Show



O brilho e a simpatia de Aline Luz

Aline Luz: violão é companheiro desde os 12 anos de idade

Aline Luz: violão é companheiro desde os 12 anos de idade

Por Wilame Prado

A cidade terá a chance de ver brilhar pela primeira vez uma nova compositora maringaense a partir das 21 horas deste sábado (30), quando Aline Luz, 26 anos, subirá ao palco do Teatro Barracão para fazer o seu primeiro show. Todo mundo da plateia terá em mãos o primeiro CD dela “Aline Luz”, contendo doze faixas de canções simpáticas, que mesclam pop rock, folk, MPB e uma voz doce, como a própria cantora. Show e disco são de graça.

Contemplada na categoria Artistas Iniciantes do Prêmio Aniceto Matti, Aline tem cinco datas de shows confirmadas em Maringá e a tiragem de mil cópias do álbum, que será distribuído para cada um que for aos shows. Além de sábado, ela cantará no Barracão no domingo, no mesmo horário. Em junho, apresenta-se nos dias 6 no Teatro de Oficina da UEM e 13 e 14, retornando ao Barracão.

Aline deu entrevista quinta-feira, no térreo do Teatro Calil Haddad. Ao seu lado, o inseparável violão, que começou a tocar aos 12, meio que a contragosto da mãe, pianista que sugeria às filhas (Aline tem uma irmã gêmea que também toca e canta)um bom curso de piano. Fez as duas coisas, e ainda participou de grupos de corais. O tempo passou. Todos sempre elogiaram o timbre e a facilidade com que Aline tem quando coloca as mãos nas seis cordas de aço de um violão.

Nos churrascos, não tinha tempo para sequer tomar água, quiçá uma cervejinha. Todos queriam vê-la cantar o cancioneiro consagrado do pop rock anos 1980 e 90, Kid Abelha, Skank, Titãs, Pato Fu e por aí vai. As ambições profissionais nunca a distanciaram da música: hoje, formada em Psicologia na UEM e residente no Observatório Social, os churrascos e as cantorias continuam, até mesmo onde mora,numa república na Zona 7, onde divide apartamento com duas amigas.

Mas algo mudou na vida de Aline há aproximadamente oito anos. Uma tragédia pessoal fez com que ela ultrapassasse a barreira que separa a interpretação da composição. Mais precisamente em 17 de julho de 2007, ela viu na lista das vítimas do fatídico acidente com uma aeronave da TAM, em São Paulo, o nome de sua tia, incentivadora do seu talento, e, curiosamente, dona daquele primeiro violão com que teve contato e que possibilitou a entrada da música em sua vida. Aline precisava compor para pelo menos tentar expulsar a a dor.

“Queria saber fazer um samba pra você/Mas meu coração só quer saber de blues”, são os versos iniciais da canção “Samba Blues”, primeira composição e que foi dedicada à memória da tia. “Não imaginava que levaria em frente a música. Estava na faculdade, recebi a notícia do acidente de avião. Compus pela primeira vez demonstrando ali a minha tristeza e a minha incapacidade de fazer qualquer coisa em meio ao luto. Minha tia era minha mãe também. Três dias antes do acidente, estávamos todos juntos de férias, em Foz. Não dava pra acreditar”.

Apreciadora da poesia, Aline conta que, antes, tentava cometer alguns poemas. E nada mais. A composição veio como luz, sem trocadilhos. Não parou mais. E hoje, ao apresentar o seu primeiro disco, percebe-se uma artista ainda em evolução, mas com duas joias raras em mãos: uma bonita voz, que se assemelha a vozes femininas da moda (Malu Magalhães, Uyara Torrente, Tiê, Clarice Falcão), e uma interessante maturidade nas letras.

Graça e leveza
À primeira vista, pode-se pensar que Aline Luz faz música romântica. Não é bem por aí. Há história de amor sim, mas há leveza e graça. Em “Cicatriz”, primeira faixa do CD e vencedora na categoria Aclamação Popular no 5º Festival Nacional Acorde Universitário, ela fala de um certo João que a deixa “sem chão” enquanto um tal Rafael a deixa só com seu “véu”.

Ela é também “família” na hora de compor. Além da canção dedicada à tia, o avô ganhou música também. A circense “Palhaço Mudo” – outra música premiada em festival – é homenagem ao avô, que a ensinou a ver filmes do Chaplin. “Hoje sou meio cinéfila graças a ele”, diz Aline, que, recentemente, compôs uma música inspirada pelo filme “Selma”, produção indicada ao Oscar e que narra a trajetória do pastor protestante e ativista social Martin Luther King. Percebe-se aqui também o lado social da psicóloga Aline Luz. O trabalho também é inspiração musical, diz ela. “Na música ‘Estação’, falo da alienação do trabalho. ‘Cantiga Urbana’ é a história de um menino de rua.”

Ainda trabalhando sua timidez, ela revela que o palco não a amedronta, mas se trata de experiência nova para quem nunca fez questão de tocar na noite maringaense. Para controlar as provações em meio ao público, as forças de Aline vêm do esporte. “Este ano quero ver se tiro minha faixa preta no karatê. Já joguei futsal, basquete e nadei. A competição esportiva ajuda a aprender lidar com a plateia”, diz.

Hoje, no Barracão, ao lado da banda formada especialmente para o projeto (Ronaldo Gravino no teclado e violão, Walter Batera na bateria, Luciano Blues nos solos de guitarra e na gaita, Ribeiro no contrabaixo e Luane Pedroso na percussão), Aline Luz pegará em seu violão e talvez se lembrará de muita coisa vivida desde que escreveu a sua primeira canção. Nada em vão, a estrada só está começando para uma jovem que já começa a ficar atenta aos editais do Convite à Música e da Virada Cultural. “Quero que a minha música tenha o poder de inspirar as pessoas e que as faça refletir, como qualquer tipo de arte.”

