Mês: abril 2015



Femucic, agora também pelo YouTube

Apresentação no Femucic do ano passado, no Calil: este ano, em duas noites, serão 25 músicas (Foto de Ademilson Cardoso)

Apresentação no Femucic do ano passado, no Calil: este ano, em duas noites, serão 25 músicas (Foto de Ademilson Cardoso)

Por Wilame Prado

O 37º Festival de Música Cidade Canção (Femucic), marcado para as noites do dia 5 e 6 de junho, no Teatro Calil Haddad, será diferente de todos os outros. Uma das principais novidades será a possibilidade de assistir, ao vivo, o festival em streaming (ao vivo) por meio de link a ser aberto no YouTube.

As novas estratégias envolvendo a próxima edição do festival mais tradicional da cidade foram reveladas pelo gerente executivo do Sesc Maringá, Antônio Vieira, e por Érico Bondezan, técnico de atividades do setor de Música do Sesc. Em visita ao Diário, eles deram entrevista e contaram as novidades.

De acordo com Vieira, uma série de mudanças ocorre a partir deste ano no Femucic. A intenção, afirma ele, é fazer com que a comunidade maringaense se reaproxime do festival. “Em pouco tempo, o festival alcançou um nível de excelência e estrutura suficientes para ser considerado um festival nacional de música. Mas creio que, nesse processo, ele acabou se afastando da própria cidade. E isso não pode ocorrer: o Femucic é um festival genuinamente maringaense”, diz.

Com a aposta da transmissão ao vivo, os organizadores almejam que um número maior de pessoas, de todos os lugares – logo na hora do festival, ou depois – conheçam o festival e os compositores participantes. Portanto, este ano não serão feitas gravações de DVDs e CDs, que, em edições anteriores, eram distribuídos gratuitamente.

O Femucic mais moderninho, no entanto, não deverá afetar a participação, principalmente dos maringaenses, in loco. “Esperamos, como em outros anos, a casa cheia. Não há nada como ouvir de perto, ali no teatro, o músico executando sua obra”, considera o gerente do Sesc.

A outra novidade do festival deste ano – a redução de dias – também tende a estimular o registro de um bom público. “Encurtamos para duas noites de festival. Em vez de 52 canções selecionadas, teremos 25. Ou seja, serão canções ainda mais seletas e que serão tocadas numa sexta e num sábado, dias melhores para se sair de casa.”

Vieira comunica por fim duas outras mudanças do Femucic e que, em sua opinião, estimularão uma qualidade musical ainda maior durante as apresentações: cada intérprete apresentará a composição com grupo musical próprio e a ajuda de custo, dividida em três categorias, será mais justa, oferecendo mais recursos àqueles que moram em regiões mais distantes de Maringá.

Inscrições
Quem ainda pretende inscrever composições tem até 17 de abril para enviá-las. Até o momento (29 de março), os organizadores já haviam contabilizado mais de de 250 inscritos.

Oficinas com André Marques e João Omar
Com a proposta de reaproximar o festival dos maringaenses, os organizadores programam para este ano uma semana toda de atividades envolvendo músicos e estudantes de música locais. O técnico de atividades Érico Bondezan anuncia a vinda ao Femucic do André Marques Sexteto, liderado pelo pianista que integra a banda principal de Hermeto Pascoal, e também do violonista, violoncelista e maestro João Omar, que acompanha o pai – o grande músico baiano Elomar Figueira – desde os 9 anos de idade.

Os músicos convidados ficarão durante a semana na cidade, ministrando oficinas e também para participarem com shows na noite de estreia do Femucic, no dia 4 de junho.

