Teatro Marista



Repertório contemporâneo na mostra de teatro

Por Wilame Prado

Ainda restam ingressos para o espetáculo “Nada de Novo”, do grupo paulistano Parlapatões, que abre a 3ª Mostra de Teatro Contemporâneo – Maringá hoje no Teatro Marista, às 20h30. A bilheteria fica aberta do meio-dia às 19h no 4º piso do Maringá Park Shopping. Os ingressos custam R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).

A procura pelos espetáculos e os elogios feitos em redes sociais após a divulgação oficial da programação da mostra têm animado o coordenador Marcio Alex Pereira, da Teatro & Ponto Produções Artísticas – companhia que realiza a o evento com apoio do Ministério da Cultura. Até o dia 17 de novembro, a mostra principal ocupará vários teatros da cidade, além das atividades formativas (mesas redondas, palestras, leituras dramáticas, exibição de filmes e oficinas) e extensões com espetáculos em Londrina e Campo Mourão.

“Além dessa abertura elogiável com a comédia dos Parlapatões, a expectativa é grande para ver a reação do público nas peças que estamos trazendo do Coletivo de Teatro Alfenim, de João Pessoa-PB, e também nas seis peças do projeto ‘Peep Classic Ésquilo’, do Club Noir (São Paulo-SP), com espetáculos durante os três dias da mostra”, revela Pereira.

Segundo Pereira, há muitos curiosos também para ver o que as companhias de teatro de Maringá, Mandaguari, Londrina e Campo Mourão farão nos palcos maringaenses durante a Mostra de Teatro Contemporâneo deste ano. A exemplo do espetáculo “O Primeiro Golpe”, da mandaguariense Saindo da Coxia – capitaneada pelo dramaturgo, diretor e ator Paulo Campagnolo –, que, pela mostra e em parceria com o Convite ao Teatro, é atração amanhã, 20h30, no Teatro Barracão. A entrada é franca.

Teatro de repertório
Mesmo com novidades, Pereira diz que não muda a principal característica da Mostra de Teatro Contemporâneo: o oferecimento ao público local de teatro de repertório. “Estamos proporcionando teatro de repertório com grupos de fora do eixo Rio-SP, com o pessoal da Paraíba, com os curitibanos, enfim. Esse ano foi possível também fazer uma espécie de proposta temática com alguns espetáculos, de diferentes lugares, que tratam temas sobre a velhice, como a solidão e o Mal de Alzheimer. É o caso de ‘Brevidades’, do Coletivo de Teatro Alfenim, ‘Correntes’, dos maringaenses da LC Produções Cênicas, e ‘Yolanda Calaboca’, dos londrinenses da Casa das Fases”, diz.

*Reportagem publicada nesta quinta-feira (7) no caderno Cultura, do Diário de Maringá
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Oswaldo Montenegro volta a encantar Maringá

O meu amigo Oswaldo Montenegro, mais uma vez, deixou um Teatro Marista lotado à flor da pele, em show realizado na noite do último sábado (4). Marcado para as 21h, surpreso fiquei ao tatear por um lugar na primeira fileira do teatro, por volta das 20h45, e percebendo que a casa já estava cheia e que o sempre muito simpático cantor e compositor já tinha feito o que é de costume em seus shows: puxar uma banqueta e bater um papo com a plateia, respondendo sempre as mesmas perguntas, o significado das letras, as histórias envolvendo bastidores, as músicas preferidas etc.

Oswaldo parece não envelhecer. Parece que já nasceu daquele jeito: sotaque carioca, roupas pretas, cabelão grisalho e barba por fazer também cinza. Mas a maior prova da vitalidade do artista se dá na sua arte: sua voz continua estridente, não preguiçosa e ousada a ponto de desbancar qualquer efeito sonoro de uma gravação em estúdio. Sua receita mágica seria a opção por Coca Zero durante o show? Seu violões, de seis e de doze cordas, também continuam produzindo um dedilhado sempre muito límpido, lúcido, sincero.

