Mês: julho 2013



A Paz de Cristo

Por Wilame Prado

Na missa católica, após a oração que o próprio Pai nos ensinou, o padre sugere que saudemos uns aos outros. Cada vez mais tímidos, os católicos se cumprimentam com um estender de mãos direcionado às pessoas ao redor, desejando a “Paz de Cristo” aos irmãos. No domingo que passou, o Brasil se despediu do papa mais pop de todos os tempos, o Francisco, que viajou de volta a Roma após ter ficado uma semana toda no País. Em sua passagem pela Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, o papa estimulou mais de três milhões de pessoas que saudassem uns aos outros naquela que foi uma das maiores celebrações cristãs a céu aberto já vista pelos lados daqui. A Paz de Cristo, testemunhada pela areia e o mar de Copacabana, certamente esteve garantida.

Paz que também se legitimou nas recentes manifestações registradas em inúmeras cidades brasileiras, capitaneadas por jovens com um olho no Facebook e o outro no Congresso. Com ressalvas para a violência da polícia, para o gás lacrimogêneo e para os vândalos – contratados ou não –, a Paz de Cristo se fez presente nas ruas brasileiras em dias de protesto simplesmente porque houve a reunião, e a reunião pedia, acima de qualquer redução dos R$ 0,20, paz entre os homens na Terra. Um país com menos corrupção acarreta – lá no fim da corrente ou no fim do dia de um honesto trabalhador brasileiro – paz legítima. Com dinheiro público gasto de maneira certa, é consequente a paz porque teremos melhores serviços de saúde, transporte, segurança etc. Simples assim.

Ele, e consequentemente todos nós, alcançamos a tão sonhada, serena e lânguida paz quando os gays e afins se reúnem para protestar e confraternizar na já famosa e colorida Parada do Orgulho LGBT , que, só na Avenida Paulista, em São Paulo, este ano, juntou mais de um milhão de pessoas, que saudaram uns aos outros de modo mais alegre impossível. Deus provavelmente curte ver as pessoas felizes. Assim como curte também ver, na Marcha das Vadias, uma mulher que vem tendo cada vez mais noção de sua força a cada dia que passa. A Paz de Cristo é o que desejo para as vadias, travestis, negros, branquinhos de olhos azuis, coreanos e bolivianos do Bom Retiro (SP). Muita paz aos heterossexuais também.

Deus é brasileiro, segundo o papa argentino. Por isso, fico pensando na alegria e na paz sentidas por Jesus Cristo no momento em que o Neymar mirou, engatilhou e fuzilou um balaço de perna trocada que foi direto para as redes de Casillas, afundando a Espanha e convencendo uma nação apaixonada por futebol de que os brasileiros ainda sabem jogar bola. No título da Copa das Confederações, o brasileirinho que tanto depende da Paz de Cristo obviamente não estava representado pelos 73.531 mil afortunados pagantes que acompanhavam in loco (e sem alambrados para atrapalhar a visão!) a seleção brasileira jogar no Maracanã. Ainda assim, não encontro um na rua que admite não ter se emocionado vendo a final pela televisão mesmo. E sem papo de pão e circo, vai.

As multidões estimulam a Paz de Cristo, mas me ensinaram que bastam pelo menos dois reunidos em Seu nome para que Ele esteja ali. Papa Francisco pede para o católico, evangélico, ateu, enfim, para toda essa galera aí do bem que existe no Brasil, desprendimento do individualismo e mais pensamentos e ações para o bem do próximo: no mínimo dois em Seu nome. Parabéns para quem pratica caridade e ajuda os pobres. Para quem ainda não conseguiu ajudar ao próximo, muito correto será também se não atrapalhá-lo. Não precisamos ofender ninguém e que bom se conseguirmos amar ao máximo a todos, assim como nos amamos. A Paz de Cristo, por fim, pode ser estimulada na simples relação humana entre duas pessoas. Lembro-me todas as noites disso quando ouço, da minha mulher, um “Boa noite/Dorme com Deus/Amém Jesus”. Dormimos, então, na paz de Cristo.

