Love



Sobre amor, ‘Love’ se perde no sexo

Cena de "Love" com os atores

Cena de “Love” com os atores Karl Glusman e Aomi Muyock

Por Wilame Prado

Mesmo presente no cotidiano da maioria das pessoas, o sexo ainda é tabu. O sexo no cinema também é tabu. Quando um diretor de renome resolve apostar num filme com cenas de sexos explícitos, e principalmente com nu frontal masculino, causa desconforto em muita gente que ainda não consegue encarar o sexo como tema intrínseco à vida dos seres humanos.

“Love”, em cartaz em Maringá, inova ao propor um drama – e não apenas mais um filme pornográfico, cujo principal objetivo é causar excitação em quem está assistindo – regado a sexo, sem pudores, sem cortes. Mais: em 3D, com riqueza de detalhes, em relações sexuais corriqueiras de um casal, oral, vaginal, e também nem tão corriqueiras, em ménage à trois, grupal etc.

Algumas redes de cinema boicotaram o filme do elogiado diretor franco-argentino Gaspar Noé. Aqui em Maringá, continua em exibição no horário nobre da família: 21h50, no Cineflix Cinemas, no Maringá Park Shopping.

O filme é um eterno flash back de Murphy (Karl Glusman), que fica relembrando os bons anos em que viveu ao lado da namorada Electra (Aomi Muyock) – uma jovem atraente e disposta para absolutamente todos os prazeres que sejam possíveis de se obter por meio de sexo.

Casado e com filho pequeno, ele não se perdoa por ter deixado se distanciar da ex. É feriado de Ano Novo e uma ligação da ex-sogra faz o jovem temer o pior: talvez Electra tenha se matado. É quando começam as recordações regadas a sexo da melhor qualidade. O pior mesmo, no final, é ter deixado escapar o grande amor da vida em mais um vacilo da carne: ao ter relação sexual com a vizinha de 16 anos (que outrora participara de uma ménage com o casal), a camisinha estoura e vem a criança.

“Love” é sobre o amor verdadeiro que nem sempre se faz muito nítido em meio aos fluidos do sexo levado às últimas consequências. É também sobre os limites do corpo e da mente. Como experiência fílmica, é válido. Mas aos saudosistas do agressivo “Irreversível”, filme de 2002 do mesmo diretor, fica a impressão de que Noé poderia ter caprichado um pouco mais no roteiro. Talvez o próprio tenha se ludribriado também com as intermitentes e belas cenas de sexo explícito.

*Comentário publicado terça-feira (15) no caderno Cultura, do jornal O Diário do Norte do Paraná

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