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Bahr Baridades
20/06/2012 - 08h33 - visualizações

Impostos ou extorsão?

Autor Bahr-Baridades

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Sabemos que a soma dos tributos que pagamos em uma simples conta de energia elétrica chega a 50%. Os brasileiros trabalham perto de cinco meses por ano para o governo. Pagamos altíssimos impostos em alimentação, medicamentos, combustível, roupas, taxas obrigatórias anuais de veículos e qualquer objeto adquirido em todo o tipo de loja. As empresas calculam que o custo de cada funcionário registrado custe mais do que o dobro dos salários, quando se acrescem os encargos obrigatórios aos contratos de trabalho.

O custo de vida nas grandes cidades brasileiras é hoje um dos mais altos do mundo.

Se ao menos estes impostos retornassem aos brasileiros... Mas, não!

Sistematicamente tomamos conhecimento de acidentes gravíssimos nas estradas de Minas Gerais e do Nordeste, causados pela péssima conservação das estradas. No Paraná, a maior parte da rede viária se constitui em estradas não duplicadas – apesar de fazer parte da região Sul, a mais rica do país e cobrar pedágios altíssimos.

Pessoas morrem nas filas do SUS ou aguardando meses e até mais de ano por exames – alguns deles simples raios-X - para tratar de suas doenças, na maioria das vezes graves. Várias cidades não contam com equipamentos médicos nem capacitação para tratar doentes, que são obrigados a viajar até centenas de quilômetros em busca de tratamento. Esta insegurança obriga os brasileiros a pagar duplamente pela saúde: além do INSS compulsório, paga-se por planos privados em busca de um atendimento minimamente digno.

As obrigações dos governos federais, estaduais e municipais, com raras exceções, não são cumpridas: favelas se multiplicam no entorno das cidades, rios são poluídos, não há destinação correta para o lixo, a segurança pública é precária – assaltos e crimes se multiplicam assustadoramente –, as prisões e delegacias mantêm aglomerados de condenados e suspeitos como se fossem bichos e a qualidade do ensino básico brasileiro vai caindo rapidamente para as últimas posições no ranking mundial.

Enquanto isso, os brasileiros pagam nababescamente aos mais de 500 deputados federais – alguns deles comprovadamente semi-analfabetos, inúteis e incultos, aos senadores (uma duplicidade legislativa inexplicável), a excessivos deputados estaduais e vereadores, além de mantermos inacreditáveis 38 ou 40 (ou já seriam 41?) ministérios, secretarias e uma quantidade absurda de funcionários públicos, muitos deles inoperantes e outros tantos chamados de fantasmas.

No Senado, ascensoristas recebem salários maiores do que deputados suecos e uma bibliotecária tem proventos iguais ou até maiores, se comparados a um governador de Estado.

Os desvios de dinheiro pelas mãos de ministros, secretários de Estado, prefeitos, governadores, fiscais, seja através de licitações viciadas, ou de ONGs inexistentes, superfaturamento de obras, extorsão de empresários, além do famoso “dar um jeitinho” brasileiro, sugam bilhões de reais por ano dos cofres públicos, sempre direcionados para o enriquecimento ilícito dos oportunistas de plantão.

E nós, brasileiros, continuamos quietos, aceitando este estado de coisas passivamente, assistindo à deterioração ética dos políticos, ao descaminho, às orgias financeiras nos órgãos oficiais, caminhando no sentido oposto à qualidade de vida confortável - o tal IDH - vivida pela população de outros países.

Nós não pagamos impostos. Nós pagamos pela extorsão oficializada!

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