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Shopping Cidade recebe feira de vinil

Colecionadores conferem as opções de discos dos expositores na última Feira do Vinil; feira de hoje é no Shopping Cidade (Foto de Andye Iore)

Colecionadores conferem as opções de discos dos expositores na última Feira do Vinil; feira de hoje é no Shopping Cidade (Foto de Andye Iore)

Por Wilame Prado

No mês passado, durante a Sacola Alternativa – feira que reuniu 18 selos musicais independentes em São Paulo –, provou-se o seguinte fato: com a queda vertiginosa do faturamento da indústria fonográfica (de US$ 27,8 bilhões em 1999 para US$ 15 bilhões em 2013), é preciso seguir por outros caminhos. Além da proposta independente, com lançamentos de álbuns para downloads se tornando a cada dia mais comuns, o discos de vinil, que crescem em vendas nos últimos anos, também é outra saída para as bandas. Somente em 2014 foram comercializados 8,3 milhões de discos de vinil nos Estados Unidos, o que representou um aumento de 38% em relação a 2013.

As feiras que reúnem colecionadores dispostos a trocar, comprar e vender os famosos bolachões são exemplos da força que tem o vinil atualmente, e não apenas nos grandes centros. O Clube do Vinil de Maringá, um grupo do Facebook que já tem 150 membros, realiza neste sábado a quinta edição da Feira do Vinil, no Shopping Cidade, a partir das 10 horas, com entrada franca. Serão 20 expositores (de Maringá, Londrina, Cianorte e Santo Anastácio-SP) abrindo a tampa de suas caixas repletas de discos e oferecendo aos amantes da música um acervo de milhares de títulos de rock, MPB, reggae, eletrônico, rap, entre outros, além de acessórios ligados à cultura do vinil.

Para o jornalista Andye Iore, colecionador de discos e idealizador do projeto cultural Zombilly, os números demonstram um crescimento da Feira do Vinil, que já pode ser considerada regional. “Temos feito contato com colecionadores de discos da região e sempre tem gente pedindo para participar do Clube do Vinil”, diz ele. Bruno Gehring, responsável pela Vila Cultural Kinoarte, é um dos representantes londrinenses na feira. Ele chega a Maringá, ao lado de Gustavo Veiga (Na Agulha Discos) e Lucas Ricardo Silva (Lucas Discos), com cerca de 600 discos vindos diretamente de Londrina para o público maringaense.

“É a nossa primeira participação na feira do vinil em Maringá. Não sabemos ao certo o gosto do público, mas ouvimos dizer que vinis de rock têm bastante saída. Mas somos ecléticos: da minha coleção, ofereço mais groove e black music, tenho uns raros do Michael Jackson; o Gustavo mostra a sua coleção de MPB e o Lucas aposta mesmo no rock”, diz Gehring.

Já em sua quinta edição em apenas um semestre, a Feira do Clube do Vinil de Maringá também tem mexido com gente da cidade. O produtor cultural e colecionador Paulo Petrini faz a sua estreia neste sábado. “O Clube do Vinil é a criação de um espaço cultural importante na cidade. Fiquei emocionado logo na primeira feira realizada e, desde então, não parei de pensar em minha participação”, afirma.

Com as participações na feira de vinil, o empresário Robespierre Tosatti, que mantém o atuante sebo Fonte do Livro na área central de Maringá, também repensou o seu relacionamento com os LP´s. “Antes, só vendia e comprava, pensando no sebo. Depois da feira, me tornei também um colecionador. Adquiri uma vitrola usada – uma Sanyo muito boa, toda automatizada – e hoje tenho uma coleção pequena, de uns 400 discos. Aqui no sebo, tenho um espaço reservado para ouvir meus discos, os quais não coloco à venda de jeito nenhum.”