O som da flauta de Madalena Salles é outro que continua entrando em nossos ouvidos como se fosse a primeira vez. Na primeira fileira, tive o privilégio de tê-la ao meu lado, desferindo aqueles sopros mágicos da já clássica canção “Lua e Flor”, aquela que diz: “Eu amava/Como amava um pescador/Que se encanta mais com a rede que com o mar”. Você conhece!

Em uma plateia composta em sua maioria por mulheres, não era raro, olhando para trás, ver olhinhos brilhando e querendo deixar as lágrimas caírem após versos cantados tão bonitos de Oswaldo Montenegro. Os homens, a maioria deles acompanhando suas parceiras, mas também adoradores do som do cara, também não escondiam a satisfação, a alegria e a emoção sentidas ouvindo aquela boa música. Ou vai me dizer que você não se emocionaria ouvindo “A Lista”? A propósito, seguindo a letra da canção, já fez uma lista de grandes amigos, aqueles que você mais via há dez anos atrás? Desses, quantos você ainda consegue ver todo dia? É aí que o negócio pega fundo na alma e, ouvindo Oswaldo Montenegro, acaba se fazendo uma viagem no tempo, uma análise da vida, um balanço de tudo o que se passou e de tudo o que está acontecendo.

Mas, enfim, das velhas músicas boas ninguém esquece e sempre são indispensáveis nos shows. Não que o repertório do “De Passagem”, último álbum do artista lançado este ano, seja ruim, pelo contrário. Há pérolas no CD que também ficarão eternizadas no cancioneiro de Oswaldo Montenegro. No show, ele contou que “Velhos Amigos” é a sua preferida do disco recente. E que música! “Velhos amigos vão sempre se encontrar/Seja onde for, seja em qualquer lugar”.

A música de trabalho também é recheada de significados humanos, mas destoa um pouco do lado nostálgico do artista: o nome da canção, “Eu Quero Ser Feliz Agora”, já diz tudo! Dia desses, meio leve, meio solto, chegando em casa tranquilo da vida, não pude resistir e entoei este refrão, “Eu Quero Ser Feliz Agora”, bem alto, às duas da manhã. Foi libertador.

E bem que Oswaldo poderia ter deixado a plateia de Maringá ainda mais feliz, e naquela hora! Bastava, ao contrário de 1h20 de show, ter esticado para duas horas de apresentação (o valor de R$ 100 no ingresso merecia mais canções) e, assim, sem deixar de lado as clássicas, ter destrinchado melhor os álbuns “Canções de Amor” e “De Passagem”, os dois últimos trabalhos lançados. O artista também bem que podia ter investido em uma turnê com banda, não se importando tanto com os custos de tal tarefa (afinal, eram R$ 100 mangos para entrar!) e podendo, como pedem várias canções dele, não ter se limitado ao seu violão, à flauta de Madalena e aos teclados de ambos.

Mas, tudo bem. Amigo a gente perdoa. Ouvir o bom papo e a boa voz de Oswaldo Montenegro, além dos sopros mágicos de Madalena Salles, é sempre motivo para querer ser feliz no agora, mesmo que, para isso, vez ou outra, seja preciso fazer uma lista dos amigos, dos amores e de tudo o que ficou para trás. Motivo também para continuar amando nesta vida e, se com a rede ou com o mar eu não sei, mas sabendo que o importante mesmo é ter algo para se encantar. Sábado que passou, os maringaenses tiveram um bom motivo de encantamento lá no Teatro Marista.

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O meu amigo Oswaldo

Quando cheguei ao Teatro Marista, sexta-feira passada, o meu amigo Oswaldo estava comendo bolacha de água e sal e vestia roupas claras, com predominância de cor parecida com a cor do seu cabelo e da sua barba. Comprei o CD “Canções de Amor”, saquei a caneta do bolso da camisa e, quase como um pedido de assalto, abordei o meu amigo Oswaldo, que terminava de mastigar sua bolacha, solicitando sua assinatura no encarte e dedicar tal feita à mulher que estava ao meu lado e que tanto gosta dele e das suas canções suaves.

