Mês: maio 2014



Coisas de Marco Cremasco

TRIO. Cremasco: professor universitário e poeta nascido e criado na região,completa sua trilogia poética do despojamento

TRIO. Cremasco: professor universitário e poeta nascido e criado na região,completa sua trilogia poética do despojamento

Por Wilame Prado

Escritor e professor de Guaraci (PR), radicado em Campinas, lança hoje livro de poesia em São Paulo

“As Coisas de João Flores” reúne poemas curtos sobre a natureza, simplicidade e dualidade caipira/urbano

Com o lançamento do livro de poesia “As Coisas de João Flores”, marcado para hoje em São Paulo, o escritor nascido em Guaraci (a 70 quilômetros de Maringá) e radicado em Campinas Marco Cremasco finaliza aquilo que chama de “trilogia poética da simplicidade e do despojamento”. Antes, havia publicado, com edição própria, “Viola Caipira” (1995) e “FromIndiana” (2000).

Cremasco, o primeiro vencedor do Prêmio Sesc de Literatura com o romance “Santo Reis da Luz Divina” (Record, 2004, finalista do Prêmio Jabuti em 2005), apresenta em seu mais novo livro uma série de poemas curtos – com três a seis versos, em sua maioria – que revelam o universo simples, lírico, aproximado da natureza e cheio de dubiedade (caipira/urbano) do personagem João Flores. “A trilogia aponta para uma poética governada pela simplicidade do texto, o apego à imagem e à sensação que a palavra possa provocar no outro”, define o autor, em entrevista por e-mail.

O livro tem prefácio do escritor Ademir Demarchi e posfácio de Carlos Vogt, poeta e ex-reitor da Unicamp. É dividido em capítulos, pensados para explicar diferentes “fases” da vida de Flores. “A ideia foi a de escrever um livro de poemas que se pode ler aleatoriamente ou até mesmo, o livro, como um longo poema, dividido em seções. Em cada uma predomina uma determinada temática”, diz. A obra é dividida em seis capítulos que, por meio dos poemas, falam da própria poesia, identidade, reflexão sobre a vida, contato com a natureza, amadurecimento e finalmente sobre o amor de João Flores.

Flores e Cremasco
Flores, conforme explica o autor, é um personagem criado para o seu livro de contos “Histórias Prováveis” (Record, 2007) e que não saía de sua cabeça. Flores, na verdade, é também o próprio Cremasco, nem tanto o professor titular de Engenharia Química na Unicamp, e sim o garoto que nasceu e morou nas pequenas cidades interioranas paranaenses de Guaraci e Santa Fé, e que, depois, veio para Maringá estudar e se formar na UEM.

Segundo Cremasco, vem desse período em que morou aqui na região os primeiros impulsos literários, época importante para ele ter continuado até hoje, mesmo atuando profissionalmente em outra área, exercendo a atividade de escritor. Foi em Maringá que ele publicou o seu primeiro livro, antes de ir para São Paulo exercer a docência em área distinta da literatura. O hoje considerado cult e pouco acessado “Vampisales” saiu pela editora da UEM em 1984, quando ainda estudava na universidade.

“A literatura vem bem antes de eu ser professor. Resulta da época, em que, eu guri em Guaraci, dava pitacos nos roteiros do Carlão para apresentações teatrais em Dia das Mães, dos Pais e outras datas comemorativas. Resulta, também, do incentivo da professora de português que provocava os alunos a criarem histórias, inventar. Até que um dia de 1979, já em Santa Fé, atrevi-me a mandar um poema à Folha de Londrina e, na semana seguinte, vê-lo publicado, e meses depois ouvir o professor Tadeu França lê-lo em sala de aula, no Colégio Alfa, em Maringá.”

Cremasco conta que foram necessários 14 anos para finalizar a trilogia poética. O longo tempo, explica, vem do esmero no texto, já que os temas abordados nos poemas surgiram quase que naturalmente por meio do olhar e da lembrança de uma época boa, vivendo como um legítimo pé-vermelho. “Os poemas nasceram da sensação e da observação de situações do cotidiano. A preocupação com a escrita, sim, esta é quem demanda tempo, pois um poema não traduz – necessariamente – o que está grafado, mas o que tem a dizer.”