*Reportagem publicada sexta-feira (29) no caderno Cultura, do jornal O Diário do Norte do Paraná

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Incansável Hermeto Pascoal

hermeto

Música ruim é igual ebola, é a ebola da alma. E as pessoas estão cuidando do corpo e se esquecendo da alma – Hermeto Pascoal

Por Wilame Prado

“…sua obra é um legado antológico de criações sonoras constituído de centenas de peças musicais – muitas tornadas clássicas como “O Ovo”, “Bebê”, “Chorinho pra Ele”, “Forró Brasil”, “Montreux”, entre outras, que podem ser ouvidas em diferentes formações, gravadas por seus próprios grupos e por inúmeros intérpretes de diversos países do mundo, que o compositor e multi-instrumentista, para fugir do lugar comum dos rótulos e da música convencional impostos pela indústria cultural, emprega a expressão ‘música universal’.”

Acima, uma breve sinopse da grandeza musical representada pelo multi-instrumentista alagoano Hermeto Pascoal, 78, contida no livro “Hermeto Pascoal – musicalmente falando”, lançado no ano passado pelo maringaense Paulo Petrini. Considerado gênio da música, autodidata que tira sonoridade musical de qualquer instrumento, coisa, natureza e pessoas, Hermeto faz amanhã, às 20h30 no Teatro Calil Haddad, o seu segundo show na cidade. O primeiro, há 12 anos, ainda provoca saudades nos amantes de sua música universal, repleta de sonoridades originais, improvisações e significados.

O jazz de Hermeto, que emociona, alegra e ilumina, é propositalmente único. Em entrevista recente por telefone, o músico, que hoje mora em Curitiba com a mulher – a cantora e instrumentista Aline Morena – afirma que gosta de subir no palco para nunca mais parar de tocar. “Cada show é um show, é algo diferente do que fazemos em estúdio”, diz .

As apresentações de Hermeto & Grupo chegam a durar mais de duas horas, de improvisação e sonoridade exemplar. Música feita com alma, característica que o gênio fez questão de ensinar para o seu inseparável grupo. Hermeto vem acompanhado de Itiberê Zwarg (contrabaixo), Márcio Bahia (bateria), Fábio Pascoal (percussão), Vinicius Dorin (saxes e flautas), André Marques (piano) e Aline Morena (voz e viola caipira).

O DIÁRIO Como consegue enxergar tamanha beleza e som em tudo aquilo que faz?
HERMETO PASCOAL O segredo é o interior da gente, não premeditar e não querer adivinhar o que o público vai gostar. Tentar isso é besteira. Faça o que gosta, e verá que, ao mesmo tempo, o público também dará uma contribuição tão linda que as pessoas parecem mesmo compositores. O sentir vem na frente do saber. O público não vai saber que tom, que música, que ritmo, mas vai criar também.

E as composições escritas em materiais inusitados, como em papel higiênico?
No papel higiênico dá muito trabalho. Mas tem de tudo aqui. Em guardanapo, bolsa de supermercado e até em meus chapéus panamás. Quando vem aquela vontade inesperada, nem eles se salvam. Se chego no restaurante e acho um guardanapo bonito, escrevo música nele. Às vezes o gerente não deixa eu levar o guardanapo. Mas sempre estou com minha bolsa grande, ponho dentro. Passo depois avisando e todo mundo dá risada. Um dia farei uma exposição com todos esses objetos onde escrevo músicas.

O senhor liberou todos os direitos autorais de suas músicas. Já não precisa mais de dinheiro?
Eu gosto mais da música que de dinheiro. Dinheiro, preciso ganhar só para ter as minhas coisas. Rescindi contratos com gravadoras, não ganhava nem metade com isso, e hoje, qualquer um que quiser gravar uma música minha, pode gravar. Tantos músicos que tocam bem e também não ficam rico, mas eu sou mais irrequieto, faço 365 músicas por ano. Vejo músicos aqui de Curitiba que, com 60 anos, já estão vendendo instrumentos e se aposentando. Eu me aposento só quando o meu corpo não puder mais. Estou completando seis mil músicas no papel, fora as músicas exóticas, fora do papel. E meu sonho é pegar umas cinco mil delas e colocar cada uma num envelope, alugar um helicóptero e jogá-las para o povo de lá de cima.

Qual música mais gosta?
Eu gosto daquela que vem na minha cabeça. Há muitos músicos bons, o Egberto (Gismonti) mesmo, e uma turma nova, como o Guinga.

Mas pouco tocou ao lado do Egberto, né? Além de uma apresentação que fizeram em Berlim, se apresentaram outras vezes juntos?
Uma vez, tocamos eu, ele e (Naná) Vasconcellos, lá em Berlim, verdade. Mas eu tenho minhas formações, tenho o meu pessoal me esperando para tocar, e o Egberto toca com outros músicos também, ele viaja para Europa só com o violão, chega lá e toca com um ou outro.

Conhece a versão “Chorinho pra ele” da cantora portuguesa Maria Mendes?
Não me lembro, tem o clipe na internet, né? Vou ver. Mas ela canta bem. O problema do “Chorinho pra ele” é cantar a segunda parte. Um dia o letrista Silvio César fez letra, mas só para a primeira parte. Interpretar é quase como compor uma música.

É verdade que cobra só R$ 30 mil de cachê, um décimo do que pedem muitos nomes do chamado “sertanejo universitário”? Aliás, o que pensa dessa música?
O meu cachê? Nem isso. E outra coisa: estão botando uma onda de aumentar os impostos, se eu ganho R$ 15 mil num show, muito vai para o imposto e a metade sempre deixo com o grupo. Sobre a música sertaneja, se eu tiver num restaurante e tocar, eu saio. É negócio comercial, eles criam tudo. Mas quando falo isso, tenho o maior cuidado, tem muitas pessoas que eu cumprimento, abraço ela, mas não gosto das músicas que elas fazem. Não é nada importante, são só palavras soltas, só falam em fumo, em bebida, brigas. Música ruim é igual ebola, é a ebola da alma. E as pessoas estão cuidando do corpo e se esquecendo da alma, não recebem nenhuma energia. Música ruim atrai a realidade ruim.

