Santos



Reencontros no Cine Bar da Avenida Brasil, ou o estranho fechamento do Bar do Jair, na Vila Bosque, em pleno clássico dominical

Por Wilame Prado

Naquele domingo de temperaturas amenas, a Vila Bosque, bairro que se confunde com a Zona 2 em Maringá, acordou estranha. Tudo bem: assistiríamos a programas temáticos na TV, comeríamos frango com macarrão no almoço e não suportaríamos mais esperar pela hora do jogo. Tudo normal. Ainda mais em dia de clássico: Santos e Palmeiras, ambas as equipes em momentos de futebol apático, de pouca genialidade e de muita preguiça. Não importa: clássico é clássico e vice-versa.

As anormalidades começaram a ser enxergadas pelos homens das mais diferentes faixas etárias naquele bairro maringaense por volta de trinta minutos antes das 16h, retumbante horário da bola começar a ser rolada. A estranheza principal se deu com as portas metálicas vermelhas, do vermelho Bar do Jair, que pintaram a Avenida São Paulo (antiga Avenida Gurucaia) de tons melancólicos mesmo com a suposta vibração que a cor quente poderia causar. Onde assistiríamos ao jogo exibido apenas pelo luxuoso e para poucos “Pagar-Para-Ver”?

Sem as cadeiras vermelhas distribuídas na calçada respeitando o vão dos pedestres, sem o simpático garçom Tevez tirando sarros dos dois times em plena exaltação clubística e antiética em prol do Corinthians e sem a tiração de sarro do cobrador da Viação Garcia e sua declarada paixão pelo Santos Futebol Clube, aquele domingo só poderia ser considerado estranho. Estranhamente, um vento fraco transportando folhas, poeiras e sujeiras fazia-nos crer que Maringá havia sido abandonada pelos seus bravos moradores, incluindo o Jair e o seu filho, o Tevez, com seus aparelhos televisores, seus pacotes do PFC e suas cervejas geladas, seus conhaques quentes.

O semáforo abria e fechava involuntária e desnecessariamente pelas bandas daquela vila, todos cabisbaixos, muitos admitindo recorrer aos rádios de pilha, outros se recusando a apenas ouvir ao jogo e se limitando a ver o Campeonato Paranaense pela RPC, quando, de repente, eis que a lembrança coletiva é acometida com a assertiva de que existe vida além do Bair do Jair, de que há mundo além da Vila Bosque e que, provavelmente, todos deviam ter ido mesmo é para a Avenida Brasil, grande via maringaense.

Botecos geralmente vermelhos (a padronização imposta por marcas de cervejas nos bares da cidade acabou com a estética “pé sujo” dos estabelecimentos e ceifou parte de suas almas) daquela avenida grandiosa e cheia de Outono prontamente foram pintados de verde. Palmeirenses são menos discretos, ainda mais quando se propõem a usar a camisa verde limão do time de Parque Antarctica. Alguns santistas – a minoria – também se vestem heroicamente com o manto alvinegro sagrado. Mas são discretos, só querem ver gols, dribles e vitórias.

Naquele domingo estranho, chuvoso e completamente vazio, pelo menos na Vila Bosque maringaense, as chamas da alegria e do entretenimento que só o futebol consegue trazer para as massas foram reacesas na Avenida Brasil, no tradicionalíssimo Cine Bar, também vermelho. Além da tela pequena da TV – direcionada para um menos importante Corinthians e Guarani –, um telão recobrava a dignidade que outrora faltara a palmeirenses e santistas, em uma busca ensandecida por estabelecimentos onde, além da cerveja, além do espetinho, além do torresmo, além do ovo rosa, doses cavalares de alegria vinham na bandeja do garçom traduzida em transmissão futebolística.

Grande palco de encontros e reencontros aquela imensa Avenida Brasil! Como não poderia ser diferente, órfãos do Bar do Jair se viram e cumprimentaram-se no Cine Bar. O Zé, com sua voz enroscada, rouca e miúda, após um empate humilhante sem gols, resolveu contar para o W. um pouco da sua vida, suas desventuras entre Maringá e a grande São Paulo, da aposentadoria, da lojinha de departamento e, claro, também indagar o misterioso cerrar de portas, em pleno domingo de clássico, do vermelho Bar do Jair.

