Autor: Wilame Prado



Sonhei com o Chico Xavier

Por Wilame Prado

queria fazer literatura
pós-moderna
mas leio no meio&mensagem que
não existe cara foda no stories
com mais de 30
nunca soube mexer no Snap
há um choque de geração
nasci em 1985
uma menina do ano de 1995
já não liga mais a TV
como a gente
fica no escuro
deixando-se iluminar
pela tela do celular
pelo mundo na palma da mão
o passado parece mais
não valer um tostão
voltemos às cadeiras de balanço
alpendres frescos numa tarde outonal
e sonecas de duas horas após
o almoço
e ela atualiza
comunica
se trumbica
convivências assépticas
e distante dos
dramas existenciais
graças a Deus
sonhei com relógios
que precisam ter
os ponteiros alterados
e agora o tempo mudou
histórias que se apagam
em vinte e quatro horas
vídeos de quinze segundos
mais de duzentas visualizações
uma curiosidade
também sonhei com Chico Xavier
o que isso significa?
talvez apenas mais um vulto
do passado
invadindo o presente
só em sonho
passados não têm futuro
a menina de 1995
pouco tinha ouvido falar
de Chico Xavier.

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Astronauta americano

Por Wilame Prado

757 estão assistindo agora a live
do astronauta americano
filmando o Planeta Terra.
Tá no Youtube
Passo o link se quiser
Tem trilha sonora boa
Calma
Tipo o som do útero da mãe
Das baleias dos oceanos mais distantes
Cavernas nunca habitadas no Mediterrâneo
Pessoas compartilham opiniões no chat
Mandam good vibes para o homem que está só
E pedem informações do Espaço
Ou então dizem da onde são
Dizem hi, mandam emojis
Sorrisos, Mundo, Coração
O astronauta americano virou a câmera
E mostrou o seu lustroso capacete,
de astronauta
Uma bandeira norte-americana
Na manga da camisa
Droga: um anúncio invadiu a conexão
Universo dos gamers
Propaganda da Vivo
De internet rápida
Para simular a imensidão
Que é ser só num quarto
Brincando de interatividade
Com games que não medem
o tamanho da solidão
A live voltou
A música calma também
O astronauta americano
não está só
No Espaço
Agora, 696 pessoas estão assistindo
No chat, o Youtube pede
Wilame Prado diga alguma coisa
Prefiro não dizer (escrever) nada
Um novo anúncio invade a tela
Não existe almoço grátis
Thiago Leifert prometendo
que a Claro faz milagre na comunicação
pulei o anúncio, claro
para voltar a ficar o olhando a branquidão
Tons azul embaixo das nuvens
Água céu mar
O nosso mundão
Equipamentos de uma nave sideral
Um astronauta fanfarrão
Só mais um americano que gosta de selfies
Só mais um representante da nossa geração
Passaria a vida olhando para o Planeta Terra
Para o homem que já não se assusta com a solidão
Mas e gente, aqui na Terra?
Perdidos na multidão de sete bilhões de seres
Meio estranhos, com sorrisos amarelos,
Forçando amizades
E combatendo sempre a solidão
A gente alimentando stories no Instagram
Para provar que a vida é mesmo muito boa
Provar apenas para nós mesmos
Piscina, academia, gatos, corpos, shakes, músicas, baladas, bebidas, mulheres, cigarros, pornografia, celebridades, subcelebridades, pseudocelebridades, gente tentando virar celebridade, vida, movimento, viagem, cada canto do mundo, frio, calor, chuva, sol, lua, estrelas, beijos, gatos novamente, roupas, perfumes, eletrônicos, acessórios “recebidos”, todos querem aparecer, filhos, avós, trabalho, trânsito, Neymar em Paris, gols, golaços, boomerang, imagem em câmera lenta, layouts, filtros, aberrações, políticos, propaganda, propaganda, propaganda, e notícias, e propagandas disfarçadas de notícias, mortes, nascimentos, mais um copo de cerveja, café, hambúrgueres, uma mensagem para empreender, mulheres, mulheres, mulheres…
Tudo isso na telinha
Na bolinha da historieta
Tudo isso e tão pouco,
Somente uma tradução:
relação de humanos e aparelhos inumanos
Estamos sozinhos na multidão
Wifi não garante afagos
É apenas uma simples conexão
Com o Espaço e,
infelizmente,
com o vazio
da vida
Lá em cima,
o astronauta americano nunca mais ficou só
E preferiu
Nunca mais voltar.