Assim que o meu amigo Oswaldo terminou seu rabisco subentendido no encarte do CD, ele não sorriu muito para mim não. Continuou sua impaciente caminhada para algum lugar, parecia agitado, mas, na verdade, creio ser só o jeito de ele eliminar um pouco a adrenalina pré-show. Só porque o Oswaldo é meu amigo, ele achou que estaria no direito de levar consigo minha caneta, que tem detalhes em dourado, que tem meu nome escrito Wilame com i no final e, acima de tudo, um valor sentimental muito grande, já que a ganhei de presente da minha madrinha no dia em que colei grau.

Não deixei por menos essa suposta tática do meu amigo Oswaldo, a de querer surrupiar minha humilde caneta minutos antes do seu show começar. Permaneci ao seu lado com a mão estirada, esperando o eterno retorno da minha caneta e finalmente poder vesti-la novamente com o bolso da minha camisa nova. Mas uma fã, vendo minha angústia provocada pela espera, suplicou-me com olhinhos que só as mulheres conseguem ter quando estão diante de um grande músico esperando um sugestivo rabisco no encarte do mais novo CD adquirido na barraquinha montada no interior do teatro pela bagatela de R$ 25. Deixei o Oswaldo, mas só porque ele é meu amigo, fazer o bendito rabisco no CD da senhora com a minha caneta, e só.

Praticamente tomei minha caneta de suas mãos, mas sem ressentimentos de ambas as partes. Finalmente nos adentramos ao teatro, indo em direção das primeiras e confortáveis poltronas; assim poderíamos ficar bem pertinho dos dedilhados que o Oswaldo gosta de fazer em seu violão. Ainda não era 21 horas, e o meu amigo, já no palco, espantou-se de ver um teatro, até certo ponto, cheio. Ele disse que os maringaenses são pontuais.

O meu amigo quis começar o show pontualmente às 21 horas para terminá-lo 22h30. Por isso, como sempre faz em seus shows, até dar o horário exato de o espetáculo começar, desandou a conversar com o público, abrindo espaço para perguntas relacionadas às suas músicas. Descobrimos que o chato de uma música realmente existe, realmente é chato e mora no Rio de Janeiro. Oswaldo também contou que foi bom perder no festival de música de 1985, pois acha que o brasileiro gosta daqueles que perdem e, justamente por isso, fez bastante sucesso com a música “Condor”.

Antes de começar o show, perguntaram para Oswaldo se ele já tinha feito algumas músicas para sua ex, a atriz Paloma Duarte. Ele disse que sim e aproveitou para pronunciar um aforismo interessante: “a ex é a única coisa eterna da vida”. O meu amigo Oswaldo gosta de se arriscar nas águas turvas da filosofia vez ou outra.

Depois de mais uma retumbante apresentação musical, dividindo palco com a divina flautista Madalena Salles, o meu amigo Oswaldo reapareceu e fez um bis cantando “Metade”. Ao final do show, ele prometeu assinar o CD do pessoal na saída, bastando aos fãs fazerem uma fila decente. Talvez por isso ele quisesse minha caneta, vai saber.

Quase chegando ao carro, percebi o quanto ficamos à flor da pele quando ouvimos o meu amigo Oswaldo Montenegro cantar. Aliás, todos que saem do seu show, automaticamente se tornam seus amigos. O cara é simpático mesmo. Percebi também que maior e mais bonito sorriso no mundo não havia igual ao da mulher que estava ao meu lado, feliz e emocionada por ouvir “Cigana”, “A lista” e tantos outros sucessos dele. E pensei comigo mesmo: “amigo é pra essas coisas”.

*Crônica publicada dia 17 de agosto de 2010 na coluna Crônico, no caderno D+, do jornal O Diário do Norte do Paraná.

**Republico a crônica esta semana, na seção “Memória Crônica”, por saber que Oswaldo Montenegro está voltando a Maringá com seu novo show, também lá no Teatro Marista, no dia 4 de agosto, sábado.