Desenhos de Agostini no vinil
A popularidade da Feira do Vinil maringaense extrapolou as fronteiras paranaenses e chegou ao Estado de São Paulo, mais precisamente a Santo Anastácio. É lá que mora o artista plástico Zeca Agostini, 52, que utiliza o spray de grafite e a tinta acrílica para criar desenhos em cima da mídia do vinil. “Fica a critério das pessoas, mas muitos enquadram ou penduram o próprio vinil na parede”, conta Agostini, que participa hoje da quinta edição da Feira do Vinil apresentando a sua arte.

Para esta edição, ele programava trazer uns 20 trabalhos, alguns pensados especialmente para a feira. “Levarei quatro discos, cada qual com o retrato pintado de cada um dos quatro integrantes dos Beatles”, exemplifica.

PARTICIPE
5ª FEIRA DO VINIL
Onde: Shopping Cidade (Avenida Tuiuti, 710)
Horário: das 10h às 18h
Participam 20 expositores para compra, venda e troca
Entrada franca

*Reportagem publicada neste sábado (14) no caderno Cultura, do jornal O Diário do Norte do Paraná

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Charme Chulo precisa de você

VAQUINHA. Integrantes do Charme Chulo: Douglas Vicente, Igor Filus, Leandro Delmonico e Hudson Antunes. —FOTO: DIVULGAÇÃO

VAQUINHA. Integrantes do Charme Chulo: Douglas Vicente, Igor Filus, Leandro Delmonico e Hudson Antunes. —FOTO: DIVULGAÇÃO

Por Wilame Prado

l Banda de rock rural paranaense inicia campanha de financiamento coletivo para gravar terceiro disco

l Liderada por dupla de primos maringaenses, o Charme Chulo quer retornar ainda mais crítico e inovador

A banda paranaense Charme Chulo iniciou um novo desafio na carreira: arrecadar de fãs e amigos, no site catarse.me (especializado no financiamento coletivo ou crowdfunding), a quantia de R$ 30 mil para viabilizar as gravações, prensagem e lançamento do álbum duplo “Crucificados pelo Sistema Bruto”, terceiro disco da banda e que vem sendo anunciado desde o ano passado.

Os primos maringaenses radicados em Ponta Grossa e Curitiba respectivamente Igor Filus (vocal) e Leandro Delmonico (guitarra e viola caipira), ao lado dos curitibanos Hudson Antunes (contrabaixo) e Douglas Vicente (bateria) têm até 14 de maio para arrecadar a verba e finalmente entrar para o estúdio e gravar as 20 faixas que comporão os dois álbuns. Tarefa árdua: na tarde de sexta-feira, faltando 34 dias para o término da campanha, os chulos charmosos tinham conquistado R$ 4.440 de 64 apoiadores do crowdfunding. Segundo o site, se ao final da campanha o montante não for atingido o dinheiro daqueles que autorizaram o aporte financeiro é devidamente devolvido.

Ainda de acordo com as regras definidas na campanha, as contribuições podem ser iniciadas com R$ 10 e não há limite para ajudar. Com a parcela mínima, o apoiador da banda tem direito a download de cinco faixas do disco, além de ter o nome citado no site e no encarte do álbum.

Na maior contribuição, a de R$ 5 mil ou mais, o fã leva para casa download antecipado do disco completo, cinco cópias autografadas do disco duplo, duas camisetas personalizadas e ingressos (com acompanhante) para todos os show do Charme Chulo durante um ano; nesse pacote, a empresa ou pessoa se torna patrocinadora oficial do disco, tendo direito a inserir na contracapa nome ou logo.

Para Igor Filus, ainda que com as recorrentes dificuldades para convencer alguém a tirar dinheiro do bolso por projetos alheios, o financiamento coletivo foi a alternativa encontrada para, pelo menos, tentar viabilizar o lançamento do terceiro disco do Charme Chulo, que tem um custo maior por se tratar de dois álbuns cheios. Além disso, afirma o músico, a campanha acaba se tornando também uma proposta inovadora que auxilia, principalmente nas redes sociais, na divulgação do trabalho.