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Urubus na Zona 3

Wilame Prado
Agosto de 2015

Nunca saberemos ao certo de onde viemos e para onde vamos. Talvez seja melhor assim. Somos um pacote mal engendrado de costumes, tradições, culturas, rituais e manias. Viver é colecionar acontecimentos e sentimentos para, depois, no fim, morrer sem tirar muito proveito desta experiência.
Meu pai morreu aos 49 anos, em 2007. Descobri também que não sou pai. Perdi meu filho, que havia completado três semanas de vida dentro da barriga da mãe dele. Voltei para casa enquanto ela realizava um procedimento de curetagem. Uma espécie de colher metálica tirando do útero o resto de vida. Estava na sacada quando voltei a ver aquele enorme urubu pairando no ar. Ele insiste em trafegar pelo meu bairro, distante das zonas rurais, mas próximo de um parque ecológico. Não sei o que leva aquele urubu sobrevoar por entre prédios e casas da Zona 3 de Maringá.
A carniça, no entanto, está em todo lado. No jeito como as pessoas tratam as outras. Na política. Na CBF. E muito provavelmente na Zona 3 de Maringá. O urubu vai embora e preciso voltar ao hospital, onde visitarei uma paciente sem flores nas mãos, sem parabéns a desejar. Perdemos nosso filho, mesmo sem nunca sequer ter ouvido o batimento de seu coração.
Na primeira ultrassonografia, vi no semblante do médico que algo havia dado errado. Massas de cores acinzentadas foram as únicas imagens geradas num vexatório exame cujo outro homem introduz em sua mulher um objeto fálico, devidamente encapado com preservativo.
Naquele dia as temperaturas caíram no fim da tarde. Depois do exame, tive de voltar ao trabalho. Sem conseguir sequer olhar para os lados, com uma enorme pressão que parecia macetar meu cérebro, conclui rapidamente meus compromissos profissionais. No caminho de volta, senti o frio mais horripilante da minha vida: o frio da solidão dos derrotados. As lágrimas jorraram de minha face. Algumas pessoas testemunharam aquela cena grotesca: um homem barbado, em cima de uma moto, chorando copiosamente e seguindo o caminho.
É isso o que fazemos quando perdemos um filho: continuamos caminhando. Não tem o quê fazer. A depressão invade até a mais ínfima teia de aranha que se formou num canto obscuro do apartamento. Nessas horas, todos as pessoas do mundo – menos você – recebem a notícia de que serão pais, todas as propagandas são sobre xampus para bebês lindos que se divertem no banho.
Os conhecidos tentam um consolo. Procuram elencar os vários casos que têm conhecimento sobre gravidez interrompida por amigos, pais, parentes, irmãos, colegas, vizinhos, personagens de televisão. Poxa vida. Não é igual. Obrigado pelo consolo, mas não é igual, não é comum.
Não adianta, senhora obstetra, vir me dizer que, hoje em dia, 20% das gestações sofrem aborto espontâneo. O sofrimento individual não se ameniza com estatísticas.
Que se dane o mundo, a CBF, a Lava Jato, o urubu, a Zona 3. O sofrimento do mundo inteiro é menor que o meu. Eu perdi um filho. Eu perdi um pai. Os dias passam. A gente vai morrer. Todo mundo. Nunca saberemos ao certo de onde viemos e para onde vamos. Somos um pacote mal engendrado de costumes, tradições, culturas, rituais e manias. Talvez seja melhor assim.

