Mês: março 2014



Mais um caso de racismo no futebol

Ontem foi o jogador Paulão do Inter que foi xingado pelo torcida do Grêmio. Neste caso, as autoridades parecem que vão tomar atitude. Confira esta notícia do portal www.vermelho.org.br

Procuradoria vai denunciar Grêmio por ofensas racistas

O Grêmio irá enfrentar uma denúncia no Tribunal de Justiça Desportiva do Rio Grande do Sul por conta dos xingamentos racistas de um torcedor ao zagueiro Paulão, após o término do Gre-Nal deste domingo, vencido pelo time colorado por 2 a 1. O procurador Alberto Franco irá consolidar a denúncia nesta terça-feira.

paulao-racismo58805Paulão – de camisa vermelha – reage com indignação a insultos racistas

O clube trata a situação como um fato isolado, pela ofensa ter sido proferida por apenas um torcedor, e já tem em mãos as imagens do jogo.

O Grêmio irá responder pelo ato de um torcedor no artigo 243-G, o mesmo em que o Esportivo de Passo Fundo foi enquadrado. A diferença dos casos é a quantidade de torcedores que cometeram o ato. No caso do Esportivo, mais de um torcedor cometeu ofensas raciais, enquanto no novo estádio do Grêmio apenas um torcedor teria ofendido o jogador.

Assim, pelo previsto no Código Brasileiro de Justiça Desportiva, a pena seria de exclusão do torcedor do estádio por 720 dias, baseada no parágrafo segundo.

O clube trabalha com a tese de que, embora seja denunciado, não possa ser responsabilizado pela ação de um torcedor. Se identificá-lo nas imagens, irá encaminhar para as autoridades públicas responsáveis. E se a pessoa for sócio, enfrentará um processo interno do clube.

A Procuradoria irá se basear nos relatos de Paulão após o jogo e no que a imprensa presente no local e no momento das ofensas relatou.

Ao deixar o gramado no fim da partida, o zagueiro estava sendo entrevistado próximo à entrada do túnel que leva aos vestiários e ouviu as ofensas racistas. Deixou os microfones e aplaudiu ironicamente o torcedor que o insultava, pedindo depois para que os outros torcedores parassem de “esconder o moleque”.

O árbitro do Gre-Nal, Leandro Vuaden, não viu a situação e não relatou em súmula.

Após o jogo, o camisa 25 do Internacional reafirmou o xingamento, mas não quis prestar queixa na polícia, porque pare ele isso “não estava dando resultado”. O técnico Abel Braga também lamentou o ocorrido em sua entrevista e chamou o torcedor de “nojento”.

No Campeonato Gaúcho deste ano, dois casos de racismo tiveram notoriedade. Primeiro, as ofensas ao árbitro Márcio Chagas e as depredações ao seu carro, que ainda tinha duas bananas no escapamento, em um jgo do Esportivo.

O clube foi punido com perda de cinco mandos de campo e multa de R$ 30 mil. Já um torcedor do Pelotas fez xingamentos racistas ao goleiro Lúcio, do São Paulo de Rio Grande. Chagas era o juiz da partida e relatou em súmula. O TJD-RS impediu o torcedor do Pelotas de entrar no estádio por 720 dias.

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DILMA: “Por 21 anos nossos sonhos foram calados”

Informações do portal Brasil 247

Em discurso em Brasília, presidente afirmou que “o dia de hoje exige que nos lembremos e contemos o que aconteceu”, ao se referir ao golpe militar de 1964; “Devemos isso a todos os que morreram e desapareceram, aos torturados e perseguidos, às suas famílias, a todos os brasileiros”; Dilma Rousseff, ela própria presa e torturada durante a ditadura, disse que “por 21 anos, nossa liberdade, nossos sonhos foram calados”, mas relembrou de “todos os processos de manifestação e democracia que temos vivido ao longo das últimas décadas”

 

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247 – A presidente Dilma Rousseff afirmou, em discurso em Brasília, que “o dia de hoje exige que nos lembremos e contemos o que aconteceu”, numa referência aos 50 anos do golpe militar de 1964. “Devemos isso a todos que morreram e desapareceram, aos torturados e perseguidos, a suas famílias, a todos os brasileiros”, disse a presidente. Dilma fez as declarações durante assinatura do contrato para construção da ponte sobre o rio Guaíba, do Rio Grande do Sul.

