Mês: março 2015



Redução da maioridade penal provoca revolta

247 – A aprovação da tramitação da PEC que reduz de 18 para 16 anos a maioridade penal no Brasil, nesta terça-feira 31, provocou críticas duras de parlamentares e ativistas sociais.
Comente aqui


Abi: um primo cada vez mais perto de Richa

Apesar de dizer que Abi é um primo distante, cada dia aparecem fatos que mostram a proximidade do governador Beto Richa com o Luiz Abi Antoun. São fotos de viagens, encontros sociais, informações de influência em indicações de cargos no governo, e agora, pasmem, a informação de que recebia salários da Assembleia entre 2001 e 2007, após ser nomeado para gabinete inexistente de Richa.

Confira a matéria do jornalista Rogério Galindo publicada na Gazeta do Povo e  Jornal de Londrina: 

Uma ação na Justiça discute a nomeação de Luiz Abi Antoun para um cargo em comissão na Assembleia Legislativa do Paraná em 2001. Durante seis anos, Abi recebeu como comissionado no Legislativo depois de uma nomeação polêmica para um gabinete que na época não existia mais. De acordo com o Diário Oficial da época, Abi foi nomeado “para o gabinete do deputado estadual Beto Richa”. Naquele ano, porém, Richa já tinha renunciado ao mandato na Assembleia para assumir o posto de vice-prefeito de Curitiba na gestão de Cassio Taniguchi.

  • Luiz Abi Antoun foi detido durante a Operação Voldemort (Crédito: Roberto Custódio/JL)

    Luiz Abi Antoun foi detido durante a Operação Voldemort (Crédito: Roberto Custódio/JL)

Luiz Abi Antoun, parente distante do governador Beto Richa (PSDB) apareceu no noticiário há duas semanas, quando foi preso na Operação Voldemort, do Gaeco, em Curitiba. Ele é acusado pelo Ministério Público de manipular a contratação de uma oficina mecânica para fazer consertos de veículos do governo do Estado na região de Londrina.

A ação movida por Gisele Gemin Loeper e pelo advogado Antonio Carlos Ferreira questiona a nomeação de Abi e de mais dois comissionados para o gabinete inexistente de Richa. O juiz da ação determinou a exclusão de Richa como réu, afirmando que ele não poderia ter nomeado ninguém, uma vez que já não era deputado. Assim, os réus são os três deputados estaduais que ocupavam a Mesa Executiva à época: Hermas Brandão, Caíto Quintana e Augustinho Zucchi.

Equívoco

Em 2008, quando o advogado deu entrada na ação, o então presidente da Assembleia, Nelson Justus, afirmou que o que ocorreu foi um equívoco formal. Para sanear a nomeação errada, Abi foi transferido para o gabinete de outro deputado do PSDB, Luiz Accorsi. Seis anos depois, quando foi exonerado, Abi já estava lotado no gabinete da Presidência da Assembleia Legislativa.

Accorsi, que atualmente é primeiro suplente do PSDB na Assembleia, diz que nunca falou pessoalmente com Luiz Abi. Lembra apenas que talvez ele tenha prestado algum serviço “para o meu gabinete ou para o PSDB” na região de Londrina. Questionado pela reportagem, Accorsi disse não se lembrar de qual tenha sido esse trabalho. Morador de Loanda, Accorsi nunca teve votações expressivas na região de Londrina.

Segundo o advogado Antonio Carlos Ferreira, autor da ação, o objetivo das nomeações era montar um “gabinete fantasma” na Assembleia para abrigar ex-funcionários do verdadeiro gabinete de Richa depois de ele ter saído do Legislativo. Luiz Abi tinha sido funcionário do gabinete do tucano durante os dois mandatos que ele cumpriu como deputado estadual, entre 1995 e 2000. Os outros dois nomeados em 2001 que aparecem inicialmente lotados no gabinete inexistente de Richa (e que depois foram realocados), Robson Teixeira e Natalina Inácio, também tinham sido comissionados durante os dois mandatos.