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Retardatário

 

Por Wilame Prado

A vida real é sua maior aventura. Diz o slogan do Jeep Renegade. Carro que persigo há algum tempo. Pelas ruas, avenidas, rodovias. Até em outras cidades. Minha maior aventura já foi a vida real. É que preciso te encontrar. Falar o que senti. Tira, então, o pé do acelerador. Nem de perto consigo chegar. Você desliza pelo asfalto. Com seu Jeep preto. Com as suas coisas no banco de trás. Com a sua musiquinha no volume nem tão alto assim. Posso ver seus olhos diante do retrovisor. Lembrar, pelo menos. Sua beleza era tanta para comprar pão na padaria. Nunca pude entender suas manias. Até que tive ousadia. Disse que seria minha. Simples assim. Logo, aprendi que objetificava uma vida. Não há laço, vínculo ou relação. Com quem só quer correr na pista. Ir para frente. Esperar o sinal abrir. E sumir. Sua maior aventura foi o caminho que seguia. Nunca te alcancei. Um azarão da corrida. Ruim de volante. Medroso no velocímetro. E você corria, corria. Hoje não corre mais. Não se mexe mais. Não volta mais. Sigo lhe procurando. Perseguindo Jeeps Renegades pretos. Alucinado no autoengano. Entrando em confusão. Sendo chamado de ladrão. Pedindo perdão. Com a cara no chão. Nunca pude entender acidentes de trânsito. A violência. A vida num segundo. O choque. Ferragens retorcidas. Design terrorista. A mais bela aventura. Lançamento do ano. Modelo amassado. Airbags já acionados. ABS desperdiçado. E sangue no asfalto. Vida real. Você não é mais real. Nunca foi. Ia além. Mãos no volante. Pé no acelerador. Olhos no retrovisor. A mais bela das motoristas. Sigo a procurar este seu olhar. Mas sempre estou atrasado.

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Vinte minutos, uma vida

Por Wilame Prado

O escritor paulista Daniel Galera contribuiu satisfatoriamente com a história recente do Brasil no romance “Meia-Noite e Vinte” (Companhia das Letras, 208 páginas, R$ 34,90). Como poucos na literatura contemporânea, explorou o contexto online brasileiro, do advento da internet em 1995 até janeiro de 2014, tempo vivido pelos personagens do livro, a partir do assassinato de Andrei Dukelsky, conhecido por Duque.

Na trama, Duque fora um dos criadores do fanzine digital Orangotango (inspirado no verídico Cardosonline, o qual Galera fez parte), vindo a se tornar realmente escritor. Aurora, Emiliano e Antero – amigos dele, também colaboradores do fanzine nos idos de 1999 – são os narradores em primeira pessoa de “Meia-Noite e Vinte”, todos abismados com a morte banal daquele que prometia ser um dos grandes escritores brasileiros.

Em cada capítulo, uma voz diferente. Primeiro, Aurora: doutoranda em Biologia que conheceu o pessoal do fanzine quando fazia Jornalismo e que, principalmente após a morte de Duque e após uma negativa numa apresentação acadêmica, se vê inserida na espiral do pessimismo dos tempos de agora, a qual lhe faz pensar no fim do mundo. Depois, Emiliano, jornalista freelancer mais velho, gay e que está incumbido de escrever uma biografia do amigo escritor morto. Por fim, Antero, um exótico inteligente da área de Humanas que, mais velho, casado e com filho, acaba ficando rico com o passar dos anos após fazer sucesso com a sua agência de publicidade.

Daniel Galera consegue convencer ao propor três modos diferentes de contar uma história cheia de pontos em comum, sempre direcionada à vida e obra de Duque. O contexto do romance se destaca mais que a história principal: a de três amigos que se reencontram numa Porto Alegre real e terrível – verão escabroso, fedida e cheia de greves – para um velório.

“Meia-Noite e Vinte” não é sobre amizade, porém: é sobre internet, hábitos de uma geração que começou com o ICQ e chegou ao WhatsApp e aos chats pornográficos, os perigos da literatura em meio ao que é banal e principalmente sobre o tempo que escorre das mãos, todos ficando velhos e cansados, mas ainda tão próximos e nostálgicos da época da juventude, da virada do milênio, anos 2000.

A história se aproxima do leitor porque, arrisco dizer, o leitor de Galera viveu boa parte daquilo narrado por Aurora, Emiliano e Antero. Ler “Meia-Noite e Vinte” é como ler a sua própria história recente, sentindo saudosismo e ao mesmo tempo refletindo amargamente o quanto tudo parece estar cada vez pior – ainda que com as facilidades flagrantes de uma vida pós-moderna que se esgota quase que inteiramente olhando para uma tela de smartphone.

