Mês: abril 2014



Tezza revisita o passado

AUTOCRÍTICA .Cristovão Tezza, em Curitiba: “Sinto que é o meu melhor livro”. —FOTO: GUILHERME PUPO

AUTOCRÍTICA. Cristovão Tezza, em Curitiba: “Sinto que é o meu melhor livro”. —FOTO: GUILHERME PUPO

Wilame Prado

Antes de discursos em que precisamos falar da gente mesmo, passa um filme na cabeça e ativamos a máquina da memória tentando, num exercício de ordenação e coerência, transformar lembranças em palavras proferidas. No ínterim, tendemos a pensar em fatores externos – família, relacionamentos, profissão, política atual – mas, quase sempre, deixamo-nos comover pelas reminiscências, pelas emoções, que, tal qual uma lágrima que transborda dos olhos e que ofusca o plano da visão, chegam a distorcer os fatos com a exacerbação dos sentimentos em detrimento da realidade pretérita. Nosso passado, que é uma história que nós mesmos construímos para a gente, tende a ser potencializado com a nostalgia.

“O Professor” (Editora Record, 240 páginas, R$ 32), romance lançado recentemente por Cristovão Tezza, 62 anos, tem sua narrativa concentrada nas poucas horas que antecedem o discurso que o professor aposentado de filologia românica Heliseu da Motta e Silva, 71, fará em uma homenagem que está prestes a receber pelos serviços docentes prestados.

Não há limite de tempo para as memórias, e Heliseu rememora, nessas poucas horas, décadas de uma vida dedicada à arte de ensinar, incluindo, nesse pacote de lembranças, fatos importantes da história pessoal e da política brasileira.

Como acontece com a maioria das pessoas, passa um filme na cabeça do professor. E como bem sabe fazer o escritor catarinense radicado em Curitiba, o filme das memórias de Heliseu foi transformado em romance.

Em “Um Erro Emocional” (Record, 2010), Tezza praticou a sua destreza em escrever páginas e mais páginas que concentram, no tempo da obra, apenas horas vividas pelas personagens. Na ocasião, ele narra a ida do escritor renomado Paulo Donetti ao apartamento de uma leitora, Beatriz, para dizer que havia cometido um “erro emocional”, o de ter se apaixonado por ela.

Em “O Professor”, o recorte temporal se limita entre o lento despertar do idoso e o momento em que finalmente coloca o papel do discurso no bolso, olha-se no espelho e vai para a devida homenagem a ser recebida.

Nesse intervalo de quatro anos entre os dois romances, Tezza exercitou o conto em “Beatriz”, o ensaio literário em “O Espírito da Prosa” e a crônica em “Um Operário em Férias”. Agora volta ao romance e, até pelo pouco destaque que teve publicando em outros formatos literários (principalmente quando comparado com o retumbante sucesso de “O Filho Eterno”, de 2008), demonstra mesmo que a prosa mais longa é o seu forte.

Na bibliografia, são 18 obras publicadas, sendo 14 romances, incluindo, além dos supracitados, os elogiados “Uma Noite em Curitiba”, “Trapo” e “O Fotógrafo”.

Comemoração à parte dos leitores que aguardavam um novo romance de Tezza, “O Professor” chega ao País já premiado. Ano passado, o livro foi escolhido pelo Financial Times como um dos melhores estrangeiros publicados no Reino Unido.

Afora isso, o próprio autor considerou, em entrevista concedida por e-mail, tratar-se de seu melhor livro até aqui. “Depois de vários livros publicados, o escritor já consegue ter uma noção de medida de seu trabalho, ainda que não a certeza absoluta, que não existe. Eu sinto que é o meu melhor livro pelo apuro técnico e pela maturidade da visão de mundo, que é algo que só o tempo dá. Mas é preciso lembrar que o autor é sempre suspeito ao falar da própria obra.”

Após a conquista de vários prêmios com “O Filho Eterno”, ele ganhou dinheiro, fato que estimulou a antecipação da aposentadoria nos tablados da Universidade Federal do Paraná, onde lecionou por 20 anos no curso de Letras. Olhando para o currículo de Tezza e todo seu envolvimento com a academia, poder-se-ia imaginar que “O Professor” é mais um romance com traços autobiográficos. Não é, segundo o próprio autor.

“O único livro de fundo autobiográfico que escrevi foi ‘O Filho Eterno’. Personagens professores são recorrentes na minha obra: há professores em ‘A Suavidade do Vento’ e ‘Uma Noite em Curitiba’, por exemplo, e isso não significa que sejam livros autobiográficos. Não há nada de mim em Heliseu, exceto a profissão – já fui professor e convivi no mundo universitário que meu personagem habita”, explica.

TEZZA AGUARDA CONVITES PARA LANÇAR ‘O PROFESSOR’
“O Professor” foi lançado oficialmente em Curitiba no começo de abril. Já no sábado do dia 12 de abril, Tezza estaria na Livraria e Editora Arte & Letra, também na capital paranaense, ao lado dos escritores Rogério Pereira e Mário Araújo, no lançamento de “Entre as Quatro Linhas”, coletânea de 15 contos sobre futebol organizada por Luiz Ruffato.

Dentre os contistas estão, além de Tezza, Pereira e Araújo, Fernando Bonassi, Ronaldo Correia de Brito, Eliane Brum, Flávio Carneiro, André de Leones, Tatiana Salem Levy, Adriana Lisboa, Ana Paula Maia, Tércia Montenegro, Marcelo Moutinho, Carola Saavedra e André Sant’anna.

Em sua última passagem por Maringá, Tezza participou da Semana Literária do Sesc em 2010 e versou sobre a criação literária e importância da leitura. O romance recém-publicado por ele já pode ser encontrado nas principais livrarias da cidade, mas ainda não há previsão de lançamento da obra com noite de autógrafos do autor por aqui.

“Já fui várias vezes a Maringá, em palestras, eventos literários e lançamento do livros, sempre uma ótima recepção. Se surgir uma oportunidade, é claro que irei”, diz Tezza.

o professor, cristovao tezzaESTANTE
O PROFESSOR
Autor: Cristovão Tezza
Gênero: romance
Editora: Record
Número de páginas: 240
Preço sugerido: R$ 32

ISTO É CRISTOVÃO TEZZA
A cadeia de desconcertos deste amanhecer, ele sussurrou, achando bonito, testando a linguagem e vivendo um impulso de entusiasmo — eu poderia ter sido escritor, se tivesse tido a coragem no momento certo. Quase rompi a membrana e passei para o lado de lá. Parecia simples. Therèze uma vez lhe disse: por que você não escreve? Um tropeço de fonemas — cadeia de desconcertos deste. O fonema “d”, repetiu ele milhares de vezes diante de milhares de alunos, seguido da vogal “i”, palataliza-se em algumas regiões do Brasil. Comparem: djia x dia, assim, dia, ele abria bem a boca para a demonstração, alveolar, a língua contra os dentes da arcada superior. Para quem não compartilha a diferença de sotaque, é engraçado. Passou as mãos no rosto, moveu a cabeça de um lado a outro, três vezes, num simulacro de ginástica — é bom contra torcicolo, ele ouviu uma vez e passou décadas repetindo o movimento. Mas o pescoço parece um papo de galinha, assim como os olhos revelam o pé de galinha — é assim que as mulheres dizem. Um símile perfeito. Essa pele despencada grudando-se ao que resta de apoio, para se espraiar em ossos secos que se erguem como raízes de árvores arruinadas. A clássica barba amanhecida, ainda por fazer. Houve um tempo em que era estilo. Minha cabeça é um bulbo, e ele se surpreendeu com a teimosia da conclusão, já diante da plateia: senhoras e senhores, brasileiras e brasileiros, eu fui sim um homem bonito. Eheh. Esticou a perna direita, depois a esquerda. As pernas pareciam doer menos essa manhã. A química funciona.

