Mês: maio 2016



Cinuem retorna em grande estilo

Orestes mata pai torturador da ditadura e assassino da própria mãe

Orestes mata pai torturador da ditadura e assassino da própria mãe

Por Wilame Prado

Maringá volta a ter mais uma opção que oferece cinema de qualidade longe dos circuitos comerciais das redes localizadas nos shoppings. O projeto Cinuem, da Pró-reitoria de Extensão e Cultura (PEC) da UEM, retomou as atividades após alguns meses sem oferecer sessões de cinema dentro do campus.

Com a Mostra Cinema Brasileiro Contemporâneo: Emergências da Política, iniciada há uma semana, o Cinuem volta a exibir filmes todas as quartas-feiras, pontualmente às 19 horas, na Sala 1 do Bloco A34, na UEM, sempre com entrada franca. O projeto é aberto a toda comunidade e não apenas a estudantes universitários.

O cartaz de hoje do Cinuem é o filme brasileiro “Orestes”, dirigido pelo mineiro Rodrigo Siqueira (“Terra deu, terra come”) e vencedor do Prêmio APCA como melhor documentário de 2015.

“Orestes” combina elementos documentais e ficcionais para jogar luz a dois problemas atuais da sociedade brasileira: a memória e a herança do regime militar de 1964 e a violência policial sentida principalmente pelos pobres e pelos negros. Quando do lançamento, ano passado, a crítica relacionou o filme aos ataques ocorridos em Osasco, na grande São Paulo.

Siqueira recorre à mitologia grega – mais precisamente às peças teatrais de Ésquilo – para criar analogias no documentário. Na tragédia grega, Orestes mata a mãe para vingar a morte do pai, o rei Agamemnon, e ganha um voto de minerva após decisão do júri formado por cidadãos atenienses.

No Brasil contemporâneo do diretor mineiro, Orestes é um personagem fictício que mata o pai – um torturador brasileiro anistiado em 1979 e assassino da mãe do seu filho – e que será submetido a um julgamento simulado dentro da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.

Entre os casos reais citados em “Orestes”, algumas vítimas da ditadura militar são entrevistadas, como Ñasaindy Barrett Araújo, filha da guerrilheira comunista Soledad Barrett Viedma que foi assassinada em 1973 após emboscada tramada por José Anselmo dos Santos, o cabo Anselmo, ex-companheira de Soledad.

A crítica de cinema Eleonora de Lucena descreveu “Orestes” como um filme original e provocativo. “Mesclando documentário, psicodrama e encenação, o diretor mexe com a plateia: cria tensão, incômodo”, escreveu ela, em artigo publicado na Folha de S. Paulo em 29 de setembro de 2015.

Retomada
A retomada do Cinuem sempre foi desejo da PEC da UEM, mas estava parado desde que a professora Fátima Neves havia se desligado do projeto, no ano passado. Com a chegada da professora Cristiane Lima à universidade, o Cinuem ganhou sobrevida.

Ela, que veio de Belo Horizonte (MG), chegou como professora colaboradora para lecionar no curso de Comunicação e Multimeios. Com mestrado e doutorado na área de Cinema, definiu com o setor cultural da UEM o retorno do projeto.

Cristiane diz pretender aproximar o Cinuem dos alunos do curso de Comunicação e Multimeios. “A ideia é que eu coordene um grupo de curadoria, composto por alunos e ex-alunos do curso, para definir a programação dos filmes no projeto e também colaborar durante os encontros com explanações acerca das obras apresentadas”, diz ela.

Outro desafio será conseguir os filmes para as exibições, já que, agora, a proposta do Cinuem é levar ao público filmes recentes e premiados. Para isso, Cristiane se utilizará de seus contatos, amigos e conhecidos da área.

“Nesta primeira mostra de filmes brasileiros, consegui autorização dos próprios diretores para conseguir o filme ou então baixá-los”, conta ela, que finaliza: “O Cinuem permite essa abertura da universidade para a comunidade externa, e a gente acha que, desta maneira, promovemos a cultura no âmbito da cidade de Maringá.”

*Reportagem publicada nesta quarta-feira (25) no caderno Cultura, do Diário

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Os sertões de ‘Outros Cantos’

Maria Valéria Rezende em sua casa, em João Pessoa (Foto de Rafael Passos)

Maria Valéria Rezende em sua casa, em João Pessoa (Foto de Rafael Passos)

Por Wilame Prado

A escritora santista radicada em João Pessoa Maria Valéria Rezende, 73 anos, demonstra domínio da linguagem e um olhar diferenciado para com os excluídos do sertão brasileiro no livro “Outros Cantos” (Alfaguara, 152 páginas, R$ 29,90). A publicação se deu graças ao patrocínio da Petrobras Cultural.