*Reportagem publicada neste sábado (25) no caderno Cultura, do jornal O Diário do Norte do Paraná

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Carmen Miranda é revisitada no Luzamor

Camila Taari se veste de pequena notável para o show "Carmen Miranda - Na Batucada"

Camila Taari se veste de pequena notável para o show “Carmen Miranda – Na Batucada”

Por Wilame Prado

Com entrada franca, hoje, 20h30, no Auditório Luzamor (Rua Neo Alves Martins, 1.704, Zona 1), tem aula sobre um importante capítulo da música do século 20 dedicado ao legado de Carmen Miranda, a portuguesa mais brasileira que se tem notícia.

Pelo Convite à Música, o show “Carmen Miranda – Na Batucada”, dos londrinenses Camila Taari (voz), Osório Perez Moreira (violão de sete cordas), Guilherme Araujo Vilella (bandolim), Júlio Erthal (flauta) e Carlos Pereira (pandeiro), revisita a obra da pequena notável com mais de vinte músicas que passeiam por diferentes fases dela, além das considerações que o grupo faz sobre fatos envolvendo a história da artista.

A vocalista e idealizadora do projeto promete cantar, entre outras, “Tico-Tico no Fubá”, “Ao Voltar do Samba”, “South American Way”, e, como não poderia faltar, “O que é que a baiana tem?”

“O grande objetivo é resgatar a imagem da Carmen, homenageá-la e trazê-la de volta para a vida do público. É mais que uma cópia das músicas interpretadas por ela, é um convite para conhecê-la, para apreciá-la”, diz Camila, 32.

Como experiência, ela coleciona dois anos de entrosamento com o grupo e inúmeras apresentações em Londrina, especialmente em colégios. “Levamos às crianças uma perspectiva musical diferente do que elas estão acostumadas, visto que a grande massa desconhece o ícone que é Carmen Miranda.”

E se hoje Maringá tem a oportunidade de conferir o show “Carmen Miranda – Na Batucada”, deve isso à avó da cantora Camila Taari, que apresentou a obra da artista e insistiu para que a neta cantasse as músicas que encantaram o mundo em meados do século 20 e que deixaram homens apaixonados, como o atleta Mário Cunha, o músico Aloysio de Oliveira e David Sebastian – que conseguiu a proeza de se casar com a bela artista.

“Minha avó sempre me pedia pra gravar CDs da Carmen para ela, sempre escutava as músicas em casa e assim eu também comecei a apreciar sua arte. Um dia ela sugeriu que a gente fizesse o show. Foi quando começamos a ler e reler diversas biografias, assistimos a documentários, ouvimos diversas músicas, até modelar o show como ele é hoje, escolhendo em conjunto as canções que integram o repertório, figurinos etc”, relembra Camila.

*Reportagem publicada nesta quinta-feira (2), no caderno Cultura

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Jorge Vercillo entre nós

NO CALIL. Jorge Vercillo: músico e compositor carioca finalmente faz shows no Paraná; amanhã, às 20h, tem horário marcado no Teatro Calil Haddad. —FOTO: DIVULGAÇÃO

NO CALIL. Jorge Vercillo: músico e compositor carioca finalmente faz shows no Paraná; amanhã, às 20h, tem horário marcado no Teatro Calil Haddad. —FOTO: DIVULGAÇÃO

Por Wilame Prado

Músico carioca faz bate-papo, sessão de autógrafo e show na cidade entre hoje e amanhã

Compositor, que não gosta de ser chamado de romântico, comemora 20 anos de carreira

Não se surpreenda se, entre hoje e amanhã, estiver fazendo a sua caminhada no Parque do Ingá e se deparar com Jorge Vercillo em pessoa, buscando um contato maior com a riqueza arbórea maringaense.

O músico e compositor carioca de 45 anos, que faz show amanhã no Teatro Calil Haddad em comemoração aos 20 anos de carreira, disse, em entrevista por telefone ao Diário, fazer questão de, sempre que possível, aproximar-se da natureza nas cidades por onde passa, praticando ecoturismo. “Quando passo pelas cidades e sei que tenho um ‘day off’, procuro visitar um lugar bonito, gosto de andar, conhecer bosques, lagoas. Quando estou com meus filhos, gostamos de subir na árvore para conversar. A árvore nos passa a energia telúrica”, conta.

Ao marcar três compromissos de uma só vez na cidade – além do show de amanhã, ele faz hoje um bate-papo e sessão de autógrafos – Vercillo tira o atraso na região Sul, onde, confessa, toca muito pouco. “Sempre quisemos tocar no Sul, mas não havia muitas propostas de contratantes. Então, decidi, em 2014, por minha conta, que faria mais shows por aqui. Chegaram a me perguntar uma vez se eu tinha ódio do Paraná. E não é nada disso”, afirmou o músico, diretamente de um hotel curitibano, onde participava de campanhas de divulgação para o show do próximo sábado, na capital.

Na entrevista, Jorge Vercillo surpreende: renega o carimbo de cantor romântico, diz que as comparações com Djavan já deveriam ter ficado para trás e afirma que shows apresentados em teatro são os seus preferidos.

O DIÁRIO Qual a diferença de subir ao palco pela primeira vez de um show comemorativo dos 20 anos de carreira?
JORGE VERCILLO
Com certeza a gente fica mais à vontade. O tempo tem sido bem generoso comigo, tenho uma saúde de garoto, jogo bola, ando de bicicleta com meus filhos, não me imaginava, aos 45, tendo essa energia de garoto. Isso se reflete no palco, e o público gosta da intensidade e da entrega nos shows. Dia desses, num show em SP, num momento ‘banquinho e violão’, fechei os olhos para me lembrar de uma música lado B do meu repertório e, quando notei, estava tocando como se estivesse no meu quarto, esqueci que estava no palco, estava intenso, e isso é graças ao tempo.