A verdade é que nem sempre fui um homem antigo, ele argumentou arriscando uma ironia em defesa própria, agora sentado na cama de imbuia envernizada, mais velha ainda que ele, com seus frisos caprichosos. Confira os detalhes da cabeceira. Uma hora de trabalho em cada raminho de madeira, as ranhuras das folhas perfeitas no relevo. No tempo dos artesãos, que não existem mais. Não fabricam mais nada assim, ele ouviu a mulher repetir mil vezes, com irritação legítima, hoje é esse lixo descartável, serragem com cola, a cama desmonta no primeiro dia — na primeira trepada, ele completou uma vez, há muitos e muitos anos, e os dois riram. A Mônica, senhores, de saudosa memória. Talvez a homenagem que vão fazer a ele seja justamente o reconhecimento de sua atualidade. Não. De sua contribuição. Alguém que passou sem traumas (Na verdade, com altruísmo; eles têm de reconhecer pelo menos isso. Se não fosse ele — se não fosse ele o mundo não existia? Sim, de certa forma, e ele riu como quem ouve uma piada de café; o velho e bom solipsismo. Depois de mim, o dilúvio; sem mim, nada! É engraçado.) — que passou sem traumas da velha filologia românica para a linguística moderna — do papel escrito para a língua viva. Dos textos sólidos — desenhados quase que com o punhal há 600 anos, a brutalidade do tempo, e que ele lia com prazer, no púlpito da sua aula, aquilo sim é palpável, a verdadeira gramática universal, nom seria razõ, n˜e dereyto que no processo de nossa lyçam seiam squecidas aquellas moças que som ˜e estado de virgijndade, das quaes homem pode fallar em duas maneyras — daquellas que teem preposito de guardar virgijndade toda sua vyda por amor de Deos e daquellas que ha guardam ho tempo de seu casamento per ordenãça de seus padres. Não é uma maravilha?, ele perguntava aos alunos, o anfiteatro cheio, um bloco granítico de silêncio. ///Trecho do romance “O Professor”, de Cristovão Tezza

*Reportagem publicada em 12 de abril no caderno Cultura, do jornal O Diário do Norte do Paraná

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Gabo faz falta, ou a câimbra na alma de Esteban

Por Wilame Prado

Um dia, nos livros de história, falarão do nosso tempo e da insistência que os habitantes do Velho Mundo tiveram em tentar nos rebaixar, nós, os latino-americanos. Assim como hoje tendemos a ficar chocados com a escravidão ou com as coisas da Idade Média, por exemplo, os habitantes do futuro, até mesmo os que moram na Europa (que talvez nem seja mais a Europa), sentirão asco do preconceito que insistiu em existir na Terra por muito tempo, inclusive no século 21.

O espetáculo do futebol é o espelho da vida real. Daniel Alves, lateral-direito do Barcelona e da Seleção Brasileira, comeu a banana que jogaram no picadeiro do gramado verde e contribuiu para que o mundo todo discutisse as formas de racismo. Atendeu a Cristo, que diz para darmos também o lado esquerdo da face para bater, mas dotado de ironia fina: em vez de se abalar com o ato de racismo, comeu, agradecido, a banana, fruto que tem potássio e com isso combate as tão comuns câimbras no esporte bretão.

Só por causa daquele pedacinho de fruta saborosa e madura, o brasileiro nascido na Bahia conseguiu, sem sentir câimbras, um cruzamento dentro da área que resultou no gol contra de Musacchio. Final da partida: Villarreal 2 x 3 Barcelona (com, veja só, dois gols contra do time que tem torcida racista e uma banana que se tornou símbolo de protesto no mundo todo).

Alimento saboroso, banana engorda e faz crescer, conforme cantou Raul Seixas. Com mel e aveia é uma delícia. Batida com leite, as bananas resultam em boa vitamina. Pseudobaga da bananeira, ou seja, uma pseudofruta, a banana é uma planta herbácea da família Musaceae que é produzida em 130 países.

A Espanha produz banana? Não importa se era ou não importada a banana tacada em Daniel Alves. Pesquiso, então, um nome comum no país da Península Ibérica. Esteban é meu personagem. Esteban sai de sua casa na cidade de Villarreal, Província de Castellón, e leva consigo uma banana madura. Não a come. Não se nutre. Tem apenas o plano maligno e “genial”, conforme confessa para os amigos, de arremessá-la no gramado justamente quando Daniel Alves fosse cobrar um escanteio.

“Por que fez isso Esteban?”, pergunta o mundo, pergunta a consciência do próprio. Após ter alimentado o adversário com o rico fruto, Esteban volta para o lar cabisbaixo, triste com a derrota do time fazedor de gols contra e com medo de ter sido flagrado pelas câmeras no momento em que tacava a banana, talvez sorrindo de seu ato boçal e rapidamente sentindo todos os dentes podres se amarelarem ao se surpreender com a comilança do nosso Daniel Alves apreciador de bananas. Certamente Esteban teve câimbras terríveis já deitado na cama, em meio a pesadelos em que morria afogado em tonéis gigantescos onde se preparava um saboroso doce de banana.

Esteban, aliás, não leu “Cem Anos de Solidão”, clássico livro do nosso querido e agora saudoso escritor colombiano Gabriel García Márquez – porta-voz da América Latina e detentor de alta obra literária que cala qualquer escritorzinho catalão de meia tigela. No romance que apresenta a saga da família Buendía na mítica Macondo, publicado originalmente em 1967 e que já vendeu mais de 30 milhões de exemplares, a Companhia Bananeira é metáfora da América Latina exportadora de matéria-prima no sistema capitalista.

Exportamos sim bananas e jogadores para o espanhol e o mundo todo comer e ver. E só recebemos em troca ofensas por meio de gestos que traduzem fatos alarmantes: bons índices educacionais não significa dizer que os europeus são educados e a falta de bondade no coração para com o próximo – independentemente de raça, país, cor ou fruta preferida – continua sendo um desafio a ser encarado pela maioria dos seres humanos. García Márquez já está fazendo falta.
*Na tarde de ontem, o Villarreal informou que identificou o torcedor atirador de banana e decidiu retirar seu carnê de sócio, além de proibir seu acesso ao estádio El Madrigal pelo resto da vida.