“Lembrar e contar faz parte de um processo muito humano, desse processo que iniciamos com as lutas do povo brasileiro, pela anistia, Constituinte, eleições diretas, crescimento com inclusão social, Comissão Nacional da Verdade, todos os processos de manifestação e democracia que temos vivido ao longo das últimas décadas. Um processo que foi construído passo a passo, durante cada um dos governos eleitos depois da ditadura”, prosseguiu a presidente.

Dilma, que foi presa e torturada durante a ditadura militar, lembrou que 50 anos atrás o Brasil deixou de ser um país de instituições ativas, independentes e democráticas e que “por 21 anos, nossa liberdade, nossos sonhos foram calados”, mas que graças ao esforço de todas as lideranças do passado, dos que vivem e dos que morreram, foi possível ultrapassar os anos de ditadura.

Segundo ela, o Brasil aprendeu o valor da liberdade, de Legislativo e Judiciário independentes e ativos, da liberdade de imprensa, do voto secreto, de eleger governadores, prefeitos, um exilado, um líder sindical, que foi preso várias vezes, e uma mulher também que foi prisioneira. “Aprendemos o fato de ir às ruas e mostramos um diferencial quando as pessoas foram às ruas demandar mais democracia. Aqui não houve processo de abafamento desse fato”, disse.

“A grande Hanna Arendt escreveu que toda dor humana pode ser suportada se sobre ela puder ser contada uma história. As cicatrizes podem ser suportadas e superadas, porque hoje temos uma democracia, podemos contar nossa história. Nesse Palácio, dois anos atrás, quando instalamos a Comissão Nacional da Verdade, eu disse que se existem filhos sem pais, pais sem túmulos, nunca mesmo pode existir uma história sem voz. E o que dará voz à história são os homens e mulheres livres sem medo escrevê-la. Quem dá voz à história somos nós”, concluiu Dilma.

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APP aprova greve dos professores para o dia 23 de abril

Informa o jornalista Esmael Morais de Curitiba, que cerca de mil educadores que participaram de uma assembleia da APP-Sindicato, em Curitiba, neste sábado, dia 29 de março, aprovaram greve por tempo indeterminado nas 2,1 mil escolas da rede pública do Paraná a partir de 23 de abril.

Desde ontem, houve vários embates dentro da diretoria do sindicato — o que expõe a fratura no período pré-eleitoral na entidade que congrega cerca de 100 mil profissionais do magistério. Em setembro, a APP-Sindicato realiza eleição para renovar sua diretoria.

Na assembleia, a proposta de greve no dia 23 de abril foi defendida pelo secretário de Comunicação do sindicato, Professor Paixão, que levou a melhor na votação por 472 votos a 412. A presidenta da APP, Marlei Fernandes, foi a grande derrotada na reunião de hoje.

Na tarde de ontem, a direção da APP-Sindicato fez aprovar em seu Conselho Estadual o indicativo de greve para 6 de maio. No entanto, na assembleia, a base rechaçou a proposta, bem como greve de advertência nos dias 4 e 5 de abril.

Marlei então propunha que a greve começasse a partir de 28 de abril. Paixão defendeu 23 de abril.

A base presente na assembleia deste sábado rejeitou a continuidade da “política do cafezinho” porque não aguenta mais o odor exalado dos gabinetes e palácios. Professores e funcionários de escolas clamam por conquistas reais, condenam a complacência e a enrolação.

Vencida essa etapa, onde os derrotados lambem as feridas e os vitoriosos se jubilam, aproxima-se nova batalha: pela direção do movimento grevista.

Quem quiser assistir ao vídeo de assembléia, acesse aqui  http://www.esmaelmorais.com.br/2014/03/professores-entram-em-greve-dia-23-de-abril-assista-ao-video/

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VEJA cobra de Dilma uma carta ao povo brasileiro

Informações do portal Brasil 247

Revista ironiza o fato de a Bovespa ter subido no mesmo dia em que uma pesquisa Ibope apontou queda nos índices de aprovação à presidente; para a revista, a despeito do pleno emprego e de mais de US$ 350 bilhões em reservas internacionais, a presidente Dilma ainda precisa mostrar aos investidores que é confiável; será que precisa mesmo?