E exemplifica: “Resgato ‘Sutil’, um dos poemas de ‘As Coisas de João Flores’: nas entrelinhas/escrevia palavrões/com palavrinhas.”

Guaraci
Para o escritor, a literatura, e principalmente a poesia, foi a alternativa encontrada por alguém que “sofreu” com a necessidade de sair da própria terra – Guaraci, uma cidadela com 4 mil habitantes – para chegar até a cidade grande e todos os seus milhões de moradores (Rio de Janeiro para fazer mestrado e, depois, Campinas). “Esta experiência de vida acaba por traduzir-se em poesia.”

E se, tal qual João Flores, Cremasco ainda não pode se dar ao luxo de caminhar por um jardim onde tudo são flores, vai vivendo calmamente ao lado da mulher, a fotógrafa Solange Cremasco, voltando, sempre que possível, para a região. Em julho, conta ele, virá a Maringá participar de uma banca de trabalhos acadêmicos na UEM e certamente dará uma passada ali pelos lados de Guaraci, logo depois de Santa Fé, após a ponte do rio Bandeirantes.

“Estou fora de Guaraci há quase 40 anos. Cresci como qualquer menino pé-vermelho, correndo atrás de bola de futebol, nadando em riachos e, claro, furtando mangas, goiabas e jabuticabas nos sítios da redondeza. Zanzava pela cidade, entrava nas casas sem ser convidado, além de ser considerado fujão. Raro o dia em que eu não ouvia, no serviço de alto-falante do cinema da cidade, ‘Marquinho, volte pra casa!’ Então eu volto pra casa quando me sinto só. Guaraci está presente, de certa maneira, em ‘As coisas de João Flores'”, diz.

Capa_As coisas de João FloresESTANTE
AS COISAS DE JOÃO FLORES
Autor: Marco Cremasco
Editora: Patuá
Número de páginas: 132
Preço: R$ 35 + frete
Lançamento: hoje
Onde: Bar Canto Madalena
Endereço: Rua Medeiros de Albuquerque, 471, São Paulo-SP
Compre no site: www.editorapatua.com.br

ISTO É MARCO CREMASCO

TRAVESSIA

quieto
observo paisagens

silêncio quebrado
por um poema
pedindo passagem

***

A IDADE DO SOL

meus versos são fáceis
verdes feito pé de alface

caso algum amareleça
aguardo (na face)

que o sol amadureça

***

PULSAR

os dedos acariciam
nuvens

pasto apenas

a face é uma das crateras
da lua

acolho cicatrizes

o corpo insiste procriar
estrelas

engravido de outro poema

*Reportagem publicada neste sábado (24) no caderno Cultura, do jornal O Diário do Norte do Paraná

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Dinheiro não compra a metafísica do futebol

Por Wilame Prado

Futebol tem dessas coisas. E é por isso que é mágico. É por isso que deve ser respeitado, goste-se ou não do esporte bretão responsável pela emoção de milhões de torcedores pelo mundo afora, e duelado, em média, duas vezes por semana, ou, como diz o técnico Muricy Ramalho, jogado quarta e domingo quarta e domingo quarta e domingo.

O Figueirense é um horrível time, um “catado” de Santa Catarina e que fatalmente cairá para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro no final deste 2014. Sei disso. Sei da ausência de qualidade do time catarinense. Vi, com meus próprios olhos, Figueirense 0 x 2 Santos domingo retrasado, em jogo disputado no péssimo gramado do Estádio do Café, em Londrina. Admitamos, pois: o Peixe está devendo futebol desde que perdeu o estadual para o Ituano, mas perder para o fraquíssimo Figueira, aí seria demais.

O time de Florianópolis colecionava quatro derrotas e zero gol, em quatro jogos, quando chegou, anteontem, à monumental Arena Corinthians para enfrentar o dono do estádio Padrão Fifa em jogo válido pela quinta rodada do nacional. Os barriga-verdes foram para não perder de W.O. Foram para cumprir tabela. Foram para evitar, ao menos, um vexame maior. E saíram vitoriosos. Um a zero para o azarão. E fim de papo, ficou para história: lembraremos para sempre que, na inauguração do estádio de abertura da Copa do Mundo Fifa 2014, plantado graças a muita grana vinda nem sei de onde na zona leste de São Paulo-SP, o Corinthians perdeu.