*Crônica publicada nesta terça-feira (29) na coluna Crônico, do caderno Cultura (O Diário do Norte do Paraná)

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Charme Chulo precisa de você

VAQUINHA. Integrantes do Charme Chulo: Douglas Vicente, Igor Filus, Leandro Delmonico e Hudson Antunes. —FOTO: DIVULGAÇÃO

VAQUINHA. Integrantes do Charme Chulo: Douglas Vicente, Igor Filus, Leandro Delmonico e Hudson Antunes. —FOTO: DIVULGAÇÃO

Por Wilame Prado

l Banda de rock rural paranaense inicia campanha de financiamento coletivo para gravar terceiro disco

l Liderada por dupla de primos maringaenses, o Charme Chulo quer retornar ainda mais crítico e inovador

A banda paranaense Charme Chulo iniciou um novo desafio na carreira: arrecadar de fãs e amigos, no site catarse.me (especializado no financiamento coletivo ou crowdfunding), a quantia de R$ 30 mil para viabilizar as gravações, prensagem e lançamento do álbum duplo “Crucificados pelo Sistema Bruto”, terceiro disco da banda e que vem sendo anunciado desde o ano passado.

Os primos maringaenses radicados em Ponta Grossa e Curitiba respectivamente Igor Filus (vocal) e Leandro Delmonico (guitarra e viola caipira), ao lado dos curitibanos Hudson Antunes (contrabaixo) e Douglas Vicente (bateria) têm até 14 de maio para arrecadar a verba e finalmente entrar para o estúdio e gravar as 20 faixas que comporão os dois álbuns. Tarefa árdua: na tarde de sexta-feira, faltando 34 dias para o término da campanha, os chulos charmosos tinham conquistado R$ 4.440 de 64 apoiadores do crowdfunding. Segundo o site, se ao final da campanha o montante não for atingido o dinheiro daqueles que autorizaram o aporte financeiro é devidamente devolvido.

Ainda de acordo com as regras definidas na campanha, as contribuições podem ser iniciadas com R$ 10 e não há limite para ajudar. Com a parcela mínima, o apoiador da banda tem direito a download de cinco faixas do disco, além de ter o nome citado no site e no encarte do álbum.

Na maior contribuição, a de R$ 5 mil ou mais, o fã leva para casa download antecipado do disco completo, cinco cópias autografadas do disco duplo, duas camisetas personalizadas e ingressos (com acompanhante) para todos os show do Charme Chulo durante um ano; nesse pacote, a empresa ou pessoa se torna patrocinadora oficial do disco, tendo direito a inserir na contracapa nome ou logo.

Para Igor Filus, ainda que com as recorrentes dificuldades para convencer alguém a tirar dinheiro do bolso por projetos alheios, o financiamento coletivo foi a alternativa encontrada para, pelo menos, tentar viabilizar o lançamento do terceiro disco do Charme Chulo, que tem um custo maior por se tratar de dois álbuns cheios. Além disso, afirma o músico, a campanha acaba se tornando também uma proposta inovadora que auxilia, principalmente nas redes sociais, na divulgação do trabalho.

Viola experimentada
E se não é possível, pelo menos por ora, disparar na rede as faixas do terceiro disco – com exceção de duas canções, “Ninguém Mandou Nascer Jacu” e “Coisas Desesperadoras do Rock ´n Roll”, que já ganharam até clipes – o Charme Chulo dá pistas do que pretendem levar para os fãs com “Crucificados pelo Sistema Bruto”.

A primeira revelação de Igor parte da ordem ideológica da coisa: a banda, que já vive um hiato de cinco anos sem um novo disco, critica o sertanejo universitário e o lado comercial envolvendo a música no País. “Num mundo onde o comércio e a publicidade tomam conta absolutamente das relações humanas, haverá inevitavelmente um espaço ínfimo para produtos com estas qualidades (canção, letras, arte, cultura). Então, na verdade, estamos todos crucificados pelo sistema bruto, pelo sertanejo universitário, pelo consumismo, pelo materialismo, individualismo etc. E a gente se engana: não é o planeta que precisa ser salvo, mas sim os seres humanos”, dispara o vocalista.

Sobre o som, a viola caipira continua firme, tocada por Leandro Delmonico. No entanto, alerta Igor, a banda aposta em inovações. Está mais madura e experimentalista, afirma ele, referindo-se ao disco que completará uma espécie de trilogia do Charme Chulo, surgida há onze anos. “Tudo através de letras mais cruas e diretas. E sem perder a identidade do grupo. Musicalmente, os horizontes serão ampliados, levando a viola caipira para novos passeios além do rock, como jazz, reggae, eletrônica, música de oktoberfest, de restaurante, funk carioca, karaokê, entre outras.”

Maringá
Sempre atento às demonstrações de carinho dos fãs de Maringá – gente da cidade já aderiu à campanha do financiamento coletivo – o autor da canção “Galo Maringá” – faixa do disco “Uma Nova Onda Caipira” e uma das mais belas homenagens musicais já feitas para cidade – diz que, ainda que mais discretamente, Maringá continua servindo de referência para novas composições.

“Com as novas incursões musicais do disco, a essência maringaense da banda só aumentará e será fortalecida, mais do que nunca. A alma caipira e de noturna luminosidade dessa cidade não tem como sair de nossas inspirações, jamais”, decreta Igor, que pede o apoio dos maringaenses no financiamento coletivo: “Estamos loucos pra retribuir o apoio do público com a porrada de músicas mais inspiradas de nossas vidas. Só a incerteza inspira. É muita emoção. Me rodeia, Maringá!”

PARTICIPE 
CROWDFUNDING
Para quê: produzir e lançar o álbum duplo “Crucificados pelo Sistema Bruto”, da banda Charme Chulo
Como ajudar: comprando, através de cartão de crédito, algum dos produtos/prêmios oferecidos, em forma de kits, na página oficial do financiamento coletivo
Onde: www.catarse.me/charmechulo

JAIR NAVES CONSEGUE MAIS DE R$ 29 MIL COM CROWDFUNDING

Faltando quatro dias para o término do prazo da campanha de arrecadação de dinheiro via crowdfunding, na semana passada o músico paulista Jair Naves conseguiu a verba necessária para produzir e lançar o segundo disco. Com os mais de R$ 29 mil arrecadados pelo financiamento coletivo, ele prevê para o segundo semestre deste ano o lançamento do CD, que ainda não tem nome definido.

Conforme as regras preestabelecidas no site catarse.me, onde a campanha era mantida, a primeira prensagem do disco será prioritariamente destinada aos apoiadores que investiram dinheiro. Dinheiro esse que será usado para pagar as despesas de gravação, mixagem, masterização, prensagem dos discos e arte gráfica.

Jair Naves informa que o próximo trabalho será gravado no Estúdio El Rocha, em São Paulo, mesmo local onde gravou o seu álbum de estreia, com o sugestivo nome “E você se sente numa cela escura, planejando a sua fuga, cavando o chão com as próprias unhas”.

O novo trabalho de Jair Naves terá participações de Bárbara Eugênia, Beto Mejia (Móveis Coloniais de Acaju) e Camila Zamith (Sexy Fi), entre outros a serem confirmados.