Ela, que, além de escritora é também freira, volta a publicar após ter vencido, ano passado, o Prêmio Jabuti na categoria Romance e Melhor Livro de Ficção do Ano com “Quarenta Dias”.

Em “Outros Cantos”, a personagem Maria – deflagradamente inspirada na vida da própria autora – está dentro de um ônibus leito retornando à cidade fictícia de Olho d´Água, no Nordeste brasileiro.

Junto dela, nada além de reminiscências que transportam a história para décadas atrás, quando a personagem foi para o sertão graças ao programa Mobral disposta a auxiliar na alfabetização de um povo que não tinha quase nada, especialmente educação formal.

O relato se dá única e exclusivamente pelo olhar de Maria, ora no presente – com o sacolejar de um ônibus velho e percebendo que o sertão dos tempos de agora mudou radicalmente, como percebido no trecho instigante do livro: “O sertão não é mais sertão e ainda não virou mar. Fecho os olhos e minha memória recupera e estiliza a beleza despojada daquele meu outro sertão. Desde quando, sem que eu me desse conta, as casas sertanejas encheram-se de trastes e abandonaram aquela estética do essencial, minimalista, diriam hoje, que me encantava na minha casinha e em todas as outras de Olho d ´Água?”; ora no passado, descrevendo as suas lembranças que permitem ao leitor imaginar o cotidiano de pessoas simples, que viviam em uma intensa luta de sobrevivência – para comer, beber água e em meio às rezas e festejos para santos pedindo chuva para plantar e colher.

Ela permite que o leitor só aos poucos consiga construir em seu imaginário quem realmente é Maria. Uma simples e jovem professora idealista e disposta a mudar o mundo com suas próprias mãos? Não somente. Há também as lembranças das andanças da personagem pelo mundo, na Argélia e no México, por exemplo, conhecendo povos, costumes e outros tipos de sertões.

E há ainda no romance uma curiosa característica da protagonista: sonhadora em seus pensamentos, ela no fundo busca sempre um olhar perdido de um homem que cruza com ela em diferentes momentos da história. Sempre atenta ao olhar deste ser masculino, ela enxerga os olhos dele em vários lugares, em várias situações. No fim, ao levar em consideração também a própria história de vida da autora, abre-se uma margem para se pensar que, talvez, aquele olhar é a figura de uma entidade protetora para Maria, onde quer que ela esteja, talvez os olhos de Deus.

“Outros Cantos”, conclui-se, é maduro, de uma autora madura e esclarecida quanto à estilística textual, ortografia e gênero. Maria Valéria Rezende emociona, denuncia e propõe reflexões acerca de uma região brasileira, a vibração de gente que ainda sonha com o poder transformador do ensino e também de um período histórico: mais para o fim da trama, percebe-se claramente algo que a autora quer mesmo eternizar com a proposta literária, que é uma relação histórica com os rompantes vividos em meio à ditadura militar no País e movimentos importantes na luta contra a opressão, isso em regiões praticamente esquecidas pela grande mídia, cinema, História e afins.

OutrosCantos_570OUTROS CANTOS
Maria Valéria Rezende
Editora Alfaguara
Número de páginas: 152
Preço sugerido: R$ 29,90
Avaliação: ótimo

*Comentário publicado quarta-feira (11) no caderno Cultura, do Diário do Norte do Paraná

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Cultura que se constrói com êxitos

O jornalista Rogério Recco e o escritor Laurentino Gomes durante a Flim do ano passado: festa reflete o bom momento cultural da cidade

O jornalista Rogério Recco e o escritor Laurentino Gomes durante a Flim do ano passado: festa reflete o bom momento cultural da cidade (Foto: Divulgação)

Por Wilame Prado

Quando chegam a uma nova localidade, pioneiros planejam construir casa, igreja e armazém. Ruas, avenidas, praças e bosques. Mas nem sempre se lembram da cultura, dos teatros, dos cinemas e de locais em que pessoas compartilham a arte e o lazer para, simplesmente, serem mais feliz.

Maringá nasceu planejada, principalmente urbanisticamente falando. Com a cultura não foi assim. Aliás, com a cultura geralmente não é assim. Cultura é intrínseca ao ser humano e as manifestações culturais certamente acontecem em sociedades organizadas.

“Maringá nasceu calcada no espírito do trabalho e do labor. Muitos vieram em busca de fazer fortuna, trabalhar para crescer. Não havia um planejamento cultural e artístico. Mas o homem não é só trabalho. Ele precisa de algo para cultuar, ter os seus momentos de contemplação”, diz o historiador João Laércio Lopes Leal, da Gerência de Patrimônio Histórico de Maringá.

