Entrevista montada de Beto Richa cai na internet e complica governador

Fonte: Pragmatismo Político

O dia que ficou para a história do Paraná pelas agressões covardes da PM contra professores também foi marcado por uma gafe. Vídeo sem cortes revelou que entrevista do governador Beto Richa (PSDB-PR) à TV e-Paraná foi montada

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Durante entrevista concedida à TV e-Paraná nesta terça-feira, o governador Beto Richa (PSDB) falou em pouco mais de 10 minutos sobre a greve dos professores e servidores públicos deflagrada no início desta semana. Para Richa, a greve dos educadores tem ‘motivação política’. Ao comentar a respeito do número excessivo de policiais militares em frente ao Centro Cívico de Curitiba, o governador destacou que “é preciso garantir a segurança e integridade física de deputados e funcionários”.

Satisfeito com o andamento e o produto final da entrevista, Richa divulgou o conteúdo em sua página oficial do Facebook. “Em entrevista que concedi hoje ao jornalista Denian Couto, falei a respeito da manifestação dos professores e da causa principal da paralisação: o projeto que altera o sistema previdenciário do Paraná”, escreveu o governador.

O que Beto Richa não esperava, porém, é que a versão do vídeo da entrevista sem cortes fosse acidentalmente publicada na internet. Em poucas horas, dezenas de internautas salvaram o material e o republicaram nas redes.

Sem saber que ainda estava sendo gravado, Denian Couto, ao fim da entrevista, deu a entender que tudo aquilo não passava de um circo montado:

“- Cara, foi excelente!”, comemorou o jornalista.

“- Foi?”, questionou Richa.

Assista:

De acordo com o advogado e professor Tarso Violin, a farsa da entrevista de Beto Richa à TV Educativa do Paraná “demonstra o quanto é necessária uma democratização da mídia no Brasil, com mais TVs realmente públicas, e não chapa-brancas […] Como pode alguém que se diz jornalista se prestar a esse papel?”, questiona.

Democracia sitiada

Eric Gil, economista, mestre em Ciência Política pela UFPR e colunista de Pragmatismo Políticoconsiderada que o Paraná, atualmente, vive em estado de democracia sitiada. De acordo com Gil, o governador Beto Richa não medirá esforços para amenizar a crise financeira que ele próprio ajudou a criar.

“[Beto Richa] vê no dinheiro da Paranaprevidência, sua redenção – a verba que ele precisa para amenizar a crise que ele mesmo ajudou a formar no Paraná”, afirma. “O tucano não quer arriscar novamente, e nesta semana o projeto deve ser aprovado, pois com um aparato de guerra posto pelo Governo do Estado para esta proposta ser votada, apenas um crescimento considerável da resistência dos professores pode parar a sede pelo dinheiro da previdência estadual”, conclui.

Greve geral

Nesta quarta-feira (28), a greve dos professores do estado do Paraná entrou em seu terceiro dia com adesão praticamente total da categoria, apesar de logo depois de sua deflagração a Justiça do Estado ter, a pedido do governador Beto Richa, declarado a greve “ilegal”.

A segunda greve dos professores paranaenses em menos de dois meses foi decidida em assembleia, realizada no último sábado em Londrina, em protesto contra as alterações propostas pelo governo Richa, que afetarão os servidores estaduais aposentados e pensionistas com mais de 73 anos de idade. Cálculos indicam que as mudanças reduzirão praticamente pela metade – de 57 para 29 anos – o tempo de solvência dos fundos de previdência do funcionalismo público.

Massacre

Ontem (28) a polícia usou balas revestidas de borracha, canhões d’água, bombas de gás e spray de pimenta para deter uma marcha dos servidores. Num determinado momento, até a chave do caminhão de som do sindicato dos professores sumiu. Deputados da oposição temem que haja um massacre nesta quarta-feira (28) contra servidores e professores que estão na frente da Assembleia Legislativa.

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Polícia Militar do Paraná usa spray de pimenta contra professores (divulgação)

 

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