 Exoneração saiu no mesmo dia da “sogra fantasma”

A exoneração de Luiz Abi Antoun na Assembleia Legislativa do Paraná ocorreu em 1° de agosto de 2007, seis anos e meio depois de sua nomeação para o gabinete inexistente do “primo” Beto Richa. E foi exonerado exatamente no mesmo dia que Verônica Durau, pivô daquele que ficou conhecido como “escândalo da sogra fantasma”.
Verônica é sogra de Ezequias Moreira Rodrigues, atual secretário especial de Cerimonial e Relações Internacionais do governo do Estado. Na época em que Richa foi deputado, Ezequias era seu chefe de gabinete. Mais tarde, descobriu-se que a sogra dele recebia da Assembleia sem jamais ter trabalhado lá. Ezequias devolveu o dinheiro recebido ilicitamente (mais de R$ 500 mil) e responde a uma ação penal pelo fato.
Na época da exoneração, Abi estava lotado no gabinete da presidência da Assembleia Legislativa. A Gazeta do Povo conseguiu localizar pagamentos de pelo menos R$ 83 mil feitos a ele durante o período. (RG)

Réus dizem que caso já prescreveu

Os três deputados que são réus na ação popular relativa à nomeação de Luiz Abi apresentaram defesas semelhantes à Justiça. Em primeiro lugar, dizem que o caso já prescreveu. Além disso, dizem que uma ação popular não é o instrumento correto para tratar do tema. E, depois, alegam que houve perda de objeto quando a Assembleia Legislativa “corrigiu” a nomeação e lotou Abi em outro gabinete.
Luiz Abi Antoun, por meio de seus advogados, também se manifestou nos mesmos moldes. Disse que os autores da ação usam de “retórica totalmente falaciosa, destituída de qualquer nexo entre as suas premissas e a conclusão” em busca de “aparição midiática”. Também dizem que não houve prova de lesão ao erário.
Procurado pela reportagem, o governo do Estado afirmou que Richa já foi excluído da ação e que o fato de Abi ter sido nomeado para seu gabinete não demonstra qualquer proximidade entre o governador e o parente distante.

Ação está perto do julgamento

A ação que discute a nomeação de Luiz Abi Antoun e de mais duas pessoas para um gabinete inexistente na Assembleia está perto do julgamento. Tramitando desde 2008 na 4ª Vara da Fazenda Pública, o processo chega agora à fase de produção e provas. O Ministério Público afirmou neste mês que não precisa de produção de provas. Os deputados pediram para que testemunhas sejam ouvidas.
Depois dos depoimentos, caso o juiz os defira, só faltará a fase de alegações finais, em que a acusação e os réus podem se pronunciar uma última vez antes da sentença. Seja qual for a decisão em primeira instância, cabe recurso ao Tribunal de Justiça do Paraná. (RG)

 

Comente aqui


Juiz recebe denúncia contra Abi e mais seis no caso Providence

FONTE: JORNAL DE LONDRINA

O juiz da 3ª Vara Criminal de Londrina, Juliano Nanuncio, recebeu a denúncia oferecida na semana passada pelo Ministério Público contra o empresário Luiz Abi Antoun, primo distante do governador Beto Richa (PSDB) e de mais seis pessoas que agora são acusadas de terem fraudando uma licitação. A licitação do Departamento de Transportes, órgão da Secretaria Estadual de Administração e Previdência (Seap) resultou na contratação emergencial da Providence Auto Center, para fazer o conserto dos carros do governo do Estado na região. De acordo com as investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a oficina pertenceria a Abi.

Com o recebimento da denúncia, além do parente do governador, passam a ser réus no processo o empresário Roberto Tsuneda, sócio de Abi em outra empresa, a KLM; Ismar Ieger, considerado “laranja” de Abi na Providence; Paulo Roberto Midauar, empresário de Bandeirantes que teria feito a ponte entre Ieger e o Deto para que a licitação fosse fraudada; Ernani Delicato, então diretor do Deto, que facilitou o processo; José Carlos Lucca, advogado de Abi, acusado de ter orientado juridicamente a fraude da licitação; e o policial militar Ricardo Baptista da Silva.

Compartilhamento

As outras promotorias e esferas que queriam investigar as denúncias de irregularidades apuradas pelo Gaeco na Operação Voldemort, poderão ter acesso às provas, inclusive às interceptações telefônicas autorizadas pelo juiz da 3ª Vara Criminal de Londrina. É isso que Nanuncio quis dizer no despacho, ao escrever que defere “eventual compartilhamento de provas colhidas na fase investigativa que precedeu a este processo-crime, inclusive aquelas decorrentes de interceptação telefônica”.

Não é só a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público que poderá ter acesso a essas provas, caso queria investigar a possibilidade de ter ocorrido improbidade administrativa nesse episódio. Se a Secretaria Estadual de Administração e Previdência (Seap) quiser apurar os fatos em procedimento interno, também poderá fazer uso dessas provas.

