos recursos da cultura flexibilizando os formatos de fomento e financiamento para os agentes da cultura viva. É preciso aprimorar os modelos atuais de editais que dificultam e até inviabilizam a realização de eventos com artistas populares. Penso numa forma de fomento direto, com supervisão, semelhante aos modelos de bolsas de pesquisa e pós-graduação da Capes e do CNPq.

Acredito que é necessário, também, a criação de uma instituição financeira específica para gerenciar os recursos da cultura. Uma financiadora que administre os contratos e investimentos dos recursos culturais aprovados por todos os órgãos e instituições vinculadas ao Ministério da Cultura.

Acha que é por meio da Lei Rouanet que definitivamente pode haver mais apoio cultural partindo da iniciativa privada ou há também outras alternativas de parcerias entre o público e o privado?

Eu creio em três modelos de fomentos. O primeiro é o fomento direto, com recurso do tesouro, que possa financiar tanto obras autorais, experimentais e de iniciantes, centrado na formação e renovação estética. Ele é também para estimular a autonomia crescente dos produtores e artistas, para que consigam a auto sustentação financeira pelo trabalho cultural. Por outro lado, os governos municipais devem ofertar espaços de exibição e mecanismo de circulação e apoiar o consumo cultural.

Defendo enfaticamente que o fomento cultural é para o estímulo à criatividade do artista e que devemos superar o preconceito que o artista não pode ganhar dinheiro com um produto cultural financiado com recursos públicos. O produto cultural é uma propriedade do artista que deve dispor dele para gerar trabalho e renda. Os artistas e os produtores devem, no entanto, oferecer contrapartidas à sociedade e disponibilizar os produtos criados como recursos educacionais abertos.

O segundo modelo é o mecanismo de renúncia fiscal, em que os apoios à arte são retirados de impostos e tributos devidos pelos empresários fomentadores. Acho que este mecanismo é importante em alguns setores, que podem ampliar os recursos públicos disponibilizados via renúncia fiscal com contrapartidas efetivas dos fomentadores. E insisto que o foco deles deve estar articulados às políticas culturais vigentes, em particular, nos municípios.

O terceiro modelo é o estímulo a outras formas de investimentos provenientes da inciativa privada, ampliando a participação destes recursos na produção cultural brasileira, sem intermediação dos governos.

O senhor também disse considerar o hábito da leitura ainda pouco difundido em Curitiba. Pensa em algo para melhorar essa questão, que certamente não é só da capital?

O hábito de leitura é pouco difundido em todo o Brasil. Temos pelo menos quatro grandes obstáculos para superar esta situação. O primeiro é que, até recentemente, as políticas de incentivo à leitura nas escolas não eram eficientes. O segundo é o preço do livro, ainda alto em relação ao poder aquisitivo da população. O terceiro corresponde ao fato de que as bibliotecas são em número insuficiente e, de forma geral, mal localizadas, dificultando o acesso dos potenciais leitores ao livros. O quarto é que as bibliotecas ainda são muito burocratizadas, exigindo cadastros, determinando o tempo de empréstimo dos livros e, em alguns casos, constrangem os leitores, publicando listas daqueles que estão em atraso.

Em Curitiba, estamos ampliando o acesso aos livros com as Estações da Leitura, que são pequenas bibliotecas em terminais de ônibus e outros pontos. Também temos as Casas de Leitura, que promovem, por ano, milhares de rodas de leituras em diversos pontos da cidade, um dos programas mais eficientes de estímulo à leitura em curso no Brasil.

Mas o grande impulso para a mudança desta situação, e que está mudando os hábitos de leitura, são as Tubotecas. Trata-se de uma ideia simples e de baixo custo, mas de alta eficiência. Colocamos livros de literatura em estantes nas estações tubo de ônibus: à altura dos olhos, ao alcance das mãos e sem nenhuma burocracia. A pessoa pode ler enquanto espera o ônibus. Se preferir, continua lendo no transporte e até em casa. Pode devolver quando quiser em qualquer uma das estações vinculadas ao projeto.

A procura pelos livros foi muito superior ao projetado e o retorno dos leitores é extraordinário. E o melhor: além de estimularmos pessoas que nunca tinham lido um único livro, que não têm poder aquisitivo, que não frequentam bibliotecas, ganhamos diversos agentes de leitura, com os novos leitores estimulando pessoas do seu convívio à leitura. Diversos dos livros retirados são repassados para outros leitores por estímulo daqueles que o leram.