Mas, que loucura: era derrota na certa para o Figueira. Por lá, o primeiro jogo de um time que, por mais de 100 anos, esperou para ter um estádio. Mas futebol tem dessas coisas, como sabemos. No mundo futebolístico, não há cavalo premiado para apostar. Não tem bilhete marcado, salvo exceções, quando resolvem comprar os juízes ou quando um time se presta a perder de propósito só para azucrinar rivais. Caso contrário – talvez tirando também aquele desastroso e arranjado França 3 x 0 Brasil na final da Copa do Mundo de 1998 –, futebol é imprevisível, é mágico e nos atiça a dizer o famoso slogan do cartão de crédito: “Existem coisas que o dinheiro não compra”.

Dinheiro não paga uma vitória e os gols de uma partida bem jogada. Dinheiro não paga o toque metafísico que há em diversas disputas entre as quatro linhas do gramado, quando Davi vence Golias, quando o mais fraco surpreende o mais forte, quando um jogador retorna de lesão, chega a sonhar com o tento da vitória e sacramenta o êxito para o seu time marcando um gol em chute cruzado nas redes de Cássio, no começo do segundo tempo. Estamos falando de Giovanni Augusto, o “craque da camisa número 10” do alvinegro catarinense, e que merecia uma placa. E, ainda que, com a arrecadação recorde no jogo graças aos 36.694 pagantes e o rendimento de R$ 3.029.801,70, dinheiro não paga o Figueirense vencendo o Corinthians em plena inauguração de seu estádio, após angustiante espera de 104 anos de um time por uma casa própria.

Mas, fora tudo isso, no fim das contas, passada a euforia envolvendo o jogo atípico, todos sabemos que muitas vitórias corintianas acontecerão naquele belo estádio e que, mais do que no Pacaembu, aquele bando de loucos gritará mais forte que nunca e continuará estimulando os jogadores a buscarem a vitória, custe o que custar. E como bem conheço tantos amigos corintianos, tenho certeza de que a derrota na inauguração da Arena Corinthians, no fundo, já era aguardada. Afinal, confessam-se sempre como sendo os maiores sofredores do futebol planetário.

*Crônica publicada terça-feira (20) na coluna Crônico, no caderno Cultura (O Diário do Norte do Paraná)

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Pesos do passado

Por Wilame Prado

Mais da metade do Brasil está acima do peso. Maringá também, segundo pesquisa realizada pela JGV em parceria com o Diário sobre o famoso Índice de Massa Corpórea (IMC). Na pesquisa, 54,2% dos entrevistados maringaenses apresentam sobrepeso ou obesidade. Eu estou acima do peso. Por baixo, uns sete quilos que precisam sumir de minha existência física para que eu não seja mais enquadrado como alguém pesado em excesso. Hora, então, de falar sobre o meu pai.

Era ele quem dizia que eu precisava comer mais, quando criança, para deixar de ser esquelético. Quando ele morreu, há sete anos, eu ainda era magro. O oposto de agora. Certamente, se tivesse medido meu IMC em 2007, o índice seria de magreza ou má-nutrição. Eu era um ser humano com a mesma altura, só que com 20 quilos a menos. Muitos desafios diários envolvendo estágio, faculdade, transporte coletivo e caminhadas. Não havia moto, não havia carro, não havia casamento e, sobretudo, não havia sequer dinheiro para almoçar direito.

Meu pai era gordo. Tinha as pernas finas e uma barriga enorme. Quando a vida ficou bem mais difícil para ele, emagreceu bastante. Mas a barriga nunca sumiu completamente. É estranho pensar sobre a imagem de um pai. Acho que sempre veremos nossos pais como fôssemos crianças e eles uns adultos enormes, cheios de razão, cheios de direitos para com você. Gigantescos. Mas como se apequenam os velhos pais deitados numa cama de hospital… a imagem das mais difíceis para um filho ver.