Fará um show mais voz e violão em Maringá? E o setlist?
Não. Somos um quarteto, o que permite, mesmo assim, mostrar mais o meu trabalho no violão e na voz. Gosto muito quando o meu violão dialoga com a percuteria (um híbrido entre bateria e percussão), que fica a cargo do grande baterista Cláudio Infante. No baixo, toca André Leiva, nosso diretor musical; Misael da Hora, filho do Rildo Hora, assume os teclados. Sobre o setlist, vasculhei meu balaio e temos apresentado algo mais abrangente, e tocamos “Encontro das Águas”, “Ela Une Todas as Coisas”, “Homem-Aranha”,e outras mais ritmadas, como “Devaneio” e “Melhor Lugar”. É um show com sucessos, mas com um lado conceitual e hermético, a exemplo da música antiga “Avesso”, que poucos conhecem e que o grupo GLS abraçou pois se reconhece na história.

Gosta dos shows em teatros?
Penso que o melhor show que eu posso fazer é dentro de um teatro. Porque as pessoas não estão bebendo nem esperando um tempão para começar. Essa prática de deixar o pessoal consumindo bebidas para um show começar depois da meia-noite passa uma energia que não tem a ver comigo. Meu lance é outro, meu público é família pra caramba. Mas, mesmo no teatro, no meio do show, começo a provocar a plateia, chamo todo mundo lá pra frente, a gente faz uma bagunça boa, mas saudável, aquilo ali vira uma pista de dança.

Quais os diferenciais do disco “Luar de Sol” (2013), que ganhou o prêmio Grammy Latino como “Melhor Álbum de MPB”?
Um trabalho premiado, ou seja, que vende muito pouco ou quase nada. As pessoas estão buscando mais entretenimento do que cultura. É um trabalho mais hermético, em que procuro passar mais conhecimento por meio da música, um conhecimento que veio através da arte. Talvez seja um disco que, de certa maneira, encerra um ciclo que vinha trabalhando no abuso de uma sonoridade mais acústica, evidenciando mais o samba, a MPB, iniciado com “Todos Nós Somos Um”, disco de 2007 que tem a participação de Marcos Valle. Cheguei a gravar músicas com orquestras de corda, cheguei a ter violinistas na banda. Agora, numa tentativa de me aproximar mais do público jovem, tenho mudado um pouco isso, e começo a apostar, já nessa turnê dos 20 anos, num diálogo com o timbre eletrônico, com a coisa dos loops, timbres sintetizados, com mais DJs e teclados.

A comparação com o Djavan ainda o incomoda?
Ficarem batendo nessa tecla, após 20 anos de carreira, é inadequado. Não vou deixar que a minha obra seja influenciada pela opinião dos outros. Até poderia ter fugido musicalmente dessa influência para agradar a crítica, mas preferi manter minha personalidade ainda mais sabendo que tenho influência, sim, de Djavan, como tenho também de Steve Wonder, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento e Claudio Cartier. Num balanço desses 20 anos de carreira, concluo que sou um artista híbrido e que graças a isso tenho sucesso. Nós já fizemos tudo ou quase tudo nessa terceira dimensão, já não é mais possível haver um pilar de originalidade, quando misturo jazz e música árabe já estou sendo híbrido. Quando os idiotas acham que estou imitando o Djavan, posso dizer que ele é um pilar e que estou sendo eu. Caetano e Gil inauguraram um novo jeito de se fazer música no Brasil, assim como Djavan também.

Tem ideia de quantas composições já fez?
Estou tomando birra de análise quantitativa. Não me lembro quantas músicas fiz, meu público criou um laço com o conjunto da minha obra e isso é mais importante. Mas cito uma música importante para mim: “Face de Narciso”, tema da novela “Flor do Caribe”. Na letra, contesto o mito do amor romântico. Nós mesmos, artistas, vivemos de músicas românticas, vendendo esse sonho da paixão, mas essa letra quebra completamente com isso. Meu trabalho maior é de questionar, de desarrumar e não acomodar. O amor é um ator de consciência maior, que respeita todas as formas de vida. Amor é muito mais abrangente do que ‘beijinho beijinho e tchau tchau’.

Então, não é um romântico que acredita no “final feliz”?
Chegou num ponto importante. Sou muito mais transgressor do que um romântico no sentido que as pessoas esperam. Em meu principal sucesso, que me projetou para o Brasil, quando digo que “nada vai me fazer desistir de amor”, estou falando de todo esse amor maior. Dedico toda a minha arte para o conhecimento extraterrestre, em um recondicionamento de você se ver como um ser humano universal e como parte de um todo, algo que tem a ver com a evolução ética e moral enquanto um ser humano no desenvolvimento do planeta Terra. Eu não gosto quando sou chamado de romântico, dá a impressão de ser algo relacionado à paixão superficial e possessiva, relacionado a coisas que protesto.

ROTEIRO
20 ANOS DE JORGE VERCILLO
Quando: amanhã
Onde: Teatro Calil Haddad
Horário: 20h
Preço R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia)
Pontos de venda: Livrarias Curitiba (Maringá Park Shopping e Shopping Catuaí) e aloingressos.com.br

Bate-papo com o músico
Quando: hoje, às 18h, no Calil

Sessão de autógrafos e fotos
Quando: hoje, às 19h30, nas Livrarias Curitiba (Maringá Park Shopping)

*Reportagem publicada nesta quarta-feira (10) no caderno Cultura, do jornal O Diário do Norte do Paraná
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Felizes e bonitos

NA CIDADE. A Banda Mais Bonita da Cidade: lançamento em Maringá do elogiado “O Mais Feliz da Vida”, segundo disco do grupo. —FOTO: BETO BOLLIGER

NA CIDADE. A Banda Mais Bonita da Cidade: lançamento em Maringá do elogiado “O Mais Feliz da Vida”, segundo disco do grupo. —FOTO: BETO BOLLIGER

Por Wilame Prado

A perceptível evolução d´A Banda Mais Bonita da Cidade com o segundo álbum “O Mais Feliz da Vida”, lançado ano passado, poderá ser conferida ao vivo amanhã em Maringá. A banda curitibana liderada pela cantora paranavaiense Uyara Torrente volta à cidade com o show marcado para as 21h de sábado no Teatro Calil Haddad.

