Mês: outubro 2014



Incansável Hermeto Pascoal

hermeto

Música ruim é igual ebola, é a ebola da alma. E as pessoas estão cuidando do corpo e se esquecendo da alma – Hermeto Pascoal

Por Wilame Prado

“…sua obra é um legado antológico de criações sonoras constituído de centenas de peças musicais – muitas tornadas clássicas como “O Ovo”, “Bebê”, “Chorinho pra Ele”, “Forró Brasil”, “Montreux”, entre outras, que podem ser ouvidas em diferentes formações, gravadas por seus próprios grupos e por inúmeros intérpretes de diversos países do mundo, que o compositor e multi-instrumentista, para fugir do lugar comum dos rótulos e da música convencional impostos pela indústria cultural, emprega a expressão ‘música universal’.”

Acima, uma breve sinopse da grandeza musical representada pelo multi-instrumentista alagoano Hermeto Pascoal, 78, contida no livro “Hermeto Pascoal – musicalmente falando”, lançado no ano passado pelo maringaense Paulo Petrini. Considerado gênio da música, autodidata que tira sonoridade musical de qualquer instrumento, coisa, natureza e pessoas, Hermeto faz amanhã, às 20h30 no Teatro Calil Haddad, o seu segundo show na cidade. O primeiro, há 12 anos, ainda provoca saudades nos amantes de sua música universal, repleta de sonoridades originais, improvisações e significados.

O jazz de Hermeto, que emociona, alegra e ilumina, é propositalmente único. Em entrevista recente por telefone, o músico, que hoje mora em Curitiba com a mulher – a cantora e instrumentista Aline Morena – afirma que gosta de subir no palco para nunca mais parar de tocar. “Cada show é um show, é algo diferente do que fazemos em estúdio”, diz .

As apresentações de Hermeto & Grupo chegam a durar mais de duas horas, de improvisação e sonoridade exemplar. Música feita com alma, característica que o gênio fez questão de ensinar para o seu inseparável grupo. Hermeto vem acompanhado de Itiberê Zwarg (contrabaixo), Márcio Bahia (bateria), Fábio Pascoal (percussão), Vinicius Dorin (saxes e flautas), André Marques (piano) e Aline Morena (voz e viola caipira).

O DIÁRIO Como consegue enxergar tamanha beleza e som em tudo aquilo que faz?
HERMETO PASCOAL O segredo é o interior da gente, não premeditar e não querer adivinhar o que o público vai gostar. Tentar isso é besteira. Faça o que gosta, e verá que, ao mesmo tempo, o público também dará uma contribuição tão linda que as pessoas parecem mesmo compositores. O sentir vem na frente do saber. O público não vai saber que tom, que música, que ritmo, mas vai criar também.

E as composições escritas em materiais inusitados, como em papel higiênico?
No papel higiênico dá muito trabalho. Mas tem de tudo aqui. Em guardanapo, bolsa de supermercado e até em meus chapéus panamás. Quando vem aquela vontade inesperada, nem eles se salvam. Se chego no restaurante e acho um guardanapo bonito, escrevo música nele. Às vezes o gerente não deixa eu levar o guardanapo. Mas sempre estou com minha bolsa grande, ponho dentro. Passo depois avisando e todo mundo dá risada. Um dia farei uma exposição com todos esses objetos onde escrevo músicas.

O senhor liberou todos os direitos autorais de suas músicas. Já não precisa mais de dinheiro?
Eu gosto mais da música que de dinheiro. Dinheiro, preciso ganhar só para ter as minhas coisas. Rescindi contratos com gravadoras, não ganhava nem metade com isso, e hoje, qualquer um que quiser gravar uma música minha, pode gravar. Tantos músicos que tocam bem e também não ficam rico, mas eu sou mais irrequieto, faço 365 músicas por ano. Vejo músicos aqui de Curitiba que, com 60 anos, já estão vendendo instrumentos e se aposentando. Eu me aposento só quando o meu corpo não puder mais. Estou completando seis mil músicas no papel, fora as músicas exóticas, fora do papel. E meu sonho é pegar umas cinco mil delas e colocar cada uma num envelope, alugar um helicóptero e jogá-las para o povo de lá de cima.