Outro lado

O advogado Antônio Carlos Coelho Mendes, que defende Abi, tem dito que não comenta os casos em que advoga na imprensa. Mauro Martins, advogado de Ismar Ieger, disse que até ontem à tarde não teve contato com a decisão do juiz. Elizandro Pellin, que defende o também advogado José Carlos Lucca, afirmou que os atos do seu cliente “estão tão somente estão adstritos ao regular exercício da profissão de advogado e não constituem crime”. Os advogados dos outros réus não foram localizados ontem à tarde pelo JL.

Os réus

•Luiz Abi Antoun, primo do governador Beto Richa, empresário e líder do grupo suspeito de fraudar a licitação que resultou na contratação emergencial da Providence  

•Roberto Tsuneda, empresário e sócio de Abi em outra empresa, a KLM;  

•Ismar Ieger, considerado “laranja” de Abi na Providence;

 •Paulo Roberto Midauar, empresário de Bandeirantes que teria feito a ponte entre Ieger e o Deto para que a licitação fosse fraudada

•Ernani Delicato, então diretor do Deto, que facilitou o processo;  

•José Carlos Lucca, advogado de Abi, acusado de ter orientado juridicamente a fraude da licitação;  

•Ricardo Baptista da Silva, policial militar.

Comente aqui


Votação na CCJ da PEC da Maioridade Penal é adiada para hoje

FONTE: AGÊNCIA BRASIL – Iolando Lourenço – Repórter da Agência Brasil Edição: Fábio Massalli

CCJ da Câmara retoma discussão da PEC 171/93 da redução da maioridade penal. Dentro e fora do plenário, manifestantes contrários à proposta fazem protesto (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

A apreciação da proposta de emenda à Constituição que discute a maioridade penal será retomada amanhã diretamente com a votação da PECFabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

 

A votação da admissibilidade da proposta de emenda à Constituição (PEC), que propõe reduzir de 18 para 16 anos a maioridade penal, foi adiada para hoje (dia31) na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ). Depois de uma longa discussão e de várias tentativas de obstrução por 41 votos a sete, os deputados da CCJ aprovaram requerimento para o encerramento da discussão. Com a aprovação do encerramento de discussão, a PEC poderia ser colocada imediatamente em votação, mas o presidente da CCJ, deputado Arthur Lira (PP-AL), preferiu abrir espaço para debater a proposta antes de colocá-la em votação. Se inscreveram novamente para debater a admissibilidade da redução da maioridade penal 26 deputados que integram a CCJ. “Nós não colocaremos a matéria em votação hoje, não dará tempo”, reconheceu o presidente da CCJ, Arthur Lira antes da aprovação do requerimento de encerramento de discussão. Ele informou que a apreciação será retomada amanhã diretamente com a votação da PEC. A dificuldade é colocar a matéria em votação hoje é devido ao horário. Isso porque, iniciada a Ordem do Dia – período dedicado a votações em plenário – todas as comissões que estiverem em atividade devem encerrar seus trabalhos e nenhuma votação que ocorra em comissões nesse período tem validade. Novamente na tarde de hoje, manifestantes contrários à PEC protestaram contra sua apreciação. Alguns entraram no plenário da CCJ com cartazes contrários à proposta, outros ficaram próximos ao plenário e a maioria dos manifestantes teve que ficar nas dependências externas da Câmara. A PEC principal sobre a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos está tramitando na Câmara há mais de 20 anos. A ela foram apensadas mais 38 propostas sobre o mesmo tema. Ao analisar as 39 PECs, o relator da matéria, deputado Luiz Couto (PT-PB), fez seu parecer contrário à admissibilidade das propostas. Segundo Couto, há  PECs para a redução da maioridade para 12 anos e outras que propõem a redução sem limite de idade. Se a admissibilidade da PEC for aprovada pela CCJ, será criada uma comissão especial que irá analisar o mérito da matéria. Só depois de muita discussão é que a proposta irá apresentar seu parecer que será votado pela comissão e depois pelo plenário da Câmara, em dois turnos de votação. Caso seja aprovada pelos deputados, a PEC será encaminha à apreciação do Senado. Se for modificada pelos senadores, terá que retornar à Câmara para novas deliberações. Para uma PEC ser aprovada são necessários os votos de, no mínimo, 308 dos 513 deputados da Câmara, nos dois turnos de votação.

Comente aqui


Abi é o grande ‘caixa financeiro’ de Beto Richa, diz Caramori ao Gaeco

Matéria do Jornal de Londrina

O fotógrafo e ex-assessor do governo do Estado Marcelo Caramori afirmou em depoimento ao Ministério Público que o empresário Luiz Abi Antoun seria o grande “caixa financeiro” do governador Beto Richa (PSDB), sendo responsável por arrecadar dinheiro para campanhas eleitorais. De acordo com Caramori, preso em janeiro sob acusação de envolvimento em um esquema de exploração sexual de adolescentes, Abi Antoun teria organizado um esquema criminoso que envolveria a colocação de pessoas em “pontos estratégicos” da estrutura do governo do Estado.

