Sesc



Femucic, agora também pelo YouTube

Apresentação no Femucic do ano passado, no Calil: este ano, em duas noites, serão 25 músicas (Foto de Ademilson Cardoso)

Apresentação no Femucic do ano passado, no Calil: este ano, em duas noites, serão 25 músicas (Foto de Ademilson Cardoso)

Por Wilame Prado

O 37º Festival de Música Cidade Canção (Femucic), marcado para as noites do dia 5 e 6 de junho, no Teatro Calil Haddad, será diferente de todos os outros. Uma das principais novidades será a possibilidade de assistir, ao vivo, o festival em streaming (ao vivo) por meio de link a ser aberto no YouTube.

As novas estratégias envolvendo a próxima edição do festival mais tradicional da cidade foram reveladas pelo gerente executivo do Sesc Maringá, Antônio Vieira, e por Érico Bondezan, técnico de atividades do setor de Música do Sesc. Em visita ao Diário, eles deram entrevista e contaram as novidades.

De acordo com Vieira, uma série de mudanças ocorre a partir deste ano no Femucic. A intenção, afirma ele, é fazer com que a comunidade maringaense se reaproxime do festival. “Em pouco tempo, o festival alcançou um nível de excelência e estrutura suficientes para ser considerado um festival nacional de música. Mas creio que, nesse processo, ele acabou se afastando da própria cidade. E isso não pode ocorrer: o Femucic é um festival genuinamente maringaense”, diz.

Com a aposta da transmissão ao vivo, os organizadores almejam que um número maior de pessoas, de todos os lugares – logo na hora do festival, ou depois – conheçam o festival e os compositores participantes. Portanto, este ano não serão feitas gravações de DVDs e CDs, que, em edições anteriores, eram distribuídos gratuitamente.

O Femucic mais moderninho, no entanto, não deverá afetar a participação, principalmente dos maringaenses, in loco. “Esperamos, como em outros anos, a casa cheia. Não há nada como ouvir de perto, ali no teatro, o músico executando sua obra”, considera o gerente do Sesc.

A outra novidade do festival deste ano – a redução de dias – também tende a estimular o registro de um bom público. “Encurtamos para duas noites de festival. Em vez de 52 canções selecionadas, teremos 25. Ou seja, serão canções ainda mais seletas e que serão tocadas numa sexta e num sábado, dias melhores para se sair de casa.”

Vieira comunica por fim duas outras mudanças do Femucic e que, em sua opinião, estimularão uma qualidade musical ainda maior durante as apresentações: cada intérprete apresentará a composição com grupo musical próprio e a ajuda de custo, dividida em três categorias, será mais justa, oferecendo mais recursos àqueles que moram em regiões mais distantes de Maringá.

Inscrições
Quem ainda pretende inscrever composições tem até 17 de abril para enviá-las. Até o momento (29 de março), os organizadores já haviam contabilizado mais de de 250 inscritos.

Oficinas com André Marques e João Omar
Com a proposta de reaproximar o festival dos maringaenses, os organizadores programam para este ano uma semana toda de atividades envolvendo músicos e estudantes de música locais. O técnico de atividades Érico Bondezan anuncia a vinda ao Femucic do André Marques Sexteto, liderado pelo pianista que integra a banda principal de Hermeto Pascoal, e também do violonista, violoncelista e maestro João Omar, que acompanha o pai – o grande músico baiano Elomar Figueira – desde os 9 anos de idade.

Os músicos convidados ficarão durante a semana na cidade, ministrando oficinas e também para participarem com shows na noite de estreia do Femucic, no dia 4 de junho.