Viola experimentada
E se não é possível, pelo menos por ora, disparar na rede as faixas do terceiro disco – com exceção de duas canções, “Ninguém Mandou Nascer Jacu” e “Coisas Desesperadoras do Rock ´n Roll”, que já ganharam até clipes – o Charme Chulo dá pistas do que pretendem levar para os fãs com “Crucificados pelo Sistema Bruto”.

A primeira revelação de Igor parte da ordem ideológica da coisa: a banda, que já vive um hiato de cinco anos sem um novo disco, critica o sertanejo universitário e o lado comercial envolvendo a música no País. “Num mundo onde o comércio e a publicidade tomam conta absolutamente das relações humanas, haverá inevitavelmente um espaço ínfimo para produtos com estas qualidades (canção, letras, arte, cultura). Então, na verdade, estamos todos crucificados pelo sistema bruto, pelo sertanejo universitário, pelo consumismo, pelo materialismo, individualismo etc. E a gente se engana: não é o planeta que precisa ser salvo, mas sim os seres humanos”, dispara o vocalista.

Sobre o som, a viola caipira continua firme, tocada por Leandro Delmonico. No entanto, alerta Igor, a banda aposta em inovações. Está mais madura e experimentalista, afirma ele, referindo-se ao disco que completará uma espécie de trilogia do Charme Chulo, surgida há onze anos. “Tudo através de letras mais cruas e diretas. E sem perder a identidade do grupo. Musicalmente, os horizontes serão ampliados, levando a viola caipira para novos passeios além do rock, como jazz, reggae, eletrônica, música de oktoberfest, de restaurante, funk carioca, karaokê, entre outras.”

Maringá
Sempre atento às demonstrações de carinho dos fãs de Maringá – gente da cidade já aderiu à campanha do financiamento coletivo – o autor da canção “Galo Maringá” – faixa do disco “Uma Nova Onda Caipira” e uma das mais belas homenagens musicais já feitas para cidade – diz que, ainda que mais discretamente, Maringá continua servindo de referência para novas composições.

“Com as novas incursões musicais do disco, a essência maringaense da banda só aumentará e será fortalecida, mais do que nunca. A alma caipira e de noturna luminosidade dessa cidade não tem como sair de nossas inspirações, jamais”, decreta Igor, que pede o apoio dos maringaenses no financiamento coletivo: “Estamos loucos pra retribuir o apoio do público com a porrada de músicas mais inspiradas de nossas vidas. Só a incerteza inspira. É muita emoção. Me rodeia, Maringá!”

PARTICIPE 
CROWDFUNDING
Para quê: produzir e lançar o álbum duplo “Crucificados pelo Sistema Bruto”, da banda Charme Chulo
Como ajudar: comprando, através de cartão de crédito, algum dos produtos/prêmios oferecidos, em forma de kits, na página oficial do financiamento coletivo
Onde: www.catarse.me/charmechulo

JAIR NAVES CONSEGUE MAIS DE R$ 29 MIL COM CROWDFUNDING

Faltando quatro dias para o término do prazo da campanha de arrecadação de dinheiro via crowdfunding, na semana passada o músico paulista Jair Naves conseguiu a verba necessária para produzir e lançar o segundo disco. Com os mais de R$ 29 mil arrecadados pelo financiamento coletivo, ele prevê para o segundo semestre deste ano o lançamento do CD, que ainda não tem nome definido.

Conforme as regras preestabelecidas no site catarse.me, onde a campanha era mantida, a primeira prensagem do disco será prioritariamente destinada aos apoiadores que investiram dinheiro. Dinheiro esse que será usado para pagar as despesas de gravação, mixagem, masterização, prensagem dos discos e arte gráfica.

Jair Naves informa que o próximo trabalho será gravado no Estúdio El Rocha, em São Paulo, mesmo local onde gravou o seu álbum de estreia, com o sugestivo nome “E você se sente numa cela escura, planejando a sua fuga, cavando o chão com as próprias unhas”.

O novo trabalho de Jair Naves terá participações de Bárbara Eugênia, Beto Mejia (Móveis Coloniais de Acaju) e Camila Zamith (Sexy Fi), entre outros a serem confirmados.