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247 – A edição de Veja deste fim de semana, mais uma vez, ironiza a presidente Dilma Rousseff. Na capa, como numa gangorra, enquanto ela desce, as ações das estatais, especialmente da Petrobras, disparam. Segundo a revista, Dílma é o símbolo da desconfiança, enquanto os opositores Aécio Neves e Eduardo Campos representam a esperança.

Na reportagem “A Petrobras desceu a rampa”, de Robson Bonin e Malu Gaspar, a revista afirma que a empresa “se tornou símbolo da má gestão da presidente”. No texto, a torcida pela oposição. “Aécio Neves nunca teve tanta visibilidade eleitoral como agora, momento em que articula a CPI da Petrobras. O rebaixamento da nota de crédito do Brasil e os descalabros da Petrobras animaram Eduardo Campos”, diz ele. Eduardo teria dito até que vai ganhar as eleições – “e se Dilma continuar ajudando, no primeiro turno”.

No editorial de Eurípedes Alcântara, Veja chega ao disparate de cobrar da presidente Dilma Rousseff, que governa um país em pleno emprego e com mais de US$ 350 bilhões em reservas, uma nova Carta ao Povo Brasileiro, como o ex-presidente Lula fez em 2002. “A hostilidade ao mercado inibe investimentos, empobrece o país e diminui a oferta de empregos de qualidade”, diz o editorialista, que parece desconhecer que a taxa de desemprego de fevereiro passado, de 5,1%, foi a menor da história.

“Em se mantendo esse humor, não é improvável que Dilma se veja na contingência de divulgar sua Carta ao Povo Brasileiro. Desta vez, não com o objetivo de reafirmar a continuidade, mas para se comprometer com a mudança radical de rumo na sua política econômica”, diz a revista.

Nesta semana que passou, Guido Mantega se tornou o mais longevo ministro da Fazenda da história democrática do País. Ao que tudo indica, ainda vai longe.

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“O Golpe de 64 destruiu a minha família”

Informações do portal Brasil 247

Aos 73 anos, Maria Thereza Goulart, viúva do ex-presidente João Goulart, revela à revista Istoé detalhes dos dias que antecederam o golpe militar, fala da vida do casal e lembra da angústia dos anos de exílio: “Nós saímos daqui correndo, deixamos tudo para trás. A gente passou a viver com sofrimento”; Maria Thereza se casou com Jango aos 17 anos e foi a primeira-dama mais jovem que o País já teve; após a morte do marido, na Argentina, em 1976, demorou alguns anos para voltar a viver no Brasil e escolheu o Rio de Janeiro, onde ainda mora, perto da família, para passar o resto de seus dias; apesar de tudo, se declara feliz

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Primeira-dama mais jovem que o Brasil já teve, eleita entre as 10 mulheres mais bonitas do mundo pela revista “Time” à época, Maria Thereza Goulart, hoje aos 73 anos, traz consigo as marcas do golpe de 1964 que depôs o marido João Goulart. Em entrevista à revista Istoé, no Rio, onde mora, ela quebra o silêncio e relata os momentos de extrema tensão vividos às vésperas da chegada dos militares ao poder. “Para mim foi tudo muito tenso. O golpe de 64 destruiu a minha família. Tivemos que sair correndo, deixar nossa vida, tudo nosso para trás. Destruiu porque tirou tudo da gente. A gente passou a viver com sofrimento”, disse à revista Istoé. Ela lembra que teve de sair às pressas da país com Jango e os dois filhos para o exílio no Uruguai. Muito assediada por jornalistas, Maria Thereza evita a lembrança daqueles dias de terror: “Não gosto de ficar falando das tristezas do passado.” Apesar disso, defende os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade. Sobre a exumação do cadáver de Jango, diz que a análise dos restos mortais poderá ajudar a tirar uma dúvida da cabeça. “A gente vai sair desse estado de incerteza, questionamentos, espero – embora ache difícil depois de tantos anos. Fui contra isso durante muito tempo. Não queria porque sabia que seria muito doloroso, como de fato foi. Desabei naquele momento, perto do caixão de Jango de novo.”