Em depoimento prestado no dia 5 de fevereiro, Caramori afirma que “Abi é o grande caixa financeiro do governador Beto Richa, incumbindo-lhe bancar campanhas políticas e arrecadar dinheiro proveniente dos vários órgãos do Estado”. Nas investigações do Gaeco, assim como nos bastidores da política estadual, Abi, que é parente distante de Richa, aparece como alguém influente no governo, embora não ocupe cargo na administração pública. Conforme o ex-assessor, ele teria poder para indicar ocupantes de cargos comissionados “em pontos estratégicos do Estado”, como “chefes de fiscalização e das polícias”. Caramori afirma ainda que Abi “exerce fundamental tarefa nesse esquema de arrecadação”.

Abi é um dos sete indiciados pelo Gaeco na Operação Voldemort, que investiga a denúncia de que o empresário liderou o grupo suspeito de fraudar a licitação que resultou na contratação emergencial da Providence Auto Center, oficina que consertava os carros do governo na região. O Gaeco sustenta que Abi seria o verdadeiro proprietário da Providence e que usaria como “laranja” Ismar Ieger, que aparece como dono oficial da empresa.

No mesmo depoimento, Caramori estabelece a relação entre Abi e o ex-inspetor geral de Fiscalização da Receita Estadual, Márcio de Albuquerque Lima, que teve a prisão decretada em outra operação do Gaeco, a Publicanos, criada para investigar um esquema de sonegação que funcionava na Delegacia da Receita em Londrina. Os fiscais e auditores investigados são acusados de cobrar propina de empresários que tinham dívidas com a Receita. Em troca, eles quitariam as dívidas sem que o Estado recebesse o dinheiro.

Segundo Caramori, “Lima exerce importante tarefa” no esquema de arrecadação que teria sido montado por Abi. O ex-assessor afirma que a importância de Lima no esquema teria justificado sua nomeação para o cargo de Inspetor Geral de Fiscalização da Receita, em junho do ano passado. A responsabilidade pela nomeação seria do próprio governador.

Lima, que é companheiro de equipe de Beto Richa nas provas automobilísticas das 500 milhas de Londrina, é considerado foragido. Ele ficou no cargo de Inspetor Geral de Fiscalização até o último dia 2 de março, três dias antes do Gaeco cumprir um mandado de busca e apreensão no seu escritório, em Curitiba.

PSDB diz que vai processar Caramori

A assessoria do PSDB, partido do governador Beto Richa, negou a existência de qualquer irregularidade nas campanhas eleitorais do governador. Segundo a assessoria do partido, todas as prestações de contas das campanhas de Richa foram apresentadas à Justiça Eleitoral e julgadas regulares.

O PSDB também nega que o empresário Luiz Abi Antoun tenha tido qualquer influência na arrecadação de recursos para a campanha e sequer participava do comitê financeiro. Segundo o partido, as declarações de Marcelo Caramori não têm fundamento e o partido irá processá-lo pelas suas afirmações.

Leonardo Viana, advogado de Marcelo Caramori, disse que não iria se pronunciar sobre os depoimentos de seu cliente. A reportagem não conseguiu conversar com Antônio Carlos Coelho Mendes, advogado de Luiz Abi Antoun.

1 Comentário


Passe Livre: a cidade brasileira que adotou a tarifa zero

Passe Livre. Conheça a única cidade brasileira com mais de 100 mil habitantes que enfrentou os empresários de transportes e implantou a tarifa zero para todos

passe livre ônibus graça maricá
Em guerra declarada, Maricá usa ônibus gratuito (vermelho) contra empresas de ônibus, que cobram 2,70 reais de tarifa (Foto: Adriano Marçal)

Renan Truffi, CartaCapital

A catraca, símbolo maior da cobrança de tarifa no transporte público brasileiro, continua lá para registrar o número de passageiros. Mas a cadeira do cobrador agora está vazia. Ninguém precisa pagar mais. É assim desde 18 de dezembro do ano passado em Maricá, município fluminense na Região dos Lagos. Há pouco mais de um mês, a prefeitura local fundou a Empresa Pública de Transportes (EPT) e instituiu o passe livre para todos. O objetivo, o prefeito Washington Quaquá (PT-RJ) admite, é “quebrar o monopólio” das empresas que detêm o serviço há pelo menos 25 anos na cidade.