Os quase cinco anos de estrada e a rápida conquista de público após o fenômeno viral da música “Oração” – com suas mais de 13 milhões de visualizações do clipe no Youtube – fizeram bem para Uyara (voz), Vinícius Nisi (teclados), Diego Plaça (baixo), Rodrigo Lemos (guitarras) e Luís Bourscheidt (bateria).

“O Mais Feliz da Vida”, ousado porque se propõe conceitual – a perenidade da vida é posta em prova no movimento das faixas do CD, conceito que tem início na faixa 1, homônima, e término na faixa 11, “Reza Para Um Querubim” – traduz o crescimento musical dos integrantes d´A Banda Mais Bonita da Cidade, grupo cada vez menos “só” um intérprete de bons compositores curitibanos e cada vez mais voz ativa da cena contemporânea da música independente brasileira.

O segundo álbum cheio dos paranaenses – o primeiro, “A Banda Mais Bonita da Cidade” é de 2011; em 2012 lançaram o vinil compacto “Canções que Vão Morrer No Ar” com cinco faixas – está recheado de novidades e características elogiáveis, assim como a curiosa proposta gráfica com a foto da Dona Júlia na capa – uma senhorinha moradora de um asilo em Curitiba – e toda a preocupação sonora na produção assinada pelo tecladista Vinicius Nisi.

O disco continua contendo músicas “fofas”, como “Nunca” e “Canção Para Não Voltar” do primeiro CD, as quais o público cativo da banda gosta e está acostumado, mas tem também introspecção, mais espaço para o instrumental nas faixas e uma acertada escolha de regravações, a exemplo de “Que Isso Fique Entre Nós”, do músico paulistano Pélico, e “Olhos da Cara”, bela canção de Nuno Ramos que ficou marcada pela inenarrável versão de Dona Inah na abertura do álbum “Um Labirinto Em Cada Pé”, de Romulo Fróes.

Comentando sobre a volta a Maringá, sobre o disco novo, Uyara, em entrevista por telefone ao O Diário, demonstrou não ter perdido ainda aquele deslumbramento meio inocente, delicado, pela arte, pela música e, claro, pelo cênico – no palco, e também nas interpretações musicais, percebe-se que ela veio do teatro. Os fãs adoram.

Uyara e toda a turma d´A Banda Mais Bonita da Cidade são inteligentes, talentosos, bonitos e felizes. Já conversavam com um monte de gente interessante do meio artístico na capital paranaense. Agora conversam com gente do País inteiro, principalmente de São Paulo. E vão absorvendo toda esta boa experiência e levando para a música. Acostumados com os elogios daqueles que adoram escutar as músicas da banda, desde o ano passado os músicos começam a se acostumar também com o elogio da crítica especializada por causa de “O Mais Feliz da Vida”.

E sobre tudo isso, Uyara, sempre com aquele jeitinho meigo de ser, apenas dá risada e diz: “a repercussão tem sido muito bonita.”

Ela, que se emocionou bastante no show do ano passado na cidade, no Teatro Barracão, porque os pais estavam em meio à pequena plateia do teatro, diz que será um prazer voltar, agora, ao palco do Calil. “Eu me apresentei por duas vezes no Calil, participando do Femucic. Meu pai tocou nas primeiras edições do Femucic”, conta.

ENTREVISTA
Como tem recebido a crítica e público de “O Mais Feliz da Vida”?
UYARA TORRENTE –
Tem sido muito positivo, a repercussão está muito bonita, muito mais do que a gente esperava. Mas a gente não pensa na repercussão, a gente quer se divertir, fazer o disco e pronto. O primeiro disco foi muito rápido, e, neste tivemos um tempo maior para fazer, com mais calma. Então é muito bonito ver essa repercussão e acho que tudo tem a ver com a nossa felicidade e diversão em cima dele. O disco saiu em quase todas as listas de discos de destaque independentes em 2013. Para mim, particularmente, foi incrível porque, na verdade, sou atriz, vim das artes cênicas, e quando estouramos precisei bancar como cantora, de estúdio, ao vivo, mas dois anos depois, acho que estou com mais cancha, mais segura.

Um disco mais contemporâneo, talvez nem tão “bonitinho” como “Oração” e as demais do passado. Acha que um outro fã se saiu decepcionado?
Não acho não. Entendo o que quer dizer; “Oração” e outras mais fofinhas estão no primeiro disco, mas também já tínhamos umas mais pesadas, como “Ótima”. Enfim. Acho que as pessoas continuam se identificando e acho que a gente agregou um público maior, um público mais ligado às críticas de música.

Como foi gravar canções de Pélico e “Olhos da Cara”, conhecida de Nuno Ramos em projeto de Romulo Fróes?
Quando ouvi pela primeira vez a música “Olhos da Cara”, no disco do Romulo, na voz da Dona Inah, me faltou ar, achei enorme, me tocou de um jeito enorme e disse para mim: preciso cantar essa música um dia, mas sempre ficava com receio, a gravação da Dona Inah é uma coisa insuperável, mas pensei que não devia pensar que devesse provar nada para ninguém e sim com a minha história, com a minha verdade. O Pélico é um grande amigo e querido, já tinha algumas coisas juntos, vídeos juntos, a paquera tava rolando há um tempo e então finalmente gravamos “Que Isso Fique Entre Nós”.

Nos primeiros trabalhos, sentíamos uma banda legitimamente curitibana, paranaense. Com o segundo álbum, isso não fica tão claro. A proposta é alcançar novos horizontes em todo o Brasil?
Na verdade foi um processo muito natural porque eu queria cantar os cantores curitibanos. Resolvi fazer uma banda para cantar aquelas coisas dos curitibanos. Mas esse processo foi natural, principalmente depois do rolê pelo País, depois de conhecer tanta gente bacana, como o Pélico, como o Tibério Azul (Recife). No disco, a música “Maré Alta” é do Rodrigo Lemos e dele. A gente vai viajando e se encantando com as coisas, mas foi natural, não foi como em um jogo de War, em que precisamos ficar planejando conquistas de territórios.