Confira a entrevista


Eliane Lobato
 ([email protected])

Viúva do ex-presidente João Goulart (1919/1976), Maria Thereza Goulart tem planos frugais para a segunda-feira 31 de março, data da efeméride dos 50 anos do golpe militar que depôs seu marido: viajará para Porto Alegre (RS) com a filha, Denise, e desfrutará do descanso com a família. Há quase meio século, em 1º de abril de 1964, ela, o marido e os dois filhos tiveram de sair às pressas do País em direção ao Uruguai, onde iriam se exilar. Antes de partirem de Porto Alegre, o então governador do Rio Grande do Sul Leonel Brizola (1922/2004) sugeriu um movimento de resistência ao golpe, mas Jango não consentiu por, entre outras coisas, temer um derramamento de sangue. São momentos tensos que voltam à memória de Maria Thereza, hoje com 73 anos, e provocam tristeza, embora ela lute contra a melancolia que este passado evoca. Arredia a entrevistas, a ex-primeira-dama conversou com ISTOÉ com exclusividade. Contou que escreveu um diário no exílio e que esse material vai virar um livro. Mas só após sua morte. “Antes, não. Acho que há pessoas que não vão gostar. Não tenho coragem de enfrentar isso agora.”

À ISTOÉ, Maria Thereza disse ainda que a famosa foto em que ela aparece ao lado do marido no palanque do histórico comício da Central do Brasil, em 13 de março de 1964, não revela seu verdadeiro estado íntimo. A imagem da mulher apontada como uma das dez mais lindas do mundo pela revista “Time” não exprime a apreensão que sentia. “Estava gelada, dura por dentro”, conta. Poucos minutos antes, Jango havia tido queda de pressão. Muitos amigos e correligionários tentaram dissuadi-lo de ir ao comício, mas “ele estava com ideia fixa” e “preparado para o que ia acontecer”, declara ela.

Para a jovem primeira-dama que nunca tinha pisado em um palanque, saber que eles poderiam ser alvo de um atentado a era atemorizante. De fato, houve esse temor, fazendo com que Jango aumentasse o aparato de segurança do evento. Segundo ela, a pouca idade – 24 anos em 64 – ajudou-a a superar as angústias dos momentos que antecederam o golpe. Mesmo assim, desabafou: “Para mim foi tudo muito tenso. O golpe de 64 destruiu a minha família. Tivemos que sair correndo, deixar nossa vida, tudo nosso para trás. Destruiu porque tirou tudo da gente. A gente passou a viver com sofrimento”.

Nascida em São Borja, a quase 500 quilômetros de Porto Alegre, Maria Thereza se casou com Jango aos 17 anos de idade e foi a primeira-dama mais jovem que o País já teve. Após a morte do marido, na Argentina, em 1976, demorou ainda alguns anos para voltar a viver no Brasil e escolheu o Rio de Janeiro, onde ainda mora, perto dos filhos, netos e bisnetos, para passar o resto de seus dias. Apesar de tudo, se declara feliz.

ISTOÉ – Como a sra. vê o País neste momento, 50 anos depois do golpe militar que derrubou seu marido da Presidência?

Maria Thereza Goulart – Sinto, neste momento, o resgate justo da memória do Jango. Isso é mais importante do que o resgate do meu marido. Não espero que ele seja transformado num Deus, não digo que ele tenha sido perfeito. Mas Jango foi um grande patriota, um presidente que amou o País, sobretudo. Pode ter tido seus defeitos, como todos, mas vai ficar guardado na memória com respeito e dignidade.

ISTOÉ – Como a sra. recorda de seu papel naquele momento?