*Crônica publicada nesta terça-feira (30) na coluna Crônico, do D+, caderno do Diário de Maringá

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O que importa

Por Wilame Prado

De tudo isso, nada importa.

As horas a menos trabalhadas, o dinheiro do freio e das palhetas novas, o consumo de combustível, chips e refrigerante, o discurso intermitente de sogra, um random do rádio que traz músicas repetidas, um sono inexplicável, a escoliose, o calor dentro do carro, o frio ao sair dele para mais uma coca, o cheiro de cigarro, o café de qualidade suspeita, a queimação no estômago, a dor no peito, o Luftal, os gases, enfim, um corpo pedindo arrego sempre, o GPS quebrado, o medo de se perder novamente e entrar em Curitiba ao invés de seguir rumo a BR-101, a neblina, o pedágio, a moeda do troco, as lembranças, as saudades, estamos chegando, os 30 quilômetros restantes, o cochilo ao volante, os malditos milésimos de segundos, a canaleta, a lama, a grama, o estrondo, a fumaça, o pânico, o terror, a raiva, o desconsolo, o estrago, o dinheiro que escorre, o socorro, a ligação pra moça do seguro, o bom atendimento deste pessoal nota dez que trabalha como anjos nos infernos que são as rodovias rápidas madrugada adentro, o abraço nos parentes, o alívio – foi só bem material, Deus protegeu nossas vidas mais uma vez –, a vergonha, o sarro, a vontade de me esconder numa noite eterna debaixo das cobertas cheirando a mofo (não para de chover há alguns dias), as eternas explicações sobre o que aconteceu, as contradições, as chuvas de novo, a cheia do rio, o desencontro com o mar mesmo estando há dez quilômetros de distância dele, as bonitas catarinenses no restaurante e no mercado, a cerveja congelada no freezer, as pessoas desconhecidas mas celebrando algo em um mesmo ambiente, o consumo, o engordamento humano, o boi, o porco, estranhamente não vi peixe, o jogo chato de dominó, o parabéns pra você, o bolo comprado pronto, o pudim, o beijinho, o frio pra tomar banho, a ferida no joelho – quando a fase é ruim, acidentes acontecem até na quadra de futsal –, as mensagens via sms avisando que estamos bem para familiares e amigos, o café horrível da cantina em plena manhã fria e chuvosa de domingo, o tédio da sala da TV e de seus programas dominicais, o início da volta, a espera do táxi, a pontualidade do taxista, as piadas de mau gosto do taxista, o maior trânsito já encarado de todas nossas vidas na volta, a vontade louca de mijar e com o carro não podendo parar, o medo de roncar, o não poder peidar no carro dos outros, as filas absurdas nos postos de combustíveis, acabou a água mineral, parece saqueamento de famintos e sedentos pós-desastres naturais, contra a sede só refris e energéticos, a merda na tampa da privada do banheiro lotado, as horas que não passam, a impossibilidade de acender uma luz para ler qualquer coisa, a ausência de um mini-game ou de um celular de ponta para ficar matando o tempo no Face e também para ver o placar dos jogos da última rodada do Brasileirão.

O que me restou foi usar o serviço de notas do celular para ir adiantando esta crônica, até porque tudo iria atrasar na segundona mais brava do milênio – chegando ao lar às 7h30 da manhã e tendo de correr atrás de um carro reserva.

Mas, como ia dizendo no começo do texto, de tudo isso, nada importa. É que o Lorenzo, meu sobrinho que completou 2 anos de idade, deu um baita de um sorriso quando viu a gente chegar na sua casa, lá em Brusque (SC), e já me chama de titio. Isso sim é o que importa.

*Crônica publicada na coluna Crônico desta terça-feira (23), no D+, caderno do Diário de Maringá

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Sofre da coluna? Então é pra você!