Qual música mais gosta?
Eu gosto daquela que vem na minha cabeça. Há muitos músicos bons, o Egberto (Gismonti) mesmo, e uma turma nova, como o Guinga.

Mas pouco tocou ao lado do Egberto, né? Além de uma apresentação que fizeram em Berlim, se apresentaram outras vezes juntos?
Uma vez, tocamos eu, ele e (Naná) Vasconcellos, lá em Berlim, verdade. Mas eu tenho minhas formações, tenho o meu pessoal me esperando para tocar, e o Egberto toca com outros músicos também, ele viaja para Europa só com o violão, chega lá e toca com um ou outro.

Conhece a versão “Chorinho pra ele” da cantora portuguesa Maria Mendes?
Não me lembro, tem o clipe na internet, né? Vou ver. Mas ela canta bem. O problema do “Chorinho pra ele” é cantar a segunda parte. Um dia o letrista Silvio César fez letra, mas só para a primeira parte. Interpretar é quase como compor uma música.

É verdade que cobra só R$ 30 mil de cachê, um décimo do que pedem muitos nomes do chamado “sertanejo universitário”? Aliás, o que pensa dessa música?
O meu cachê? Nem isso. E outra coisa: estão botando uma onda de aumentar os impostos, se eu ganho R$ 15 mil num show, muito vai para o imposto e a metade sempre deixo com o grupo. Sobre a música sertaneja, se eu tiver num restaurante e tocar, eu saio. É negócio comercial, eles criam tudo. Mas quando falo isso, tenho o maior cuidado, tem muitas pessoas que eu cumprimento, abraço ela, mas não gosto das músicas que elas fazem. Não é nada importante, são só palavras soltas, só falam em fumo, em bebida, brigas. Música ruim é igual ebola, é a ebola da alma. E as pessoas estão cuidando do corpo e se esquecendo da alma, não recebem nenhuma energia. Música ruim atrai a realidade ruim.

*Reportagem publicada neste sábado (25) no caderno Cultura, do jornal O Diário do Norte do Paraná

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Gênio Hermeto Pascoal domingo aqui

Hermeto Pascoal: músico mora em Curitiba há onze anos, mas ainda acha estranho o pessoal não dar 'bom dia'

Hermeto Pascoal: músico mora em Curitiba há onze anos, mas ainda acha estranho o pessoal não dar ‘bom dia’

Por Wilame Prado

O compositor e multi-instrumentista alagoano Hermeto Paschoal, 78 anos, está mais perto de Maringá do que muitos imaginam. Morador de Curitiba há onze anos, conheceu Aline Morena (sua mulher) em Londrina e foi em um hotel maringaense, antes de seu único show por aqui em 2002, que o gênio convidou a cantora a fazer parte de seu grupo musical. “Aline veio até meu quarto mostrar como ela cantava. Pensei que fosse uma outra cantora, uma ruinzinha, por isso disse que não havia instrumento nenhum por perto. Mas quando ela comentou que já havia dado uma canja comigo, eu me recordei e disse: ‘Deve haver uma escaleta aqui embaixo da cama'”, diz ele por telefone, em entrevista concedida de sua casa, no bairro Santa Felicidade, onde mora com Aline.