Maria Thereza – Minha presença ao lado dele foi importante, procurei ser companheira. Nunca fui muito política. Vivemos momentos muito assustadores. Meu marido já tinha previsto o futuro, quando saímos para o exílio. Jango já estava marcado pelo golpe. Mas eu até pensei que voltaríamos. Jango estava preparado, achou que era o momento de ele renunciar. Mas, para mim, foi tudo muito tenso. Acho que a minha pouca idade até ajudou a ter forças para viver aquilo. O golpe de 64 destruiu a minha família. Nós saímos daqui correndo, deixamos nossa vida, tudo nosso para trás. O golpe tirou tudo da gente. A gente passou a viver com sofrimento.

ISTOÉ – A sra. não gosta de falar sobre isso?

Maria Thereza – Sou permanentemente convidada para dar entrevistas, participar de eventos, mas te digo, sinceramente, não gosto, evito. Primeiro porque fico triste. Não gosto de ficar falando das tristezas do passado. Segundo porque pensar em tudo o que poderia ter acontecido de pior ainda me assusta. Ajudei a criar meus oito netos, tenho meus dois filhos amados… A vida foi continuando.

ISTOÉ – Depois do golpe, a sra. sabia que iria para o Uruguai e imaginava que viveria lá por tanto tempo?

Maria Thereza – O desterro foi muito cruel, especialmente para o Jango. Mas eu não sabia, com antecedência, o nosso destino. Quando saímos, com as duas crianças, é que me disseram que eu ia morar no Uruguai. Não sabia de nada até então.

ISTOÉ – Como era a vida no exílio?

Maria Thereza – Era difícil porque estávamos longe de todos os que amávamos, das nossas coisas. Eu sentia medo do que pudesse nos acontecer lá. Jango sofria calado, não era de ficar reclamando, fraquejando. Perdi meu pai e minha mãe no Brasil e não pude chegar perto. Era muita tensão, Jango sabia de tudo o que estava acontecendo no Brasil, dos horrores todos. O medo tornou-se um grande inimigo capaz de me confundir entre o ódio e o perdão.

ISTOÉ – A foto da sra. no palanque do comício na Central do Brasil, no dia 13 de março de 1964, mostra uma mulher extremamente bonita e passa a imagem de força, segurança. A sra. se sentia assim?

Maria Thereza – Essa imagem é, na verdade, de apreensão extrema. A foto não mostra tudo. Eu estava com muito medo. Estava gelada, dura por dentro. Nos disseram que poderiam ser jogadas bombas no palanque, no meio das pessoas. Jango teve uma queda de pressão antes, estava muito tenso. Tínhamos noção do que poderia acontecer ali. Mas ele estava firme, preparado. Disseram para ele não fazer aquele comício, mas não adiantavam os conselhos. Ele estava com ideia fixa, estava realmente preparado para o que pudesse acontecer.

ISTOÉ – A sra. subiu em palanque alguma outra vez na vida, além dessa?

Maria Thereza – Nunca mais. Nem antes eu tinha vivido isso. Só subi em palanque naquele comício da Central.

ISTOÉ – Por marcar meio século do golpe militar, este ano a data de 31 de março será diferente para a sra.? Onde pretende passar o dia e o que pretende fazer?

Maria Thereza – Vou para Porto Alegre com minha filha, Denise. Vamos participar de um evento lá. É difícil para mim, porque me emociono. Mas vou, acho que devo e que estou preparada. E só. O resto, será comigo mesma e minha família.

ISTOÉ – No ano passado teve início a exumação do cadáver de Jango. Qual é a sua expectativa do resultado das análises?

Maria Thereza – Poderá nos ajudar a tirar essa dúvida da cabeça. A gente vai sair desse estado de incerteza, questionamentos, espero – embora ache difícil depois de tantos anos. Fui contra isso durante muito tempo. Não queria porque sabia que seria muito doloroso, como de fato foi. Desabei naquele momento, perto do caixão de Jango de novo. Eu sempre achei que ele tinha morrido de infarto. Mas tantas dúvidas foram sendo levantadas, tanta polêmica… Hoje, acho possível, sim, que tenham envenenado algum dos remédios que ele tomava para o coração. Pode ter havido troca do remédio, sim.

ISTOÉ – A sra. acha importantes esses movimentos em busca de um passado? O que pensa do trabalho da Comissão Nacional da Verdade?

