Livros



Coluna Estante – Sobre Tezza

Por Wilame Prado

EM ALTA Cristovão Tezza, que mora em Curitiba, está com agenda cheia. Ele tem lançado pelo País o seu mais novo romance, “A Tradutora”.PONTE AÉREA O autor do premiadíssimo “O Filho Eterno” estava ontem em SP, mas retornaria hoje a Curitiba.

E MARINGÁ? A última vez que Tezza esteve em Maringá foi em 2010, pela Semana Literária do Sesc, atração que infelizmente não foi realizada este ano na cidade.

BEATRIZ DE VOLTA Em “A Tradutora”, a personagem Beatriz está de volta. Ela é a mulher pelo qual o escritor Paulo Donetti admite que cometeu um chamado erro emocional, o de se apaixonar por ela, no romance “Um Erro Emocional”, de 2010. A personagem também já foi usada em um conto antigo do catarinense e ex-professor da Universidade Federal do Paraná.

IMAGINE NA COPA A nova história de Tezza é passada em Curitiba, onde a tradutora Beatriz topa ser intérprete de um dirigente da Fifa que chega à cidade para a Copa do Mundo de 2014. Ela também está em meio a uma tradução de um livro catalão e, claro, em contato com o persistente Donetti, que, agora, solta uma dessas: “Não me deixe, preciso da minha leitora pela última vez”.

CRÍTICA GOSTOU Ainda não li “A Tradutora”. Preciso, antes, ler “O Professor”, romance de Tezza lançado em 2014. Mas li algumas críticas, como a de Vanessa Ferrari, da Folha, que avaliou “A Tradutora” como “Bom”.

MODERNIDADE LÍQUIDA Este trecho da crítica da Vanessa me instigou ainda mais a ler “A Tradutora”: “Há no romance a modernidade líquida de que fala Zygmunt Bauman, em que tudo evapora, está fragmentado e perde o sentido muito antes de se consolidar.”

NOITE EM CURITIBA Para fechar o papo sobre Tezza, lembro até hoje da expectativa que tinha em ler a obra mais comentada entre as catalogadas para o vestibular da UEM, o tocante “Uma Noite em Curitiba”, romance que estimulou muita gente a se interessar pelo universo literário. Valeu, Tezza!

*Coluna Estante sai às quintas-feiras no caderno Cultura, do jornal O Diário do Norte do Paraná

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Semelhanças literárias

Cíntia Moscovich, autora de “Essa Coisa Brilhante que É a Chuva”; Moacyr Scliar afirmara há 14 anos: “Uma contista completa” —FOTO: CLEBER PASSUS

Cíntia Moscovich, autora de “Essa Coisa Brilhante que É a Chuva”; Moacyr Scliar afirmara há 14 anos: “Uma contista completa” —FOTO: CLEBER PASSUS

Por Wilame Prado

Uma sacola de antagonismos poderia ser imaginada quando se pensa na última mesa de bate-papos da 33ª Semana Literária do Sesc, que acontece às 20 horas de hoje. De um lado, a escritora Cíntia Moscovich, gaúcha que mora em Porto Alegre; de outro o escritor Sidney Rocha, cearense radicado no Recife. Mas, pelo contrário, os escritores convidados para o encerramento da semana literária na cidade têm mais pontos em comum do que se imagina: contistas de mãos cheias e conquistadores de prêmios literários.

As questões regionais ou de gênero são, na opinião dos dois, coisas que fazem parte do passado da literatura produzida no País. A boa literatura brasileira já não precisa ficar olhando mais para o endereço da residência; eixo Rio-SP é algo que não significa muita coisa. “Vamos falar sobre isso (uma escritora gaúcha e um escritor cearense na mesma mesa). Mas não há extremos nisso, no sentido de oposições. Estaremos falando sobre as mesmas coisas, sob ângulos certamente diferentes, mas será sempre a literatura em primeiro plano”, diz Rocha, vencedor do Jabuti 2012 na categoria Contos com o livro “O Destino das Metáforas” (Iluminuras).

Sobre a literatura de gênero, Cíntia relembra um caso ocorrido no começo do século e que serve como representação de um possível sepultamento quanto à insistência de separação entre homens e mulheres escritores. “Na coletânea de contos ‘Geração 90: Manuscritos de Computador’, organizada por Nelson de Oliveira, eram 17 contistas convidados, sendo apenas uma mulher, no caso, eu. Anos depois, Luiz Ruffato resolveu essa questão ao lançar ‘25 Mulheres Que Estão Fazendo a Nova Literatura’. Acho que a literatura de gênero é algo superado. Eu e o Sidney falaremos sobre outros assuntos”, comenta ela, que, com o livro de contos “Essa Coisa Brilhante que É a Chuva” (Record), conquistou o Prêmio Portugal Telecom e o Prêmio Clarice Lispector, da Fundação Biblioteca Nacional.