*Reportagem publicada em 13 de abril no caderno Cultura, do jornal O Diário do Norte do Paraná

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Cavalo

Por Wilame Prado

Faz alguns meses que a palavra “cavalo” não sai de minha cabeça. Culpa de “Cavalo”, tão aguardado disco solo de estreia de Rodrigo Amarante, lançado recentemente. Um dos barbudos de Los Hermanos, amado e odiado pela inconsistência vocal e pela emoção transbordada em canções e dancinhas em cima do palco, voltou cheio de vazios, letras e sons que pegam a gente de jeito: estamos mais reflexivos com as coisas do amor e da vida, e isso é culpa de “Cavalo”.

Pensar na palavra “cavalo” com mais frequência é culpa também de meia dúzia de afirmações consideráveis dadas por Amarante, que, com seu jeito nonsense e metafísico, acaba sempre dizendo algumas coisas que ficam, depois, martelando na cabeça. Sim, estamos mais reflexivos. O compositor, multi-instrumentista e cantor deu para falar com jornalistas e explicar sobre o porquê do nome “Cavalo” e tantos outros porquês. Quem ganha é o fã. Ou não: estamos pensando muito na palavra “cavalo” e também sobre as canções deste novo trabalho.

Quero falar sobre cavalos – não só do disco, mas também do animal. Posso neste momento estar meio que plagiando Rodrigo Amarante. Li algumas coisas e assisti a algumas de suas entrevistas. Não importa. Gostaria apenas de convidar o leitor para que imagine um belo e lustroso cavalo. Nobre, como se traduz a estética do cancioneiro de Amarante. Um bicho cheio de significações – para o bem e para o mal –, tal qual este disco que tocará talvez eternamente em minha vitrola imaginária traduzida em arquivos de MP3 com pouca qualidade.

Chamar alguém de cavalo pode ser xingamento ou elogio. No futebol, cavalo é aquele que comete muitas faltas. No trabalho, um cavalo pode ser aquela pessoa que encara os desafios com a força de um cavalo, com energia extravasada. Um carro veloz tem bastantes cavalos. Um marido que enche a sua mulher de pancadas é chamado de cavalo covarde. Uma das cenas mais marcantes da trilogia The Godfather é composta por uma cabeça de cavalo ensanguentada posta sobre os lençóis caros de seda, em cima da cama de seu dono. Cavalos marinhos, cavalos no jogo de xadrez e cavalos mitológicos: unicórnios, pegasus e centauros. Cavalo do culto afro-brasileiro.

O cavalo é a continuação do cavaleiro e, posto assim, torna-se um dos animais mais humanos que se tem notícia. Um cavalo pode tornar um homem milionário. Um homem que tem quase nenhum dinheiro por vezes conta com a ajuda e amizade do cavalo na lida com os papelões entre as lixeiras ou então transportando lavagens para o chiqueiro dos porcos. Ali, estará o homem. Ao seu lado, um cavalo. E assim se conta boa parte da história das civilizações. O homem ao lado de seu cavalo. Rodrigo Amarante é um cavalo da música brasileira. “No olho do cavalo/Espelho imaculado/O duplo e eu”, afirma o próprio na letra da música “Cavalo”. Um cavalo da MPB no bom sentido, claro: relincha Tom Zé (“Cometa”), Caetano Veloso (“Irene”), Vinicius e Baden Powell (“Maná”).

Muitos podem utilizar “Tardei”, uma de suas belas canções, para exemplificar a demora do músico para finalmente se lançar em carreira solo. Talvez ele tenha visto os tombos nos trotes acelerados em que muitos têm se arriscado na carreira musical. É difícil não cair do cavalo. Por isso, vem em galope suave e sereno para com as suas propostas artísticas. Montado no cavalo, olha o horizonte distante e talvez nem saiba aonde quer chegar, apenas que precisa continuar a caminhar. Amarante é um estrangeiro vindo de um canteiro, onde as berinjelas se roxeiam ao amanhecer, segundo a deliciosa canção “Mon Nom”.