Ayrton Senna era magrinho. Pudemos ver diversas imagens dele nesses últimos dias. Chorei com rúculas (não estou de regime) na boca enquanto almoçava e assistia, ao mesmo tempo, imagens de um documentário sobre o piloto de Fórmula 1 que nos deixou há 20 anos. Senna parecia ser uma pessoa um tanto especial. Parecia ter urgência de viver, parecia saber que era um missionário e que a sua missão teria um prazo curto de validade. Ele morreu aos 34 anos sem deixar filhos, mas deixando inúmeros fãs e um enorme legado.

Em 1º de maio de 1994, com 8 anos de idade, dei uma dica para a minha família do que seria quando crescesse: jornalista. Sabia o quanto meu pai gostava do Ayrton Senna, e a minha grande missão naquele dia, pelo menos em minha cabeça, seria dar a notícia em primeira mão para ele. Ficaria contente, independentemente da morte do ídolo, quando revelasse a trágica notícia para o meu pai. Corri, então, rapidamente, as quadras que separavam minha casa da de um amigo, local onde havia ficado sabendo do desastre envolvendo o piloto. E, como sempre, meu pai não estava em casa. Nem me lembro do que aconteceu depois, se realmente cheguei a dar a notícia da morte do Ayrton Senna para alguém.

O tempo passou. O tempo passa bem rápido. E, tirando os pesos que costumam se acumular em nosso corpo, as coisas tendem a desaparecer. Os amigos, os ídolos e os nossos pais costumam ir embora, muitos deles para sempre. Há 20 anos, Senna morreu. Há sete anos, meu pai morreu, também em 1º de maio. As lágrimas, no final das contas, sempre cairão no prato de rúcula, assistindo a um documentário ou sentindo a ausência do pai, estando ele vivo ou não. Só que este ano fiz diferente, ou pelo menos quis pensar diferente: sete é um número forte, sete anos é tempo demais, e a data pode pressagiar (tudo depende do seu próprio pensar) novos tempos.

Inicio, então, as despedidas das sombras. A morte do pai fica no passado (essa história que escrevemos todos os dias, para nós mesmos), opto apenas pela vida dele, pela lembrança boa, pela saudade gostosa. Assim, quem sabe, consiga até me reencontrar com as vitórias seguindo os exemplos de determinação e força do nosso querido Ayrton Senna. A primeira batalha? Contra a balança.

*Crônica publicada nesta terça-feira (7) na coluna Crônico, no caderno Cultura (O Diário do Norte do Paraná)

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Os insetos também amam

PREMIADO. “O Malefício da Mariposa”, montagem da Ave Lola Espaço de Criação: insetos, amor, atores e bonecos. —FOTO: JOSÉ TEZZA

PREMIADO. “O Malefício da Mariposa”, montagem da Ave Lola Espaço de Criação: insetos, amor, atores e bonecos. —FOTO: JOSÉ TEZZA

Por Wilame Prado

l “O Malefício da Mariposa”, espetáculo curitibano premiado no Gralha Azul, estreia hoje na cidade

l Peça de García Lorca, em montagem da Ave Lola, fala das agruras do amor humano por meio da fábula

Não é fácil explicar o amor. Ainda mais quando se trata de um amor impossível. Para a tarefa, o poeta e dramaturgo espanhol Federico García Lorca usou, na década de 1920, a poesia e a fábula na peça “O Malefício da Mariposa”, tragicomédia que se apropria do universo de insetos para contar uma história sobre as dificuldades que os humanos têm em variadas manifestações amorosas.

O espetáculo, que ganhou montagem da curitibana Ave Lola Espaço de Criação, chega pela primeira vez a Maringá hoje, em apresentação única e com entrada franca no Teatro Barracão, às 20h30. O programa é uma atração do Convite ao Teatro, que distribui os ingressos na bilheteria do local meia hora antes do início.

A depender do currículo do espetáculo, recomenda-se chegar cedo para garantir lugar no Barracão – teatro de pequeno porte e que tem capacidade para pouco mais de 200 pessoas sentadas. É que “O Malefício da Mariposa”, espetáculo de estreia da Ave Lola e apresentado pela primeira vez há dois anos no Festival de Teatro de Curitiba, foi o grande vencedor do Troféu Gralha Azul 2012 com sete indicações e cinco troféus.