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O mar sempre nos espera

Muitas curvas, retas, ultrapassagens e marchas trocadas no carro foram necessárias para se chegar até bem perto do mar. Mas se Maringá ficou para trás, no espelho retrovisor do veículo, as blusas e cobertores foram juntos. O frio estava em todo o lugar, inclusive bem perto do mar. Não houve biquíni, futebol na areia e aquela alegria sentida só pelo fato de se estar à beira mar. Não houve nada disso. Chegamos muito perto do mar, mas não o alcançamos, não tocamos na água salgada, não sujamos os pés de areia, não comemos queijo na brasa, não chupamos picolés de limão, não tomamos refrigerante e cerveja trazidos na caixinha térmica, não lemos um livro debaixo do guarda-sol enquanto outros faziam castelos de areia ou se deixavam levar um pouco pelas ondas do rasinho do mar. Estava frio, estávamos perto do mar e o jeito, ora se não, era pelo menos brindar ao mar comendo de seus frutos (uma tainha de dois quilos na brasa temperada só com sal e limão), pensando em sua imensidão infinita e rememorando as alegrias da Avenida Atlântica em Balneário Camboriú, as canções de Caymmi que inspiraram aquela crônica há um ano e o barco que sempre se quis ter para quem sabe pintar o nome do primeiro filho na parte da fora para todo mundo ver.

Algumas coisas mudaram de um ano para cá. O filho nasceu, cresce a cada segundo e agora já sorri para a gente. Fico pensando no sorriso de Lorenzo quando ele for pela primeira vez na beira da praia, de frente pro mar; queria poder participar deste momento ao lado do meu sobrinho. Quem sabe?

Todo mundo tem ou pelo menos deveria ter o direito de conhecer o mar. A gente vê na TV aquela pessoa simples do sertão, que viveu a vida toda rodeada só por terra, por mato, por vegetação, encontrar-se pela primeira vez com o mar, sentindo o cheiro da maresia, a temperatura da água, o olhar que nunca se acaba para o horizonte distante do mar. Aquilo é uma das traduções que se pode dar para a felicidade, ou pelo menos para um momento feliz. Ondas azuis, barcos ao léu. Piratas, quem sabe? Caranguejos. Pérolas escondidas em conchas mágicas. E quanta sereia que nos faz crer que viver vale sim a pena. É uma coisa bonita que vem e que passa. O balanço. O caminho. O mar!

Gostaria de me lembrar da primeira vez que vi o mar. Provavelmente deve ter sido o mar lá da Praia Grande, Vila Caiçara, litoral paulista, perto de Santos. Deve ter sido. É aquele mar que está retratado em meia dúzia de fotos que recortaram um período, uns dias, umas férias da minha infância, tendo sempre ao lado aquele meu amigo de sempre, um dos únicos, um irmão. Ele aproveitou mais ao mar do que eu. Ele aprendeu a surfar melhor, nadar melhor e, de tanto que ia à praia, conseguiu uma resistência dermatológica melhor do que a branquidão da minha pele, sempre tão protegida por calças e camisetas de gola. O meu amigo foi feito pro mar, pra praia. Ele, um dia, foi branco igual a mim. Hoje sua pele é dourada. Ele aguenta o sol e não liga tanto para o sal da água, para a areia nos pés. Ele continua morando muito perto do mar. Ele se encontra com o mar iluminado de Santos frequentemente. E eu, cerquei-me de outro mar, também imenso: o mar da soja, das plantações, os mares de “Mar-ingá” e região. Mas tá bom. E que bom que temos pelo menos uma saudade para sentir do mar. E sempre a possibilidade de um dia voltar para bem perto do mar. Seja o mar de Santos ou o mar de Santa Catarina. Algum mar sempre está por nos esperar.

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Neymar salva o espetáculo

Como eu sempre falo: título é consequência, o bacana do futebol é o poder de entretenimento, o de passar 90 minutos assistindo um bom jogo de bola.

E mais uma vez Neymar salvou o espetáculo em jogo entre Santos e Botafogo-SP, na noite desta quinta-feira (9).

Os corintianos ao meu lado, na lanchonete da quadra onde jogamos bola, estavam contentes. Palmeirenses mandavam mensagem zoando o Neymar. E já ultrapassavam os 30 minutos do segundo tempo e o Santos continuava sem encaixar um bom ataque, perdendo por 1 x 0.

Mas a magia e o bom futebol voltaram a reinar. Igual ao centésimo gol, o de número 101 do Neymar foi de cabeça, em cruzamento feito por Ganso. Desequilibrou! Logo em seguida um pênalti bem batido e, depois, show. É só ver os vídeos no youtube dos outros dois golaços. Final: Santos 4 x 1 Botafogo.

Os corintianos ficaram quietos e tentaram criticar minha camisa, criticar minha alegria, criticar o cabelo do Neymar. Os palmeirenses foram dormir magoados, celulares desligados. E a nação santista fechou a noite novamente sentindo prazer em assistir a uma partida de futebol.

