Parlapatões abrem Mostra de Teatro Contemporâneo

Por Wilame Prado

A ironia fina dos Parlapatões (São Paulo-SP) transcendeu os palcos e contaminou a própria história desse que é considerado um dos mais importantes grupos de teatro em atividade no País. Pode parecer mentira, mas “Nada de Novo”, com suas sempre elogiadas ácidas palhaçadas, está em cartaz há 22 anos, mesmo tempo de fundação do grupo. A comédia política é a atração de abertura da 3ª Mostra de Teatro Contemporâneo – Maringá amanhã, às 20h30, no Teatro Marista (ingressos a R$ 10 e R$ 5 no Maringá Park Shopping).

“Apesar do nome, sempre estamos encontrando algo novo nesse espetáculo que vem prevalecendo no tempo graças às suas constantes mutações e também pela resposta do público. Se fôssemos colocar todos os quadros que já fizemos para a peça, seria um espetáculo de mais de cinco horas”, anuncia Hugo Possolo, dramaturgo, ator e um dos fundadores dos Parlapatões.

Realizada pela Teatro & Ponto Produções Artísticas e apresentada pelo Ministério da Cultura, Sanepar e Zacarias Veículos, a terceira edição da Mostra de Teatro Contemporâneo ousa ao propor uma comédia na abertura. Uma comédia contemporânea, segundo o coordenador da mostra Marcio Alex Pereira. “O espetáculo de abertura é diferente, é uma comédia que está dentro de uma estética de assuntos contemporâneos, uma comédia política, não deixa de ser teatro contemporâneo”, diz ele.

Possolo divide palco com Raul Barretto, Fabek Capreri e Hélio Pottes em “Nada de Novo”, espetáculo com linguagem clown que reúne brincadeiras, números circenses e quadros debochados. O espírito do grupo se revela com o rompimento dos limites de comunicação entre atores e plateia. Em meio a tudo isso, a comédia tem declarada inspiração no humor categórico de grandes mestres como Karl Valentin e Groucho Marx ou nos quadros clássicos dos Três Patetas e o Gordo e o Magro.

Dos 50 espetáculos já realizados pelos Parlapatões, “Nada de Novo” é recordista de longevidade. Um dos segredos é a aceitação do papel de ridículo em meio ao picadeiro imaginário, diz ele. “Para trazer o público para a história, a gente aceita o nosso papel de ridículo, compartilha esse ridículo e então tudo fica mais fácil.”

Talvez como ironia do destino, na opinião de Possolo infelizmente nada de novo – ou pelo menos nada que mereça destaque – aconteceu na comédia nacional e internacional durante essas duas últimas décadas. Por essas e outras, para a constante manutenção de “Nada de Novo”, as inspirações humorísticas continuam sendo as mesmas.

“Nos anos 90, a figura do palhaço se massificou e, então, multiplicaram-se os palhaços muito ruins. Depois disso, veio a safra do stand up, e a moda acaba arrastando também gente muito fraca para os palcos. Nesse meio tempo, tirando talvez trabalhos de Sacha Baron Cohen, do filme ‘Borat’, não visualizo nada de mais”, diz ele.

*Reportagem publicada nesta quarta-feira (6) no caderno Cultura, do Diário de Maringá

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