*História recebida por email:

Essa é uma historia interessante:

VOU SER SIMPLES E OBJETIVO:

Sou mecânico de maquinas pesada. Dos 18 até aos 35 anos tudo estava indo bem comigo no trabalho, porém depois destes anos minha coluna começou a reclamar, e reclamar, até que não pude mais suportar as dores, que já mim incomodava a ponto de não mim deixar mais dormir. Foi piorando até chegar ao ponto de lavar uns 10 minutos para deitar e quando ia levantar pela manhã, depois de uma noite sofrida, levava outros 10 minutos para levantar da cama mesmo tomando todo tipo de remédio que mim ensinavam. Resolvi procurar ajuda. Fiz todo tipo de tratamento possível, para resolver o problema sem solução, até cirurgia foi cogitado, porém rejeitei 100% essa ideia. Quando cansei com todos os meios possíveis com a medicina tradicional sem resultado, resolvi algo alternativo – Procurei as ervas medicinais relacionadas ao meu problema e extrair seus extratos (tinturas) fiz um balsamo com 6 (seis) ervas e conseguir mim libertar do sofrimento. Por que resolvi contar minha historia? Porque hoje em dia esse tipo de problema de coluna e dores nas costas se tornou uma tragédia, todo mundo sofre deste mal. Sei também que muitas pessoas tem feito muito tipo de tratamento caro e arriscados que poderia ser evitado com um simples e barato complexo de extrato de ervas.

Sem mais, se você sofre deste mau e quiser experimentar deste extrato, eu tenho o maior prazer em lhe ajudar. Só é preciso que você mim retornar esse contato com seu endereço completo que te mando pelo correio uma amostra inteiramente grátis para você fazer uma experiência. Se você gostar e se der bem, te vendo uma quantidade maior. Estou agindo desta forma para mostra lisura e seriedade no que estou te oferecendo. De uma coisa eu tenho certeza; você vai se livrar de um sério problema, pois essa dor é terrível, insuportável. Você vai gostar, te garanto!

Atenciosamente.

Barnabé

P. S. A escolha é sua. Mando-te pelo porte normal ou via SEDEX.

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Ressonâncias – Final

Por Wilame Prado

Como fui injusto semana passada! Dedicar uma crônica inteirinha só comentando os desprazeres de oferecer o corpo para um exame de ressonância magnética! Claro, muitos leitores se identificaram. Afinal, realmente não é fácil viver nos dias de hoje: temos os tênis furados em dias de chuva, o sertanejo universitário, o Renan Calheiros e as dores nas costas que obrigam os médicos a pedir um exame invocado e que registra em imagens tudo o que se está rolando dentro da gente, torcendo para não se ver o pior e já adiantando que, para amenizar o dano de uma coluna torta, uma postura correta é alcançável via fisioterapia.

Pois bem. A ressonância magnética é o chamado mal necessário, aquela paulada que dói mais na consciência do pai do que nas nádegas dos filhos. O Google não me deixa mentir: a ressonância garante imagens de qualquer plano. Um a zero contra a tomografia, que só nos dá imagens no plano horizontal. E foi com o exame de ressonância em mãos que o doutor me garantiu que nem tudo está perdido, que aquela coisa ruim que a gente nem gosta de citar o nome não foi vista pelas bandas do meu interior físico e que existe vida sim ao lado de uma escoliose “importante”.

Tendo sido documentado prós e contras das ressonâncias que nos cercam, gostaria de prosseguir meu relato de vida sobre as experiências notadas dentro de uma máquina de ressonância magnética. E o efeito esperado aqui é o mesmo de um testemunho de gente que sobe no altar da igreja para contar, jurando de pés juntos, os acontecimentos marcados na memória. A grande esperança, com a carta oferecida aos leitores em forma de crônica, é de ajudar aqueles que precisam enfrentar seus medos quando estão já de uniforme bege, chinelas usadas nos pés e prestes a encarar um túnel estreito que vai te encher de barulhos para que as imagens (“ibagens”, todos querem “ibagens”) sejam produzidas.