ANOTE
37º FEMUCIC
Inscrições até 17 de abril
Quando: 5 e 6 de junho
Onde: Teatro Calil Haddad
Entrada franca
Informações:
sescpr.com.br/femucic/

*Reportagem publicada em 29 de março no caderno Cultura, do jornal O Diário do Norte do Paraná

1 Comentário


Para consertar sorrisos

Cena de “In Conserto”, espetáculo em cartaz na sexta aqui em Maringá. Foto: Gustavo Gracindo

Cena de “In Conserto”, espetáculo em cartaz na sexta aqui em Maringá. Foto: Gustavo Gracindo

Por Wilame Prado

Quando perguntam a profissão de João Carlos Artigos, ele responde: “palhaço”. Arranca risos, às vezes, mas fala sério. Aliás, diz, leva bem a sério as palhaçadas com que costuma arrancar gargalhadas da plateia. “Sou palhaço 24 horas por dia. A arte do palhaço é fazer sorrir, provocar emoções em cima do palco. O desafio é saber jogar em cima do palco, fazer a plateia acreditar que aquilo é vida, que aquilo que está acontecendo é como se fosse a primeira vez. Meu trabalho é fazer sorrir, e isso eu levo a sério”, diz o ator profissional carioca.

Ele e os palhaços Fábio Freitas e Shirley Britto, da Companhia Teatro de Anônimo (Rio de Janeiro), apresentam em Maringá o espetáculo “In Conserto” hoje, na Oficina Teatro da UEM, às 20h30. Rasgadamente cômico, o espetáculo apresenta as tentativas frustradas da trupe em apresentar o concerto musical “Ópera Desastrada”. Na cena, os palhaços mostram um pouco do seu lado musical, cantando e tocando sanfona, pandeiro e cornetas. “Como músicos, somos ótimos palhaços”, brinca Artigos.

A entrada para o espetáculo é franca, e o espetáculo chega pelo projeto Palco Giratório, iniciativa do Sesc nacional que leva para praticamente todo o País diferentes linguagens cênicas por meio de espetáculo e oficinas de teatro. A oficina “O Jogo Como Técnica”, da Teatro de Anônimo, acontecerá, também gratuitamente, às 14 horas de sábado, no Sesc. Os interessados em participar da oficina devem ligar no Sesc (3262-3232) para se inscreverem.

“A oficina é direcionada a artistas cênicos de modo geral. A gente vai focar em um elemento primordial para qualquer ator, que é saber jogar, brincar em cima do palco, com responsabilidade. Não existe nada mais sério do que nossa capacidade de saber brincar e recriar vida em cima do palco”, diz Artigos.

PALCOS EM TODO O PAÍS
O Palco Giratório percorre 22 Estados com espetáculos que se destacam pela diversidade cultural das companhias de teatro selecionadas. As peças, sempre com entrada franca, circulam nos pequenos e grandes centros promovendo a circulação de linguagens, estética e temas regionais.

Em 2014 o Palco Giratório traz 20 companhias, que desenvolvem ações e pesquisas em artes cênicas, além da produção teatral nas cidades e oficinas que funcionam como extensão dos espetáculos, oportunidade que a própria plateia ganha espaço para atuar.

PARA VER
IN CONSERTO
Às 20h30 de hoje,
no Teatro de Oficina da UEM
Entrada franca
No sábado (14h) acontece
oficina técnica com a Cia Teatro de Anônimo (RJ) no Sesc

*Reportagem publicada quarta-feira (1º) no caderno Cultura

Comente aqui


Nelson Alexandre lança livro de poesia no Sesc

Por Wilame Prado

O escritor maringaense Nelson Alexandre lança o livro “Poemas para Quem Não Me Quer” (Editora Multifoco, 120 páginas) às 20h de hoje, no Sesc. A entrada é franca e o livro será vendido a R$ 34 na noite de autógrafos.

O lançamento que estava previsto para acontecer no mês passado na Casa da Vó Bar foi remarcado após a morte do professor Marciano Lopes, que assina a orelha do livro. O professor era também o organizador do evento literário que tinha o lançamento do livro como parte da programação.