Chega a ser emocionante a mobilização dos doadores de livros que fazem coletas entre amigos, em escolas e locais de trabalho. A Tuboteca poderá virar um ícone da cidade baseada na educação e no voluntariado.

Curitiba já está lendo mais. Esta é uma ótima notícia, pois a pessoa que lê mais está aberta a frequentar outras linguagens artísticas, como espetáculos musicais e cênicos, exibição de filmes, exposições de diversos tipos e proteger o patrimônio cultural .

Em Curitiba, qual a função da Fundação Cultural, já que também há uma secretaria de Cultura?

Em Curitiba, o presidente da Fundação Cultural tem o status de Secretário Municipal. O regime jurídico da fundação facilita a execução de projetos com maior flexibilidade na gestão de equipamentos, pessoal e recursos.

Acha que Maringá necessita de uma fundação cultural?

Como disse, não conheço o modelo de gestão de Maringá, mas via de regra a criação de uma fundação cultural pode facilitar a execução de projetos com maior flexibilidade. Mas é importante manter a autonomia da gestão da cultura, pois este é um requisito do Sistema Nacional de Cultura e uma necessidade política. Também é importante blindar o orçamento da cultura para que não tenha utilização em eventos religiosos, festas cívicas etc. Atividades constantemente atribuídas a cultura e que, de fato, não o são.

Por fim, se neste momento estivesse conversando com o secretário de Cultura de Maringá, quais conselhos o atual presidente da FCC daria a ele para que seja possível na cidade uma melhora no setor?

Conheci o Jovi Barboza rapidamente num evento em Curitiba. Eu não teria conselho para ele. Mas gostaria muito de encontrá-lo para trocarmos experiências e discutirmos algumas parcerias.

*Parte desta entrevista foi publicada na edição impressa desta quinta-feira (16), no D+, do Diário de Maringá

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Maioridade penal aos 30

Por Wilame Prado

Para o juiz federal norte-americano Peter Messitte, em entrevista publicada no Aliás (Estadão), a tendência é que se aumente a idade de responsabilidade da maioridade penal, justamente o contrário do que muita gente aqui no Brasil diz ser o certo. Faz tempo que o menor de idade participa de atos criminosos por aqui. Mas a discussão voltou à tona depois de um jovem de 17 anos ter confessado o assassinato de uma dentista em São Bernardo do Campo (SP), que teve o corpo queimado após conseguir tirar para os bandidos “só” R$ 30 do caixa eletrônico.

Quando Messitte prevê, para indignação da galera daqui, uma maioridade penal com mais idade, argumenta citando um acontecimento visto por todos na contemporaneidade: a infantilização tardia ou, em suas palavras, “o aspecto físico da falta de desenvolvimento de crianças e adolescentes”. Para ele, as mudanças futuras tendem a minimizar a culpabilidade dos menores para um foco maior em atividades preventivas, se grana for investida para esse trabalho de prevenção, claro.

Hoje é comum vermos “crianças” de 30 anos ou mais morando tranquilamente com os pais. Algo descabido há algumas décadas. Cito só um exemplo: após uma viagem de excursão da escola saindo do interior de SP, um jornalista amigo meu resolveu morar sozinho no Rio de Janeiro aos 14 anos de idade, no final da década de 1960. Ficou perambulando em casa de conhecidos por um ano até que seu pai resolveu buscá-lo de volta.

Naquela época, aos 14, ele talvez já tivesse maturidade suficiente para saber que merecesse cadeia caso praticasse contravenções. Nos dias de hoje, fanfarrões de 30 anos ou mais não medem consequências e vivem em seu mundo de fadas nas baladas e, bêbados ou não, drogados ou não, também matam, só que com outro tipo de arma: seus potentes carros.

Podemos até entender, como o juiz dos EUA afirmou, que há o fenômeno da “eterna infância” principalmente de quem tem papai ou mamãe para bancar os brinquedos. O que não dá para aceitar é alguém matar outra pessoa, com 14, 17 ou 30 anos, e sair impune. Por isso, mais do que a idade, há que se analisar o crime para definir os castigos.

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