Maria Thereza – Muito importante. As pessoas precisam saber o que aconteceu, que fim tiveram os que desapareceram. Vivemos um momento muito importante. Essas medidas já deveriam ter sido tomadas, mas não foram antes dos governos do Lula e da Dilma. A iniciativa foi deles. Ninguém antes foi capaz de tomar uma atitude dessas. Fiquei arrasada com os depoimentos desse militar (coronel Paulo Malhães) que disse as coisas horríveis que faziam com quem lutava contra o regime. Como uma pessoa ainda tem coragem de contar? Mas é importante a gente saber, sim. Mesmo com todo o sofrimento que provoque, especialmente para os familiares.

ISTOÉ – Quando pensa sobre o passado, o que prevalece nas lembranças?

Maria Thereza – A certeza de que fui casada com um homem maravilhoso, que tive uma vida maravilhosa até acontecer o golpe. Sou a mesma pessoa simples. Minha vida mudou muito, mas eu não mudei. O grande mérito, acho, foi ter entendido que o que aconteceu no passado faz parte do passado. Me acho meio provinciana até hoje. Vou a São Borja, onde nasci. Me reencontro comigo lá.

ISTOÉ – Não pretende contar sua história em livro?

Maria Thereza – Olha, vou contar: comecei um diário quando estava no exílio, que vai virar um livro um dia, quando eu não estiver mais aqui neste mundo. Escrevi muitas partes em espanhol. Falo de tudo o que aconteceu, conto tudo. Pedi à minha família para só publicar quando eu não mais estiver aqui, porque pode ser que algumas pessoas não gostem, não tenho muita coragem de enfrentar isso.

ISTOÉ – Recentemente, tentaram reeditar a Marcha da Família com Deus, a exemplo do ocorrido em 1964. O que achou?

Maria Thereza – Ainda tem gente que tem coragem de fazer isso?! Ainda tem tempo? Me disseram que foi um fiasco horrível. Imagino que tenha sido mesmo.

ISTOÉ – Como foi a convivência com o poder?

Maria Thereza – No início foi muito difícil me adaptar. Mas, como ele era vice-presidente, fui aprendendo e contei com a ajuda de pessoas como a dona Risoleta (mulher de Tancredo Neves, político) e Iara Vargas (política e sobrinha do presidente Getúlio Vargas). Elas me orientavam muito, em tudo. Fizemos, eu e Jango, uma viagem belíssima para os Estados Unidos, a convite de (Richard) Nixon (presidente americano). Foi uma vida de glamour, mas eu sabia que tinha que manter os pés no chão, que não podia me deslumbrar para não me perder no meio daquilo. De certa forma, eu já tinha uma relação com o poder de longe porque minha tia era casada com um irmão de Getúlio (Vargas), frequentava o palácio. Olha, o que posso dizer é que o poder chega e passa.

ISTOÉ – Como foi depois da morte de Jango?

Maria Thereza – Meus dois filhos são meus dois grandes amigos, companheiros. Fui avó cedo, com 37 anos. Meu neto, o Cris (Christopher), é uma grande paixão, e me ajudou muito. Ele é o que mais gosta de política.

ISTOÉ – Como é a sua vida no Rio?

Maria Thereza – Gosto muito de viver no Rio. Sou andarilha, faço caminhadas na praia, ginástica, estou sempre em movimento. Quase nem assisto televisão. Estou agora na fase do check up anual, me cuido. E estou preparando uma festa para uma afilhada, filha de uma ex-empregada que é amiga, na Baixada Fluminense, onde ela mora. Serei madrinha de batismo e, por isso, estou fazendo um curso preparatório. A festa será lá, onde vou sempre. Aliás, meu médico veio de Cuba e trabalha lá na Baixada: é o João Marcelo (Goulart, neto). É um grande médico, tenho muito orgulho dele e de todos os outros netos também. Minha família é a minha segurança, meu apoio, alegria.

ISTOÉ – A sra. é vaidosa? Já fez plástica?

Maria Thereza – Sim, mas sem exageros. Mantenho os 46 quilos que tinha quando casei. Mas não me privo de comer coisas de que gosto para manter o corpo. Como tudo o que tenho vontade, até sanduíche. Fiz uma plástica, um minilifting. E estou querendo fazer outra.