À época, Nelson Alexandre lamentou a perda do professor de literatura: “O corpo vai…a poesia fica”, afirmou o ex-aluno e amigo de Lopes.

Em “Poemas Para Quem Não Me Quer”, o autor apresenta 40 poemas, a maioria escritos este ano. “São os meus poemas mais maduros”, disse, em entrevista recente.

O livro de poesia reúne textos inéditos com outros publicados em redes sociais e que serviram de termômetro crítico dos leitores que já acompanham Nelson Alexandre há pelo menos sete anos, desde a época em que o seu blog, o Encruado (nelsonalexandre.zip.net), era um dos locais preferidos para se encontrar literatura local de qualidade.

PARA LER
POEMAS PARA QUEM NÃO ME QUER
Autor: Nelson Alexandre
Preço: R$ 34
Noite de autógrafos
Quando: hoje
Horário: 20h
Onde: Sesc (av. Duque de Caxias,1.517, Zona 7)

Comente aqui
  

Ana Paula Maia vai estar entre cachorros e porcos em Maringá

Ana Paula Maia hoje em Maringá

Hoje de noite, lá no Sesc, acho que às 20h, se o evento ainda não foi adiado, talvez por causa de toda essa chuva, os maringaenses poderão participar do bate-papo Autores & Ideias, com os escritores Paulo Sandrini e Ana Paula Maia, autora do excelente livro “Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos”. Se ainda não conhece o trabalho dela, sugiro a visita ao seu blog. Leia também, abaixo, a resenha que fiz para o jornal do último livro publicado por Ana.

Por trás da crueldade e da sujeira, homens-bestas sabem o quanto vale um amigo

Quem ler “Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos” (Record, 2009), lançamento da escritora carioca Ana Paula Maia, 31, provavelmente se perguntará como uma jovem mulher arrumou tanta criatividade para escrever sobre homens cruéis e sujos; sobre sangue e violência; sobre a baixeza humana que ultrapassa atitudes irracionais de bichos; sobre cachorros, porcos, lixo e esgoto.

Na obra, estão reunidas duas novelas curtas. A primeira, com título homônimo ao do livro, trata o cotidiano do abatedor de porcos Edgar Wilson e seu amigo Gerson, que sofre de cálculo renal. A segunda novela, “O trabalho sujo dos outros”, leva ao leitor um pouco da rotina de Erasmo Wagner, lixeiro, Alandelon, operador de britadeira, e Edivardes, desentupidor de latrinas, pias, ralos, tanques, esgotos, canos, colunas de prédios e conduítes.

Algo em comum transita pela vida de quase todos os personagens das novelas. São homens-bestas, como a própria autora os denomina na apresentação do livro, “que trabalham duro, sobrevivem com muito pouco, esperam o mínimo da vida e, em silêncio, carregam seus fardos e o dos outros”.

Mas, será mesmo que “Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos” se resume ao relato sobre histórias de homens infelizes? Pessoas que realizam algumas das tarefas mais sujas e fedidas que há na sociedade, assim como é matar animais (ou homens), catar lixo e fezes dos outros ou então destruir os próprios tímpanos com o som brutal provocado por uma britadeira ligada o dia todo? Fosse “apenas” isso, a escritora Ana Paula Maia já mereceria aplausos por conseguir descrever tão bem cotidianos, comportamentos e atitudes que, definitivamente, não fazem parte de sua rotina diária.

Entretanto, o mais louvável na obra talvez esteja um tanto quanto obscurecido pelo sangue dos porcos e de pessoas abatidas por Edgar Wilson, ou então pelo cheiro do lixo que Erasmo Wagner não recolheu das ruas em função da greve dos lixeiros. O modo como a escritora, provavelmente sem pretensão, contou uma bonita história de amizade entre homens toscos é o que realmente comove nas duas novelas. Faz o leitor lembrar que pessoas marginalizadas e embrutecidas pela vida também precisam conviver socialmente com os demais, e juntos tomar um café da manhã na padaria ou, por que não, abrir porcos, torcer por cachorros em rinhas e desentupir uma caixa de gordura, cheia de filhotes de baratas.