Revelaram-se como pontos positivos e devidamente premiados do espetáculo a direção, as atuações e a sonoplastia. Mas era grande o desafio com a montagem – Lorca teve um retumbante fracasso com a peça, que ficou apenas dois dias em cartaz.

A Ave Lola, mostrando no palco um trabalho elogiável de criação coletiva com três atores tendo de manejar bonecos-personagens, conseguiu fugir do caricaturismo ao encenar algo que, à primeira e errônea vista, parece se tratar de fábula da Disney e seus sentimentalismos: uma espécie de vida de insetos existencialistas. Nada disso, garante a diretora Ana Rosa Tezza, que também dá vida à Dr. Nigromântica – personagem que traça com a Dona Curiana (Janine de Campos) um eterno dilema: “Vale a pena ser poeta?”

No palco, além delas, Curianito (Val Salles) precisa encarar o drama e os perigos de se viver uma paixão proibida por uma mariposa. Isso tudo em figurinos e iluminação que, mesclando atores atuando e bonecos ganhando vida, proporcionam, segundo Ana Rosa, um espetáculo tocante, para um público de todas as idades. “Lorca dizia se tratar de uma ‘comedia rota’, uma comédia quebrada, uma tragédia, na verdade.O texto fala sobre a paixão e a busca do impossível. Pensar que insetos amam foi a metáfora encontrada para se distanciar e assim poder falar sobre o amor utópico, sobre o amor das pessoas também pela arte, pela poesia, pelo inalcançável”, diz a diretora.

AVE LOLA COLECIONA CONQUISTAS
Com apenas dois anos e meio de fundação, a Ave Lola Espaço de Criação já coleciona algumas conquistas que, segundo a diretora e atriz Ana Rosa Tezza, refletem o profissionalismo e a entrega para com a arte de todos os envolvidos na companhia.

“O Malefício da Mariposa”, espetáculo de estreia da Ave Lola e que chega pela primeira vez a Maringá hoje, foi indicado a sete categorias no Troféu Gralha Azul 2012 (premiação dos melhores do teatro paranaense), sendo premiado como Melhor Espetáculo, Melhor Direção, Melhor Ator, Melhor Atriz e Melhor Sonoplastia.

Situada no bairro São Francisco, em Curitiba, a companhia conta atualmente com 15 profissionais da área do teatro, música e audiovisual. O espaço, diz Ana Rosa, além de servir para os ensaios e estudos multidisciplinares pensando nas montagens cênicas, comporta também um pequeno teatro com capacidade para um público de 40 pessoas. Na semana passada, a Ave Lola encerrou no local a temporada de “Tchekhov”, segundo espetáculo da companhia inspirado no conto “Aniuta” do escritor russo.

GRÁTIS
O MALEFÍCIO DA MARIPOSA
Ave Lola Espaço de Criação
Direção: Ana Rosa Tezza
Dir. de Arte: Cristine Conde
Classificação: Livre
Duração: 70 minutos
Quando: sexta-feira, às 20h30
Onde: Teatro Barracão
Entrada franca

*Reportagem publicada quarta-feira (30) no caderno Cultura, do jornal O Diário do Norte do Paraná

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Sobe o som, mas com limites

NOITE. Cantora maringaense Najara Nogueira em apresentação ao vivo no Firula´s. —FOTO: DIVULGAÇÃO

NOITE. Cantora maringaense Najara Nogueira em apresentação ao vivo no Firula´s. —FOTO: DIVULGAÇÃO

l Câmara aprova projeto que regulamenta horários para a música em estabelecimentos comerciais

l Músicos e empresário ouvidos na reportagem aprovam lei, que deve ser sancionada em até 15 dias

Por Wilame Prado

A gente não quer só comida, e nem só bebida, como canta o Titãs. A gente quer comida e arte. Agora, a música, em horários e volumes aceitáveis, pode legalmente contribuir para um clima agradável em estabelecimentos comerciais enquanto se come uma pizza ou na roda de cerveja com amigos.

Foi aprovado pela Câmara Municipal, em sessão itinerante em Iguatemi na noite de terça-feira, em segunda e irrevogável discussão, o projeto dos vereadores Edson Luiz (PMN), Belino Bravin (PP), Adilson Cintra (PSB) e Mário Verri (PT) que regulamenta a execução de música ao vivo ou mecânica em bares, lanchonetes, restaurantes, pizzarias e cantinas maringaenses.