A autora de sete livros, dentre os quais os também premiados “Anotações Durante o Incêndio” e “O Reino das Cebolas”, refere-se especialmente ao tema proposto parta a discussão no Sesc, que é a violência na literatura, em alusão a Rubem Fonseca, escritor homenageado da semana literária que ocorre em 21 cidades paranaenses. “A violência na literatura é sedutora sim. As vezes, o autor escreve com tanta propriedade e realismo que consegue nos provocar asco. Cito o conto ‘Feliz Ano Novo’, do Rubem. Coisa que jamais consegui fazer em minha literatura, mas que admiro quem consiga.”
No desenvolvimento dos contos de Cíntia, a violência é implícita. Para ela, há uma violência silenciosa no cotidiano de todos. “A maior violência é o ato de matar o outro. Mas o dia a dia normal é violento também: não respeitar o outro, não ver o outro, são atos violentos praticados diariamente.”

Sidney Rocha concorda e lembra de toda uma geração que foi marcada pela violência da ditadura militar. “A violência afeta a todos. É como uma epidemia. Se alguém sofre violência por preconceitos de qualquer ordem, isso atinge a mim e a você, nos fere a todos ao mesmo tempo.”

*Reportagem publicada na quinta-feira (18) no caderno Cultura, do jornal O Diário do Norte do Paraná

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Para alimentar a alma

Na sexta-feira passada, em pronunciamento exibido em rede nacional, a presidenta Dilma Rousseff anunciou a desoneração de todos os produtos da cesta básica, que passarão a ser isentos de impostos federais. O governo aproveitou a oportunidade para também ampliar o número de itens que compõem a cesta básica, que passará a ter: carnes (bovina, suína, aves e peixe), arroz, feijão, ovo, leite integral, café, açúcar, farinhas, pão, óleo, manteiga, frutas, legumes, sabonete, papel higiênico e pasta de dentes.

Para os idealizadores da campanha Leitura Alimenta, lançada oficialmente em São Paul (SP) há cerca de 15 dias, faltou um item básico e essencial na cesta básica brasileira: livros.

Olhando para o lastimável e sempre pouco lembrado setor da educação no País e amparados em estatísticas que revelam a falta do hábito da leitura por parte da maioria dos brasileiros, eles resolveram não esperar por um decreto ou projeto de lei para arregaçar as mangas e fazer algo para que os livros cheguem até as famílias brasileiras. Em parceria com a Livraria da Vila e com a empresa Cesta Nobre, a agência de propaganda Leo Burnett Tailor Made vem encabeçando essa campanha, que consiste em inserir um livro para cada cesta básica entregue.

Inicialmente, serão dois meses de campanha. Para conseguir acoplar um conservado livro dentro de cada uma das três milhões de cestas básicas entregues anualmente pela Cesta Nobre em vários Estados brasileiros, há sete pontos de coletas espalhados por lojas da Livraria da Vila, todas em São Paulo. Mas o Leitura Alimenta espera contar também com doações vindas de outras cidades. Para isso, disponibiliza no site do projeto duas alternativas para quem está longe e queira doar livros: a caixa postal para o envio das obras ou a compra simbólica de ebooks no valor de R$ 1 a R$ 200 e que será totalmente revertida na compra de livros novos (com 30% de desconto na Livraria da Vila) para a campanha.

Conheça o projeto no site: www.leituraalimenta.com.br

E leia matéria completa no D+, do Diário de Maringá.

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Sobre leitura, imprensa e outras questões de Borges

“Ele me disse:

– Agora você vai ver uma coisa que nunca viu.

Estendeu-me com cuidado um exemplar da Utopia de More, impresso na Basileia em 1518, no qual faltavam folhas e lâminas.

Não sem fatuidade repliquei:

– É um livro impresso. Em casa haverá mais de dois mil, embora não tão antigos nem tão preciosos.

Li em voz alta o título.

O outro riu.

Ninguém consegue ler dois mil livros. Nos quatro séculos que vivo não terei passado de meia dúzia. Além disso, não é importante ler, mas reler. A imprensa, agora abolida, foi um dos piores males do homem, já que tendeu a multiplicar até a vertigem textos desnecessários.

-No meu curioso ontem – respondi -, prevalecia a superstição de que entre cada tarde e cada manhã acontecem fatos que é uma vergonha ignorar. O planeta estava povoado de espectros coletivos, o Canadá, o Brasil, o Congo Suíço e o Mercado Comum. Quase ninguém conhecia a história prévia daqueles entes platônicos, mas, sim, os mais ínfimos pormenores do último congresso de pedagogos, a iminente ruptura de relações e as mensagens que os presidentes mandavam, elaboradas pelo secretário do secretário com a prudente imprecisão que era própria do gênero.

Tudo isso era lido para o esquecimento, porque em poucas horas era apagado por outras trivialidades”….

