Mês: junho 2015



Todo mundo lê Knausgård

Karl Ove Knausgård: os seis livros da série somam 3,5 mil páginas

Karl Ove Knausgård: os seis livros da série somam 3,5 mil páginas

Por Wilame Prado

A Companhia das Letras continua apostando na série “Minha Luta”, do escritor Karl Ove Knausgård. Depois de “A Morte do Pai” (2013) e “Um Outro Amor” (2014), a editora lançou este ano “A Ilha da Infância”, terceiro volume da série de seis catataus de romances autobiográficos de um dos escritores sérios que fazem mais sucesso atualmente no planeta. O livro recém-chegado investiga a memória, o universo familiar e a construção da identidade do norueguês atualmente radicado na Suécia.

Se no terceiro volume da série foram principalmente os medos da infância o alvo de Knausgård, nos livros anteriores ele tratou com maestria temas importantes de sua própria vida: as consequências trazidas pelo lento suicídio do pai com o consumo excessivo de álcool, e o encontro de um novo amor após conhecer Linda Boström, sua segunda mulher e mãe dos três filhos do escritor. O que tem chamado a atenção é o motivo pelo qual muita gente não tem conseguido parar de virar as intermináveis páginas desta série de livros que não traz nada de novo, a não ser um relato aparentemente honesto da vida do autor.

É como ler diários bem escritos de um ilustre desconhecido e compartilhar de suas lutas cotidianas, que consistem no desafio de ser um bom escritor em meio ao cotidiano de um cidadão comum, que troca fraldas dos filhos pequenos, que briga com a vizinha louca, que tem de lidar com os arroubos depressivos da mulher, que vai ao mercado comprar ingredientes para o jantar, que confessa adorar a sensação de se estar completamente bêbado – e que odeia os arrependimentos causados por ressacas físicas e morais – e que precisa unir forças com o irmão para sepultar o pai.

Não há estilo rebuscado na autoficção do escritor e nem histórias sensacionais reveladas. Não se torce para que o mocinho Knausgård se dê bem no final do livro, tampouco há apelos sexuais, cômicos ou melancólicos em demasia. O autor vai muito mais pela fidelidade da narração dos fatos do que qualquer joguete de ironia ou sarcasmo. Nos romances, o autor mescla uma incansável capacidade de descrição de cenas cotidianas, ensaios sobre arte e literatura e algumas epifanias pontuais, extremamente tocantes no que se refere aos dramas existencialistas que golpeiam qualquer pessoa que pare para pensar na inutilidade humana em meio a uma sociedade vazia e consumista.

Por que todos leem Knausgård? Essa parece ser uma pergunta difícil de responder, assim como é difícil escrever ou dizer o nome do autor. Talvez seja porque, mais do que qualquer ficção mal contada ou produto midiático mal-ajambrado, ele escreva as suas verdades de maneira honesta. Verdades estas que, pensando bem, são as verdades que rodeiam e que tanto assustam aqueles que vivem neste mundo (ocidental, principalmente), nas últimas décadas do século 20 e neste início de século 21.

ISTO É KNAUSGÅRD
“Nos últimos anos eu tinha cada vez mais perdido a fé na literatura. Eu lia e pensava, isso tudo foi inventado. Talvez fosse porque estivéssemos completamente rodeados por ficções e narrativas. Aquilo tinha inflacionado. Não importava para onde olhássemos, sempre encontrávamos ficção. Todos esses milhões de livros pocket, livros em capa dura, filmes em DVD e séries de televisão, tudo dizia respeito a pessoas inventadas num mundo verossímil, mas também inventado. E as notícias do jornal e as notícias da televisão e as notícias do rádio tinham exatamente o mesmo formato, os documentários tinham o mesmo formato, também eram narrativas, e assim não fazia diferença nenhuma se a narrativa que contavam tivesse acontecido de verdade ou não. Havia uma crise, eu sentia em cada parte do meu corpo, algo saturado, como banha de porco, se espalhava em nossa consciência, porque o cerne de toda essa ficção, verdadeiro ou não, era a semelhança, e o fato de que a distância mantida em relação à realidade era constante.”
///Trecho do romance “Um Outro Amor”, de Karl Ove Knausgård

13618_ggESTANTE
A ILHA DA INFÂNCIA
Minha Luta – Volume III
Karl Ove Knausgård
Número de páginas: 440

13089_ggUM OUTRO AMOR
Minha Luta – Volume II
Karl Ove Knausgård
Número de páginas: 592

13088_ggA MORTE DO PAI
Minha Luta – Volume I
Karl Ove Knausgård
Número de páginas: 512

*Reportagem publicada em 27 de maio de 2015 no caderno Cultura, do jornal O Diário do Norte do Paraná

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Filó Machado canta no Femucic

Filó Machado apresenta a sua canção "A Índia e o Atirador de Facas"

Filó Machado apresenta a sua canção “A Índia e o Atirador de Facas”

Por Wilame Prado

Músicos do Recife, Goiânia, Curitiba, Aracaju, Londrina, São Paulo e Maceió se apresentam na noite deste sábado (6), a partir das 20h30, no Teatro Calil Haddad, pela última noite do 37º Festival de Música Cidade Canção (Femucic), realizado pelo Sesc em parceria com a Prefeitura de Maringá e RPC. A entrada é franca.

Um dos selecionados é o experiente cantor, compositor, multi-instrumentista e arranjador Filó Machado, de SP. Nesta noite, o músico com mais de 50 anos de experiência apresenta a canção “A Índia e o Atirador de Facas”. Filó está por aqui desde quarta, quando ministrou um workshop de improvisação. Ele tem onze CDs gravados, uma indicação ao Grammy Latin Jazz e recebeu o título de “mestre da música”.

Outra atração imperdível da noite é a participação da cantora e compositora Kátia Teixeira, também de SP. Ela, que no ano passado fez bonito cantando “Maria Estrela e Geraes” (de Chico Branco e Amauri Falabella), este ano mostra ao público a canção “Pega-Pega”, de sua autoria.

Set list da noite

1.Sertão Ibérico – Cavalgada (Recife/PE)
2. Chico Aafa – Setembro (Goiania/GO)
3. Viola Quebrada – Viola de palha (Curitiba/PR)
4. Viola Quebrada – Meus retalhos (Curitiba/PR)
5. Duo Ricardo Vieira e João Liberato – Eçaúna de mel (Aracaju/SE)
6. Duo Ricardo Vieira e João Liberato – Livre prá chorar (Aracaju/SE)
7. Fabio Brinholi e a Entropia – Jaboticaba (Londrina/PR)
8. Fabio Brinholi e a Entropia – O medo (Londrina/PR)
9. Kátya Teixeira – Pega-pega (São Paulo/SP)
10. Ell Gênio Duo – Canoa grande (Recife/PE)
11. Filó Machado – A índia e o atirador de facas (São Paulo/SP)
12. João Pereira Lima – Coisas difíceis (Maceió/AL)

DE GRAÇA
37º FEMUCIC
Última noite do festival
Quando: hoje, às 20h30
Onde: Teatro Calil Haddad
Entrada franca
*Retire ingressos até 20h na bilheteria do teatro

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