É como se tivéssemos perdido a noção do tempo e, também, a queima de fogos tradicional da virada de ano, na meia-noite. Passaram-se vinte minutos, uma vida se passou.

ESTANTE
MEIA-NOITE E VINTE
Autor: Daniel Galera
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 208
Preço sugerido: R$ 34,90

*Resenha publicada no caderno Cultura do Diário em 24 de fevereiro de 2017

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Julgamento do século na Netflix

Grande elenco em “The People v. O. J. Simpson: American Crime Story”

Por Wilame Prado

A série estreante mais assistida de 2016 chegou semana passada na Netflix. “The People v. O. J. Simpson: American Crime Story” (do canal pago FX) narra, em dez capítulos, aquele que foi intitulado pela mídia como o julgamento do século.
O ano era o de 1994 e o caso é do ex-jogador de futebol americano Orenthal James Simpson, acusado de ser o responsável pelo brutal assassinato da ex-mulher e de um amigo dela.
Composta por atores brilhantes – como Cuba Gooding Jr., Sarah Paulson, Courtney B. Vance e John Travolta –, a série surpreende pela capacidade de dinamismo. Em meio a incontáveis cenas de tribunal, em capítulos longos, com cerca de uma hora, em nenhum momento leva quem está assistindo ao tédio.
A típica série em que não se consegue parar de ver até o desfecho.
Com a proposta de narrar casos reais e famosos no mundo todo, os criadores de “American Crime Story” corria um grande risco: afastar o público em razão dos spoilers. Pelo menos nesta primeira temporada, isso não ocorreu: talvez tirando os espectadores mais jovens, muita gente ainda se lembra do desfecho do julgamento de Simpson, concluído apenas em 1995, após mais de 350 dias de julgamento. No entanto, não é o fim que importa e sim o desenrolar dos fatos, além dos fascinantes bastidores do poder.
Direito e mídia
Assistir a esta primeira temporada é exercício para se tecer sérias reflexões sobre o Direito, o Jornalismo, a “espetacularização” dos julgamentos e a criação de heróis envoltos à fama alcançada pelos esportes e pela televisão.
Além disso, “The People v. O. J. Simpson: American Crime Story” relembra o racismo contra negros nos Estados Unidos e, ao mesmo tempo, a força da coletividade da comunidade negra daquele país. Enfim, série muita bem produzida e que trata de assuntos importantes da história recente mundial.
A série recebeu 22 indicações no Emmy, levando cinco estatuetas na premiação. No Globo de Ouro, foi indicada cinco vezes, vindo a faturar dois prêmios. Outras três temporadas de “American Crime Story” estão garantidas pelos produtores.
O segundo ano da série vai focar nos acontecimentos do furação Katrina, o qual gerou quase duas mil mortes em Nova Orleans e no sul da Flórida em 2005. A terceira temporada focará em Gianni Versace, estilista da alta costura italiana que foi assassinado pelo gigolô Andrew Cunanan em 15 de julho de 1997. E a quarta temporada contará a famosa história do escândalo envolvendo o ex-presidente dos EUA Bill Clinton e a estagiária da Casa Branca Monica Lewinsky.

*Texto publicado em 10 de fevereiro no caderno Cultura, do Diário

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‘O leitor é um grande mistério’, diz Hatoum

Estreia segunda-feira (9) a minissérie da Globo “Dois Irmãos”, inspirada em romance homônimo de Milton Hatoum. Um dos autores em atividade mais respeitados do País respondeu três perguntas sobre a série, o livro e leitores:

Por que “Dois Irmãos” tem atraído tantos projetos artísticos que extrapolam as páginas do livro?
Não sei dizer o que motivou adaptações para o teatro, HQ e minissérie, mas deve ter algo a ver com a trama do romance, o modo de narrar e a linguagem. Um drama familiar em contraponto com a decadência de Manaus num período de brutalidade da história brasileira recente. O mais relevante numa ficção é a forma de narrar. E o narrador do “Dois irmãos” não pertence à família de imigrantes libaneses. Nael é um agregado, um personagem que veio de baixo, filho de uma empregada, uma índia que trabalha para sobreviver. Ele consegue estudar graças ao avô (Halim) e os estudos dão a ele a capacidade de refletir e escrever sobre o passado. O narrador não sabe quem é seu pai. Talvez esse drama moral, a paixão de Zana (mãe dos dois irmãos) por um dos filhos e outros conflitos tenham atraído a atenção dos leitores. Mas o leitor é também um grande mistério.

