Netflix



Julgamento do século na Netflix

Grande elenco em “The People v. O. J. Simpson: American Crime Story”

Por Wilame Prado

A série estreante mais assistida de 2016 chegou semana passada na Netflix. “The People v. O. J. Simpson: American Crime Story” (do canal pago FX) narra, em dez capítulos, aquele que foi intitulado pela mídia como o julgamento do século.
O ano era o de 1994 e o caso é do ex-jogador de futebol americano Orenthal James Simpson, acusado de ser o responsável pelo brutal assassinato da ex-mulher e de um amigo dela.
Composta por atores brilhantes – como Cuba Gooding Jr., Sarah Paulson, Courtney B. Vance e John Travolta –, a série surpreende pela capacidade de dinamismo. Em meio a incontáveis cenas de tribunal, em capítulos longos, com cerca de uma hora, em nenhum momento leva quem está assistindo ao tédio.
A típica série em que não se consegue parar de ver até o desfecho.
Com a proposta de narrar casos reais e famosos no mundo todo, os criadores de “American Crime Story” corria um grande risco: afastar o público em razão dos spoilers. Pelo menos nesta primeira temporada, isso não ocorreu: talvez tirando os espectadores mais jovens, muita gente ainda se lembra do desfecho do julgamento de Simpson, concluído apenas em 1995, após mais de 350 dias de julgamento. No entanto, não é o fim que importa e sim o desenrolar dos fatos, além dos fascinantes bastidores do poder.
Direito e mídia
Assistir a esta primeira temporada é exercício para se tecer sérias reflexões sobre o Direito, o Jornalismo, a “espetacularização” dos julgamentos e a criação de heróis envoltos à fama alcançada pelos esportes e pela televisão.
Além disso, “The People v. O. J. Simpson: American Crime Story” relembra o racismo contra negros nos Estados Unidos e, ao mesmo tempo, a força da coletividade da comunidade negra daquele país. Enfim, série muita bem produzida e que trata de assuntos importantes da história recente mundial.
A série recebeu 22 indicações no Emmy, levando cinco estatuetas na premiação. No Globo de Ouro, foi indicada cinco vezes, vindo a faturar dois prêmios. Outras três temporadas de “American Crime Story” estão garantidas pelos produtores.
O segundo ano da série vai focar nos acontecimentos do furação Katrina, o qual gerou quase duas mil mortes em Nova Orleans e no sul da Flórida em 2005. A terceira temporada focará em Gianni Versace, estilista da alta costura italiana que foi assassinado pelo gigolô Andrew Cunanan em 15 de julho de 1997. E a quarta temporada contará a famosa história do escândalo envolvendo o ex-presidente dos EUA Bill Clinton e a estagiária da Casa Branca Monica Lewinsky.

*Texto publicado em 10 de fevereiro no caderno Cultura, do Diário

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‘Perversa Paixão’: primeiro e bom filme de Eastwood

No filme “Perversa Paixão” (1971), Dave (Clint Eastwood) é um DJ de rádio paquerador, na cidade de Carmel, que sente falta da ex-namorada (Donna Mills) e que acaba ficando com uma fã, Evelyn Draperque (Jessica Walter). Quando tudo parecia um simples encontro casual, pelo menos para Dave, o homem da voz do rádio começa realmente a conhecer o que é uma mulher apaixonada, psicopata e que não mede as consequências para tê-lo ao seu lado.

O título original do filme é “Play Misty For Me”. Explico: antes de entrar pessoalmente na vida de Dave, Evelyn é uma daquelas fãs que ficam ligando, na calada da noite, para a rádio e pedindo uma canção. No caso, a canção preferida da insana se chama “Misty”, de Erroll Garner, música que, por sinal, é muito bem usada como trilha em cenas decisivas do filme.

As cenas mais agressivas, seja de Evelyn tentando o suicídio ou perseguindo e ferindo a golpes de facas qualquer mulher que se aproxime de Dave, quando não o próprio, ganham cada vez mais intensidade com o passar do tempo. Em determinado momento, aquilo que se pareceria apenas mais um filme de um cara bon vivant e que só quer curtir um pouco entre um jazz ou outro, entre sua casa e o estúdio da rádio, torna-se um thriller que provoca suspense e até medo.

Sim, meus caros, uma mulher apaixonada e que leva seus sentimentos ao extremo é algo medonho.

Acabamos torcendo para o Dave conseguir se livrar das “garras” de Evelyn – mulher linda mas que acaba se tornando monstruosa conforme a intensidade da ótima atuação de Jessica Walter, doentia, insana em seu papel.

Clint Eastwood, também diretor do longa, presenteia a quem está assistindo, em determinado momento da história – quando todos pensam que Evelyn foi internada em um sanatório – com cenas suaves que se passam no meio do mato com Dave e sua amada amando, ou então em um contagioso festival de jazz, ao lado das moças e de um amigo. Mas não há sossego, na verdade.

As lentes das câmeras que captam esses momentos de suspeita paz na vida dos personagens mais se parecem com o olhar atento de uma Evelyn perseguidora, cruel e que só está aguardando o momento exato para atacar novamente Dave – o homem que desmereceu uma verdadeira e realmente perversa paixão.

Clint estava dando o primeiro passo como diretor no começo da década de 70, leio por aí em alguns sites. “Perversa Paixão”, o primeiro filme que dirige, foi mesmo mais uma exercício que ele fazia seguindo os passos de mestres do gênero, como Alfred Hitchcock e  Don Siegel. Para os fãs do diretor dos inesquecíveis “Gran Torino”, “Menina de Ouro” e “Sobre Meninos e Lobos”, “Perversa Paixão” é outro filmaço que vale a pena assistir para entender um pouco mais da trajetória de um dos grandes gênios do cinema, o grande Clint, seja atuando, seja dirigindo.

Assiste lá!

Filme: Perversa Paixão (Play Misty for Me, EUA, 1971)

Diretor: Clint Eastwood

Duração: 102 minutos

Avaliação: ótimo

Onde assisti: Netflix

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