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Desligue o computador e vá ler um livro

Fico feliz quando leio a notícia de que, por lei, agora toda escola brasileira deverá ter, em suas mediações, uma biblioteca instalada. Fico mais feliz ainda quando, de acordo com as determinações dessa lei, é obrigatório que essa biblioteca ofereça pelo menos um livro por estudante daquela instituição. Ou seja, se a escola tem 100 alunos matriculados, a biblioteca terá de ter, no mínimo, 100 livros à disposição da gurizada.

Se realmente esta lei pegar, lembrando-se do fato de que inúmeras leis no Brasil não são respeitadas, vai ser mais fácil para os professores estimularem o hábito da leitura, já que terão material disponível na biblioteca suficiente para que todos possam levar livros para casa e também para a sala de aula.

Fosse eu um professor, faria, pelo menos uma vez por mês, um debate com troca de ideias sobre determinado livro que estivesse nas prateleiras da biblioteca escolar. Mas, para isso, o mestre do quadro negro e do giz também deve ter o hábito da leitura. Caso contrário, o professor estará fazendo o mesmo papelão do pai que fuma e chicoteia o filho quando descobre que o peste está fumando escondido na casa dos amigos.

Portanto, fosse eu um coordenador, faria, pelo menos uma vez por mês, um debate com troca de ideias sobre determinado livro que estivesse nas prateleiras da biblioteca escolar. A diferença do parágrafo acima é que, em vez da molecada, quem deveria participar deste encontro seria todo o corpo docente do colégio. Mas, para isso, o coordenador também precisa gostar de ler, ora pois.

Sendo assim, fosse eu um diretor, e agora vou além, esforçaria-me para que, pelo menos uma vez por mês, todos, absolutamente todos do colégio, participassem de um debate sobre determinado livro para que a troca de ideias envolvendo a literatura e o prazeroso hábito de ler pudesse se tornar algo maior, algo especial, um evento mesmo.

Desta maneira, quase que utopicamente é verdade, enxergo um colégio de leitores, crianças leitoras, jovens leitores, professores leitores, coordenadores leitores, diretores leitores, merendeiras leitoras, serventes leitores, secretárias leitoras, porteiros leitores, enfim, uma escola leitora.

Parece pouco ler um livro por mês, o que resultaria no total de 12 livros por ano. Mas, por incrível que pareça, a média do brasileiro é de apenas 4 livros lidos ao ano. Eu disse apenas 4 livros lidos ao ano. Com o mutirão nos colégios, essa marca mais que dobraria.

E, com o passar do tempo, a molecada, sem dúvida nenhuma, pegaria o gosto pela coisa e conseguiria ler mais em menos tempo, e então o colégio faria dois encontros mensais discutindo os livros lidos, e, com o tempo passando, muitos criariam por meta ler três livros por mês, e, por fim, todo esse pessoal do colégio conseguiria atingir a média de incríveis 36 livros lidos ao ano.

Deixa eu parar de sonhar alto e voltar às minhas sagradas leituras. Para quem tem curiosidade em saber, atualmente estou no meio da leitura de cinco livros: dois romances, dois de crônicas e um de conto. E você, caro leitor do blog? Já leu algum livro neste mês de maio? Se ainda não, faço a recomendação: desligue o computador e vá ler um livro!

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