Para jamais esquecer Juliane Moore

Juliane Moore, em "Para Sempre Alice": Oscar demorou mas chegou, para coroar grande atuação da carreira

Juliane Moore, em “Para Sempre Alice”: Oscar demorou mas chegou, para coroar grande atuação da carreira

Por Wilame Prado

Personagens acometidos por doenças dão trabalho em dobro para os atores. Mas, quando bem compostos, geralmente são reconhecidos e recompensados.

Além de Eddie Redmayne – premiado ao fazer o cientista Stephen Hawking em “A Teoria de Tudo” – a bela Juliane Moore ganhou, pela primeira vez, o Oscar de Melhor Atriz pelo papel da linguista Alice Howland, no filme “Para Sempre Alice” (Richard Glatzer e Wash Westmoreland, 1h39min.), em cartaz em Maringá. O desafio foi interpretar uma mulher que passa a sofrer do Mal de Alzheimer precocemente, já aos 50 anos de idade. Pelo feito, foi reconhecida também no Globo de Ouro e na Bafta.

O peso da contradição é um dos pontos altos do filme. Logo a Dra. Howland, conhecida pela inteligência e perspicácia na pesquisa na área da linguística, vê-se surpreendida por repentinos golpes de esquecimentos, a começar de maneira mais corriqueira, em meio a uma palestra ou se perdendo pelas ruas de Manhattan, e se agravando quando esquece atos cotidianos que acabam de acontecer, como quando é apresentada à sua mais nova nora na cozinha e, já na mesa do jantar, demonstra nunca ter visto a moça. Até mesmo aquela receita predileta, até então muito bem guardada na memória da protagonista, deve ser revista na internet para, assim, evitar constrangimentos culinários.

Os conflitos familiares são fatalmente jogados em primeiro plano em “Para Sempre Alice”. Mãe de três filhos adultos e com um casamento aparentemente em ordem, Alice vira pivô de relações extremamente embaraçosas. No elenco, destaque também para o trabalho de Alec Baldwin como o Dr. John Howland, o marido de Alice; e também para a jovem Kristen Stewart, que vive Lydia Howland, filha caçula do casal e peça chave do longa-metragem já que representa a figura rebelde que acaba cedendo aos caprichos e desejos por conta de dilemas familiares.

No drama, a rotina familiar precisa ser revista. E no plano profissional, o que resta para a doutora é a aposentadoria precoce. As pessoas ao redor vivem situações delimitantes entre a vontade de ajudar, o desespero ao ver os rompantes de uma amnésia ingrata e gradualmente aumentada e a consequente lástima por ver um ser adulto brilhante e exemplar se tornar, aos poucos, uma simples criança dependente, esquecida, muitas vezes, até mesmo de que deve se lembrar de segurar a vontade de urinar.

Juliane Moore esperou tanto pela estatueta dourada – chegou perto em “Boogie Nights – Prazer sem Limites” (1998) e em “Fim de Caso” (2000) – mas fez valer a pena ao dar vida a um filme duro, tenso e que, como poucos, retrata a força que as pessoas acabam por encontrar somente na família. Ao vencer o Oscar, a atriz dedicou a estatueta aos portadores da doença degenerativa. Nada mais apropriado.

CARTAZ
PARA SEMPRE ALICE
Direção: Richard Glatzer e Wash Westmoreland
Gênero: drama
Duração: 1h39min.
Classificação: 12 anos
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*Comentário publicado em 12 de março no caderno Cultura, do jornal O Diário do Norte do Paraná

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