Ps.* Tenho percebido que muitos corintianos e palmeirenses assistem mais aos jogos do Santos do que os dos próprios times que torcem. Eles gostam mesmo é de criticar e não de se divertirem assistindo a um bom jogo de bola. Talvez seja pelo fato de que os times pelos quais torcem nem sempre fazem partidas prazerosas de se assistir.

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Mais uma partida do ‘Selê-Santos’ é adiada

Atendendo ao pedido do Santos FC, a CBF adiou a partida entre o Peixe e o Botafogo, pela 21ª rodada do Campeonato Brasileiro. Anteriormente previsto para o domingo, 4 de setembro, o confronto ainda terá a nova data divulgada pela CBF.

O adiamento foi concedido devido à convocação dos atletas santistas Neymar, PH Ganso e Danilo para compor a Seleção Brasileira, que enfrentará Gana na segunda-feira (05), em Londres. (informações do site oficial do Santos FC).

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Com 11.700 gols, Santos é o time que mais fez gol no mundo

Em 99 anos de história, o Santos atingiu no domingo (7) a marca de 11.700 gols feitos. O artilheiro Borges foi o autor do último gol do Peixe, em vitória magra contra o Ceará.

Tudo começou com Arnaldo Silveira, no dia 15 de setembro de 1912, totabilizando 36.120 dias de história de atuações do Peixe no Brasil e no mundo. Calcula-se que, neste período, o Santos tenha jogado 5.536 jogos.

Segundo o site oficial do clube, nenhum clube no mundo atingiu esta marca. Mais uma vez, o Peixe merece os parabéns! E o feito de Borges pode servir como talismã para este jogador, que deverá ainda dar muitas alegrias ao Santos, neste Brasileirão, no Mundial Interclubes, na Libertadores do ano que vem e o que vier mais.

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Tevez é oferecido ao Santos, mas Corinthians também quer

Segundo o repórter da Rádio Estadão ESPN Fellipe Camargo, o atacante Carlitos Tevez poderá retornar ao Brasil neste ano, mas não ao Corinthians. O argentino teria sido oferecido ao Santos pelo empresário Gustavo Arribas, amigo de Kia Joorabchian.

Carlitos não quer mais jogar na Europa. Ele teria afirmado preferir a América do Sul para jogar bola, pois assim poderia ficar mais perto da família.

Após esta notícia, o Corinthians também teria iniciado conversação com Adrian Rocco, advogado do jogador.

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Sobre Ganso, Galo e Gambá

O que acontece com os times que estão na ponta da tabela? Apagão? Não querendo desmerecer o glorioso Santos Futebol Clube, mas que a verdade seja dita: no jogo de quarta-feira, estava uma teta aquela zaga do Fluminense. Qualquer um, inclusive o Zé Eduardo, jogador limitado, faz gol naquele time. Não à toa, fez mesmo, fez logo três, sendo dois deles muito bonitos.

Ao fim do jogo da última rodada, já vi santista retomando a esperança de uma conquista de título e, consequentemente, a tão sonhada Tríplice Coroa. Rapaz, sinceramente falando, este campeonato está tão esquisito, com quedas tão inesperadas de rendimento, como as do Fluminense e Corinthians (que ainda tem os desfalques como desculpas), que, caso o menino de ouro Ganso não tivesse machucado, não sei não, viu! É bem provável que o Peixe estaria brigando bem ali na ponta da tabela.

Aliás, estive pensando no quanto o menino Ganso faz falta para aquele time. E não apenas dentro das quatro linhas. Mesmo sendo jovem e não utilizando a faixa de capitão, aquele rapaz que veio do Pará tem um espírito de liderança forte, pelo menos para com os moleques da Vila. Duvido muito que Neymar teria feito tanta cagada caso o seu amigo Ganso estivesse jogando ao lado. Acho que nem mesmo o Dorival Jr. teria saído do clube, afinal, acredito que nenhuma daquelas palhaçadinhas do Neymar haveria ocorrido.

O jeito é esperar o melhor jogador daquele time se recuperar e torcer para que, na Libertadores do ano que vem, ele já esteja em forma. As promessas por parte da diretoria santista são grandes. Além dos burburinhos que apostam em Abel Braga como técnico, há uma intenção de formar um meio de campo forte para o torneio internacional a ser disputado em 2011. Além de Arouca e Ganso, o Santos quer contar com o experiente Zé Roberto e com o astuto Lucas. No ataque, um Neymar mais maduro ao lado de um Keirrison matador, que precisa, é claro, parar de se contundir, entrar logo em forma e provar, até o final deste ano, que merece a 9 do Santos.