Hermeto Paschoal e Grupo se apresentam em Maringá no domingo, 26 de outubro, às 20h30, no Teatro Calil Haddad. Imperdível show, que tende a durar duas horas ou mais. Hermeto só para de tocar se os organizadores pedirem, e o pedido deve ser feito antes de o show começar. A vinda do músico brasileiro mundialmente conhecido é uma realização do Cottonet-Clube com patrocínio de várias empresas da cidade. Simpático ao telefone, já foi logo dizendo que as expectativas é das melhores para o show aqui na cidade e que sente saudades daqui. “O que gravamos em estúdio é diferente do que tocamos ao vivo. Não digo que o show é 100% de improvisação, mas todos os músicos têm liberdade e competência para serem eles próprios. Fico feliz porque todos eles têm seus próprios trabalhos. Considero-me um pai dessa família, mas um pai não gosta de ser imitado. Quando vejo alguém me imitando, digo assim: ‘você existe, Deus não fez nada igual, não confunda semelhança com imitação'”, conta Hermeto, que vem acompanhado de Itiberê Zwarg (contrabaixo), Márcio Bahia (bateria), Fábio Pascoal (percussão), Vinicius Dorin (saxes e flautas), André Marques (piano) e Aline Morena (voz e viola caipira).

Conversar com Hermeto Pascoal é ter a chance de entender um pouco mais sobre a simplicidade da vida e de ficar ainda mais perplexo com o tamanho da humildade que há em um dos maiores instrumentistas e compositores da história da música brasileira. É difícil explicar como o gênio “comete” as suas genialidades. No caso dele – que já tocou com Miles Davis e que já foi convidado para compor e tocar com John Lennon, Tom Jobim, Taiguara,Elis Regina, Fagner e Roberto Carlos – chega-se à conclusão que gênio nasce gênio; no caso dele, em Olho d´Água das Flores, Alagoas.

Ele comenta, sério, que os primeiros sons – já no nascimento, em 22 de junho de 1936 – foram predominantes para a habilidade que tem de “ver” música em tudo, desde os incontáveis tipos de instrumentos que toca, até objetos comuns do cotidiano, como caixa de fósforo, bandejas, chaleira etc. “Lembro do meu nascimento, do som da Maria Mãe – parteira que morreu aos 145 anos e que, à época, foi considerada a pessoa mais velha do mundo – dando um tapinha de leve em meu bumbum. Depois me lembro da imensidão do mato, todos os bichos, a natureza e de como tudo aquilo era cercado por sons, por música. Essa inocência na infância, em Lagoa da Canoa (AL), foi essencial.”

Depois, aos 14, conheceu a cidade grande. Recife. Por lá, Sivuca foi o seu primeiro padrinho. “Sivuca, maravilhoso, amigão de todos os tempos, meu irmão de som eterno. Depois que comecei a tocar com ele, não parei mais de fazer música, amar a música e, através da música, amar tudo o que é lindo”, diz. A determinação de Hermeto, claro, deu-se também pela coragem que ele teve em se distanciar da família para, ainda adolescente, viver de música. Ele sabia, desde muito pequeno, que havia nascido para as canções, que tanto propiciam sensações boas aos humanos e também para os bichos. “Ainda no mato, percebi que já tinha um público para a minha música. Os pássaros se aproximavam, o cavalo parava de trotar, até os sapinhos se aproximavam de mim para me ouvirem tocar. Gansos também chegavam, e os peixes, quando fazia meu som com a água da lagoa, vinham rapidamente para perto”, rememora.

E hoje, longe do silêncio, Hermeto também não reclama, enxerga música em tudo. “Considero o barulho da cidade como música. Não tenho medo do trânsito, para mim é como se fosse uma boiada. E consigo fazer música com outros barulhos acontecendo ao meu redor, até com o rádio ligado, mas hoje precisa ser em rádio de notícia porque só tem música ruim. Tenho o maior respeito pelas pessoas, mas não gosto da música que fazem. Hoje, o pessoal está fazendo só jingles, e dos ruins, é comercial, apelativo, ainda bem que não dura. Esse negócio de rap mesmo, isso tudo é embolada do Nordeste que o americano copiou dando 30 dólares para os caras entregarem o ouro.”