ANOTE
37º FEMUCIC
Inscrições até 17 de abril
Quando: 5 e 6 de junho
Onde: Teatro Calil Haddad
Entrada franca
Informações:
sescpr.com.br/femucic/

*Reportagem publicada em 29 de março no caderno Cultura, do jornal O Diário do Norte do Paraná

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Crônicas do Mercadão de Maringá

Rafa, em choperia do Mercadão de Maringá: livro de estreia reúne histórias passadas no Mercadão (foto de Walter Fernandes)

Rafa, em choperia do Mercadão de Maringá: livro de estreia reúne histórias passadas no Mercadão (foto de Walter Fernandes)

Por Wilame Prado

O bar Tio Sam, no Leblon, tinha o João Ubaldo Ribeiro. E os bares do Mercadão de Maringá têm o Rafael Campos Bezerra, o Rafa, 67 anos, morador da Zona 7, professor de Microbiologia na UEM, agitador cultural, escritor e fotógrafo. Conhecido pelas andanças na boemia maringaense e pelo costume de beijar todo mundo e supervalorizar a tudo com um sonoro “genial!” no final da frase, ele bate cartão com assiduidade no chamado “lado molhado” do Mercadão. Saíram de lá todos os textos que compõem o livro “Crônicas e Chamadas do Mercadão de Maringá – Genial!” (publicação independente, 195 páginas, R$ 25), que será lançado a partir das 9 horas deste domingo, logicamente no Mercadão. Com apenas seis anos, o lugar já tem história.

Amigo dos amigos, Rafa tem disposição para mobilizar chamadas culturais que estimulam a reunião, a boa música e a boa cerveja principalmente em manhãs dominicais no Mercadão. Não à toa, os parceiros prometem abrilhantar o lançamento de seu primeiro livro amanhã com samba, blues e MPB. Para a manhã de autógrafos de Rafa, estão confirmados o Novo Trio, Ronaldo Gravino, Walter Thomé, Beto Batera, Wagner Silva e Os Bambas de Maringá, além das canjas de outros amigos. “Será um domingo realmente cultural. E ainda tem um coquetel, oferecido pelo Mercadão”, diz.

As crônicas de Rafa (um leitor de poesia, mas que aprecia as crônicas de Fernando Sabino, Rubem Braga e Luis Fernando Verissimo) são leves, malemolentes, em sua maioria cheias de graça. Mas há também um tantinho de tristeza e saudade, como um bom samba. O primeiro texto – logo após toda uma varredura que ele faz apresentando todos os estabelecimentos gastronômicos e serviços que atuam no Mercadão – trata do dia em que ele diz ter sido abduzido por moças belas num disco voador. Não à toa, as garotas o abduziram, logo ali, no estacionamento do Estádio Willie Davids, justamente no fatídico dia em que o Brasil perdeu de 7×1 para a Alemanha, na Copa do Mundo, ano passado. Coisas inacreditáveis – como uma abdução e até um Mineiraço – podem acontecer.

Os grandes personagens maringaenses também estão nas crônicas de Rafa, que, mesmo tendo nascido em Mirandiba, no sertão pernambucano, já pode ser considerado também protagonista maringaense das grandes histórias que acontecem especialmente pelas “ruas” do Mercadão, ou então em um bar ou outro que oferecem espetinho de carne com qualidade e, claro, uma boa gelada.

Uma das lendas da cidade, o jornalista e Editor de Esportes do Diário, radialista, cantor e compositor e compositor Cláudio Viola, é lembrado em uma das crônicas. Rafa conta quando, em show na antiga Kalahari em Maringá, o músico Taiguara pelo menos “tentou” tocar com o violão do Viola. “De quem é esse violão? E o Cláudio Viola se aproxima do palco e responde:

– É meu seu Taiguara. Todo orgulhoso. E o Taiguara pergunta:

– Como é o seu nome? O Cláudio Viola, que na época era um jovem rapaz e que não usava ainda o Viola no nome respondeu:

– É Cláudio, seu Taiguara, Cláudio de Oliveira. Taiguara olhou bem nos olhos do Viola e disse:

– Seu Cláudio, esse seu violão é uma merda!”

ESTANTE
CRÔNICAS E CHAMADAS DO MERCADÃO DE MARINGÁ – GENIAL!
Autor: Rafael Campos Bezerra
Editora: LB Graf
Número de páginas: 195
Preço: R$ 25

COQUETEL DE LANÇAMENTO
Quando: domingo
Onde: Mercadão de Maringá
Horário: 9 horas
Entrada franca

*Reportagem publicada neste sábado (11) no caderno Cultura, do jornal O Diário do Norte do Paraná

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