ISTOÉ – O Jango era um homem bonito e assediado pelas mulheres, não é? Tinha ciúmes?

Maria Thereza – Não tinha ciúmes. Ele sempre disse: nunca vou deixar de voltar para casa. Mas tinha uma vida fora de casa – e, aliás, vou dizer: isso era muito bom, se ficasse muito tempo não ia dar certo. Casamento é assim. Dentro de casa, Jango era um doce de pessoa, adorava os filhos, era uma festa quando ele chegava. Era um pai maravilhoso

ISTOÉ – A sra. ouvia falar que ele tinha casos extraconjugais?

Maria Thereza – Tinha conhecimento, sim. Mas as pessoas falavam mais do que acontecia. Ele tinha alguns casos, todos os políticos tinham, e muitos ainda têm. Mas ele sempre voltava para casa. Jango era perseguido político e na vida íntima. Diziam que ele tinha várias mulheres. Não eram tantas. Ele gostava, não vou dizer que não. Quando ele era solteiro, sabia que tinha algumas em Porto Alegre, mas eu nunca vi. Falavam de uma moça no Uruguai. Nós morávamos em Punta del Este, eu sabia que tinha essa pessoa, mas nunca vi essa criatura que diziam que o acompanhava a lugares. Nossa vida não foi alterada por causa disso. Mas hoje inventam, publicam falsidades, fartam-se com mentiras que vendem. Falar mal de pessoas, especialmente as que não estão mais aqui para se defender, é muito sério. Tenho horror disso. Infelizmente, vão muito além da verdade e criam fantasias.

ISTOÉ – Falavam da sra. também, não é?

Maria Thereza – Sim. Me arrumaram tantos casos aqui no Brasil… Mas quando eu poderia ter algum caso se vivia cercada por seguranças? Nunca aconteceu nada disso.

ISTOÉ – A sra. não quis se casar novamente?

Maria Thereza – Não. Tive uns três relacionamentos mais sérios, mas acabaram não dando certo. Acho que tudo ficou muito marcado na minha vida, não consegui. Namorei um gaúcho bem mais jovem, e também gostei muito de um canadense, de um banco do Canadá. Mas não consegui. Tudo bem. Tenho uma família maravilhosa, amizades verdadeiras, sou feliz. Sou a Tetê de sempre.

ISTOÉ – O Jango também a chamava de Tetê?

Maria Thereza – Não. Ele me apelidou de Teca. Só ele me chamava assim. Tenho uma foto dele, quando ainda era ministro do Trabalho e namorávamos, com a dedicatória: “Para Teca, com carinho, Jango.”

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Vereadores não querem investigar Marco Zero

Dez vereadores da Câmara Municipal de Londrina barraram, durante a tarde desta quinta-feira (27) a criação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar possíveis irregularidades na liberação de alvarás para empreendimentos do Marco Zero.

Apenas sete parlamentares votaram à favor do grupo de apuração: Gustavo Richa (PHS), Marcos Belinati (PROS), Padre Roque (PR), Professor Fabinho (PPS), Roberto Fú (PDT), Mario Takahashi (PV) e o autor da proposta, Jamil Janene (PP). O presidente da Casa, Rony Alves (PTB), o vereador Gaúcho Tamarrado (PDT) não participaram da sessão ordinária do Legislativo.

Infelizmente, os vereadores perderam uma oportunidade para discutir o famigerado investimento. Poderia ser esclarecido questões como a denunciada pelo apresentador da Tarobá, Diogo Hutt, de que o prejuízo causado pelo empreendimento no Marco Zero para a Prefeitura é na ordem de R$ 40 milhões.

Quem quiser conhecer a denúncia do apresentador pode acessar:  http://diogohutt.blogspot.com.br/2014/02/raul-fulgencio-rombo-aos-cofres.html 

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TJ Paraná confirma exclusão de Barbosa Neto

O Tribunal de Justiça do Estado do Paraná confirmou a exclusão de Homero Barbosa Neto do pólo passivo da Ação de Improbidade relativa ao caso “Antissepsia/Atlântico”.