*Reportagem publicada em 13 de abril no caderno Cultura, do jornal O Diário do Norte do Paraná

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Suzanne e seus delitos imperdoáveis, ou nem tanto

FRANÇA. As irmãs Suzanne (Sara Forestier) e Maria (Adèle Haenel): cumplicidade. —FOTO: DIVULGAÇÃO

FRANÇA. As irmãs Suzanne (Sara Forestier) e Maria (Adèle Haenel): cumplicidade. —FOTO: DIVULGAÇÃO

Por Wilame Prado

Desvios de conduta praticados por amor tendem a ser abrandados por quem critica ou se vê prejudicado pelos atos tortos. “Suzanne” (Katell Quillévéré, 2012), em cartaz pelo Festival Varilux de Cinema Francês, mostra a trajetória errante da garota Suzanne (Sara Forestier), que erra, e feio, na vida porque vai em busca do amor. Mesmo com a desculpa passional, o preço que ela paga por isso é bem alto.

Suzanne se apaixona por Julien, assaltante e traficante disfarçado de galã. Por esse amor, ela se distancia da família e desampara o filho pequeno (fruto de “aventuras passadas”, ninguém sabe quem é o pai da criança). Anos na cadeia e o profundo desgosto causado para o pai – caminhoneiro viúvo que cuida das duas filhas sozinho a vida toda, brilhantemente interpretado pelo ator François Damiens – parecem ser os principais castigos subsequentes pelos crimes que cometeu. Mas não o são: a dramaticidade do filme parece não cessar, e as cenas finais reservam ainda mais sofrimentos envolvendo a pobre Suzanne.

Destaca-se no filme a relação de Suzanne com a irmã Maria (Adèle Haenel). A cumplicidade das duas é algo fortalecido por uma vida toda sem a presença de uma mãe dentro de casa. Mesmo sendo caçula, Maria, com sua força e maturidade surpreendentes, vê-se obrigada a cuidar da irmã mais velha e do sobrinho. Como uma predestinada para carregar o fardo, ela nunca reclama, mas é visível que acaba também pagando um alto preço por causa dos erros da irmã.

Katell Quillévéré, a diretora que também assina o roteiro ao lado de Mariette Désert, lança um olhar frio e contundente sobre os dramas envolvendo a chamada ovelha negra da família e todas as consequências que tendem a prejudicar a todos por perto e não apenas quem opta pelos caminhos considerados inaceitáveis pelos bons costumes da sociedade.

Ao final de “Suzanne”, parece haver – ainda bem – uma luz no fim do túnel até para os mais desesperadores dos casos. Contudo, fica muito claro que, a depender das decisões, os danos são irreparáveis e intermitentemente sofríveis. Algo a ser elogiado no filme francês é a sutileza da mise en scène, que pode ser observada em gestos sutis dos personagens.

Se há mesmo perdão para os erros de Suzanne – e isso a diretora demonstra na primeira cena, com a lágrima da protagonista, ainda criança, vendo que, numa apresentação escolar de dança, a mãe não está na plateia –, percebe-se que, mais até do que as cabeçadas do destino sofridas pela busca do amor, uma vida cheia de escolhas erradas pode ser consequência de sofrimentos intrínsecos às sempre tristes ausências sentimentais que rodeiam a vida toda de uma pessoa.

PARA VER
SUZANNE
Gênero: drama
Ano: 2012
Duração: 1h34min
Classificação: 14 anos
Exibição: hoje, às 17h45, no Cineflix
*Termina hoje o Festival Varilux de Cinema Francês, com filmes sendo exibidos em cinco horários: 13h30, 15h15, 17h45, 19h40 e 21h25

*Texto publicado nesta quarta-feira (16) no caderno Cultura, do jornal O Diário do Norte do Paraná

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Maringá FC, um time de respeito

Por Wilame Prado

Mesmo com a derrota no jogo dramático do último domingo no Estádio Regional Willie Davids para o Londrina Esporte Clube, afirmo sem medo de errar que o Maringá Futebol Clube é também um campeão. Não leva o caneco, mas merece os parabéns pelo jogo jogado tanto dentro das quatro linhas como fora – uma bela campanha de um time que, em pouco tempo, pulou da terceira para a primeira divisão do estadual, perdendo poucas partidas neste período, desempenhando um futebol elogiável e que se estende nestes quatro anos de fundação do clube.

Dito isto, revelo: fiz uma promessa para mim mesmo na noite do último sábado, vendo uma garoa fina molhar o chão do pátio aqui do jornal, pensando na grande final do Paranaense, que só escreveria esta crônica em caso de derrota do Maringá FC. Fui, durante pouco mais de um mês, assessor de imprensa do time e, em caso de título, evitaria escrever para que não pensassem que estivesse eu me incluindo – justo nos festejos – como parte integrante daquela que foi, e continua sendo, uma verdadeira família capitaneada pelos irmãos Regini (Zebrão e João Batista), gerenciada pelo diretor de futebol, Paulinho Regini, e orquestrada pelo técnico Claudemir Sturion.

Durante o pouco tempo em que convivi com funcionários, comissão técnica e elenco do Maringá FC, percebi o tamanho da pressão que envolve aqueles que trabalham com algo intimamente relacionado à paixão das pessoas. É bem mais fácil torcer do que trabalhar com o futebol. Corre nos sangue dos maringaenses o esporte bretão. Homem, mulher, criança. Não importa o nome do clube nem as cores do brasão: o que importa, para a maioria dos moradores desta cidade, é o melão rolando no gramado verde do Willie Davids.

Por tudo isso e muito mais, sinto uma vontade danada de parabenizar o pessoal lá do time, a começar pelo roupeiro Eli Lima, lenda viva do futebol maringaense desde os anos 1970, até o boa gente João Regini, presidente que está sempre escalado para a pelada descontraída nas manhãs de sábado junto ao plantel, no CT Vale da Zebra, e que não se importa nem mesmo de ajudar um assessor sem jeito a pregar no alambrado do estádio um painel, com a logo do time e patrocinadores, servindo de fundo nas entrevistas para a TV.

Essa campanha do Maringá FC, que resultou num vice-campeonato com sabor de título – o time demonstrou uma evolução impressionante até chegar às finais e, afora as penalidades, jogou melhor no Estádio do Café e também em casa –, ficará guardada em minha memória em relances de quando trabalhei para o time, em especial os momentos em que fiquei na beira do gramado do Willie Davids. Momentos de bastidores que, talvez, digam mais do que as arrancadas de Reginaldo, os lançamentos de Léo Maringá, os dribles de Max, o oportunismo de Gabriel Barcos, os gols de Cristiano, a raça de Zé Leandro, as defesas de Ney e depois de Ednaldo, a seriedade de Fabiano na zaga e tanta entrega dos demais do elenco.

Nas entrelinhas da assessoria para o Maringá FC, entre uma anotação e outra no caderninho, entre uma informação e outra repassada para os colegas de imprensa, entre um pedido e outro de declarações para jogadores, comissão e diretoria, entre uma crítica e outra de jornalistas querendo água, querendo lanche, querendo entrevistas, querendo informações exclusivas, querendo tudo (!), certamente o que mais me marcou foi o término das partidas, momento em que, exaustos, todos os envolvidos nessa guerra benigna que é o futebol, saíam pelos fundos do velho Willie Davids e iam embora para o descanso merecido. Uns, rodeados por filhos em festa e mulher carinhosa. Outros, solitários, rumando ao alojamento onde provavelmente sentiriam saudades da família que ficou longe. Outros, ainda, acelerando seus automóveis para passarem pelo menos um dia ao lado daqueles que o amam e que ficaram em casa. Todos, sem exceção, humildes, determinados e felizes por fazerem aquilo que mais gostam nesta vida, que é viver em função do futebol e que foi (pelo menos até então) ter vivido pela honra e glória do Maringá FC, um time de respeito.