Essas possibilidades que cercam a literatura aproximam as pessoas dos livros?
Acho que aproximam. Sei que vários leitores da adaptação do Fábio Moon e do Gabriel Bá leram também o “Dois irmãos”. Certamente isso está acontecendo ou vai acontecer com os espectadores da minissérie.

Como o senhor se sente quando vê a sua obra sendo utilizada em outras artes, como a dos quadrinhos e da teledramaturgia?
Foi um golpe de sorte ou uma feliz fatalidade. Os artistas gráficos são excelentes, assim como a direção de Luiz Fernando Carvalho, o roteiro da Maria Camargo, os atores, figurinistas e toda a equipe da minissérie. Fico contente em compartilhar com esses artistas a história e a linguagem de um romance a que dediquei quase dez anos da minha vida. Na verdade, eles não adaptaram, e sim recriaram a essência do romance em outra linguagem. Penso que meus leitores gostaram dos quadrinhos e vão apreciar a beleza visual da minissérie.

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Coluna Estante – Nakasato no Enem, Drummond, Assunção, Rebinski e prêmios literários

Por Wilame Prado

NAKASATO NO ENEM Quer ir bem no Enem? Leia mais! Uma das questões da prova aplicada no último fim de semana foi referente à “Nihonjin”, romance do maringaense Oscar Nakasato.

PAI O jornalista da CBN Maringá Victor Simião descobriu que a própria filha do Nakasato, a Tama, 15, fez o Enem e achou a questão envolvendo o livro do pai um tanto complexa. Na questão, havia um generoso trecho de “Nihonjin”.

DRUMMOND DEU AVAL O escritor de Londrina e radicado em São Paulo Ademir Assunção mostrou antigo cartão esta semana em seu Face. Nele, Carlos Drummond de Andrade, um dos maiores poetas brasileiros, elogiava material literário de Assunção. O cartão é de 30/11/1983: relíquia.

PIG BROTHER Por falar em poesia e por falar em Ademir Assunção, o seu ótimo “Pig Brother” (Patuá) é finalista do Prêmio Jabuti na categoria Poesia. Li e recomendo.

CÁLCULO POÉTICO E ainda sobre Drummond, vale a leitura da reportagem da revista piauí de outubro sobre Manolo, genro argentino do poeta que deixou livro inédito sobre as rimas e métricas drummondianas. Nos cálculos de Manolo, Drummond escreveu 38 mil versos, dos quais apenas 13,66% eram rimados.

ESTREIA O jornalista curitibano Luiz Rebinski Junior, da Biblioteca Pública do Paraná, estreará na literatura. O romance “Um Pouco Mais ao Sul” (edição própria) será lançado em Curitiba no dia 19 de novembro.

PRÊMIOS Até 30 de novembro, estão abertas as inscrições para o Prêmio Kindle de Literatura, na categoria Ficção/Romance. Vencedores receberão R$ 20 mil. Mais informações: www.amazon.com.br.

PRÊMIOS II E nas categorias Conto, Poesia e Literatura Infantojuvenil, estão abertas – até 12 de dezembro – as inscrições para o Prêmio Off Flip, que oferta aos escribas agraciados R$ 30 mil em dinheiro, além de residência literária em Paraty. Regulamento: www.premio-offflip.net.

*Coluna Estante sai às quintas-feiras no caderno Cultura, do jornal O Diário do Norte do Paraná

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Coluna Estante – Sobre Tezza

Por Wilame Prado

EM ALTA Cristovão Tezza, que mora em Curitiba, está com agenda cheia. Ele tem lançado pelo País o seu mais novo romance, “A Tradutora”.PONTE AÉREA O autor do premiadíssimo “O Filho Eterno” estava ontem em SP, mas retornaria hoje a Curitiba.