PARA OUVIR
HERMETO PASCOAL
E GRUPO
Quando: 26 de outubro (domingo)
Horário: 20h30
Onde: Teatro Calil Haddad
Preço: R$ 120 (inteira) e R$ 60 (meia)
À venda na Genko Mix, do Maringá Park Shopping

*Reportagem publicada em 9 de outubro no caderno Cultura, do jornal O Diário do Norte do Paraná

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O conto em questão na Flim

NOCAUTE. À esquerda, o escritor André Kondo, de Jundiaí ; ao lado, o santista José Roberto Torero: conto é tema da conversa

NOCAUTE. À esquerda, o escritor André Kondo, de Jundiaí ; ao lado, o santista José Roberto Torero: conto é tema da conversa

Por Wilame Prado

O conto, a inspiração e o processo criativo dos contistas José Roberto Torero, 51, e André Kondo, 39, são temas hoje para a mesa da 1ª Festa Literária de Maringá (Flim). O bate-papo com os autores começa às 19h30, no Auditório Hélio Moreira, no Centro de Convivência Renato Celidônio (ao lado do Paço). A entrada é franca.

Torero é conhecido pelos contos, pelas crônicas e também pelas participações em discussões futebolísticas. Mas o santista diz estar cada vez mais afastado do futebol. Nem a vitória do Santos sobre o Palmeiras no último final de semana pareceu animar o autor. “Estes últimos anos (o futebol) foi enfeiando tanto que me desinteressei. O Santos ainda consegue certos lances de beleza, mas são um tanto raros.”

Kondo se destaca pelos vários concursos literários conquistados escrevendo contos. Seu livro “Contos do Sol Nascente” dividiu, em 2011, o Prêmio Bunkyô de Literatura em língua portuguesa com “Nihonjin”, do maringaense Oscar Nakasato, e “Retratos Japoneses no Brasil”, organizado por Marília Kubota. Natural de Jundiaí (SP), pela Flim ele também dá a palestra “Produção literária” hoje, às 14 horas, no Hélio Moreira.

Em entrevista por e-mail, os dois escritores adiantaram um pouco do que falarão nesta noite a respeito dos desafios envolvendo a feitura de contos. Torero, engraçado e direto, considera um ato de sorte a sua conquista no Prêmio Paraná Literatura de 2012 com o livro de contos “Papis et circenses”, o que lhe rendeu R$ 40 mil.

Para ele, o conto sempre vem de algo já existente. “Em ‘Pequenos Amores’, um livro de contos de amor, eu olhava casais na rua ou em restaurantes (na época, era repórter do Guia 4 Rodas e ia a muitos restaurantes) e inventava uma história para eles. Já em ‘Papis et circenses’, fiz uma pesquisa histórica sobre os papas e ela serviu de ponto de partida. Ou seja, sempre parto de alguma coisa já existente. Talvez seja falta de criatividade”, comenta o vencedor do Jabuti de 1995 com “O Chalaça”.

Sem ainda ter se aventurado na prosa longa, Kondo diz não saber responder se é mais difícil fazer um conto ou um romance. Mas revela: gosta da liberdade que ele e seus personagens costumam ter nos contos. “Meu processo criativo é simples: apenas escrevo. Não tenho a disciplina de montar a história inteira dentro da minha cabeça antes de começar a escrevê-la. É arriscado, mas gosto de pensar que o meu personagem tem o mínimo de liberdade para caminhar pelo papel, para sonhar, para ter algo dentro dele que eu desconheço. Gosto de me surpreender com ele, de me emocionar. Enfim, gosto de me enganar, de acreditar que aquilo que escrevo é a mais pura verdade.”