Mas voltando à realidade mais palpável, no caso a realidade do Brasileirão, fiquei muito contente com a vitória do Atlético Mineiro pra cima do Corinthians. Na verdade, torço pelo técnico Dorival, que mostrou, na minha opinião, ser um técnico acima de tudo muito ético, depois daquela confusão toda de bastidores na Vila Belmiro. Depois de retirado um câncer chamado Luxa, passei a acreditar na ascensão do Galo Mineiro neste campeonato. Quem sabe o clube lá de Minas não saia da zona de rebaixamento para dar lugar ao Flamengo, atual campeão brasileiro e campeão também de confusões?

Sobre a missão quase impossível que havia comentando neste blog, no caso a missão de tirar a taça do Corinthians, finalmente começo a ver brechas que podem facilitar um pouco este árduo desafio: se o Mano Menezes continuar escalando para a Seleção Brasileira os melhores jogadores do clube paulista e se a onda de contusões realmente prevalecer no time de Parque São Jorge, pode ter certeza que não serão Iarley e nem Souza os novos heróis da Gaviões da Fiel, ávida por pelo menos um título no ano do centenário.

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Goleiro do Santos vai com moral para a final

Hoje não consegui fazer o ilustríssimo post “Eu recomendo”, indicando algum blog bacana que costumo visitar. Mesmo assim, peço que vejam a tática do goleiro Rafael, do Santos, para tirar a concentração do batedor de pênalti. O garoto mostrou estilo ao defender a bola na primeira cobrança e ver o cara desperdiçando a segunda. Vai para a final da Copa do Brasil, na quarta-feira, com moral. Mas, se a moda de fazer o que ele faz na hora da cobrança de pênalti pegar, é bem provável que proíbam os goleiros de fazerem tal ceninha, assim como já proibiram a paradinha.

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Jogo do Brasil é um ótimo sonífero

Estou apreensivo. Pausa do Brasileirão e início de Copa do Mundo Fifa. Dá medo de não poder assistir mais a jogos com futebol de qualidade. Neste ano, tive o privilégio de acompanhar a muitos jogos memoráveis. E não somente eu, que sou santista e vivencio um dos melhores anos da história do meu clube.

Mesmo os palmeirenses, que veem o seu time sofrer uma crise interna tacanha, puderam dançar o “Armeration” na bela vitória contra o meu Santos e estão esperançosos com a vinda do Kleber, o gladiador. Os corintianos também tiveram o gostinho da vingança contra o alvinegro praiano, com direito à pescaria na comemoração e tudo. O São Paulo se reencontrou graças ao futebol decente apresentado por Fernandão e, inegavelmente, é favorito para mais uma conquista da Libertadores.

Até os torcedores do Ceará estão felizes da vida com uma campanha inédita do clube nordestino na primeira divisão do campeonato nacional. Torcedores do Botafogo, este ano, puderam gritar um grito de campeão estadual que estava entalado na garganta há muito tempo. O Grêmio fez uma das melhores campanhas do país no começo do ano, venceu o Gauchão e merecia mais do que o Vitória estar na final da Copa do Brasil.

O Coritiba, campeão paranaense, vem dando mostras de que quer porque quer retornar aonde nunca deveria ter saído: a primeira divisão. O Atlético Mineiro, tirando o defeito de se ter um técnico-empresário, o Luxa, conta com jogadores de nível de seleção, como o matador Tardelli. O Fluminense, do vitorioso Muricy e do maduro Fred, surpreendeu neste começo de campeonato.

Agora, toda esta festa do futebol brasileiro foi interrompida. De maneira muito esquisita, teremos somente a final da Copa do Brasil logo depois da final da copa do mundo e também as semifinais da Libertadores. Praticamente, outro Campeonato Brasileiro se iniciará, com times voltando de uma segunda pré-temporada – esses dias de férias podem interferir de maneira positiva e negativa aos times (confira aqui o que o seu time vai fazer nesse período).

Como disse no começo deste texto, estou apreensivo. Hoje, bem que tentei assistir a reprise do amistoso entre a Seleção Brasileira e a Tanzânia. Cochilei no meio de um ataque “fulminante” comandado por um Kaká remediado, um Luis Fabiano revoltado e um Robinho atrapalhado. Nada anormal. Acho que na final da Copa das Confederações, ano passado, entre Brasil e EUA, peguei num sono gostoso, do fim do primeiro do tempo até a metade do segundo.

Jogo de futebol desta seleção comandada pelo Dunga, para mim, é igual àqueles jogos de vôlei masculino que passam de madrugada e àqueles treinos de Fórmula 1. Ótimos soníferos. O barulho dos carros passando nas pistas, o barulho dos chiados dos tênis dos atletas de vôlei na quadra e o toque de bola sem projeção para o ataque da seleção de futebol, neste friozinho, estimulam um sono gostoso. Peguem as cobertas e ajeitem os travesseiros no sofá: a copa vai começar!

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