Primeiro município brasileiro com mais de 100 mil habitantes a oferecer ônibus gratuito, Maricá é palco de uma verdadeira queda de braço entre o poder público e os empresários de transporte. Isso porque a implantação da tarifa zero se deu ao mesmo tempo em que as duas empresas privadas de transportes da cidade continuam tendo concessão para operar com cobrança de passagem. Por isso, desde o fim do ano passado, os usuários têm à disposição tanto os ônibus que cobram tarifa, com valor mínimo de 2,70 reais, quanto os gratuitos, da Prefeitura de Maricá, sendo que ambos fazem trajetos semelhantes.

Nós estamos quebrando um monopólio de uma família sobre um setor econômico da cidade”, afirma o prefeito ao citar a maior empresa da região, a Viação Nossa Senhora do Amparo, que há mais de 40 anos controla tanto o transporte municipal quanto o intermunicipal. A outra empresa é a Costa Leste que, apesar de menor, já possui concessão há 25 anos. Quaquá não esconde que a sua briga é mesmo com a Viação Amparo. “Eles eram os donos da cidade. Quando eu saí de uma favela de Niterói com nove anos de idade e vim morar aqui, eles eram os coronéis. Mandavam, desmandavam, matavam, só não faziam viver”, acusa o petista. “Eles financiaram meus adversários. Então, a primeira vez que um prefeito rompeu com o monopólio deles foi quando ganhei a eleição. (…) Já era para eles”, diz sem hesitar.

No cargo desde 2008, Quaquá é um dos fundadores do PT na cidade e o atual presidente estadual do partido no Rio de Janeiro. Conhecido por ser de uma corrente mais à esquerda, Quaquá fez parte da sua campanha eleitoral focando na disputa com os empresários do transporte. “Maricá é bonita demais para ser controlada por uma empresa de ônibus”, dizia o slogan político. “Essa Constituição estabelece que transporte é serviço público que pode, pode [repete] ser concedido. A lógica de Maricá é a seguinte: o serviço será público e gratuito”, garante.

Após conquistar a reeleição, Quaquá colocou a proposta em prática. Impossibilitado de romper os contratos de concessão com as duas empresas de transporte da cidade, já que ambos foram renovados em 2005, com duração até 2020, o prefeito começou os estudos para criar uma empresa com tarifa popular. O objetivo era iniciar a operação com passagem em torno de dois reais para, progressivamente, reduzir até a tarifa zero. Mas a ideia esbarrou em entraves jurídicos. A solução foi fundar uma autarquia municipal e implantar a tarifa zero desde o início.

De onde vem o dinheiro?

Depois da criação da autarquia, a prefeitura investiu aproximadamente 5 milhões de reais, comprou dez ônibus e contratou 29 motoristas por meio de concurso público, em caráter temporário, por 12 meses. No total, a EPT já tem 90 funcionários, que trabalham exclusivamente para o funcionamento das quatro linhas de ônibus. Os veículos atendem do bairro Recanto à Ponta Negra, nas extremidades do município, 24 horas por dia e nos finais de semana. Todos os veículos comprados pela cidade têm ar condicionado e elevador para deficientes físicos nas portas.

Nós vamos comprar mais 20 ônibus, provavelmente ônibus elétricos, sem emissão de carbono, que funcione a energia solar”, explica Quaquá. Os recursos para manter todo esse sistema são provenientes da verba que o município tem direito em função dos royalties do petróleo. No ano passado, por exemplo, Maricá recebeu repasses que totalizaram 220 milhões de reais, segundo o Portal da Transparência da cidade.

Em um mês de funcionamento, com os dez ônibus, a operação custou aproximadamente 700 mil reais, mas a ideia é que o gasto suba para 1,5 milhão de reais por mês, quando a empresa tiver capacidade de concorrer com as empresas privadas. Isso porque o objetivo é que Maricá tenha autonomia para garantir o transporte dos moradores independentemente de concessão.

O plano de Quaquá provocou uma reação imediata dos empresários. Menos de dez dias depois de os ônibus começarem a circular pelas ruas de Maricá, as empresas deram entrada em uma liminar na 5ª Vara Civil da Comarca de São Gonçalo para impedir o funcionamento da Empresa Pública de Transportes (EPT). O pedido não foi aceito pela Justiça.