Para o também autor dos livros “Além do horizonte”, “Amor sem fronteiras” e “O Pequeno Samurai”, o importante é que o conto emocione, seja por pontos ou nocaute. “Não se vence batendo no leitor, mas escrevendo algo tão bom que ele não queira te dar um soco na cara, mas um abraço”, diz Kondo. Para Torero, que aconselha a leitura dos contistas Dalton Trevisan, Luís Fernando Verissimo, Sérgio Sant’Anna e Luiz Vilela, o conto aceita o inusitado: “A prosa curta pede uma estrutura mais aparente, mais surpreendente. No romance um formato estranho pode cansar, mas no conto é algo bem mais suportável. Ele até pede uma certa estranheza.”

PARTICIPE
MESA: O CONTO,
A INSPIRAÇÃO
E O PROCESSO CRIATIVO
Com os contistas
José Roberto Torero e André Kondo
Mediação: Wilame Prado
Quando: hoje, às 19h30
No Auditório Hélio Moreira
Entrada franca

*Reportagem publicada nesta quarta-feira (22) no caderno Cultura, do jornal O Diário do Norte do Paraná

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Para consertar sorrisos

Cena de “In Conserto”, espetáculo em cartaz na sexta aqui em Maringá. Foto: Gustavo Gracindo

Cena de “In Conserto”, espetáculo em cartaz na sexta aqui em Maringá. Foto: Gustavo Gracindo

Por Wilame Prado

Quando perguntam a profissão de João Carlos Artigos, ele responde: “palhaço”. Arranca risos, às vezes, mas fala sério. Aliás, diz, leva bem a sério as palhaçadas com que costuma arrancar gargalhadas da plateia. “Sou palhaço 24 horas por dia. A arte do palhaço é fazer sorrir, provocar emoções em cima do palco. O desafio é saber jogar em cima do palco, fazer a plateia acreditar que aquilo é vida, que aquilo que está acontecendo é como se fosse a primeira vez. Meu trabalho é fazer sorrir, e isso eu levo a sério”, diz o ator profissional carioca.

Ele e os palhaços Fábio Freitas e Shirley Britto, da Companhia Teatro de Anônimo (Rio de Janeiro), apresentam em Maringá o espetáculo “In Conserto” hoje, na Oficina Teatro da UEM, às 20h30. Rasgadamente cômico, o espetáculo apresenta as tentativas frustradas da trupe em apresentar o concerto musical “Ópera Desastrada”. Na cena, os palhaços mostram um pouco do seu lado musical, cantando e tocando sanfona, pandeiro e cornetas. “Como músicos, somos ótimos palhaços”, brinca Artigos.

A entrada para o espetáculo é franca, e o espetáculo chega pelo projeto Palco Giratório, iniciativa do Sesc nacional que leva para praticamente todo o País diferentes linguagens cênicas por meio de espetáculo e oficinas de teatro. A oficina “O Jogo Como Técnica”, da Teatro de Anônimo, acontecerá, também gratuitamente, às 14 horas de sábado, no Sesc. Os interessados em participar da oficina devem ligar no Sesc (3262-3232) para se inscreverem.

“A oficina é direcionada a artistas cênicos de modo geral. A gente vai focar em um elemento primordial para qualquer ator, que é saber jogar, brincar em cima do palco, com responsabilidade. Não existe nada mais sério do que nossa capacidade de saber brincar e recriar vida em cima do palco”, diz Artigos.

PALCOS EM TODO O PAÍS
O Palco Giratório percorre 22 Estados com espetáculos que se destacam pela diversidade cultural das companhias de teatro selecionadas. As peças, sempre com entrada franca, circulam nos pequenos e grandes centros promovendo a circulação de linguagens, estética e temas regionais.

Em 2014 o Palco Giratório traz 20 companhias, que desenvolvem ações e pesquisas em artes cênicas, além da produção teatral nas cidades e oficinas que funcionam como extensão dos espetáculos, oportunidade que a própria plateia ganha espaço para atuar.