Ademais, quando narra cenas fortes de violência e morte, Ana Paula beira um realismo cruel e trágico. A exemplo do dia em que Edgar Wilson ajuda Gerson a tirar o rim que doara à irmã prostituta no passado. E isso sem anestesia, apenas com um canivete, já que o abridor de latas e a colher que encontraram no apartamento dela não seriam suficientes para o abate humano.

Esses e outros relatos de violência extrema, o leitor encontrará rotineiramente pelas 160 páginas do livro. E para descrever cenas fortes como essas, Ana Paula utilizou bastante diálogos e parágrafos e orações curtas, tornando o texto aprazível. Não é preciso consultar dicionário para entender aonde quer chegar a escritora e seus personagens tristes e sujos. Para entender a desgraça humana, poucas palavras bastam.

Quem gosta, por exemplo, dos filmes “Pulp Fiction”, de Quentin Tarantino, “Old Boy”, de Park Chan-wook, ou “Amores brutos”, de Alejandro González Iñárritudo, gostará também de ler o não menos valoroso, violento e instigante “Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos”. Um soco bem dado na boca do estômago.

Literatura na Internet

Mesmo jovem, Ana Paula Maia já tem dois romances publicados: “O habitante das falhas subterrâneas” (7 letras, 2003) e “A guerra dos bastardos” (Língua geral, 2007). Com o sucesso do último livro, e com maior divulgação de seu trabalho (já que entrou para uma das grandes editoras do Brasil), a escritora vem sendo convidada com certa frequência a participar de palestras e workshops sobre literatura. Isso se deve também pelo fato de Ana Paula ter sido a autora, em 2006, do primeiro folhetim pulp da internet brasileira.

E por falar em internet, para quem estiver interessado em ler “Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos” e não tem R$ 29 para comprar, a autora está realizando em seu blog (www.killing-travis.blogspot.com) um concurso e vai premiar o vencedor com um exemplar do livro. Basta enviar uma ilustração ou foto que tenha relação com as novelas. A imagem deve ser acompanhada de um pequeno texto, com no máximo 300 caracteres.

Serviço
Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos
Autora: Ana Paula Maia
Editora: Record
Páginas: 160
Preço: R$ 29

Fragmento de “Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos”, de Ana Paula Maia

Edgar Wilson sabia que sob influência da lua nova, Chacal fervia pelas entranhas e de suas patas saíam faíscas. Ele certamente lucraria o triplo da aposta, e talvez ganhasse o suficiente para pedir a mão de Rosemery em casamento, que exigia uma geladeira nova para selarem o compromisso definitivamente. O problema é duvidar da fidelidade de Rosemery, que nos últimos tempos estava sempre alegando precisar dormir na casa da patroa, porque a mesma exigia que a faxina fosse feita bem cedo, nas terças e quintas. Mas não pensar muito sobre o que quer que seja faz parte de sua personalidade. Sempre acreditou que a Providência Divina se encarrega do fardo por demais pesado E na providência divina, Edgar deposita toda sua fé. “Pra que se colocar ansioso se isso não acrescenta nem um côvado em sua altura, nem torna um fio de cabelo preto em branco?”, era o que dizia padre Guilhermino Anchieta .

Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos, Edgar Wilson não reclama da vida.

O distante ronco de um motor lhe faz apagar um cigarro sobre uma porção de formigas que reúnem-se ao redor de seu último escarro. Percebe uma coloração avermelhada e teme por algum tipo de mazela. Verifica as horas, calça suas botas de borracha e se coloca de pé. Vê a caminhonete se aproximar, dirige-se até o telefone atrás do balcão e liga para Gerson, seu ajudante, que alega estar sofrendo de uma crise renal.

Comente aqui