Explique o projeto gráfico ousado com fotos de pessoas mais velhas.
A gente juntou duas coisas: o rosto muito velho na capa acabou calhando com o conceito, sonoramente falando, que nascesse na primeira música e que no final fosse para morrer e ter redenção. A gente achou que essa capa tinha a ver com esse conceito, com a história contada por um rosto, com as rugas, manchas e marcas. Na capa, a foto é da Dona Júlia, moradora de um asilo em Curitiba onde fomos tocar uma vez. No encarte de dentro, as pessoas das fotos são os nossos pais, em uma espécia de photoshop ao contrário, com um filtro que realça manchas e marcas impossíveis de se ver a olho nu.

Tal qual “Oração”, a canção “O Mais Feliz da Vida” gruda como chiclete. Foi intencional
Cara, nada é intencional. A gente não faz as coisas pensando, isso é coisa para publicitário. Mas se gruda, ótimo, legal.

A mesma pergunta de sempre: como é poder voltar à terrinha, não exatamente em Paranavaí mas bem perto?
A gente sempre gosta muito de voltar a Maringá. E o Paulinho (Schoffen), que sempre dá uma força pra gente, é um batalhador cultural aí. Quando eu era mais nova, com 13 anos, participei do Femucic aí no Calil. A cidade me traz muito isso, a coisa do festival e tal. Meu pai tem um grupo de música que participou do primeiro Femucic, quando ainda era FemuSesc.

Seguem até quando com a turnê?
A gente vai ficar o ano todo e não em turnê e sim em uma espécie de microcirculação. Agora tocamos em Campinas, depois Paranavaí, Maringá, Apucarana e Campo Mourão. Aí voltamos pra Curitiba, e depois fazemos outras microcirculações, e por aí vai. Nesse meio tempo, estamos sempre pensando e separando coisas, ideias, para o terceiro disco. Na verdade, a gente nem separa muito vida e criação artística, as coisas acabam puxando a gente.

SHOW D´A BANDA MAIS BONITA DA CIDADE
Quando: amanhã
Horário: 21h
Onde: Teatro Calil Haddad
Valor: R$ 25 (antecipado)
Pontos de venda:
Genko Mix, no Maringá Park Shopping
Café Literário (UEM)
Badulaque Estúdio Bar

*Reportagem publicada nesta sexta-feira (21) no caderno Cultura, do jornal O Diário do Norte do Paraná

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A magia d’O Teatro Mágico

Por Wilame Prado

Em dez anos de carreira, a proposta d’O Teatro Mágico de “juntar tudo numa coisa só” continua dando certo. Os fãs maringaenses comprovaram isso no espetáculo do grupo que aconteceu no domingo do dia 14 de abril, no Clube Olímpico de Maringá.

No palco, a competência do líder Fernando Anitelli – com sua caracterização de palhaço já conhecida – ao lado de grandes instrumentistas, como o violonista Luis Galdino e o guitarrista e produtor Daniel Santiago, foi ressaltada pela vertente musical, cênica e literária. Mais uma vez, O Teatro Mágico presenteou a cidade com um show memorável sonora e esteticamente.

Para um público que soube cantar absolutamente todas as músicas que compuseram o set list do show, a emoção intensamente aflorada não se limitava quando grandes sucessos, como “O Anjo Mais Velho” ou “Camarada D’Água”, eram entoados tal qual hinos sagrados.

Entregues a uma espécie de catarse já comumente vista em shows d’O Teatro Mágico, o encantamento na performance artística do grupo também acontecia quando as gêmeas bailarinas se penduravam em cordas, dançavam e executavam técnicas circenses em meio às canções, ou ainda quando Anitelli dedicava o espaço só para a sua voz: ora declamando poesia, ora defendendo o movimento da música livre ou ainda ressaltando a importância de se ocupar espaços nobres na televisão emplacando temas na trilha sonora da novela.

Musicalmente falando, o momento solo de Anitelli no palco – quando os músicos fazem uma pausa para tomar uma água e quando o vocalista inevitavelmente acaba ressaltando o fato de que ele é “dono” do projeto – serviu também como respiro para tantas luzes, danças, peripécias, caras e bocas da trupe.

O músico demonstrou intimidade com o violão e com a arte do cantar quando executou baladas mais românticas e recheadas com letras extremamente poéticas mas válidas, nada melosas. “Sonho de Uma Flauta”, baseada em trechos de livros de Mário Quintana e Hermann Hesse, talvez a mais bela canção do show, senão d’O Teatro Mágico, demonstra ainda a grande capacidade de Anitelli como letrista.

O Teatro Mágico já é conhecido em Maringá como um grupo que se propõe a fazer belos espetáculos, com uma boa energia totalmente voltada para a arte.

Prova disso é a presença de um público também mais velho e famílias inteiras, de crianças a avós, juntas, sentadas em cadeiras próximas ao palco, comendo pizza e tomando chopp ou refrigerante (ponto para os organizadores do show, que escolheram um cardápio ideal para oferecer em uma noite de domingo), esperando o show começar enquanto a banda maringaense Trafford iniciava os trabalhos cantando em inglês.

Essa talvez seja a grande magia que O Teatro Mágico consegue fazer: estimular as pessoas a se permitirem ser feliz consumindo arte, nem que se isso se limite às duas horas do espetáculo.

*Comentário publicado no D+, do Diário de Maringá.

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Cantor gospel Fernandinho manda mensagem aos fãs de Maringá

Após cancelamento do show na sexta-feira (8) em Maringá, o cantor gospel Fernandinho postou em seu site uma mensagem direcionada aos fãs maringaenses. Na mensagem, ressaltou que ninguém foi irresponsável com o cancelamento em cima da hora do show, defendeu o produtor do evento e ainda alegou motivos de saúde pelo fato de fretar voos particulares para os shows marcados pelo País.