PARA VER
IN CONSERTO
Às 20h30 de hoje,
no Teatro de Oficina da UEM
Entrada franca
No sábado (14h) acontece
oficina técnica com a Cia Teatro de Anônimo (RJ) no Sesc

*Reportagem publicada quarta-feira (1º) no caderno Cultura

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Carmen Miranda é revisitada no Luzamor

Camila Taari se veste de pequena notável para o show "Carmen Miranda - Na Batucada"

Camila Taari se veste de pequena notável para o show “Carmen Miranda – Na Batucada”

Por Wilame Prado

Com entrada franca, hoje, 20h30, no Auditório Luzamor (Rua Neo Alves Martins, 1.704, Zona 1), tem aula sobre um importante capítulo da música do século 20 dedicado ao legado de Carmen Miranda, a portuguesa mais brasileira que se tem notícia.

Pelo Convite à Música, o show “Carmen Miranda – Na Batucada”, dos londrinenses Camila Taari (voz), Osório Perez Moreira (violão de sete cordas), Guilherme Araujo Vilella (bandolim), Júlio Erthal (flauta) e Carlos Pereira (pandeiro), revisita a obra da pequena notável com mais de vinte músicas que passeiam por diferentes fases dela, além das considerações que o grupo faz sobre fatos envolvendo a história da artista.

A vocalista e idealizadora do projeto promete cantar, entre outras, “Tico-Tico no Fubá”, “Ao Voltar do Samba”, “South American Way”, e, como não poderia faltar, “O que é que a baiana tem?”

“O grande objetivo é resgatar a imagem da Carmen, homenageá-la e trazê-la de volta para a vida do público. É mais que uma cópia das músicas interpretadas por ela, é um convite para conhecê-la, para apreciá-la”, diz Camila, 32.

Como experiência, ela coleciona dois anos de entrosamento com o grupo e inúmeras apresentações em Londrina, especialmente em colégios. “Levamos às crianças uma perspectiva musical diferente do que elas estão acostumadas, visto que a grande massa desconhece o ícone que é Carmen Miranda.”

E se hoje Maringá tem a oportunidade de conferir o show “Carmen Miranda – Na Batucada”, deve isso à avó da cantora Camila Taari, que apresentou a obra da artista e insistiu para que a neta cantasse as músicas que encantaram o mundo em meados do século 20 e que deixaram homens apaixonados, como o atleta Mário Cunha, o músico Aloysio de Oliveira e David Sebastian – que conseguiu a proeza de se casar com a bela artista.

“Minha avó sempre me pedia pra gravar CDs da Carmen para ela, sempre escutava as músicas em casa e assim eu também comecei a apreciar sua arte. Um dia ela sugeriu que a gente fizesse o show. Foi quando começamos a ler e reler diversas biografias, assistimos a documentários, ouvimos diversas músicas, até modelar o show como ele é hoje, escolhendo em conjunto as canções que integram o repertório, figurinos etc”, relembra Camila.

*Reportagem publicada nesta quinta-feira (2), no caderno Cultura

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Programa Primeiro Museu está com inscrições abertas em todo o País

Lançamento do Programa Primeiro Museu em Campo Bonito, município localizado na região de Cascavel. Foto: Fortunato Fávero

Lançamento do Programa Primeiro Museu em Campo Bonito, município localizado na região de Cascavel. Foto: Fortunato Fávero

Por Wilame Prado

O Museu da Família (MF) e o Instituto Cultural Ingá (ICI) abriram nacionalmente as inscrições para o Programa Primeiro Museu, que viabiliza a implantação nas localidades interessadas de um museu comunitário de tipologia virtual e ainda um projeto cultural para implantação de um museu físico enquadrado nos instrumentos de renúncia fiscal existentes. As inscrições vão até 15 de dezembro, pelo site: www.primeiromuseu.org.br/site/inscricao.