E MARINGÁ? A última vez que Tezza esteve em Maringá foi em 2010, pela Semana Literária do Sesc, atração que infelizmente não foi realizada este ano na cidade.

BEATRIZ DE VOLTA Em “A Tradutora”, a personagem Beatriz está de volta. Ela é a mulher pelo qual o escritor Paulo Donetti admite que cometeu um chamado erro emocional, o de se apaixonar por ela, no romance “Um Erro Emocional”, de 2010. A personagem também já foi usada em um conto antigo do catarinense e ex-professor da Universidade Federal do Paraná.

IMAGINE NA COPA A nova história de Tezza é passada em Curitiba, onde a tradutora Beatriz topa ser intérprete de um dirigente da Fifa que chega à cidade para a Copa do Mundo de 2014. Ela também está em meio a uma tradução de um livro catalão e, claro, em contato com o persistente Donetti, que, agora, solta uma dessas: “Não me deixe, preciso da minha leitora pela última vez”.

CRÍTICA GOSTOU Ainda não li “A Tradutora”. Preciso, antes, ler “O Professor”, romance de Tezza lançado em 2014. Mas li algumas críticas, como a de Vanessa Ferrari, da Folha, que avaliou “A Tradutora” como “Bom”.

MODERNIDADE LÍQUIDA Este trecho da crítica da Vanessa me instigou ainda mais a ler “A Tradutora”: “Há no romance a modernidade líquida de que fala Zygmunt Bauman, em que tudo evapora, está fragmentado e perde o sentido muito antes de se consolidar.”

NOITE EM CURITIBA Para fechar o papo sobre Tezza, lembro até hoje da expectativa que tinha em ler a obra mais comentada entre as catalogadas para o vestibular da UEM, o tocante “Uma Noite em Curitiba”, romance que estimulou muita gente a se interessar pelo universo literário. Valeu, Tezza!

*Coluna Estante sai às quintas-feiras no caderno Cultura, do jornal O Diário do Norte do Paraná

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Coluna Estante – Cunha escritor e Temer poeta

ÓCIO CRIATIVO Na cadeia, o político Eduardo Cunha (PMDB-RJ) terá bastante tempo para finalizar o livro que disse estar escrevendo.NOVO IMORTAL? Após ter o mandato cassado por 450 votos, Cunha fez o importante comunicado ao universo literário: está escrevendo um livro sobre o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

LETRAS DE TEMER Poucos sabem, mas o presidente Michel Temer (PMDB) tem vários livros publicados, principalmente na área do Direito. Alunos do curso da UEM, inclusive, já estudaram obras dele.

POESIA ESTÁ NO AR Temer também já se permitiu alguns versos. “Anônima Intimidade”, com poemas do presidente, saiu pela TopBooks em 2012.

IMPEDIDO Quem leu “Anônima Intimidade”, garante: apenas um dos poemas de Temer já seria motivo para o impeachment do paladino das letras.

TÔ PASSADO Tire suas próprias conclusões lendo o poema “Passou”, de Temer:
Quando parei
Para pensar
Todos os pensamentos
Já haviam acontecido.

MOMENTO DE REFLEXÃO Ou, então, o poema “Pensamento”:

Um homem sem causa
Nada causa.

O ÚLTIMO, PROMETO O poema “Saber”, do Temer, foi premonitório se relacionarmos ao episódio do impeachment da Dilma. Leia:

Eu não sabia.
Eu juro que não sabia!

SEJA UM BEST-SELLER Saiu uma pesquisa, a “The Bestseller Code”, com vários passos para escrever um livro de sucesso. Eis alguns: 1-Uma heroína jovem, forte e levemente desajustada; 2-Intimidade sim, sexo não; 3-Evite pontos de exclamação!; 4-Cachorros são melhores do que gatos; 5-Finais tristes estão liberados e são ótimas deixas para uma série. Partiu escrever?

*Coluna Estante sai às quintas no caderno Cultura, do jornal O Diário do Norte do Paraná

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