Estádio



Dinheiro não compra a metafísica do futebol

Por Wilame Prado

Futebol tem dessas coisas. E é por isso que é mágico. É por isso que deve ser respeitado, goste-se ou não do esporte bretão responsável pela emoção de milhões de torcedores pelo mundo afora, e duelado, em média, duas vezes por semana, ou, como diz o técnico Muricy Ramalho, jogado quarta e domingo quarta e domingo quarta e domingo.

O Figueirense é um horrível time, um “catado” de Santa Catarina e que fatalmente cairá para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro no final deste 2014. Sei disso. Sei da ausência de qualidade do time catarinense. Vi, com meus próprios olhos, Figueirense 0 x 2 Santos domingo retrasado, em jogo disputado no péssimo gramado do Estádio do Café, em Londrina. Admitamos, pois: o Peixe está devendo futebol desde que perdeu o estadual para o Ituano, mas perder para o fraquíssimo Figueira, aí seria demais.

O time de Florianópolis colecionava quatro derrotas e zero gol, em quatro jogos, quando chegou, anteontem, à monumental Arena Corinthians para enfrentar o dono do estádio Padrão Fifa em jogo válido pela quinta rodada do nacional. Os barriga-verdes foram para não perder de W.O. Foram para cumprir tabela. Foram para evitar, ao menos, um vexame maior. E saíram vitoriosos. Um a zero para o azarão. E fim de papo, ficou para história: lembraremos para sempre que, na inauguração do estádio de abertura da Copa do Mundo Fifa 2014, plantado graças a muita grana vinda nem sei de onde na zona leste de São Paulo-SP, o Corinthians perdeu.

Mas, que loucura: era derrota na certa para o Figueira. Por lá, o primeiro jogo de um time que, por mais de 100 anos, esperou para ter um estádio. Mas futebol tem dessas coisas, como sabemos. No mundo futebolístico, não há cavalo premiado para apostar. Não tem bilhete marcado, salvo exceções, quando resolvem comprar os juízes ou quando um time se presta a perder de propósito só para azucrinar rivais. Caso contrário – talvez tirando também aquele desastroso e arranjado França 3 x 0 Brasil na final da Copa do Mundo de 1998 –, futebol é imprevisível, é mágico e nos atiça a dizer o famoso slogan do cartão de crédito: “Existem coisas que o dinheiro não compra”.

Dinheiro não paga uma vitória e os gols de uma partida bem jogada. Dinheiro não paga o toque metafísico que há em diversas disputas entre as quatro linhas do gramado, quando Davi vence Golias, quando o mais fraco surpreende o mais forte, quando um jogador retorna de lesão, chega a sonhar com o tento da vitória e sacramenta o êxito para o seu time marcando um gol em chute cruzado nas redes de Cássio, no começo do segundo tempo. Estamos falando de Giovanni Augusto, o “craque da camisa número 10” do alvinegro catarinense, e que merecia uma placa. E, ainda que, com a arrecadação recorde no jogo graças aos 36.694 pagantes e o rendimento de R$ 3.029.801,70, dinheiro não paga o Figueirense vencendo o Corinthians em plena inauguração de seu estádio, após angustiante espera de 104 anos de um time por uma casa própria.

Mas, fora tudo isso, no fim das contas, passada a euforia envolvendo o jogo atípico, todos sabemos que muitas vitórias corintianas acontecerão naquele belo estádio e que, mais do que no Pacaembu, aquele bando de loucos gritará mais forte que nunca e continuará estimulando os jogadores a buscarem a vitória, custe o que custar. E como bem conheço tantos amigos corintianos, tenho certeza de que a derrota na inauguração da Arena Corinthians, no fundo, já era aguardada. Afinal, confessam-se sempre como sendo os maiores sofredores do futebol planetário.

*Crônica publicada terça-feira (20) na coluna Crônico, no caderno Cultura (O Diário do Norte do Paraná)

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Palmeiras e Corinthians será no Prudentão

Aqui no interior do Paraná têm muitos torcedores corintianos, palmeirenses, santistas e são-paulinos. São os pés vermelhos aqui destas plagas que sempre acabam contribuindo para que o Prudentão fique lotado quando os times da capital paulista joguem lá em Presidente Prudente, distante menos de 200 quilômetros de Maringá.

Pois bem. Para a alegria do “bando de louco” e dos porcos, Palmeiras e Corinthians fecharão a primeira rodada do Brasileirão com partida a ser guerreada lá naquele buracão, nos fundós de Prudente, onde está o Prudentão, dia 28 de agosto, um domingão. Lembro com detalhes do local porque fui assistir à goleada santista no início do ano contra o hoje extinto Grêmio Prudente. Elano, naquela época, batia pênaltis com perfeição. Mas isso é outro papo.

O Palmeiras terá 100% da renda do jogo. Apenas 10% dos ingressos serão ofertados aos corintianos. Com capacidade para 46 mil torcedores, nesse caso menos de 5 mil ingressos estariam disponibilizados ao alvinegro paulista. A dica aos maringaenses é já correr atrás das excursões para evitar estrada e busca por ingressos na hora do jogo. Se fosse jogo do Peixe, eu indicaria o Zé Branco, que serve uma comida deliciosa ali na Brasil, quase no Maringá Velho, e sempre organiza excursões para os jogos do Santos.

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Novo estádio do Santos será em Cubatão

O novo estádio do Santos Futebol Clube será construído na ilha de Naphium, em Cubatão, terá capacidade para 50 mil torcedores e ficará distante apenas 50 minutos da capital paulistana.

Essas e outras informações foram divulgadas hoje em matéria de Manuel Alves Fernandes, no jornal A Tribuna, de Santos. Leia a reportagem completa.

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