No texto, Fernandinho ainda não confirmou a nova data para o show em Maringá, oportunidade em que o público que já pagou pelo show cancelado poderá entrar de graça apresentando o ingresso que foi devolvido (para quem conseguiu pegar de volta; na página do Facebook da Melodia FM 99,3, que divulgou o show, há uma mensagem falando para os fãs que não conseguiram pegar de volta o ingresso ligar na rádio e deixar o nome).

Leia na íntegra a mensagem de Fernandinho:

“Irmãos de Maringá, paz!

Só agora estou em condições de enviar esta mensagem. Estive durante horas em função de outra viagem. Quero esclarecer aqui o fato ocorrido ontem em sua cidade, no evento promovido pela Adonai Produções.

Nesses anos de ministério nunca agi por desrespeito a qualquer um que seja, principalmente à Igreja. Mesmo com a saúde debilitada, até sem condições de me deslocar, para não comprometer ou desonrar a ninguém, já estive em lugares em que ministrei sentado pela situação em que estava na ocasião. Tenho fortes dores na coluna por um problema de hérnia de disco que já trato ha alguns anos. Depois de um bom tempo sem crise, os últimos dias têm sido difíceis pra mim.

Moramos a quase 300 km do Rio e pelas circunstâncias resolvi fretar um vôo por MINHA CONTA que pudesse me levar da minha cidade direto a Maringá. Não poderia ir um dia antes, como alguns imaginam, porque tenho outros compromissos, inclusive com minha família. Marcamos nossa saída com tudo programado para estarmos no evento como agendado. Não podemos prever nada. Quantos aeroportos são fechados por mau tempo e pessoas não conseguem sair de onde estão, muitas vezes aguardando desde a madrugada.

Em nossa viagem nos deparamos com uma tempestade inesperada que nos fez retornar, infelizmente, sem nenhuma condição de prosseguirmos.

Quero deixar claro que o Nelson Gavetti, responsável pela organização do evento, é um dos melhores produtores e não pode ser responsabilizado por algo que está além de sua competência, assim como eu. Ele é uma das pessoas que realiza evento pensando no aperfeiçoamento da vida espiritual das pessoas.

Penso que, por conveniência, a informação no evento foi dada no momento adequado. Quero lembrar aos irmãos que a situação dele ficou naquele momento muito delicada. Sei da mobilização de muita gente que saiu de suas casas e até de suas cidades, caravanas de irmãos preciosos, por isso peço perdão e compreensão.

Imagino a inquietação de muitos, dos que se manifestam e outros não, mas queremos ter outra oportunidade de estar com vocês. Faço um pedido a todos que guardem o coração da injúria e das criticas. NÃO existe nenhum irresponsável nisto!

Deixo uma palavra: “Bem-aventurados os pacificadores… Bem-aventurados os mansos.” Estou certo de que Deus tem algo especial reservado pra Maringá e cidades próximas e prometo oferecer algo que ainda não fiz em nenhum outro lugar. Nada poderá impedir o agir de Deus.

Paz seja sobre sua vida! Aguardem e fiquem com Deus!

No amor de Cristo, Fernandinho.”

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Oswaldo Montenegro volta a encantar Maringá

O meu amigo Oswaldo Montenegro, mais uma vez, deixou um Teatro Marista lotado à flor da pele, em show realizado na noite do último sábado (4). Marcado para as 21h, surpreso fiquei ao tatear por um lugar na primeira fileira do teatro, por volta das 20h45, e percebendo que a casa já estava cheia e que o sempre muito simpático cantor e compositor já tinha feito o que é de costume em seus shows: puxar uma banqueta e bater um papo com a plateia, respondendo sempre as mesmas perguntas, o significado das letras, as histórias envolvendo bastidores, as músicas preferidas etc.

Oswaldo parece não envelhecer. Parece que já nasceu daquele jeito: sotaque carioca, roupas pretas, cabelão grisalho e barba por fazer também cinza. Mas a maior prova da vitalidade do artista se dá na sua arte: sua voz continua estridente, não preguiçosa e ousada a ponto de desbancar qualquer efeito sonoro de uma gravação em estúdio. Sua receita mágica seria a opção por Coca Zero durante o show? Seu violões, de seis e de doze cordas, também continuam produzindo um dedilhado sempre muito límpido, lúcido, sincero.

O som da flauta de Madalena Salles é outro que continua entrando em nossos ouvidos como se fosse a primeira vez. Na primeira fileira, tive o privilégio de tê-la ao meu lado, desferindo aqueles sopros mágicos da já clássica canção “Lua e Flor”, aquela que diz: “Eu amava/Como amava um pescador/Que se encanta mais com a rede que com o mar”. Você conhece!

Em uma plateia composta em sua maioria por mulheres, não era raro, olhando para trás, ver olhinhos brilhando e querendo deixar as lágrimas caírem após versos cantados tão bonitos de Oswaldo Montenegro. Os homens, a maioria deles acompanhando suas parceiras, mas também adoradores do som do cara, também não escondiam a satisfação, a alegria e a emoção sentidas ouvindo aquela boa música. Ou vai me dizer que você não se emocionaria ouvindo “A Lista”? A propósito, seguindo a letra da canção, já fez uma lista de grandes amigos, aqueles que você mais via há dez anos atrás? Desses, quantos você ainda consegue ver todo dia? É aí que o negócio pega fundo na alma e, ouvindo Oswaldo Montenegro, acaba se fazendo uma viagem no tempo, uma análise da vida, um balanço de tudo o que se passou e de tudo o que está acontecendo.

Mas, enfim, das velhas músicas boas ninguém esquece e sempre são indispensáveis nos shows. Não que o repertório do “De Passagem”, último álbum do artista lançado este ano, seja ruim, pelo contrário. Há pérolas no CD que também ficarão eternizadas no cancioneiro de Oswaldo Montenegro. No show, ele contou que “Velhos Amigos” é a sua preferida do disco recente. E que música! “Velhos amigos vão sempre se encontrar/Seja onde for, seja em qualquer lugar”.

A música de trabalho também é recheada de significados humanos, mas destoa um pouco do lado nostálgico do artista: o nome da canção, “Eu Quero Ser Feliz Agora”, já diz tudo! Dia desses, meio leve, meio solto, chegando em casa tranquilo da vida, não pude resistir e entoei este refrão, “Eu Quero Ser Feliz Agora”, bem alto, às duas da manhã. Foi libertador.