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O meu amigo Oswaldo*

Quando cheguei ao Teatro Marista, sexta-feira passada, o meu amigo Oswaldo estava comendo bolacha de água e sal e vestia roupas claras, com predominância de cor parecida com a cor do seu cabelo e da sua barba. Comprei o CD “Canções de Amor”, saquei a caneta do bolso da camisa e, quase como um pedido de assalto, abordei o meu amigo Oswaldo, que terminava de mastigar sua bolacha, solicitando sua assinatura no encarte e dedicar tal feita à mulher que estava ao meu lado e que tanto gosta dele e das suas canções suaves.

Assim que o meu amigo Oswaldo terminou seu rabisco subentendido no encarte do CD, ele não sorriu muito para mim não. Continuou sua impaciente caminhada para algum lugar, parecia agitado, mas, na verdade, creio ser só o jeito de ele eliminar um pouco a adrenalina pré-show. Só porque o Oswaldo é meu amigo, ele achou que estaria no direito de levar consigo minha caneta, que tem detalhes em dourado, que tem meu nome escrito Wilame com i no final e, acima de tudo, um valor sentimental muito grande, já que a ganhei de presente da minha madrinha no dia em que colei grau.

Não deixei por menos essa suposta tática do meu amigo Oswaldo, a de querer surrupiar minha humilde caneta minutos antes do seu show começar. Permaneci ao seu lado com a mão estirada, esperando o eterno retorno da minha caneta e finalmente poder vesti-la novamente com o bolso da minha camisa nova. Mas uma fã, vendo minha angústia provocada pela espera, suplicou-me com olhinhos que só as mulheres conseguem ter quando estão diante de um grande músico esperando um sugestivo rabisco no encarte do mais novo CD adquirido na barraquinha montada no interior do teatro pela bagatela de R$ 25. Deixei o Oswaldo, mas só porque ele é meu amigo, fazer o bendito rabisco no CD da senhora com a minha caneta, e só.

Praticamente tomei minha caneta de suas mãos, mas sem ressentimentos de ambas as partes. Finalmente nos adentramos ao teatro, indo em direção das primeiras e confortáveis poltronas; assim poderíamos ficar bem pertinho dos dedilhados que o Oswaldo gosta de fazer em seu violão. Ainda não eram 21 horas, e o meu amigo, já no palco, espantou-se de ver um teatro, até certo ponto, cheio. Ele disse que os maringaenses são pontuais.

O meu amigo quis começar o show pontualmente às 21 horas para terminá-lo 22h30. Por isso, como sempre faz em seus shows, até dar o horário exato de o espetáculo começar, desandou a conversar com o público, abrindo espaço para perguntas relacionadas às suas músicas. Descobrimos que o chato de uma música realmente existe, realmente é chato e mora no Rio de Janeiro. Oswaldo também contou que foi bom perder no festival de música de 1985, pois acha que o brasileiro gosta daqueles que perdem e, justamente por isso, fez bastante sucesso com a música “Condor”.

Antes de começar o show, perguntaram para Oswaldo se ele já tinha feito algumas músicas para sua ex, a atriz Paloma Duarte. Ele disse que sim e aproveitou para pronunciar um aforismo interessante: “a ex é a única coisa eterna da vida”. O meu amigo Oswaldo gosta de se arriscar nas águas turvas da filosofia vez ou outra.

Depois de mais uma retumbante apresentação musical, dividindo palco com a divina flautista Madalena Salles, o meu amigo Oswaldo reapareceu e fez um bis cantando “Metade”. Ao final do show, ele prometeu assinar o CD do pessoal na saída, bastando aos fãs fazerem uma fila decente. Talvez por isso ele quisesse minha caneta, vai saber.

Quase chegando ao carro, percebi o quanto ficamos à flor da pele quando ouvimos o meu amigo Oswaldo Montenegro cantar. Aliás, todos que saem do seu show, automaticamente se tornam seus amigos. O cara é simpático mesmo. Percebi também que maior e mais bonito sorriso no mundo não havia igual ao da mulher que estava ao meu lado, feliz e emocionada por ouvir “Cigana”, “A lista” e tantos outros sucessos dele. E pensei comigo mesmo: “amigo é pra essas coisas”.

*Crônica publicada dia 17 de agosto na coluna Crônico, no caderno D+, do jornal O Diário do Norte do Paraná.

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