E foi sabendo do medo de tanta gente, sabendo do incômodo de tantos coitados que adentram aquele maquinário esdrúxulo, que, mais do que relatos em crônicas de jornal que voam com o vento, penso mesmo em divulgar meu método de controle emocional em meio a exames de ressonância magnética lançando um livro de autoajuda! Gostei do título “Ressonância Magnética: Como Sobreviver em 7 Passos”, mas considero outras possibilidades, como “Você Pode Enfrentar a Ressonância Magnética”. O objetivo é ficar rico e pagar o melhor tratamento possível contra escolioses.

Se as editoras já não tivessem me cobrando conteúdo exclusivo do inevitável e retumbante best-seller prestes a ser lançado, poderia adiantar alguns pormenores sobre meu revolucionário método de sobrevivência em meio a exames de ressonância magnética, a exemplo da artimanha de se teletransportar simplesmente com o poder da mente, o que me possibilita ficar invisível e alheio a tudo o que chega do exterior. Mas é papo esotérico demais, que envolve o desprendimento do corpo e da alma; deixemos para outro dia, para outras ressonâncias, outras crônicas, outros livros, outras vidas.

*Crônica publicada nesta terça-feira (16) na coluna Crônico, do D+, caderno do Diário de Maringá

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Ressonâncias – Parte I

Por Wilame Prado

Nenhum ser humano em sã consciência deveria aceitar se prestar ao quizilento exame de ressonância magnética. Se criança, certamente é trauma para vida toda. Os adultos entram naquela espécie de máquina do tempo para depois irem direto ao psiquiatra aumentar a dose do remédio. Aos diagnosticados com síndrome do pânico, recomendo afastamento de alguns quilômetros de distância de uma máquina desjeitosa daquelas.

Pedi música clássica em uma ficha aterrorizante com perguntas sobre seu passado envolvendo cirurgias, pinos e marca-passos e que, ao final da folha, oferece uma indagação mais amena aos bravos que estão prestes a aceitar entrar em um trambolho fazedor de barulhos irritantes: “Gostaria de ouvir música durante o exame?” “Sim!” “Qual estilo musical o senhor prefere?”

Senti-me em um filme dramaticamente exagerado de algum diretor latino-americano ou espanhol e pensei que música clássica poderia servir como trilha sonora para o medo e as incertezas que rondavam a minha cabeça naquele momento. Não tive meu pedido atendido e o meu filme imaginário sem Bach, mas com trilha do caos sonoro dentro daquele aparelho assustador, os senhores e as senhoras ainda haverão de ver (ler).

A via sacra de algum vitimado que se vê obrigado por um médico a fazer um exame de ressonância magnética está só no início quando se está respondendo àquelas perguntas. O mais garboso dos homens certamente será só mais um no exato momento em que veste umas chinelas usadas no trocador de roupas e quando se vê obrigado a se desmascarar, a se ver longe da armadura de boutique para colocar calça e blusa folgadas na cor bege.

Aquele cidadão brasileiro agora está vestido com o uniforme do time das Ressonâncias, quase pronto para a chuva magnética que propiciará imagens de um corpo humano e seus ossos e seus músculos escondidos pela pele humana. Este soldado merecia até uma foto com a legenda: “Eis mais um corajoso que se propôs a enfrentar o monstro barulhento”.

Vou sugerir à clínica que oferece esse tipo de exame que faça uma recepção mais calorosa aos sobreviventes – após vinte minutos que se aproximam da eternidade – com medalha no peito, buquê de flores, garota bonita de biquíni para posar ao lado da foto, chuva de papel picado, um cheque grandão simbolizando prêmio monetário e estouro de garrafa de champanhe. Algo, digamos assim, menos desmotivador do que presenciar, ao término do exame, a chegada de um profissional vestido de branco dizendo: “Nossa! Sua escoliose é bem acentuada, não?” (Continua na próxima semana)

Crônica publicada nesta terça-feira (9) na coluna Crônico do D+, caderno do Diário de Maringá

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O gigante veste a amarelinha