E bem que Oswaldo poderia ter deixado a plateia de Maringá ainda mais feliz, e naquela hora! Bastava, ao contrário de 1h20 de show, ter esticado para duas horas de apresentação (o valor de R$ 100 no ingresso merecia mais canções) e, assim, sem deixar de lado as clássicas, ter destrinchado melhor os álbuns “Canções de Amor” e “De Passagem”, os dois últimos trabalhos lançados. O artista também bem que podia ter investido em uma turnê com banda, não se importando tanto com os custos de tal tarefa (afinal, eram R$ 100 mangos para entrar!) e podendo, como pedem várias canções dele, não ter se limitado ao seu violão, à flauta de Madalena e aos teclados de ambos.

Mas, tudo bem. Amigo a gente perdoa. Ouvir o bom papo e a boa voz de Oswaldo Montenegro, além dos sopros mágicos de Madalena Salles, é sempre motivo para querer ser feliz no agora, mesmo que, para isso, vez ou outra, seja preciso fazer uma lista dos amigos, dos amores e de tudo o que ficou para trás. Motivo também para continuar amando nesta vida e, se com a rede ou com o mar eu não sei, mas sabendo que o importante mesmo é ter algo para se encantar. Sábado que passou, os maringaenses tiveram um bom motivo de encantamento lá no Teatro Marista.

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O meu amigo Oswaldo

Quando cheguei ao Teatro Marista, sexta-feira passada, o meu amigo Oswaldo estava comendo bolacha de água e sal e vestia roupas claras, com predominância de cor parecida com a cor do seu cabelo e da sua barba. Comprei o CD “Canções de Amor”, saquei a caneta do bolso da camisa e, quase como um pedido de assalto, abordei o meu amigo Oswaldo, que terminava de mastigar sua bolacha, solicitando sua assinatura no encarte e dedicar tal feita à mulher que estava ao meu lado e que tanto gosta dele e das suas canções suaves.

Assim que o meu amigo Oswaldo terminou seu rabisco subentendido no encarte do CD, ele não sorriu muito para mim não. Continuou sua impaciente caminhada para algum lugar, parecia agitado, mas, na verdade, creio ser só o jeito de ele eliminar um pouco a adrenalina pré-show. Só porque o Oswaldo é meu amigo, ele achou que estaria no direito de levar consigo minha caneta, que tem detalhes em dourado, que tem meu nome escrito Wilame com i no final e, acima de tudo, um valor sentimental muito grande, já que a ganhei de presente da minha madrinha no dia em que colei grau.

Não deixei por menos essa suposta tática do meu amigo Oswaldo, a de querer surrupiar minha humilde caneta minutos antes do seu show começar. Permaneci ao seu lado com a mão estirada, esperando o eterno retorno da minha caneta e finalmente poder vesti-la novamente com o bolso da minha camisa nova. Mas uma fã, vendo minha angústia provocada pela espera, suplicou-me com olhinhos que só as mulheres conseguem ter quando estão diante de um grande músico esperando um sugestivo rabisco no encarte do mais novo CD adquirido na barraquinha montada no interior do teatro pela bagatela de R$ 25. Deixei o Oswaldo, mas só porque ele é meu amigo, fazer o bendito rabisco no CD da senhora com a minha caneta, e só.

Praticamente tomei minha caneta de suas mãos, mas sem ressentimentos de ambas as partes. Finalmente nos adentramos ao teatro, indo em direção das primeiras e confortáveis poltronas; assim poderíamos ficar bem pertinho dos dedilhados que o Oswaldo gosta de fazer em seu violão. Ainda não era 21 horas, e o meu amigo, já no palco, espantou-se de ver um teatro, até certo ponto, cheio. Ele disse que os maringaenses são pontuais.

O meu amigo quis começar o show pontualmente às 21 horas para terminá-lo 22h30. Por isso, como sempre faz em seus shows, até dar o horário exato de o espetáculo começar, desandou a conversar com o público, abrindo espaço para perguntas relacionadas às suas músicas. Descobrimos que o chato de uma música realmente existe, realmente é chato e mora no Rio de Janeiro. Oswaldo também contou que foi bom perder no festival de música de 1985, pois acha que o brasileiro gosta daqueles que perdem e, justamente por isso, fez bastante sucesso com a música “Condor”.

Antes de começar o show, perguntaram para Oswaldo se ele já tinha feito algumas músicas para sua ex, a atriz Paloma Duarte. Ele disse que sim e aproveitou para pronunciar um aforismo interessante: “a ex é a única coisa eterna da vida”. O meu amigo Oswaldo gosta de se arriscar nas águas turvas da filosofia vez ou outra.

Depois de mais uma retumbante apresentação musical, dividindo palco com a divina flautista Madalena Salles, o meu amigo Oswaldo reapareceu e fez um bis cantando “Metade”. Ao final do show, ele prometeu assinar o CD do pessoal na saída, bastando aos fãs fazerem uma fila decente. Talvez por isso ele quisesse minha caneta, vai saber.

Quase chegando ao carro, percebi o quanto ficamos à flor da pele quando ouvimos o meu amigo Oswaldo Montenegro cantar. Aliás, todos que saem do seu show, automaticamente se tornam seus amigos. O cara é simpático mesmo. Percebi também que maior e mais bonito sorriso no mundo não havia igual ao da mulher que estava ao meu lado, feliz e emocionada por ouvir “Cigana”, “A lista” e tantos outros sucessos dele. E pensei comigo mesmo: “amigo é pra essas coisas”.

*Crônica publicada dia 17 de agosto de 2010 na coluna Crônico, no caderno D+, do jornal O Diário do Norte do Paraná.

**Republico a crônica esta semana, na seção “Memória Crônica”, por saber que Oswaldo Montenegro está voltando a Maringá com seu novo show, também lá no Teatro Marista, no dia 4 de agosto, sábado.

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