…”As imagens e a letra impressa eram mais reais que as coisas. Somente o publicado era verdadeiro. Esse este percipi (ser é ser percebido) era o princípio, o meio e o fim de nosso singular conceito do mundo. No ontem que me tocou, as pessoas eram ingênuas; acreditavam que uma mercadoria era boa porque assim o afirmava e repetia o seu próprio fabricante. Também eram frequentes os roubos, embora ninguém ignorasse que a posse de dinheiro não dá maior felicidade nem maior tranquilidade”.

*Trechos do conto “Utopia de um homem que está cansado”, extraído do “Livro de Areia” (Coleção Folha, página 72), de Jorge Luis Borges. Não dá nem para comentar a lucidez dessas palavras de Borges. O próprio, no epílogo do livro, escreveu: “‘Utopia de um homem que está canasado’ é, a meu ver, a peça mais honesta e melancólica da série”. Um dos melhores contos que já li. Recomendo!

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Charlene está na livraria do Maringá Park

Quer comprar o seu exemplar do livro “Charlene Flanders, que voava em seu guarda-chuva roxo, mudou minha vida”? Não perca tempo! Vá agora mesmo na Livraria Espaço do Shopping Maringá Park e adquira o seu. Boa leitura.

Título: Charlene Flanders, que voava em seu guarda-chuva roxo, mudou minha vida

Editora: Multi Foco. Selo Literarte

Número de páginas: 190

Categoria: Livro de contos

Endereço: Avenida São Paulo, no segundo andar do Shopping Maringá Park, na livraria Espaço.

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Desligue o computador e vá ler um livro

Fico feliz quando leio a notícia de que, por lei, agora toda escola brasileira deverá ter, em suas mediações, uma biblioteca instalada. Fico mais feliz ainda quando, de acordo com as determinações dessa lei, é obrigatório que essa biblioteca ofereça pelo menos um livro por estudante daquela instituição. Ou seja, se a escola tem 100 alunos matriculados, a biblioteca terá de ter, no mínimo, 100 livros à disposição da gurizada.

Se realmente esta lei pegar, lembrando-se do fato de que inúmeras leis no Brasil não são respeitadas, vai ser mais fácil para os professores estimularem o hábito da leitura, já que terão material disponível na biblioteca suficiente para que todos possam levar livros para casa e também para a sala de aula.

Fosse eu um professor, faria, pelo menos uma vez por mês, um debate com troca de ideias sobre determinado livro que estivesse nas prateleiras da biblioteca escolar. Mas, para isso, o mestre do quadro negro e do giz também deve ter o hábito da leitura. Caso contrário, o professor estará fazendo o mesmo papelão do pai que fuma e chicoteia o filho quando descobre que o peste está fumando escondido na casa dos amigos.

Portanto, fosse eu um coordenador, faria, pelo menos uma vez por mês, um debate com troca de ideias sobre determinado livro que estivesse nas prateleiras da biblioteca escolar. A diferença do parágrafo acima é que, em vez da molecada, quem deveria participar deste encontro seria todo o corpo docente do colégio. Mas, para isso, o coordenador também precisa gostar de ler, ora pois.

Sendo assim, fosse eu um diretor, e agora vou além, esforçaria-me para que, pelo menos uma vez por mês, todos, absolutamente todos do colégio, participassem de um debate sobre determinado livro para que a troca de ideias envolvendo a literatura e o prazeroso hábito de ler pudesse se tornar algo maior, algo especial, um evento mesmo.

Desta maneira, quase que utopicamente é verdade, enxergo um colégio de leitores, crianças leitoras, jovens leitores, professores leitores, coordenadores leitores, diretores leitores, merendeiras leitoras, serventes leitores, secretárias leitoras, porteiros leitores, enfim, uma escola leitora.

Parece pouco ler um livro por mês, o que resultaria no total de 12 livros por ano. Mas, por incrível que pareça, a média do brasileiro é de apenas 4 livros lidos ao ano. Eu disse apenas 4 livros lidos ao ano. Com o mutirão nos colégios, essa marca mais que dobraria.

E, com o passar do tempo, a molecada, sem dúvida nenhuma, pegaria o gosto pela coisa e conseguiria ler mais em menos tempo, e então o colégio faria dois encontros mensais discutindo os livros lidos, e, com o tempo passando, muitos criariam por meta ler três livros por mês, e, por fim, todo esse pessoal do colégio conseguiria atingir a média de incríveis 36 livros lidos ao ano.

Deixa eu parar de sonhar alto e voltar às minhas sagradas leituras. Para quem tem curiosidade em saber, atualmente estou no meio da leitura de cinco livros: dois romances, dois de crônicas e um de conto. E você, caro leitor do blog? Já leu algum livro neste mês de maio? Se ainda não, faço a recomendação: desligue o computador e vá ler um livro!

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