Os empresários reclamam pois a prefeitura não paga o subsídio previsto em contrato desde que Quaquá assumiu o cargo, há sete anos. Pelo documento, as empresas Costa Leste e Viação Amparo devem receber da Prefeitura de Maricá o valor da passagem de cada usuário com direito à gratuidade (estimado em 120 mil pela Costa Leste), como idosos e estudantes de escola pública. “Não pago nada”, diz o petista. “Esses dias eu vi que eles estão cobrando na Justiça 13 milhões de reais. Você imagina: com esse dinheiro eu garanto dois anos de empresa gratuita para todos. Eles estão acostumados com poder público que não controla, não fiscaliza. Agora nós temos a planilha e estamos abrindo a planilha”, enfatiza.

Além da guerra judicial, o prefeito ainda aprovou no ano passado uma lei que mudava o nome da rodoviária da cidade. Até então, o local era conhecido como Terminal Rodoviário Jacintho Luiz Caetano, em referência justamente ao nome do fundador da Viação Amparo. Quaquá renomeou o local para “Terminal Rodoviário do Povo de Maricá”. O busto de Caetano que ficava na entrada do terminal ainda foi removido e devolvido para a família.

Críticas e elogios

Gratuito é bom para o povo, né. Acho que tinha que ter mais [ônibus]. Por um lado é gratuito, mas, por outro, a gente tem que ficar esperando meia hora, 40 minutos”, alerta o segurança Diego Silva, de 27 anos.

A explicação, segundo o presidente da EPT, Luiz Carlos dos Santos, é o tamanho da cidade. Apesar de ter aproximadamente 127 mil habitantes, Maricá tem uma extensão de 363 quilômetros quadrados. O município é maior, por exemplo, do que cidades como Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, com uma população de mais de 1,2 milhão de pessoas. E o dobro do tamanho da vizinha Niterói (RJ), que tem quase 500 mil habitantes. Por conta disso, os ônibus gastam aproximadamente 1h30 para fazer todo o percurso e voltar para a rodoviária da cidade. Segundo Santos, a tendência é que a circulação se normalize com a chegada dos novos ônibus.

Mas, mesmo com a demora em alguns dias da semana, os usuários fazem fila para esperar o “Vermelhinho”, como já ficou conhecido o ônibus gratuito em função de sua cor (os ônibus da Costa Leste e da Viação Amparo são pintados em tons de azul). Na última terça-feira 27, por exemplo, a reportagem contou 27 pessoas à espera de uma linha sentido Ponta Negra, a área turística da cidade, e outras 21 pessoas na fila para embarcar para o bairro de Itaipuaçu, por volta das 15h, na rodoviária. No mesmo horário, o ônibus da Costa Leste que faz trajeto parecido e cobra 2,70 reais aguardava vazio o embarque de passageiros. A Costa Leste admitiu que a medida vem tendo “grande impacto” no número de usuários do sistema, mas não deu mais informações. A Viação Amparo não retornou os pedidos de entrevista da reportagem.

Para a gente foi muito útil, as passagens aqui em Maricá são muito caras. Para um trecho curtinho, você já paga três reais para ir e três reais para voltar. Por exemplo, um casal e duas crianças, você já vai pagar um preço absurdo. Tem família aqui que não conseguia ir à praia porque não tinha condições de pagar um ônibus. Com esse dinheiro já dá para comprar um pão, ou um leite para as crianças”, conta a dona de casa Marilza Marques, de 63 anos, durante uma das viagens.

Desde que começou a operar, em pouco mais de um mês, os ônibus gratuitos já transportaram mais de 200 mil passageiros. A Prefeitura de Maricá estima que já esteja atendendo 70% da população. A gratuidade fez até com que moradores de cidades vizinhas pudessem começar a frequentar as praias de Maricá. “Onde a gente mora é supertranquilo. Agora começou a vir um povo de São Gonçalo para as praias. Eles não consomem nada. O pessoal do quiosque reclama também”, critica uma professora que não quis se identificar, enquanto espera o ônibus gratuito.

A Prefeitura espera ainda que o dinheiro, antes aplicado na passagem, comece a ser injetado no comércio da região. Como o ônibus funciona também de madrugada, as lojas próximas à rodoviária passaram a estender o horário de atendimento. “É um retorno que a prefeitura vem dando para o povo. O povo não ganha nunca nada. Agora tem ar condicionado, serviço de qualidade”, conta o empresário Luiz Carlos Souza. “Eu estou economizando esse dinheiro para fazer um sacolão”.

VEJA TAMBÉM: 7 grandes cidades que estão abrindo mão dos carros

Comente aqui


Álbum de família

Publico artigo do jornalista Celso Nascimento, da Gazeta do Povo

Quando Luiz Abi foi preso pelo Gaeco sob suspeita de fraudar licitação do governo, foi aquela correria no Palácio Iguaçu. “Ele é apenas um primo distante”, dizia o governador Beto Richa, visivelmente incomodado com o infausto acontecimento que afetava a família. Depois, ainda que todos concordassem sobre a distância do parentesco que os tornava primos em 4.º ou 5.º grau (parece que eram irmãs as bisavós de ambos), veio outra versão: que Luiz Abi não passava de alguém com quem o governador manteria apenas “relações sociais”.