Em julgamento ocorrido ontem, dia 25, do Agravo de Instrumento interposto pelo Ministério Público Estadual, a Quinta Câmara Cível do TJPR, por unanimidade, manteve a decisão proferida pelo Juízo da Segunda Vara da Fazenda Pública de Londrina, no sentido de que inexistem sequer indícios da participação de Barbosa Neto nos fatos que motivaram a instauração do processo.

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1º Ano

Ontem, 25 de março, completei o primeiro ano do blog. Iniciado em 25 de março de 2013, avalio positivamente esta experiência. Entre trancos e barrancos, acertos e erros, considero que tenho cumprido com os objetivos traçados no início do trabalho. Quem quiser relembrar, pode acessar o primeiro post (http://blogs.odiario.com/zeotavio/2013/03/25/sejam-bem-vindos/

Nestes 365 dias iniciais, foram 1.124 publicações, uma média de três notas por dia.

Quero agradecer nesta caminhada a todos os amigos que incentivam; leitores e leitoras do blog, que sem vocês não existimos; ao grupo Diário, que abrigou este espaço; e aos companheiros de luta, como o jornalista Esmael Morais, com quem estamos realizando uma parceria.

Informo  a todos que me sinto renovado para continuar esta luta. Longos anos ao blog e como disse  no primeiro post “Sejam Bem Vindos”.

 

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Aconteceu em 25 de março

1824: Pedro I outorgou sua Constituição.

1840: O último grupo cabano, 980 homens, rendeu-se em Maués, AM.

1884: Libertados os escravos no CE. “A barbárie recuou”, avaliou Vitor Hugo. O Rio recebeu o Dragão do Mar, jangadeiro abolicionista do CE, com passeata e a Marselhesa dos Escravos.

1911: Incêncio na Triangle Shirtwaist Company, fábrica têxtil em Nova York, mata 146 trabalhadores, 125 deles mulheres de 13 a 23 anos. No enterro, 100 mil pessoas. O fato, mitificado, passou a ser apresentado como origem do Dia da Mulher (ver 8 de março).

1922: Congresso de fundação do Partido Comunista do Brasil (sigla PCB), no Rio e a seguir em Niterói. Reúne 9 delegados, eleitos por 73 militantes. É o início de uma saga sem paralelo na história dos partidos políticos brasileiros.

1957: Tratado de Roma; 6 países criaram a Comunidade Econômica Européia.
      
1964: Revolta dos marinheiros no Rio, com adesão dos fuzileiros navais. O agente infiltrado cabo Anselmo procurou criar um pretexto para o golpe de 1964.

1977: Golpe militar na Tailândia.

1985: Sarney revogou a portaria de 1978 que proibia centrais sindicais.

1991: Descoberta em cemitério de S. Paulo vala clandestina destinada a vítimas da ditadura.

1998: A Comissão de Mortos e Desaparecidos do Ministério da Justiça admitiu que Zuzu Angel morreu (1976) em atentado político e não em acidente de automóvel.

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Aconteceu em 24 de março

1923: O Correio da Manhã publicou o Manifesto da poesia pau-brasil, do modernista Oswald de Andrade.

1927: O tenente Siqueira Campos se asilou no Paraguai com 65 remanescentes da Coluna Prestes.

1948: Roberto Morena lançou a Gazeta Sindical.

1972: Lei Marcial na Irlanda do Norte tentou conter movimentos contra o domínio inglês.

1977: Sem obter de Geisel garantias para os juízes e habeas corpus para crimes políticos, o MDB decidiu se opor à reforma do Judiciário.

1980: Assassinado em San Salvador o arcebispo Oscar Arnulfo Romero. Intensificou-se a guerrilha salvadorenha.

1986: Navios de guerra dos EUA violaram águas territoriais líbias e afundaram lanchas-patrulha.

1999: Violando o direito internacional, a Otan iniciou ataques aéreos à Iugoslávia, com a justificativa de conter a limpeza étnica em Kossovo. A agressão durou 1 mês, seguida por longa ocupação, sem respaldo da ONU. Os bombardeios atingiram seguidamente a população civil.

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