No site, os interessados poderão preencher uma ficha de inscrição com dados básicos, contrato, ata ou estatuto social da instituição (prefeitura, associações, câmaras municipais, empresas privadas etc), comprovante de endereço e documentos pessoais. As dúvidas podem ser sanadas por telefone ou e-mail: (44) 3025-1666 e [email protected]

Há dois meses, o Programa Primeiro Museu começou a ser implantado em diversas cidades localizadas nas regiões norte, noroeste e centro-oeste do Estado do Paraná. De lá para cá, diversas famílias moradoras destes municípios – encorajadas pelas secretarias culturais e de educação – estão resgatando suas fotos e documentos pessoais importantes para alimentar as páginas de cada família e que vão ajudar a compor o museu comunitário destas localidades.

Entendendo que a carência de museus e até mesmo de dados históricos não é exclusividade apenas das pequenas cidades paranaenses, o Programa estende o serviço para qualquer município brasileiro que ainda não tenha museu e que se interesse por um. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), os municípios brasileiros com menos de dez mil habitantes, de maneira geral, continuam perdendo moradores e, consequentemente, parte de sua história.

Pertencimento
Para o geógrafo e presidente do MF, Edson Pereira, isso se deve ao suposto sonho de uma vida melhor na cidade grande, fato comprovado pelo aumento populacional em municípios com população entre 200 e 500 mil habitantes. “O Programa Primeiro Museu atua não apenas no resgate e conservação da memória local. Mais que isso, estimula o sentimento de pertencimento nos moradores, que, ao se sentirem representados na história do local onde moram, recuperam a autoestima e encontram mais sentido em continuar morando lá”, explica.

A preocupação do MF está relacionada também à ausência de museus na maioria dos pequenos e médios municípios brasileiros. No Paraná, 95% das cidades com menos de 100 mil habitantes não possuem museus ou mesmo salas de memória. O Plano Nacional Setorial de Museus (PNSM) trás como meta o estímulo à criação de um museu em cada município brasileiro até 2020, o que totalizaria a criação de mais 4.295 museus até lá.

Direito à memória
Marcelo Seixas, diretor de projetos do MF, ressalta que, conforme previsto na Constituição Federal, o direito à memória é algo que deve ser garantido pelo Estado, com a cooperação da comunidade. “Museus comunitários devem se comprometer na garantia deste direito, o que certamente age não só nessa preservação da memória, mas também na integração maior entre moradores, elevação da autoestima da população e uma necessidade automática de preservação dos bens públicos daquele local.”

Entenda
O Programa Primeiro Museu prevê a viabilização de um museu comunitário de tipologia virtual implantado; um projeto cultural para implantação de museu físico, enquadrado nos instrumentos de renúncia fiscal existentes; e a capacitação de agentes locais na gestão das unidades museológicas do projeto.

Com isso a comunidade recebe um museu virtual contendo informações textuais e fotográficas da história local, que pode inclusive ser implantado no site da prefeitura, dependendo do caso. Depois, inicia-se um processo de capacitação de pessoas que morem na cidade e que se interessem pela memória local para atuarem, sob coordenação de profissionais da museologia contratados pelo MF, na efetivação do primeiro museu físico do município.

Com a contrapartida de R$ 6.300 para custear gastos logísticos iniciais, podem participar do Programa Primeiro Museu prefeituras, câmaras municipais, associações civis sem fins lucrativos, entidades filantrópicas, instituições de ensino, clubes esportivos, igrejas e cooperativas vinculadas à comunidade a ser beneficiada.

O projeto do futuro museu físico será modelado de acordo com as exigências do Fundo Nacional de Cultura do Ministério da Cultura (MinC). Assim, a ideia é que, até 2015, o programa viabilize o primeiro museu para pelo menos 60 municípios, nos quais os recursos via Lei Rouanet podem chegar até R$ 600 mil para cada um deles.

Visite o site do Programa Primeiro Museu: primeiromuseu.org.br
E a página do Museu da Família no Face: facebook.com/museudafamilia

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