Desses velhos arquivos digitais fazem parte as fotos publicadas ao lado. Elas datam de 2009, quando Richa era ainda prefeito de Curitiba. Supostamente convidado para proferir uma palestra em Jerusalém, aproveitou a ocasião para levar com ele numerosa comitiva, da qual faziam parte, entre outros, a primeira-dama, Fernanda Richa; o então procurador-geral do município e atual presidente do Tribunal de Contas, Ivan Bonilha; o prefeito de Cornélio Procópio e ex-secretário do Trabalho, Amin Hannouche; e, claro, o indefectível Luiz Abi. A viagem não terminou em Israel. Como estavam mesmo ali pertinho, Richa e comitiva seguiram para o Líbano, terra dos ancestrais dele e do suposto primo. Foram recebidos com honras de estado, com grande protagonismo de Luiz Abi, que de longa data cultiva amizades importantes naquele país, a ponto de facilitar passeios em iates de luxo (o que lhes serviu foi o Lady Y, de 62 pés, seis suítes, avaliado em US$ 30 milhões).

Abi foi também o agente que pôs Beto Richa em contato com Said Hariri, filho de Rafic Hariri, o primeiro-ministro morto em atentado quatro anos antes. Said, conhecido magnata, sucedeu o pai como primeiro-ministro do Líbano, um país paradisíaco (salvo pelas cicatrizes de guerra) e discretíssimo importador de quantidades significativas de massari “made in Brazil” excedente.

São apenas recordações afetivas – cada vez, porém, mais distantes à medida em que o Gaeco caminha no sentido contrário, mostrando a proximidade de alguns com fraudes licitatórias e fiscais em Londrina e adjacências.

foto 1 coluna celso-U10818651762NOD-U10820815579waH-411x212@GP-Jornal-INTERIOR

Acima, Luiz Abi (terno cinza) se destaca ao lado de Said Hariri, ex-primeiro-ministro do Líbano, em ato oficial a que também Richa estava presente. Ao lado, comitiva paranaense (Abi é o de camisa vermelha) e anfitriões em torno de uma mesa no convés do iate.

Comente aqui


Quem é e o que pensa Renato Janine Ribeiro

FONTE: BRASIL 247

Comente aqui


Desafio do Fórum Mundial é mobilizar novos grupos sociais, diz organizador

Fonte: Agência Brasil – Ana Cristina Campos – Enviada Especial da Agência Brasil/EBC Edição: Stênio Ribeiro

Fórum Social Mundial_banner

Inaugurado sob o lema “Um outro mundo possível”, em Porto Alegre, em 2001, o Fórum Social Mundial (FSM) continua atual, na opinião do diretor executivo da Associação Brasileira de Organizações não Governamentais (Abong), Damien Hazard. “Um outro mundo é possível, urgente e necessário. Em 2008, o mundo entrou em crise financeira, política, social e ambiental. O capitalismo está buscando formas de se reinventar. Isso coloca novos desafios para os movimentos sociais”, disse ele, que é membro do Conselho Internacional do FSM.

Nascido como contraponto ao Fórum Econômico Mundial, que reúne grandes empresários e políticos em Davos, na Suíça, o FSM tem o objetivo de valorizar outros modelos de desenvolvimento, pautar a desigualdade social na agenda mundial e mostrar que há outros caminhos possíveis, em que os direitos humanos têm importância maior que os econômicos, destaca Hazard.

Segundo ele, um dos desafios do fórum é mobilizar um número maior de organizações, particularmente os novos grupos sociais que surgiram em 2010, como o Occupy Wall Street [nos Estados Unidos], os Indignados da Espanha e os movimentos revolucionários no Norte da África. Para Hazard, resta saber se o encontro será capaz de articular as organizações que têm convergência em suas pautas e reivindicações, de modo a conseguir maior incidência política em âmbito mundial e maior visibilidade.

Segundo Francisco Whitaker, um dos fundadores do fórum e membro da Comissão Brasileira de Justiça e Paz, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e do Comitê Internacional do FSM, uma das propostas para resgatar a visibilidade do evento é voltar a fazer os encontros simultaneamente ao Fórum Econômico. “Deixamos de fazer nas datas de Davos e, do ponto de vista da comunicação, isso foi muito ruim. Saiu do mapa. Precisamos fazer de novo nas datas do Fórum Econômico Mundial de Davos para ocupar o espaço com um recado de que outro mundo é possível.”