*Crônica publicada nesta terça-feira (15) na coluna Crônico, do caderno Cultura (O Diário do Norte do Paraná)

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Varilux de Cinema Francês começa hoje em Maringá

SÍMBOLO. Isabelle Huppert em cena de “Um Amor em Paris”: musa do festival deste ano, ela está em dois filmes da programação. —FOTO: DIVULGAÇÃO

SÍMBOLO. Isabelle Huppert em cena de “Um Amor em Paris”: musa do festival deste ano, ela está em dois filmes da programação. —FOTO: DIVULGAÇÃO

Por Wilame Prado

l No Cineflix, 15 filmes franceses serão exibidos durante uma semana, em cinco horários por dia

A França é famosa pelos vinhos, luzes e filmes. Grandes obras que hoje estão contidas em listas dos melhores filmes da história do cinema – “Jules e Jim” (Truffaut), “Acossado” (Godard), “A Regra do Jogo” (Renoir), entre outros – foram dirigidas por franceses.

De um tempo para cá, mais precisamente há cinco anos, o Festival Varilux de Cinema Francês é oportunidade para os brasileiros, de diferentes Estados e cidades (este ano o festival abrange 70 salas de cinema, espalhada por 45 cidades, incluindo Maringá), conferirem o que de bom os contemporâneos do cinema francês vem produzindo.

Maringá recebe o festival pela terceira vez, a partir de hoje. Com filmes sempre exibidos pelo Cineflix Cinemas, que fica no Maringá Park Shopping, o festival coloca em cartaz este ano a 15 filmes, a serem projetados em cinco horários diários até 16 de abril (quarta-feira da semana que vem). Os preços dos ingressos para ver os filmes em cartaz pelo festival são os mesmos normalmente praticados pelo Cineflix em suas sessões cotidianas.

Na programação que chega a Maringá, e divulgada pela assessoria de imprensa do festival por aqui, ponto para a exibição do filmaço “Os Incompreendidos”, feito em 1959 por François Truffaut. O filme será exibido em sessão única, às 15h35 do próximo domingo. A inclusão do clássico na grade do Varilux é uma homenagem à história do cinema francês e à Nouvelle Vague, movimento que teve em Truffaut um de seus precursores.

Ainda sobre a programação local, a única baixa é a ausência de “Yves Saint Laurent”, cinebiografia do célebre estilista que morreu em 2008, aos 71 anos. O longa, assinado por Jalil Lespert, fará a abertura oficial do Varilux esta noite, no Rio de Janeiro (RJ). Segundo o diretor de programação do Cineflix Carlos Mauricio Sabbag, o filme não chega a Maringá por causa de um impedimento técnico. “O filme tem um formato chamado DCP (Digital Cinema Package), que não é rodado em nossas salas de exibição, infelizmente.”

Maringá-França
Sabbag explica que, ao viabilizar a realização do Festival Varilux de Cinema Francês em Maringá, o objetivo é atender à demanda de um público diferenciado, apreciador de filme europeu em geral e que nem sempre se vê representado na grade comercial das estreias semanais.

O diretor de programação explica que, ainda que não compita financeiramente falando com a grade comercial dos blockbusters, o festival costuma atrair muita gente, tendo, inclusive, propiciado salas lotadas nos festivais de 2012 e 2013. “Na cidade, há muita gente que gosta de filme francês e que tem predileção pelo idioma”, diz.

“Acredito que a presença do festival na cidade ajuda muito na compreensão do ‘ser francês’, embora existam os riscos de se cair em alguns clichês”, considera o professor de francês Luigi Ricciardi. “Dá uma ótima oportunidade para os alunos terem a língua francesa mais presente no dia a dia deles.”

Ricciardi conta que, nos festivais passados, transferiu as suas aulas da escola para o cinema. Após todos terem assistido aos filmes, voltam para a sala para discutirem a obra. “Gosto da variedade de gêneros que o festival propõe e também a preferência de passar filmes do ano, pois sempre que se pensa em França, vamos à Belle Époque ou aos anos 1960 com os filmes de Godard e de Truffaut. Eu gosto dos dois, sobretudo do primeiro, mas precisamos conhecer mais. O cinema francês não é só isso.”

Indicações
Como em anos anteriores, o jornalista e crítico de cinema maringaense Elton Telles está ansioso para “consumir” o Varilux de Cinema Francês. Para este ano, opina ele, alguns filmes merecem atenção especial.

“Da programação deste ano, destacaria três filmes. O primeiro deles é a comédia ‘Eu, Mamãe e os Meninos’, grande vencedor do César (o Oscar francês) e que tem sido comparado aos primeiros trabalhos de Woody Allen. Para quem gosta de dramas, ‘O Passado’, de Asghar Farhadi, é uma boa recomendação. É do mesmo diretor de ‘A Separação’, aquele iraniano que ganhou o Oscar de Filme Estrangeiro. Outro bacana é ‘Uma Relação Delicada’, nova parceria da diretora Catherine Breillat com a atriz Isabelle Huppert – musa do festival nesta edição e que vem para o Brasil promover o evento.”

PROGRAMAÇÃO
No site: http://variluxcinefrances.com/

Reportagem publicada nesta quinta-feira (11) no caderno Cultura, do jornal O Diário do Norte do Paraná

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Jorge Vercillo entre nós

NO CALIL. Jorge Vercillo: músico e compositor carioca finalmente faz shows no Paraná; amanhã, às 20h, tem horário marcado no Teatro Calil Haddad. —FOTO: DIVULGAÇÃO

NO CALIL. Jorge Vercillo: músico e compositor carioca finalmente faz shows no Paraná; amanhã, às 20h, tem horário marcado no Teatro Calil Haddad. —FOTO: DIVULGAÇÃO

Por Wilame Prado

Músico carioca faz bate-papo, sessão de autógrafo e show na cidade entre hoje e amanhã

Compositor, que não gosta de ser chamado de romântico, comemora 20 anos de carreira

Não se surpreenda se, entre hoje e amanhã, estiver fazendo a sua caminhada no Parque do Ingá e se deparar com Jorge Vercillo em pessoa, buscando um contato maior com a riqueza arbórea maringaense.

O músico e compositor carioca de 45 anos, que faz show amanhã no Teatro Calil Haddad em comemoração aos 20 anos de carreira, disse, em entrevista por telefone ao Diário, fazer questão de, sempre que possível, aproximar-se da natureza nas cidades por onde passa, praticando ecoturismo. “Quando passo pelas cidades e sei que tenho um ‘day off’, procuro visitar um lugar bonito, gosto de andar, conhecer bosques, lagoas. Quando estou com meus filhos, gostamos de subir na árvore para conversar. A árvore nos passa a energia telúrica”, conta.

Ao marcar três compromissos de uma só vez na cidade – além do show de amanhã, ele faz hoje um bate-papo e sessão de autógrafos – Vercillo tira o atraso na região Sul, onde, confessa, toca muito pouco. “Sempre quisemos tocar no Sul, mas não havia muitas propostas de contratantes. Então, decidi, em 2014, por minha conta, que faria mais shows por aqui. Chegaram a me perguntar uma vez se eu tinha ódio do Paraná. E não é nada disso”, afirmou o músico, diretamente de um hotel curitibano, onde participava de campanhas de divulgação para o show do próximo sábado, na capital.