Nas galopadas, canta em inglês, francês e português. A língua não importa. O que vale é a poesia. E a amizade com o cavalo, já que los hermanos ficaram para trás.

*Crônica publicada nesta terça-feira (12) na coluna Crônico do caderno Cultura (O Diário do Norte do Paraná)

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Tweets, ‘Cavalo’, Rodrigo Amarante, Tardei

Por Wilame Prado e Rodrigo Amarante

Hoje é o seguinte: “Cavalo” e só. Como tem sido há alguns dias. //Quando eu vejo você/ Me olhando assim/ Vendo em mim/ O que eu vejo em ti//.

Milagre seria não ver, Irene.

Foi meu professor/Foi meu cúmplice/Sua mente, eu sei/Só chego ao índice. De Amarante para o poeta morto Ericson Pires.

“The Ribbon” mostra o melhor de Amarante, o melhor! Assim como em “O Vento”, “O Moço e o Velho”, “Primeiro Andar” e “Os Pássaros”.

Quem na rua se perde/Encontra o que pede/Acerta o que mede/E conta até errar/Que o erro é onde a sorte está. >>>Estamos prontos para o fim.

Por fim, “Tardei” (Amarante) e “Tardei”:

Tardei

Por Wilame Prado

Tardei, no lado oeste da cidade de pequeno porte
o sol caía
o moleque recolhia o par de chinelo-trave
o shortinho curto da moça tapava o paraíso
a senhora terminava de varrer a sujeira do mundo
e eu,
enquanto deixava a máquina automobilística me levar para mais próximo das nuvens,
tardei

Tardei porque não queria te ouvir, ver ou sentir
Tardei porque são desesperadoras as tardes de domingo
Assim como são desesperadoras qualquer tarde, de qualquer dia
Tardei para evitar a fadiga
Apaziguar os ânimos
Esfriar a cabeça
Amenizar a situação
Tardei para ver se, longe de mim, a casa ficasse em ordem

Lembro-me bem
Estava, sentido aos céus, no lado oeste da cidade de pequeno porte,
Quando tardei
E lá fui deixando a máquina me levar,
Marcha macia, brisa na cara, paraíso escondido, brincadeira acabada, sujeira varrida

No tardar, subi
Vi poeira leve e inofensiva pelo retrovisor
E estava mais determinado que nunca: o mundo ficou para trás
Cenário e gente serviam de retardatários
Tardei enquanto o sol caía, enquanto a tarde caía e tardava também
Subi em linha reta e notei que havia chegado a hora de parar
Dois pontos, uma linha, ponto de partida, ponto de chegada

Uma cerca, afinal, impedia-me de seguir adiante
Tardei mais um pouco por ali
Era voltar para trás ou tardar
Era encarar a sobrevivência ou me perder de vez
Em pensamentos, em frases soltas, em parágrafos imaginários,
Em sonhos daquilo que já foi e não foi e nunca será

Tardei e deixei, aos poucos,
não as obrigações
As saudades sim
Levarem-me para trás
Regredir nem sempre é sinônimo de fraqueza
Pode ser sintoma de experiência, pode ser fortificação

E hoje continuo tardando
Mais sereno
Sem tanto sacolejar as pernas
Olhando até mesmo as tardes de domingo passar
Azulejos refrescantes do alpendre da casa grande
Cadeiras de área, na área
Em outros pontos cardeais da cidade de pequeno porte

E sem me esquecer jamais do dia em que deixei o carro me levar até o ponto final
Tendo na memória o chinelo-trave, o shortinho e a vassoura, e as pessoas
Os caminhos, as pessoas e os cenários nunca são iguais, retardatários

De vez em quando, retomo os trajetos de outrora, sempre mudados
Em tardes de domingo, feriados, dias atípicos de semana
No lado oeste da cidade de pequeno porte,
Onde tardei

E continuarei tardando
O sol caindo e tudo
Mas eu voltando

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