Em razão disso, fez-se, então, a cultura em Maringá, desde os primórdios. Como exemplo, cita-se o livro de autoria do próprio Leal, o recém-lançado “História Artística e Cultural de Maringá”, que começa a sua narrativa apontando acontecimentos datados já de 1939, quando Maringá era apenas um distrito de Londrina.

No começo eram apenas quermesses, bailes na roça, festinhas na cidade e os pequenos circos mambembes.

Depois, veio o primeiro cinema, que chegou já em 1947; as fotografias de Shizuma Kubota, Tutumo Sanuki e Kenji Ueta; e um talentoso Edgar Werner Ostenrroht dando seus primeiros traços nos anos 1950 e dando à historiografia um olhar a mais por meio da pintura.

Havia ainda um inquieto artista chamado Calil Haddad fazendo a cena dramatúrgica acontecer na cidade com a criação do Teatro Maringaense de Comédia (TMC); e também um exímio músico e maestro Aniceto Matti garantindo a sonoridade na Rádio Cultura, tocando piano ao vivo e ainda propiciando formação musical para várias gerações.

Após meses empenhado no livro que busca seis décadas e meia de cultura na cidade, Leal encontra uma definição para tudo isso: “é a história de uma cidade em que a cultura esteve presente de forma intensa, só que não de maneira prioritária.”

O historiador, que trabalha este ano com um segundo volume para registrar a cultura maringaense, dessa vez entre 1991 e 2015, comemora a evolução permanente: “O que era intenso finalmente se consolidou. A partir dos anos noventa, a cultura maringaense se solidifica, se institucionaliza e se fortalece. Prova disso é que haverá o mesmo número de páginas em um livro que retrata muito menos tempo histórico.”

E se é para se pensar em cultura de maneira organizada – em uma nova, mas sempre muito planejada cidade –, pode-se citar algumas datas marcantes, como o ano de 1969, quando se instituiu a Secretaria Municipal de Cultura, ou então o ano de 1996, quando o Teatro Calil Haddad foi inaugurado no dia 30 de dezembro para extrapolar qualquer questão que remetesse a cartão-postal, sendo, hoje, um verdadeiro centro cultural que recebe manifestações do teatro, dança, artes plásticas e patrimônio histórico.

“No caso da Secretaria de Cultura, foi instituída na gestão do Adriano Valente. Temos uma secretaria de Cultura de 49 anos e cada vez mais atuante. Prova disso, dentre tantos eventos que Maringá já recebeu do poder público, é a Festa Literária de Maringá (Flim), evento marcante, que vai para o seu terceiro ano e que se destaca pela enorme capacidade de reunir escritores locais, nacionais e internacionais, além de chamar um público de respeito durante uma semana de evento”, considera.

Arte o ano todo
Atualmente, Maringá assiste a um cenário cultural pujante. Há mais de uma década a Secretaria Municipal de Cultura garante opções gratuitas e com qualidade por meio dos chamados Convites: Convite à Dança, Música, Teatro, Cinema e Artes Visuais.

Espalhados por diferentes bairros, hoje os teatros (Calil Haddad, Reviver, Barracão, Oficina da UEM, CEU em Iguatemi e Casa Cultural Jardim Alvorada) são locais para organização de eventos e espetáculos dos mais diferentes gêneros e estilos. Há, ainda, casas de shows, centros culturais, bibliotecas e, o mais importante: gente disposta a fazer e até viver da arte.

Só se faz aumentar os números envolvendo projetos culturais viabilizados por meio da Lei Rouanet, que permite aos artistas e produtores culturais captarem recursos financeiros com empresas que utilizam mecanismos de isenção fiscal para tal.

A jornalista e produtora Rachel Coelho é um dos que vivem intensamente a cultura local. Há vinte anos ela está, de uma maneira ou de outra, relacionando-se com a arte maringaense, escrevendo, produzindo, fazendo.

Formada em Jornalismo e História, ela passou a limpo a história do tradicionalíssimo Festival de Música Cidade Canção no livro “Canção Para Uma Cidade: a História do Femucic”, publicado em 2003. Ainda assim, o seu negócio mesmo é o teatro. Hoje ela assessora grupos teatrais, faz produção em montagens e tenta emplacar projetos próprios por meio da Lei Rouanet.

Rachel tem o perfil do que hoje podemos considerar um cidadão da cultura de Maringá. E ela comemora não somente o êxito de seus projetos ou a agenda local que se faz ininterrupta em praticamente todos os meses do ano na cidade. Ela vibra mesmo é com o horizonte que se mostra cada vez mais favorável em Maringá porque, aos poucos, cultura não é somente sinônimo de coisa que chega de cima para baixo, com artistas sempre dependentes à boa vontade do poder público.

Ela cita as conquistas das pré-conferências do Conselho de Cultura, os esforços da recém-inaugurada Maringá Cultural Cooperativismo (Macuco), o fomento visível do Instituto Cultural Ingá e as várias opções de formação cultural na cidade por meio de cursos universitários nas Artes Cênicas, Visuais e Musicais.