Na entrevista, Jorge Vercillo surpreende: renega o carimbo de cantor romântico, diz que as comparações com Djavan já deveriam ter ficado para trás e afirma que shows apresentados em teatro são os seus preferidos.

O DIÁRIO Qual a diferença de subir ao palco pela primeira vez de um show comemorativo dos 20 anos de carreira?
JORGE VERCILLO
Com certeza a gente fica mais à vontade. O tempo tem sido bem generoso comigo, tenho uma saúde de garoto, jogo bola, ando de bicicleta com meus filhos, não me imaginava, aos 45, tendo essa energia de garoto. Isso se reflete no palco, e o público gosta da intensidade e da entrega nos shows. Dia desses, num show em SP, num momento ‘banquinho e violão’, fechei os olhos para me lembrar de uma música lado B do meu repertório e, quando notei, estava tocando como se estivesse no meu quarto, esqueci que estava no palco, estava intenso, e isso é graças ao tempo.

Fará um show mais voz e violão em Maringá? E o setlist?
Não. Somos um quarteto, o que permite, mesmo assim, mostrar mais o meu trabalho no violão e na voz. Gosto muito quando o meu violão dialoga com a percuteria (um híbrido entre bateria e percussão), que fica a cargo do grande baterista Cláudio Infante. No baixo, toca André Leiva, nosso diretor musical; Misael da Hora, filho do Rildo Hora, assume os teclados. Sobre o setlist, vasculhei meu balaio e temos apresentado algo mais abrangente, e tocamos “Encontro das Águas”, “Ela Une Todas as Coisas”, “Homem-Aranha”,e outras mais ritmadas, como “Devaneio” e “Melhor Lugar”. É um show com sucessos, mas com um lado conceitual e hermético, a exemplo da música antiga “Avesso”, que poucos conhecem e que o grupo GLS abraçou pois se reconhece na história.

Gosta dos shows em teatros?
Penso que o melhor show que eu posso fazer é dentro de um teatro. Porque as pessoas não estão bebendo nem esperando um tempão para começar. Essa prática de deixar o pessoal consumindo bebidas para um show começar depois da meia-noite passa uma energia que não tem a ver comigo. Meu lance é outro, meu público é família pra caramba. Mas, mesmo no teatro, no meio do show, começo a provocar a plateia, chamo todo mundo lá pra frente, a gente faz uma bagunça boa, mas saudável, aquilo ali vira uma pista de dança.

Quais os diferenciais do disco “Luar de Sol” (2013), que ganhou o prêmio Grammy Latino como “Melhor Álbum de MPB”?
Um trabalho premiado, ou seja, que vende muito pouco ou quase nada. As pessoas estão buscando mais entretenimento do que cultura. É um trabalho mais hermético, em que procuro passar mais conhecimento por meio da música, um conhecimento que veio através da arte. Talvez seja um disco que, de certa maneira, encerra um ciclo que vinha trabalhando no abuso de uma sonoridade mais acústica, evidenciando mais o samba, a MPB, iniciado com “Todos Nós Somos Um”, disco de 2007 que tem a participação de Marcos Valle. Cheguei a gravar músicas com orquestras de corda, cheguei a ter violinistas na banda. Agora, numa tentativa de me aproximar mais do público jovem, tenho mudado um pouco isso, e começo a apostar, já nessa turnê dos 20 anos, num diálogo com o timbre eletrônico, com a coisa dos loops, timbres sintetizados, com mais DJs e teclados.

A comparação com o Djavan ainda o incomoda?
Ficarem batendo nessa tecla, após 20 anos de carreira, é inadequado. Não vou deixar que a minha obra seja influenciada pela opinião dos outros. Até poderia ter fugido musicalmente dessa influência para agradar a crítica, mas preferi manter minha personalidade ainda mais sabendo que tenho influência, sim, de Djavan, como tenho também de Steve Wonder, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento e Claudio Cartier. Num balanço desses 20 anos de carreira, concluo que sou um artista híbrido e que graças a isso tenho sucesso. Nós já fizemos tudo ou quase tudo nessa terceira dimensão, já não é mais possível haver um pilar de originalidade, quando misturo jazz e música árabe já estou sendo híbrido. Quando os idiotas acham que estou imitando o Djavan, posso dizer que ele é um pilar e que estou sendo eu. Caetano e Gil inauguraram um novo jeito de se fazer música no Brasil, assim como Djavan também.

Tem ideia de quantas composições já fez?
Estou tomando birra de análise quantitativa. Não me lembro quantas músicas fiz, meu público criou um laço com o conjunto da minha obra e isso é mais importante. Mas cito uma música importante para mim: “Face de Narciso”, tema da novela “Flor do Caribe”. Na letra, contesto o mito do amor romântico. Nós mesmos, artistas, vivemos de músicas românticas, vendendo esse sonho da paixão, mas essa letra quebra completamente com isso. Meu trabalho maior é de questionar, de desarrumar e não acomodar. O amor é um ator de consciência maior, que respeita todas as formas de vida. Amor é muito mais abrangente do que ‘beijinho beijinho e tchau tchau’.

Então, não é um romântico que acredita no “final feliz”?
Chegou num ponto importante. Sou muito mais transgressor do que um romântico no sentido que as pessoas esperam. Em meu principal sucesso, que me projetou para o Brasil, quando digo que “nada vai me fazer desistir de amor”, estou falando de todo esse amor maior. Dedico toda a minha arte para o conhecimento extraterrestre, em um recondicionamento de você se ver como um ser humano universal e como parte de um todo, algo que tem a ver com a evolução ética e moral enquanto um ser humano no desenvolvimento do planeta Terra. Eu não gosto quando sou chamado de romântico, dá a impressão de ser algo relacionado à paixão superficial e possessiva, relacionado a coisas que protesto.

ROTEIRO
20 ANOS DE JORGE VERCILLO
Quando: amanhã
Onde: Teatro Calil Haddad
Horário: 20h
Preço R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia)
Pontos de venda: Livrarias Curitiba (Maringá Park Shopping e Shopping Catuaí) e aloingressos.com.br

Bate-papo com o músico
Quando: hoje, às 18h, no Calil

Sessão de autógrafos e fotos
Quando: hoje, às 19h30, nas Livrarias Curitiba (Maringá Park Shopping)

*Reportagem publicada nesta quarta-feira (10) no caderno Cultura, do jornal O Diário do Norte do Paraná
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Dobradinha de títulos ou anotações sobre duas finais na TV

Por Wilame Prado

-Domingo de finais: Ituano Futebol Clube x Santos Futebol Clube; e Londrina Esporte Clube x Maringá Futebol Clube. Anoto no caderninho.

-Opto pelo time do coração.

-Mas gritos dos vizinhos me obrigam a mudar o canal: tiro da final do Campeonato Paulista para a final do Campeonato Paranaense.

-Se Londrina x Maringá estão merecidamente na final pela bola jogada, isso não repercute nos estádios. O que é pior? O pasto do Estádio do Café ou os postes andrógenos de iluminação no Estádio Regional Willie Davids?