Para Mounir Hassine, presidente do Fórum Tunisiano de Direitos Econômicos e Sociais, em Monastir, na Costa Oriental do país, o evento é um momento importante para a sociedade civil tentar mudar o modelo de desenvolvimento instaurado pelo neoliberalismo, que resultou em exclusão de classes sociais. “Por isso, vemos a explosão de movimentos terroristas, sobretudo no mundo árabe.”

“O fórum de 2013 [também na Tunísia] consolidou a sociedade civil [tunisiana] para lutar contra a islamização do Estado. Conseguimos, até o momento, ganhar a batalha da liberdade. Acredito que este fórum vai nos dar força para ganhar a batalha dos direitos, que é a mais importante, porque a reivindicação do povo tunisiano é pelos direitos econômicos e sociais”, disse Hassine.

A Tunísia é considerada o berço da Primavera Árabe, a série de levantes populares que derrubaram governos autoritários na região. A transição do país para um regime democrático é tida como o único caso de sucesso da onda de contestações, já que países como a Síria e o Egito estão assolados por conflitos. O país promoveu eleições parlamentares e elegeu seu presidente no ano passado.

Se for confirmada pelo Conselho Internacional do FSM, a cidade de Montreal, no Canadá, abrigará a próxima edição do fórum – a primeira em um país do Hemisfério Norte.

O Fórum Social Mundial 2015 vai até amanhã (28) e terá uma marcha de encerramento em solidariedade aos palestinos.

Comente aqui


Brasil tem pior crescimento econômico entre os Brics em 2014

Fonte: Pragmatismo Político

Brasil tem terceiro pior crescimento econômico do G20 em 2014. Entre os países mais industrializados do mundo, Aapenas Japão e Itália apresentaram desempenho inferior

crescimento econômico brasil
A indústria foi o setor com pior desempenho no PIB brasileiro em 2014, com queda de 0,1%

A economia brasileira teve um dos piores desempenhos entre os países mais industrializados do mundo em 2014. A confirmação pelo IBGE de que o Produto Interno Bruto brasileiro no ano passado cresceu apenas 0,1% determinou que, numa comparação com os outros 19 países do G20, apenas Itália e Japão apresentam resultados piores que o brasileiro no período.

Em 2014, a combalida economia italiana registrou encolhimento de 0,4%, ao passo que o Japão teve crescimento zero.

O desempenho brasileiro foi também ruim numa comparação com os países do grupo Brics – as maiores economias emergentes do mundo. A China cresceu 7,4%, a Índia, 7,2%. Mesmo com o impacto da queda do preço do petróleo em sua economia, a Rússia tem crescimento projetado de 0,3% (o país ainda não divulgou seus resultados para 2014). A África do Sul cresceu cerca de 1%.

Piora

No geral, os resultados dos países do G20 mostraram tendências de crescimento, com as principais economias da Europa apresentando recuperação. A Alemanha, depois de crescer 0,1% em 2013, pulou para 1,6% no ano passado.

O Reino Unido saltou de 1,7% para 2,6%. No geral a União Europeia teve crescimento de 1,3%, que cai para 0,9% quando apenas os países que adotam o euro como moeda são levados em consideração.

Entre as quedas acentuadas está a Argentina: cresceu 2,9% em 2013, ritmo quase seis vezes maior que o índice de 0,5% apresentado para 2014. Mas o outro integrante do G20 na América Latina, o México, teve um desempenho mais positivo: crescimento de 2,1% depois de apresentar 1,4% em 2013.

Nos últimos meses, diversos organismos internacionais, incluindo o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI), tinham revisado para baixo suas projeções para o crescimento da economia brasileira.

Analistas internacionais basearam suas estimativas em fatores que variaram da queda no preço do petróleo, passando pela redução de demanda da China, o principal parceiro comercial do Brasil.

“Espera-se que a economia dos países latino-americanos deteriore mais em 2015 e a fragilidades financeiras cresçam. O Brasil terá o desafio de lidar com os desequilíbrios macroeconômicos e com os excessos de políticas que levaram a um situação de baixo crescimento e inflação em alta. A dinâmica de ajustes provavelmente durará até 2016″, explica Alberto Ramos, chefe da Divisão de América Latina do fundo de investimentos Goldman Sachs.

Uma projeção com que as autoridades brasileiras não parecem discordar muito. Esta semana, o Banco Central estimou uma contração de 0,5% na economia brasileira em 2015.

BBC

Comente aqui