Por Wilame Prado

Antes de tudo, devo relembrar aos leitores que futebol é diversão e arte. Aquele velho e bom entretenimento que nos faz esquecer um pouco das agruras da nossa vidinha mais ou menos. Eis que estava, então, deixando-me distrair com mais um espetáculo futebolístico por esses dias. E não foi qualquer sonífero Palmeiras x Asa não; não foi um sem graça Atlético Paranaense x J. Malucelli; não se tratava de mais uma rodada morna de um campeonato francês, por exemplo. Estava me ocupando com arte de qualidade, algo como desligar os ouvidos para o som das ruas maringaenses que exalam sertanejo universitário e prestar atenção no que Django fazia com o violão ou descobrindo que “Antes que Tu Conte Outra”, último álbum do Apanhador Só, é contundente e aprazivelmente experimentalista. Enfim: recordo-me bem que estava me deleitando com uma final da Copa das Confederações entre Brasil x Espanha.

Antes de o espetáculo começar, os cartazes informaram que se tratava do jogo mais aguardado por toda uma nação, um verdadeiro clássico tardio do futebol mundial, já que os brasileiros, desde sempre, são considerados os melhores e os espanhóis haviam descoberto nos jogos de videogame uma tática de toque de bola rápido e que vinha enganando seus adversários há meia década, fato que incrivelmente resultou na conquista de alguns bons torneios pelo mundão afora. Enfim, a sinopse do show de bola dizia que teríamos uma guerra épica entre a equipe vestida de amarelo contra os mocinhos de vermelho. Conversa para lotar Maracanã.

Para os que não puderam ver a performance artística no gramado verde – seja na arquibancada pagando doze pilas numa lata de cerveja ou no sofá de casa pagando pouco mais de doze pilas em uma caixinha de lata de cerveja –, venho em nobre missão remissiva contar os pormenores daquilo que vi, além, é claro, de apontar alguns posicionamentos críticos sobre o espetáculo em tela. A começar: se, claramente, só o Brasil jogou, penso que deveríamos devolver o dinheiro aos torcedores espanhóis enganados, que se calaram na vã esperança de ver o seu time de salão jogar bola. O tique-taque do relógio catalão pifou e se esqueceram de contar para a turma da Paella que, em terra de caipirinhas “fredianas” e de samba dos desafinados da bola – vide Dante, Marcelo e Lucas, a ousadia e a alegria de uma família orquestrada pelo gaúcho de bigode costuma resultar em massacres futebolísticos.

O Brasil venceu na habilidade, na vontade e no gingado; no movimento antropofágico a la Neymar com todo seu repertório de dribles jamais ousados por Messi – o espanhol que faltou naquele time de piás de apartamento que aprenderam a jogar bola no Playstation; com um Fred, o mais avante central dos jogadores no ataque, escrevendo livreto de instruções de goleador com a máxima em epígrafe: “não existe gol feio; feio é não fazer o gol”, de MARAVILHA, Dadá; com trilha sonora de 70 mil vocalistas maracanãenses, iniciada com a canja no Hino Nacional, passando pelos refrãos “O campeão voltou” e “Eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor” e finalizando com o humilhante “Olé” em plenos quatro minutos da etapa final da partida.

Após partida retumbante no sentido de finalizar uma falsa fase de brilhantismo futebolístico espanhol, a “fúria” de atletas senso comum, como Piqué e Arbeloa (considerados desaparecidos após massacre e não comparecimento à entrega de medalhas), transforma-se em moderação. Fica na lembrança dos ex-furiosos apenas a memória afetiva de um uso indevido via débito em conta de algumas mulheres brasileiras curiosas e a trabalho. Para a Espanha em crise, voltam os contidos espanhóis de avião para não ter perigo de alguém do elenco resolver amenizar a vergonha e amainar o ardor nas bochechas jogando-se do navio em alto-mar. Enquanto isso, por aqui, nas ruas, estão dizendo que o gigante estava acordando. Se isto for mesmo verdade, é quase certo que despertou de um sono profundo para, entre uma manifestação ou outra, ligar a TV ou ir aos estádios para ver um outro gigante vestido com a amarelinha reconquistando o topo – lugar de onde jamais deveria ter saído.

*Crônica publicada nesta terça-feira (2) na coluna Crônico, no Diário de Maringá.

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