-Penso no dilema dominical para os santistas que torcem para o Maringá e para os maringaenses que torcem para o Santos: Band ou Globo? Paraná ou São Paulo? Pizza ou dogão?

-Em Maringá e região, a torcida do Santos é a segunda maior. O fato foi revelado pela Paraná Pesquisa, em dezembro de 2012. Na região, 10% se declararam santistas. Em Maringá, 12,4%.

-O Santos de Oswaldo de Oliveira parece ser um time que tem perfil tático definido, jogadas ensaiadas e ofensividade desavergonhada: no escrete alvinegro praiano, 20 atletas selecionados para a final, sendo sete atacantes, ou 35% do total. Nos 90 minutos, seis deles tiveram o privilégio de vestir o manto dentro das quatro linhas, mas nenhum transformou em gol as parcas chances do time santista.

-Ao contrário do bom defensor Ituano – que nem pode ser chamado de retranqueiro porque marca bem, mas toca bem a bola no ataque também –, time responsável por um dos gols mais bonitos do Campeonato Paulista, com a triangulação a la Barcelona envolvendo Jackson, Esquerdinha e Cristian. Para poucos, aquela calma do camisa 10 da cidade onde tudo é grande. Para poucos, a precisão do chute daquele que poderá ter sido o autor do gol do título paulista.

-O barulho da bola fogueteando a rede lateral do gol defendido por Aranha ensurdeceu santistas de toda a nação, em especial os santistas torcedores do Maringá FC, que imediatamente trocaram de canal.

-Preocupo-me com o que vejo em outro canal: 1×0 para o Tubarão londrinense. Mais uma ou duas zapeadas nos canais, e o Maringá FC, que deverá ser eternizado como a Zebra no jogo dos animais que simbolizam times de futebol (parecemos crianças, não?), empata bravamente a partida. Daquele jeito mesmo: com o Cristiano, aos trancos e com a raça insuperável, caindo, levantando e chutando forte para o gol e com um Gabriel Barcos, oportunista como um pirata, estufando as redes do adversário.

-O segundo tempo entre Ituano x Santos, prefiro não comentar. Nada de muito importante aconteceu, a não ser um chapéu pomposo de Jackson, do time de Itu, para cima de Gabriel, do time de Santos. O alvinegro praiano perdeu, na bola e na tática, e terá uma semana inteira para esfriar a cabeça e pensar numa fórmula capaz de furar o esquema defensivo do Ituano. Não será fácil.

-O destaque, em se tratando de segundo tempo, fica mesmo no outro canal, no jogo bem mais próximo, disputado em Londrina, a 100 quilômetros daqui. E por falar em distâncias, foi de muito longe o canhão executado pelo meia Baiano – reserva sempre pronto para assumir o front no campo de batalha – e que calou os mais de 20 mil londrinenses empatando o clássico.

-Em se tratando de pescaria, o mar não foi para peixe neste domingo de final de campeonato ao quadrado. O Tubarão saiu mansinho do Estádio do Café, e a Zebra mais forte que nunca. Já a Baleia ficou pequena frente à grandeza dos ituanos.

-Muitos querem, seja nos arredores do Willie Davids, seja nas proximidades do Pacaembu, comer sardinha no almoço do próximo domingo. Então prevejo: os santistas torcedores do Maringá FC e os maringaenses fanáticos pelo Santos Futebol Clube ficam indecisos quanto ao cardápio, mas continuam otimistas e resolvem pedir dobradinha para o garçom, na panela uma mistura de conquistas – metade Paulistão e metade Paranaense.

*Crônica publicada terça-feira (8) na coluna Crônico, no caderno Cultura (O Diário do Norte do Paraná)

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Jorge Pedro: 25 horas/dia

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O TEMPO NÃO PARA. Jorge Pedro ao lado de “Ampulheta”, uma das 17 obras expostas em “Ad Tempora”, no Museu Unicesumar; peças foram doadas ao museu. —FOTO: JOÃO CLÁUDIO FRAGOSO

Por Wilame Prado

Após cinco anos, exposição “Ad Tempora” é repensada e reinaugurada no Museu Unicesumar

Artista reflete sobre o tempo – ou a falta dele – em obras feitas com relógios e madeira de demolição

Jorge Pedro queria que seu dia tivesse 25 horas, e alega: o tempo passa rápido demais, independentemente do ofício. “Já fiz muita coisa nessa vida. Fui comprador de indústria em SP, bancário, e me aposentei como funcionário público do Estado do Mato Grosso. Tive que picar ponto várias vezes. E, fazendo esses serviços ou em minha atividade artística, é sempre o mesmo desespero; estou sempre querendo as 25 horas.”

O artista nascido em Peabiru e radicado em Maringá recorda-se da idade para evitar falar sobre uma possível hora preferida do dia: “Acho que, no meu caso, quase chegando aos 60 (tem 58 anos), a gente adora mesmo é a hora que não passa. As que passam marcam o fim do nosso tempo”, reflete o autor de “Ad Tempora”, exposição reinaugurada na última sexta-feira, no museu da Unicesumar, e que fica aberta até 30 de abril, com entrada franca.

Em 2009, “Ad Tempora” ficou exposta no Teatro Calil Haddad. Agora, no museu, retorna mais enxuta – 25 contra 17 peças – e, segundo o próprio Jorge Pedro, com um objetivo em especial: aproximar a sua arte da academia. Depois do período da exposição, as obras do artista – feitas com a técnica de assemblage (junção de vários materiais), utilizando-se de madeiras de demolição e engrenagens antigas de relógios – serão doadas para o museu.

“Ficou o desejo de levar essas obras para dentro de um ambiente acadêmico. Nas mãos de uma instituição que tem um Departamento de arte, acredito haver uma discussão filosófica acadêmica em torno das obras. Além disso, com as 25 horas diárias produzindo (risos), chega uma hora em que há um acúmulo e fica difícil, fisicamente, guardar. Mesmo tendo o meu espaço, lá na chácara, na Zona 4, está faltando espaço”, explica Jorge Pedro.

Loide Caetano, diretora do Museu Unicesumar, afirma que abrir o espaço para as obras de Jorge Pedro é uma forma de valorizar o artista maringaense. “Escolhemos ‘Ad Tempora’ porque somos um museu histórico e a exposição faz alusão ao tempo, serve como uma analogia aos acontecimentos que marcam a história”, diz.

E se o artista esconde a hora preferida, pelo menos na exposição ele elenca, com detalhes nas obras, horários que ficaram eternizados no tempo da história da humanidade e da arte.

Os ponteiros de um dos relógios de Jorge Pedro pararam precisamente às 8h15 para nos lembrarmos do exato momento em que uma bomba atômica caiu em Hiroshima, no Japão, em 6 de agosto de 1945.

Outro relógio na exposição está marcando “eternamente” as cinco de la tarde, hora da morte de Ignácio Sánchez Mejías, toureiro e amigo do escritor espanhol Federico García Lorca homenageado no poema “Llanto”.

Uma das principais obras da exposição não traz apenas um e sim mais de cem relógios que remetem ao inevitável passar do tempo representado pelos ponteiros. Em “Tempurá”, os relógios estão todos dentro de uma tigela, imersos num líquido que representa o shoyu.