Com o projeto de lei, que deve ser sancionado pelo prefeito de Maringá, Roberto Pupin, em até 15 dias, a música poderá encher de alegria (ou não, depende da qualidade) os botecos e outros estabelecimentos mais (localizados no eixo comercial e que tenha alvará de licença) até as 23 horas de segunda a quinta-feira, além dos domingos, e até a meia-noite nas sextas, sábados e vésperas de feriados.

A partir desses horários, aqueles que quiserem continuar ouvindo música na noite maringaense precisará visitar as chamadas casas noturnas que têm isolamento acústico, algo necessário para garantir o som dentro do local sem incomodar a vizinhança.

O vereador Edson Luiz, um dos autores do projeto, comemora a aprovação na Câmara e afirma que o êxito na proposta se dá justamente pelo fato de ter sido algo amplamente discutido pela população antes das definições concretizadas na lei, que prevê, dentre outras questões, multa de R$ 2.500 para o estabelecimento que não respeitar os limites de horários e altura do som (55 decibéis).

“Foram mais de 250 pessoas envolvidas durante um mês de reuniões para que chegássemos a um consenso. Participaram representantes dos músicos, dos empresários e da população”, diz o vereador. “Resolvida essa questão, agora estamos aguardando o retorno da Patrulha do Som, serviço que deverá voltar a ser oferecido na cidade com a chegada das viaturas da Guarda Municipal e que também contribuirá para o silêncio e o respeito na cidade”, adianta.

Ronaldo Gravino, experiente músico que toca na noite maringaense há 26 anos e que representou, nas discussões, a Ordem dos Músicos do Brasil (OMB), afirma que a lei respeita o setor musical na cidade, que, segundo ele, tem mais dois mil músicos regulamentados na OMB.

Ele lembra que, principalmente em lanchonetes fora da região central da cidade, muitos músicos eram impedidos de mostrar seu som mais intimista para os habituais frequentadores do local porque em praticamente nenhum bar ou lanchonete nos bairros há qualquer tipo de projeto de isolamento acústico. “Agora eles podem tocar a violinha, fazer um som, tranquilamente até nos horários determinados”, diz.

Contente também com as determinações da lei, o empresário Rafael Cecato, do Firula Sport´s Bar, já pensa, agora, em esticar a programação de som ao vivo em seu estabelecimento. Nascido como proposta para quem curte ver jogos de futebol, o bar deverá oferecer nas grandiosas telas de TV a transmissão de jogos ao vivo e com áudio nas quartas-feiras e na tarde de domingo. Nos outros dias, diz ele, a música ao vivo será garantida.

“Todo mundo ganha na história. O empresário, o cliente, o músico e a vizinhança. Maringá tem um repertório vasto de músicos muito bons, o ambiente fica agradável. Continuaremos convidando músicos de qualidade, como Ronaldo Gravino, Silvio Pontes, Enéas e Tijolo, dentre outros, para tocarem na casa”, comenta Cecato.

Para o músico e produtor Paulinho Schoffen, a lei também poderá auxiliar numa mudança de hábito. Acostumado a sair bem tarde, os maringaenses que quiserem curtir um som ao vivo nos bares e lanchonetes devem se programar e, caso queiram esticar a noite, visitar os locais adequados para o som alto. “O bar e o músico tinham que se adequar ao horário do público. Já cheguei a começar a tocar à meia-noite (voz e violão). Claro que em caso de casas noturnas é diferente, é outra expectativa, nesses locais o público vai pra ficar até mais tarde mesmo.”

PENAS
SE ABUSAR DO SOM E DO HORÁRIO…

I – multa de R$ 2.500, aplicada em dobro no caso de reincidência
II – suspensão do alvará de licença pelo período de 30 dias, em caso de nova ocorrência
II – cassação do alvará de licença, se constatado a atividade comercial durante a suspensão do alvará de licença

*Reportagem publicada nesta quinta-feira (1º) no caderno Cultura, do jornal O Diário do Norte do Paraná

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