“O cenário é feito justamente de pessoas inquietas que não podem viver sem estar fazendo arte. Sou uma otimista. Estou aqui porque acredito nessa cidade. Então, não tenho como não comemorar tudo isso”, diz Rachel.

*Reportagem publicada no caderno especial de aniversário dos 69 anos de Maringá, encartado em 8 de maio no Diário

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Refúgio de sorriso e paz

Hudson Zanoni e Alexandre Penha em Burkina Faso, no continente africano, em novembro de 2014

Hudson Zanoni e Alexandre Penha em Burkina Faso, no continente africano, em novembro de 2014

Por Wilame Prado

O governo da Jordânia foi elogiado recentemente pela ONU ao anunciar que poderá ajudar até 78 mil sírios refugiados a conseguir trabalho legalmente no país. O que o governo talvez não consiga é propiciar momentos descontraídos para este povo a ponto de até, quem sabe, fazer refugiado voltar a sorrir.

Fazer sorrir, talvez até gargalhar: esta será a missão dos atores e palhaços profissionais maringaenses Alexandre Penha e Hudson Zanoni, da Cia Teatro Expressão de Amor. Eles têm viagem marcada no dia 25 de maio sentido a Aman, capital da Jordânia, onde realizarão apresentações para crianças e adultos refugiados da Síria.

Os palhaços foram convidados pela Missão Desafio, instituição que atua no Brasil e em diversos países de alto risco ao redor do mundo com o objetivo de levar dignidade e melhor qualidade de vida às pessoas dessas regiões por meio de construção de poços artesianos, escolas, estruturas de trabalho, igrejas e, também, viabilizando apresentações artísticas.

Jordânia é considerada um reino árabe e faz fronteira com a Arábia Saudita, Iraque, Síria, Israel e Palestina. Há meses, o país tem recebido refugiados sírios: pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados da Jordânia, já são 640 mil refugiados sírios registrados.

Durante a expedição, Alexandre Penha garante que estarão em áreas protegidas, mas próximos de países onde há, atualmente, confrontos armados. A motivação vai além de qualquer perigo, no entanto. “Observamos que nossos problemas são graves, mas perto de alguns povos são pura vaidade. Os brasileiros lutam por dignidade e melhora de vida; alguns lugares lutam, ainda e apenas, por sobreviver, por água ou comida”, diz ele.

Com a missão de colecionar sorrisos raros, Penha e outros atores da Cia Expressão de Amor já percorreram mais de dez países, entre eles Haiti, Burkina Faso, Peru e Nepal, todos vivendo a extrema miséria e carentes de comida, água, dignidade e momentos descontraídos, como aqueles proporcionados quando jovens atores vestem suas roupas coloridas, transformam-se em palhaços e fazem de tudo para que – pelo menos durante aquele momento – todas as mazelas da vida (e que nenhum ser humano merecia sofrer) sejam esquecidas.

Com uma experiência de 13 anos como médicos-palhaços percorrendo hospitais e asilos de Maringá e região, Penha e Hudson Zanoni estão acostumados a visitarem àqueles que nem sempre são lembrados. “Aprendemos de maneira prática como a vida deve ser simples e como podemos sempre dividir.”

E se poucos estão dispostos a visitarem um enfermo na cama do hospital ou mesmo um velhinho no asilo, que dirá se encontrar com um refugiado sírio buscando acima de tudo a sobrevivência? É justamente aí que entra o trabalho voluntariado dos palhaços maringaenses.

“Nosso objetivo é estar presente onde ninguém quer ir e assim levar, através da arte, alegria, amor e nossa cultura para essas populações”, diz Penha. “Acreditando que a ética do encontro pode mudar um dia ou uma vida de uma pessoa”, reforça.

E se cada um ajuda como pode, é com a arte clownesca que os palhaços não deixam de acreditar que rir, afinal, pode ser também um santo remédio. “A arte ajuda a salvar quando é feita de maneira responsável e está sustentada por uma estrutura maior que cuida das pessoas. Acreditamos que todo ser humano precisa de alimentação, moradia, saúde, segurança e muita arte (palhaço, dança, música, teatro, circo) para viver bem”, considera.

AJUDE
MISSÃO DESAFIO
Com os palhaços e atores Alexandre Penha e Hudson Zanoni
*A missão ainda recolhe recursos para a viagem; portanto, quem quiser ajudar e ainda conhecer melhor o projeto pode entrar em contato pelo e-mail [email protected] deamor.com.br ou WhatsApp: (44) 9930-7230

*Reportagem publicada nesta quarta-feira (4) no caderno Cultura, do jornal O Diário do Norte do Paraná

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