A história do tempurá – fritura típica da culinária japonesa – está ligada ao período da Quaresma, quando os religiosos católicos faziam jejum de carne vermelha. E “Quaresma”, em latim, significa: “Ad Tempora Quadragesimae”.

“É uma instalação temática, simples, sintética e importante”, finaliza Jorge Pedro, que, para a gentileza da entrevista por telefone, acabou perdendo a hora e a fila no banco onde pretendia pagar contas. O tempo, realmente, não para.

PARA VER
AD TEMPORA
Artista: Jorge Pedro
Quando: até 30 de abril
Onde: Museu Unicesumar
No campus da Unicesumar
Horários:
De segunda a sexta, das 8h30 às 12h15 e das 14h às 17h45
Aos sábados, das 10h às 16h
Entrada franca

*Reportagem publicada domingo (6) no caderno Cultura, do jornal O Diário do Norte do Paraná

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Com a arte e a coragem II*

HISTÓRIA. Reunião de cineclubistas de Maringá na sede da União Maringaense de Estudantes Secundaristas: na foto, José Gil de Almeida e Ademir Demarchi. —FOTO: ARQUIVO PESSOAL

HISTÓRIA. Reunião de cineclubistas de Maringá na sede da União Maringaense de Estudantes Secundaristas: na foto, José Gil de Almeida e Ademir Demarchi. —FOTO: ARQUIVO PESSOAL

(*) Continuação da reportagem de ontem, sobre manifestações culturais em Maringá na época da ditadura

Por Wilame Prado

Cineclubismo, movimento que permitiu o acesso a filmes que não entravam em cartaz e que foi alternativa para se discutir política em plena ditadura, teve forte representação em Maringá nos 1970 e 80

Em depoimento para o documentário “Cineclubismo – Resistência na Ditadura”, o crítico de cinema Jean-Claude Bernardet revela que, nos anos 1970, o cineclubismo se tornou uma das únicas alternativas para se debater política num País assolado pela ditadura e repressão militar, após o golpe de 31 de março de 1964, data marcante na história política do Brasil e que esta semana completou 50 anos.

Bernardet explica que, mais do que excelentes alternativas para entretenimento, programação e debate envolvendo a sétima arte, os cineclubes se tornaram áreas para a discussão política. E seguindo a onda do cineclubismo em diferentes lugares do País, em especial em São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Campinas (SP) e outras cidades do Nordeste, criou-se, em meados de 1974, o Cineclube Maringá, que viria a ser um dos mais ativos do Estado graças à energia de seus participantes, em especial a do então funcionário do extinto Banestado José Gil de Almeida, que mais tarde viria a ser presidente do cineclube.

Conforme evidencia Gil de Almeida demais participantes, pelo menos dois fatores fizeram do Cineclube Maringá algo um tanto mais ousado, comparado a outros cineclubes formados na década de 70: as cidades menores e do interior eram menos vigiadas pelos censores da ditadura e o grupo de apreciadores de cinema local era “protegido” pelo time de advogados – e também cinéfilos – Horácio Raccanello, Laércio Souto Maior, José Raccanello e José Cícero.

Mesmo assim, relembra Gilde Almeida – preso apenas uma vez por ter pichado “Abaixo a Ditadura” num muro em Maringá –, havia perseguição na cidade por conta das atividades envolvendo o cineclube local. “A casa de um integrante foi metralhada e outro foi ameaçado por um agente do Destacamento de Operações de Informações/Centro de Operações de Defesa Interna (DOI/Codi) durante uma manifestação na Praça Raposo Tavares, em plena luz do dia”, contou Gil de Almeida em entrevista ao Diário em 2008, quando lançou o livro “A História do Movimento Cineclubista no Paraná”.

O professor aposentado da UEM José Tarcísio Pires Trindade diz ter sido membro do Cineclube Maringá durante pouco mais de um ano. Tempo suficiente, segundo ele, para entender o quanto foi importante o movimento cineclubista e a atividade das cinematecas no País em pleno regime militar. “Os filmes chegavam por malote de cinematecas de São Paulo e de Campinas. Muitas vezes, conseguíamos os filmes em embaixadas também”, recorda-se.

Segundo ele, muitos filmes bons – e não apenas do cinema alternativo – nem sequer entravam na programação comercial dos cinemas de rua de Maringá, dentre eles o Cine Teatro Plaza, o Cine Maringá, Cine Horizonte e o Cine Pedutti. “Lembro-me de ter visto, pelo Cineclube Maringá, dois clássicos do cinema mundial: ‘Encouraçado Potemkin’ [do russo Sergei Eisenstein] e ‘Cidadão Kane’ [do norte-americano Orfson Welles”, conta ele, destacando a importância que tinham as discussões após a exibição dos filmes para a formação de opinião e conhecimento sobre a arte do cinema. “Fazíamos uma espécie de boletim, falando sobre o filme que iria ser exibido e com outros artigos sobre cinema, algumas vezes com críticas a filmes que estavam no circuito comercial, como esteve, por exemplo, ‘Vai Trabalhar, Vagabundo’ [do brasileiro Hugo Carvana]. Distribuímos na UEM, em colégios e para os frequentadores do cineclube”, diz Trindade.

Gênese do PT
O historiador da Gerência de Patrimônio Histórico de Maringá João Laércio Lopes Leal lembra que, ao lado do teatro, o movimento do cineclubismo na cidade foi declaradamente de esquerda. “Era um núcleo de resistência cultural ativo, com uma postura abertamente contrária à ditadura”, diz. O professor e pesquisador da UEM Reginaldo Dias, doutor em História Política, diz que, entre os integrantes do Cineclube Maringá estavam alguns dos futuros fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT) na cidade.

Um deles foi o maringaense radicado em Santos (SP) Ademir Demarchi, poeta e cronista do caderno Cultura. Gil de Almeida, que atualmente mantém o Jornal Água Verde em Curitiba, lembra que, no início do Cineclube Maringá, havia apenas um projetor 16 mm e que, inúmeras vezes, foi transportado na garupa da bicicleta de Demarchi. “As primeiras exibições foram em escolas públicas e particulares da cidade, seguidas de debates sobre o cinema e política nacional. Algumas escolas só permitiram uma vez a entrada do cineclube, preocupados com as repercussões políticas que desagradavam as autoridades”, conta Gil de Almeida.

Federação
Na década de 1980, com o enfraquecimento dos militares no governo, as atividades no cineclube da cidade e em outras regiões do Estado foram mantidas, contando com o empenho de outros cinéfilos como o jornalista e professor Paulo Petrini e o advogado e hoje delegado de polícia Jun Sukekava.

O primeiro Encontro de Cineclubes do Paraná foi realizado em 26 de maio de 1985, em Curitiba, e por determinação do encontro estadual, foi fundada a Federação Paranaense de Cineclubes. José Gil de Almeida foi presidente do Cineclube de Maringá de 1981 a 1984, coordenador estadual da Federação Paranaense de Cineclubes de 1985 a 1990, tendo em 1986 ocupado, simultaneamente, a presidência do Conselho Nacional de Cineclubes.

*Reportagem publicada quinta-feira (3) no caderno Cultura, do jornal O Diário do Norte do Paraná

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