Woody Allen é o mesmo de sempre em ‘Magia ao Luar’

Colin Firth e Emma Stone em cena de "Magia ao Luar": ceticismo colocado à prova

Colin Firth e Emma Stone em cena de “Magia ao Luar”: ceticismo colocado à prova

Por Wilame Prado

Woody Allen continua o mesmo em “Magia ao Luar”, filme em cartaz em Maringá: focado nos imensos diálogos entre personagens inteligentes e sarcásticos, atento na criação de cenários e figurinos fidedignos a uma época cuja trilha sonora é o jazz e extremamente conciso em sua sequência fílmica que, via de regra, costuma ter a duração de uma hora e meia.

A comédia romântica, como em quase todas as comédias de Allen, é para poucas risadas, nesse caso dedicadas ao azedume de Stanley, mágico que se veste de chinês e desmascarador de charlatões bem interpretado por Colin Firth – vencedor do Oscar em “O Discurso do Rei”. Ele divide a maior parte das cenas na Riviera Francesa dos anos 1920 com Sophie (Emma Stone), jovem norte-americana que se passa por médium na propriedade de uma família milionária inglesa.

No filme estão em jogo as questões entre razão e emoção, ciência e religião, real e metafísico. Para isso, Allen tem o suporte narrativo da história do mágico cético e da bela garota que se diz medium. A história de amor (como de praxe no universo de Allen, entre uma garota mais nova com um homem mais velho) é pouco ou quase nada explorada. O humor fica mesmo na sinceridade crua e amarga de Stanley no trato com as pessoas e no seu declarado amor-próprio, e também nas cenas pitorescas do jovem apaixonado Brice (Hamish Linklater), em sofríveis serenatas dedicadas a Sophie com seu ukelele desafinado em mãos.

Por fim, tem-se uma sugestão suavizada, leve e delicada para se pensar no dualismo entre crença e ceticismo. “Magia ao Luar” não encanta, não enche os olhos, mas é bem articulado por Allen, que não sai de sua própria cartilha. Sem ousar em nada, parece estar ciente de que alcançou a fórmula certa para um filme que não comprometerá o seu posto de diretor cultuado. Até a cena que pudesse ser pensada como a principal do filme – a dos dois protagonistas vendo a lua num planetário – é ligeira e preguiçosamente escasseada de qualquer aprofundamento.

Também, como em quase todos os longas em que resolve não dar para si o papel principal, é impossível não imaginar em Stanley o próprio diretor, em suas típicas rabugices e questionamentos filosóficos. Culpa da direção e não do ator Colin Firth, que parece ter se esforçado para que “Magia ao Luar” não ficasse chato.

CARTAZ
MAGIA AO LUAR
Direção: Woody Allen
Duração: 1h38min.
Classificação: 12 anos

*Comentário publicado nesta terça-feira (23) no caderno Cultura, do jornal O Diário do Norte do Paraná

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